As baleias-de-bryde são observadas na costa do país

As baleias continuam a aparecer este ano, e com isso a Sea Shepherd retoma sua atividade de colaboração com organizações parceiras para a conscientização em Ilhabela.

Nos últimos dias, as baleias-de-bryde têm aparecido com frequência na região de Ilhabela-SP e em locais do Rio de Janeiro. A sua  população e conservação são pouco conhecidas, pois estas baleias tropicais, por mais que fiquem em nossa costa o ano inteiro, são muito elusivas e tímidas e se deslocam sozinhas ou em grupos pequenos em diferentes direções. 

Neste último ano de 2020 foram avistados 41 indivíduos desta baleia nas águas de Ilhabela. Em comparação, tivemos o avistamento de quase 200 jubartes.

Não é à toa que o Projeto Baleia à Vista – uma das organizações que atuam na região, junto com a Sea Shepherd, na observação dos cetáceos do local – nomeou uma baleia-de-bryde observada este ano de “Escondidinha” (veja foto) com alguns registros fotográficos que a distinguem pelas marcas de acidente com hélice em seu dorso: ela é muito arisca e rápida.

MAIS SOBRE A BALEIA-DE-BRYDE

As baleias-de-bryde (Balaenoptera brydei), também conhecidas por baleias Tropicais, ocorrem nos trópicos e vivem sua vida toda em águas quentes acima de 16°C. A população pode incluir até 90.000 a 100.000 animais em todo o mundo, com dois terços habitando o hemisfério norte.

Baleia-de-bryde denominada 'Escondidinha'

Elas são muito parecidas com a baleia Minke e Sei, portanto é fácil de confundir. Porém, é possível identificá-las por suas características: fica fácil reconhecer quando ela expõe sua nadadeira dorsal, pequena e falcada (parecida a uma quilha de prancha) afastada do centro do dorso. Outra característica marcante é a cabeça larga e plana com uma quilha central proeminente e duas quilhas laterais. Elas podem chegar a 15 metros e pesar 18 toneladas, e são misticetos (possuem cerdas na boca que as ajudam a se alimentar) e se alimentam de cardumes de manjuba e peixes pequenos. Seu borrifo pode atingir até 4 metros de altura! Elas não são cantoras, como percebido com o macho das jubartes, pois suas vocalizações são de baixa frequência, em pulsos. 

A baleia-de-bryde pode chegar a viver mais de 50 anos, e em sua gestação de 1 ano dá à luz a um único filhote, que mama por aproximadamente 1 ano, e podem medir ao nascer cerca 3 metros pesando 600 quilos. Elas são encontradas em todos os oceanos nas áreas costeiras e oceânicas, em águas tropicais e subtropicais. Podem permanecer na mesma área por muito tempo e migram muito pouco, deslocando-se no sentido costa-mar e vice-versa, e raramente saltam. 

A AMEAÇA À ESPÉCIE

Infelizmente, como todo ser marinho, ela ainda sofre ameaças apesar de moratória à caça que ocorreu em 1986. Elas foram extensivamente caçadas em todo o mundo por décadas, inclusive no Brasil, para fins comerciais. Ilhabela, inclusive, era no passado uma ilha com armação baleeira. 

Hoje as ameaças são outras, todas feitas pelo homem, pois sofrem nas capturas ‘acidentais’ (bycatch) em redes de pesca, como de emalhe, efeito do uso de sonar por petroleiras, tráfego de embarcações, e a degradação do habitat natural por desenvolvimento de cidades.

É importante aprender mais sobre as espécies marinhas, como a baleia-de-bryde, para sabermos como melhor protegê-las. A Sea Shepherd no Brasil trabalha com parceiros em Ilhabela para o conhecimento e conscientização dos cetáceos da região, em sua Campanha Borrifos. 

Saiba mais sobre nossa campanha Borrifos em Ilhabela neste link aqui.

Fotos: Projeto Baleia à Vista | Parceria: Brydes do Brasil e Projeto Baleia à Vista

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Para voluntariar-se à Sea Shepherd e ajudar em nossas atividades em terra e mar, acesse aqui.

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Homem segurando golfinho preso em rede de pesca

Pesca sustentável: uma contradição

Carta do CEO da Sea Shepherd, capitão Alex Cornelissen, em resposta ao lançamento do documentário Seaspiracy.

