Greenpeace amarela e se entrega a frota baleeira japonesa

Greenpeace anunciou oficialmente em uma coletiva de imprensa em Tóquio que eles não estarão enviando um navio ao Oceano Antártico para opor a frota baleeira japonesa.

Isto significa que quando a estação baleeira abrir dentro de um mês, a Sea Shepherd Conservation Society estará só em sua oposição no alto mar contra as operações baleeiras ilegais dos japoneses.

“Como um co-fundador do Greenpeace, estou profundamente ofendido que o Greenpeace tenha arrecadado milhões de dólares o ano inteiro com sua promessa de defender as baleias e agora duas semanas antes da frota baleeira japonesa partir, eles anunciam que não irão,” disse Capitão Paul Watson. “Em minha opinião eles arrecadaram recursos financeiros com falsas pretensões e agora eles abandonaram as baleias. Uma vergonha.”

O navio da Sea Shepherd, o Steve Irwin, está programado para partir da Austrália no final de novembro na quinta viagem da Sea Shepherd para obstruir e intervir contra atividades baleeiras pirata no Santuário Antártico das Baleias do Oceano Antártico.

A Diretora Executiva Kim McCoy disse, “A Sea Shepherd nunca se retirará e nós nunca nos renderemos até as baleeiras piratas se dirigirem para fora do Santuário das Baleias do Oceano Antártico para sempre.”

Semana passada, o porta-voz do Greenpeace Austrália, Steve Shallhorn anunciou que o Greenpeace estaria enviando um navio às águas da Antártica. No mesmo dia o Japão anunciou que eles estariam enviando um navio de guerra japonês da Guarda Costeira para defender a frota baleeira. Aparentemente o governo japonês assustou o Greenpeace definitivamente desta vez.

“Eles podem enviar a Marinha japonesa inteira até o Oceano Antártico se eles quiserem, mas a Sea Shepherd e a tripulação do Steve Irwin não serão intimidados por este tipo de banditismo militar brutal. Quando nós dizemos que colocamos nossas vidas na linha para defender as baleias, é isso mesmo que queremos dizer. Não é apenas um slogan para nós.” disse Capitão Watson. “Eu não vi uma baleia morrer desde que eu deixei o Greenpeace em 1977 e não tenho nenhuma intenção de ver uma baleia morrer este ano. Eles não matam baleias quando nós aparecemos e eles não matarão baleias quando nós chegarmos este ano novamente. Eles terão que nos afundar primeiro.”

Ambientalistas brasileiros levam “facadas” nas costas do Greenpeace

Em uma carta pública, o ambientalista brasileiro José Truda Palazzo explica sua decepção com a atitude do Greenpeace de abandonar as baleias. Os sentimentos de Truda e suas palavras são compartilhados por muitos ambientalistas brasileiros de verdade. Segue abaixo sua carta:

Prezada XXX do Greenpeace,

Não contem com meu apoio para uma campanha cuja utilidade para as baleias será próxima de zero.

Entendo a necessidade da Greenpeace em dar apoio aos seus funcionários presos no Japão, mas daí a tentar vender ao público que isso é uma campanha pelas baleias capaz de substituir aquilo que todos nós acreditávamos que era o mais útil da sua atuação – a ação direta contra os baleeiros – para mim é o fim da picada. Nesse caso o odiado Paul Watson tem razão, trata-se de um fato menor no imenso problema que é a continuidade da caça na Antártida.

A decisão da GP de não retornar à Antártida para confrontar a frota baleeira japonesa, num momento em que se desenrola na Comissão Internacional da Baleia um esforço tremendo de negociação em que os países do hemisfério sul estão PRIORIZANDO a pressão no Japão para acabar com essa atividade, é uma facada nas costas de todos, pessoas, ONGs e mesmo governos que apoiaram a GP em outros momentos críticos, como por exemplo quando se quis expulsar a instituição de seu status de observador na CIB.

