O Natal sem lixo: formas simples de criar menos lixo

O natal está quase chegando e gostaríamos compartilhar algumas dicas para reduzir o consumo e o descarte de lixo nessa época do ano. Se repensamos no real significado do natal, talvez comecemos a mudança de uma experiência de natal sem lixo.

        1.  Use sacolas reutilizáveis.

Antes de comprar qualquer coisa, no mercadinho, nas feirinhas das ruas, na padaria, na livraria, ou shopping, seja presentear ou acalmar esse desejo próprio de consumo. Por favor, lembre-se de trazer sua sacola de tecido ao invés de receber sacolas de plásticos ou de papel. Seja sincero consigo mesmo, apenas você os usa uma vez e logo vá para o lixo. 

     

2.  Use utensílios de vidro, alumínio, porcelana.

Nestas festas, as visitas são muito comuns. Por isso, evite comprar descartáveis (copos, pratos, talheres). Faça, de lavar louças, parte de uma atividade entre sua família. Cantando, contando histórias, ou experiências enquanto lavem elas. A gente tem convívio na hora de lavar louças, também.

3  . Faça decorações com suas próprias mãos, decorações sustentáveis.

Fomos abençoados com o dom da criatividade. Use sua imaginação e crie suas próprias decorações com materiais reutilizáveis.

4.  Pare de adivinhar o que a pessoa deseja para o natal…

Sei que você amaria surpreender a aquela pessoa querida com um presente especial, mas outras vezes compramos presentes, na qual a pessoa realmente não deseja ou precisa. É Melhor perguntar o que eles (as) gostariam receber, ou também, pode pedir sugestões.

   

5.   Presenteie coisas que você fez.

Você poderia tricotar ou costurar uma peça de roupa, criar e escrever um cartão de natal, cozinhar um bolo especial ou criar algum objeto artesanal. Este tipo de detalhes é muitas vezes mais apreciado do que os objetos comprados em lojas.

6.   Presenteie experiências ao invés de objetos materiais.

Ingressos para o teatro, cinema, paradisíacas praias, festivais gastronômicos ou culturais, viagens inesquecíveis. Os objetos ficam ali em algum espaço, mas as lembranças/experiências são levadas para sempre nos nossos corações.

  7.   Pare de embrulhar presentes.

Oculte os presentes. Prepare atividades, pequenos mapas ou dicas de onde estão cultas. Podem participar crianças e adultos que se resistem em crescer. Procurando os presentes em lugares comuns ou lugares inesperados como na geladeira, embaixo da pia, entre outros. Outra opção é embrulhar com folhas e decorá-las com flores e folhas.

 

 8.   Evite comprar presentes sem conhecer bem às pessoas.

É inegável que o amigo segredo é uma forma de socializar e conhecer melhor aos colegas ou conhecidos. Sejamos sinceros: Se você não conhece à pessoa bem, terá uma alta probabilidade de dar e receber um presente que em curto tempo se tornará em lixo, também.

Espero que estas dicas sejam úteis a vocês, um natal sem lixo é o desejo para esta festividade.

Por Evelyn Peñaloza, voluntária do núcleo Rio de Janeiro da Sea Shepherd Brasil

Xavier Rudd no Brasil

O cantor australiano Xavier Rudd é um dos maiores apoiadores da Sea Shepherd no mundo. Além de ser um ativista pelos direitos dos aborígenes australianos e a proteção do meio ambiente, ele é um músico multi-instrumentista muito talentoso.

Várias de suas canções falam sobre temas como a espiritualidade, o ambientalismo e causas indígenas.

Ele já esteve a bordo de diversos navios da Sea Shepherd e é um grande amigo do Capitão Paul Watson.

A Sea Shepherd Brasil teve o privilégio de poder participar de dois shows da turnê da América do sul do Xavier.

No dia 25 de novembro de 2019, o cantor e sua banda se apresentaram no Opera de Arame em Curitiba e dia 27 no Áudio Club em São Paulo.

Xavier Rudd no navio da Sea Shepherd, Steve Irwin, durante a campanha para defender a Grande Barreira de Corais da Austrália.

Musica do Xavier "Spirit Bird" sobre a luta dos povos indigenas da Australia, assista o video e reflita!

