Rede de pesca ilegal coloca em risco a vida de surfistas no 2ª Festival de Surf da ASPS

Nos dias 16 e 17 de maio o Núcleo Rio Grande do Sul do Instituto Sea Shepherd Brasil, esteve presente no 2ª Festival de Surf realizado pela Associação de Surf e Skate da Praia de Salinas/RS (ASPS). O evento contou com a presença de surfistas de Torres, Porto Alegre, Quintão, Santa Catarina e diversos outros locais. O evento foi realizado pelo surfista local, Anderson Helfer (Andy) que dias antes procurou a Sea Shepherd para denunciar uma rede de pesca ilegal colocada exatamente no local onde seria o festival. Orientado pela Sea Shepherd, os organizadores procuraram as autoridades e, para surpresa de todos, além de não removerem o petrecho ilegal, ainda deixaram claro que se a tal rede “sumisse” (talvez conheçam a Operação da Sea Shepherd – Redes em Chamas) que saberiam a quem responsabilizar.

Segundo o DECRETO Nº 49.245, DE 18 DE JUNHO DE 2012 Art. 3° A prática da atividade de pesca em caráter amador ou profissional nas áreas de que trata este Decreto só poderá ser realizada de acordo com a demarcação estabelecida pelos Municípios, devendo obedecer ao disposto na Lei n° 12.050/03 e na Lei nº 13.660/11, quanto:

I – à identificação do responsável quando pescador profissional, pelo porte de documento com numeração própria, endereço, filiação e tipo sanguíneo, a ser fornecido pela respectiva entidade associativa; e

II – à identificação do equipamento de pesca profissional, quando desacompanhado do seu proprietário, por intermédio de etiqueta legível em que conste o nome, número da carteira de identificação e endereço completo do proprietário.

Equipamento de pesca sem a devida identificação. Foto: ISSB RS

Foto: ISSB RS

Foto: ISSB RS

Ao chegar no local as autoridades ignoraram o fato da rede estar ilegal, alegando que o evento estava sendo realizado ao lado da Plataforma de Pesca. Entendemos a complexidade da situação, mas não podemos ignorar o fato de que o equipamento de pesca estava em situação irregular e colocando vidas em risco, inclusive de crianças. Nosso compromisso é com a conservação da vida marinha e jamais fecharemos os olhos diante de potenciais riscos ao ecossistema marinho.

Crianças correndo risco no litoral norte do RS. Foto: ISSB RS

Foto: ISSB RS

Para a Sea Shepherd não importa onde o festival estava sendo realizado e sim o não cumprimento da lei que estava ocorrendo no local, não apenas nessa área, mas em toda a costa gaúcha. Dessa forma, a Sea Shepherd irá trazer à tona um trabalho que está sendo realizado já a alguns meses na costa do litoral norte, onde diversas redes ilegais foram registradas e marcadas. A Sea Shepherd entende que a disputa entre surfistas e pescadores é antiga e que cada lado tem a sua versão. A questão é que vidas estão em jogo, tanto humanas como de animais marinhos.

Apesar da tentativa de estragar o evento com a colocação do cabo alguns dias antes, o Festival foi realizado com sucesso, resgatando o turismo esquecido na baixa temporada no litoral norte do estado do RS.

Nova geração do surf gaúcho. Foto: ISSB RS

Guto Reis, Surfista local e apoiador da Sea Shepherd recebendo seu prêmio. Foto: ISSB RS

A Sea Shepherd continuará trabalhando na questão de redes não identificadas e se coloca a disposição das autoridades para resolver de vez esse problema que, como podemos ver, está longe de ter uma resolução.

O Instituto Sea Shepherd Brasil atua dentro das leis e faz com que as mesmas sejam cumpridas.

ISSB desenvolve o Projeto “EducaMar em Ação” no litoral norte do RS

Por Rodrigo Marques, Coordenador Núcleo RS

No dia 15 de outubro o Instituto Sea Shepherd Brasil através de seu Núcleo no Rio Grande do Sul deu sequência ao projeto “EducaMar em Ação” lançado este ano na Península de Maraú BA. O propósito do projeto é apresentar os trabalhos do Instituto na costa brasileira e mostrar que é possível conservar e proteger nosso frágil ecossistema marinho através de pequenos gestos e ações simples.

