Tubarão

Com apoio da Sea Shepherd Brasil, Santos bane carne de cação na merenda

Secretarias de Educação e do Meio Ambiente da cidade dão mais um passo que dá exemplo a outras cidades a favor da preservação do oceano; município é o primeiro a firmar parceria do tipo com a Sea Shepherd Brasil

A Sea Shepherd Brasil, unidade brasileira da maior organização sem fins lucrativos de proteção da vida marinha e do oceano do mundo comemora a decisão definitiva da Secretaria de Educação da cidade de Santos, cidade litorânea do estado de São Paulo, de não oferecer carne de cação na merenda escolar de todas as escolas públicas de seu município, se tornando a primeira cidade brasileira a firmar o compromisso com a organização global. Em convite de aproximação do embaixador da Sea Shepherd Lawrence Wahba, a organização apresentou fatos e dados sobre os perigos do consumo de cação no Brasil e convenceu os órgãos públicos da cidade para esta decisão que é agora oficial. 

Desde 2010, esse tipo de carne, que pode ser de tubarões e até mesmo raias, já não faz parte do cardápio da rede municipal de ensino. Anualmente, o consumo de peixes na merenda escolar da cidade é de 40 mil kg por ano, o que representa aproximadamente 440 mil kg de carne de cação que foram poupados de ser consumida pelas crianças na cidade.

Tubarão

Sofia Bonna Boschetti, nutricionista e coordenadora de Merenda Escolar da Secretaria de Educação de Santos, conta que a escolha de um produto para a merenda escolar da cidade segue uma série de critérios, dentre eles o ambiental.

“Quando pensamos na gestão da alimentação escolar temos que avaliar uma série de fatores como o nutricional, mas não podemos deixar de analisar o impacto ambiental e os resíduos que geram a nossa compra”, avalia.

Esta decisão é a partir de agora definitiva, não abrindo brechas para o retorno do cação nas merendas escolares. A medida é mais uma iniciativa da prefeitura da cidade de Santos a favor da preservação do oceano. Em novembro de 2021, a cidade foi a primeira do mundo a estabelecer a cultura de preservação dos oceanos na rede de ensino, sob a Lei Municipal nº 3.935, fato reconhecido pela UNESCO.

De acordo com Marcus Fernandes, coordenador de políticas ambientais da Secretaria de Meio Ambiente de Santos (SEMAM), a medida é essencial e se soma a outras ações do Município. “A SEMAM já realiza diversos trabalhos voltados à preservação do oceano. Traduzimos para os países de língua portuguesa a cartilha Cultura Oceânica, da UNESCO, e em parceria com o Instituto de Pesca, criamos o Programa Pesca Fantasma, sobre o descarte de petrechos. Agora, com a Sea Shepherd, ampliaremos essas ações, lembrando que estamos na Década da Ciência Oceânica”.

Nathalie Gil, diretora executiva da Sea Shepherd Brasil, comemora mais uma conquista da campanha da Sea Shepherd ‘Cação é Tubarão’, que recentemente culminou também no cancelamento do edital que previa o fornecimento de 650 toneladas de carne de cação para escolas da rede municipal de São Paulo.

“Um braço essencial da Sea Shepherd é a educação e a disseminação de conhecimento sobre questões ambientais ligadas ao oceano. O consumo de cação, além de ser extremamente danoso para o meio ambiente, também traz graves riscos à saúde de quem consome, principalmente as crianças. Nosso objetivo é que este seja um marco que dê exemplo; e que todas as prefeituras sigam o exemplo de Santos e busquem alternativas mais saudáveis e sustentáveis para a merenda escolar”, analisa.

Tubarão

Problemas da carne de cação

A bióloga Bianca Rangel, cientista da Campanha Cação é Tubarão, da Sea Shepherd Brasil, alerta para os riscos de toxicidade da carne do animal. “O tubarão, por ser um animal de topo de cadeia, se alimenta de outros diversos animais. Por meio do processo de bioacumulação, todos os agentes contaminantes, incluindo metais pesados como mercúrio e arsênio, além de pesticidas e derivados de petróleo, se acumulam na carne, sendo um alimento longe de ser saudável, ainda mais para crianças”, aponta a cientista. A OMS recomenda um limite diário de consumo de 0.5mg desses metais para uma pessoa adulta – e não recomenda para crianças ou gestantes – e estudos já revelaram a presença de mais de duas vezes essa quantia em carne do animal. Os riscos do consumo vão desde intoxicação alimentar até mesmo danos cerebrais. Porém, o edital aceita o dobro da quantidade de mercúrio por posta de cação – portanto não seguindo protocolos seguros de ingestão, principalmente por crianças.

