Expedição Boto da Amazônia

Expedição inicia um novo ciclo de esperança para a proteção dos botos da Amazônia

A Sea Shepherd e o INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, finalizam sua primeira rodada de estudo a longo prazo para a conservação de botos e tucuxis na bacia da Amazônia. A pesquisa informará quanto a pesca ilegal de piracatinga ainda segue ameaçando estas espécies.

Manaus-AM: Neste dia 23 de outubro, véspera do dia dos golfinhos de rio (24/10), o primeiro ciclo de pesquisas da Expedição Boto da Amazônia da Sea Shepherd em parceria com o INPA chegou ao seu fim. Foram no total 22 dias de viagem e, destes, em 19 dias houve contagem das espécies de boto da Amazônia (Inia geoffrensis) e de tucuxi (Sotalia fluviatilis). Liderada pela bióloga Dra. Sannie Brum, com doutorado em dinâmica e ecologia populacional destas espécies, a pesquisa contou com mais quatro cientistas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do INPA: Andressa Castro, Israela de Souza, Lucas Spinelli e Rayane Gonçalves, e mais dois cientistas pela Sea Shepherd, Giovanna Giannetto e Heloísa Brum. Também a bordo, estiveram Nathalie Gil, líder da expedição e Diretora Geral da Sea Shepherd no Brasil, Alba Treadwell, documentarista experiente nas operações da Sea Shepherd no exterior, o fotojornalista Gustavo Fonseca, experiente documentarista da natureza e Ana Paula Machado, chef de cozinha responsável pela alimentação à base de plantas da expedição, seguindo a política global da organização.

Tripulação posa no convés do navio

O barco da expedição é o B/M Comandante Gomes III, capitaneado pelo comandante Valmiro Pacaio Barros. Na tripulação contamos com Sidney Batista da Silva, Raimundo Alves da Silva Jr, Roberguen da Cruz Parente, Walcineide Oliveira dos Santos, Ana Carolina dos Santos e Antonio Marcos Lima da Costa como segurança a bordo.

Tripulação observa rio Amazonas

Nestes 19 dias de pesquisa foram cobertos por volta de 1200km de rios, lagos e paranãs em 4 áreas foco:

  • Manacapuru, por ser uma área de alta incidência pesqueira, e historicamente alta incidência de pesca de piracatinga;
  • RDS Piagaçu – Purus, uma área reconhecida mundialmente por ter a maior densidade de golfinhos de rio no mundo;
  • RDS Mamirauá, localidade onde os estudos mais aprofundados destas duas espécies já foram feitos;
  • e a região do Badajós, recentemente considerada de grande incidência destas espécies.

A escolha de localidades permite ter uma leitura randômica, que contrasta áreas de alta incidência de pesca e áreas de manejo controlado, áreas de rios largos e paranãs mais estreitos; dentre outras variáveis.

Foram identificados na expedição por volta de 1.400 botos e 3.200 tucuxis em uma cobertura de por volta de 1.200km de rio. É alarmante perceber a continuidade do contraste da densidade destes animais em regiões como Mancapuru – de alta concentração de pesca e conhecidamente de pesca ilegal de piracatinga – e da RDS Piagaçu-Purus, área protegida onde há experiências de manejo e controle de pesca.

Foi registrada em Manacapuru por volta de 10 vezes mais presença de pontos de pesca do que na área de cobertura da RDS Piagaçu-Purus, que possui por volta de oito a nove vezes mais botos. Importante ressaltar que estes dados são interim, já que a parte de análise deste estudo está apenas iniciando, quando as organizações poderão compartilhar dados mais concretos sobre esta leitura.

Esta pesquisa futuramente visa complementar um estudo bem renomado de longo prazo de leitura populacional destas duas espécies, liderado pela Dra. Vera da Silva, chefe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do INPA. Os estudos de mais de 25 anos, liderados por Dra. Da Silva na RDS Mamirauá, somados a estudos pontuais em outras áreas foco, permitiram a identificação de um declínio populacional que serviram de alerta para a saúde populacional destas espécies. A partir de estudos, foi estimado que estes cetáceos diminuem as suas populações pela metade a cada 9 a 10 anos (dependendo da espécie).

