Empresa indiciada a pagar multa de R$1 mi por arrancar a barbatana de 36 mil tubarões

Ação civil pública movida em maio de 2009 pelo Instituto Sea Shepherd Brasil, juntamente com mais duas organizações não governamentais, levou à inédita condenação de empresa pela prática cruel e predatória.

Em ação civil pública movida em maio de 2009 pelo Instituto Sea Shepherd Brasil, juntamente com mais duas organizações não governamentais, o Juízo da 1ª Vara Federal de Rio Grande/RS condenou de forma inédita a empresa pesqueira Dom Matos Comércio de Pescados e Resíduos Ltda, sediada em Rio Grande/RS, pela prática do finning.

Foto: Arquivo

O caso começou em 2008, quando o Batalhão de Polícia Ambiental da Brigada Militar e o IBAMA autuaram em flagrante a empresa pesqueira Dom Matos Comércio de Pescados e Resíduos Ltda, pelo processamento e comercialização de 3,3 toneladas de barbatanas de elasmobrânquios. As barbatanas pertenciam a espécies marinhas seriamente ameaçadas de extinção, sendo elas o cação-anjo, a cação-cola-fina e a raia-viola. Pela quantidade de barbatanas, estima-se que cerca de 36 mil exemplares foram abatidos. A empresa estava também com sua licença vencida.

O finning, como é conhecida a pesca de tubarões para a retirada das barbatanas, é responsável pela morte de mais de 100 milhões de tubarões por ano no mundo.

O valor da condenação supera R$ 1 milhão de reais em razão do grave dano ambiental causado, valor este que deverá ser corrigido desde 2008 – data do fato – em decorrência do armazenamento, beneficiamento e comercialização ilegal das barbatanas. A empresa pesqueira ainda pode recorrer da sentença mas a multa já foi aplicada. Vale dizer que esta é a primeira ação judicial movida no Brasil contra a prática do finning.

A notícia desta condenação inédita no Brasil demonstra que estamos no caminho certo e nossos esforços não são em vão. Porém há ainda muito a fazer para a proteção dos tubarões no Brasil e no mundo.

CAÇÃO É TUBARÃO

A Sea Shepherd tem lutado contra a dizimação das populações de tubarões e arraias em todo o mundo desde o início da organização.

Anualmente, mais de 100 milhões de tubarões são mortos, o que já dizimou 90% da população mundial desses peixes. No Brasil, cerca de 43% das espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção. No ritmo atual, muitas espécies estarão extintas em menos de dez anos.

O Brasil é o maior consumidor e importador de carne de tubarão do mundo. Apesar disso, poucos brasileiros sabem que estão contribuindo com esta matança, pois os consome sob o nome de ‘cação’. Indústrias de comércio de barbatana têm visto o país como uma ‘lavanderia’ para legalizar suas práticas insustentáveis. Para agravar a situação, não é exigida a rotulagem correta e as espécies são vendidas como ‘cação’, fazendo com que espécies criticamente ameaçadas – como os tubarões-martelo e raias-viola – sejam livremente comercializadas.

 

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Logotipo da campanha Cação é Tubarão

A campanha Cação é Tubarão, lançada em julho de 2021, busca entender como e onde os tubarões e raias estão sendo comercializados no Brasil, quais espécies e de onde elas estão vindo, alertar a sociedade acerca desta prática e cobrar que medidas governamentais imediatas sejam tomadas.

Viu ‘carne de cação’ à venda no mercado, feira, peixaria ou aplicativo de entrega de comida? Faça uma foto e nos envie o registro por meio deste formulário.

Saiba mais na página da campanha: https://seashepherd.org.br/cacao-e-tubarao/

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Plácido Salles andando em praia com horizonte ao fundo

The Beach Walker Project recolhe quase meia tonelada de lixo

Iniciativa da marca Johnnie Walker - com proposta de chamar a atenção das pessoas para a importância de se cuidar do planeta - contou com parceria da Sea Shepherd e um andarilho percorrendo e coletando lixo marinho praias do Uruguai ao Rio de Janeiro.

Johnnie Walker, marca de whisky da Diageo – líder mundial na produção de bebidas alcoólicas premium, convidou a Sea Shepherd Brasil a acompanhar o andarilho Plácido Salles na caminhada de 2.030 quilômetros entre o Uruguai e o Rio de Janeiro, com dez ações de limpezas de praias por onde o andarilho passou.