Nos últimos cinco anos, a Sea Shepherd tem como foco a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (pesca IUU). Nossas campanhas, principalmente na África Ocidental, nos deram uma riqueza de informações sobre o impacto tanto da pesca IUU quando da pesca industrial em grande escala no oceano.

Está claro que a humanidade está matando toda a vida no oceano e, por algum motivo, isso passa despercebido.

Está claro que a humanidade está matando toda a vida no oceano e, por algum motivo, isso passa despercebido.

As formas de vida no oceano continuam a ser objetivadas:

  • As espécies de peixes estão sendo chamadas de “estoque”.
  • A extração de formas de vida está sendo descrita como “colheita”.
  • As quantidades são medidas em peso ao invés de organismos individuais.
  • Todas as espécies são simplesmente chamadas de “frutos do mar”.
  • E o mais importante, o mito de que os peixes não sentem dor.

Obviamente, esta é uma linguagem cuidadosamente escolhida para que os consumidores em potencial não questionem a maneira como extraímos peixes e outras criaturas do nosso oceano. Mas, nossa tripulação na água vê essa destruição todos os dias quando interage com os navios de pesca.

Peixes em rede pesqueira

Vemos a quantidade de captura acidental de espécies que não são comercialmente exploráveis, simplesmente mortas e descartadas de volta ao oceano.

Vemos milhares de tubarões mortos por barcos de atum que são chamados de “amigos dos golfinhos”.

Vemos golfinhos mortos por pescadores que consideravam eles como uma praga por comerem “os nossos peixes”.

Vemos focas compartilhando o mesmo destino dos golfinhos, porque elas competem por nossa pesca.

Há algo fundamentalmente errado com a maneira que olhamos para o mundo natural, a maneira como nos separamos do ecossistema que fazemos parte. Isso se aplica particularmente à maneira como vemos o oceano. Jogamos o nosso resíduo lá porque pensamos que é grande o suficiente para que ninguém perceba. Pegamos o que queremos porque pensamos que o oceano é uma fonte infinita de proteínas.

Peixes mortos sobre mesa

Nosso apetite e demanda por peixe agora é tão grande que não paramos por nada para obter os resultados. A destruição do habitat e extinção de espécies parece ser aceitável neste processo.

Mas mesmo a pesca global está começando a ver o fim da indústria, eles estão bem cientes do fato de que se continuarmos em nossa taxa atual de extração, nós iremos esvaziar os nossos oceanos em menos de três décadas. A indústria está sobre pressão para acompanhar a demanda e manter os preços baixos, mas com a diminuição das populações de peixes, é cada vez mais difícil manter o abastecimento. Os preços são mantidos artificialmente baixos por meio de subsídios globais que favorecem a pesca global em grande escala. Estes competem ilegalmente com a subsistência costeira e a pesca artesanal, causando mais problemas em regiões já em risco devido à escassez dos alimentos. Outros operadores não esquivam de trabalho forçado não remunerado para reduzir seus custos, tratando os trabalhadores como consumíveis.

E claro, existe uma mentira perpétua de que comer peixe é uma escolha saudável para a dieta das pessoas. Poluímos os oceanos do mundo a ponto de afetar toda a cadeia alimentar, com poluentes se concentrando conforme você sobe na cadeia. Durante anos, as mulheres grávidas foram alertadas para não comerem atum ou peixe-espada devido aos altos níveis de mercúrio, situação que só piora a medida em que poluímos o nosso mundo natural.

Estamos em um ponto da história em que precisamos fazer uma escolha:

Paramos de apoiar a indústria destrutiva e insustentável que está destruindo nosso oceano ou continuamos em nosso caminho atual e encontraremos nosso oceano vazio no futuro? Qualquer uma das escolhas leva ao mesmo resultado: vamos parar de comer peixe agora ou em 30 anos. Apenas quanto mais esperarmos, mais irreversível a situação se tornará. Nossa fonte “infinita”, de proteína atingiu seu limite, então é hora de fazermos as escolhas necessárias para restaurar o equilíbrio em nosso oceano.

Estamos vendo os resultados de nossas campanhas para impedir a pesca IUU na África Ocidental, com a população de peixes se recuperando e os ecossistemas também, após alguns anos. Mas essas áreas não são grandes o suficiente para repovoar regiões inteiras. Fazer cumprir os regulamentos e expandir as áreas sob proteção contra a pesca IUU e a pesca industrial em grande escala são a base das campanhas atuais da Sea Shepherd. Junto com nossos parceiros governamentais, fechamos dezenas de operadores ilegais todos os anos e, nesse processo, salvamos milhões de vidas.

