Sea Eagle

O Sea Eagle é o mais novo navio da frota de conservação marinha da Sea Shepherd

Graças à parceria com Allianz, a Marinha de Netuno ganha mais uma adição à sua frota de navios que atuam em ação direta na conservação dos ecossistemas marinhos e animais aquáticos.

Nos últimos seis meses, a Sea Shepherd estava trabalhando atrás das cortinas para adquirir, registrar e equipar a nova adição para nossa frota de embarcações de conservação marinha: O Sea Eagle, ou Águia do Mar.

O novo navio foi comprado a partir de fundos da Allianz SE, Allianz Tecnologia, e Allianz Itália, como parte da recente parceria de dois anos da Sea Shepherd com a Allianz para endereçar o problema do lixo marinho em poluição no oceano.

Tripulação em frente ao navio Sea Eagle
Sea Eagle

“Sea Shepherd está muito empolgada com esta nova parceria, que nos ajuda a ampliar a mensagem que redes de pesca é uma das causas principais da poluição do oceano,” fala o CEO Global da Sea Shepherd Capitão Alex Cornelissen. “Esta nova frota será dedicada quase que exclusivamente para trabalhar no mar Mediterrâneo., tanto para aperfeiçoar nossas campanhas existentes, como a Operação Siso, assim como uma embarcação perfeita para começar importantes novas campanhas.”

O Sea Eagle é um navio piloto Francês de 40 metros equipado para acomodar 19 tripulantes e carregar 2 barcos de apoio. Construído para o Oceano Atlântico, o navio é capaz de navegar os mares mais revoltos. Mesmo com as dificuldades causadas pela pandemia global, a tripulação da Sea Shepherd trabalhou incansavelmente para garantir um trânsito tranquilo da Sea Eagle de Thyborøn, na Dinamarca para Siracusa, na Italy, onde agora está sendo preparada para as próximas campanhas no Mar Mediterrâneo.

Bote de apoio do Sea Eagle
Interior do Sea Eagle

“A Sea Shepherd está muito grata pela ajuda da Allianz,” diz o Capitão Cornelissen. “Juntos iremos responder ao problema de redes de pesca abandonadas, vendo maneiras de converter plástico do oceano em materiais que podemos reutilizar ou vender para angariar fundos para nosso trabalho e criar mais conscientização sobre este problema.”

A Sea Shepherd hoje possui 11 navios em sua frota global, conhecida como a “Marinha de Netuno”, usadas nas campanhas de ação direta para defender, conservar e proteger a vida marinha e os habitats do oceano no mundo todo.

Conheça o novo Sea Eagle

Fotos: Sea Shepherd

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Dia da Terra - Mãos segurando o planeta

Neste 22 de Abril a Sea Shepherd comemora o Dia da Terra celebrando o Planeta Água

Reconhecemos o legado da Sea Shepherd para o planeta Terra.

Hoje, 22 de abril, comemoramos o Dia da Terra. Criado em 1970 por Gaylord Nelson, um senador norte-americano, a data tem a finalidade de promover a conscientização ambiental e convidar os cidadãos a uma reflexão em torno de questões de extrema importância para a conservação do planeta como um todo.

Para a Sea Shepherd, esse movimento de educação e ação são constantes e diários. São mais de 40 anos atuando na linha de frente do combate às ameaças aos nossos oceanos. Nosso trabalho não para. Estamos no mar e em terra, sempre buscando soluções para conter o avanço da deterioração de rios e mares e a morte das espécies que fazem parte desses ecossistemas.

No 51º Dia da Terra, queremos mostrar o que fizemos até aqui, com a certeza de que podemos ir ainda mais longe com a ajuda daqueles que nos oferecem suporte, seja como afiliados, doadores, voluntários ou comprando em nossa loja oficial.