Spirit Bird

Give it time and we wonder why

Do what we can, laugh and we cry

And we sleep in your dust

Because we’ve seen this all before

Culture fades with tears and grace

Leaving us stunned, hollow with shame

We have seen this all, seen this all before

Many tribes of a modern kind

Doing brand new work, same spirit by side

Joining hearts and hand

And ancestral twine, ancestral twine

Many tribes of a modern kind

Doing brand new work, same spirit by side

Joining hearts and hand

And ancestral twine, ancestral twine

Slowly it fades

Slowly we fade

Slowly you fade

Slowly we fade

Spirit bird, she creaks and groans

She knows, she has seen this all before, she has

Seen this all before, she has…

Spirit bird, she creaks and groans

She knows, she has seen this all before, she has

Seen this all before, she has…

Slowly you fade

Slowly it fades

Slowly you fade

Slowly you fade

Soldier on, soldier on my good country, man

Keep fighting for your culture, now

Keep fighting for your land

I know it’s been thousands of years

And I feel your hurt

And I know it’s wrong

And you feel you’ve been chained

And broken and burned

And those beautiful old people

Those wise old souls have been ground down

For far too long

By that spineless man, that greedy man,

That heartless man

Deceiving man, by government hand

Taking blood and land, taking blood and land

And still they can

But your dreaming and your warrior spirit lives on

And it is so, so, so strong

In the earth, in the trees, in the rocks

In the water, in your blood and in the air we breath

Soldier on, soldier on my good country, man

Keep fighting for your children, now

Keep fighting for your land

Slowly it fades

Slowly we fade

Slowly you fade

Slowly it fades

Give it time and we wonder why

Do what we can, laugh and we cry

And we sleep in your dust

Because we’ve seen this all before

Pássaro Espírito

Dê um tempo, nós queremos saber porque

o que podemos fazer, rir ou chorar

E nós dormirmos em sua poeira

Porque nós vimos tudo isso antes

desaparece a cultura com lágrimas e graça

Deixando-nos atordoados, ocos e com vergonha

Já vimos isso tudo, visto tudo isso antes

Muitas tribos de um tipo moderno

Fazendo um novo trabalho

mesmo espírito a lado e unindo corações e mãos

em fio ancestral, fio ancestral

Muitas tribos de um tipo moderno

Fazendo um novo trabalho

mesmo espírito a lado e unindo corações e mãos

em fio ancestral, fio ancestral

Lentamente ele desaparecerá

Lentamente desaparecerá

Lentamente você desaparece

Lentamente desaparecerá

um Espírito pássaro, ele range e geme

Ele sabe, ele já viu tudo isso antes, ele já

passou por tudo isso antes, ele tem

um Espírito pássaro, ele range e geme

Ele sabe, ele já viu tudo isso antes, ele já

passou por tudo isso antes, ele tem

Lentamente você desaparece

Lentamente ele desaparecerá

Lentamente você desaparece

Lentamente você desaparece

Soldado, soldado do seu bom país, cara

continue lutando por sua cultura, agora

Continue lutando por sua terra

Eu sei que tem passado milhares de anos

E eu sinto sua dor

E eu sei que é errado

E você sente que você foi acorrentado

Quebrado e queimado

E essas pessoas velhas bonitas

As sábias velhas almas foram castigadas

Por muito tempo

Por que o homem é covarde, o homem é ganancioso

o homem é sem coração

o homem é enganado, pela mão do governo

Tomando o seu sangue e a sua terra

E ainda podem

Mas seu sonho e as suas vidas de um espírito guerreiro

E é tão, tão, tão forte

Na terra, nas árvores, nas rochas

na água, no sangue e no ar que respiramos

Soldado, soldado do seu bom país, cara

continuar a lutar por seus filhos, agora

Continue lutando por sua terra

Lentamente ele desaparecerá

Lentamente desaparecerá

Lentamente você desaparece

Lentamente ele desaparecerá

Dê um tempo, nós queremos saber porque

o que podemos fazer, rir ou chorar

E nós dormirmos em sua poeira

Porque nós vimos tudo isso antes

Peixe morto em petróleo

Atuação da Sea Shepherd no Derramamento de Petróleo no Nordeste

A costa nordeste do Brasil está sendo atingida por um desastre ambiental sem precedentes. Como a fonte do derramamento não foi definitivamente identificada, não se sabe quanto mais petróleo ainda alcançará a costa. Até agora, mais de 2000 toneladas de petróleo foram coletadas das praias por voluntários e autoridades. E o petróleo cru continua chegando, tanto em áreas previamente afetadas, quanto em novas áreas.

