ISSB flagra pesca ilegal no extremo sul do RS

Por Wendell Estol, Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd Brasil.

No dia 16 de janeiro entre as 08:00hs e 10:17hs, no Município de Santa Vitória do Palmar, o Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) flagrou e registrou 6 (seis) embarcações pesqueiras do tipo traineira praticando a pesca de emalhe, proibida conforme INSTRUÇÃO NORMATIVA INTERMINISTERIAL MPA/MMA N° 12, DE 22 DE AGOSTO DE 2012: Artigo 6º. Proibir a pesca de emalhe por embarcações motorizadas até a distância de 1 (uma) milha náutica a partir da linha de costa; Artigo Art. 7º Proibir a pesca de emalhe por embarcações motorizadas até a distância de 5 (cinco) milhas náuticas, a partir da linha de costa, do farol do Albardão/RS até o limite sul do Estado do Rio Grande do Sul, sendo as coordenadas definidas em Datum WGS 1984, -33,202460 S -52,706037 W, a partir da data de publicação desta Instrução Normativa Interministerial, exceto para a pesca com redes de lance de praia, para a qual a entrada em vigor obedecerá ao disposto nos §§ 2º e 3º do artigo 6º. Uma das embarcações foi identificada nos registros fotográficos como LAIZ da colônia de pescadores Z3, Rio Grande, sob número de registro 4630034056. Além da pesca de emalhe, os infratores praticavam a pesca de Cerco, estando fora da regulamentação estabelecida na INSTRUÇÃO NORMATIVA INTERMINISTERIAL MPA/MMA N° 10, DE 10 DE JUNHO DE 2011, Anexo IV, tendo em vista que as espécies alvo de captura não apresentam ocorrência próxima à costa e não ocorrerem sazonalmente no período de verão, Cabendo ressaltar ainda a aplicação da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.

Embarcações em manobra de afastamento para abertura da rede de cerco. Foto: Wendell Estol

Embarcações em manobra de aproximação para recolhimento da rede de cerco. Foto: Wendell Estol

Embarcações finalizando manobra de aproximação. Foto: Wendell Estol

Final da manobra de cerco. Foto: Wendell Estol

Embarcação LAIZ fazendo a soltura da rede de espera paralela a costa e dentro da área proibida pelo Decreto Interministerial MPA/MMA N° 12, DE 22 DE AGOSTO DE 2012. Foto: Wendell Estol

Embarcação LAIZ fazendo a soltura da rede de espera paralela a costa e dentro da área proibida pelo Decreto Interministerial MPA/MMA N° 12, DE 22 DE AGOSTO DE 2012. Foto: Wendell Estol

Fotografia que permitiu a identificação da embarcação Laiz ampliada para visualização do nome e registro. Foto: Wendell Estol

Assim que lançou a sua Campanha Mar de Sangue, o ISSB vem trazendo à tona todos esses crimes ambientais, na tentativa de auxiliar os órgãos responsáveis pela fiscalização de nossa costa. Estamos fazendo a nossa parte como cidadãos conscientes e preocupados com o futuro dos oceanos, mas infelizmente nossa denúncia não gerou nenhum tipo de movimentação por parte dos responsáveis pela fiscalização local. A denúncia foi encaminhada ao IBAMA – Escritório Regional de Rio Grande/RS e mesmo depois de uma semana do fato ocorrido ainda não recebemos nenhuma resposta, mostrando o descaso com o nosso mar e a falta de responsabilidade com a fauna marinha.

A Sea Shepherd continuará fazendo seu trabalho em toda a costa brasileira, pois o compromisso assumido por nós jamais será deixado de lado. Esperamos que o órgão fiscalizador citado acima tome providências e punam os infratores. Como dissemos, nossa parte foi feita entregue aos responsáveis e agora cabe a eles efetuarem o trabalho ao qual são pagos para realizar.

