Expedição Boto da Amazônia

Sea Shepherd inicia seus esforços de longo prazo para a conservação dos botos da Amazônia

Sea Shepherd expande seus esforços de conservação para a Amazônia em parceria com os
principais cientistas locais para a conservação dos icônicos golfinhos do rio Amazonas.

A Sea Shepherd Brasil lança a sua campanha em conjunto com a Sea Shepherd Global, a EXPEDIÇÃO BOTO DA AMAZÔNIA, a primeira campanha da Sea Shepherd Global no Brasil. O anúncio foi feito em um evento virtual da Sea Shepherd no Brasil no dia 5 de junho pelo próprio Capitão Paul Watson, fundador da organização internacional de conservação marinha, após uma conversa inspiradora com a líder indígena Juma Xipaia.

A Sea Shepherd chega na Amazônia no segundo semestre deste ano, e seus cientistas se unirão à cientistas renomados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que lideram a pesquisa científica mundial sobre o boto rosa, como é popularmente conhecido, ou boto amazônico (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis), porém necessitam aprofundar suas pesquisas, que já indicam que essas espécies necessitam constar na lista de risco crítico de extinção pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) para receberem a proteção ambiental que necessitam na região.

Estudos já demonstram que os botos da Amazônia tendem a diminuir sua população pela metade a cada 10 anos. Há várias ameaças a estes cetáceos, como a pesca acessória em redes, caça intencional de pescadores para diminuir a competição por peixes, a construção de represas que isolam as espécies, e cada vez mais, botos são assassinados com a intenção de servir de isca para a pesca ilegal de uma espécie de bagre necrófago local, a piracatinga.

Este é o primeiro estudo de longo prazo que será realizado em múltiplos pontos do rio, tornando possível uma avaliação do verdadeiro estado de conservação dessas espécies. Será um estudo populacional de três anos abrangendo duas expedições por ano cobrindo quatro pontos do rio Amazonas, resultando em um total de seis expedições, 3.000 km percorridos e 100 dias de observação.

O Rio Amazonas é a principal artéria para o oceano, representando 20% da descarga fluvial global. No passado, esses golfinhos eram protegidos por mitos e lendas que eram transmitidos por gerações desde as tradições de grupos indígenas locais. Hoje em dia, infelizmente com a perda da força das culturas ancestrais isso se perdeu. Esses golfinhos são vistos como uma praga ou um incômodo para os pescadores. Ou pior, como ferramentas para pesca.

Para o fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson, os botos precisam de atenção imediata: "Estou muito animado que a Sea Shepherd Brasil vai fazer uma expedição no rio Amazonas e creio ser muito importante não só para o Brasil, mas em uma escala global, proteger os botos da Amazônia." Precisamos com urgência obter dados mais aprofundados sobre o declínio populacional desses animais para garantir que regras como a moratória da pesca da piracatinga, que está prevista para terminar em julho deste ano, continuem a proteger essas espécies.

A sua contribuição é urgente e necessária para que esta expedição seja uma de várias.

Fotos: Cristian Dimitrius, Gleeson Paulino, INPA

Sea Eagle

O Sea Eagle é o mais novo navio da frota de conservação marinha da Sea Shepherd

Graças à parceria com Allianz, a Marinha de Netuno ganha mais uma adição à sua frota de navios que atuam em ação direta na conservação dos ecossistemas marinhos e animais aquáticos.

Nos últimos seis meses, a Sea Shepherd estava trabalhando atrás das cortinas para adquirir, registrar e equipar a nova adição para nossa frota de embarcações de conservação marinha: O Sea Eagle, ou Águia do Mar.

O novo navio foi comprado a partir de fundos da Allianz SE, Allianz Tecnologia, e Allianz Itália, como parte da recente parceria de dois anos da Sea Shepherd com a Allianz para endereçar o problema do lixo marinho em poluição no oceano.

Tripulação em frente ao navio Sea Eagle
Sea Eagle

“Sea Shepherd está muito empolgada com esta nova parceria, que nos ajuda a ampliar a mensagem que redes de pesca é uma das causas principais da poluição do oceano,” fala o CEO Global da Sea Shepherd Capitão Alex Cornelissen. “Esta nova frota será dedicada quase que exclusivamente para trabalhar no mar Mediterrâneo., tanto para aperfeiçoar nossas campanhas existentes, como a Operação Siso, assim como uma embarcação perfeita para começar importantes novas campanhas.”