Até agora, existem 268 praias afetadas pela contaminação por petróleo em nove estados diferentes; e além disso, recentemente também o Arquipélago de Abrolhos, a área com maior biodiversidade marinha de todo o Oceano Atlântico Sul, foi atingido pelos resíduos de petróleo cru, altamente tóxicos.

Mais de 2.355 quilômetros de costa se encontram afetados, 1.200 dos quais são manguezais ou recifes de coral, que são santuários de fauna marinha extremamente vulneráveis.

Há dois meses, os voluntários estão limpando o petróleo cru das praias afetadas e resgatando animais que estão sendo engolidos pelo petróleo.  Essa atividade incorre riscos à saúde das pessoas comprometidas em proteger nossos oceanos.

As autoridades brasileiras têm sido extremamente lentas para responder à tragédia. Se não fosse por voluntários dedicados, muitas vidas marinhas seriam comprometidas.

Apoio ao Desastre de Derramamento de Petróleo no Nordeste.

 

A Sea Shepherd Brasil está engajada no apoio aos voluntários que estão limpando as praias do nordeste brasileiro.

A Sea Shepherd já enviou doações em dinheiro para compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para algumas organizações e civis que trabalham para a retirada das manchas de óleo no Nordeste.

A Sea Shepherd continua recebendo doações para assistir os voluntários das limpezas do petróleo no Nordeste.

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Por que a Sea Shepherd não está presente no desastre?

A Sea Shepherd Brasil, apesar de fundada em 1999, esteve sem atividades e diretoria constituída no Brasil nos últimos anos. A organização estava inativa no Brasil desde 2017.  A Sea Shepherd Brasil retomou atividades recentemente e ainda não possui núcleos em nenhum estado do nordeste.  Estamos aceitando voluntários! Se você gostaria de se voluntariar, preencha a inscrição aqui

A Sea Shepherd não é uma organização governamental: a Sea Shepherd funciona estritamente com doações de pessoas, seja de tempo (voluntariado) ou de dinheiro para poder realizar ações.

Sem nenhum voluntário presente no Nordeste, a Sea Shepherd Brasil optou pela estratégia de arrecadar fundos para poder auxiliar os voluntários que já estão presentes nos locais atuando diretamente no desastre.

O que a Sea Shepherd está fazendo para ajudar no desastre de derrame de petróleo no Nordeste?

A Sea Shepherd Brasil fez parceria com algumas organizações e civis residentes no Nordeste para poder auxiliar no desastre.

A Sea Shepherd arrecadou e continua arrecado fundos para apoiar os líderes que organizam limpezas de praias afetadas pelo derramamento.

A Sea Shepherd já apoiou com fundos para as descritas atividades:

Recife sem Lixo – projeto de voluntários que está atuando diariamente para coordenar voluntários e limpar a praias afetadas no estado de Pernambuco e distribuir EPIs para os voluntários.

Salve Maracaípe – Projeto que distribui EPIs e alimentos para voluntários e presta treinamento para os voluntários trabalhando nas praias afetadas em Pernambuco e futuramente na Bahia.

Indra Soares – Civil de Salvador, Bahia, que organiza mutirões de limpeza com a prefeitura de Salvador e distribui EPIs em seus mutirões.

Por que vocês não foram lá ao invés de mandar fundos?

A Sea Shepherd Brasil tomou a decisão de não gastar fundos com voos, hotéis, etc, porque estamos em contato com as pessoas descritas acima e algumas outras que estão no local.  A necessidade, especialmente no princípio da tragédia e da mobilização, tem sido de equipamentos e não de pessoas.  A Sea Shepherd é uma organização comprometida com a aplicação de seus fundos para ação direta.  A organização funciona com intuito de aplicar recursos em ações diretas com resultados desde sua fundação.

