Sea Shepherd e Polícia Militar Ambiental retiram mais de um quilômetro de redes ilegais de pesca em operação conjunta

O aumento das mortes por enredamento de baleias chega a ponto crítico, e Sea Shepherd trabalha com monitoramento cidadão para apoiar esforços da Polícia Militar Ambiental.

Florianópolis – SC: Nesta segunda-feira, a Sea Shepherd Brasil cooperou com a 1a Companhia do 1o Batalhão da Polícia Militar Ambiental de Florianópolis em uma operação para amenizar a consequência do uso de equipamentos de pesca ilegal durante o período de pesca da tainha para as baleias.

Voluntários da Sea Shepherd com Policial Militar

Três voluntários da Sea Shepherd embarcados, mais cinco voluntários em terra, junto a três policiais do 1o Batalhão da Polícia Militar Ambiental de Florianópolis se mobilizaram em uma operação na manhã desta segunda-feira que resultou na apreensão de um pescador com mais de 550m de redes de uso ilegal e 50kg de peixe; e na retirada de uma rede de emalhe fixa de 887 metros de comprimento em localização protegida pela APA da Baleia Franca, proibida para este tipo de atividade. Estas redes serão destinadas ao P&P Polímeros para reciclagem.

Neste ano de 2021, houve um grande aumento de enredamento de baleias na região de Santa Catarina: que hoje já é o segundo estado com maior incidência de morte de baleias jubarte por enredamento no país com 11 casos, logo após  o estado de São Paulo com 12 casos.

A quantidade de baleias dessa espécie mortas no litoral brasileiro este ano é a maior dos últimos cinco anos, com 54 até agora – e a temporada de sua migração ainda planeja se estender até meados de setembro. Somente no entorno da ilha de Florianópolis, já houveram nove enredamentos. Em uma só semana no mês de junho, quatro ocorrências foram registradas. Duas baleias conseguiram sobreviver, mas as outras duas morreram.

A morte desses animais em redes ilegais de pesca é enquadrada como crime contra a fauna. A lei prevê até um ano de detenção e multa. De acordo com a PMA da região, as ocorrências deste tipo vem acontecendo no mesmo período da pesca da tainha, que coincide com a migração das baleias jubarte por nossa costa. Neste período o esforço de pesca aumenta e redes fixas em desacordo com a legislação são colocadas em diversos pontos da costa.

Em um litoral tão extenso, é desafiador obter uma fiscalização eficiente pela Polícia Ambiental. ‘Com as embarcações atuais a gente não consegue ter uma capacidade de carga muito grande. Então a Sea Shepherd chegando com uma embarcação sobressalente ajuda nesse recolhimento e na eficiência do dia.’ diz Cabo Roberto Salles do 1o Batalhão da Polícia Militar Ambiental, também presente na operação.

Voluntários da Sea Shepherd e cabo da Polícia Militar Ambiental observam rede apreendida

As baleias-jubarte têm como local de reprodução principal a região de Abrolhos, entre o Espírito Santo e a Bahia. Neste ano de 2021, em vez de seguir sua rota habitual de migração mais afastadas do litoral de Santa Catarina, elas se aproximaram do litoral e infelizmente algumas delas acabaram se enredando. Este fenômeno também tem sido observado na costa do Paraná e São Paulo, onde elas também atipicamente têm sido vistas com maior frequência.

Baleia enredada
Foto: Guilherme Bueno

‘É conhecido que estas baleias avistadas por nossa costa têm sido mais juvenis, e tem se observado que muitas chegam já fracas. Essas redes de pesca são pouco visíveis para as baleias, e quanto mais inexperiente e fraco for o animal, ele pode facilmente se enredar, e dificilmente conseguir escapar sozinho’, detalha a Diretora de Desenvolvimento da Sea Shepherd Brasil, Nathalie Gil, que acompanhou a operação.