O Sea Eagle é um navio piloto Francês de 40 metros equipado para acomodar 19 tripulantes e carregar 2 barcos de apoio. Construído para o Oceano Atlântico, o navio é capaz de navegar os mares mais revoltos. Mesmo com as dificuldades causadas pela pandemia global, a tripulação da Sea Shepherd trabalhou incansavelmente para garantir um trânsito tranquilo da Sea Eagle de Thyborøn, na Dinamarca para Siracusa, na Italy, onde agora está sendo preparada para as próximas campanhas no Mar Mediterrâneo.

Bote de apoio do Sea Eagle
Interior do Sea Eagle

“A Sea Shepherd está muito grata pela ajuda da Allianz,” diz o Capitão Cornelissen. “Juntos iremos responder ao problema de redes de pesca abandonadas, vendo maneiras de converter plástico do oceano em materiais que podemos reutilizar ou vender para angariar fundos para nosso trabalho e criar mais conscientização sobre este problema.”

A Sea Shepherd hoje possui 11 navios em sua frota global, conhecida como a “Marinha de Netuno”, usadas nas campanhas de ação direta para defender, conservar e proteger a vida marinha e os habitats do oceano no mundo todo.

Conheça o novo Sea Eagle

Fotos: Sea Shepherd

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Marinha de Serra Leoa apreende traineiras dentro de área protegida. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd

Cinco navios apreendidos marcam o início da nova parceria com Serra Leoa

Em menos de dois dias, soldados armados da Marinha de Serra Leoa a bordo do Bob Barker, navio da Sea Shepherd, realizaram uma série de ataques surpresa a navios pesqueiros nas águas de Serra Leoa, país da África Ocidental, prendendo cinco traineiras, ou navios de arrasto, por pesca ilegal.

Na madrugada do dia 14 de março, duas traineiras que pernoitaram ancoradas fora de uma Zona de Exclusão Costeira (IEZ) reservada a pescadores artesanais, foram detectadas por radar entrando na área protegida com suas redes na água. Dois botes infláveis ​​de casco rígido do Bob Barker transportaram um esquadrão da força policial da Marinha de Serra Leoa que surpreendeu, abordou e prendeu os navios pesqueiros Friendship 806 e Friendship 888 em águas cheias de canoas de pesca de pequena escala, aproximadamente uma milha náutica dentro da Zona Costeira de Exclusão. Ambas traineiras pescavam sem licença e transmitiam informações falsas de identificação eletrônica, sendo que uma delas estava apropriando-se da identidade de outro navio que pescava a mais de 7.000 milhas náuticas de distância no Oceano Pacífico.

Em Serra Leoa, mais de 200.000 pessoas trabalham com a pesca em pequena escala. Para salvaguardar o meio ambiente e proteger os meios de subsistência dos pescadores locais, o governo de Serra Leoa instituiu uma Zona de Exclusão Costeira onde a pesca industrial e semi-industrial é estritamente proibida. No entanto, devido aos desafios de monitoramento, controle e vigilância, os pescadores locais relatam que frequentemente as traineiras atropelam suas canoas e redes e que as populações de peixes também estão diminuindo.

Capitão Peter Hammarstedt e Marinha de Serra Leoa a bordo de traineira apreendida. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd
Marinha de Serra Leoa a bordo de pequeno barco da Sea Shepherd. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd

Na manhã do dia 15 de março, Jianmei 3 foi apreendido, ancorado no porto de Kent, na Península de Freetown. Nas noites anteriores, a traineira havia sido registrada pescando cerca de seis milhas náuticas dentro da Zona Costeira de Exclusão, muito próximo de uma área de proteção ambiental marinha designada para conservar desovas de peixes. Quando abordada, a tripulação estava ocupada desmanchando equipamentos de pesca, desmontando guinchos e equipamentos de arrasto para dar aos inspetores a impressão de que o navio não pescava há algum tempo. Um diário de bordo de pesca confiscado pela equipe da Marinha de Serra Leoa, mostrava Jianmei 3 pescando sistematicamente dentro da Zona Costeira de Exclusão em 44 ocasiões documentadas. Jianmei 3 foi preso, colocado sob guarda armada e levado de volta para Freetown. No ano passado, seus dois navios irmãos – Jianmei 1 e Jianmei 4 – foram detidos por pesca ilegal mas estão foragidos. Ambos os navios ainda são procurados pelas autoridades em Serra Leoa.