Abertura do projeto e palestra institucional. Foto: Bibiana Pegorari

Um ônibus foi fretado para levar os 40 alunos da Escola Estadual Rio Branco até a praia de Cidreira no litoral norte do estado, onde eles puderam assistir a uma palestra institucional do ISSB com imagens e vídeos referente aos principais crimes ambientais que são frequentes em nossa costa e no mundo. Após a palestra de apresentação os alunos passaram por um treinamento de como agir em casos de encalhe de pequenos cetáceos e como proceder em caso de encontro com pinípedes e pingüins, comuns em nossa costa nos meses de inverno. A intenção da oficina foi de mostrar que com a atitude certa eles podem maximizar as chances de sobrevivência do animal e sem correr risco algum.*Os alunos foram instruídos a NUNCA tocar nos animais e tentar um resgate, deixando essa tarefa SOMENTE para o profissional habilitado.

Primeiras instruções. Foto: Bibiana Pegorari.

Foto: Bibiana Pegorari.

Pequenos gestos podem salvar a vida do animal. Foto: Bibiana Pegorari.

Com a presença de barcos e redes de pesca à beira mar, os alunos aprenderam um pouco sobre o trabalho do ISSB no combate a pesca predatória. A pesca de arrasto, as redes ilegais, a época de defeso e a prática do Finning (retirada das barbatanas de tubarão) foram alguns dos assuntos abordados e discutidos ao longo do projeto.

Aprendendo a identificar a pesca de arrasto. Foto: Bibiana Pegorari.

Foto: Bibiana Pegorari.

Para o ISSB esse trabalho teve um enorme significado e mostra o quanto é importante valorizarmos os nossos jovens. Cada um dos alunos presentes mostrou um intenso desejo de aprender mais sobre as questões do nosso oceano e mostraram um enorme repúdio à matança de golfinhos em Taiji no Japão e na questão do Finning, assuntos desconhecidos entre eles até então.

Foto: Bibiana Pegorari.

O ISSB gostaria de agradecer aos envolvidos no projeto e esperamos que mais parcerias em prol da vida marinha surjam com essas iniciativas.

Participaram do projeto EducaMar em Ação:

Escola Estadual de 1ª e 2ª graus Rio Branco – Alunos e professores

Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil

Marcão – Surfista local que auxiliou na execução do projeto

O projeto contou com o apoio da Sunrise Pub e de seu proprietário Daniel Portella Rocha que mais uma vez abriu suas portas para a Sea Shepherd e da Bióloga Bibiana Pegorari.

Palestra com a ativista e fotógrafa da Sea Shepherd Conservation Society Carolina A. Castro na PUCRS

Por Rodrigo Marques, Coordenador do Núcleo RS

O Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB), através de seu Núcleo Regional Rio Grande do Sul, promoveu na última segunda feira (19) a palestra: “Santuário de baleias: A verdade sobre a caça no oceano austral” com a fotógrafa e produtora do Reality show “Whale Wars” (Defensores de baleias no Brasil). A série é exibida pelo canal Animal Planet retrata o cotidiano dos voluntários da Sea Shepherd a bordo das embarcações que lutam contra a matança de baleias promovida pelos baleeiros japoneses, na Antártica.

MV Bob Barker. Foto: Carolina A. Castro

A palestrante abordou diferentes assuntos relacionados a sua experiência em diversas campanhas da Sea Shepherd Conservation Society (SSCS). Após a recente decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que considera a ação dos baleeiros japoneses como ilegal, proibindo a caça no oceano austral (santuário de baleias), segundo ela, “ se eles voltarem, a Sea Shepherd estará lá esperando”. A frota atual da SSCS foi apresentada aos presentes e mostrou como é difícil e árduo esse trabalho de conservação levando –se em conta o quanto os baleeiros investem na caça. Mesmo com essa batalha sendo equiparada a “Davi e Golias”, Carolina mostrou que com persistência e muita dedicação aos oceanos é possível sim frear os caçadores e livrar as baleias deste destino cruel que é a indústria da carne de baleia.

Sobre as “pesquisas” que os baleeiros dizem estar fazendo, ela foi enfática em afirmar que em todos esses anos de caça e a quantidade de animais mortos, não chega nem perto do que poderíamos chamar de pesquisa científica. O que acontece na verdade é uma fachada para o comércio de carne de baleia e que sequer eles apresentam algum resultado de pesquisa que justifique a morte de centenas de baleias.