As baleias-jubarte, segundo estudos, são fundamentais para o equilíbrio do clima do planeta e também para o ecossistema do oceano. Elas auxiliam na circulação de nutrientes, tanto das regiões mais ao sul para as áreas tropicais, quanto das áreas mais profundas às mais rasas do oceano.

A Sea Shepherd dará apoio à PMA para o combate à pesca ilegal até o final desta temporada de pesca da tainha no final deste mês, e construirá um plano de apoio de voluntários cidadãos à operação da Polícia Ambiental no retorno da temporada no ano que vem. Para quem se interessar em fazer parte do grupo de voluntários da Sea Shepherd, seja contribuindo com suas embarcações ou na operação, ou em outras atividades da organização, é só se inscrever aqui.

Pesca ilegal na temporada da pesca da tainha

Um grande hábito tradicional da região, a temporada da pesca da tainha possui diversas restrições para os pescadores em relação à embarcações utilizadas, tipos e técnicas de redes, dependendo do período e localização para este tipo de prática. A região sul da ilha de Florianópolis, onde ocorreu esta operação, é uma área protegida como parte da APA da Baleia Franca, o tipo de pesca de emalhe fixo é considerada proibida. Estas leis têm como objetivo a proteção das baleias e outros animais da região, que podem se enredar em suas malhas e ocasionar a morte dos animais que habitualmente frequentam esta área.

 

Veja o vídeo da ação:

A APA da Baleia Franca

Desde o ano 2000 a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, ou Berçário da Baleia Franca como é melhor conhecida, é uma região com uma área de 156 mil hectares, 130 km de costa marítima, que abrange nove municípios desde o sul da ilha de Florianópolis até o Balneário Rincão.

As finalidades da APA da Baleia Franca são, dentre outros objetivos, principalmente  proteger, em águas brasileiras, a baleia franca austral (Eubalaena australis), que utiliza esta região como um berçário. 

Em sua rota migratória reprodutiva, a baleia franca passa pela região entre os meses de junho e novembro. Neste ano de 2021 vem sendo observada a presença maior também da baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) que atipicamente vem frequentando e estacionando nesta área em vez de sua habitual migração da Antártida até Abrolhos.

O que posso fazer se encontrar um animal marinho morto ou debilitado?

  • Mantenha distância e ajude a isolar a área. Não tente chegar perto do animal ou ajuda-lo, isso pode ser fatal tanto para você quanto o animal.
  • Você também pode avisar a Sea Shepherd em nossas mídias sociais @seashepherdbrasil (Instagram e Facebook) para entrarmos em contato com as autoridades.

O que posso fazer se encontrar uma rede de pesca ilegal?

  • Denuncie para a Polícia Militar Ambiental. O telefone da PMA de Florianópolis é (48) 3665-4906
  • Você também pode avisar a Sea Shepherd em nossas mídias sociais @seashepherdbrasil (Instagram e Facebook) para entrarmos em contato com as autoridades

Fotos e vídeo: Todd Southgate
Imagens de drone por Guilherme Bueno

Sea Shepherd Brasil lança campanha para gerar melhor conhecimento do comércio de tubarões e raias no país

Objetivo é conscientizar sobre as consequências de se consumir estas espécies

BRASIL – O Brasil atualmente é o 1º importador e consumidor de carne de tubarão em escala mundial. Isso porque, em alguns países asiáticos, as barbatanas de tubarões são muito apreciadas na culinária com apelo afrodisíaco, chegando a custar mais de mil dólares por quilo. Uma vez que é proibido cortar as nadadeiras do animal e devolver seu corpo ao mar, muitas vezes ainda vivo (prática conhecida como finning), o restante da carne, que não é de interesse para a grande maioria dos países. 