Já em relação aos riscos ambientais, além do desequilíbrio do ecossistema marinho, pelo fato do tubarão ser um predador de topo de cadeia alimentar. A carne de cação se refere a uma grande gama de espécies, que contempla raias e tubarões, o que muitas vezes acaba incluindo o consumo de espécies criticamente ameaçadas e proibidas de comercialização, como tubarões-martelo e raias-viola. A carne de cação é vista como um subproduto do mercado de barbatanas de tubarões, altamente consumidas em alguns países asiáticos. Como a carne do animal não é de interesse para a maioria dos países, o Brasil adquire a um preço atrativo, em comparação com outros animais, o que faz com que o país seja atualmente o 1º importador e consumidor de carne de tubarão em escala mundial.

Campanha Cação é Tubarão

Lançada em 2021, a campanha CAÇÃO É TUBARÃO da Sea Shepherd Brasil visa entender como e onde os tubarões e raias estão sendo comercializados no Brasil, quais são as espécies e de onde elas estão vindo, com o objetivo de alertar a sociedade acerca desta prática e auxiliar na informação para a influência de iniciativas governamentais.

Como parte da campanha CAÇÃO É TUBARÃO, a Sea Shepherd Brasil também está implementado a condução de um estudo científico baseado na coleta de informações via ciência cidadã e análise genética e de metais pesados com o objetivo de mapear a extensão do comércio da carne de tubarões e raias pelo Brasil e finalmente identificar as espécies envolvidas nesses comércio e seus nomes regionais.

Saiba mais em nossa página sobre a campanha.
Logotipo da campanha Cação é Tubarão

Junte-se a nós

Ajude-nos a defender os tubarões contra a pesca ilegal.

Peixes mortos em cesto

Quem vai pescar o último peixe?

Desde 2004, a produção pesqueira tem apresentado queda e em contrapartida o consumo tem aumentado, a devastação dos oceanos já é uma realidade e a pesca predatória de cardumes nos chama atenção apenas quando nos deparamos com a mudança nos preços.

Podemos começar citando a dizimação dos atuns: o atum gordo e adulto se tornou um item tão raro que passou a ser disputado em leilões. “Dos 23 estoques de atum, a maior parte foi totalmente explorada (mais de 60%), alguns estão superexplorados ou esgotados (até 35%) e só um pouco parece estar subaproveitado”, lê-se no relatório O estado dos pesqueiros e da aquacultura mundiais – 2010, divulgado em 1º de fevereiro pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Atum morto em rede

O atum, juntamente com o bacalhau, robalo e salmão são grandes predadores marinhos e todos estão ameaçados. No passado, avistar peixes de grandes proporções era algo comum nos oceanos. Atualmente, grandes predadores são raros e esses cardumes são formados por peixes que são apenas uma sombra de seus ancestrais: quando o homem mata os maiores peixes, além de reduzir a proporção desta espécie, ele beneficia a sobrevivência de peixes menores.

O bacalhau é outro exemplo: durante séculos foi tido como principal fonte de proteína animal pela população pobre de Portugal, até a década de 80 era considerado como um alimento barato.

Os estoques de bacalhau vêm variando muito desde os anos 1950. As avaliações de estoques feitas em diferentes regiões demonstram muita incerteza em relação à quantidade sustentável de peixes disponível. Em áreas como o oeste do Mar Báltico, a Escócia e o Mar Celta, os estoques sofrem efeitos severos da sobrepesca.

O salmão é um peixe que nasce em água doce, passa a vida adulta no mar e retorna ao rio onde nasceu para procriar e morrer. A construção de barragens, hidrelétricas e a poluição dos rios dizimaram quase todas as subespécies de salmão.

“A primeira subespécie a desaparecer foi o salmão do nordeste brasileiro, ainda nos anos 1970”, diz o jornalista e pescador americano Paul Greenberg, autor de Quatro peixes – O futuro do último alimento selvagem. “Tudo começou com a extinção do salmão brasileiro”, diz.

Em seguida foi a vez das subespécies ibérica, francesa, inglesa, nórdica, americana do Atlântico, californiana e canadense. Hoje, a última subespécie selvagem sobrevivente é o salmão do Alasca. Atualmente, quase todo o salmão consumido no mundo é criado em fazendas na Escandinávia e no sul do Chile.

Salmão ferido

Desde 2004, quando atingiu o recorde de 84 milhões de toneladas de peixe extraídas dos mares, a produção cai ano a ano. Em 2009, apesar do aumento na frota pesqueira, o volume pescado ficou em 79,9 milhões de toneladas segundo o relatório da FAO. Enquanto isso, o consumo de peixe só cresce: em 2004, a humanidade devorou 104 milhões de toneladas e em 2009, foram 118 toneladas. Em 2016, a captura global de pescado atingiu 90,9 milhões de toneladas, com mais de 87% do volume proveniente dos oceanos. Os líderes mundiais em captura são China, Indonésia, Estados Unidos, Rússia e Peru.

