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Japão usa Sea Shepherd para desviar acusações de corrupção na reunião da CIB

Apoiadores Sea Shepherd cumprimentam um membro da CBI. Foto: Dan Marsh

Apoiadores Sea Shepherd cumprimentam um membro da CIB. Foto: Dan Marsh

Como no ano passado, a delegação japonesa tentou chamar a atenção das delegações da Comissão Internacional da Baleia (CIB) com uma apresentação em PowerPoint intitulada “segurança no mar”. Claro, o Japão deve estar muito preocupado com a segurança no mar, considerando que durante o tempo que suas frotas ilegais têm operado no Oceano Antártico, sofreram três mortes, numerosos feridos, um derramamento de óleo, e dois incêndios catastróficos. No entanto, esta mostra se concentra exclusivamente em uma apresentação de PowerPoint cujo conteúdo são vídeos da série de televisão da Sea Shepherd, bem como vídeos de suas próprias câmeras, sobre as intervenções da Sea Shepherd contra suas operações baleeiras ilegais. O show se completa com uma trilha sonora de declarações, incluindo, “Mayday, Godzilla está nos atacando, Godzilla está nos atacando”.

Há uma abundância de paintball, bomba de fedor, e o drama dos canhões d’água, mas no final do dia, permanece o fato de que a Sea Shepherd não feriu um único baleeiro, como evidenciado pelo conteúdo do seu próprio vídeo. O que Sea Shepherd fez foi mandar para casa toda a frota baleeira japonesa com o rabo entre as pernas, e fizemos isso um mês e meio mais cedo, com os baleeiros tendo atingido apenas 17% de sua cota de matança auto-imposta.

Outras delegações da CIB, nomeadamente os Estados Unidos, Holanda, Austrália e Nova Zelândia, continuam a dizer ao Japão que a Comissão Internacional da Baleia não é o fórum adequado para tal absurdo, e suas reclamações devem ser levadas para a Autoridade Marítima Internacional. Mas a verdadeira razão para o Japão estar gastando tanto tempo nesta questão não é porque eles acreditam que vão conseguir alguma decisão para penalizar a Sea Shepherd, mas porque estão obstruindo ou desviando o tempo longe do ponto preliminar da agenda – a proposta da Grã-Bretanha para investigar o suborno e a corrupção dentro da CIB.

Ao que parece, numerosas nações do Caribe e África, que convenientemente votam a favor da caça com o Japão em troca de ajuda externa, estão em apuros. Não por causa da ajuda externa, todo mundo já sabe que o Japão tem um histórico de negociação de ajuda externa em troca de votos. O problema é que a corrupção é muito mais vulgar do que isso, com os delegados destas nações à venda agora embolsando percentuais consideráveis de doações em dinheiro para seus próprios bolsos gananciosos.

Aparentemente, todos os anos, esses delegados simplesmente levam uns 80% dos fundos recebidos pelas despesas com a CIB para uso pessoal. Além disso, o Japão pagou pelos seus quartos em hotéis de luxo, passagens aéreas de primeira classe, refeições muito caras, para não mencionar a provisão de garotas para ajudar os delegados a ‘relaxar’. Todas essas acusações foram tornadas públicas na imprensa britânica no ano passado, e este ano, a delegação britânica decidiu fazer algumas perguntas sérias sobre isso tudo.

O que está emergindo é que a CIB está se tornando um dos mais corruptos órgãos regulatórios internacionais do mundo. Isto é adicionado ao fato de que é também uma das agências reguladoras mais ineficazes e inócuas do mundo.

A Comissão Internacional da Baleia aparentemente não faz nada, não regula nada, e não impõe nada. As reuniões são agora apenas uma série de poses, e se tornaram palco para distração, verdadeiros circos políticos, como os esforços do Japão para demonizar a Sea Shepherd em um fórum onde a Sea Shepherd não está autorizada a se defender, já que a Sea Shepherd está proibida de assistir às conferências da Comissão Internacional da Baleia desde 1987. Enquanto isso, a Sea Shepherd continua a ser a única organização não-governamental que realmente intervém nas ações ilegais do Japão, e que procura defender os regulamentos da CIB. Há anos, a Sea Shepherd tem sido a única organização a reduzir efetivamente a cota de matança ilegal do Japão. É, portanto, hipocrisia a Sea Shepherd ser também a única organização que não tem permissão para assistir às reuniões da CIB.

E justamente quando a Sea Shepherd pensou que a CIB atingiu o nível máximo de comicidade, agora a Sea Shepherd não é sequer autorizada a entrar no hotel onde a reunião acontece. A Sea Shepherd também está ciente de que os membros de qualquer outra organização vistos na companhia de seus partidários também estão impedidos de participar da reunião, fazendo com que representantes do Greenpeace, EIA, e da Sociedade de Conservação das Baleias e Golfinhos corram para longe com medo de que os baleeiros os vejam saindo com ‘piratas em alto-mar’. Parece que a Sea Shepherd tornou-se a dama da noite deste movimento. Aliados da Sea Shepherd concordam com eles, e muitos até os apoiam, mas ficam petrificados com o risco de serem vistos ao lado deles à luz do dia.

Apesar disso, a Sea Shepherd tem conquistado mais membros e seus apoiadores são os mais vistos na linha de frente da CIB deste ano, mais do que todas as outras organizações não-governamentais juntas. As pessoas estão proclamando que “se piratas são os que salvam as baleias, então seremos piratas”.

A Sea Shepherd não teria conquistado isso de nenhuma outra maneira, porque quando tudo estiver dito e feito, depois de todas as poses, indignações fingidas e arte dramática, sendo evitados e barrados, esquecidos e ridicularizados, o ponto de partida é a Sea Shepherd salvando a vida de baleias, e todos os anos eles economizam mais do que no ano anterior. Se os baleeiros japoneses ilegais retornarem ao Oceano Austral em dezembro, a Sea Shepherd estará lá mais forte do que nunca com a Operação Vento Divino. A Sea Shepherd vai conduzir os baleeiros do Santuário de Baleias do Oceano Antártico, mais uma vez, não importa o que eles façam para tentar parar a mais agressiva e determinada organização de conservação da vida selvagem marinha do mundo.

Basta, e a barbárie horrível e a crueldade abjeta da matança das grandes e gentis baleias deve acabar. E tomem nota: não será encerrada por sermos agradáveis com seus assassinos e seguirmos as regras. Irá acabar por falarmos a língua que só esses assassinos em série de cetáceos entendem – economia, lucros e perdas, e finanças. O objetivo da Sea Shepherd é afundar a frota baleeira japonesa economicamente e falir suas atividades ilegais. Tripulantes da Sea Shepherd vão fazer exatamente isso com a imaginação, coragem e paixão do nosso corajoso grupo de voluntários internacionais. Não haverá retirada ou entrega até que a caça de baleias termine para sempre!

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

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