Como a organização dispõe de poucos fundos, pois retomamos atividades há apenas poucos meses, a Diretoria decidiu ser mais valioso ajudar os voluntários já presentes no local ao invés de gastar fundos com hotéis e passagens.  Se uma pessoa da Sea Shepherd Brasil voasse para o local e consumisse recursos com hotel e alimentação por alguns dias, esse fundo poderia comprar diversos EPIs e alimento para os voluntários que já estão no local e que permanecerão lá, pois são residentes das localidades.  Esses voluntários estão recebendo treinamento e os devidos equipamentos de proteção.

Essa foi a estratégia tomada, em respeito as doações que estão sendo feitas e em respeito a missão da Sea Shepherd de usar nossos recursos para ação direta.

Agora, além de ajudar na despoluição das praias, a Sea Shepherd tem planos de começar a auxiliar algumas instituições e projetos comprometidos em salvamento de fauna.

A Sea Shepherd Brasil ainda tem planos de ajudar algumas comunidades pesqueiras afetadas pelo desastre, que não têm fundos para manterem suas famílias devido a essa tragédia.

Sua doação contribui para todos esses projetos.

Eu quero ajudar, mas não sou do Nordeste. O que faço?

Você pode juntar-se a nós. Mesmo que você não faça parte da Sea Shepherd você também pode doar ou organizar arrecadações na sua cidade.

Você pode organizar eventos de arrecadações:  Jantares (se for no nome da Sea Shepherd, os jantares têm que ser veganos), festas, shows de bandas, ou até uma caixinha na sua escola ou trabalho.  Os fundos direcionados à Sea Shepherd serão repassados integralmente para a causa.

ATENÇÃO: Se você for recolher materiais (ex: EPIs), tenha a certeza que você tem condições de organizar a logística para mandá-los — tanto dinheiro para o frete, como a pessoa para ir ao correio fazer o trâmite.  A Sea Shepherd não se responsabiliza por enviar matérias arrecadadas e é por isso que pedimos doações em dinheiro, pois a logística é mais viável. Alguns materiais podem custar mais caro mandar pelo correio do que comprar no local.

Se você trabalha ou conhece uma empresa que está disposta a fazer uma doação grande de materiais, por cujo frete eles se responsabilizarão, poderemos coordenar isso facilmente. Escreva para seashepherd@seashepherd.org.br

Eu fiz o curso de derramamento de petróleo, como posso ajudar?

Você pode se deslocar até as praias e oferecer seu voluntariado em qualquer das localidades afetadas. Existem limpezas diárias em diversas localidades do Nordeste.

Porque a Sea Shepherd Internacional não manda um navio para o Brasil?

Tanto as Sea Shepherds Internacionais, como a Sea Shepherd Brasil operam da mesma maneira, com doações e voluntários.  Como você, que provavelmente está doando para que a Sea Shepherd Brasil aplique seus fundos para ajudar o desastre do nordeste, outros doadores doam para determinada causa ou campanha. A Sea Shepherd como uma organização sem fins lucrativos tem que aplicar as doações para os fins pelos quais seus doadores querem que sejam aplicados.

Os navios têm programações definidas, com doações estipuladas para tais programações. Adoraríamos poder resolver todos problemas dos oceanos, mas para tal, precisamos de doações e voluntários.

Mandar um navio para o Brasil custaria muito dinheiro, e não seria efetivo para esse desastre. A marinha do Brasil deve atuar nessa frente, e está atuando no momento.

As Sea Shepherds internacionais estão ajudando a Sea Shepherd Brasil a arrecadar doações e a maior parte dos fundos arrecadados e já distribuídos vierem de fora do Brasil.

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Eu não quero doar para a Sea Shepherd, mas quero ajudar, como faço?

vaquita e barco de pesca

Expedição para encontrar vaquita marinha revela pesca desenfreada

vaquita e barco de pesca

Crédito da foto: CONANP / Museu da Ballena / Sea Shepherd

O navio da Sea Shepherd M / V Farley Mowat e o navio de pesquisa Museo de la Ballena Narval encontram dezenas de lanchas de pesca com redes de emalhe proibidas perto de uma vaquita viva dentro do Refúgio protegido da mesma espécie ameaçada de extinção

San Felipe, BC, México, 23 de outubro de 2019 – Os principais cientistas, apoiados por navios-patrulha da conservação que realizam a segunda etapa de uma expedição científica para estudar a vaquita marinha (Phocoena sinus), mamífero marinho mais ameaçado de extinção do mundo, encontraram dezenas de lanchas de pesca, incluindo uma nas proximidades de uma vaquita viva, na área de 150 quilômetros quadrados de “tolerância zero” do Refúgio de Vaquita, protegido federalmente, na Reserva da Biosfera do México, no Alto Golfo da Califórnia.

