Atualização sobre a prisão do Guardião da Enseada Erwin Vermeulen

news_120208_1_1_AnnaWlochSeaShepherd_ErwinO líder da Campanha Guardiões da Enseada, Scott West, e mais dois voluntários, puderam visitar Erwin na segunda-feira, 6 de fevereiro. Eles tiveram permissão para uma visita de 15 minutos – através do vidro –, com um vigia japonês fazendo anotações detalhadas. O vigia sentou-se à esquerda de Erwin, usando uma máscara branca sobre o rosto. Apesar da aparência esquelética, Erwin parecia estar de bom humor. Os visitantes puderam entregar mensagens curtas da família e de pessoas queridas, assim como do astro de filmes holandês Rutger Hauer. Eles contaram para Erwin sobre as vigílias internacionais à luz de velas feitas em sua homenagem. Ele ficou muito surpreso e agradecido pelo apoio e pela atenção que sua detenção estava trazendo para a horrorosa carnificina de golfinhos em Taiji. Erwin vinha mantendo um diário sobre seus pensamentos e experiências enquanto detido, mas essas anotações foram confiscadas. Ele disse que escreveria mais se achasse que essas anotações não fossem ser tiradas dele. Erwin novamente pediu notícias das atuais campanhas da Sea Shepherd e perguntou se estaria autorizado a retornar a Taiji.

Ele fica em uma solitária e recebe água quente para jogar sobre o corpo duas vezes por semana – esses são seus únicos banhos. A comida em Wakayama é só um pouco melhor que em Shingu. Para o vigia da prisão parecia ser muito importante que se soubesse que eles estavam abrindo uma exceção para providenciar refeições veganas para Erwin. Tudo indica que agora eles estão preocupados sobre como isso está afetando sua imagem. Erwin tem permissão para deixar sua cela uma vez por dia por 30 minutos para ir até a área externa. Ele tem esperança de que sua detenção sirva de motivação para outras pessoas se envolverem para colocar um fim à carnificina de golfinhos em Taiji.

No mesmo dia, na Holanda, a família de Erwin, juntamente com os representantes da Sea Shepherd holandesa, Laurens de Groot e Geert Vons, se encontraram com o diretor de Assuntos Exteriores. O grupo transmitiu seu desapontamento com a inabilidade do governo holandês em ajudar. A família externou sua frustração em não poder falar com Erwin por telefone, e deixou claro que espera que o governo holandês mostre mais compaixão e ação em relação a esse caso.

Na mesma noite, o grupo compareceu a uma reunião do Parlamento Holandês, na qual o Sr. Vermeulen, pai de Erwin, fez uma apresentação. Ele atualizou o parlamento sobre a situação de Erwin e o diretor da Sea Shepherd holandesa, Geert Vons – o qual compareceu às duas primeiras sessões do julgamento de Erwin – relatou os acontecimentos desse mesmo julgamento. Depois, foi passado o documentário vencedor do Oscar The Cove, que mostrou ao mundo os horrores da matança de golfinhos em Taiji.

O Sr. Vermeulen contou ao parlamento como Erwin se prontificou a ser voluntário da Sea Shepherd Conservation Society após assistir ao documentário. Ele disse que Erwin é engenheiro de profissão e empregado de uma empresa holandesa de cruzeiros que organiza viagens ecoturísticas nos pólos Norte e Sul. Erwin estava usando suas férias para participar da campanha Guardião da Enseada e também se voluntariou como engenheiro-chefe durante uma campanha anterior contra a caça às baleias na Antártica. O pai de Erwin também contou sobre a paixão do filho em ajudar cães vítimas de brigas ilegais a serem socializados e adotados por famílias amorosas.

No fechamento, o Sr. Vermeulen instou o parlamento a mobilizar outros países para tomarem medidas contra as atrocidades cometidas em Taiji. Ele afirmou que é responsabilidade da comunidade global pressionar o Japão para que pare com esse massacre.

Nesses 55 dias em que Erwin esteve preso, aproximadamente 340 golfinhos foram brutalmente assassinados na Enseada e outros 28 foram capturados para uma vida de confinamento em parques temáticos. É preciso notar que esse período inclui 13 dias, nos quais os assassinos de golfinhos estão fora para as festas de fim de ano. Os argumentos finais para o julgamento de Erwin estão agendados para o dia 16 de fevereiro.

Traduzido por Maiza Garcia, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Rádios dos Guardiões da Enseada são proibidos pela polícia de Taiji

A polícia de Taiji, no Japão, continua mudando as regras no seu esforço contínuo para proteger a matança de golfinhos na abominável enseada assassina japonesa.

Com Erwin na prisão, há três meses aguardando um veredicto sobre a acusação de ter, alegadamente, “empurrado” um assassino de golfinhos, a polícia decidiu deter vários outros Guardiões hoje, e eles foram informados que é ilegal o uso de seus rádios bidirecionais no Japão.

Estes são os mesmos rádios que os Guardiões têm usado, diariamente, ao longo de dois anos, e o mesmo modelo que Erwin Vermeulen usou em sua defesa, alegando que ele estava em contato com outro Guardião através do rádio, quando o suposto empurrão aconteceu.

