Editorial

10 perguntas para o Capitão Paul Watson, sobre a saída do Japão do Santuário de Baleias do Oceano Antártico

1. Você acha que o Japão desistiu das operações de caça no Oceano Antártico para o bem?
Capitão Paul Watson: Não temos certeza. Estamos esperançosos de que eles deixarão de caçar baleias no Santuário de Baleias do Oceano Antártico, mas se  voltarem, estaremos lá novamente na próxima temporada para cumprimentá-los. Acredito que seremos capazes de voltar mais fortes do que fomos este ano, e melhor equipados, para impedir as suas operações baleeiras ilegais.

2. Porque você acha que eles deixaram as suas operações baleeiras um mês e meio antes do previsto?
Capitão Paul Watson: Eles não tinham escolha. Efetivamente impedimos as suas operações. Assim que assumimos o controle da rampa da popa do navio-fábrica Nisshin Maru, assumimos o controle das operações baleeiras. Se eles não podem carregar baleias mortas no convés do navio-fábrica, eles não podem matar baleias. Tinham, portanto, duas opções. Eles poderiam continuar nos perseguindo, e queimando combustível para nada, ou podiam voltar para casa, para o Japão.

3. A Agência de Pesca japonesa disse que chamou os seus navios de volta por questões de segurança das suas tripulações? Você acha que esta foi uma preocupação legítima?
Capitão Paul Watson: Não, nossas táticas não mudaram durante as sete campanhas anuais que montamos no Oceano Antártico. Nós retornamos mais fortes e financiados a cada ano e, portanto, mais eficazes na localização e bloqueio de suas operações. Eu acredito que eles encerraram oficialmente suas operações baleeiras porque nós já tínhamos bloqueado as suas operações na prática. Os baleeiros japoneses nunca tiveram qualquer razão para ter medo de nós. Nós nunca ferimos gravemente alguém na nossa história e estamos orgulhosos deste recorde sem mácula.

4. O Instituto de Pesquisa de Cetáceos de Tókio rotulou a Sea Shepherd Conservation Society como uma organização eco-terrorista. Isso é um motivo de preocupação?
Capitão Paul Watson: Eles podem nos chamar do que quiserem, mas me parece que eles deveriam nos prender por terrorismo, ou então se calarem. Eles nos chamam de terroristas há anos e não nos acusaram de quaisquer crimes. Eu não acho que eles entendem o que significa a palavra “terrorista”. Em japonês, ela parece significar qualquer coisa que se opõe ao status quo japonês.

5. O Japão pediu que a Austrália, a Nova Zelândia e a Holanda tomassem medidas para que a Sea Shepherd parasse de interferir nas suas operações baleeiras. Isso te preocupa?
Capitão Paul Watson: O Japão tem feito este pedido, na verdade exigindo, há seis anos. Eu não acho que esses governos ficarão contra a posição de seus próprios cidadãos, que são contra a caça, para fazer favores ao Japão. Eles podem dar o serviço do bordo e outras delicadezas diplomáticas, mas eles sabem muito bem que as urnas da Holanda, da Nova Zelândia e da Austrália não estão em Tóquio.

6. O que fez a diferença este ano em relação aos anos anteriores?
Capitão Paul Watson: Todos os anos nós voltamos para o Oceano Antártico mais fortes, mais experientes e melhor equipados do que no ano anterior. Todo ano a frota baleeira volta mais fraca do que no ano anterior. Este ano também tivemos o Gojira, um navio comandado pelo Capitão Locky MacLean, um homem menos inclinado a chamar atenção e mais inclinado a fazer o seu dever para a causa. Ele fez seu trabalho perfeitamente, localizando tanto o navio de abastecimento quanto o Nisshin Maru, e obstruindo os arpoadores. Também tivemos o Bob Barker, com a sua capacidade de rastrear e caçar os baleeiros, não importando onde eles forem, com a sua capacidade de combustível de longo alcance e casco forte para o gelo. O mais importante é que tínhamos uma grande equipe, 88 voluntários apaixonados sobre os três navios, e uma equipe de apoio internacional em terra.