 

Tripulação segura redes de pesca retiradas do rio
Navio da Sea Shepherd na margem do rio, visto por drone

Estes dados levaram a IUCN – órgão que define o status de conservação das espécies no mundo – a considerar ambas espécies como ameaçadas de extinção. Porém a velocidade de seu declínio e o conhecimento das grandes ameaças às espécies – dentre outros fatores, também devido à pesca ilegal da piracatinga, uma ameaça crítica principalmente para os botos – indica que elas podem estar mais ameaçadas do que se imagina.

Porém estudos a longo prazo em mais pontos do rio são necessários para esta conclusão ser tomada – o que faz necessária e urgente a execução desta pesquisa.

A pesquisa é realizada em um contexto estratégico para a continuidade da moratória e, consequentemente, para a conservação das espécies: a moratória da pesca e comercialização da piracatinga, vigente desde 2015, foi prorrogada em junho por mais um ano, uma decisão tomada pela Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A pesca da piracatinga, um peixe bagre necrófago – ou seja, que come carne morta – é comumente feita com armadilhas específicas, como caixa de madeira ou um curral feito de rede fina (como um mosquiteiro) onde o pescador utiliza carne de jacaré ou de boto – ambas espécies com proibição de caça – para atrair os peixes à armadilha. Desde por volta dos anos 2000, tem se notado o aumento desta prática, que resultou em uma moratória para a proibição da pesca da piracatinga, vigente desde 2015.

Durante a viagem também foi identificada pela primeira vez, de maneira clara por captura em drone, um curral de pesca da piracatinga armado, aparentemente para uma pescaria que aconteceria de noite: bem à frente da cidade de Manacapuru um pescador estava com seu barco posicionado em uma porta de um curral que é conhecido por ser usado como armadilha para a pesca da piracatinga, com o uso de boto ou jacaré como isca. No momento da filmagem em câmera, a isca era coberta por um plástico preto e não pode ser identificada.

A equipe de pesquisadores e ativistas também identificou em viagem três tucuxis mortos: um na região de Manacapuru, um no entorno do porto de Coari e um terceiro na região de Manacapuru. Os três estavam recentemente mortos e eram machos. Estes avistamentos são raros de se obter, já que um animal morto no rio não dura muitas horas antes de ser predado.

Cadáver de boto é analisado

O primeiro era um adulto, com uma marca de rede em seu pescoço e uma ferida grande abaixo de sua nadadeira peitoral, com 9cm de profundidade – um indicativo de ser um arpão. O segundo tucuxi era um juvenil, possivelmente filhote, com uma marca de ferida em seu pedúnculo, também possivelmente ocasionada por um arpão. O terceiro é um adulto saudável e não há nenhum indicativo de doença natural. Estes avistamentos revelam a outra ameaça para estas duas espécies: o encontro com pescadores, com possível emalhe em rede de pesca, e também por ataques com arpão. Como estas são espécies que respiram para fora da água, o seu emalhe pode ocasionar em morte em apenas alguns minutos.

Durante a expedição, a Sea Shepherd iniciou contato e parceria com diferentes comunidades no percurso, para um trabalho a longo prazo de educação ambiental e de criação de possíveis modelos de gestão de resíduos nestas comunidades, que poderão futuramente servir como modelos de gestão para as outras comunidades em seu entorno.

Foram realizadas palestras de educação ambiental sobre os mamíferos aquáticos da Amazônia, suas características e ameaças, assim como um trabalho inicial de conscientização sobre o descarte de lixo no local e porque evitar o seu descarte no rio.

A Sea Shepherd coletou um mapeamento da atual gestão de resíduos de cada localidade para buscar um contínuo trabalho junto às comunidades.