Um pena, porque eu fui um dos que acreditou. Me sinto enganado, como ativista e como apoiador do GP Brasil no tema oceanos até o presente. Que vocês, que vivem aqui e compartilham as realidades do hemisfério sul, sejam obrigados a vender essa agenda política cretina fabricada por diretores gringos, é uma coisa lamentável. Conhecendo o histórico dos ativistas mais antigos da GP na região sobre o tema, que merecem minha maior admiração e respeito por tudo o que conseguiram com uma mixaria de recursos para trabalhar o tema, inclusive tendo logrado a remoção da bandeira do Oriental Bluebird, isso tudo fica ainda mais incompreensível.

Enfim, meu apoio não fará a menor falta, porque estou certo de que milhares de pessoas que desconhecem o contexto da caça à baleia contemporânea os apoiará de qualquer modo. Mas acho uma pena, pois é um desperdício brutal de energia e recursos para muito pouco resultado. Neste momento, há festa em Tóquio e em Shimonoseki, base da frota pelágica baleeira do Japão. Uma pena. A próxima vez que o navio da GP vier ao Brasil, vou ao porto esperar com tomates.

JTruda

Instituto Sea Shepherd promove atividades no Parcão neste sábado

Neste sábado, dia 15 de novembro, a partir das 10h, o Instituto Sea Shepherd, organização sem fins lucrativos que atua na defesa de animais marinhos, apresentará suas propostas de conscientização e educação ambiental em evento no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Durante todo o dia, haverá orientações, esclarecimento de dúvidas, venda de camisetas, chaveiros e adesivos, informações sobre alimentação sem impacto ambiental oferecido pela ONG GAE Porto Alegre, balão e muito mais.

Crianças da Ilha dos Marinheiros, trazidas pela ONG Gente do Bem, vão acompanhar a leitura do livro ‘O Caracol e a Baleia’ de Julia Donaldson, pela escritora Christina Dias. Em seguida, farão desenhos que serão guardados em uma cápsula especial, a ser aberta somente no ano de 2350. O público interessado poderá ‘apadrinhar’ os menores, financiando uma camiseta e um lanche especial, tendo seu nome associado ao desenho do afilhado.

As crianças e os padrinhos receberão posteriormente uma foto da ‘cápsula do tempo’, que será depositada pelo navio da Sea Shepherd na Ilha de Scott. “Daqui a sete gerações, as crianças do futuro saberão que, em 2008, havia gente preocupada em manter vivas as baleias e toda a vida marinha”, explica Daniel Vairo, Diretor Geral voluntário do Instituto Sea Shepherd.

O evento é uma forma da ONG angariar fundos e apoio, além de desejar ‘boa sorte’ à tripulação de voluntários que, a partir de dezembro, enfrentará os baleeiros ilegais no Santuário Antártico das Baleias, no extremo sul do planeta.

Apoiadores que não poderão comparecer ao evento também poderão “apadrinhar” uma das crianças e receber uma foto da cápsula do tempo ao entrar em contato com o Instituto e fazendo uma doação de R$40,00 através deste web site.

Serviço:

O quê: Evento gratuito de conscientização e educação ambiental
Quem: Sea Shepherd, entidade internacional de proteção à fauna marinha
Quando: sábado, 15 de novembro, das 10h até o final da tarde
Onde: Parque Moinhos de Vento, localizado entre as ruas Mostardeiro, Goethe e 24 de Outubro, bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, RS. As atividades vão acontecer próximo ao parquinho infantil