7. Quantas baleias foram mortas nesta temporada, e como isso se compara com a última temporada?
Capitão Paul Watson: Na última temporada, 2009-2010, o objetivo japonês era de 935 baleias minke, 50 baleias jubarte e 50 baleias fin. Eles mataram 507 minkes e zero jubartes e fin. Este ano, de acordo com o Instituto de Pesquisa de Cetáceos, mataram 170 baleias minke e 2 baleias fin. Eles só atingiram 16% de sua cota total. A princípio, pensei que não poderiam ter matado mais de uma centena de baleias, considerando as oportunidades limitadas apenas com um barco arpoador, mas eu descobri que eles tiraram os arpões dos outros dois barcos caçadores assassinos, e colocaram em um só, para permitir que eles trabalhassem o dia inteiro. Eu também suspeito que, em vez de “amostragem” de diferentes grupos, eles aproveitaram a oportunidade para abater grupos inteiros e maximizar o aproveitamento da caça. Isso entra em conflito com a sua justificativa para a caça, dita científica, mas eles estavam desesperados para matar o maior número de baleias quanto possível antes de estacionarmos em sua popa, e impedí-los por bem.

8. O Greenpeace nem sequer mencionou a Sea Shepherd como sendo responsável pela decisão do Japão de encerrar as suas operações baleeiras. Por que eles fizeram isso?
Capitão Paul Watson: A resposta é simples: eles não gostam da Sea Shepherd, e eles não gostam de mim, apesar de eu ser um co-fundador do Greenpeace. O fato é que o crédito para encerrar o abate de baleias foi dado à Sea Shepherd pelo governo japonês, e pelos baleeiros japoneses. Não dá pra ficar mais claro do que isso. Eu convidei o Greenpeace a se aliarem a nós este ano, mas eles recusaram. Continuo aberto para trabalhar em cooperação com eles, mas eles têm uma política de se recusar a reconhecer a nossa existência. É uma pena, porque, realmente, como um co-fundador do Greenpeace, eu gostaria de estar orgulhoso do que nós começamos em 1972, e espero que um dia eu ainda possa ser capaz de me orgulhar do Greenpeace. Eu vou dizer que perdem credibilidade e fazem um grande desserviço para si mesmos e para os seus membros ao fingir que a Sea Shepherd não existe. O Greenpeace deve exercer a segunda parte do seu nome e fazer as pazes com outras organizações, especialmente uma organização fundada e dirigida por um dos seus co-fundadores.

9. Você acha que a Sea Shepherd conquistou este grande sucesso por conta própria?
Capitão Paul Watson: Absolutamente não. Sem o apoio da população e dos portos da Austrália e da Nova Zelândia, não seríamos capazes de realizar estas campanhas. Temos uma grande gratidão para com os portos de Hobart, Melbourne, Sydney, New Castle, Brisbane, Fremantle, e Albany, na Austrália, e os portos de Wellington, Bluff, e Auckland, na Nova Zelândia. Somos gratos ao povo da Holanda pelo privilégio de navegarmos com a bandeira holandesa e pelo o apoio financeiro. Somos gratos ao Mohawks da Reserva Kahnawake por nos honrar com a bandeira das Cinco Nações da Liga dos Iroqueses, e somos gratos por nos apresentarmos oficialmente com a bandeira aborígene da Austrália e a bandeira Maori de Aotearoa. Somos muito gratos ao apoio incrível do Sr. Bob Barker, por tornar possível termos um navio perfeito para ajudar o Steve Irwin. Politicamente, somos gratos ao senador Bob Brown, da Austrália, e à Rachel Siewert, do Partido Verde australiano, ao prefeito de Fremantle, Brad Pettitt, e ao ex-prefeito Peter Tagliaferri, ao ex-ministro australiano do Meio Ambiente, Senador Ian Campbell, e à prefeita de Wellington, Celia Wade-Brown .

Na verdade, há tantas pessoas que ajudaram e participaram, levantaram fundos, e ofereceram seu tempo, que eu estou escrevendo um agradecimento especial a todos, que será bastante longo, mas com mais mérito, e vamos publicá-lo no nosso site em breve. Em suma, esta foi uma conquista coletiva internacional de muitos apaixonados e dedicados, os quais eu admiro e aprecio.

10. Para onde a Sea Shepherd vai agora?
Capitão Paul Watson: Temos de estar preparados para retornarmos ao Oceano Antártico na próxima temporada. Não sabemos se os baleeiros vão retomar a caça, mas estaremos preparados para interceptá-los se eles fizerem isso. Pretendemos ser ainda mais eficazes, o que significa adquirirmos um quarto navio, mais rápido e com uma maior resistência ao gelo, um navio de longo alcance que pode superar os barcos arpoadores através do gelo. Entretanto, temos que salvar o atum-azul no Mediterrâneo, salvar as baleias-piloto na Dinamarca, nas Ilhas Faroe, e interceptar os caçadores em Galápagos. Do plâncton às grandes baleias, há muitas ameaças e desafios para a fauna marinha, e temos de abordar o que pudermos, sempre que pudermos, e da melhor forma possível, com os recursos que temos à nossa disposição.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

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