As estatísticas de pesca vêm avançando lentamente e não refletem a realidade de sobrepesca, em que frotas industriais vêm buscando cada vez mais regiões, até então inexploradas, para acessar novos estoques e dar conta da crescente demanda mundial. Os dados mais recentes disponíveis mostram que, de 2012 a 2016, pelo menos 55% dos oceanos foram utilizados para prática de pesca. Esta área corresponde a quase quatro vezes a área usada para agricultura em terra e continua a aumentar ano após ano. Esse cenário afeta diretamente a pesca artesanal – com estoques reduzidos, os pescadores têm que ficar mais tempo no mar para conseguir capturar a mesma quantidade de pescado, trabalhando em condições cada vez mais precárias e expondo-se a mais riscos. Com menor capacidade de locomoção, estes trabalhadores também têm menos capacidade de conservação do pescado, o que compromete a qualidade do produto e sua competitividade, fragilizando ainda mais a categoria.

O declínio da pesca marítima é irreversível, a não ser que se estabeleça uma suspensão mundial, dando tempo para a recomposição dos cardumes. A medida, embora sensata, seria impensável. Caso a suspensão fosse aplicada, 40 milhões de pessoas que trabalham e dependem da pesca perderiam sua fonte de sustento.

Uma pesquisa realizada em 2017 com consumidores de todo o país revelou que, apesar de mais de 90% dos brasileiros consumirem peixe, a grande maioria (59,2%) o faz apenas a cada 15 dias, mensalmente ou em ocasiões especiais. A pesquisa, divulgada pelo Comitê Gestor da Semana do Peixe, mostra que boa parte dos brasileiros evita comprar pescado porque considera o preço alto ou por falta de costume. Apesar de o consumo interno estar abaixo da média mundial, o Brasil ocupa posição de destaque nas importações de pescado na América Latina, com um grande potencial de crescimento no segmento. Isto gera pressão sobre os ecossistemas marinhos e espécies de pescados brasileiros. Por este motivo, o cenário pesqueiro nacional demanda bastante atenção, principalmente pelas práticas pouco responsáveis e pela falta de uma gestão pesqueira eficiente.

O cenário da pesca no Brasil não tem sido animador. Atualmente, estima-se que 80% dos recursos pesqueiros do País estão sendo explorados além de sua capacidade natural de regeneração. Em outras palavras, peixes e outros frutos do mar estão sendo capturados em uma taxa superior à que conseguem se reproduzir, o que pode levar a um colapso da pesca no Brasil.

Ter informações confiáveis sobre o estado das populações selvagens é necessário para uma gestão da pesca eficaz. No caso do Brasil, esse é um obstáculo ainda maior, visto que em nosso país não existe coleta sistemática de dados de pesca por parte do governo desde 2009. Logo, é possível que estejamos extinguindo espécies sem nem sequer termos conhecimento disso além do comprometimento da eficiência de todos os outros pontos da gestão pesqueira.

Fontes de Pesquisa: 

  • EcoDebate, 09/03/2011
  • Reportagem de Peter Moon, na revista Época, n.665
  • “The State of World Fisheries and Aquaculture 2010”, National Geographic e Sea Around Us
  • Guia de Consumo Responsável de Pescado no Brasil – WWF, 2019

Junte-se a nós

Faça parte da luta pelo oceano.

Tubarão

Tubarões não são assassinos. Pessoas que matam tubarões são.

Quando se trata de causas de morte, os tubarões estão longe de ser os principais causadores, ficando no final dessa lista.

Texto do fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson

Tubarões

Suas chances de morrer em um carro, ser baleado na rua, ser atingido por um raio ao jogar golfe, escorregar na banheira ou morrer de intoxicação alimentar em um restaurante são muito maiores.

No quesito reino animal, há muitos outros animais (especialmente os mosquitos) que são mais prováveis de atacar e matar um ser humano do que um tubarão. Ainda assim, nenhum animal é mais perigoso do que o animal humano.

Então, por que toda a histeria sobre os tubarões?

Os três principais culpados são: 1) a mídia; 2) políticos oportunistas; e 3) surfistas desavisados e pescadores com arpão.

A mídia começou a difamar os tubarões com aquele filme abominável de Steven Spielberg, Tubarão. Esse filme semeou dezenas de filmes B anti-tubarão e levou a retratos imprecisos e demonizantes de tubarões na televisão.

Os políticos, sempre rápidos em controlar os medos do público, aproveitam a histeria como uma forma barata de se fazerem parecer como defensores dos seus cidadãos mais crédulos contra monstros. Essa forma de comportamento dos políticos remonta aos dias da matança de dragões e até mesmo às cruzadas contra os lobos.

E agora temos os balidos covardes de uma minoria muito pequena de surfistas que querem que os tubarões sejam eliminados, então eles não precisam se preocupar com o fato de que suas pranchas e seu comportamento tendem a atrair os tubarões já que se parecem com comida desses animais, focas por exemplo. Da perspectiva de um tubarão sobre a superfície, um surfista em uma prancha definitivamente se parece com uma foca.