Plácido Salles recolhendo lixo

Os 2030 quilômetros reforçam os compromissos ambientais da Johnnie Walker que até 2030 garantirão: 100% da produção do uísque de carbono líquido zero; 100% das destilarias com energia renovável e todas as embalagens recicláveis, reutilizáveis ou compostáveis. 

Como homenagem a esta jornada até 2030, o projeto Beach Walker teve início no dia 15 de junho de 2021, na Playa do Carrasco, no Uruguai, terminando dois meses depois na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, Brasil.

Plácido Salles, empreendedor e criador do canal Livre Partida, caminhou diariamente uma média de 30 km pelo litoral entre estes dois pontos, recolhendo o lixo encontrado pelo caminho e destinando para a reciclagem adequada. “Todos os dias encontrei muitos resíduos no caminho, o que foi até assustador no começo, constatar que em todas as praias tem bastante lixo” comentou Plácido. 

Em parceria com a marca Johnnie Walker a Sea Shepherd organizou dez limpezas em pontos estratégicos: Carrasco, Cassino, Passo de Torres, Barra Velha, Navegantes, Coqueiros, Itapoá, Santos, Ilhabela e Botafogo. As limpezas, coordenadas pela campanha nacional de limpeza de praias da Sea Shepherd, chamada Ondas Limpas, reuniram esforços de cerca de 50 voluntários que, junto com Plácido, coletaram quase meia tonelada de lixo, totalizando 10.521 itens.

“Ficamos muito contentes com o convite de Johnnie Walker para apoiar nesta importante caminhada sustentável. É muito gratificante ver uma marca deste tamanho se propondo a rever seus processos e chamando atenção para a urgência do problema do lixo, fazendo com que a mensagem chegue cada vez a mais pessoas. Este é o futuro. As empresas que quiserem se manter no mercado devem responder aos desafios mais urgentes da sociedade, do planeta e das pessoas, que estão cada vez mais exigentes e atentas a essas questões”, declarou Nathalie Gil, Diretora de Desenvolvimento da Sea Shepherd Brasil.

“As ações de limpeza com a Sea Shepherd foram muito impactantes. Ver a comoção das pessoas que estão ali de livre e espontânea vontade tentando mudar a realidade da poluição nas praias e oceanos me moveu bastante. Aprendi muita coisa sobre coleta e resíduos em geral”, ressaltou Plácido. “O trabalho em grupo vira uma força tarefa, ganha poder e se torna muito mais impactante”, adicionou.

Leitura de impacto

Para dar a destinação correta aos resíduos coletados, foram mapeadas cooperativas por diversos trechos da caminhada – até nos mais longínquos. Todos os resíduos seguiram um processo de logística reversa, sendo destinados à cooperativas.

A ação em números, segundo Relatório de Impacto feito pela empresa de logística reversa Residuall:

  • Mais de 40 horas de limpeza
  • Quase 50 voluntários
  • 451 kg de resíduo
  • 10.521 itens coletados
  • 7.942 itens de plástico
  • 79 itens de metal
  • 166 itens de vidro
  • 192 itens de papel
  • 815 bitucas de cigarro
  • 69 itens de borracha
  • 93 petrechos de pesca
  • 1.172 outros itens

Impacto estimado com a reciclagem dos itens coletados:

  • Emissão de CO2 evitada: 110 kg 
  • Consumo de água evitado: 1200 litros
  • Consumo de energia elétrica reduzido: 116 kWh
Lixo em separação

A caminhada foi documentada em vídeo pela produtora Bando e vai virar uma minissérie documental que mostra, além das curiosidades e desafios do percurso, personagens que trabalham fazendo a diferença em relação ao cuidado com as praias e gestão de resíduos no Brasil.

Confira o 1º episódio no canal Johnnie Walker Brasil no YouTube:

Para que a campanha Ondas Limpas continue a existir trabalhando para erradicar o lixo marinho e salvar milhares de vidas marinhas, precisamos da sua doação. Filie-se e ajude a manter esta e outras campanhas ativas.

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Porto de Paranaguá

Derrocagem no Paranaguá ameaça o ecossistema marinho local

Um projeto governamental de derrocagem está em andamento em Paranaguá e está despertando preocupação no meio científico e na comunidade local.

Paraná – A obra em questão acontecerá no Palanganas, um maciço rochoso no canal de navegação que dá acesso ao Porto de Paranaguá, no Canal da Galheta, um pouco à frente do Terminal de Contêineres do Porto de Paranaguá.