Nos últimos anos, políticas foram implantadas ao redor do mundo (incluindo no Brasil) proibindo a prática cruel do finning, que consiste na retirada e venda apenas das nadadeiras dos tubarões, descartando os corpos no oceano, muitas vezes ainda com vida. No entanto, o crescente consumo de carne de cação em países em desenvolvimento como Brasil e México, têm permitido a continuidade do comércio de nadadeiras, tornando esses países como “lavanderias de barbatanas de tubarão”.

Para agravar a situação, no Brasil não é exigida a rotulagem correta em nível de espécie para tubarões e raias. Nesse caso as espécies são importadas e consumidas apenas como ‘cação’, e algumas vezes erroneamente identificadas como tubarão-azul (Prionace glauca). Isso faz com que muitas espécies criticamente ameaçadas e proibidas de comercialização – como os tubarões-martelo e raias-viola – sejam livremente comercializados sem nenhuma fiscalização. Além disso, a carne de cação tem um preço atrativo para o consumidor, em comparação a outros peixes marinhos, exatamente por virem de pesca indesejada, ou como ‘restos’ do comércio de barbatanas.

“Aqui, a indústria pesqueira internacional encontra um forte comércio desses peixes, muito apreciados por não possuírem espinhas e ter preço acessível. Existem estudos que dizem que mais de 70% das pessoas não sabem que o ‘cação’ é carne de tubarão – e muitas vezes, este é vindo de fora.” explica Nathalie Gil, diretora de desenvolvimento da Sea Shepherd Brasil.

O tubarão é um animal de topo de cadeia, e sua morte gera um desequilíbrio em todo ecossistema marinho. Além disso, a carne de tubarão pode ser danosa para nossa saúde. Como é um predador, por um processo de bioacumulação, ele agrega metais pesados, que ingeridos além da conta, essas substâncias podem causar danos para a nossa saúde.

A campanha CAÇÃO É TUBARÃO da Sea Shepherd Brasil visa entender como e onde os tubarões e raias estão sendo comercializados no Brasil, quais espécies eles são e de onde elas estão vindo, visando alertar a sociedade acerca desta prática e auxiliar na informação para a influência de iniciativas governamentais.

Ciência Cidadã

Como parte da campanha CAÇÃO É TUBARÃO, a Sea Shepherd Brasil propõe a condução de um estudo científico baseado na coleta de informações via ciência cidadã e análise genética com o objetivo de mapear a extensão do comércio da carne de tubarões e raias pelo Brasil e finalmente identificar as espécies envolvidas nesses comércio e seus nomes regionais. 

A campanha também fará registro visual e fotográfico de tubarões e raias em desembarques (portos/ feiras litorâneas, pescas artesanais) e coletará amostras para análise genética em pelo menos 20 cidades de cada uma das cinco regiões do país.

“A campanha CAÇÃO É TUBARÃO irá expandir nosso conhecimento sobre o comércio de tubarões e raias. Conseguiremos, de forma simultânea, conscientizar a população e coletar dados extremamente importantes sobre a extensão do comércio de tubarões e raias no Brasil” , comenta Bianca Rangel, cientista líder da campanha.

Assista ao vídeo introdutório da campanha:

Foto: Michel Geyer

Botos da Amazônia ganham mais um ano para prosperarem

Moratória da pesca da piracatinga é prorrogada até julho de 2022, tempo que a ONG Sea Shepherd inicia sua expedição para reunir dados para a proteção das espécies de botos ameaçados

Brasília – DF: Acaba de ser anunciado hoje pelo Diário Oficial da União que a moratória para a pesca e comercialização da piracatinga foi prorrogada por mais um ano, uma decisão tomada pela Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Este anúncio garante mais um curto período de alívio para a conservação do boto da Amazônia e do tucuxi nos rios da bacia amazônica.