Os verdadeiros surfistas não são o problema. Eles entendem a situação e percebem que quando alguém se aventura no mar, é bom tomar alguns cuidados, como não surfar em áreas em determinada época do ano ou hora do dia em que os tubarões procuram comida. Também não usam relógios brilhantes, maiôs ou pranchas brancas.

Quanto aos pescadores com arpão, o peixe morto, recém arpoado, pode ser um ímã para os tubarões, que procuram presas fáceis.

O verdadeiro milagre de tudo isso é quão poucos ataques de tubarão realmente acontecem, considerando as dezenas de milhões de pessoas que surfam, nadam, pescam e mergulham no mar.

A razão para isso é que os tubarões simplesmente não atacam naturalmente os seres humanos e a maioria dos ataques de tubarão são simplesmente casos de identidade equivocada.

E por causa disso, o surfe e a pesca submarina são na verdade mais seguros do que jogar golfe, onde mais jogadores morrem a cada ano por causa da queda de raios no campo do que surfistas por ataques de tubarão.

Eu nadei, surfei e mergulhei com tubarões, incluindo tubarões-brancos, tubarões-martelo, tigres, touros e azuis, entre outros. Nunca fui ameaçado. Eu tive tigres em volta de mim e grandes brancos me lançaram um olhar curioso, mas nenhuma vez eu senti que minha vida estava em perigo.

Mergulho em rota de tubarões. Foto: Kadu Pinheiro

Mas, mesmo que fosse, compartilho da posição que meu amigo Kelly Slater mantém, de que o mar é o lar dos tubarões e não cabe a nós invadir e depois reclamar. 

Pois a verdade é que os tubarões são essenciais para a saúde e o bem-estar dos ecossistemas oceânicos. Precisamos de tubarões para manter essa saúde e bem-estar, pois a perda do tubarão em nosso oceano terá consequências muito graves e essas consequências impactarão negativamente a humanidade.

Por que houve um ligeiro aumento nos ataques de tubarão nos últimos anos? 

As razões são muitas e quase todas causadas pelo homem. A Austrália Ocidental envia centenas de milhares de ovelhas e vacas vivas para a Ásia todos os anos e essas embarcações de gado derramam sangue, urina e fezes nas águas e atiram centenas de corpos de animais mortos também ao mar, atraindo tubarões. As pessoas costumam ignorar os avisos nas praias. E provavelmente o fator mais significativo de todos é que os humanos estão esgotando os peixes do oceano e isso está fazendo com que os tubarões se aventurem em direção à costa em busca de comida; ainda assim, o número de ataques de tubarões é notavelmente baixo.

A maioria dos ataques de tubarão resulta da ignorância humana e da degradação dos ecossistemas oceânicos. Logo, o problema não está no tanto que tubarões matam pessoas. O problema são pessoas ignorantes que matam tubarões.

Texto do fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson

Junte-se a nós

Ajude-nos a defender os tubarões contra a pesca ilegal.

Tubarão morto sobre poça de sangue

Manifestação contra a compra de 650 toneladas de carne de cação para a merenda em escolas públicas pela Prefeitura de São Paulo

Manifestação contra a compra de 650 toneladas de carne de cação para a merenda em escolas públicas pela prefeitura de São Paulo

No dia 10 de novembro de 2021, a Prefeitura de São Paulo realizou um leilão que visa a compra de mais de 650 toneladas de carne de cação congelada, em cubos e sem pele, destinada ao abastecimento das unidades educacionais vinculadas ao Programa de Alimentação Escolar (PAE). Estudos apontam que 70% das pessoas não sabem que o ‘cação’ é carne de tubarão – e muitas vezes, este é vindo de fora do país, sem fiscalização que garanta sua origem. Com isso, além de sérios riscos à saúde, como a ingestão de carnes que podem ser altamente tóxicas, o consumo da carne dita de “cação” pode causar graves danos ambientais, como colocar em risco espécies em extinção como tubarões-martelo e raias-viola, causando também o desequilíbrio do ecossistema.

Em repúdio ao edital, a carta abaixo foi enviada ao departamento de licitação da Secretaria da Educação da Prefeitura de São Paulo no início da noite do dia 10 de novembro de 2021. 