Palestra em escola

1428 golfinhos mortos na noite de domingo nas Ilhas Faroé

Na noite de domingo, 12 de setembro, um super-pod de 1428 golfinhos-brancos do Atlântico foi encurralado por muitas horas e por cerca de 45 km por lanchas e jet-skis nas águas rasas da praia de Skálabotnur nas Ilhas Faroe dinamarquesas, onde cada único deles foi morto. Fotos da Sea Shepherd.

A Sea Shepherd acredita que esta seja a maior caça individual de golfinhos ou baleias-piloto na história das Ilhas Faroé (a segunda maior sendo 1.200 baleias-piloto em 1940) e é possivelmente a maior caça única de cetáceos já registrada em todo o mundo.

Enquanto a Sea Shepherd tem lutado para parar o ‘grind’ desde o início dos anos 1980, este último massacre de golfinhos foi tão brutal e cruel que não é nenhuma surpresa que a caça esteja sendo criticada na mídia das Ilhas Faroé e até mesmo por muitos defensores declarados e políticos nas Ilhas Faroé.

De acordo com moradores que compartilharam vídeos e fotos com a Sea Shepherd, essa caçada violou várias leis faroenses que regulamentam o Grind. Primeiro, o capataz Grind do distrito nunca foi informado e, portanto, nunca autorizou a caça. Em vez disso, foi o capataz de outro distrito que chamou o Grind sem a autoridade adequada.

Em segundo lugar, muitos participantes da caça não tinham licença, o que é exigido nas Ilhas Faroé, pois envolve treinamento específico sobre como matar rapidamente baleias-piloto e golfinhos. No entanto, as imagens mostram que muitos dos golfinhos ainda estavam vivos e se movendo, mesmo depois de serem jogados na costa com o resto de seu grupo morto.

Terceiro, as fotos mostram que muitos dos golfinhos foram atropelados por barcos a motor, essencialmente cortados por hélices, o que teria resultado em uma morte lenta e dolorosa. De acordo com os moradores locais, a caçada foi denunciada à polícia das Ilhas Faroé por essas violações.

Normalmente, a carne do grindadrap é dividida entre os participantes e o restante entre os moradores do distrito onde ocorre a caça. No entanto, há mais carne de golfinho nesta caça do que qualquer um poderia comer, então os golfinhos estão sendo oferecidos a outros distritos na esperança de não ter que jogá-los fora.

O jornal dinamarquês Ekstra Bladet publicou entrevistas com moradores, cujos nomes reais foram ocultados para a segurança de suas famílias, explicando como muitos faroenses estão furiosos com o que aconteceu. “Meu palpite é que a maioria dos golfinhos será jogada no lixo ou em um buraco no chão”, disse um deles. “Devemos ter cotas por distrito e não devemos matar golfinhos”, disse outro. Um local pediu à primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, para investigar o assunto, dizendo “Se ela expressar sua crítica, então será mais fácil para os moradores locais que querem que essa tradição bárbara acabe”. Outros expressam preocupação de que a imprensa internacional mostrando os golfinhos abatidos coloque suas exportações em risco (as Ilhas Faroé exportam salmão para o Reino Unido, EUA e Rússia).

Até mesmo a imprensa local das Ilhas Faroé, geralmente relutante em publicar qualquer coisa contra a caça, cita Hans Jacob Hermansen, ex-presidente do Grind, dizendo que o assassinato era desnecessário.

“É ultrajante que essa caçada ocorra em 2021 em uma comunidade insular europeia muito rica, a apenas 230 milhas do Reino Unido, sem necessidade ou uso para uma quantidade tão grande de carne contaminada.”
Rob Read, COO da Sea Shepherd no Reino Unido.

Para ter uma noção da escala; esta única caçada de 1428 golfinhos do lado branco do Atlântico em Skálabotnur se aproxima da cota do governo japonês para a matança / captura de golfinhos de seis meses na infame ‘Cove’ em Taiji, no Japão e excede significativamente os números realmente mortos em quaisquer anos recentes da temporada de matança de Taiji.