Veja um pouco de nossas conquistas:

NO MUNDO
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    5 continentes

    Atuação global e simultânea

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    30+ Campanhas

    Combatendo desde a poluição dos oceanos até a pesca ilegal

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    12 navios na frota da Marinha de Netuno

    Além de diversos barcos menores, todos presentes na costa de diferentes países

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    50+ embarcações apreendidas

    Atuação global e simultânea

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    3+ milhões de petrechos de pesca e plásticos retirados

    Graças a limpezas de praias e de mares em todo o mundo

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    Uma espécie ainda viva

    A Vaquita Marinha, o mamífero marinho com maior risco de extinção no mundo, ainda sobrevive graças a nossos esforços no México há mais de 8 anos

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    Milhões de animais marinhos salvos

    Como consequência de nossas ações de apreensão de navios, retiradas de redes de pesca do mar e de pressão por alteração de leis locais e internacionais.

NO BRASIL
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    3 campanhas ativas no país

    Atuando na limpeza de mar e praias, no monitoramento e conscientização de observação das baleias e na educação ambiental em escolas

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    Formação de pequenos agentes mirins ambientais

    Em parceria com Alicerce Educação e outras escolas, a Sea Shepherd gera conteúdo de educação ambiental inovador e exclusivo, além de eventos educacionais para conscientizar aqueles que serão os próximos responsáveis pela preservação dos oceanos

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    1.5+ toneladas de lixo

    Remoção de milhares de bitucas de cigarro, petrechos de pesca, plásticos e outros objetos no mar em mais de 30 limpezas de praias apenas em 2021, garantindo o destino correto dos resíduos via sistema de gestão de resíduos ajunto à empresa de logística reversa, a Residuall

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    Conscientização virtual e física

    Eventos presenciais e remotos para levar informação àqueles menos engajados na causa marinha.

Isso tudo é só uma parte de tudo o que a Sea Shepherd faz no território nacional e no mundo. Essa missão nos une e nos movimenta para tornarmos a Terra mais limpa e sustentável. Sozinhos somos cidadãos empenhados, juntos somos uma força poderosa de transformação.

Pelos oceanos, pela vida marinha e pelo planeta.
Faça parte de um futuro melhor para todas as espécies.

Doe. Filie-se. Seja voluntário.

Marinha de Serra Leoa apreende traineiras dentro de área protegida. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd

Cinco navios apreendidos marcam o início da nova parceria com Serra Leoa

Em menos de dois dias, soldados armados da Marinha de Serra Leoa a bordo do Bob Barker, navio da Sea Shepherd, realizaram uma série de ataques surpresa a navios pesqueiros nas águas de Serra Leoa, país da África Ocidental, prendendo cinco traineiras, ou navios de arrasto, por pesca ilegal.

Na madrugada do dia 14 de março, duas traineiras que pernoitaram ancoradas fora de uma Zona de Exclusão Costeira (IEZ) reservada a pescadores artesanais, foram detectadas por radar entrando na área protegida com suas redes na água. Dois botes infláveis ​​de casco rígido do Bob Barker transportaram um esquadrão da força policial da Marinha de Serra Leoa que surpreendeu, abordou e prendeu os navios pesqueiros Friendship 806 e Friendship 888 em águas cheias de canoas de pesca de pequena escala, aproximadamente uma milha náutica dentro da Zona Costeira de Exclusão. Ambas traineiras pescavam sem licença e transmitiam informações falsas de identificação eletrônica, sendo que uma delas estava apropriando-se da identidade de outro navio que pescava a mais de 7.000 milhas náuticas de distância no Oceano Pacífico.

Em Serra Leoa, mais de 200.000 pessoas trabalham com a pesca em pequena escala. Para salvaguardar o meio ambiente e proteger os meios de subsistência dos pescadores locais, o governo de Serra Leoa instituiu uma Zona de Exclusão Costeira onde a pesca industrial e semi-industrial é estritamente proibida. No entanto, devido aos desafios de monitoramento, controle e vigilância, os pescadores locais relatam que frequentemente as traineiras atropelam suas canoas e redes e que as populações de peixes também estão diminuindo.