Neste cenário, o Instituto Sea Shepherd Brasil, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que tem como foco a conservação marinha e de todos animais que habitam o oceano, vem a público se manifestar sobre o Edital de Pregão Eletrônico n° 75/SME/2021 Processo Eletrônico nº 6016.2021/0062237-5

Considerando que:

  • A carne de tubarões apresenta altas concentrações de metais e outros contaminantes tóxicos, como mercúrio e arsênio, substâncias que, quando ingeridas, podem causar danos à saúde, como no desenvolvimento neural de crianças. Isso porque esses animais ocupam altas posições tróficas na cadeia alimentar marinha, e acumulam essas substâncias tóxicas ao longo da vida; 
  • Um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública em 2008, demonstra que, em amostras de tubarão-azul (Prionace glauca), espécie de tubarão mais pescada e consumida no Brasil, os índices de mercúrio excederam em mais de duas vezes o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS); 
  • A Food and Drug Administration (FDA), agência federal americana (equivalente à ANVISA no Brasil), não recomenda a inclusão de tubarão no cardápio de grávidas, de mulheres que estejam amamentando e de crianças, seja em que quantidade for;
  • Tubarões são caracterizados por história de vida conservativa, por exemplo, baixa fecundidade, maturação sexual tardia, crescimento lento, alta longevidade, longos períodos de gestação (e geracionais), fidelidade a certas áreas e formação de agregações reprodutivas, conjunto de características que confere às populações, baixo potencial de reposição em caso de mortalidades excedentes ou aquelas ocorridas por causas não naturais;
  • No Brasil, a carne de cação comercializada trata-se de uma sub-rotulagem para carne de diferentes espécies de tubarões, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
  • Em 2021, a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) reportou que 1/3 da fauna global de elasmobrânquios (grupo que inclui tubarões e raias) está ameaçada de extinção;
  • Em 2018, o Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio) considera que das 93 espécies de tubarões avaliadas no Brasil, aproximadamente 40% das espécies de tubarão encontram-se ameaçadas de extinção e 22% não possuem dados suficientes para serem avaliados;
  • Em 2019, a produção de tubarões no estado de São Paulo, segundo informações do Portal PropesqWeb (Instituto de Pesca/PMAP-SP), esteve em torno de 249.514,47 kg, devendo-se considerar que existe pouca (ou baixíssima) resolução taxonômica, onde a maioria das espécies é agrupada em grandes categorias que não permitem a identificação em nível específico;
  • No Brasil não existem estatísticas nacionais desde pelo menos 2007 e deve ser considerado que, excepcionalmente para elasmobrânquios, as estatísticas nacionais são deficientes há décadas (não diferenciam espécies na maioria das unidades da federação);
  • O controle do esforço pesqueiro, monitoramento de desembarques e eventuais cotas de captura, bem como a fiscalização eficiente sempre se apresentaram como grandes desafios para manejo e conservação adequados de recursos pesqueiros, principalmente de elasmobrânquios (não existe coleta sistemática de dados desde 2006; agências de fiscalização não têm corpo efetivo);
  • A Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura do Município de São Paulo (SME) torna público, processo de Licitação (Edital de Pregão Eletrônico n° 75/SME/2021, Processo Eletrônico nº 6016.2021/0062237-5) que tem por objeto a aquisição de PEIXE CONGELADO – CAÇÃO EM CUBOS SEM PELE (Lote 1 – 9.050 kg/mês com limite total de uso da Ata estimado em 162.900 kg  e Lote 2 – 27.150 kg/mês com limite total de uso da Ata estimado em 488.700 kg), destinado ao abastecimento das unidades educacionais vinculadas aos sistemas de gestão direta e mista do Programa de Alimentação Escolar (PAE) do Município de São Paulo;

Insta que:

  • O Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Educação (SME) promova imediatamente o cancelamento do Edital de Pregão Eletrônico n° 75/SME/2021, Processo Eletrônico nº 6016.2021/0062237-5, sobre aquisição de peixe congelado – cação em cubos sem pele, destinado ao abastecimento das unidades educacionais vinculadas aos sistemas de gestão direta e mista do programa de alimentação escolar (PAE) do município de São Paulo.

Adendo – Importante adicionar:

  • A Food and Drug Administration (FDA), agência federal americana (equivalente à ANVISA no Brasil), exige menos de 0,5 mg de mercúrio por kg deste tipo de carne para adultos, e o edital em questão aceita o dobro desta quantidade, limitando a até 1,0 mg por kg desta carne.
  • Não está claro no edital se a venda será focada em fornecimento de importados ou produção nacional. Como este edital é aberto a grandes empresas, cooperativas e pequenos produtores, pode ser estendido para este fim. Com o conhecimento da problemática de a importação de elasmobrânquios no Brasil não exige classificação de espécie ou rastreio total da pesca, esta compra pode ser feita de produtos oriundos de pesca industrial internacional de barbatana de tubarão, assim como de espécies classificadas como em risco de extinção de acordo com a classificação internacional da IUCN.

Esta carta é acompanhada por um abaixo-assinado aberto dia 9 de novembro de 2021 às 20:00, convidando cidadãos brasileiros que apoiam esta manifestação. Última atualização em 10 de novembro de 2021 às 18:33 com 1.633 assinaturas.