Estudos do INPA indicam que as populações do boto da Amazônia, também conhecido como boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis), e do tucuxi (Sotalia fluviatilis) estão diminuindo pela metade a cada 9 a 10 anos, dependendo da espécie. Várias ameaças a estes cetáceos já são conhecidas, como a pesca acidental, ou acessória, em redes, a construção de represas que fragmentam e isolam as populações. Porém cada vez mais, os botos são assassinados com a intenção de servir de isca para a pesca ilegal de uma espécie de bagre necrófago da bacia Amazônica, a piracatinga (Calophysus macropterus).

Boto

A pesca da piracatinga utilizando botos como isca teve início no final da década de 1990 e representou a maior ameaça para os golfinhos da Amazônia desde a chegada dos europeus no Brasil. Um número muito alto de botos mortos em pouco tempo para esse fim levou a significativa redução da população desses animais em várias áreas da sua distribuição. Denúncias e movimentos conservacionistas de proteção aos botos e sobre as populações humanas consumindo esse pescado culminaram com a suspensão da pesca da piracatinga por cinco anos, em um ato interministerial assinado pelos então ministros do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Pesca (Mapa) – Instrução Normativa (IN) Interministerial nº 06, de 17 de julho de 2014. Essa moratória foi encerrada em 1o de janeiro de 2020, sem que as metas estabelecidas tivessem sido alcançadas.

Questionamentos do Ministério Público do Amazonas e de grupos ambientalistas sobre o não cumprimento das metas propostas levaram ao Mapa a estabelecer uma nova moratória proibindo a pesca e a comercialização da piracatinga em águas jurisdicionais brasileiras pelo prazo de um ano, com início em 1o de julho de 2020.

O Conselho Estadual de Pesca e Aquicultura do Amazonas (Conepa-AM), seguido do Mapa, criaram GTs para responder aos termos das INs instituídas e para discutir e identificar técnicas e métodos sustentáveis e ordenar as atividades da pesca da piracatinga. Porém a falta de informações conclusivas oriundas de subsídios técnico-científicos resultou na não possibilidade de cumprir as condições estabelecidas pela IN SAP/Mapa nº 17, de 2020, e como consequência, a moratória será mais uma vez estendida para que se possa obter as informações que respondam às questões propostas nas Instruções Normativas.

SEA SHEPHERD INICIA SEUS ESFORÇOS DE LONGO PRAZO PARA A CONSERVAÇÃO DOS BOTOS DA AMAZÔNIA

Em resposta ao desafio sobre a conservação das duas espécies de golfinhos Amazônicos, a ONG de conservação de cetáceos Sea Shepherd Brasil lança EXPEDIÇÃO BOTO DA AMAZÔNIA. A Sea Shepherd chega na Amazônia no segundo semestre deste ano, se unindo aos renomados pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que lideram a pesquisa científica mundial sobre ambas espécies. As organizações planejam ter dois ciclos de expedições de contagem populacional rodadas antes do encerramento da moratória, previsto para 1o de julho de 2022.

Este é o primeiro estudo de longo prazo contínuo em rios da bacia Amazônica realizados em múltiplos pontos da bacia, tornando possível uma avaliação do real estado atual de conservação dessas espécies. Será um estudo populacional de três anos, abrangendo duas expedições por ano e cobrindo quatro pontos do rio Amazonas, resultando no total de seis expedições, 3.000 km percorridos e 100 dias de observação.

Barco - Campanha Boto

A conservação dos botos: um desafio

Os golfinhos da Amazônia, espécies ameaçadas de extinção e protegidos por lei, são valiosos como espécies sentinelas e bandeira, exercendo papel fundamental no equilíbrio e no funcionamento do ecossistema aquático da Amazônia. Entender e mitigar os impactos sobre esses mamíferos aquáticos é indispensável para a conservação do bioma amazônico como um todo.
Botos são animais de vida longa, podem viver mais de 35 anos e demoram a atingir a maturidade sexual. As fêmeas alcançam a maturidade sexual por volta dos 10 anos de vida, com cerca de 180-200 centímetros de comprimento corporal, produzem um filhote a cada gestação, que dura aproximadamente 12-13 meses. Os filhotes nascem com comprimento entre 78-90 centímetros e 12 quilos e podem permanecer com a mãe entre dois e seis anos, sendo que o período de lactação é superior a um ano. Em média, o intervalo entre nascimentos é de quatro anos e meio, dependendo da idade da mãe e da sobrevivência do filhote. Com base nessas informações, fica evidente que um ano – ou mesmo cinco anos – não é tempo suficiente para reposição de indivíduos em uma população cuja retirada foi maior e mais rápida do que a sua capacidade de reposição.