Esta caça cruel e desnecessária foi realizada no final do verão, quando os faroenses já mataram 615 baleias-piloto de barbatanas compridas, elevando o número total de cetáceos mortos em 2021 nas Ilhas Faroé para chocantes 2043.

“Considerando os tempos em que vivemos, com uma pandemia global e o mundo parando, é absolutamente espantoso ver um ataque à natureza dessa escala nas Ilhas Faroé”, disse o capitão Alex Cornelissen, CEO global da Sea Shepherd. “Se aprendemos alguma coisa com esta pandemia é que temos que viver em harmonia com a natureza, em vez de eliminá-la.”

A cada ano, a Sea Shepherd encontra mais e mais moradores nas Ilhas Faroé que se opõem ao Grind, mas que não podem falar publicamente por medo de represálias. Continuaremos a apoiar seus esforços para pôr fim ao massacre de baleias-piloto e outros golfinhos.

Empresa indiciada a pagar multa de R$1 mi por arrancar a barbatana de 36 mil tubarões

Ação civil pública movida em maio de 2009 pelo Instituto Sea Shepherd Brasil, juntamente com mais duas organizações não governamentais, levou à inédita condenação de empresa pela prática cruel e predatória.

Em ação civil pública movida em maio de 2009 pelo Instituto Sea Shepherd Brasil, juntamente com mais duas organizações não governamentais, o Juízo da 1ª Vara Federal de Rio Grande/RS condenou de forma inédita a empresa pesqueira Dom Matos Comércio de Pescados e Resíduos Ltda, sediada em Rio Grande/RS, pela prática do finning.

Foto: Arquivo

O caso começou em 2008, quando o Batalhão de Polícia Ambiental da Brigada Militar e o IBAMA autuaram em flagrante a empresa pesqueira Dom Matos Comércio de Pescados e Resíduos Ltda, pelo processamento e comercialização de 3,3 toneladas de barbatanas de elasmobrânquios. As barbatanas pertenciam a espécies marinhas seriamente ameaçadas de extinção, sendo elas o cação-anjo, a cação-cola-fina e a raia-viola. Pela quantidade de barbatanas, estima-se que cerca de 36 mil exemplares foram abatidos. A empresa estava também com sua licença vencida.

O finning, como é conhecida a pesca de tubarões para a retirada das barbatanas, é responsável pela morte de mais de 100 milhões de tubarões por ano no mundo.

O valor da condenação supera R$ 1 milhão de reais em razão do grave dano ambiental causado, valor este que deverá ser corrigido desde 2008 – data do fato – em decorrência do armazenamento, beneficiamento e comercialização ilegal das barbatanas. A empresa pesqueira ainda pode recorrer da sentença mas a multa já foi aplicada. Vale dizer que esta é a primeira ação judicial movida no Brasil contra a prática do finning.

A notícia desta condenação inédita no Brasil demonstra que estamos no caminho certo e nossos esforços não são em vão. Porém há ainda muito a fazer para a proteção dos tubarões no Brasil e no mundo.

CAÇÃO É TUBARÃO

A Sea Shepherd tem lutado contra a dizimação das populações de tubarões e arraias em todo o mundo desde o início da organização.

Anualmente, mais de 100 milhões de tubarões são mortos, o que já dizimou 90% da população mundial desses peixes. No Brasil, cerca de 43% das espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção. No ritmo atual, muitas espécies estarão extintas em menos de dez anos.

O Brasil é o maior consumidor e importador de carne de tubarão do mundo. Apesar disso, poucos brasileiros sabem que estão contribuindo com esta matança, pois os consome sob o nome de ‘cação’. Indústrias de comércio de barbatana têm visto o país como uma ‘lavanderia’ para legalizar suas práticas insustentáveis. Para agravar a situação, não é exigida a rotulagem correta e as espécies são vendidas como ‘cação’, fazendo com que espécies criticamente ameaçadas – como os tubarões-martelo e raias-viola – sejam livremente comercializadas.