Ainda, esta carta foi elaborada como uma decisão do ISSB em conjunto com a SBEEL – Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobrânquios, que reúne especialistas das áreas acadêmica e técnica de institutos de pesquisas, universidades públicas e privadas, sociedade civil, órgãos governamentais, agências de fomento e setores da cadeia produtiva, todos devotados ao estudo dos mais variados aspectos da biologia destes animais com o objetivo de gerar subsídios à implementação de políticas públicas que visem manejo e conservação – levando em consideração todos os pontos técnicos dos especialistas da SBEEL e Instituto Sea Shepherd Brasil.

 

Voluntárias embarcadas em saída da Campanha Borrifos

Como é ser um voluntário embarcado da Sea Shepherd Brasil?

Voluntários relatam a experiência de uma primeira operação no mar

Nas redes sociais, recebemos muitas perguntas sobre como o voluntário da Sea Shepherd Brasil pode atuar e como funciona a rotina deles em uma embarcação independente de ser um ou mais dias embarcados. Considerando essa curiosidade, decidimos mostrar os relatos de quem vivenciou essa experiência.

São histórias interessantes e ricas, além de situações atípicas, que acabam por ser uma inspiração para aqueles que desejam vivenciar o novo. Nosso intuito é instruir aqueles que consideram realizar trabalho voluntário e se dedicar de fato a tal empreitada. Compartilhamos os relatos da Campanha Borrifos cujo propósito era monitorar a  migração de baleias jubarte em Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Vale a pena conferir!

 

Thiago Bolivar

Após oito anos como voluntário e filiado da Sea Shepherd Brasil, recentemente tive a oportunidade de participar de uma saída embarcada. Em uma circunstância anterior, já havia representado a Sea Shepherd a bordo de uma embarcação: no Dia Mundial de Limpeza de Praias e Rios de 2019, quando, remando minha própria canoa junto à foz do Rio Iguaçu, na Tríplice Fronteira, atuei somando esforços ambientais de membros de organizações parceiras; porém, desta vez, minha  participação ocorreu de forma oficial em uma campanha consolidada e com propósitos científicos, em Borrifos, nos arredores da Ilhabela. 

Inicialmente, ressalto que a participação em operações semelhantes envolve mais que a simples vontade de colaborar: é necessário estar realmente apto para o trabalho e tudo o que ele envolve. Além disso, deve-se ter disposição para passar algumas horas (neste caso, foram três) no balanço do mar, diante de qualquer condição climática e é preciso saber como se comportar em uma embarcação, colocando-se sob a autoridade do capitão e do líder do grupo de pesquisa.

Voluntário Thiago Bolivar

Essa postura é necessária visto que, em situações similares, ter uma hierarquia de comando é essencial; em se tratando de uma saída com fins científicos, visando principalmente o registro de espécies avistadas, é solicitado ter bons conhecimentos a respeito da fauna marinha da região, bons olhos e um bom manejo de equipamentos como câmeras, binóculos, telêmetros e afins.

Campanha Borrifos - Baleia

As saídas da Operação Borrifos foram organizadas pela Coordenadora da Campanha Mara Lott durante o trânsito de baleias pela região; que salvo ocasiões excepcionais, ocorrem uma vez por semana durante o período em questão. Na oportunidade que descrevo, eu e a Coordenadora de Educação Giselle Reis nos somamos a dois pesquisadores de outras ONGs e a três membros da tripulação do pequeno barco. Nosso trabalho consistia em lançar olhares de varredura ao longo de todo o trajeto pelo canal que separa a ilha da costa de São Sebastião, e assim pudemos contabilizar, naquela tarde, o avistamento de uma baleia jubarte, uma tartaruga verde e dois pinguins de magalhães. Também tínhamos a expectativa de encontrar  raias-manta, o que não se cumpriu pois estas não deram o ar da graça no dia. De qualquer forma, esse revés  não foi exatamente inesperado visto que a  fauna  nem sempre irá aparecer onde e quando esperamos. Cabe destacar que os voluntários embarcados receberam a  contribuição de pesquisadores situados em terra,  e estes  comunicavam avistamentos realizados a partir de seus pontos de observação.

Os voluntários da Sea Shepherd Brasil vêm realizando, há muitas temporadas, esse inestimável trabalho científico que leva ao conhecimento de particularidades da fauna marinha brasileira, com a finalidade última de defender, conservar e proteger as espécies que frequentam nossas costas.

Como  voluntário estabelecido relativamente longe do litoral, levarei para sempre a lembrança desta primeira experiência, e aproveito a oportunidade para encorajar os colegas brasileiros a capacitarem-se para as diversas ações que a Sea Shepherd organiza no mar ou em terra.