“É de partir o coração que, com menos de 20 vaquitas vivas, essa pequena área crítica ainda está minada de redes de emalhar ilegais”, afirmou o capitão Locky MacLean, diretor de campanhas da Sea Shepherd, continuando “Apoiamos o recente anúncio da SPCC (La Secretaria de Seguridad y Protección Ciudadana) do México para aumentar a capacidade de monitoramento na região, é necessária agora, mais do que nunca, ação imediata, colaboração e entendimento entre o governo e os pescadores artesanais, para manter a zona crítica livre de perigo para a vaquita ”.

Alguns dias depois o navio da Sea Shepherd encontrou a primeira rede da estação, marcando o começo da Operação Milagro VI.

Tripulacao da Sea Shepherd com a primeira rede da estação.

A Operação Milagro é a campanha da Sea Shepherd para proteger a vaquita da extinção. A vaquita é o menor cetáceo do mundo. Muitas outras espécies ameaçadas de extinção, como o tubarão martelo e as tartarugas marinhas verdes, habitam a área e foram resgatados pela equipe da Sea Shepherd ao longo dos anos.

A vaquita corre o risco de desaparecer do planeta devido a pesca ilegal de outra espécie, o  peixe totoaba, que é outra espécie endêmica em risco de extinção no Golfo da Califórnia. O totoaba é capturado ilegalmente para o comércio de sua bexiga natatória em mercados negros asiáticos. As bexigas de Totoaba são conhecidas como “cocaína aquática” devido ao seu alto valor. Acredita-se que uma bexiga de totoaba pode valer até $ 100,000 dolares.

Paul Watson, o “bom pirata”

A “Time Magazine” elegeu-o como um dos grandes heróis da ecologia do século XX e o “Guardian” distinguiu-o como uma das “50 pessoas que podem salvar o planeta”.

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“A maior prioridade da minha vida sempre foi acabar com a matança de baleias e golfinhos em todo o planeta”, escreveu há poucas semanas no seu Facebook. Paul Watson, 65 anos, é o rosto da Sea Shepherd, uma ONG que se dedica à proteção dos oceanos.

Há mais de 40 anos que o ambientalista canadiano luta pela defesa do ecossistema marítimo. E é destemido nos seus propósitos: já afundou deliberadamente uma dezena de navios baleeiros e mandou muitos mais para o estaleiro. Ao longo de quatro décadas e mais de 200 missões envolveu-se em centenas de confrontos, sabotagens, navios abalroados, batalhas navais épicas. Foi ameaçado de morte, agredido por caçadores de focas, processado e preso. Tudo em nome da defesa das baleias, dos golfinhos ou das focas. Agora está na lista vermelha da Interpol e vive exilado em França.

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Paul Watson foi um dos fundadores da Greenpeace em 1971. Participou em algumas campanhas mas acabou por sair, em 1977, desiludido com a falta de ação dos seus colegas. E estes, por seu turno, achavam-no demasiado radical.

Na verdade, ele não acredita em manifestações ou protestos. Paul Watson prefere ação directa, partir para a luta, ir para o mar tratar do assunto e combater quem agride os oceanos. Foi para isso que ele fundou a Sea Shepherd em 1977. “Nós não somos uma organização de protesto, somos uma organização de intervenção”, sempre disse. Uma das suas primeiras missões foi elucidativa da sua estratégia: em 1979 veio a Portugal e afundou dois navios em nome da defesa da baleia.

Seguiram-se muitos outros e não mais abandonou o seu combate. Hoje, a Sea Shepherd tem uma frota de nove navios e milhões de adeptos em todo o planeta.