A polícia da prefeitura de Wakayama informou ao diretor dos Guardiões da Enseada, Scott West, que o uso dos rádios poderia resultar em penalidades de até um ano de prisão.

Quatro Guardiões tiveram que assinar declarações admitindo o uso dos rádios e, em seguida, foram informados que seriam presos, caso fossem pegos usando os rádios novamente.

Os Guardiões da Enseada ainda poderão ter autorização para utilizar rádios, mas eles terão que adquirir rádios de fabricação japonesa, compatíveis, ou seja, a polícia poderá interceptar todas as transmissões.

A Operação Paciência Infinita continua, apesar de mais um obstáculo colocado pela polícia, que atua mais como uma unidade de escolta pessoal para os pescadores do que como policiais imparciais.

Traduzido por Danielle Vasques, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Atualização sobre o julgamento do Guardião da Enseada Erwin Vermeulen

O dia da defesa no Tribunal

Erwin Vermeulen com sua cadela resgatada, Missy

Erwin Vermeulen com sua cadela resgatada, Missy

O julgamento de Erwin Vermeulen continuou no dia 1º de fevereiro de 2012, em Wakayama (Japão), perfazendo seu 48º dia de prisão. A defesa apresentou seu caso ao juiz e Erwin foi levado à sala do tribunal com uma corda amarrada ao redor de sua cintura e presa a uma guia. “Ao tratá-lo dessa maneira,  fazem parecer que ele foi acusado de assassinato”, disse o Capitão Paul Watson.

A defesa teve permissão para trazer uma testemunha, que estava em contato direto por rádio com Erwin durante o incidente alegado. O depoimento dessa testemunha será, sem dúvida, parte integrante do caso da defesa, já que a testemunha teria conhecimento de qualquer incidente envolvendo Erwin enquanto estivessem em contato radiofônico. O autor da ação acusa Erwin de tê-lo empurrado com uma mão livre e afirmou que apenas uma de suas mãos estava carregando a câmera e o tripé. Isso prova que ambas as mãos estavam ocupadas, já que uma carregava o equipamento da câmera e a outra carregava o rádio.

Erwin disse que o querelante estava ocupado, mandando uma mensagem de texto a uma certa distância, de onde se supõe que o incidente ocorreu, e não estava nem mesmo prestando atenção à presença de Erwin. A defesa solicitou os registros do telefone celular do empregado do hotel Dolphin Resort para provar que esse é, de fato, o caso.

Após a audiência, o líder da campanha Guardiões da Enseada, Scott West, teve permissão para conversar rapidamente com Erwin. Essa foi a primeira vez que alguém, além dos advogados, teve a possibilidade de contatar Erwin desde a sua prisão. Um tradutor esteve presente durante a conversa para que os vigias da prisão pudessem saber cada palavra falada pelos dois.

As duas primeiras perguntas de Erwin foram sobre a situação da campanha Guardiões da Enseada e a Operação Vento Divino – campanha da Sea Shepherd no Santuário de Baleias do Oceano Antártico. Ele também ficou humildemente surpreso ao saber dos esmagadores apoio e atenção internacionais em relação à sua prisão.

Parece que sua dieta melhorou um pouco desde sua transferência da prisão de Shingu. Ele pesava cerca de 80 quilos no dia em que foi preso, e perdeu aproximadamente nove quilos desde então. Scott West pôde trazer um agasalho para Erwin após ele ter comentado no tribunal, na semana anterior, que estava muito frio em sua cela. Ele também vai dormir cedo, em uma tentativa de se manter quente. Após o breve encontro, Scott West comentou que Erwin parecia esquelético. “Esse julgamento é uma farsa em que a acusação não tem um caso”, disse West.

Mesmo com a falta de provas e o caso fraco da acusação, uma absolvição é improvável, já que prejudicaria a reputação do juiz perante a acusação e a polícia. Porém, uma absolvição seria um ato extremamente bravo por parte do juiz. O julgamento continua no dia 16 de fevereiro, com os argumentos finais, e o veredicto é esperado para o dia 22.

Traduzido por Maiza Garcia, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Instituto Sea Shepherd Brasil realiza ação de monitoramento em Tramandaí (RS)

Por Carla Larrea Machado, Coordenadora Interina do Núcleo Sea Shepherd Rio Grande do Sul

No dia 27, sexta-feira, em Tramandaí, voluntários do Núcleo Sea Shepherd RS realizaram ações de monitoramento da área atingida pelo vazamento de óleo no balneário gaúcho.

Grupo em reunião com o Comando da Polícia Ambiental. Foto: Núcleo Sea Shepherd RS

Grupo em reunião com o Comando da Polícia Ambiental. Foto: Núcleo Sea Shepherd RS

Durante o período, os voluntários monitoraram e registraram a coleta dos resíduos feita pelos funcionários da TRANSPETRO e da Prefeitura de Tramandaí. “Várias sacolas de areia contaminadas com óleo foram recolhidas com pás e escavadeiras e transportadas em um caminhão para a Barra de Imbé. Posteriormente serão levadas para Osório, em local não informado pela TRANSPETRO”, destaca Carla Larrea Machado, coordenadora interina do Núcleo Sea Shepherd RS.