 

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Logotipo da campanha Cação é Tubarão

A campanha Cação é Tubarão, lançada em julho de 2021, busca entender como e onde os tubarões e raias estão sendo comercializados no Brasil, quais espécies e de onde elas estão vindo, alertar a sociedade acerca desta prática e cobrar que medidas governamentais imediatas sejam tomadas.

Viu ‘carne de cação’ à venda no mercado, feira, peixaria ou aplicativo de entrega de comida? Faça uma foto e nos envie o registro por meio deste formulário.

Saiba mais na página da campanha: https://seashepherd.org.br/cacao-e-tubarao/

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O resgate de duas baleias jubarte capturadas nas redes dos pescadores no Gabão

Imagens angustiantes de duas baleias jubarte na rede de pesca levam o ministro gabonês a se juntar à patrulha da Sea Shepherd

No dia 4 de agosto, um drone Sea Shepherd sobrevoou uma rede de pesca de cerco que um navio de pesca de propriedade européia havia colocado em torno de um cardume de atum, capturando imagens angustiantes de duas baleias jubarte que lutavam para se libertar.

Durante mais de uma hora, as baleias jubarte lutaram freneticamente para escapar do cerco, apesar dos repetidos pedidos para que a embarcação abrisse sua rede. 

Baleia avistada em frente ao navio de pesca.

O drone foi lançado do navio da Sea Shepherd Bob Barker, atualmente no sexto ano de patrulhamento nas águas do Gabão – na África Central – em parceria com as autoridades gabonesas que abordam e inspecionam embarcações pesqueiras licenciadas para pescar nas águas soberanas do Gabão, garantindo o cumprimento da lei.

Quando a Operação Albacora – a campanha para acabar com a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU) nas águas do Gabão – começou, em 2015, os observadores de pesca relataram regularmente que os navios de pesca com rede de cerco usavam baleias e tubarões-baleia como forma de agregação de peixes vivos, colocando deliberadamente suas redes em torno da megafauna marinha com a expectativa de que eles laçariam os atuns que nadam com eles.  

Como resultado, o governo do Gabão, sob a liderança do Honorável Biendi Maganga-Moussavou, Ministro das Pescas, proibiu a prática, exigindo que os navios de pesca com rede de cerco abrissem imediatamente suas redes se baleias ou tubarões-baleia ficassem inadvertidamente presos no interior, mesmo que isso significasse a perda da captura de atum. 

Jubarte lutando contra rede de pesca de cerco.
Jubarte lutando contra rede de pesca de cerco.

“Embora as duas baleias jubarte ameaçadas de extinção tenham sido finalmente soltas, cada minuto de estresse reduz a probabilidade de sobrevivência dos animais após a soltura”, afirmou o capitão Peter Hammarstedt, Diretor de Campanhas da Sea Shepherd.

A pesca com rede de cerco é a prática de colocar uma grande parede de rede ao redor de um cardume inteiro de peixes, fechando a rede no fundo e depois puxando a rede para dentro, compactando a captura.

Quando o Ministro Maganga-Moussavou viu as imagens angustiantes, ele se comprometeu a se juntar aos inspetores de pesca gaboneses, aos guardas ecológicos do parque nacional, aos marinheiros da marinha e à tripulação do Sea Shepherd a bordo do Bob Barker durante vários dias de patrulhas no mar.

“Eu queria ver as práticas da frota de pesca com redes de cerco em primeira mão e ao mesmo tempo enviar uma forte mensagem de que a atividade de pesca ilícita não será tolerada nas águas do Gabão. Viajei para o mar mais de 190 quilômetros de Libreville – até nossa fronteira marítima com São Tomé e Príncipe – para mostrar que o governo da República Gabonesa está vigilante em patrulhar cada quilômetro quadrado de suas águas soberanas; e para transmitir que a Operação Albacora tem meu total apoio, assim como o total apoio do Chefe de Estado, S.E. Ali Bongo Ondimba”, disse o Ministro Maganga-Moussavou.