Sea Shepherd Brasil recolhe redes de pesca ilegais na Paraíba

Voluntários do Instituto Sea Shepherd Brasil recolheram neste último domingo, dia 18 de Janeiro, cerca de 40 kg de redes de espera “fantasma” na divisa entre as praias do Bessa e Intermares na grande João Pessoa. Esse tipo de material, além de ser considerado petrecho de pesca não permitido pela legislação, não tem função alguma a não ser causar danos à vida marinha. É que as chamadas redes fantasmas continuam a capturar as mais variadas espécies marinhas mesmo quando não fixas, levadas pelas correntezas destroem a fauna e também a flora marinha por onde passam. Aprisionam indistintamente vários animais como tartarugas, golfinhos e tubarões.

Foto: Igor Trigueiro

Foto: Igor Trigueiro

Redes de espera e demais petrechos utilizados na pesca ilegal estão entre as maiores causas de mortandade de tartarugas marinhas. Só no ano de 2014, foram registradas mais de 120 ocorrências de tartarugas marinhas mortas no litoral da Paraíba, conforme dados da ong Guajiru.

Em 2009, segundo reportagem da BBC, um relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirmou que os equipamentos de pesca abandonados ou perdidos constituem cerca de 10% (640 mil toneladas) dos resíduos marinhos.

Foto: Kleber Filho

O transporte comercial marítimo é o principal responsável pelo abandono, perda ou descarte destes materiais em mar aberto. Nas áreas costeiras, os principais responsáveis estão localizados em terra.

O estudo feito pelas duas organizações da ONU afirma que o problema está piorando devido ao aumento na escala de operações de pesca no mundo e devido à introdução de equipamentos que alta durabilidade, fabricados com materiais sintéticos.

O relatório afirmou que entre os maiores impactos deste problema estão a captura contínua de peixes, conhecida como “pesca fantasma”, e outros animais como tartarugas, aves e mamíferos marinhos, que ficam presos e morrem nas redes.

Foto: Kleber Filho

Além disso, estes equipamentos também podem causar alterações do ambiente e do solo marinho e o aumento dos riscos para navegação, com acidentes ou danos a embarcações.

“A quantidade de equipamento de pesca que vai para o ambiente marinho vai continuar se acumulando e os impactos nos ecossistemas marinhos vão piorar se a comunidade internacional não tomar medidas eficazes para resolver o problema (…). As estratégias para enfrentar o problema devem abordar várias frentes, incluindo prevenção, diminuição e medidas curativas”, afirmou Ichiro Nomura, subdiretor geral de Pesca e Agricultura da Fao. (Fonte: BBC Brasil http://bbc.in/1womDLd)

Durante a operação foram retirados vários peixes mortos (alguns em estado de decomposição avançada), entre eles, dois filhotes de cação-lixa (Ginglymostoma cirratum). Uma perda ecossistêmica considerável tendo em vista a importância dos tubarões para a manutenção do equilíbrio da vida marinha.

Foto: Lívia Oliveira

A retirada e consequente inutilização destes e de outros artefatos de pesca não permitidos fazem parte da operação “Redes em Chamas”, que teve início em junho de 2014 no estado do Rio Grande do Sul. Todos os GEE’s oriundos da destruição do material apreendido serão compensados pelo Instituto Sea Shepherd Brasil com a plantação de mudas de árvore nativas do litoral paraibano.

Instituto Sea Shepherd desenvolve Pedágio de Conscientização Ambiental em SC

Pelo quinto ano consecutivo realizou-se na Cidade de Florianópolis, Capital do Estado de Santa Catarina o Pedágio de Conscientização Ambiental onde a única cobrança é um pequeno tempo das pessoas em aceitar o panfleto informativo sobre os problemas do lixo humano quando este é deixado na praia, sem sua devida destinação, que são as lixeiras.