Capitão Peter Hammarstedt e Marinha de Serra Leoa a bordo de traineira apreendida. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd
Marinha de Serra Leoa a bordo de pequeno barco da Sea Shepherd. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd

Na manhã do dia 15 de março, Jianmei 3 foi apreendido, ancorado no porto de Kent, na Península de Freetown. Nas noites anteriores, a traineira havia sido registrada pescando cerca de seis milhas náuticas dentro da Zona Costeira de Exclusão, muito próximo de uma área de proteção ambiental marinha designada para conservar desovas de peixes. Quando abordada, a tripulação estava ocupada desmanchando equipamentos de pesca, desmontando guinchos e equipamentos de arrasto para dar aos inspetores a impressão de que o navio não pescava há algum tempo. Um diário de bordo de pesca confiscado pela equipe da Marinha de Serra Leoa, mostrava Jianmei 3 pescando sistematicamente dentro da Zona Costeira de Exclusão em 44 ocasiões documentadas. Jianmei 3 foi preso, colocado sob guarda armada e levado de volta para Freetown. No ano passado, seus dois navios irmãos – Jianmei 1 e Jianmei 4 – foram detidos por pesca ilegal mas estão foragidos. Ambos os navios ainda são procurados pelas autoridades em Serra Leoa.

Horas depois da apreensão de Jianmei 3, duas traineiras de bandeira chinesa – Liao Dan Yu 6616 e Liao Dan Yu 6618 – foram presas por pescar sem licença. Liao Dan Yu 6618 carregava dois conjuntos separados de documentos de registro e o capitão estava tentando destruir evidências quando a Marinha de Serra Leoa invadiu a casa do leme. O capitão tentava rasgar a prova de que sua licença de pesca estava vencida há um mês.

“Após a prisão de Liao Dan Yu 6616 e Liao Dan Yu 6618, os onze navios restantes pertencentes à mesma frota seguiram para Freetown para evitar inspeções. Os navios de outras frotas também recuaram para um porto seguro quando receberam a notícia de que uma patrulha estava em andamento. A opinião da Sea Shepherd e da Marinha de Serra Leoa é que nenhum deles tinha licenças de pesca válidas ”, disse o Capitão Peter Hammarstedt, Diretor de Campanhas da Sea Shepherd.

Lian Dan Yu 618 apreendido por pescar sem licença. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd
Pesca ilegal a bordo de traineira apreendida. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd

A prisão de cinco traineiras nas águas de Serra Leoa marca o início da Operação Serra Leoa Defesa Costeira, oitava parceria governamental da Sea Shepherd no continente africano.

Sob a liderança do Ministro da Defesa e Segurança Nacional de Serra Leoa, o Honorável Brigadeiro General (Rtd) Kellie Conteh, a Sea Shepherd está apoiando a Marinha de Serra Leoa a conduzir patrulhas no mar para combater a pesca ilegal com a ajuda de um dos seus barcos, o Bob Barker, e sua tripulação.

“O Ministério da Defesa e Segurança Nacional agirá de forma decisiva contra quaisquer violadores das leis soberanas de Serra Leoa. Essas embarcações de pesca estão saqueando nossas águas, roubando dos pescadores locais e da nossa população. Estas cinco detenções enviam uma forte mensagem de que quem for pego pescando sem licença será detido pela Marinha da Serra Leoa e será processado dentro dos limites da lei”, disse o Exmo. Brigadeiro-general (Rtd) Kellie Conteh.

Desde 2016, a Sea Shepherd também tem trabalhado em parceria com os governos do Gabão, Libéria, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Namíbia, Gâmbia e Benin para combater crimes na pesca, fornecendo o uso de navios civis de patrulha para a costa da África e estados insulares para que as autoridades possam fazer cumprir os regulamentos de pesca e as leis de conservação em suas águas. Até o momento, as parcerias exclusivas resultaram na prisão de 67 embarcações por pesca ilegal e outros crimes de pesca.

 

Fotos: Alice Gregoire / Sea Shepherd

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Barco de pesca

Assisti ao Seaspiracy, mas o que o Brasil tem a ver com isso?