Cronograma do Evento Sea Shepherd no Parque Moinhos de Vento

8h 00m – Chegada de voluntários e montagem da infra-estrutura do evento.
9h30m – Crianças da ONG Gente do Bem chegam ao Parcão.
10h 00m – Leitura do livro “O Caracol e a Baleia” de Julia Donaldson pela escritora de literatura infantil Christina Dias, seguido por atividade de educação ambiental.
11h 00m – Lanche é servido para as crianças oferecido pela ONG GAE Porto Alegre. Vídeos e palestra de Daniel Vairo, Diretor Geral voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) sobre suas experiências abordo dos navios da Sea Shepherd.
12h 00m – Vídeos e palestra de Michelle Marimon, Coordenadora Administrativa voluntária do ISSB sobre as atividades da ONG no Brasil.
13h 00m – Vídeos e palestra de Wendell Estol, Coordenador Técnico voluntário do ISSB sobre o projeto e curso Ações para salvar animais marinhos em derrames de petróleo.
14h 00m – Vídeos e palestra do Dr. Cristiano Pacheco sobre o projeto e curso Ações civis públicas em defesa de ecossistemas marinhos. Começam preparos para o vôo do balão de ar quente pilotado pelo voluntário Clóvis Júnior.
15h 00m – Vídeos e Palestra de Daniel Vairo, Diretor Geral voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) sobre suas experiências abordo dos navios da Sea Shepherd.
16h 00m – Balão de ar quente levanta vôo.
16h 45m – Entrega de medalhas da Sea Shepherd Conservation Society aos voluntários da ONG por servirem com dedicação e coragem a vida marinha.
17h 30m – Balão de ar quente pousa.
18h 00m – Vídeos, perguntas e debates.
18h 30m – Desmobilização.

Instituto Sea Shepherd vence novamente, ré é condenada a ir à escola com funcionários

O Instituto Sea Shepherd obteve mais um importante êxito na sua luta contra a pesca predatória ilegal. A ação civil pública foi movida em 2003 contra Amélia Nakashima Tuzuki, proprietária das embarcações Caribe II e Caribe III, originárias de Santos, São Paulo. As embarcações foram autuadas em flagrante pelo fiscal do Ibama de Sta. Vitória do Palmar, RS, Sr. Albio Cruz, efetuando arrasto a menos de 400 metros da costa, quando a lei ambiental estipula distância mínima de 5,5 Km.

O voluntário Wendell Estol, Coordenador Técnico do Instituto Sea Shepherd, teve participação decisiva na ação do Ibama. Veranista da Praia do Hermenegildo desde criança, ao identificar as embarcações em posição irregular, pediu emprestado o veículo de um amigo e foi buscar o fiscal do Ibama, visto que não havia um automóvel no posto da autarquia disponível para o deslocamento. Wendell ainda pediu emprestado um binóculo de outro amigo, levando o fiscal até o local e tornando assim possível a identificação das duas embarcações.

A proprietária Amélia Nakashima Tuzuki foi condenada a interromper imediatamente a pesca de arrasto ilegal; a utilizar redes com DET (Dispositivo Exclusor de Tartarugas), que poupa a vidas dos animais marinhos de grande porte que não são o foco da pesca comercial; a fornecer trinta horas de educação ambiental para os funcionários da empresa, em curso ministrado por profissional das áreas de oceanologia, ecologia ou biologia; e a uma indenização de R$ 50.000,00 pelos danos ambientais causados.

Conforme determina a sentença proferida pela Juíza Federal Exma. Sra. Rafaela Santos Martins, da 2ª Vara Federal de Rio Grande, a ré deverá comprovar perante os técnicos do Instituto Sea Shepherd Brasil a realização do curso dentro da empresa pesqueira e a utilização das redes com DETs – Dispositivos Exclusores de Tartarugas. Havendo descumprimento de qualquer um dos dispositivos da sentença, a ré deverá pagar multa diária de R$ 10.000,00.

A empresa tem quinze dias para recorrer.

“Estamos muito felizes com mais esta vitória judicial, que já é a terceira só neste ano. Vamos recorrer para elevar o valor da indenização, visto que entendemos que o nosso pedido de R$ 260.000,00 é perfeitamente adeqüado para um dano desta magnitude. Temos certeza que estamos cumprindo um papel importantíssimo na proteção do meio ambiente marinho e que a participação da sociedade civil é fundamental nesse processo. O Poder Público não consegue sozinho dar conta de todos os problemas ambientais. Estamos defendendo um direito previsto na Constituição Federal, um direito que é nosso, de nossos filhos, netos e das futuras gerações”, afirma Cristiano Pacheco, Diretor Jurídico Voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil.