Barco pesqueiro

É uma questão de sobrevivência parar a guerra contra o oceano. É uma luta que não podemos perder. Uma luta que se intensificará nos próximos anos, quando as populações de peixes continuarem diminuindo, mas também uma luta que – com o seu apoio – pretendemos vencer.

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Para voluntariar-se à Sea Shepherd e ajudar em nossas atividades em terra e mar, acesse aqui.

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

No Dia Mundial da Água, nossa comemoração é com ação!

Nossos voluntários em 6 cidades de 4 estados do país passaram a manhã desta segunda-feira retirando centenas de milhares de quilos de resíduos

O oceano está sob forte ataque de todos os lados e pede reforços com urgência. A excessiva pesca legal e ilegal, a massa sufocante de plásticos e a acidificação dos oceanos têm um estrangulamento no suporte de vida de nosso planeta; o suporte de vida de que todos dependemos para sobreviver.

Nossos voluntários em 6 cidades de 4 estados do país passaram a manhã desta segunda-feira retirando centenas de milhares de quilos de resíduos, e milhares de itens, incluindo milhares de bitucas, de praias, rios, cachoeiras e outras vias d’água. Estas ações são parte de nossa campanha Ondas Limpas, que já retirou toneladas de resíduos da costa brasileira.

Foram um total de 40 voluntários em Paraty-RJ, Arraial do Cabo-RJ, Ilhabela-SP, Ubatuba-SP, Rio Preto da Eva-AM e Curitiba-PR, recolhendo dezenas de milhares de itens em uma ação de reflexão pelo cuidado da água no mundo.

A vida marinha e aquática agradece a todos os envolvidos!

Confira nossos voluntários em ação pelo Dia da Água

Confira também esta animação preparada pela Sea Shepherd para este dia:

Neste dia da água, vamos salvar o nosso oceano

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Para voluntariar-se à Sea Shepherd e ajudar em nossas atividades em terra e mar, acesse aqui.

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Sea Shepherd retira rede de pesca fantasma do fundo do mar em Búzios

BÚZIOS, RJ – A AÇÃO REALIZADA EM CONJUNTO COM A OPERADORA DE MERGULHO LOVE4DIVE SALVOU ANIMAIS AINDA VIVOS, E EVITOU UM POTENCIAL NÚMERO ALTÍSSIMO DE MORTES DE TARTARUGAS, PEIXES E ANIMAIS MARINHOS DO LOCAL

 

Após informação de pescadores no local na semana passada, a operadora Love4Dive, junto à coordenação das ações Ondas Limpas Subaquática da Sea Shepherd coordenou um resgate de animais marinhos em duas redes fantasma emaranhadas em corais do parcel da praia de Manguinhos em Búzios. 

A ação ocorreu nesta terça-feira, dia 9 de fevereiro, após reabertura da área para mergulho pela Marinha. A operação contou com 6 mergulhadores autônomos, e durou por volta de 2 horas no total. Foram retiradas a rede de pesca citada pela comunidade pesqueira, e mais uma que foi encontrada no mesmo local, que aparentava estar por lá há muito mais tempo, certamente ocasionando muito tempo de danos para a fauna marinha do local.

Foram retiradas no total 15 kg de rede de pesca, com uma aparente extensão de dezenas de metros. As redes foram cuidadosamente retiradas de pedras e corais, evitando danificá-los, e nelas foram encontrados mortos na rede diversas espécies de peixes, como robalo e donzela, caranguejos, mariscos e outros crustáceos – porém alguns animais marinhos ainda estavam vivos e puderam ser resgatados, ainda no fundo do mar, ou posteriormente no barco, cuidadosamente retirados e retornados em seu habitat de origem, dentre eles caranguejos, mariscos, cracas e larvas do mar.

A ação é parte da Operação Ondas Limpas, de limpeza de praias, rios, lagos e fundo de mar na costa brasileira. Redes de pesca são um perigo real para a vida marinha. É previsto que quase 700 espécies de animais marinhos estão em risco de extinção diretamente proporcionados por estas redes descartadas no mar.

As Nações Unidas estima que alarmantes 640 mil toneladas de euipamentos de pesca são descartados, abandonados ou perdidos no mar anualmente, e esta estimativa não inclui redes de pesca vindas de pesca ilegal, não reportada ou não documentada. Quando à deriva, a rede de pesca continua a matar a vida marinha incessantemente.