Não existem garantias de que, uma vez liberada a pesca da piracatinga, a prática de uso de botos e jacarés como isca não seja retomada. Sabemos que não existe fiscalização efetiva em grande parte da região, o controle e a fiscalização da comercialização do pescado são inadequados e se desconhece a origem e as quantidades de pescado processado pelos frigoríficos. Excetuando as espécies de peixes protegidas pelo defeso em certas épocas do ano, não existem outras formas de controle e fiscalização.
Portanto, a avaliação da recuperação das populações de botos não será respondida em tempo tão curto. Esta extensão de moratória dá um curto período de alívio, mas a batalha para a preservação destas espécies está ainda longe de ser vencida.

Parte do texto editado do artigo da Dra. Vera Ferreira da Silva, chefe do LMA-INPA, publicado no Fauna News. Saiba mais aqui.

Fotos: Cristian Dimitrius, Gleeson Paulino, INPA

Expedição Boto da Amazônia

Sea Shepherd inicia seus esforços de longo prazo para a conservação dos botos da Amazônia

Sea Shepherd expande seus esforços de conservação para a Amazônia em parceria com os
principais cientistas locais para a conservação dos icônicos golfinhos do rio Amazonas.

A Sea Shepherd Brasil lança a sua campanha em conjunto com a Sea Shepherd Global, a EXPEDIÇÃO BOTO DA AMAZÔNIA, a primeira campanha da Sea Shepherd Global no Brasil. O anúncio foi feito em um evento virtual da Sea Shepherd no Brasil no dia 5 de junho pelo próprio Capitão Paul Watson, fundador da organização internacional de conservação marinha, após uma conversa inspiradora com a líder indígena Juma Xipaia.

A Sea Shepherd chega na Amazônia no segundo semestre deste ano, e seus cientistas se unirão à cientistas renomados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que lideram a pesquisa científica mundial sobre o boto rosa, como é popularmente conhecido, ou boto amazônico (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis), porém necessitam aprofundar suas pesquisas, que já indicam que essas espécies necessitam constar na lista de risco crítico de extinção pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) para receberem a proteção ambiental que necessitam na região.

Estudos já demonstram que os botos da Amazônia tendem a diminuir sua população pela metade a cada 10 anos. Há várias ameaças a estes cetáceos, como a pesca acessória em redes, caça intencional de pescadores para diminuir a competição por peixes, a construção de represas que isolam as espécies, e cada vez mais, botos são assassinados com a intenção de servir de isca para a pesca ilegal de uma espécie de bagre necrófago local, a piracatinga.

Este é o primeiro estudo de longo prazo que será realizado em múltiplos pontos do rio, tornando possível uma avaliação do verdadeiro estado de conservação dessas espécies. Será um estudo populacional de três anos abrangendo duas expedições por ano cobrindo quatro pontos do rio Amazonas, resultando em um total de seis expedições, 3.000 km percorridos e 100 dias de observação.

O Rio Amazonas é a principal artéria para o oceano, representando 20% da descarga fluvial global. No passado, esses golfinhos eram protegidos por mitos e lendas que eram transmitidos por gerações desde as tradições de grupos indígenas locais. Hoje em dia, infelizmente com a perda da força das culturas ancestrais isso se perdeu. Esses golfinhos são vistos como uma praga ou um incômodo para os pescadores. Ou pior, como ferramentas para pesca.