Horas depois da apreensão de Jianmei 3, duas traineiras de bandeira chinesa – Liao Dan Yu 6616 e Liao Dan Yu 6618 – foram presas por pescar sem licença. Liao Dan Yu 6618 carregava dois conjuntos separados de documentos de registro e o capitão estava tentando destruir evidências quando a Marinha de Serra Leoa invadiu a casa do leme. O capitão tentava rasgar a prova de que sua licença de pesca estava vencida há um mês.

“Após a prisão de Liao Dan Yu 6616 e Liao Dan Yu 6618, os onze navios restantes pertencentes à mesma frota seguiram para Freetown para evitar inspeções. Os navios de outras frotas também recuaram para um porto seguro quando receberam a notícia de que uma patrulha estava em andamento. A opinião da Sea Shepherd e da Marinha de Serra Leoa é que nenhum deles tinha licenças de pesca válidas ”, disse o Capitão Peter Hammarstedt, Diretor de Campanhas da Sea Shepherd.

Lian Dan Yu 618 apreendido por pescar sem licença. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd
Pesca ilegal a bordo de traineira apreendida. Foto por Alice Gregoire / Sea Shepherd

A prisão de cinco traineiras nas águas de Serra Leoa marca o início da Operação Serra Leoa Defesa Costeira, oitava parceria governamental da Sea Shepherd no continente africano.

Sob a liderança do Ministro da Defesa e Segurança Nacional de Serra Leoa, o Honorável Brigadeiro General (Rtd) Kellie Conteh, a Sea Shepherd está apoiando a Marinha de Serra Leoa a conduzir patrulhas no mar para combater a pesca ilegal com a ajuda de um dos seus barcos, o Bob Barker, e sua tripulação.

“O Ministério da Defesa e Segurança Nacional agirá de forma decisiva contra quaisquer violadores das leis soberanas de Serra Leoa. Essas embarcações de pesca estão saqueando nossas águas, roubando dos pescadores locais e da nossa população. Estas cinco detenções enviam uma forte mensagem de que quem for pego pescando sem licença será detido pela Marinha da Serra Leoa e será processado dentro dos limites da lei”, disse o Exmo. Brigadeiro-general (Rtd) Kellie Conteh.

Desde 2016, a Sea Shepherd também tem trabalhado em parceria com os governos do Gabão, Libéria, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Namíbia, Gâmbia e Benin para combater crimes na pesca, fornecendo o uso de navios civis de patrulha para a costa da África e estados insulares para que as autoridades possam fazer cumprir os regulamentos de pesca e as leis de conservação em suas águas. Até o momento, as parcerias exclusivas resultaram na prisão de 67 embarcações por pesca ilegal e outros crimes de pesca.

 

Fotos: Alice Gregoire / Sea Shepherd

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Barco de pesca

Assisti ao Seaspiracy, mas o que o Brasil tem a ver com isso?

O documentário Seaspiracy, na Netflix desde março deste ano, foi uma comoção para uma parcela da população, que finalmente abre os olhos em relação à situação dos mares no mundo.

Para alguns, estas informações talvez tenham vindo com um susto, mas para a Sea Shepherd, trabalhando na linha de frente da proteção à vida marinha, estes fatos infelizmente fazem parte do nosso cotidiano há décadas; somos testemunhas da guerra que nós como humanidade estamos tramando com o oceano.

Escravidão em alto mar, destruição de leitos com redes de arrasto, pesca predatória e morte de 40% dos animais marinhos retirados do mar pela pesca acessória (mais conhecida como pesca “acidental”), o mercado de animais em cativeiro e a aquicultura como uma falsa solução sustentável para o oceano. Certamente, Seaspiracy veio para compilar, em um formato bem compacto e impactante, algumas das principais mazelas e impactos negativos que a raça humana vem depositando nos mares e que a Sea Shepherd vem testemunhando em mais de quatro décadas de atuação.

Em alguns pontos, o documentário traz dados que possuem divergências com outros estudos (mas que não negam suas conclusões em essência) e, em outros, pode ter sido severo para com algumas ONGs, como exemplo, a Oceana, que realiza estudos de referência sobre pesca acessória, luta pela abolição de grandes subsídios à indústria pesqueira, portanto inegavelmente sendo uma das organizações na linha de frente destes problemas ambientais.