Foto: Marcos Pereira Rigotti

Foto: Marcos Pereira Rigotti

Para Carolina, “voltar a Porto Alegre e poder compartilhar as vivências que tive nos mares gelados da Antártica com meus conterrâneos foi uma experiência extraordinária. Fiquei muito feliz em conhecer também os voluntários do núcleo RS e de ver alguns jovens se interessarem pela causa e, possivelmente, juntarem-se ao movimento. Afinal, cada um de nós pode fazer a sua parte para proteger a vida marinha. Parece um assunto muito distante, mas a conservação da Antártica é muito importante para todos nós e a nossa luta nesses mares longínquos significa muito mais do que as baleias que lá estão sendo caçadas, é também um marco na conservação ambiental. Com as campanhas no Oceano Austral provamos que com o apoio de diversas pessoas do mundo inteiro podemos e fazemos a diferença contra a injustiça ambiental e o descaso político de governos que não respeitam as regulamentações internacionais”.

Foto: Naian Meneghetti

Foto: Naian Meneghetti

Sobre a caça ilegal de baleias ela continua, “desde 1986 existe uma moratória sobre a caça comercial de baleias. O Japão aproveitou uma brecha nas regulamentações e se auto concedeu licenças anuais para caçar baleias na Antártica, mesmo com a reprovação da comunidade científica mundial e da Comissão Baleeira Internacional (CIB). Nem mesmo quando a comissão nomeou os mares da Antártica como santuário de baleias em 1994, na tentativa de intimidar o Japão a parar com a farsa de tentar matar mais de 1000 baleias por estação por “motivos científicos”, os baleeiros pararam. A caça das baleias na Antártica é ilegal, já dizíamos isso há muito tempo, mas em março desse ano a Corte Internacional de Justiça falou ainda mais alto e calou os baleeiros, pelo menos por algum tempo. Agora, mesmo depois da decisão da CIJ eles anunciam ter a intenção de retornar à Antártica em 2015 e se retornarem estaremos esperando por eles. Agradeço o convite do Rodrigo Marques, coordenador do núcleo RS do ISSB e a Dra. Ana, tutora do Pet (Programa de Educação Tutorial) Biologia da Faculdade de Biociências da PUCRS pela oportunidade de dividir o que realmente se passa no Santuário de Baleias do Oceano Austral.”

Voluntários Núcleo RS. Foto: Sea Shepherd

Para conhecer mais sobre o trabalho da fotógrafa acesse:

www.carolinaacastro.com

ISSB LANÇA O 1ª MOVIMENTO ECO SURF NO LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL

 

Por Rodrigo Marques, Coordenador Regional do Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil

Fotos: Julia Gall

No dia 15 de dezembro, o Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) Núcleo RS, a Escola Gaúcha de Surf e o Sunrise Pub realizaram o 1ª Movimento ECO SURF, em Cidreira no Litoral Norte do Estado. O projeto teve como objetivo principal alertar as pessoas sobre os impactos negativos do descarte indevido do lixo e as consequências desastrosas para a vida marinha com esse péssimo hábito que, infelizmente, é corriqueiro em nossas praias. A barraca da Sea Shepherd foi montada ao lado da plataforma de pesca e, durante o dia, foi apresentado ao público o Museu do Surf Gaúcho Geraldo Ritter, gentilmente disponibilizado pelo Professor Carlos Alberto Diehl (Beto Diehl) da Escola Gaúcha de Surf sediada na praia de Atlântida (RS). A logística do evento teve o apoio de Daniel Portela Rocha proprietário da Sunrise Pub e morador da cidade.

Durante a ação tivemos a oportunidade de expor ao público, através de banners e folders, a questão da pesca de tubarões em nossa costa e o problema com as redes ilegais, que são verdadeiras armadilhas para surfistas, animais marinhos e banhistas. Esses materiais são perigosos se não estiverem em locais destinados exclusivamente para a pesca e devidamente identificados com os dados do pescador.

Exposição do museu do surf gaúcho na beira mar

Criançada aproveitando o momento para se divertir

Mensagem de natal do Núcleo RS desenvolvida pela voluntária Claudia Bretschneider

A data escolhida para o evento foi proposital para coincidir com o período em que a pesca fica proibida e as redes devem ser obrigatoriamente retiradas do mar. O prazo para a retirada do equipamento é dia 15 de dezembro e só poderá retornar ao mar no dia 15 de março. Infelizmente esse período em muitos casos não é respeitado e dessa forma o ISSB decidiu lançar durante este evento a “Campanha Contra as Redes Ilegais no Litoral do RS”, sendo esta campanha Regional parte da Campanha Nacional da Sea Shepherd contra a pesca predatória. Essa campanha será desenvolvida em outras cidades do litoral norte, médio e sul.

