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TRIP+ Entrevista na íntegra

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Quando se deu conta de que o trabalho do Greenpeace não combinava com as suas crenças? Em 1977 eu liderava uma campanha para proteger bebês foca quando salvei um deles arrancando um martelo das mãos de um caçador [Watson torceu o braço do caçador]. O Greenpeace alegou que essa tinha sido uma atitude muito radical. Não acho que salvar uma vida seja uma atitude radical. Mas a verdadeira razão da minha saída é que o Greenpeace estava se tornando uma corporação mais preocupada em se autopromover do que em salvar o planeta. Hoje me sinto uma espécie de Dr. Frankenstein, que ajudou a criar algo monstruoso.

Você já afundou 10 baleeiros. Qual a bandeira que ainda falta ser pintada no seu navio? A de um baleeiro japonês.

A Comissão internacional de proteção às baleias efetivamente ajuda? Nós usamos as regulamentações da IWC como nosso mandato para intervenção contra caça ilegal de baleias. Nós fazemos valer o que eles só escrevem. Sem a Sea Shepherd, a IWC é manca.

Em 1987, a ONU permitiu que a caça às baleias tivesse apenas fins científicos ou aborígenes. Como se controla isso? Confrontando os caçadores e afundando seus navios.

Porque alguns países investem tanto na caça às baleias? O Japão é o pior inimigo das baleias. Em seguida vem a Noruega. Fazem isso por ganância e estupidez.

Já teve curiosidade de saber como é o gosto da carne de baleia? Jamais! Pra mim, isso soa como saber se eu já tive curiosidade de comer carne humana. É uma idéia repulsiva.

Em Ocean Warrior, você diz que durante a Guerra Fria uma baleia te ajudou a escapar dos russos. Como foi isso? Você acha que elas sentem que você as protege? Uma baleia surgiu entre meu navio e o dos russos bem na hora mais critica da perseguição; a surpresa nos deu tempo para escapar. Acredito muito que elas sintam o nosso trabalho, especialmente quando estamos em meio a um combate.

Que acha de ser rotulado como ecoterrorista? Chamem-me do que quiser. Se realmente fosse um ecoterrorista, estaria preso ou proibido de viajar. Nunca causei um ferimento sequer e nunca fui condenado por crime grave. Meus inimigos sim são ecoterroristas.

Que leva na mala quando vai ficar muito tempo no mar? Tem algum talismã? Além dos objetos pessoais, carrego um pequeno pedaço de madeira esculpido que recebemos do Dalai Lama. Ele chama isso de Hayagriva. Significa a compaixão de Buda pela indignação, como ele diz: “Você não deve querer machucar ninguém, mas ás vezes, quando esse alguém não consegue atingir a iluminação, você faz com que eles sintam medo até enxergar o que é preciso”.

Você é um ídolo para pessoas como Brigite Bardot, Pierce Brosnan e Martin Sheen. E você? Quais são ídolos? Meu herói é o capitão confederado James I. Waddell, que afundou diversos navios baleeiros durante a guerra civil norte-americana e salvou duas espécies de baleias da extinção sem nunca ter ferido um caçador.

E quanto às pessoas que dão nome aos seus navios? São homenagens. Além de escritor, Farley Mowat foi nosso presidente e é um naturalista canadense, grande amigo meu. Robert Hunter [nome de seu navio anterior] foi o co-fundador do Greenpeace, e morreu em 2005.

Já veio ao Brasil? Que acha do modo como lidamos com o meio ambiente? Estive no seu pais muitas vezes por causa da Sea Shepherd Brasil. A primeira foi em 1989 para ajudar os índios na batalha contra uma represa no Xingu. Também já fui com o Farley Mowat até Fernando de Noronha para defender o lugar de caçadores em 2002.

Qual sua posição em relação à pena de morte? Sou contra.

É religioso? Não faço parte de nenhuma religião, mas amo o mundo natural. Sou um ecologista.

Porque o Greenpeace se recusa a falar sobre você? Porque nós os envergonhamos. Somos o que eles um dia já foram, então os fazemos lembrar que eles falharam em seus principais objetivos.

Que acha de todo esse alarde em relação ao aquecimento global? Acho que é uma moda passageira. Nada de muito eficiente está sendo feito. Essa história de crédito de carbono é apenas mais uma jogada para ganhar dinheiro através do problema. Em primeiro lugar, temos que proteger a diversidade do meio ambiente. Depois devemos frear o crescimento populacional optando voluntariamente por ter menos filhos. É importante que o consumo seja reduzido. Muitas organizações ao redor do mundo vão lucrar usando o apelo de “ajude a salvar o planeta”…

Paul Watson e Robert Hunter, fundadores do Greenpeace e da Sea Shepherd, são eleitos os maiores ambientalistas da história pela revista Time
Paul cai no mar da Antártida ao tentar salvar uma foca
Por último, Paul, faz pose com os ecoguerrilheiros da ONG
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