Campanha de conscientização ISSB - SC. Foto: Núcleo SC

Campanha de conscientização ISSB - SC. Foto: Núcleo SC

 Na cidade de Florianópolis, onde quase todas as 42 praias (as mais badaladas) tem lixeiras instaladas pela Prefeitura, sempre se encontram lixo na areia. Lixo este deixado por pessoas sem conscientização a respeito do que, por exemplo, aquela inocente “ponta” de cigarro pode acarretar aos seres que vivem nos mares.

Milhares de animais morrem devido a intoxicação, prisão, ferimentos e perda de seu  habitat, ocasionado pelo lixo humano.

“Que futuro você realmente deseja para seus descendentes (e eles certamente vão lembrar de seus antepassados)? Um ambiente saudável que proporcione a evolução humana para o progresso real ou a degradação do meio ambiente que fatalmente provocará a extinção da vida na  terra como conhecemos?” Questiona Hugo Malagoli, Diretor do Núcleo de SC.

Agradecimentos especiais a Flavia Rodrigues, Gabriela Oms, Raphael Augustus, Janice de Souza, Thais Hameister, Gabriela Stofell e Nayara Franz que disponibilizaram voluntariamente seu tempo num sábado de manhã, para fazer a diferença! Neste dia, contabilizou-se que cerca de 20 mil pessoas foram conscientizadas.

Campanha de conscientização ISSB - SC. Foto: Núcleo SC

A meta, como nos anos anteriores, é realizar o pedágio em diferentes pontos da Cidade e do Estado para que o maior número possível de pessoas, sejam atingidas pela mensagem.

Instituto Sea Shepherd Brasil recolhe redes ilegais do rio Tubarão, no segundo monitoramento dos Botos de Laguna realizado neste sábado

No sábado (10/01), voluntários do Núcleo SC e um biólogo embarcaram para percorrer, mais uma vez, as lagoas e rios que formam o complexo lagunar da região, e verificar a situação dos Botos de Laguna, diante da série de impactos ambientais que estão vitimando uma das mais raras populações de cetáceos do Planeta.

“Este foi o segundo monitoramento embarcado que realizamos no complexo lagunar, como ação da campanha Cetáceos para Sempre que lançamos em 20 de dezembro em Laguna. No primeiro, contabilizamos 30 jet skis e 50 redes clandestinas no rio Tubarão. Neste, decidimos recolher as redes que encontramos, já que não havia qualquer identificação, eram redes ilegais.”, informa o ISSB.

Rede ilegal retirada do rio Tubarão pelo Instituto Sea Shepherd Brasil com objetivo de proteger os Botos Pescadores de Laguna. Foto: ISSB

Voluntários do ISSB vistoriam o rio Tubarão. Foto: ISSB

A lista de botos pescadores mortos já contabiliza vinte e dois animais. Latinha, Chega Mais, Bate Cabeça, Chinelo, Enrrilha, Bota do Rio, Bota Velha, Lata Grande, Jucelino, Tafarel, Mandala, Prego, Galha Torta, Marusca, Judeu (Boto Louco), Dolores, Gavioa, Frederico, Rampineli, Riscadeira, Tramandaí e Zariguim, todos eram responsáveis pela pesca cooperativa, comportamento presente apenas em mais duas outras populações no Planeta. Pescadores da região informam que nesta lista consta os principais botos. “Todos respondiam pelos nomes que demos, eram mais que animais, eram nossos amigos e parceiros em nosso ganha-pão. Hoje, apenas Caroba e Peidão estão vivos. Como podemos aceitar isso?”, desabafa comovido um pescador local.

Boto encontrado morto na Praia, em 16/12/2014. Foto: Elvis Palma.

“Assumimos um compromisso com os Botos de Laguna, e faremos de tudo para defendê-los. Sabemos que há uma diminuição considerável de peixes, o que leva a mais redes de pesca clandestinas, porém a solução não é esta e, sim, a diversificação das atividades. Os Botos Pescadores, além dos benefícios que já trazem para a economia da cidade, também atraem turistas, o que pode gerar outras fontes de renda. Da forma como está, acabarão os peixes e os botos.”, avalia Alexandre Pessoa, voluntário do ISSB.