 

Giulia Braz

No dia 2 de setembro de 2021 tive a oportunidade de acompanhar uma saída embarcada da Campanha Borrifos. Fiquei muito feliz em ver e aprender melhor como a campanha funciona na prática – a logística da Borrifos é totalmente diferenciada do que a maioria de nós, voluntários, vivenciamos na Sea Shepherd, porque trata-se de um estudo científico. A tripulação é reduzida e conta com a presença de coordenadoras de campanha e biólogos, cada um com uma função, tipo de registro e um lado do barco para observar. 

Como bióloga e fotógrafa, eu estava na função de fotoidentificação e também aprendi sobre todos os formulários que devem ser preenchidos e equipamentos que são frequentemente usados no dia a dia das saídas para a Campanha Borrifos com o objetivo de identificar os animais, analisar seus comportamentos e a interação com os barcos ao redor.

Voluntária Giulia Braz

Apesar da meta da campanha estar focada apenas nas baleias, a Sea Shepherd não deixa que nada passe em vão no mar, mesmo sem nenhuma baleia avistada nesta saída específica, pudemos observar outros animais e atuar retirando objetos que encontramos, e nunca deveriam ter sido perdidos no mar. Um colete salva vidas pertencente a uma embarcação de Santos foi avistado pelo capitão do barco e retirado pela tripulação, além de uma grande rede de arrasto, que já estava servindo apenas para captura de pesca fantasma há algum tempo, desta rede retiramos peixes, lagostas, siris e camarões vivos e mortos. Assim, salvamos a vida de diversos invertebrados emalhados, e impedimos futuros emalhes naquela rede. Não atingimos o foco da campanha neste dia em questão, mas continuamos contribuindo para a conservação do oceano.

Como ser um voluntário da Sea Shepherd Brasil?

Se você quer atuar em diferentes frentes em prol dos oceanos com a gente, acesse https://seashepherd.org.br/voluntariado/ e preencha o formulário de inscrição. Será um prazer ter você a bordo!

 

E lembre-se: podemos ajudar a manter os mares limpos sem sair de casa. Saiba sempre a procedência dos alimentos que você consome, descarte o seu lixo de forma correta e busque sempre produtos que tenham um menor impacto no meio ambiente.

Expedição Boto da Amazônia

Expedição inicia um novo ciclo de esperança para a proteção dos botos da Amazônia

A Sea Shepherd, organização de conservação que protege baleias e golfinhos, e o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) finalizaram a primeira etapa de um estudo a longo prazo sobre os botos vermelhos e botos tucuxis na bacia da Amazônia. A pesquisa é importante para mensurar o impacto da pesca ilegal de piracatinga na conservação destas espécies.

Manaus-AM: Neste último dia 23 de outubro, véspera do Dia dos Golfinhos de Rio (24/10), o primeiro ciclo de pesquisas da Expedição Boto da Amazônia, organizada pela Sea Shepherd em parceria com o INPA, chegou ao fim. Foram 22 dias de viagem, com contagem de botos vermelhos (Inia geoffrensis) e de botos tucuxis (Sotalia fluviatilis) em 19 deles. 

Liderada pela bióloga Dra. Sannie Brum, doutora em ecologia populacional destas espécies, a pesquisa contou com mais quatro cientistas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do INPA: Andressa Castro, Israela de Souza, Lucas Spinelli e Rayane Gonçalves, e outros dois cientistas da Sea Shepherd, Giovanna Giannetto e Heloísa Brum

Também a bordo, estiveram Nathalie Gil, líder da expedição e CEO da Sea Shepherd no Brasil; a documentarista Alba Treadwell, experiente nas operações da Sea Shepherd no exterior; o fotojornalista Gustavo Fonseca e Ana Paula Machado, chef de cozinha que foi responsável pela alimentação à base de plantas dos membros da expedição, seguindo a política global da organização.

Tripulação posa no convés do navio

O barco da expedição foi o B/M Comandante Gomes III, capitaneado pelo comandante Valmiro Pacaio Barros. Na tripulação, contamos com Sidney Batista da Silva, Raimundo Alves da Silva Jr, Roberguen da Cruz Parente, Walcineide Oliveira dos Santos, Ana Carolina dos Santos e Antonio Marcos Lima da Costa.

Tripulação observa rio Amazonas

Nestes 19 dias de pesquisa, foram monitorados por volta de 1200 km de rios, lagos e paranás (canais que ligam rios ou lagos), com foco em quatro áreas:

  • Manacapuru, área de alta incidência de pesca e também famosa pela pesca da piracatinga, um tipo de peixe que é pescado com iscas feitas de carne de boto;
  • A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu – Purus, área reconhecida mundialmente por ter a maior densidade de golfinhos de rio no mundo;
  • A RDS Mamirauá, localidade onde foram realizados os estudos mais aprofundados sobre as duas espécies de botos;
  • A região do lago Badajós, também considerada de grande incidência destas espécies.