(Ação Civil Pública nº 2006.71.01.001683-7, 2ª Vara da Justiça Federal de Rio Grande, RS)

Shin-ken sho-bu

“Velas içadas – rumo às águas profundas
Ó, alma insensata, vou contigo e vais comigo
Aos limites, onde nenhum marinheiro jamais ousou
Arriscaremos o navio, nós mesmos e tudo o mais.”

– Walt Whitman –

A Operação Musashi da Sea Shepherd está sob ataque pesado do governo japonês. Eles se aproximam com ameaças, intimidação, manipulação, severos ataques públicos e propaganda provocativa e histérica.

Ao mesmo tempo, estão trabalhando para organizar encontros secretos para minar a autoridade da Comissão Baleeira Internacional e criar um grupo de apoio internacional para legitimar suas atividades baleeiras ilegais.

Nossa resposta ao Japão é simples: “Shin-ken sho-bu”.

Nós não vamos descer até o Santuário das Baleias da Antártida pela quinta vez somente para protestar de modo submisso contra as atividades baleeiras ilegais. A Sea Shepherd não vai erguer cartazes e gritar slogans de protesto e nós não nos renderemos às provocações dos assassinos de baleias.

Nosso objetivo é uma intervenção agressiva para fazer valer a Lei Internacional de Conservação, para proteger as ameaçadas baleias em seu próprio santuário, protegido por uma moratória mundial da caça comercial às baleias e imposto pela Comissão Baleeira Internacional em 1986.

Shin-ken sho-bu significa literalmente uma verdadeira batalha com espadas e isto quer dizer que alguma coisa deve ser feita com seriedade mortal.

Em outras palavras, nós estamos seriamente determinados a salvar as baleias. Nós não seremos dissuadidos. Isto não é um jogo. Nós não teremos a postura e a posição do Greenpeace. Nossa intenção é salvar a vida de quantas baleias for possível.

Ano passado, tivemos um casal de integrantes da tripulação que atrapalhou a intervenção, pois estavam com medo de correr os riscos indispensáveis para defender a vida das baleias.

Isso não vai acontecer esse ano. Nós temos entrevistado nossa tripulação e cada membro foi inquirido se estava preparado ou não para arriscar sua própria vida na defesa das baleias e cada um deles que irá participar da campanha respondeu afirmativamente.

Sem fracos, descontentes ou desertores!

A nova tripulação da Operação Musashi tem a missão de defender e proteger e farão isso com disciplina, sem causar dano físico aos baleeiros que opomos.

Os riscos são consideráveis. Primeiro, porque nós estamos viajando por uma das mais remotas áreas oceânicas do planeta. O Oceano Antártico pode ser cruel e imperdoável e não suporta tolices ou erros. Os mares são excepcionalmente frios e o tempo terrivelmente imprevisível.

Segundo, porque nossos adversários, os baleeiros japoneses, têm se tornado inacreditavelmente mais violentos e agressivos. Ano passado eles atiraram granadas de efeito moral em nós e deram tiros de arma de fogo em nossa direção. Uma das balas atingiu meu peito e eu fui salvo pelo fato de estar usando um colete a prova de balas.

Dois dos membros da minha tripulação foram ligeiramente machucados pelas explosões das granadas.

Nós sabíamos que para ir a este embate, desde o começo, não teríamos escolha a não ser resistir, ano após ano, o quanto necessário. Nós sabíamos que nos entregar e bater em retirada estava fora de questão. Nosso compromisso é uma força passional que nos move hoje da mesma maneira que no início.