Barco pesqueiro

Mas certamente ele vence ao expor, com exemplos claros, e narrativa sucinta ao lidar com tantos pontos, a grande devastação que a nossa espécie realiza por todo o oceano. Sem que a grande maioria da população saiba, estamos matando o oceano que é fundamental para a nossa sobrevivência.

O brasileiro que assiste a este documentário deve pensar: mas e eu com isso? Estes problemas certamente são destinados a países como China, Taiwan e Espanha, que são os gigantes da pesca industrial no mundo? Talvez algumas pessoas devam pensar que o Brasil ainda é restrito neste aspecto.

Isto não poderia estar mais longe da verdade.

Já há mais de 20 anos atuando no Brasil, a Sea Shepherd vem testemunhando exemplos e mais exemplos de práticas insustentáveis de pesca, e também de manejo da imensa área costeira brasileira.

Testemunhamos a matança de golfinhos do Norte do país para o uso de sua carne na pesca de tubarões para o mercado de barbatanas da Ásia. Identificamos relatos de botos cor-de-rosa e tucuxis para isca do peixe piracatinga, que mesmo com sua pesca suspensa por mais de 6 anos, segue sendo pescado ilegalmente e destinado a mercados como o da Colômbia.

É constante o recebimento de denúncias e imagens de redes de pesca fantasma pela costa brasileira, que seguirão matando animais marinhos enquanto estiverem no fundo do mar. Sempre que possível, atuamos em retirá-las por meio de nossa campanha Ondas Limpas, que realiza limpezas submarinas e nas praias com voluntários por todo o litoral brasileiro.

Aprendemos sobre o efeito das redes de pesca fantasma em nosso litoral. É estimado pela World Animal Protection que este fenômeno é encontrado em 70% da costa brasileira, inclusive áreas protegidas, e que cerca de 580 quilos de redes são despejados por dia em nossa costa, podendo impactar quase 70 mil animais marinhos por dia.

As  toninhas, o mamífero marinho brasileiro com mais risco de extinção, tem a pesca acessória em redes como sua maior rival: elas não enxergam a rede e morre asfixiada nas redes de pesca (em sua grande parte artesanal).

Nossa pesca artesanal, representativa de 94% dos pescadores, possui uma extensa área ‘cinza’ que comumente a torna difícil distinguir da industrial. Sabemos de pescadores artesanais que utilizam de tecnologias que desregulam o habitat quando usado por toda uma comunidade, como pesca com covas, com bombas, pesca comercial submarina, a prática de pesca sem manejo e ordenamento é infelizmente comum, e técnicas com uso de redes cada vez maiores e mais eficazes, e ‘frotas’ nada artesanais se torna a solução em uma costa com cada vez menos peixes.

Ouvimos relatos de pescadores por toda a nossa costa sobre uma diminuição em rápida velocidade na variedade, quantidade e tamanho de peixes sendo pescados. Vemos pescadores artesanais desistindo de seus trabalhos para fazer parte de navios maiores, pois a competição entre eles e a pesca industrial está cada vez mais injusta.

Temos uma pescaria industrial formada de maneira nada ordenada, e hoje é comum relatos de pescadores industriais que não cumprem com as leis de pesca; uso de barcos de arrasto motorizados que desrespeitam as leis de distanciamento à costa, pesca de animais em fase de defeso, uso de técnicas e redes e pesca sem seguir as exigências solicitadas.

Temos conhecimento sobre autorizações para a pesca de atum e peixe espadarte por dezenas de navios internacionais, de frotas internacionais ou arrendados, verdadeiras fábricas de morte, vindos de Taiwan, Japão, Espanha em nossas águas, estes subsidiados pelo governo.

Vemos frotas de pesca oceânica competindo com estes navios por toda a costa. Ao adotar essa prática, vimos o aumento da pesca de atum no RS, SC, CE e RN a velocidades estrondosas. Mesmo com o número de peixes diminuindo, as técnicas estão cada vez mais eficazes e dizimam a população destas espécies a um ritmo assustador.

Caranguejo preso em rede de pesca

Testemunhamos barcos de rede de arrasto de camarão destruindo o leito do mar próximo ao litoral, relutantes em usar em suas redes os dispositivos de escape de tartarugas e outras espécies (mesmo que isso seja solicitado por lei para barcos maiores de 11m), ocasionando a maior proporção de morte de espécies pela pesca acessória de todos os tipos de animais marinhos: em média, para a pesca de 1kg de camarão, são mortos em média 10kg de outras espécies.