Ele decidiu sancionar o navio que se recusou a abrir as redes.

“A publicação desta filmagem chocante, a sanção da embarcação e minha própria participação pessoal na patrulha vai deter futuros atos ilícitos”, declarou o Ministro Maganga-Moussavou.

Navio de pesca de cerco

Assista ao angustiante registro que chocou o ministro

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Plácido Salles andando em praia com horizonte ao fundo

The Beach Walker Project recolhe quase meia tonelada de lixo

Iniciativa da marca Johnnie Walker - com proposta de chamar a atenção das pessoas para a importância de se cuidar do planeta - contou com parceria da Sea Shepherd e um andarilho percorrendo e coletando lixo marinho praias do Uruguai ao Rio de Janeiro.

Johnnie Walker, marca de whisky da Diageo – líder mundial na produção de bebidas alcoólicas premium, convidou a Sea Shepherd Brasil a acompanhar o andarilho Plácido Salles na caminhada de 2.030 quilômetros entre o Uruguai e o Rio de Janeiro, com dez ações de limpezas de praias por onde o andarilho passou.

Plácido Salles recolhendo lixo

Os 2030 quilômetros reforçam os compromissos ambientais da Johnnie Walker que até 2030 garantirão: 100% da produção do uísque de carbono líquido zero; 100% das destilarias com energia renovável e todas as embalagens recicláveis, reutilizáveis ou compostáveis. 

Como homenagem a esta jornada até 2030, o projeto Beach Walker teve início no dia 15 de junho de 2021, na Playa do Carrasco, no Uruguai, terminando dois meses depois na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, Brasil.

Plácido Salles, empreendedor e criador do canal Livre Partida, caminhou diariamente uma média de 30 km pelo litoral entre estes dois pontos, recolhendo o lixo encontrado pelo caminho e destinando para a reciclagem adequada. “Todos os dias encontrei muitos resíduos no caminho, o que foi até assustador no começo, constatar que em todas as praias tem bastante lixo” comentou Plácido. 

Em parceria com a marca Johnnie Walker a Sea Shepherd organizou dez limpezas em pontos estratégicos: Carrasco, Cassino, Passo de Torres, Barra Velha, Navegantes, Coqueiros, Itapoá, Santos, Ilhabela e Botafogo. As limpezas, coordenadas pela campanha nacional de limpeza de praias da Sea Shepherd, chamada Ondas Limpas, reuniram esforços de cerca de 50 voluntários que, junto com Plácido, coletaram quase meia tonelada de lixo, totalizando 10.521 itens.

“Ficamos muito contentes com o convite de Johnnie Walker para apoiar nesta importante caminhada sustentável. É muito gratificante ver uma marca deste tamanho se propondo a rever seus processos e chamando atenção para a urgência do problema do lixo, fazendo com que a mensagem chegue cada vez a mais pessoas. Este é o futuro. As empresas que quiserem se manter no mercado devem responder aos desafios mais urgentes da sociedade, do planeta e das pessoas, que estão cada vez mais exigentes e atentas a essas questões”, declarou Nathalie Gil, Diretora de Desenvolvimento da Sea Shepherd Brasil.

“As ações de limpeza com a Sea Shepherd foram muito impactantes. Ver a comoção das pessoas que estão ali de livre e espontânea vontade tentando mudar a realidade da poluição nas praias e oceanos me moveu bastante. Aprendi muita coisa sobre coleta e resíduos em geral”, ressaltou Plácido. “O trabalho em grupo vira uma força tarefa, ganha poder e se torna muito mais impactante”, adicionou.

Leitura de impacto

Para dar a destinação correta aos resíduos coletados, foram mapeadas cooperativas por diversos trechos da caminhada – até nos mais longínquos. Todos os resíduos seguiram um processo de logística reversa, sendo destinados à cooperativas.