Estas localidades foram estrategicamente escolhidas para permitir a comparação entre áreas de alta incidência de pesca com áreas de manejo controlado, além de contrastar áreas de rios largos com áreas de paranás mais estreitos.

Foram identificados na expedição por volta de 1.400 botos e 3.200 tucuxis em uma cobertura de por volta de 1.200km de rio. É alarmante perceber a continuidade do contraste da densidade destes animais em regiões como Mancapuru – de alta concentração de pesca e conhecidamente de pesca ilegal de piracatinga – e da RDS Piagaçu-Purus, área protegida onde há experiências de manejo e controle de pesca.

Foram identificados aproximadamente 1.400 botos vermelhos e 3.200 tucuxis em cerca de 1.200km de rio. Porém, é alarmante perceber a diferença na densidade destes animais em regiões como Manacapuru, onde ocorre pesca ilegal de piracatinga, e da RDS Piagaçu-Purus, área protegida onde há experiências de manejo e controle de pesca.

Em Manacapuru, por exemplo, foram registradas 10 vezes mais presença de pontos de pesca do que na área de cobertura da RDS Piagaçu-Purus, que possui por volta de oito a nove vezes mais botos. 

Vale ressaltar que esses dados são iniciais: outras cinco expedições estão previstas para os próximos três anos, permitindo a coleta de dados mais aprofundados, e só então as organizações poderão compartilhar resultados concretos.

A pesquisa a longo prazo visa complementar um renomado estudo de mais de 25 anos de leitura populacional destas duas espécies de botos amazônicos, liderado pela Dra. Vera da Silva, chefe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do INPA. Foi esse estudo que permitiu  a identificação de um declínio populacional alarmante para as espécies, estimando que, infelizmente, as populações de botos vermelhos e tucuxis são reduzidas pela metade a cada 9 ou 10 anos.

Tripulação segura redes de pesca retiradas do rio
Navio da Sea Shepherd na margem do rio, visto por drone

Os dados levaram a IUCN, órgão que define o status de conservação das espécies no mundo, a considerar os dois tipos de botos como ameaçados de extinção. Mas a velocidade de seu declínio, em especial devido à pesca ilegal da piracatinga, indicam que elas podem estar mais ameaçadas do que se imagina.

Logo, a execução desta pesquisa se torna urgente, trazendo evidências sobre o real estado de conservação desses animais em mais pontos do rio.

A pesca da piracatinga, um peixe que normalmente se alimenta de carne morta, é geralmente feita com armadilhas específicas, como caixas de madeira ou um curral feito de rede fina, como um mosquiteiro, onde o pescador utiliza carne de jacaré ou de boto – ambas espécies cuja caça é proibida – para atrair os peixes à armadilha.

Desde os anos 2000, essa prática tem aumentado, o que resultou em uma moratória para proibir a pesca e comercialização da piracatinga, vigente desde 2015. Em junho, a moratória foi prorrogada por mais um ano, uma decisão tomada pela Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Durante a viagem, também foi identificado pela primeira vez, por meio de um drone, um curral de pesca da piracatinga armado. Aparentemente, a pescaria aconteceria de noite, bem à frente da cidade de Manacapuru. Porém, no momento da filmagem, a isca estava coberta por um plástico preto, e não pode ser identificada.

A equipe de pesquisadores e ativistas também identificou em viagem três tucuxis mortos: dois na região de Manacapuru e um no entorno do porto de Coari. Os três eram machos. Estes avistamentos são raros de se obter, já que um animal morto no rio não dura muitas horas antes de ser predado por outros animais.

O primeiro era um adulto, com uma marca de rede em seu pescoço e uma ferida grande abaixo de sua nadadeira peitoral. Com cerca de 9 centímetros de profundidade, o ferimento pode ter sido causado por um arpão. O segundo era um juvenil, possivelmente filhote, com uma marca de ferida na cauda, também possivelmente ocasionada por um arpão.

Cadáver de boto é analisado

O terceiro era um adulto saudável, sem indicações de doenças e ferimentos. Estes avistamentos revelam uma outra ameaça para as duas espécies: o encontro com pescadores, com possível emalhe em rede de pesca e ataques com arpão. Como respiram do lado de fora da água, ficar preso numa rede de pesca pode levar à  morte em apenas alguns minutos.

Durante a expedição, a Sea Shepherd iniciou contato com diferentes comunidades no percurso, criando parcerias para um trabalho a longo prazo de educação ambiental e criação de modelos de gestão de resíduos nas comunidades. Houve mapeamento da atual gestão de resíduos de cada localidade, e foi realizado um trabalho inicial de sensibilização sobre o descarte de lixo no rio.

Além disso, foram realizadas palestras educativas sobre os mamíferos aquáticos da Amazônia, suas características e ameaças. Essas parcerias poderão futuramente servir como modelos de gestão para as outras comunidades do entorno.

Palestra em escola