E por conta de nosso comprometimento, já salvamos mais de mil vidas de baleias, causando um prejuízo de dezenas de milhões de dólares aos baleeiros japoneses.

Este ano, nós hastearemos a bandeira pirata com o sol nascente ao fundo com uma espada e uma caneta de de pena cruzadas como a nossa bandeira de guerra. Nós batizamos nossa campanha em homenagem a Miyamoto Musashi, um das maiores e mais heróicas figuras na história do Japão, um mestre estrategista, espadachim de alto nível e um ícone cultural.

Musashi é para o Japão o que Robin Hood é para a Inglaterra, Ned Kelly para a Austrália e Jesse James para a América – uma parte herói, uma parte fora da lei – e 100% uma figura lendária.

Nós, da Sea Shepherd, somos samurais. Esta palavra vem do verbo japonês “saburau” e significa “aquele que serve (o imperador)”. Nós servimos às baleias. Nós lutamos por sua sobrevivência e por seus interesses. Nós lutamos pela espécie. As baleias são nossas clientes. É simples assim.

De acordo com a tradição Samurai, o caminho do guerreiro é a aceitação incondicional da morte. Minha equipe e eu aceitamos e entendemos que quando nos lançamos ao mar, colocamos nós mesmos em perigo, como fizemos muitas vezes antes.

Em cerca de três décadas de conflitos em alto mar, nós nunca machucamos ninguém e nunca sofremos sérias agressões, mas reconhecemos que o desastre está sempre a um piscar de olhos.

Os tambores de nosso próximo compromisso começaram a rufar e o ritmo da preparação nos dá base para uma batalha estratégica entre a nossa pequena banda e seu fiel grupo apoiador e a abastada oposição, apoiada por uma das mais fortes e orgulhosas nações da Terra.

Nós partiremos em novembro, em uma viagem rumo ao sul, através das costas geladas da Antártida – nosso único navio contra uma frota inteira, nossa pequena equipe de voluntários de todas as partes do mundo contra centenas de marinheiros que são membros apoiadores da Yakusa. Com eles, estará uma unidade militar armada do Japão. Eles têm armas. Nós não. Eles têm bombas de efeito moral. Nós temos bombas de manteiga podre e fétida.

O que nós temos, porém, é a lei. Os baleeiros estão infringindo as leis e nós estamos compromissados a cumpri-las.

E nós também temos a mais poderosa das armas na Terra: câmeras!

Tudo que os baleeiros japoneses fizerem a nós será transmitido para o mundo todo. Nós não só falaremos a verdade mas documentaremos toda a verdade.

Uma coisa que podemos dizer com certeza é que nós não seremos testemunhas da morte de nenhuma baleia sequer. Nenhuma baleia morrerá sob a nossa fiscalização. Eu não tenho visto uma baleia morrer desde que eu era o primeiro oficial no navio James Bay do Greenpeace, em 1976. Quando nós chegamos os baleeiros fogem e não matam baleias.

Nós abalroamos de forma irrecuperável um número razoável de navios baleeiros durante esses anos, para convencê-los que nós não somos um grupinho de protesto infantilizado. Nosso objetivo é policiar o cumprimento das leis e defender a vida das baleias.

Alguns podem perguntar: como você pode pedir para as pessoas arriscarem a própria vida para defenderem baleias?

Eu só posso refletir que no último século, milhões foram impelidos a sacrificar suas vidas em defesa do Estado, da propriedade, dos poços de petróleo, religião e em manifestações de patriotismo. O quanto é mais nobre arriscar uma vida para defender seres vivos, para defender espécies e habitats e para proteger o legado natural desse planeta?

Quando se pergunta a soldados se eles têm vontade de morrer por seu país, não estranhamos se eles dizem sim. Por que, então, é estranho esperar que uma pessoa passional está disposta a morrer para salvar uma baleia ou qualquer outro ser vivo?