O documentário Seaspiracy, na Netflix desde março deste ano, foi uma comoção para uma parcela da população, que finalmente abre os olhos em relação à situação dos mares no mundo.

Para alguns, estas informações talvez tenham vindo com um susto, mas para a Sea Shepherd, trabalhando na linha de frente da proteção à vida marinha, estes fatos infelizmente fazem parte do nosso cotidiano há décadas; somos testemunhas da guerra que nós como humanidade estamos tramando com o oceano.

Escravidão em alto mar, destruição de leitos com redes de arrasto, pesca predatória e morte de 40% dos animais marinhos retirados do mar pela pesca acessória (mais conhecida como pesca “acidental”), o mercado de animais em cativeiro e a aquicultura como uma falsa solução sustentável para o oceano. Certamente, Seaspiracy veio para compilar, em um formato bem compacto e impactante, algumas das principais mazelas e impactos negativos que a raça humana vem depositando nos mares e que a Sea Shepherd vem testemunhando em mais de quatro décadas de atuação.

Em alguns pontos, o documentário traz dados que possuem divergências com outros estudos (mas que não negam suas conclusões em essência) e, em outros, pode ter sido severo para com algumas ONGs, como exemplo, a Oceana, que realiza estudos de referência sobre pesca acessória, luta pela abolição de grandes subsídios à indústria pesqueira, portanto inegavelmente sendo uma das organizações na linha de frente destes problemas ambientais.

Barco pesqueiro

Mas certamente ele vence ao expor, com exemplos claros, e narrativa sucinta ao lidar com tantos pontos, a grande devastação que a nossa espécie realiza por todo o oceano. Sem que a grande maioria da população saiba, estamos matando o oceano que é fundamental para a nossa sobrevivência.

O brasileiro que assiste a este documentário deve pensar: mas e eu com isso? Estes problemas certamente são destinados a países como China, Taiwan e Espanha, que são os gigantes da pesca industrial no mundo? Talvez algumas pessoas devam pensar que o Brasil ainda é restrito neste aspecto.

Isto não poderia estar mais longe da verdade.

Já há mais de 20 anos atuando no Brasil, a Sea Shepherd vem testemunhando exemplos e mais exemplos de práticas insustentáveis de pesca, e também de manejo da imensa área costeira brasileira.

Testemunhamos a matança de golfinhos do Norte do país para o uso de sua carne na pesca de tubarões para o mercado de barbatanas da Ásia. Identificamos relatos de botos cor-de-rosa e tucuxis para isca do peixe piracatinga, que mesmo com sua pesca suspensa por mais de 6 anos, segue sendo pescado ilegalmente e destinado a mercados como o da Colômbia.

É constante o recebimento de denúncias e imagens de redes de pesca fantasma pela costa brasileira, que seguirão matando animais marinhos enquanto estiverem no fundo do mar. Sempre que possível, atuamos em retirá-las por meio de nossa campanha Ondas Limpas, que realiza limpezas submarinas e nas praias com voluntários por todo o litoral brasileiro.

Aprendemos sobre o efeito das redes de pesca fantasma em nosso litoral. É estimado pela World Animal Protection que este fenômeno é encontrado em 70% da costa brasileira, inclusive áreas protegidas, e que cerca de 580 quilos de redes são despejados por dia em nossa costa, podendo impactar quase 70 mil animais marinhos por dia.

As  toninhas, o mamífero marinho brasileiro com mais risco de extinção, tem a pesca acessória em redes como sua maior rival: elas não enxergam a rede e morre asfixiada nas redes de pesca (em sua grande parte artesanal).

Nossa pesca artesanal, representativa de 94% dos pescadores, possui uma extensa área ‘cinza’ que comumente a torna difícil distinguir da industrial. Sabemos de pescadores artesanais que utilizam de tecnologias que desregulam o habitat quando usado por toda uma comunidade, como pesca com covas, com bombas, pesca comercial submarina, a prática de pesca sem manejo e ordenamento é infelizmente comum, e técnicas com uso de redes cada vez maiores e mais eficazes, e ‘frotas’ nada artesanais se torna a solução em uma costa com cada vez menos peixes.