A ação em números, segundo Relatório de Impacto feito pela empresa de logística reversa Residuall:

  • Mais de 40 horas de limpeza
  • Quase 50 voluntários
  • 451 kg de resíduo
  • 10.521 itens coletados
  • 7.942 itens de plástico
  • 79 itens de metal
  • 166 itens de vidro
  • 192 itens de papel
  • 815 bitucas de cigarro
  • 69 itens de borracha
  • 93 petrechos de pesca
  • 1.172 outros itens

Impacto estimado com a reciclagem dos itens coletados:

  • Emissão de CO2 evitada: 110 kg 
  • Consumo de água evitado: 1200 litros
  • Consumo de energia elétrica reduzido: 116 kWh
Lixo em separação

A caminhada foi documentada em vídeo pela produtora Bando e vai virar uma minissérie documental que mostra, além das curiosidades e desafios do percurso, personagens que trabalham fazendo a diferença em relação ao cuidado com as praias e gestão de resíduos no Brasil.

Confira o 1º episódio no canal Johnnie Walker Brasil no YouTube:

Para que a campanha Ondas Limpas continue a existir trabalhando para erradicar o lixo marinho e salvar milhares de vidas marinhas, precisamos da sua doação. Filie-se e ajude a manter esta e outras campanhas ativas.

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Porto de Paranaguá

Derrocagem no Paranaguá ameaça o ecossistema marinho local

Um projeto governamental de derrocagem está em andamento em Paranaguá e está despertando preocupação no meio científico e na comunidade local.

Paraná – A obra em questão acontecerá no Palanganas, um maciço rochoso no canal de navegação que dá acesso ao Porto de Paranaguá, no Canal da Galheta, um pouco à frente do Terminal de Contêineres do Porto de Paranaguá.

Foto: Pedro Eprobio

A derrocagem consiste em um processo de retirada ou destruição de pedras ou rochas submersas, que supostamente “impedem a plena navegação”. Com o passar das décadas, os navios foram ficando cada vez maiores, exigindo uma profundidade de navegação maior. O projeto da empresa pública Portos do Paraná prevê a retirada de parte dessas rochas Palanganas para aumentar a profundidade atual, inferior a 12 metros, para 14,6 metros. O objetivo alegado é reduzir o risco de encalhe e acidentes ambientais envolvendo navios, porém nos últimos anos o porto já recebeu com sucesso navios de mais de 330 metros e 11.000 TEUS. 

Na última sexta-feira (13.08) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região deferiu o pedido liminar da Diretoria Jurídica da Portos do Paraná e suspendeu a decisão liminar do juiz substituto Flávio Antônio da Cruz, da 11ª Vara Federal, deferida em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, que suspendia a Licença Ambiental e obra de dragagem por derrocamento no Porto de Paranaguá. 

Embora a empresa pública que administra a área afirme que o trabalho seja realizado seguindo as recomendações dos órgãos ambientais, o projeto apresenta problemas ambientais importantes para as espécies marinhas do litoral.

Os autores da ação que havia suspendido a licença da obra defendiam que “para qualquer empreendimento de derrocagem sejam exigidos, no mínimo, Estudo e Relatório de Impacto Ambiental, com respectivas consultas e audiências públicas; Estabelecimento de Área  Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta (AID) e Área de Influência Indireta (AII), com base nos modelos de propagação sonora e de ondas, bem como a intensidade e a frequência sonora, estabelecidos para região; Estudo de Impacto Ambiental, Antropológico e Geológico, das ilhas afetadas; Anuência das Instituições Intervenientes (Funai, IAT, ICMBio, Incra, Iphan, Marinha, Município de Paranaguá, MS/Sesai e SPU) e Oitiva das Comunidades Tradicionais e Indígenas”.

O objetivo da obra é evidentemente econômico e os ativistas entenderam isso. De fato, mais de 44% de todos os empregos da região estão ligados aos portos.

