Editorial

A mudança das nossas cores

Comentário do Capitão Paul Watson

Desenhado por Michael Beasley. Prévia da pintura do Bob Barker depois de concluída
Desenhado por Michael Beasley, prévia da pintura do Bob Barker depois de concluída

Nossos “navios negros” têm servido seu pressuposto. Desde 2002, nossos navios têm sido pintados de tinta preta com o objetivo de tirar as frotas dos baleeiros japoneses das águas do Santuário de Baleias no Oceano Antártico.

A cor preta tem quatro finalidades para a frota da Sea Shepherd. Primeiro, é uma cor intimidante, e contra um número superior de navios da frota baleeira, eu senti que devíamos ser tão intimidantes quanto pudéssemos. Os navios negros, combinados com nosso Jolly Roger, emprestaram um ar de intimidação. Segundo, a cor negra absorve calor e ajuda a conservar energia em um ambiente com 24 horas de luz solar, mas com um clima abaixo de zero graus.

Adicionando intimidação e a manutenção do calor, nós temos um terceiro fator… o navio negro tem sido há muito tempo uma parte da mudança na cultura japonesa. No Japão, o termo “navio negro” tem um significado específico. Primeiro, com a frota negra portuguesa que trouxe o catolicismo e o comércio ocidental ao Japão, e, depois, com a frota negra levada pelo almirante americano Matthew Perry, que tirou o Japão dos séculos de isolamentos em 1854. Nossos objetivos são de parar a caça dos japoneses da Antártica… esperamos que por bem. Se eles retornarem, nós retornaremos, mas a expectativa é muito boa de que não irão retornar.
Nosso quarto fator era simbolizar o luto pela morte de muitas baleias devido aos arpões japoneses no Santuário de Baleias no Oceano Antártico.

Entretanto, nós temos outros desafios para lidar, incluindo o finning, a caça de atuns, e o assassinato de focas, tartarugas marinhas e pequenos cetáceos. E com as campanhas diante de nós no Mediterrâneo, em Palau, nas Ilhas Galápagos, todo o Oceano Índico, na África Equatorial e no Pacífico Sul, a cor preta não é mais confortável. Nós agora precisamos refletir o calor ao invés de absorvê-lo.

O Steve Irwin com sua nova pintura. Foto: Michael Morrell
O Steve Irwin com sua nova pintura. Foto: Michael Morrell

E então nós voltamos à cor que utilizamos em 2002, durante nossa campanha anti-caça em Cocos, Malpelo e nas ilhas Galápagos. O Steve Irwin foi repintado, o Bob Barker está em processo, com um camuflado marinho tropical e semi-tropical, dando aos nossos navios uma aparência militar, para que possamos continuar a ser intimidantes, mas as cores mais claras tornarão o interior do navio muito mais frio.

O Gojira será pintado com um cinza metálico, por razões que iremos revelar no final de maio, quando anunciaremos a mudança no nome do navio. É um grande nome, GojiraGodzilla em japonês, que significa gorila baleia, MAS a única coisa mais assustadora que o Godzilla por si só são os advogados do Godzilla, e nós estamos sendo avisados de que não temos os direitos de usar este nome.

Sem problema! Nós continuamos tendo a oportunidade de soltar o Godzilla nos baleeiros japoneses, e que foi super legal, especialmente quando os baleeiros emitiram um sinal de socorro do Oceano Antártico dizendo: “nós estamos sendo atacados pelo Gojira”.  Aquela transmissão de rádio tem um valor inestimável, acompanhada do nosso jogo de “samurai negro” de Alpha Blondy pelo rádio de volta à frota japonesa. Nós achamos isso hilário, mas os baleeiros não parecem ter muito senso de humor.

O novo nome e logo para o nosso rápido navio interceptador será revelado no próximo mês, durante o Festival de Filmes Cannes, pouco antes de lançar a Operação Fúria Azul II para opor-se aos caçadores de atum-azul.

O histórico Farley Mowat nas águas ao largo das Ilhas Cocos
O histórico Farley Mowat nas águas ao largo das Ilhas Cocos

Embora mantenhamos nossas camisetas e jaquetas pretas e brancas, a tripulação irá também usar o uniforme camuflado. E falando nas nossas cores, os navios da Sea Shepherd irão continuar a usar a bandeira com três cores da Holanda, assim como a aborígine da Austrália e a maori da Aotearoa. Nossos navios são os únicos no mundo que usam as bandeiras das cinco nações da Confederação Iroquois,  apresentadas por nós pela mulher do Long House Up the Hill of the Mohawks of Kahnawake. Nós iremos também usar a bandeira de Palau no Bob Barker durante nossas patrulhas contra a caça nas águas da República de Palau.

Novas campanhas, novas idéias, novas estratégias, novas táticas, e novas cores. A Sea Shepherd Conservation Society está constantemente evoluindo e mudando para abordar as questões e problemas que ameaçam alterar nossos oceanos.

Nunca estagnante, sempre evoluindo em uma campanha para defender a vida contra a morte, a compaixão sobre a ganância e a conservação sobre a destruição.

Traduzido por Tomaz Horn, voluntário do ISSB.

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