Foto: Pedro Eprobio

A derrocagem consiste em um processo de retirada ou destruição de pedras ou rochas submersas, que supostamente “impedem a plena navegação”. Com o passar das décadas, os navios foram ficando cada vez maiores, exigindo uma profundidade de navegação maior. O projeto da empresa pública Portos do Paraná prevê a retirada de parte dessas rochas Palanganas para aumentar a profundidade atual, inferior a 12 metros, para 14,6 metros. O objetivo alegado é reduzir o risco de encalhe e acidentes ambientais envolvendo navios, porém nos últimos anos o porto já recebeu com sucesso navios de mais de 330 metros e 11.000 TEUS. 

Na última sexta-feira (13.08) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região deferiu o pedido liminar da Diretoria Jurídica da Portos do Paraná e suspendeu a decisão liminar do juiz substituto Flávio Antônio da Cruz, da 11ª Vara Federal, deferida em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, que suspendia a Licença Ambiental e obra de dragagem por derrocamento no Porto de Paranaguá. 

Embora a empresa pública que administra a área afirme que o trabalho seja realizado seguindo as recomendações dos órgãos ambientais, o projeto apresenta problemas ambientais importantes para as espécies marinhas do litoral.

Os autores da ação que havia suspendido a licença da obra defendiam que “para qualquer empreendimento de derrocagem sejam exigidos, no mínimo, Estudo e Relatório de Impacto Ambiental, com respectivas consultas e audiências públicas; Estabelecimento de Área  Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta (AID) e Área de Influência Indireta (AII), com base nos modelos de propagação sonora e de ondas, bem como a intensidade e a frequência sonora, estabelecidos para região; Estudo de Impacto Ambiental, Antropológico e Geológico, das ilhas afetadas; Anuência das Instituições Intervenientes (Funai, IAT, ICMBio, Incra, Iphan, Marinha, Município de Paranaguá, MS/Sesai e SPU) e Oitiva das Comunidades Tradicionais e Indígenas”.

O objetivo da obra é evidentemente econômico e os ativistas entenderam isso. De fato, mais de 44% de todos os empregos da região estão ligados aos portos.

 

Por que essa prática é uma ameaça aos ecossistemas marinhos?

A região dos entornos do Porto de Paranaguá é berçário para várias espécies apresenta uma biodiversidade única, com espécies endêmicas e ameaçadas Potenciais impactos associados à detonação são, por exemplo, alteração de habitat (fauna e flora) com o aumento da turbidez da água, efeitos provenientes da liberação de energia térmica e propagação de ondas de choque e bolhas, compõe parte das preocupações atreladas à detonação subaquática.

Mesmo que os animais sejam mantidos afastados durante estas operações, a mudança em seu ambiente, o risco a longo prazo de erosão e outros danos naturais permanecem significativos. De fato, estas operações realizadas no mundo inteiro requerem cortinas de bolhas e emissão de vibrações sonoras subaquáticas para reduzir o impacto da explosão e impedir uma reaproximação dos animais, mas não conseguem evitá-los completamente.

As detonações e explosões ainda serão sentidas pelas espécies marinhas e mudarão seu habitat para sempre. Os ecossistemas dos portos e espécies endêmicas estão ameaçadas.

 

Ave em Paranaguá
Foto: Pedro Eprobio

Operation Reef Defence

Assim como este caso no Brasil, na Austrália a intervenção humana ameaça a sobrevivência de áreas marinhas naturais, em especial a Grande Barreira de Corais – área onde a Sea Shepherd atuou diretamente em sua preservação.

A Grande Barreira de Corais é o maior sistema de recifes de coral do mundo composto por mais de 2.900 recifes individuais e 900 ilhas que se estendem por mais de 2.300 km em uma área de aproximadamente 344.400 km quadrados. O recife está localizado no Mar de Coral, ao largo da costa de Queensland, Austrália. A Grande Barreira de Corais pode ser vista do espaço e é a maior estrutura única do mundo feita por organismos vivos.

As águas turquesa da Grande Barreira de Corais são o lar de um dos ecossistemas marinhos mais importantes e biodiversificados do país e potencialmente, seu mais novo depósito de carvão. Mesmo que uma grande parte do recife esteja protegida pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que está ajudando a limitar o impacto antrópico – como a pesca e o turismo – sua sobrevivência está ameaçada por causa do carvão.

De acordo com um estudo da Academia Nacional de Ciências de 2012, desde 1985 a Grande Barreira de Corais perdeu mais da metade de seus corais, com dois terços desta perda ocorrendo a partir de 1998.

