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Guardiões da Represa relatam a morte do leão-marinho Brian

Sea Shepherd pede liberação dos resultados da necropsia

Um leão-marinho da Califórnia, muito parecido com Brian, que pode ser perseguido por comer peixe. Foto: Aaron Salão / Sea Shepherd

A primeira morte de um leão-marinho desde que a Sea Shepherd Conservation Society passou a observar os mamíferos marinhos ameaçados nesta temporada ao longo do rio Columbia aconteceu nesta manhã, relata o grupo de Guardiões da Represa em Astoria, Oregon, e na Barragem de Bonneville.

O animal que foi morto era o leão-marinho C022, chamado “Brian” pelo líder da campanha em defesa dos leões-marinhos, Steve Jack, da Escócia, Reino Unido, que carinhosamente o chamava de “Brian, o leão” (Brian, the lion, em inglês). “Brian” foi marcado com o número C022 em 24 de abril de 2012.

Os Guardiões da Represa não presenciaram o assassinato. Chegaram ao lado Washington da barragem aproximadamente às 6h15, e ao lado Oregon cerca de 7h30. Não havia nenhuma evidência de leões-marinhos nas armadilhas naquele momento.

O Guardião da Represa Jeff Matthews, de North Vancouver, British Columbia, observou e fotografou um barco nas proximidades das armadilhas cerca de 07h50, e um segundo barco chegou ao local cerca de 8h00, no lado Oregon. Os barcos pertenciam à Comissão Estadual de Pesca Marinha do Pacífico. Trabalhadores dos barcos pareciam verificar os portões nas armadilhas. Havia cinco leões-marinhos na água no momento e nenhum deles foi visto nas armadilhas. Neste momento, não se sabe em qual armadilha Brian foi capturado.

A declaração do site do Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Oregon diz: “Um leão-marinho da Califórnia foi preso e sacrificado em Bonneville hoje. Um exame físico pelos veterinários do Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Oregon mostrou a presença de lesões pré-cancerosas que impedem que o animal seja transferido para um jardim zoológico. O Jardim Zoológico de Queens, em Nova York ofereceu-se para levar até dois leões-marinhos da Califórnia qualificados”. Os veterinários afirmam que leões-marinhos da Califórnia com lesões pré-cancerosas têm um período de vida muito curto, cerca de 1 ano e meio. A Sea Shepherd gostaria de saber como isso justifica matar o animal neste momento?

Os Guardiões da Represa estão buscando mais informações. “Estamos pedindo a liberação dos resultados da autópsia de Brian”, disse Ashley Lenton, no líder local da campanha Guardiões da Represa. “Estamos interessados ​​em saber onde foram encontradas as lesões, e nós gostaríamos de ver fotografias. Com a tortura constante do Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Oregon a esses animais ameaçados, pensamos que as lesões pré-cancerosas podem ser muito semelhantes às lesões causadas por tiros de bala de borracha, e nós gostaríamos de ver o que um especialista tem a dizer sobre o assunto”, disse ela. “É duvidoso que os veterinários do Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Oregon sejam especialistas em balística”.

Lenton acrescentou: “Dado o inexplicável ‘evento incomum de mortalidade’ que atualmente assola os leões-marinhos da Califórnia, achamos irônico que as autoridades da vida selvagem do Sul estejam lutando para salvar centenas destes animais, enquanto funcionários aqui em Oregon estão fazendo tudo que podem para denegrir e tornar estes inocentes animais bode expiatório em um esforço para apaziguar os pescadores. Como uma ex-reabilitadora da vida selvagem, é inconcebível para mim que estes animais possam ser reabilitados e liberados na Califórnia e fazerem uma longa caminhada até Oregon apenas para serem mortos”.

Com o começo do período do salmão na região, os leões-marinhos no rio Columbia estão sendo submetidos a torturas constantes, o que inclui serem empurrados para fora das docas enquanto eles tentam descansar, sendo atingidos por balas de borracha e bombardeados com explosivos, sendo marcados com ferros em brasa ardente até, por vezes, pegarem fogo e sangrarem sem o benefício de assistência médica e, finalmente, serem mortos por injeção letal ou tiro, se eles forem vistos na represa de Bonneville por um total de cinco dias (consecutivos ou ao longo de vários anos), depois de não responderem às torturas ou serem vistos comendo apenas um peixe. O Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Oregon também começou a torturar biguás, águias-pescadoras e outras aves nativas que podem ser vistas comendo salmão. Onde isso vai parar?

“Os funcionários de Oregon precisam parar de evitar as verdadeiras razões pela redução do salmão no Rio Columbia, incluindo a hidrelétrica, a poluição, a sobrepesca, e os peixes não-nativos introduzidos em favor da pesca esportiva”, disse Lenton. “Até que isso aconteça, se os leões-marinhos comerem, eles correm o risco de serem mortos, e se eles não comerem, eles vão morrer de fome. Neste cenário, eles estão condenados de qualquer jeito”.

Notas:

O Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Oregon está encarregado de matar leões-marinhos no rio Columbia. Um comunicado divulgado em seu site sobre o assassinato do C022 pode ser encontrado aqui: http://www.dfw.state.or.us/fish/SeaLion/index.asp (em inglês)

Os Guardiões da Represa nomearam os leões-marinhos em respeito à personalidade de cada animal, e para deixar os funcionários saberem que a matança dessas criaturas é realmente pessoal e interessa ao mundo.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

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