Editorial

Operação Paciência Infinita: o importante trabalho dos Cove Guardians em Taiji

Por Guilherme Pirá – Guardião da Enseada (Cove Guardian) brasileiro. Participou das duas últimas temporadas da “Operação Paciência Infinita” em Taiji, no Japão

 

Qualquer pessoa pode ir ao Japão e defender os golfinhos, mas não é qualquer um que vai estar lá como um Cove Guardian da Sea Shepherd. Para desempenhar esse papel, o voluntário precisa respeitar as leis japonesas e entender as estratégias da operação.

Guilherme monitorando as atividades. Foto: Cove Guardians Sea Shepherd

Para que a matança acabe, precisamos divulgá-la, e colocar os holofotes internacionais mirados nessa pequena aldeia de pescadores que tenta esconder um grande segredo. Por isso, precisamos manter nossa forte presença em Taiji, monitorando e documentando a caça e o que acontece com os golfinhos em cativeiro. Esse trabalho só é possível porque os Cove Guardians têm o compromisso de permanecer dentro dos limites da lei, já que o que as autoridades japonesas mais querem é rotular nossa operação como ilegal para nos tirar permanentemente do país e impedir que o povo japonês e o resto do mundo saibam da barbárie que é a caça de golfinhos.

Presença forte em Taiji. Foto: Cove Guardians Sea Shepherd

Trazer os nossos navios para essas águas e impedir fisicamente a caça por direção seria entregar nossas grandes ferramentas para apreensão, pois tudo isso ocorre em território japonês. Cortar redes e soltar os golfinhos capturados não é tão fácil e nem efetivo, já que seríamos presos, e os animais facilmente recapturados pelos caçadores.

Então, o que um Cove Guardian faz?

Nós fazemos os caçadores sentirem vergonha e odiarem o que fazem, se escondendo atrás de lonas e outras barreiras. Antes de chegarmos aqui, eles não tinham muitos problemas. Nós fazemos o governo japonês gastar uma fortuna com a nossa presença e não gastamos nem um centavo em Taiji. Nós enfrentamos fatores naturais, leis exclusivas e pessoas violentas, munidos com a mais poderosa arma da atualidade: câmeras.

Lonas para esconder a matança. Foto: Cove Guardians Sea Shepherd

Ação direta não se trata apenas de usar navios para obstruir outras embarcações ou libertar animais capturados. Ação direta também significa reduzir o número de golfinhos mortos através da conscientização, e aumentar os gastos dos responsáveis por isso, sem quebrar nenhuma lei.

Lonas e força policial para afastar ativistas. Foto: Cove Guardians Sea Shepherd

Desde a primeira temporada da Operação Paciência Infinita em Taiji, o número de pessoas que consomem a carne de golfinho reduziu, assim como o número de apoiadores da indústria do entretenimento que usa esses animais, e os gastos com a manutenção da caça e a tentativa de esconder como ela é cruel com os golfinhos e com quem consome sua carne aumentou. Isso mostra resultado, e é isso que a Sea Shepherd busca, sem se importar com o que os outros acham de nós, pois fazemos pelos golfinhos, baleias, tubarões, leões marinhos, focas, atuns e os outros animais que fazem parte do delicado equilíbrio nos oceanos, e que garantem a nossa sobrevivência.

Parte da grande força policial presente. Foto: Cove Guardians Sea Shepherd

Atuamos em territórios hostis e lutamos contra inimigos poderosos, mas nós não vamos parar até que a matança acabe.

Entrevista para divulgação na TV Japonesa. Foto: Cove Guardians Sea Shepherd

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