Eu sei que minha vida é cheia de riscos que eu assumi durante anos. Saber que, por conta da minha intervenção, as baleias estão agora nadando no oceano, e, de outra forma, estariam mortas, deixa-me um profundo sentimento de contentamento e realização.

Eu não meço sucesso pela aquisição material. Eu meço sucesso pela realização. Tenho estado nos mares longínquos lutando pelas baleias desde 1975. Em três décadas e três anos, apesar de muitos confrontos, combates irrisórios e compromissos, sinto-me notavelmente vivo e muito ativo.

Eu não vejo nenhuma aposentadoria dessa vida ou sequer desejo me aposentar desta missão de salvar vidas e defender e proteger os ecossistemas marinhos. Eu pretendo ver que a Sea Shepherd deixou suas marcas em Galápagos, nas águas do Atlântico Norte e Sul, no Norte e Sul do Pacífico, no Índico e nos oceanos Ártico e Antártico.

E quando eu cair, eu sei que haverá outros que hastearão nossa bandeira antes que ela caia, que carregarão essa grande missão de servir e defender os cidadãos dos mares.

Esses gentis guerreiros estão comigo agora. Eles navegam como tripulação nos navios, trabalham nas ilhas de Galápagos, em nosso escritório nos Estados Unidos, no Pacífico noroeste, nas praias do Brasil, na costa oeste da Austrália, nas costas do sul da França, do Cabo da Boa Esperança ao Cabo Horn, das longínquas Aleutians ao Mar Ross e da costa de Labrador às Grandes Antilhas.

Esta incrível inundação, esta grande e molhada conexão molhada de toda vida neste planeta, este imenso paraíso aquático selvagem guiou-me por minha vida inteira. De ficar sentado no píer da baía de Passamaquoddy quando eu era menino, assistindo o Fundy desaguar a maré a ficar a postos no convés como Capitão do meu próprio navio, navegando através do gelo e das tempestades, supervisionando a frágil imensidão e a diversidade de um maravilhoso planeta oceano – eu fui privilegiado ao servir como um dos cavaleiros de Poseidon em defesa do fantástico reino azul.

Assim, com respeito à nação japonesa e total desprezo aos piratas baleeiros japoneses, covardes e cruéis, eu digo “Shin-ken sho-bu”.

Encontraremos vocês lá embaixo, naquelas águas frias e remotas e faremos tudo dentro de nossa capacidade de força e resolução para evitar a extinção da vida de um dos mais inteligentes, gentis e socialmente complexos seres sencientes do planeta – as fabulosas baleias!

Comentários do Capitão Paul Watson
Presidente e fundador da Sea Shepherd Conservation Society

Traduzido por Heloísa Priedols, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Operação Furacão Silencioso repercute e MP Federal do Amapá resolve ingressar com ação judicial

O jornal “Portal da Amazônia” informou hoje que o Ministério Público Federal do Amapá ajuizou ações civil e criminal contra os proprietários das embarcações flagradas em fevereiro de 2007 massacrando 83 golfinhos da espécie sotalia fluvialis, para garantir a punição dos acusados.

As cenas documentadas pelo IBAMA e veiculado em rede nacional pela TV Globo mostram 83 golfinhos sendo submetidos à dor e sofrimento, tendo seus olhos e dentes arrancados por pescadores à luz do dia. A razão para esta pesca ilegal é a crença de que o olho do golfinho, quando carregado no bolso, “atrai dinheiro e mulher”. Também se faz uso dos dentes para a fabricação de colares.

No dia 27 de Julho de 2007, o Instituto Sea Shepherd ingressou com uma ação civil pública contra o Ibama de Amapá com pedido liminar na Jusiça Federal do mesmo estado requisitando informações sobre o caso. A ONG procurava através da ação judicial contra o do Ibama de Amapá informações sobre as cenas documentadas pelo próprio Ibama. O Ibama negou ter qualquer informação sobre o caso, mesmo tendo seus monitores dentro da embarcação.

