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O oceano tem seu maior ativista livre para protegê-lo: Paul Watson está oficialmente fora da lista da INTERPOL

Foto: Sea Shepherd France

Foto: Sea Shepherd France

Decisão histórica reconhece ausência de proporcionalidade e motivação política no caso contra o fundador da Sea Shepherd e Sea Shepherd Brasil

Lyon, França, 22 de Julho de 2025 – Paul Watson, fundador da organização Sea Shepherd e uma das figuras mais emblemáticas da defesa do oceano no mundo, após anos de perseguição internacional teve o seu nome oficialmente retirado da lista da INTERPOL. A decisão foi tomada pela Comissão de Controle dos Arquivos da INTERPOL (CCF) durante sua 133ª sessão, realizada entre 23 e 27 de junho de 2025, e encerra formalmente a validade do “Red Notice” (notificação vermelha) solicitado pelo Japão e válido desde 2012.

O caso contra Watson remonta a 2010, quando ele foi acusado de ter instigado ações contra um navio baleeiro japonês em águas internacionais. Na época, a Sea Shepherd realizava uma campanha para impedir a caça de baleias pelo Japão sob o pretexto de “pesquisa científica” — prática já condenada posteriormente pela Corte Internacional de Justiça como disfarce para fins comerciais.

Na decisão final, a Comissão da Interpol reconheceu que:

  • O caso levantava sérias dúvidas quanto ao respeito aos direitos humanos fundamentais infringidos;
  • As acusações apresentavam caráter desproporcional, considerando a natureza dos atos e o tempo decorrido;
  • A perseguição internacional prejudicava diretamente a atuação ambiental de Watson, caracterizando um impacto excessivo e injustificado;

A continuidade do alerta vermelho não era mais de interesse legítimo para a cooperação policial internacional.

Além disso, a Comissão destacou que a recusa do pedido de extradição por parte do governo da Dinamarca em dezembro de 2024 — após meses de detenção de Watson na Groenlândia — foi um elemento decisivo para reavaliar a validade do alerta. A decisão dinamarquesa citou, entre outros pontos, a antiguidade dos fatos, o baixo grau de gravidade das alegações e o risco de violação de direitos humanos no Japão.

A Comissão da INTERPOL concluiu, de forma inequívoca, que os dados referentes a Paul Watson não estavam em conformidade com as regras da organização e determinou sua completa exclusão dos arquivos internacionais.

Com essa decisão, Paul Watson está livre para viajar e continuar sua luta em defesa da vida marinha sem a ameaça de perseguição internacional. A revogação do alerta vermelho representa não apenas uma vitória pessoal, mas também um precedente importante para o reconhecimento da legitimidade da importância e do direito fundamental do ativismo ambiental diante de tentativas de sua criminalização pelo mundo.

“A decisão encerra 14 anos de perseguição politicamente motivada e ressalta a flagrante ilegalidade das operações baleeiras japonesas no Santuário de Baleias do Oceano Antártico”, disse Watson em uma breve declaração fornecida pela Sea Shepherd França. “Uma pequena vitória da justiça para mim, uma grande vitória da justiça para as baleias”, acrescentou.

A Sea Shepherd Brasil comemora esta decisão, que teve o crucial envolvimento dos brasileiros, com mais de 30 mil assinaturas e dezenas de organizações solicitando ao Governo Brasileiro de se posicionar contra a sua prisão na Dinamarca, o que foi feito pelo Itamaraty e pelo presidente Lula. Planejamos para que Paul Watson possa vir em segurança ao Brasil em breve.

Certificado de retirada de Paul Watson da lista vermelha da INTERPOL