 

Logo - Operation Reef Defence
Great Barrier Reef corals
Foto: Danielle Ryan/James Sherwood, Bluebottle Films

As águas turquesa da Grande Barreira de Corais são o lar de um dos ecossistemas marinhos mais importantes e biodiversificados do país e potencialmente, seu mais novo depósito de carvão. Mesmo que uma grande parte do recife esteja protegida pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que está ajudando a limitar o impacto antrópico – como a pesca e o turismo – sua sobrevivência está ameaçada por causa do carvão.

De acordo com um estudo da Academia Nacional de Ciências de 2012, desde 1985 a Grande Barreira de Corais perdeu mais da metade de seus corais, com dois terços desta perda ocorrendo a partir de 1998.

O controverso projeto de mina de carvão gigante do conglomerado indiano Adani, localizado perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, tem sido fortemente denunciado desde seu início pelo ativismo de organizações como a Sea Shepherd que monitoram incessantemente seu impacto ambiental. 

 

A Grande Barreira de Corais está doente e por causa disso, em julho de 2018, criamos a Operation Reef Defence para agir e proteger a 8ª maravilha natural do mundo do Projeto Adani. 

Nosso navio-estandarte, o M/Y Steve Irwin, navegou pela costa leste da Austrália até Abbot Point para se opor à mina de carvão, à ligação ferroviária e ao porto de Carmichael.

Nossa posição é clara: não trocaremos os ricos ecossistemas marinhos por obras destrutivas que visam objetivos puramente comerciais.

Campanha Borrifos realiza ações de conscientização durante a temporada das baleias no Brasil

Todos os anos, durante o nosso inverno, recebemos ilustres visitantes em nossa costa: as baleias. Elas saem de regiões polares, como a Antártica, em busca de águas mais calmas e quentes dos trópicos para a reprodução e nascimento de suas crias, que ainda não tem uma camada de gordura bem desenvolvida para suportar as águas frias de suas regiões de origem.

São aproximadamente 4000 quilômetros em uma longa jornada de migração. Dentre as espécies que nos visitam, podemos destacar a baleia franca, que tem sua maior concentração no litoral de Santa Catarina e a jubarte, que faz do Arquipélago de Abrolhos seu maior berçário, mas que também se entende até Natal, no Rio Grande do Norte.

Jubarte mamãe e bebê

Segundo censos realizados pelo Projeto Baleia Jubarte, a população de jubartes do Atlântico Sul conta com mais de 25.000 baleias e esse número vem crescendo a cada ano, desde que a caça comercial às baleias foi proibida mundialmente em 1986. Se por um lado, esse aumento nos traz uma grande alegria, por outro nos preocupa pois aumenta também o número de interações antrópicas.

Infelizmente, são comuns interações inadequadas com barcos de diferentes tamanhos, de recreação, turismo ou comerciais, que por desconhecimento das regras, acabam se aproximando além do permitido, colocando em risco o bem estar do animal e, certamente, das pessoas, visto que uma baleia jubarte pode chegar a pesar 40 toneladas (as francas chegam a até 60 toneladas) e causar danos às embarcações e ferimentos. Todas as espécies de cetáceos, que inclui baleias e golfinhos, são protegidos por lei, de acordo com a portaria n. 117, de 26 de dezembro de 1999 do IBAMA, que regulamenta a aproximação humana, a fim de evitar o molestamento aos animais e garantir a segurança das pessoas.

#EuSeiVerBaleias

Diante da necessidade de disseminar essas informações, a Campanha Borrifos da Sea Shepherd Brasil, que também se dedica ao estudo científico de intervenções antrópicas no comportamento das baleias, vem trabalhando em uma série de ações educativas, que inclui palestras e distribuição de cartazes informativos em lugares de alto fluxo de embarcações, com o intuito de sensibilizar a população a respeito da importância das regras de avistamento seguro.

Até o momento já foram realizadas cinco palestras educativas direcionadas para o público náutico, como guias e condutores de turismo, mergulhadores, capitães e marinheiros, além de nossos voluntários e coordenadores por todo o Brasil. Banners com as principais regras de avistagem da legislação, alertas e um guia de reconhecimento das jubartes estão sendo distribuídos e colados em pontos estratégicos de passagem de pessoas que fazem viagens marítimas, com a ajuda essencial de voluntários capacitados para abordar o tema. Ao todo, serão espalhados 400 cartazes em Ilhabela, São Sebastião, Santos, Praia Grande, São Vicente, Guarujá e Bertioga e ainda mais de 250 cartazes em Arraial do Cabo, Florianópolis e litoral do Paraná.