Ouvimos relatos de pescadores por toda a nossa costa sobre uma diminuição em rápida velocidade na variedade, quantidade e tamanho de peixes sendo pescados. Vemos pescadores artesanais desistindo de seus trabalhos para fazer parte de navios maiores, pois a competição entre eles e a pesca industrial está cada vez mais injusta.

Temos uma pescaria industrial formada de maneira nada ordenada, e hoje é comum relatos de pescadores industriais que não cumprem com as leis de pesca; uso de barcos de arrasto motorizados que desrespeitam as leis de distanciamento à costa, pesca de animais em fase de defeso, uso de técnicas e redes e pesca sem seguir as exigências solicitadas.

Temos conhecimento sobre autorizações para a pesca de atum e peixe espadarte por dezenas de navios internacionais, de frotas internacionais ou arrendados, verdadeiras fábricas de morte, vindos de Taiwan, Japão, Espanha em nossas águas, estes subsidiados pelo governo.

Vemos frotas de pesca oceânica competindo com estes navios por toda a costa. Ao adotar essa prática, vimos o aumento da pesca de atum no RS, SC, CE e RN a velocidades estrondosas. Mesmo com o número de peixes diminuindo, as técnicas estão cada vez mais eficazes e dizimam a população destas espécies a um ritmo assustador.

Caranguejo preso em rede de pesca

Testemunhamos barcos de rede de arrasto de camarão destruindo o leito do mar próximo ao litoral, relutantes em usar em suas redes os dispositivos de escape de tartarugas e outras espécies (mesmo que isso seja solicitado por lei para barcos maiores de 11m), ocasionando a maior proporção de morte de espécies pela pesca acessória de todos os tipos de animais marinhos: em média, para a pesca de 1kg de camarão, são mortos em média 10kg de outras espécies.

Vemos por toda a parte movimentos sistêmicos de destruição de ambientes costeiros, como os manguezais, que são o verdadeiro berçário marinho e fundamental para o equilíbrio do oceano e, que de maneira acelerada, são destinados para a prática insustentável de carcinicultura. As restingas, também importantes pois evitam a erosão da costa e proteção da vida marinha, têm sido rapidamente destinadas a especuladores imobiliários por todo o nosso litoral.

Denunciamos práticas de turismo de observação de baleias diversas vezes utilizando barcos sem o devido controle, com motor ligado bem próximos às baleias, as encurralando, assustando e, porventura, até as atropelando com seus motores.

Observamos e estudamos a rápida velocidade do branqueamento dos corais do Nordeste do país, vemos a diminuição da biodiversidade dos corais por toda a costa, o crescimento da presença de espécies invasivas como o coral-sol por toda a costa, chegando até em áreas mais isoladas e protegidas, como o arquipélago de Alcatrazes, a 35 km da costa no litoral de SP.

Testemunhamos convites de leilão para a exploração de minério e petróleo nas raríssimas áreas que realmente são protegidas do Brasil, como: Abrolhos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha.

Nos chocamos que mesmo no rio nossos peixes são contaminados; que 98% dos peixes da Amazônia estão com plástico em seu organismo, peixes que consumimos com alta concentração de metais pesados, como mercúrio e chumbo, além de dioxinas advindos de nossas atividades poluentes de mineração e agricultura, tanto nos rios quanto nos mares. O consumo destes peixes, e da água em si, nos causa problemas de saúde severos afetando a saúde das comunidades tradicionais, e a de toda uma região.

Peixe morto em petróleo
Peixes em rede pesqueira

Vemos o brasileiro aumentar de maneira rápida seu consumo per capita de peixes: um crescimento de 6 kg para 10 kg de peixes por ano em apenas 10 anos (2009 x 1999 segundo o IBGE), e crescendo, criando relativamente novos e nada ‘tradicionais’ hábitos de consumo de peixes, como o atum e o salmão nas grandes cidades brasileiras.