Todo ano, mais de 100 mil baleias, golfinhos, focas e tartarugas são presas nestas redes de pesca, conhecidas como ‘redes de pesca fantasma’. O aprisionamento dos animais nas redes possui grandes consequências. Os animais que não conseguem se soltar, podem ficar presos e sofrer uma lenta morte por inanição. Mesmo os animais que se livram das redes podem lcarregar seus fios ainda presos em seu corpo, muitas vezes limitando sua locomoção, mutilando seus corpos ou os enforcando até a morte. Nossa equipe não conseguirá identificar o real impacto destas redes na vida marinha, mas seguramente sabem que sua retirada salvou inúmeros animais de risco de sofrimento e morte.

Redes de pesca geralmente são feitas de plástico, que demoram até 600 anos para se decompor. É estimado que mais de 40% dos plásticos de grande porte no mar são provenientes de apetrechos e redes de pesca. Estima-se que para cada 125 toneladas de peixes pescados, por volta de uma tonelada de redes de pesca fantasma são descartadas no mar. Este fenômeno é um dano em larga escala para todo o ecossistema marinho, que é totalmente desequilibrado por este tipo de atividade.

Para ajudar a Sea Shepherd e suas atividades de conservação do oceano, seja onde você estiver, repense seu consumo de peixes e animais marinhos: todo tipo de consumo de animais marinhos fomenta esta indústria e alimenta este desequilíbrio em nosso oceano.

Ondas Limpas Sub Búzios

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Para voluntariar-se à Sea Shepherd e ajudar em nossas atividades em terra e mar, acesse aqui.

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Alagamentos e falta de coleta causam rio de lixo que desemboca na Lagoa em Florianópolis

FLORIANÓPOLIS, SC – VOLUNTÁRIOS DA SEA SHEPHERD FAZEM LIMPEZA NOTURNA DA ORLA DA LAGOA DA CONCEIÇÃO.

Devido às fortes chuvas que ocorreram esta semana em Florianópolis, a lagoa de estabilização da estação de tratamento de esgoto da Casan rompeu, ocasionando um alagamento na região da Lagoa da Conceição. Ainda, a Comcap, empresa que administra a coleta de lixo em Florianópolis, está em greve, deixando um acúmulo alto de lixo nas ruas. Com o rompimento e alagamento, estes resíduos acumulados foram arrastados para a lagoa da Conceição, ponto turístico da cidade.

 

Voluntários da Sea Shepherd em Florianópolis se reuniram para fazer uma ação noturna de limpeza da orla da lagoa dia 27 de janeiro, quando houve uma pausa nas chuvas.  A ação faz parte da campanha Ondas Limpas da Sea Shepherd Brasil que visa remover o lixo marinho de praias e rios, educar e conscientizar pessoas sobre consumo e descarte responsável.

 

Durante a pandemia, a Sea Shepherd vem trabalhando com equipes reduzidas e fazendo ações menores e restritas para poder respeitar os protocolos sanitários durante as limpezas. Seis voluntários se reuniram para retirar os detritos do ambiente.

 

A equipe de voluntários da Sea Shepherd Brasil retirou 28kg de lixo da orla da lagoa da Conceição e a ação que durou uma hora e meia. Os voluntários fizeram a coleta, separação e contagem do material recolhido e deram a destinação correta. Durante a ação foram encontradas vestimentas, garrafas de vidro, bitucas de cigarro, calçados, garrafas PET e outras formas de plástico.

É necessário e urgente tomarmos medidas para gerir os resíduos de plástico que já produzimos até agora. Porém, somos conscientes que o mais urgente agora é fecharmos a torneira da produção e consumo de plástico virgem, já que o que já produzimos nestas 7 décadas já é muito para se trabalhar.

Para ajudar a Sea Shepherd e suas atividades de conservação do oceano, seja onde você estiver, repense seu impacto com a geração de plástico: recuse o que puder, reuse o que puder, use plásticos 100% reciclados, garanta que seu plástico está sendo destinado para sistemas de reciclagem adequados, repense seu consumo de animais marinhos e de produtos que utilizam animais marinhos em sua produção – pois uma grande parcela dos plásticos encontrados no oceano vem de apetrechos de pesca (isso sem falar dos um inúmeros animais mortos por pesca acidental nestas atividades).

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Para se voluntariar e ajudar a Sea Shepherd em suas atividades em terra e mar, inscreva-se aqui.

#seashepherd #pelooceano #ondaslimpas

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.