Vemos por toda a parte movimentos sistêmicos de destruição de ambientes costeiros, como os manguezais, que são o verdadeiro berçário marinho e fundamental para o equilíbrio do oceano e, que de maneira acelerada, são destinados para a prática insustentável de carcinicultura. As restingas, também importantes pois evitam a erosão da costa e proteção da vida marinha, têm sido rapidamente destinadas a especuladores imobiliários por todo o nosso litoral.

Denunciamos práticas de turismo de observação de baleias diversas vezes utilizando barcos sem o devido controle, com motor ligado bem próximos às baleias, as encurralando, assustando e, porventura, até as atropelando com seus motores.

Observamos e estudamos a rápida velocidade do branqueamento dos corais do Nordeste do país, vemos a diminuição da biodiversidade dos corais por toda a costa, o crescimento da presença de espécies invasivas como o coral-sol por toda a costa, chegando até em áreas mais isoladas e protegidas, como o arquipélago de Alcatrazes, a 35 km da costa no litoral de SP.

Testemunhamos convites de leilão para a exploração de minério e petróleo nas raríssimas áreas que realmente são protegidas do Brasil, como: Abrolhos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha.

Nos chocamos que mesmo no rio nossos peixes são contaminados; que 98% dos peixes da Amazônia estão com plástico em seu organismo, peixes que consumimos com alta concentração de metais pesados, como mercúrio e chumbo, além de dioxinas advindos de nossas atividades poluentes de mineração e agricultura, tanto nos rios quanto nos mares. O consumo destes peixes, e da água em si, nos causa problemas de saúde severos afetando a saúde das comunidades tradicionais, e a de toda uma região.

Peixe morto em petróleo
Peixes em rede pesqueira

Vemos o brasileiro aumentar de maneira rápida seu consumo per capita de peixes: um crescimento de 6 kg para 10 kg de peixes por ano em apenas 10 anos (2009 x 1999 segundo o IBGE), e crescendo, criando relativamente novos e nada ‘tradicionais’ hábitos de consumo de peixes, como o atum e o salmão nas grandes cidades brasileiras.

Testemunhamos o crescimento do consumo de peixes de fora: 60% do peixe que consumimos vêm do exterior. O salmão no Brasil, por exemplo, lidera: um peixe que representa por volta de 30% das importações para o país, em grande parte vinda da aquicultura do Chile. Esta é uma prática totalmente insustentável, que cria peixes carregados de antibióticos, que ficam em tanques superpopulosos, comumente morrem asfixiados, que consomem de 3 a 9 vezes ou mais o seu peso de peixes selvagens em sua alimentação contaminam todo o ecossistema marinho onde as fazendas de criação se localizam, disseminando doenças, toxinas e espalhando este animal não-endêmico na região para afetar o equilíbrio do local.

Sabemos que pessoas comprando peixe na feira, no supermercado, restaurante e peixaria o fazem sem saber sua procedência. Há muito pouca ou quase nenhuma informação de local de origem e modo de pesca. Muitos até são enganados pela venda de peixes com nomes errados. Em estudo realizado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), há estados que vendem até 40% dos peixes com nome errado para seus compradores. Além disso, tubarões em risco de extinção e peixes ilegais como a piracatinga sendo vendidos com nomes ‘eufemizados’ para o consumidor final, como cação e douradinha, respectivamente.

Seguindo um estudo realizado pela UFPR em Curitiba, 70% das pessoas comem cação sem saber que é tubarão. Os elasmobrânquios (tubarões e raias) representam 40% da pesca acessória na prática de pesca de atum em redes de espinhel. Também somos os maiores importadores de tubarão do mundo, com o cação sendo um dos peixes mais consumidos do Brasil por conta de seu valor baixo, o que nada mais é que uma maneira de os grandes navios de pesca de barbatana de tubarão continuarem com seus atos criminosos: eles seguem a regra de “total aproveitamento do animal”, assim continuando a enviar a barbatana do tubarão para lugares como Hong Kong, o maior importador de barbatanas do mundo, enquanto vendem a carne a preços baixos para o Brasil.