Testemunhamos o crescimento do consumo de peixes de fora: 60% do peixe que consumimos vêm do exterior. O salmão no Brasil, por exemplo, lidera: um peixe que representa por volta de 30% das importações para o país, em grande parte vinda da aquicultura do Chile. Esta é uma prática totalmente insustentável, que cria peixes carregados de antibióticos, que ficam em tanques superpopulosos, comumente morrem asfixiados, que consomem de 3 a 9 vezes ou mais o seu peso de peixes selvagens em sua alimentação contaminam todo o ecossistema marinho onde as fazendas de criação se localizam, disseminando doenças, toxinas e espalhando este animal não-endêmico na região para afetar o equilíbrio do local.

Sabemos que pessoas comprando peixe na feira, no supermercado, restaurante e peixaria o fazem sem saber sua procedência. Há muito pouca ou quase nenhuma informação de local de origem e modo de pesca. Muitos até são enganados pela venda de peixes com nomes errados. Em estudo realizado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), há estados que vendem até 40% dos peixes com nome errado para seus compradores. Além disso, tubarões em risco de extinção e peixes ilegais como a piracatinga sendo vendidos com nomes ‘eufemizados’ para o consumidor final, como cação e douradinha, respectivamente.

Seguindo um estudo realizado pela UFPR em Curitiba, 70% das pessoas comem cação sem saber que é tubarão. Os elasmobrânquios (tubarões e raias) representam 40% da pesca acessória na prática de pesca de atum em redes de espinhel. Também somos os maiores importadores de tubarão do mundo, com o cação sendo um dos peixes mais consumidos do Brasil por conta de seu valor baixo, o que nada mais é que uma maneira de os grandes navios de pesca de barbatana de tubarão continuarem com seus atos criminosos: eles seguem a regra de “total aproveitamento do animal”, assim continuando a enviar a barbatana do tubarão para lugares como Hong Kong, o maior importador de barbatanas do mundo, enquanto vendem a carne a preços baixos para o Brasil.

Estamos diante de um contexto onde as autoridades não priorizam o tema. Temos um conjunto de leis de proteção ao mar que são complexas, não integradas e desconhecidas pelo cidadão comum. Temos um vão de 10 anos em dados e conhecimento sobre a pesca em nossa costa, o status pesqueiro de 96% das espécies brasileiras está desconhecido. Dentre eles, mais da metade (57%) apresenta biomassa abaixo de níveis biologicamente seguros. E  43% sofrem com a sobrepesca, ou seja, estão sujeitos a níveis de mortalidade por pesca acima da capacidade de reposição dos estoques. Possuímos uma lei que pode ajudar na integração das iniciativas de monitoramento e proteção de nossa “Amazônia Azul”, a lei 6969/13 (Lei do Mar), que segue em processo de discussão desde 2013 e ainda sem perspectivas de aprovação. E bem recentemente assistimos à a CPI do maior desastre ecológico de nossa costa marinha ser engavetada sem nenhum tipo de resolução.

Todos estes exemplos são rodeados por um mesmo princípio: a visão antropocêntrica que temos sobre o oceano, e o planeta. A visão que o oceano está aí para nos servir. O tratamento do oceano e a vida marinha como fonte infinita de recursos. A percepção que os animais marinhos são feitos para ser nossa fonte de alimento.

A Sea Shepherd acredita que, com a situação do oceano hoje, não existe pesca sustentável. O oceano é um só e as práticas insustentáveis que acontecem no mundo inteiro afetam o equilíbrio como um todo, e também afetam o nosso bem-estar e o nosso futuro. Acompanhamos a diminuição dos fitoplânctons no oceano, grandes produtores do nosso oxigênio, que já diminuíram em 40%. Vemos o poder do oceano de sequestrar carbono em xeque com a alta velocidade em que surgem as zonas mortas. 

Para muitos, o oceano poderia estar “escuro” até terem assistido a este documentário. Mas para nós da Sea Shepherd, que estamos presentes em todos os mares deste único oceano, por anos assistimos desesperadamente as consequências da visão antropocêntrica que temos do mundo, já é de longa data que sabemos: estamos em guerra com o mar.