Para o fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson, os botos precisam de atenção imediata: "Estou muito animado que a Sea Shepherd Brasil vai fazer uma expedição no rio Amazonas e creio ser muito importante não só para o Brasil, mas em uma escala global, proteger os botos da Amazônia." Precisamos com urgência obter dados mais aprofundados sobre o declínio populacional desses animais para garantir que regras como a moratória da pesca da piracatinga, que está prevista para terminar em julho deste ano, continuem a proteger essas espécies.

A sua contribuição é urgente e necessária para que esta expedição seja uma de várias.

Fotos: Cristian Dimitrius, Gleeson Paulino, INPA

Os barcos de pesca ‘Tianyu 9’ e ‘Tianyu 10’, sendo escoltados pelo ‘Bob Barker’ para o porto após apreensão. Foto: Tara Lambourne/Sea Shepherd.

Dois barcos de pesca de arrasto ilegais são surpreendidos por ataque noturno em Benin


Ação conjunta da Sea Shepherd com a Marina de Benin apreendeu as embarcações ilegais após dias observando suas movimentações.

No início da manhã de 12 de dezembro, agentes armados da Marinha de Benin — a bordo de dois barcos infláveis de casco rígido pertencentes ao navio Bob Barker da Sea Shepherd — capturaram dois barcos industriais de pesca de arrasto enquanto estes cruzavam os mares de Benin, no oeste da África, com suas redes de pesca ainda na água.

Os marinheiros de Benin surpreenderam as duas embarcações, Tianyu 9 e Tianyu 10, quando subiram a bordo, tomando controle da ponte e confiscando ambos os barcos por pescarem sem licença em águas Beninenses.

Nas noites anteriores, a Marinha de Benin trabalhou com a tripulação da Sea Shepherd na ponte do Bob Barker, acompanhando o radar enquanto os dois barcos de pesca atuavam cada vez mais próximos à fronteira entre Benin e o vizinho Togo.

As redes de pesca do ‘Tianyu 9’ são inpecionadas. Foto: Tara Lambourne/Sea Shepherd.

“O elemento surpresa foi essencial para o sucesso da missão. Ao observar as duas embarcações por diversos dias, pudemos entender seu modus operandi e sabíamos que seria uma questão de tempo até eles tentarem a sorte e atuarem ilegalmente em nossos mares. Foi aí que disparamos nossa armadilha”, disse o capitão da marinha Maxime Ahoyo, o Comissário Marítimo de Benin que dirige as patrulhas conjuntas.

Uma vez a bordo, a equipe descobriu que ambas as embarcações possuíam numerações pintadas nos cascos que não batiam com os documentos levantados pelos investigadores. Os barcos utilizavam números ligados a registros antigos de Benin.

Os barcos de pesca ‘Tianyu 9’ e ‘Tianyu 10’, sendo escoltados por um dos botes do ‘Bob Barker’ para o porto após apreensão. Foto: Tara Lambourne/Sea Shepherd.

“Estes barcos de pesca de arrasto atuaram em águas beninenses no passado. Eles conheciam bem a área, portanto estavam cientes da fronteira. O que eles não esperavam era a Marinha de Benin e a tripulação do Bob Barker, discretamente monitorando cada movimento”, disse o Capitão Julian McGale do Bob Barker.

Seis semanas atrás, a Marinha de Benin apreendeu um barco de pesca de arrasto industrial no Porto de Cotonou depois de flagrá-lo pescando ilegalmente em área proibida, uma zona de exclusão de cinco milhas náuticas reservada para pescadores artesanais.

O Fada 18 foi pego pescando próximo à reserva ecológica Bouche du Roy. A reserva é composta de manguezais e lagoas essenciais aos viveiros de peixes e é parte da Reserva de Biosfera de Mono, listada na Unesco. É lar de quase duas milhões de pessoas em Benin e Togo e é especialmente rica em biodiversidade, pois é localizada em um corredor de vida selvagem frequentado por atuns e baleias-jubarte em migração.