Estamos diante de um contexto onde as autoridades não priorizam o tema. Temos um conjunto de leis de proteção ao mar que são complexas, não integradas e desconhecidas pelo cidadão comum. Temos um vão de 10 anos em dados e conhecimento sobre a pesca em nossa costa, o status pesqueiro de 96% das espécies brasileiras está desconhecido. Dentre eles, mais da metade (57%) apresenta biomassa abaixo de níveis biologicamente seguros. E  43% sofrem com a sobrepesca, ou seja, estão sujeitos a níveis de mortalidade por pesca acima da capacidade de reposição dos estoques. Possuímos uma lei que pode ajudar na integração das iniciativas de monitoramento e proteção de nossa “Amazônia Azul”, a lei 6969/13 (Lei do Mar), que segue em processo de discussão desde 2013 e ainda sem perspectivas de aprovação. E bem recentemente assistimos à a CPI do maior desastre ecológico de nossa costa marinha ser engavetada sem nenhum tipo de resolução.

Todos estes exemplos são rodeados por um mesmo princípio: a visão antropocêntrica que temos sobre o oceano, e o planeta. A visão que o oceano está aí para nos servir. O tratamento do oceano e a vida marinha como fonte infinita de recursos. A percepção que os animais marinhos são feitos para ser nossa fonte de alimento.

A Sea Shepherd acredita que, com a situação do oceano hoje, não existe pesca sustentável. O oceano é um só e as práticas insustentáveis que acontecem no mundo inteiro afetam o equilíbrio como um todo, e também afetam o nosso bem-estar e o nosso futuro. Acompanhamos a diminuição dos fitoplânctons no oceano, grandes produtores do nosso oxigênio, que já diminuíram em 40%. Vemos o poder do oceano de sequestrar carbono em xeque com a alta velocidade em que surgem as zonas mortas. 

Para muitos, o oceano poderia estar “escuro” até terem assistido a este documentário. Mas para nós da Sea Shepherd, que estamos presentes em todos os mares deste único oceano, por anos assistimos desesperadamente as consequências da visão antropocêntrica que temos do mundo, já é de longa data que sabemos: estamos em guerra com o mar.

 

O oceano simplesmente não foi feito para alimentar 10 bilhões de pessoas e muito menos para alimentar os 60 bilhões de animais para abate e animais domésticos e os trilhões de peixes da aquicultura mundial.

Assim como nossa capacidade de destruição é imensa, também pode ser nossa capacidade de regeneração. Temos que decidir agora se nossas escolhas, sejam elas individuais ou como humanidade, alimentarão este caminho sem volta ou se terão como foco a restauração desta que é uma de nossas maiores esperanças para a sobrevivência humana na Terra.

Para um oceano saudável, a solução que vemos é deixar o oceano em paz.

Na Sea Shepherd, trabalhamos incessantemente em projetos de pesquisa para entendimento do impacto humano nos rios e mares, projetos de ação direta para a mitigação do efeito humano no oceano e projetos de conscientização para a educar a população sobre a importância do ecossistema aquático, nossa interdependência com este gigante e o impacto negativo que causamos nestes biomas até os dias de hoje.

No Brasil e no mundo, até vermos um oceano recuperado, em equilíbrio, protegido, respeitado e venerado pela humanidade, não iremos desistir. Nossa batalha é por toda a biodiversidade marinha, que chamamos de nossos clientes, mas também o que nos motiva diariamente é a sobrevivência do ser humano como espécie neste planeta.

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Saiba mais sobre a Sea Shepherd Brasil. Para voluntariar-se à Sea Shepherd e ajudar em nossas atividades em terra e mar, acesse aqui.

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Uma Grande Vitória Para as Baleias

O Japão perdeu a moratória fica de pé.

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Apesar de subornar nações com táticas insidiosas, a proposta do Japão para derrubar a moratória de 31 anos sobre caça comercial falhou por 41 votos contra 27 com 2 abstenções.

A proposta com o título enganoso: The Way Forward foi na verdade uma tentativa de retroceder para antes de 1987, quando o abate comercial de baleias era legal

Após a mais que bem vinda, Declaração de Florianópolis, de ontem, esta derrota a proposta japonesa fez da 67ª reunião da Comissão Internacional da Baleia um evento histórico impressionante para as baleias do mundo.

A Declaração de Florianópolis afirma que o propósito da CBI é a conservação das baleias e que a morte comercial de baleias não deve mais ser discutida.