 

O oceano simplesmente não foi feito para alimentar 10 bilhões de pessoas e muito menos para alimentar os 60 bilhões de animais para abate e animais domésticos e os trilhões de peixes da aquicultura mundial.

Assim como nossa capacidade de destruição é imensa, também pode ser nossa capacidade de regeneração. Temos que decidir agora se nossas escolhas, sejam elas individuais ou como humanidade, alimentarão este caminho sem volta ou se terão como foco a restauração desta que é uma de nossas maiores esperanças para a sobrevivência humana na Terra.

Para um oceano saudável, a solução que vemos é deixar o oceano em paz.

Na Sea Shepherd, trabalhamos incessantemente em projetos de pesquisa para entendimento do impacto humano nos rios e mares, projetos de ação direta para a mitigação do efeito humano no oceano e projetos de conscientização para a educar a população sobre a importância do ecossistema aquático, nossa interdependência com este gigante e o impacto negativo que causamos nestes biomas até os dias de hoje.

No Brasil e no mundo, até vermos um oceano recuperado, em equilíbrio, protegido, respeitado e venerado pela humanidade, não iremos desistir. Nossa batalha é por toda a biodiversidade marinha, que chamamos de nossos clientes, mas também o que nos motiva diariamente é a sobrevivência do ser humano como espécie neste planeta.

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Saiba mais sobre a Sea Shepherd Brasil. Para voluntariar-se à Sea Shepherd e ajudar em nossas atividades em terra e mar, acesse aqui.

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Voluntários na frente de pilha de lixo segurando bandeira da Sea Shepherd

Ação e conscientização no aniversário de Curitiba

A cidade de Curitiba, capital do Paraná, completou 328 anos no último dia 29 de março. Para celebrar a data, a Sea Shepherd comemorou com o que melhor representa os nossos valores: ação.

Sob a monitoração da coordenadora do núcleo do Paraná, Amália Pereira e seguindo os protocolos de higiene e cuidados individuais tanto contra o Aedes Aegypti, quanto à COVID-19, os voluntários Lucas Bettega e Guilherme Pereira se uniram para a realização da segunda ação de limpeza do Bosque no Jardim Pinheiros, em Santa Felicidade.

O bosque abriga um córrego que vem sendo poluído pelo lixo descartado às suas margens e que, consequentemente, aumenta a poluição dos sistemas de água da região até finalmente chegar ao oceano.

Apesar do crescimento dos números relacionados à COVID-19, pode-se perceber que os cidadãos continuam a descuidar das práticas de higiene no que diz respeito às áreas públicas da cidade. Esse descuido resulta no acúmulo excessivo de resíduos no local e também impossibilita que a ação seja realizada em uma única. O lixo encontrado na mata e ao redor do leito do rio é de um volume espantoso e dos mais diversos tipos.

Na ação, os voluntários recolheram:

Pilhas, uma grande quantidade de plásticos diversos, sacolas, latas de conserva já enferrujadas, latas de cerveja, garrafas plásticas, garrafas de vidro, galão térmico, velas, 16m de cerca elétrica, roupas, potes plásticos, 1 varal enferrujado, sacos plásticos de lixo 100l com possíveis cadáveres de animais, 2 lâmpadas frias e 2 máscaras de proteção.

Voluntários recolhendo lixo

Assista ao vídeo para ver como foi a iniciativa:

Em um percurso de cerca de 100m, percorrido em 2 horas, foram retirados 120kg de resíduos que definitivamente não deveriam estar ali. O lixo presente no local acumulava água parada e já apresentava focos de mosquitos. Após a ação, foi realizado o descarte correto do lixo e placas educativas foram colocadas no local com a finalidade de chamar a atenção da população e convidá-la à reflexão sobre a importância de preservas nossas matas e nascentes.

O ecossistema do bosque e toda a natureza agradecem aos voluntários pela iniciativa.

Veja mais fotos da ação:

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

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