Imagem da Campanha contra as redes ilegais do Núcleo RS

O evento contou também com uma limpeza de praia que foi realizada nas dunas próximas à Plataforma de Pesca e o que podemos levar como lição é que as pessoas ainda precisam entender a importância de se preservar o meio em que vivem. Em pouco tempo de limpeza foi retirado um volume considerável de lixo que inevitavelmente iria acabar no mar e no “cardápio” de diversos animais. A limpeza de praia não irá resolver o problema do lixo, mas com certeza serviu para espalhar a ideia de que pequenos grupos podem fazer a diferença, estimulando os representantes a assumir suas responsabilidades e que tomem providências neste sentido, para que turistas e principalmente moradores possam usufruir de uma praia mais limpa e livre.
São tantos os problemas encontrados em nossas praias que a solução parece impossível ou distante, mas a questão é: Se ficarmos de braços cruzados o problema será solucionado? A resposta é simples e direta: a solução sempre esteve nas mãos das pessoas e é através delas que conseguiremos mudar esse quadro. Não espere soluções, faça a diferença e comece a agir. Essa é a mensagem que fica da equipe que trabalhou no 1ª Movimento ECO SURF.

Agradecimento especial aos voluntários do Núcleo gaúcho do ISSB pela dedicação, à Escola Gaúcha de Surf pela exposição do Museu do Surf Gaúcho, ao Daniel Portela da Sunrise Pub pelo forte apoio durante todo o projeto, e principalmente, aos moradores e surfistas de Salinas e Cidreira que prestigiaram nosso evento.

Final do evento. "A vida marinha agradece!"

Por decisão dos organizadores do projeto esse movimento em defesa do ecossistema marinho foi dedicado às famílias das vítimas de redes de pesca. Infelizmente, muitas perderam suas vidas no litoral gaúcho.

Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil ministra palestra na PUCRS

Por Rodrigo Marques, Coordenador Regional voluntário do Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil

No dia 06 de setembro, o Instituto Sea Shepherd Brasil ministrou a palestra “ISSB – Programa de Estudo e Conservação da Vida Marinha”, na Faculdade de Biociências da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. O evento teve apoio do Programa de Educação Tutorial (PET-Bio).

A palestra foi ministrada por Rodrigo Marques, Coordenador Regional do Núcleo RS, e contou com a participação dos voluntários, que contaram suas experiências e as suas motivações para se tornarem membros da Instituição. Os trabalhos foram iniciados com a apresentação Institucional da Sea Shepherd Conservation Society, mostrando suas campanhas ao redor do mundo e a criação do Instituto SeaShepherd Brasil (ISSB), bem como sua forma de atuação no país.

Foto: Daniel Kannenberg

Voluntária Juliana Motta Foto: Daniel Kannenberg

Dentre os temas abordados estavam as ações civis públicas contra a pesca predatória, molestamento de cetáceos, finning e derrames de petróleo, onde voluntários estiveram presentes auxiliando o Ministério Público e a Polícia Federal durante o processo de limpeza e recuperação da área afetada pelo óleo.

Com o inicio da temporada de captura de golfinhos, em Taiji, no Japão, no dia 1º de setembro de 2013, uma parte da palestra foi dedicada somente para explanar esta questão, e destacar a participação da indústria de parques aquáticos na matança promovida na enseada. Um vídeo sobre o assunto foi rodado, deixando os presentes chocados com tamanha brutalidade no tratamento de golfinhos e baleias piloto.

Foto: Daniel Kannenberg

Também foi abordada a campanha em defesa dos tubarões, realizada em Porto Alegre, através da colocação de um container simulando a apreensão de 3,4 toneladas de barbatanas, que foram provenientes da prática do finning, e o Projeto de Educação Ambiental que ocorreu em Torres (RS), durante o mês de janeiro.

Ainda sobre os tubarões, foi apresentada aos presentes a nova operação chamada “Operação Marco Zero”. Essa campanha foi lançada visando a preservação dos tubarões em Pernambuco, onde o ISSB irá recompensar fotos e vídeos que comprovem essa matança promovida por grupos da região servindo de provas para futuras ações civis públicas.

Foto: Daniel Kannenberg

A ação mais polêmica, a proibição do turismo de observação de baleias embarcado (TOBE), na APA da Baleia Franca, em Santa Catarina, no litoral sul, ficou para o final. Os motivos que levaram a criação desta ação, as evidências do molestamento das baleias, o risco do desligamento dos motores nas enseadas da região e o descumprimento da lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), entre outras irregularidades, foram expostas e debatidas. “Deixamos claro que não somos contrários ao turismo, queremos que seja cumprida a legislação vigente de proteção dos cetáceos e tenhamos a certeza que os animais tenham sua saúde garantida”, finalizou Rodrigo Marques.

Foto: Daniel Kannenberg