 

Por que essa prática é uma ameaça aos ecossistemas marinhos?

A região dos entornos do Porto de Paranaguá é berçário para várias espécies apresenta uma biodiversidade única, com espécies endêmicas e ameaçadas Potenciais impactos associados à detonação são, por exemplo, alteração de habitat (fauna e flora) com o aumento da turbidez da água, efeitos provenientes da liberação de energia térmica e propagação de ondas de choque e bolhas, compõe parte das preocupações atreladas à detonação subaquática.

Mesmo que os animais sejam mantidos afastados durante estas operações, a mudança em seu ambiente, o risco a longo prazo de erosão e outros danos naturais permanecem significativos. De fato, estas operações realizadas no mundo inteiro requerem cortinas de bolhas e emissão de vibrações sonoras subaquáticas para reduzir o impacto da explosão e impedir uma reaproximação dos animais, mas não conseguem evitá-los completamente.

As detonações e explosões ainda serão sentidas pelas espécies marinhas e mudarão seu habitat para sempre. Os ecossistemas dos portos e espécies endêmicas estão ameaçadas.

 

Ave em Paranaguá
Foto: Pedro Eprobio

Operation Reef Defence

Assim como este caso no Brasil, na Austrália a intervenção humana ameaça a sobrevivência de áreas marinhas naturais, em especial a Grande Barreira de Corais – área onde a Sea Shepherd atuou diretamente em sua preservação.

A Grande Barreira de Corais é o maior sistema de recifes de coral do mundo composto por mais de 2.900 recifes individuais e 900 ilhas que se estendem por mais de 2.300 km em uma área de aproximadamente 344.400 km quadrados. O recife está localizado no Mar de Coral, ao largo da costa de Queensland, Austrália. A Grande Barreira de Corais pode ser vista do espaço e é a maior estrutura única do mundo feita por organismos vivos.

As águas turquesa da Grande Barreira de Corais são o lar de um dos ecossistemas marinhos mais importantes e biodiversificados do país e potencialmente, seu mais novo depósito de carvão. Mesmo que uma grande parte do recife esteja protegida pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que está ajudando a limitar o impacto antrópico – como a pesca e o turismo – sua sobrevivência está ameaçada por causa do carvão.

De acordo com um estudo da Academia Nacional de Ciências de 2012, desde 1985 a Grande Barreira de Corais perdeu mais da metade de seus corais, com dois terços desta perda ocorrendo a partir de 1998.

 

Logo - Operation Reef Defence
Great Barrier Reef corals
Foto: Danielle Ryan/James Sherwood, Bluebottle Films

As águas turquesa da Grande Barreira de Corais são o lar de um dos ecossistemas marinhos mais importantes e biodiversificados do país e potencialmente, seu mais novo depósito de carvão. Mesmo que uma grande parte do recife esteja protegida pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que está ajudando a limitar o impacto antrópico – como a pesca e o turismo – sua sobrevivência está ameaçada por causa do carvão.

De acordo com um estudo da Academia Nacional de Ciências de 2012, desde 1985 a Grande Barreira de Corais perdeu mais da metade de seus corais, com dois terços desta perda ocorrendo a partir de 1998.

O controverso projeto de mina de carvão gigante do conglomerado indiano Adani, localizado perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, tem sido fortemente denunciado desde seu início pelo ativismo de organizações como a Sea Shepherd que monitoram incessantemente seu impacto ambiental. 

 

A Grande Barreira de Corais está doente e por causa disso, em julho de 2018, criamos a Operation Reef Defence para agir e proteger a 8ª maravilha natural do mundo do Projeto Adani. 

Nosso navio-estandarte, o M/Y Steve Irwin, navegou pela costa leste da Austrália até Abbot Point para se opor à mina de carvão, à ligação ferroviária e ao porto de Carmichael.

Nossa posição é clara: não trocaremos os ricos ecossistemas marinhos por obras destrutivas que visam objetivos puramente comerciais.