“A parceria entre a Sea Shepherd, o Eco-Benin e o governo de Benin é uma oportunidade única de salvar nossa biodiversidade marinha, em especial a vida marinha presente na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN); de conservar a Reserva de Biosfera Mono; e de melhorar nossos destaques de ecoturismo de Benin”, disse Gautier Amoussou, Coordenador Nacional da Eco-Benin, uma ONG local de Benin.

Em 2019, o governo de Benin se juntou à Sea Shepherd para a Operação Guegou (“Grande Atum” em Wxla, a língua local) para lutar contra ações criminosas no Golfo de Guiné, com a tripulação da Sea Shepherd e membros da Eco-Benin apoiando os agentes oficiais a bordo do Bob Barker no combate à pesca ilegal, não-reportada e não-regulada.

A parceria da Sea Shepherd com Benin marcou a quarta participação de um governo do Golfo de Guiné em um esforço crescente para parar a pesca ilegal na região através de patrulhas conjuntas.

Desde 2016, a Sea Shepherd também tem trabalhado em parceria com os governos de Gabon, Liberia, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Namíbia e Gâmbia para combater pesca ilegal, fornecendo embarcações de patrulha civis para a costa africana e ilhas, afim de que as autoridades possam aplicar regulações e leis de conservação em suas águas soberanas. Até agora, estas parcerias resultaram na apreensão de 62 embarcações por pesca ilegal e outros crimes ambientais.

Saiba mais sobre as campanhas da Sea Shepherd contra a pesca ilegal: http://bit.ly/StopIUUFishingCampaign

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Sea Shepherd retira 11 kg de lixo na Lagoa da Conceição em Florianópolis

Núcleo Florianópolis da Sea Shepherd Brasil, realiza ação no sábado, 5 de dezembro de 2020 para retirar resíduos na Lagoa da Conceição.

#OndasLimpas –

Mais de 11 kg de resíduos foram retirados da orla da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, em ação organizada pela ONG de conservação ambiental Sea Shepherd Brasil. A limpeza aconteceu durante o final de semana e durou uma manhã inteira. Em sua grande maioria, foram encontrados canudos, carteiras de cigarro, bitucas, copos plásticos, máscaras e diversos outros itens.

 

Para a presidente da Sea Shepherd Brasil, Carolina Castro, os resíduos encontrados provam que a educação ambiental da população é um quesito chave para a preservação dos ambientes costeiros. “É preciso conscientizar as pessoas de que qualquer lixo que jogamos no ambiente, por menor que seja, afeta completamente o ecossistema ao redor, incluindo os humanos. A Sea Shepherd Brasil deseja formar uma cultura de preservação ambiental nas áreas que atua, envolvendo a sociedade civil de forma positiva e efetiva para o bem estar comum”, completa.

 

Ondas Limpas

Mesmo em um ano desafiador de pandemia, em 2020 a Sea Shepherd Brasil conseguiu realizar mais de 20 mutirões de limpeza, que ajudaram na retirada de quase uma tonelada de resíduos do fundo de rios e mares em sete estados do país. Além disso, a ONG retornará suas operações normais da Campanha Ondas Limpas, de limpeza de praias, leitos de rio e fundo de mar, e contará com parceiros que atuam no processo de digitalização de logística reversa, que garante a rastreabilidade dos resíduos coletados, e seu retorno à cadeia de produção. Em 2021, a Sea Shepherd também tem a ambição de expandir a mais estados do país.

Junte-se ao movimento!
Campanha Ondas Limpas da Sea Shepherd Brasil para erradicar o Lixo Marinho e proteger, conservar nossos ambientes costeiros. Atuamos prevenindo e removendo plásticos que entram nos nossos oceanos e vias marinas. Acesse seashepherdbrasil.org.br e DOE.

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