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Numa conversa por Skype com o JN, Paul Watson sublinha: “Tudo o que fazemos é ser uma organização contra a caça furtiva e que vai atrás de atividades ilegais”. Ou seja, a Sea Shepherd não é um bando de arruaceiros que anda por aí a divertir-se com contendas navais. “Nós defendemos o cumprimento das leis. Existem leis e essas leis não são cumpridas”, explica-nos. “E a Sea Shepherd faz com que os outros cumpram as leis”. “Nós nem sequer devíamos estar a fazer isto. Os governos é que deviam. Mas se não o fazem, fazemos nós”, já afirmou anteriormente.

Para além dos afundamentos de navios, as suas estratégias de luta envolvem perseguições a alta velocidade, choques e abalroamentos, sabotagem e destruição do material de pescadores, cortes de redes ou o bloquear de hélices de navios. Tais métodos levaram-no a ser muito criticado, começando pela própria Greenpeace e passando por governos como o do Japão, que o acusam de ser um “eco terrorista”. Paul Watson não acha piada a essa acusação. “Um eco terrorista é alguém que aterroriza o meio ambiente e eu não trabalho para uma Shell ou uma Monsanto”.

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Paul Watson tem perfeita noção de que a Sea Shepherd chateia muita gente. “Tornámo-nos peritos nisso”, escreveu há uns meses.”E isso até é bastante simples de conseguir: basta dizer a verdade e confrontar as pessoas, as grandes empresas e os governos responsáveis pela sistemática e gananciosa exploração do meio ambiente e da natureza”. Para mais, ele marimba-se para as críticas. “Nunca tive a intenção de ganhar um concurso de popularidade”. E lembra que está ao serviço dos animais marinhos e não dos homens.

Paul Watson não quer saber do que pensam dele – foca-se mais nos resultados: nos últimos dez anos, por exemplo, acredita que salvou a vida a mais de 6 mil baleias. E em quase 40 anos as missões da Sea Shepherd nunca provocaram mortes ou feridos.

Aliás, os voluntários só entram nos navios da Sea Shepherd depois de assinarem um documento em que se assumem preparados para a dar a própria vida para salvar uma baleia. E as regras são duas: não se atacam pessoas (mas o material de pesca ilegal pode e deve ser atacado) e não se negoceia com o inimigo. Neste momento estão 150 voluntários nos navios da Sea Shepherd. Há mais de cinco mil interessados em lista de espera.

A sua organização é financiada por dezenas de milhares de doações particulares e conta com o apoio de nomes como o Dalai Lama, Mick Jagger, Sean Penn ou bandas como os Red Hot Chili Peppers ou Smashing Pumpkins.

A sua determinação e carisma também suscitam enorme fascínio em muita gente rendida a um certo romantismo de pirata defensor dos oceanos.

Em Portugal também tem apoiantes. O portuense Pedro Teixeira de Sá é um deles. É mergulhador e publicou recentemente o livro “Aventuras subaquáticas”. Promete doar as receitas das vendas à Sea Shepherd que, na sua opinião, “é uma espécie de Amnistia Internacional dos oceanos”. “O Paul Watson é o sucessor legítimo do Jacques Cousteau no exemplo, na coragem, na estratégia e no empenho que coloca nas batalhas que trava”, diz ao JN. Para o mergulhador português, o ambientalista canadiano “tem a classe do Sinatra, a coragem do Lennon e o espalhafato do Morrison”. “É um cocktail perfeito e o homem certo para liderar a luta ao inimigo dos mares, que é inimigo de nós todos”, remata.

Chamam-lhe amiúde “o bom pirata” – e ele parece gostar do epíteto. A bandeira da Sea Shepherd até é uma adaptação da clássica dos piratas. Inclui um golfinho e um cachalote para simbolizar a morte infligida aos mamíferos marinhos. Há ainda o tridente de Neptuno (o Deus do mar) e o cajado do pastor porque a missão é “proteger os rebanhos do mar”.

Ao longo do século XX foram mortas pelo menos 2.9 milhões de baleias nos mares do planeta. O número deverá ser ainda maior porque existirão muitos casos que nem sequer foram registados. A caça comercial da baleia é proibida desde 1986, altura em que entrou em vigor uma moratória internacional. Hoje, a caça às baleias é mantida por quatro países: Japão, Noruega, Islândia e Dinamarca.