Ciência cidadã

A ciência cidadã tem se tornado cada vez mais comum e tem se mostrado bastante útil em pesquisas científicas, utilizando fotos, vídeos e até mesmo relatos de pessoas para ampliar bancos de dados, ajudando pesquisadores a entender a distribuição dos animais e até mesmo a buscar socorro para aqueles que são encontrados em situação de perigo. Nossos cidadãos cientistas podem contribuir de três formas com a campanha: enviando fotos ID, relatando casos de baleias em perigo (ameaçadas ou enredadas) e ainda informando sobre baleias encontradas mortas.

 

Para foto ID é necessário tirar uma foto da parte ventral – ou seja, a parte de baixo, da cauda das jubartes. Cada cauda apresenta marcas, formas e coloração únicas, o que permite a identificação de cada indivíduo. Essas fotos vão para o catálogo de um banco de dados internacional de acesso aberto ao público, que contribui no estudo comportamental, de rotas de migração e estado populacional. A foto da nadadeira dorsal da jubarte também pode funcionar para realizar a identificação, ainda que não seja tão precisa uma vez que as marcas nas dorsais podem mudar a cada temporada. 

Ângulos corretos para fotografia de jubartes

Enredamentos

A Sea Shepherd Brasil monitora também o aumento de baleias emalhadas em redes de pesca e também mortas. Os números são preocupantes, em especial na região sul do país. Com o objetivo de acionar órgãos de resgate com maior agilidade criamos uma rede de contatos de emergência de toda a costa brasileira. 

Ao encontrar um animal ferido ou morto, entre em contato via e-mail ou pelo formulário da campanha. Para mais informações, visite a página da campanha Borrifos.

Baleia enredada

Instituto Sea Shepherd Brasil participa de mais um evento da REAMAR

Por Luiz André Albuquerque, Diretor Regional Voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil, Núcleo Rio de Janeiro

No dia 08 de dezembro de 2012, o Núcleo Rio de Janeiro do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) participou de mais um evento da REAMAR – Rede de Educação Ambiental Marinha, iniciativa coletiva na busca por uma mudança de comportamento através de ações de conscientização.

Retornando com o evento à Praia Vermelha, no bairro da Urca, as instituições integrantes da rede, além da conscientização ambiental em relação aos resíduos sólidos abandonados na praia pelos banhistas, e que acabam no mar, também realizaram diversas atividades, como oficinas de reutilização de material reciclável (INEA), oficina de nós náuticos (Projeto Grael), oficina de sustentabilidade (Instituto Moleque Mateiro), etc.

Foto: ISSB

Na tenda do Instituto Sea Shepherd Brasil foram expostas fotos do impacto do lixo na fauna marinha, que chamaram a atenção dos banhistas, e divulgada a campanha em defesa dos tubarões, alertando a necessidade de preservação destes animais para o equilíbrio dos oceanos.

Foto: ISSB

Os voluntários realizaram atividades de desenho e pintura, com as crianças presentes, que aprenderam de forma lúdica os efeitos do lixo na praia, suas consequências para os animais marinhos e a necessidade de protegê-los, despertando a consciência ambiental.

Foto: ISSB

O grupo “Chegando de surpresa”, da Companhia de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), animou o evento com um samba-enredo abordando o tema proposto pela REAMAR.

Foto: ISSB

Infelizmente, em meio ao evento festivo, uma tartaruga marinha foi encontrada morta, presa em uma rede de espera, utilizada comumente na localidade por pescadores, o que causou comoção em alguns banhistas e tristeza nas crianças.

Foto: ISSB

 

Foto: ISSB

A REAMAR teve uma grande e positiva receptividade dos banhistas e dos moradores do bairro e continuará com sua proposta de trabalho em 2013.

Foto: ISSB

Campanha em Defesa das Baleias na Antártica: 2011-2012

Operação Vento Divino

news_110630_1_1_Operation_Divine_Wind_081228O primeiro indício de que a frota baleeira japonesa deve retornar ao Oceano do Sul em dezembro deste ano veio com o recente anúncio de que o ministro japonês de pesca requisitou, da guarda costeira do Japão, o envio de um barco de patrulha para escoltar a frota baleeira japonesa na volta ao Santuário de Baleias do Oceano do Sul.