Sacos coletados na praia pela equipe da TRANSPETRO. Foto: Núcleo Sea Shepherd RS

Sacos coletados na praia pela equipe da TRANSPETRO. Foto: Núcleo Sea Shepherd RS

No início da tarde os voluntários do ISSB se deslocaram para o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR), e se colocaram à disposição do Centro no intuito de auxiliar em um possível resgate de animais atingidos pelo óleo. Segundo informações obtidas, o CECLIMAR ainda não tinha sido acionado pelo CRAN, Centro de Reabilitação de Animais Marinhos.

Durante os 3 dias de monitoramento, em conjunto com o Diretor e voluntários de Santa Catarina, o ISSB ficou em constante contato com a  Brigada Ambiental de Tramandaí, sempre à disposição dos mesmos caso fosse necessário resgatar animais atingidos pelo óleo.

Registro de focos isolados de petróleo na areia da praia. Foto: Núcleo Sea Shepherd RS

Registro de focos isolados de petróleo na areia da praia. Foto: Núcleo Sea Shepherd RS

Os voluntários foram recebidos pelo Sargento Luis Fernando Quevedo, que informou que o responsável pelo vazamento havia sido enquadrado no Artigo 54 da Lei 9605/98, que dispõe sobre os crimes ambientais.

Além disso, o ISSB ficou em contato com o MPF, acompanhando e auxiliando na investigação e na apuração de possíveis danos em relação à fauna marinha.

ISSB auxilia MPF na investigação do desastre em Tramandaí (RS)

A Procuradoria da República no Rio Grande do Sul enviou nesta sexta-feira um perito biólogo, juntamente com o servidor que acompanha os processos do Litoral, para o local em que ocorreu o vazamento de petróleo na orla do balneário de Tramandaí. O Ministério Público Federal (MPF) está investigando o vazamento, através de procedimentos nas áreas cível e criminal, a fim de apurar a responsabilidade e a extensão dos danos causados à fauna marinha e costeira, à flora e ao ecossitema na APP, nas áreas afetadas do Litoral Norte do Estado.

Além disso, o MPF entrou em contato com a Organização Não-Governamental (ONG) Sea Shepherd, que mantém voluntários nas praias, a fim de que sejam apurados os possíveis danos em relação à fauna silvestre afetada pelo óleo.

MPF também investiga vazamento de óleo em Tramandaí. Foto: Pedro Revillion/Correio do Povo

MPF também investiga vazamento de óleo em Tramandaí. Foto: Pedro Revillion/Correio do Povo

O Ministério Público do Estado, através da Fiscalização Integrada e da Promotoria de Tramandaí, já havia anunciado que também investiga o vazamento. Segundo o órgão, além de identificar os danos ambientais, o objetivo também é buscar a condenação da empresa pelos danos morais causados aos veranistas pelo acidente.

A mancha de óleo chegou à beira da praia nessa quinta-feira, atingindo principalmente o município de Tramandaí, já se estende por uma faixa de cinco quilômetros. A Transpetro informou, através de nota emitida hoje, ter criado uma comissão interna para investigar as causas do acidente. O volume estimado pela empresa de óleo derramado é de 1,2 m³.

Exames da água

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) espera para este sábado o resultado dos exames laboratoriais feitos na água do mar de Tramandaí, no Litoral Norte, após o vazamento de óleo no oceano, ocorrido nessa quinta-feira. Por medida de segurança, a Fepam instalou placas nas areias de Tramandaí e Imbé alertando que as águas estão impróprias para o banho.

“Como o vazamento foi bastante significativo, não temos condições de afirmar que não tenha uma quantidade razoável de petróleo dissolvido na água. Como é uma substância altamente tóxica, mantemos a recomendação de evitar o banho de mar nos próximos dias”, indicou o presidente da fundação, Carlos Fernando Niedersberg. “Como sou químico e conheço o risco que o petróleo oferece, mesmo que os resultados indiquem uma tranqüilidade eu recomendaria que, por precaução, os veranistas evitem tomar banho ali”, alertou.

Multa por vazamento no litoral pode chegar a R$ 50 milhões

Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aguardam laudo para avaliar os danos causados pelo vazamento de óleo na área sul de Tramandaí, no Litoral Norte. Conforme o órgão, a multa para este tipo de crime ambiental pode variar entre R$ 500 e R$ 50 milhões. Na manhã desta sexta-feira, o Ibama sobrevoou a área de 3,5 quilômetros entre a plataforma de Tramandaí e a barra do Rio Tramandaí, em Imbé, a fim de monitorar a realização do plano de emergência.

Condições climáticas podem agravar desastre

A MetSul Meteorologia alerta que, nas próximas horas, a direção e a intensidade do vento, assim como as correntes marítimas, devem ampliar o impacto do vazamento de óleo. Segundo a empresa, as correntes do mar nesta sexta-feira são de Sudeste a Leste, o que leva o petróleo a balneários mais ao Norte de Tramandaí.

Fonte: Correio do Povo