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O Japão é provavelmente o maior inimigo da Sea Shepherd. Os japoneses caçam baleias aproveitando uma tolerância da Comissão Baleeira Internacional que permite a captura do cetáceo em nome das pesquisas científicas. É isso que o Japão alega mas tal não passa de uma fachada – e isso até já foi decretado pelo Tribunal Internacional de Justiça e pela Comissão Baleeira Internacional. A caça ocorre normalmente entre dezembro e finais de fevereiro nos mares do sul e é aí que a Sea Shepherd enfrenta os baleeiros japoneses. A frota de Paul Watson abalroa os navios inimigos, tenta bloquear-lhe as hélices, impedir o reabastecimento de combustível ou obstruir as rampas por onde são puxadas as baleias mortas. O Japão diz que Watson é um “eco terrorista”. E quer vê-lo atrás das grades.

Os confrontos entre a Sea Shepherd e os baleeiros japoneses que têm ocorrido na última década até já deram origem a uma série televisiva de grande popularidade nos Estados Unidos: “Whale Wars”. O programa, que mostra o dia a dia da tripulação da Sea Shepherd, já chegou a ser considerado como “o único reality show com substância”.

O Japão é ainda alvo do repúdio mundial pela tradicional matança do golfinho na ilha de Taiji, uma prática denunciada pela Sea Shepherd desde 2003. O massacre de golfinhos foi exposto a uma escala ainda maior em 2010, quando o filme “The Cove” ganhou o Oscar de melhor documentário.

A matança de golfinhos em Taiji recorre ao chamado “drive hunting”, um método que consiste em juntar uma série de navios em redor de um grupo de cetáceos e provocar ruídos debaixo de água de maneira a criar um muro de som que assusta e confunde os bichos para progressivamente conduzi-los até à costa e aí aprisioná-los, com uma rede, numa determinada área para assim começar a matança. O método é igualmente utilizado no outro lado do planeta onde também ocorre outra das grandes lutas da Sea Shepherd: a matança de baleias-piloto e golfinhos nas Ilhas Faroe.

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As Ilhas Faroe são uma região autônoma da Dinamarca e situam-se no Atlântico Norte, entre a Escócia e a Islândia. “É o mais perigoso e cruel local do planeta para os cetáceos”, considera Paul Watson. Todos os anos celebra-se uma tradição na qual baleias-piloto ou golfinhos são esventrados vivos por centenas de pessoas com arpões e facas. A sinistra tradição provoca imagens impressionantes: o sangue dos animais pinta o mar de vermelho. “É um espetáculo macabro”, comenta Watson, que acusa a Dinamarca de conivência e cumplicidade ao enviar os seus recursos militares para defender a matança e prender os ativistas da Sea Shepherd.

Watson traça um paralelismo entre a comunidade japonesa de Taiji e a população das Ilhas Faroe. “São ambas um embaraço para a espécie humana e partilham o mesmo luxo doentio de matar famílias inteiras de seres vivos inteligentes e socialmente complexos. Ambas alegam o direito cultural em exterminar golfinhos. E ambas derramam sangue para os oceanos, enchem o ar com os gritos de morte dos golfinhos e ainda têm a ousadia de chamar terroristas a todos aqueles que se opõem a estas chacinas”.

A Sea Shepherd atua ainda um pouco por todo o mundo na defesa de tartarugas, tubarões, focas e muitas espécies ameaçadas ou alvo de pesca ilegal. Tem cada vez mais apoiantes e em setembro chegará mais um navio.

Paul Watson foi detido na Alemanha em maio de 2012 e dois meses depois soube que iria ser extraditado para o Japão. Cortou o bigode, enfiou uma peruca e fugiu de carro até à Holanda onde um navio o esperava. Atravessou o Atlântico e depois o Pacífico. Esteve 15 meses em parte incerta no alto mar até conseguir ter garantias de poder desembarcar nos Estados Unidos. Hoje vive exilado em França mas continua a dirigir todas as operações. Abandonar a causa “nunca foi uma opção” porque “baixar os braços não faz parte da minha filosofia”. E deixa o aviso: “Jamais abdicarei perante os bárbaros e os burocratas”.

Matéria de Cristiano Pereira
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