Embora não faça sentido, nem de maneira prática, nem economicamente, para a frota japonesa retornar às águas da Antártida, o fator nacionalista parece ser a motivação primária para a teimosia persistente dos baleeiros japoneses em insistir com suas atividades irresponsáveis e ilegais no Oceano do Sul. Mas teimosia precisa ser encarada com teimosia e a determinação dos baleeiros japoneses em massacrar as baleias precisa ser encarada com uma determinação ainda maior da parte da Sea Shepherd Conservation Society de proteger as baleias obstruindo e acabando com as atividades ilegais deles. 

De acordo com o Japan Times, “A frota baleeira suspendeu suas operações no Oceano Antártico na última temporada devido às ações da Sea Shepherd Conservation Society, o que forçou as quatro embarcações a voltarem para casa em fevereiro, após terem pego muito menos baleias do que haviam planejado”.

O Japão buscará fazer com que as atividades da Sea Shepherd sejam finalizadas pelos Países Baixos, os Estados Unidos, a Nova Zelândia e a Austrália na reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB) da próxima semana, que ocorrerá nas Ilhas Channel britânicas. O navio Brigitte Bardot, da Sea Shepherd, estará ancorado na ilha de Jersey, nas Ilhas Channel, onde a reunião da CIB acontecerá.

“Estamos despreocupados com as ameaças do Japão”, disse o capitão Paul Watson. “O Japão não tem base legal para nos fechar e a guarda costeira japonesa não tem base legal para enviar uma embarcação de patrulha para o Oceano do Sul em dezembro. O Ministro da Pesca  japonês é todo blefe, com suas tentativas contínuas de justificar suas atividades ilegais no Oceano do Sul. Com ou sem navio de patrulha japonês, se os baleeiros retornarem ao Oceano do Sul, os navios da Sea Shepherd voltarão para se contrapor a eles”.

A Sea Shepherd está procurando uma quarta embarcação para juntar à sua força expedicionária para a Operação Vento Divino. “Precisamos de uma embarcação grande para cada um dos arpoadores. A tática japonesa de seguir nossos dois navios grandes e passar nossa posição para o navio-fábrica funciona, mas ao custo de sacrificar suas atividades de matança de baleias de cada barco arpoador”, disse o capitão Locky MacLean. “Este ano, seu navio arpoador extra conseguiu matar baleias enquanto os outros dois seguiam o Steve Irwin e o Bob Barker. Precisamos nos contrapor a esse terceiro arpoador e, para isso, precisamos de um novo barco”.

Além de violar a lei de conservação internacional no que diz respeito à caça de baleias, o Japão estará violando a Organização Marítima Internacional se voltar ao paralelo 60 com o navio-fábrica Nisshin Maru. Em agosto de 2011, todos os navios que operam com combustível pesado serão banidos de entrar na Zona do Tratado da Antártida. Além disso, é ilegal que embarcações militares operem em águas da Zona do Tratado da Antártica. Se a guarda costeira japonesa escoltar a frota baleeira, eles estarão fazendo isso ilegalmente.

“Decidi nomear a próxima campanha Operação Vento Divino”, disse o capitão Watson. “O público japonês está bem consciente do significado de kamikaze: kami, o ‘vento’ e kaze, traduzido como ‘divino’ ou o ‘vento dos Deuses’. Isso significa que chamamos pelo ‘vento divino’ para proteger as baleias da crueldade e da criminalidade das atividades letais dos baleeiros japoneses”.

A Sea Shepherd nunca recuará, nem se renderá diante das ameaças e oposições que os baleeiros ou o governo japonês exerçam. A sociedade de conservação está comprometida com acabar com as atividades baleeiras ilegais no Santuário de Baleias do Oceano do Sul, e irá utilizar toda e qualquer estratégia e tática agressiva não-violenta para alcançar esse objetivo.

“Vamos acabar com a caça a baleias no Oceano do Sul”, disse o capitão Watson, “não importa o quanto se prolongue o esforço, o quanto sejam perigosos os riscos, ou os sacrifícios que tenhamos que fazer. Nós comprometemos nossas vidas e nossa liberdade para o fim dessa matança, e nós alcançaremos esse objetivo nobre, ou morreremos tentando”.

O navio bandeira da Sea Shepherd, Steve Irwin, e o Brigitte Bardot estarão defendendo as baleias-piloto no protetorado dinamarquês das Ilhas Faroe, na Dinamarca, neste verão, antes de retornarem ao hemisfério sul para se juntar ao Bob Barker e, uma vez mais, intervir contra as atividades ilegais da frota baleeira japonesa.

Traduzido por Carlinhos Puig, voluntário do ISSB.