O Japão agora está ameaçando deixar a IWC, mas eles estão ameaçando deixar quase todo ano que não conseguem o que querem.

Aqui está a repartição dos votos:

Primeiro os bandidos votando na proposta japonesa.

Nações baleeiras
Japão
Noruega
Islândia

Nações não baleeiras sem nenhum interesse na caça à baleia, mas em dívida com o Japão.

Antígua
Benin
Camboja
Costa do Marfim
Granada
Guiné-Bissau
Quênia
Kiribati
Laos
Libéria
Ilhas Marshall
Mauritânia
Mongólia
Marrocos
Nauru
Nicarágua
São Cristóvão e Névis
Santa Lúcia
São Vicente
São tomé
Ilhas Salomão
Suriname
Tanzânia
Tuvalu

Contra a proposta

Nações baleeiras
Dinamarca
Estados Unidos

Nações não baleeiras
Argentina
Austrália
Áustria
Bélgica
Brasil
Bulgária
Chile
Colômbia
Costa Rica
Croácia
Chipre
República Checa
República Dominicana
Equador
Finlândia
França
Gabão
Alemanha
Índia
Irlanda
Israel
Itália
Lituânia
Luxemburgo
México
Países Baixos
Nova Zelândia
Panamá
Peru
Polônia
Portugal
Eslováquia
Eslovênia
África do Sul
Espanha
Suécia
Suíça
Reino Unido
Uruguai

Abstenções
Coréia
Rússia

A IWC se reúne novamente em 2020. Joji Morashita não é mais o presidente da IWC.

Atualização da Comissão Internacional da Baleia (IWC): O retorno do Japão à proposta da Whaling Comercial “The Way Forward” acabou de ser votado e negado pela comissão.

Outra vitória para as baleias, especialmente considerando que ontem a “Declaração de Florianópolis” foi aprovada e consiste em mudar o propósito da IWC para a conservação das baleias e não para fins de gerenciamento de estoque por mais tempo. Vendo que a caça às baleias não pertence ao século XXI.

Anteriormente, o Japão, a Noruega, a Islândia e as Ilhas Faroé (Dinamarca) não mostraram qualquer respeito por quaisquer regras ou regulamentos deste ou de qualquer outro organismo regulador.

Durante o discurso do Japão após a derrota de sua proposta ameaçou deixar o IWC.

De fato, uma vitória para ver as resoluções indo em frente, mas a questão permanece, será respeitada por essas nações baleeiras?

Apesar da decisão de Florianópolis e apesar da derrota da proposta japonesa, o Japão continua a matar baleias no Oceano Antártico e Pacífico Norte. E a Islândia, Noruega e Dinamarca continuam a matar baleias e, no caso da Islândia, ameaçadas de extinção e baleias azuis. o Atlântico Norte.

No geral, a 67ª Reunião da Comissão Baleeira Internacional foi um sucesso para as baleias.

Obrigado a todas as nações que apoiaram as baleias e um muito especial agradecimento ao Brasil pela Declaração de Florianópolis. Obrigado aos nossos parceiros anti-caça furtiva, Costa Rica e Equador, e especialmente ao Gabão, por sua forte defesa das baleias neste encontro histórico.

Sea Shepherd Conservation Society

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

FLORIANÓPOLIS, SC, 10.09.2018 – IWC-SC – protesto durante de ongs ambientais 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANOPOLIS, SC, 10.09.2018 – EVENTO – Vice-Minister for Foreign Affairs Mitsunari OKAMOTO and taniai masaaki membro do parlamento japones falao na 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em florianopolis brasil na tarde desta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANOPOLIS, SC, 10.09.2018 – EVENTO – plenaria de abertura da 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em florianopolis brasil na tarde desta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANOPOLIS, SC, 10.09.2018 – EVENTO – joji morishita fala na 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em florianopolis brasil na tarde desta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

FLORIANÓPOLIS, SC, 13.09.2018 – IWC-SC – embaixador da Representação Permanente do Brasil junto a Organismos Internacionais (Rebraslon) em Londres, Hermano Telles Ribeiro e comissario do brasil na cib 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em Florianópolis nesta Quinta-feira 13. . (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANÓPOLIS, SC, 10.09.2018 – IWC-SC – protesto durante de ongs ambientais 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

 

Fonte: https://seashepherd.org/2018/09/14/a-win-for-the-whales/