No dia, 18 de Outubro de 2007, após dois meses de pressão sobre o Ibama do Amapá e a Polícia Federal de Belém, o Instituto Sea Shepherd obteve o nome do proprietário das embarcações responsáveis pelo massacre de golfinhos na costa de Macapá. Com a informação o Instituto Sea Shepherd Brasil ingressou com o processo judicial contra o proprietário da embarcação responsável pelo massacre.

“A Operação Furacão Silencioso tem grande importância na nossa luta pela preservação da vida marinha tendo em vista que a lei que protege os golfinhos é a lei de cetáceos, ou seja, a mesma que protege as beleias em nosso litoral. Vamos buscar uma indenização pecuniária à altura desta crueldade. Só nos resta falar a linguagem que estes criminosos entendem” – afirma Cristiano Pacheco, Diretor Jurídico Voluntário da Sea Shepherd Brasil.

Leia abaixo a notícia do Portal da Amazônia:

Matadores de botos podem pagar R$ 415 mil de indenização

RIO 19 de outubro de 2008 – O Ministério Público Federal ajuizou ações, civil e criminal, para garantir a punição dos proprietários dos pesqueiros de nomes “Graça de Deus IV e Damasco III”. Eles foram flagrados no ano passado durante uma matança indiscriminada de 83 botos da espécie sotalia fluvialis, ou guianensis. Eles poderão pagar R$ 415 mil de indenização.

No dia 11 de fevereiro de 2007, dezenas de botos surgiram ensanguentados quando as redes de pesca foram puxadas para o barco “Graça de Deus IV”. O barco “Damasco III” havia participado da matança, que aconteceu no Cabo Norte, na costa do Amapá e foi registrada em vídeo por um cinegrafista contratado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama)

Agora, os donos dos dois barcos envolvidos, ambos da cidade de Vigia de Nazaré, na costa paraense, podem ser condenados a pagar R$ 5 mil por animal morto. Os acusados são Jonan Queiroz de Figueiredo e João Dias da Silva.

O proprietário do barco Mendonça, Waldemar Chagas Mendonça, também está entre os réus, por ter comprado parte dos botos para usar a carne como isca na pesca de tubarão.

O processo civil pede uma indenização total de R$ 415 mil, pelos 83 botos mortos. Para garantir o pagamento, o MPF pediu o sequestro dos três barcos envolvidos.

No processo criminal, Jonan Queiroz e Waldemar Mendonça podem ser condenados a penas que variam de um a três anos de prisão.

A pesca de cetáceos é totalmente proibida no Brasil pela lei 7.643, de 1987.

Os botos mortos são do mesmo tipo considerado ameaçado pela União Internacional pela Conservação da Natureza. Eles vivem nos rios da Amazônia e na costa marítima brasileira, de Santa Catarina ao Amapá.

Fonte: Portal Amazônia-GC.

A Sea Shepherd afirma que o problema da pesca predatória e ilegal e do massacre de golfinhos se estende por todo o litoral brasileiro de forma descontrolada, e que o caso dos golfinhos do Amapá não é um caso isolado. Golfinhos são capturados, mortos e vendidos ainda em alto mar por criminosos ambientais para fazerem de sua carne isca para a captura de tubarões. Tubarões são sacrificados por suas barbatanas que são vendidas ilegalmente ao mercado asiático para servir de sopa de barbatanas e para o mercado farmacêutico para a fabricação de pílulas de cartilhagem. No Brasil, a crença de que o olho do golfinho, quando carregado no bolso, “atrai dinheiro e mulher” e o uso dos dentes para a fabricação de colares, também são motivos do massacre destes animais.

“O nome Furacão Silencioso dado à operação é uma homenagem ao silêncio do Ibama e à inércia da Justiça Federal. O furacão é uma referência a nossa intenção em promover com esta ação judicial uma séria investigação sobre as empresas que estão se beneficiando com esses massacres”, disse Daniel Vairo, Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd.