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Vida e morte se cruzam no Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS)

Por Rodrigo Marques, Coordenador voluntário do Núcleo RS

Quem chega à beira mar e vislumbra todas aquelas espécies de aves nidificando livres e em total harmonia com o ambiente, não imagina o que poderá encontrar percorrendo alguns quilômetros de orla num lugar chamado de Parque Nacional da Lagoa do Peixe – uma área de preservação ambiental, criada em 1986, localizada no litoral do Rio Grande do Sul, entre o Atlântico e a Lagoa dos Patos, na altura das cidades de Tavares, Mostardas e São José do Norte.

Aves de diversas espécies ocupam a região. Foto: Rodrigo Marques/ ISSB

O Núcleo Regional RS do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) esteve no local, após receber diversas denúncias sobre crimes ambientais ocorrendo na região. Ao todo, foram percorridos 2,5 km de orla, e o que foi encontrado era totalmente surreal. A área em questão fica localizada entre os municípios de Tavares e Mostardas, no litoral gaúcho.

Monitorando a área. Foto: Rodrigo Marques/ ISSB

Durante o percurso, encontramos 13 carcaças de tartarugas marinhas, sendo uma delas um individuo ainda muito jovem. Outros animais mortos foram observados e fotografados, entre eles uma toninha, um pinguim e dois tubarões martelo, ainda juvenis (cerca de 25 cm), que não tiveram tempo de atingir sua maturidade. É muito provável que acabaram nas redes de espera, que estão espalhadas pela orla, e provavelmente foram descartados por não possuir valor comercial algum.

Voluntária do Núcleo RS. Foto: Rodrigo Marques/ ISSB

Diversas redes e cordas foram encontradas abandonadas no local, o que nos dá uma ideia do que pode ter acontecido a estes animais.

Emaranhado de cordas com uma carcaça de tartaruga ao fundo. Foto: Rodrigo Marques/ ISSB

A pesca de arrasto é comum na região, e estes barcos não respeitam os limites estabelecidos por lei, de 3 milhas náuticas (5,5 km). Segundo alguns moradores, a fiscalização é precária e ineficiente, como relatou um morador que quase foi espancado por um grupo que realizava um Rally nas dunas próximas, simplesmente por ter acionado o IBAMA sobre um animal ferido a beira mar.

Crânio de uma tartaruga marinha: Foto. Rodrigo Marques/ ISSB

A Operação de Olho no Mar do Instituto Sea Shepherd Brasil estará monitorando o litoral do Rio Grande do Sul sempre que se fizer necessário. Nosso objetivo é mostrar o que está acontecendo nas praias do Rio Grande do Sul e, principalmente, nos locais menos frequentados e com maior exposição aos crimes ambientais.

Tubarão martelo próximo a um cabo de rede. Foto: Rodrigo Marques/ ISSB

Tentaremos de alguma forma auxiliar as autoridades competentes para que este absurdo frequente, em locais que deveriam ser uma Área de Preservação Federal, seja minimizado.

Como mencionado pela voluntária Karine Marchionni, estudante de Gestão Ambiental, “há muito que se fazer para que nossas praias possam estar livres deste tipo de crime. Uma das alternativas seria desenvolver formas de conscientizar as pessoas através da Educação Ambiental.”

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