A ação de monitoramento contou com a presença do biólogo Luiz Augusto Farnettani, que além de realizar a observação de baleias franca por terra há mais de dez anos em Santa Catarina, também acompanha os Botos de Laguna.

“A situação é muito grave, sob diversos aspectos. Os Botos de Laguna estão nesta região por milhares de anos, são considerados residentes, o que implica no desenvolvimento de uma cultura e linguagem próprias, específicas demais a ponto de ser incompreensível para um golfinho errante, ou seja que vive em alto mar. Logo, não há chance de uma interação para recuperação da população de Laguna”, avalia Luiz Augusto, “Outro ponto a ser levado em consideração diz com a disputa entre indivíduos desta população, gerada pela morte dos líderes. No monitoramento avistamos 10 botos, sendo que alguns estavam muito machucados e outros lutando entre si. A desestrutura social também pode ser considerado um dos fatores preponderantes para o fim desta população.” conclui Luiz Augusto.

“O Instituto Sea Shepherd Brasil lançou a Campanha Cetáceos para Sempre, assumindo o compromisso de defender e proteger os Botos de Laguna, devido às inúmeras denúncias recebidas dos moradores de Laguna, demonstrando a preocupação geral com o extermínio destes cetáceos. Agora, precisamos que o Poder Público assuma a sua função.”, comenta Hugo Malagoli, Diretor Regional SC do ISSB.

A campanha Cetáceos para Sempre necessita do seu apoio, contribua filiando-se ao Sea Shepherd Brasil através da compra de produtos.

A vida marinha agradece!

Acompanhe as nossas próximas ações!

Sea Shepherd Localiza uma Segunda Rede de Pesca

Por: Igor Ramos, Tradutor e voluntário ISSB

Aproximadamente duas horas depois de ter recuperado uma rede de pesca pertencente ao navio Thunder, a Sea Shepherd Conservation Society recolheu uma segunda rede ilegal de aproximadamente 25 quilômetros abandonada pelo barco foragido da Interpol, Thunder. O navio da Sea Shepherd, MV Sam Simon reportou o local da segunda rede e a removeu.

 A segunda rede foi localizada no dia 29 de Dezembro de 2014 nas seguintes coordenadas: 62º20’ Sul, 081º18’ Leste, apenas a poucas milhas da primeira rede, localizada dentro da Comissão de Conservação da Vida Marinha e Recursos (CCAMLR, sigla em inglês).

Peixe morto encontrado na rede gigante. Foto: Jeff Wirth

Baseando-se em evidências gráficas, a Sea Shepherd pode confirmar que a rede é propriedade do navio nigeriano Thunder, que fugiu da região no último dia 17.

 A tripulação do Sam Simon foi capaz de recuperar a rede das águas do oceano antártico. O capitão, Sid Chakravarty, disse: “Com tanto êxito e eficiência até o momento, eu estou confiante de que essa campanha será um sucesso, e em poucos dias estaremos perseguindo novamente o Thunder e coletando qualquer rede que ele ouse jogar na água.”

 Chakravarty complementou: “os decks parecem campos de batalha, nunca havia visto tanta vida morta e em diferentes estágios de decomposição. O grande número de espécies que encontramos até o momento apenas prova a barbárie dessa pesca.”

Após tantas provas, o pesqueiro Thunder recebeu um alerta roxo da Interpol. As autoridades Australianas, Neozelandesas e Norueguesas juntaram esforços para encontrar o navio. Além disso, o navio foi incluído na lista preta da CCAMLR por realizar pesca ilegal, não reportada e não regulamentada.

O Trabalho não parou durante a noite. Foto: Jeff Wirth

Mesmo em condições climáticas não favoráveis, os voluntários continuaram recolhendo a rede. Foto: Jeff Wirth