Editorial

Uma aventura única da Sea Shepherd na Namíbia

Comentário por Andre Menache, voluntário da Operação Focas do Deserto

Reserva de focas de Cape Cross. Foto: Sea Shepherd

Reserva de focas de Cape Cross. Foto: Sea Shepherd

Aqui eu estava, um cirurgião veterinário de 50 e poucos anos, calmamente cuidando da minha vida em Londres, quando, de repente, recebi um telefonema do Coordenador da Sea Shepherd no Reino Unido, perguntando se eu estaria interessado em participar de uma missão para ajudar a defender as focas na Namíbia. Foi realmente um sonho para mim, porque eu sempre tive um enorme respeito e admiração por pessoas como o Capitão Paul Watson, que uma e outra vez se colocam em perigo e demonstram coragem em proteger as baleias, golfinhos, tartarugas, focas e muitas espécies mais da fauna marinha.

Antes que eu percebesse, eu estava em um avião para Johannesburg, com um vôo de conexão para Windhoek, capital da Namíbia, lar de algumas das poucas colônias de focas restantes do mundo. Tendo estudado medicina veterinária na África do Sul, esta parte do mundo não era completamente estranha para mim. No entanto, a minha visita anterior à Namíbia foi cerca de 32 anos atrás. Uma coisa não mudou, porém: o belo pôr do sol e a lua magicamente coloridos no horizonte, virou-se de amarelo para vermelho pela poeira do deserto.

Foi um verdadeiro prazer e uma honra encontrar a equipe internacional da Sea Shepherd da missão, incluindo representantes do Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e África do Sul. A coisa louca é que éramos um grupo de estrangeiros tentando ensinar o povo namibiano a cuidar de um de seus tesouros nacionais – a colônia de focas. Em vez disso, logo nos vimos rotulados como uma “ameaça à segurança nacional” pela imprensa da Namíbia.

Um cão amigável faz uma visita à Sea Shepherd na Namíbia. Foto: Sea Shepherd

Um cão amigável faz uma visita à Sea Shepherd na Namíbia. Foto: Sea Shepherd

A matança de focas que ocorre aqui é mais bárbara do que qualquer outra, porque a Namíbia é o único país no mundo que permite que os filhotes de focas sejam espancados até a morte. O leite pode ser visto literalmente pingando da boca de alguns dos filhotes de focas recém-mortos. O abate ocorre no início da manhã. Os animais são então rapidamente removidos da praia e as manchas de sangue são instantâneamente cobertas com areia, em um esforço por parte das autoridades para cobrir todos os sinais reveladores do massacre. Logo depois os turistas chegam, alheios ao que acabou de acontecer, exceto pelo fato de que pequenos grupos de filhotes de focas vagueiam desnorteados perto da costa, em busca de suas mães que fugiram para a segurança do mar.

Quando deixados em repouso em condições normais, filhotes de focas se reúnem em grupos de 30 a 40 indivíduos, enquanto suas mães vão se alimentar de peixes no mar. A praia inteira é normalmente coberta com focas sob o sol, algumas cuidando de seus filhotes, outras disputando um lugar nas rochas, mas a atmosfera é calma. Não como depois do abate. A maioria das focas estão ou no mar ou à beira da água, e as praias ficam estranhamente vazias.

Não pode haver nenhuma justificativa para esta brutal matança anual de 85 mil filhotes de focas mortos por suas peles, e 6.000 machos mortos por seus órgãos genitais, razão pela qual a Sea Shepherd criou esta missão de documentar este segredo sombrio. A Sea Shepherd não vai descansar até que sua missão de expor esta matança brutal de focas para o mundo inteiro seja realizada. O abate de focas não é só insustentável do ponto de vista de conservação, mas é igualmente insustentável do ponto de vista de relações públicas.

Agora que a Sea Shepherd tem testemunhado esse massacre da vida selvagem, será possível informar a mídia e o público (especialmente os turistas que visitam a Namíbia), e pressionar as autoridades para colocar uma moratória imediata sobre o abate de focas neste lugar tão bonito, pelas futuras gerações de focas e seres humanos.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

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