IX encontro da Sociedade Brasileira para o Estudo dos Elasmobrânquios é realizado em Penedo- AL

Divulgação SBEEL. Foto Christina Amorim

Divulgação SBEEL. Foto Christina Amorim

Durante os dias 24 a 28 de abril deste ano, foi realizado na cidade de Penedo, estado de Alagoas, o IX encontro da SBEEL (Sociedade Brasileira para o Estudo dos Elasmobrânquios).

O evento trouxe especialistas de diversos estados e países para debater a situação dos elasmobrânquios no Brasil e no mundo, bem como apresentar novas técnicas de pesquisa e estudos com tubarões e raias que vêm sendo feitos nos últimos anos.

O núcleo paraibano do Instituto Sea Shepherd Brasil esteve por lá e aproveitou a ocasião para entrevistar Ricardo de Souza Rosa, professor da Universidade Federal da Paraíba e ex-Presidente da instituição (biênio 2014-2016), com o intuito de discutir temas debatidos durante o encontro.

Mesa de abertura do evento. Foto: UFAL

Mesa de abertura do evento. Foto: UFAL

ISSB: Atualmente passamos por um cenário sombrio em termos de conservação dos elasmobrânquios. Sobrexplotação, depleção e bycatch são apenas algumas das ameaças que a maioria das espécies de raias e tubarões enfrentam no Brasil. Como o senhor vê a pesca industrial e suas demandas (muitas vezes inexequíveis) se levarmos em conta a necessidade de se manter os estoques pesqueiros em relativo “equilíbrio”?

Ricardo Rosa: Bom, um dos problemas enfrentados pelas espécies de tubarões e raias é que pelas características intrínsecas do grupo, as populações nunca são muito grandes. Além disso, eles têm estratégias de reprodução e desenvolvimento que não favorecem a reposição populacional (baixa fecundidade, reprodução em idade tardia e prole pequena). Com isso, o modelo pesqueiro vigente que é o mesmo para grandes cardumes de peixes ósseos não pode ser aplicado para os elasmobrânquios e isso a pesca industrial ainda não enxergou. Os elasmobrânquios são tratados como um recurso pesqueiro qualquer, entretanto, do ponto de vista biológico, eles são muito mais parecidos com os cetáceos do que com os próprios peixes na questão reprodutiva. Há algumas décadas tivemos a decretação da moratória das baleias porque simplesmente a caça a esses animais estava levando ao declínio de praticamente todas as espécies. O mesmo cenário está ocorrendo com os tubarões e raias, porém sem o mesmo apelo conservacionista em escala global que possa promover uma queda na exploração.

A questão da pesca industrial é um problema muito sério porque além de algumas espécies serem muito visadas pelo comércio de barbatanas, não há uma preocupação com as capturas acessórias (bycatch). Não se importam com ações de pesca responsável para liberar indivíduos ainda com vida. Às vezes nem se aproveita um determinado recurso, mas para não perder um anzol ou uma linha, eles simplesmente matam o animal para depois descartar. Penso que falta muito uma estratégia conservacionista na pesca em geral.

Professor Ricardo Rosa (UFPB). Foto Jessyca Oliveira

Professor Ricardo Rosa (UFPB). Foto Jessyca Oliveira

 

ISSB: A suspensão da portaria 445 recebeu inúmeras críticas, sobretudo dos setores conservacionistas. Depois de anos de estudo e muitas pesquisas, o senhor acha que há motivos para temer a extinção (em futuro muito próximo), das espécies de elasmobrânquios listadas tanto nela quanto no Anexo I da Instrução Normativa 05/2004 do Ministério do Meio Ambiente e na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)? Quais seriam as mais vulneráveis no litoral brasileiro?

Ricardo Rosa: Acredito que sim. Inclusive, as avaliações baseadas nos critérios da IUCN visam justamente determinar o risco de extinção se valendo de critérios objetivos. Então, se as condições persistirem (como por exemplo a atual exploração pesqueira), a tendência é que se consume de fato a extinção nos prazos previstos segundo as análises.

Além da questão da pesca, temos uma degradação muito séria em águas costeiras que afeta de sobremaneira regiões importantes para o ciclo biológico de várias espécies; incluindo águas estuarinas, as adjacentes às regiões de recifes, que são hábitats críticos em termos de berçário, áreas de alimentação, etc.

Quanto às espécies em situações mais críticas, na verdade são várias espécies, mas eu acho que os casos mais gritantes são os dos peixes-serra, do gênero pristis, e temos duas espécies registradas no Brasil. Uma delas, o pristis microdon, não possui registros recentes e a segunda (pristis pristis) tem registros esporádicos apenas na região litorânea entre os estados do Maranhão ao Amapá. Porém, sabe-se que a espécie ocorria em toda costa do Nordeste e Sudeste, então há décadas que não se tem um registro das duas espécies de peixe-serra ao longo do litoral.

Outro caso que tem sido apontado como bastante crítico é o do tubarão-quati (do gênero Isogomphodon). Ele era abundante na região norte e inclusive era alvo de uma pesca dirigida na costa do Maranhão e relatos recentes apontam que a espécie não ocorre mais nas capturas da pesca artesanal, ou seja, o estoque praticamente desapareceu. É uma espécie com distribuição geográfica muito restrita (centrada na Região Norte do país, também atingindo o litoral das Guianas). No outro extremo, já no sul do Brasil, temos o cação-anjo e as raias-viola que são espécies que estão listadas na Instrução Normativa 05/04 do Ministério do Meio Ambiente, mas que efetivamente não foram protegidas (com raras exceções*). A situação, embora não tenhamos estatísticas recentes, ainda é crítica porque a pesca continuou a incidir em populações que já tinham, na década de 90, estimativas de redução populacional maiores que 90%.

*Clique aqui para saber mais sobre a investigação feita pela Sea Shepherd Brasil em São Paulo, que resultou na apreensão de mais de 700 kg de Raias-viola: http://bit.ly/1Nv2ZwG

ISSB: Um ponto amplamente debatido e bastante criticado no encontro da SBEEL foi a ausência de dados acerca da pesca no Brasil. O último boletim estatístico data de 2011, com dados colhidos de forma sistemática apenas em 2008. Atualmente poucos trabalham com estatística pesqueira no país, entre eles o CEPSUL e o Instituto de Pesca de São Paulo. Como fazer para reverter esse quadro? A solução dada pelo extinto ministério da pesca de contratar bolsistas para exercerem a função de observador de bordo resolveria parte do problema?

Ricardo Rosa: Acredito que a questão da estatística idealmente deveria ser um processo compartilhado no Brasil, já que o Estado não tem um aparelhamento ideal para fazer isso ao longo de toda extensão territorial e ao longo de toda costa, então mesmo que houvesse algumas “áreas-foco” relacionadas a setores mais produtivos, seria interessante que fosse um processo compartilhado e aí talvez os CPG’s (Comitês Permanentes de Gestão) poderiam participar nesse processo. Mas em algumas situações, eu acredito que o setor de pesquisas, especialmente as universidades e institutos poderiam oferecer mão de obra especializada (na forma de bolsistas, por exemplo), mas teríamos que ter minimamente um programa de governo para financiar a coleta de dados em campo. Então eu acho que deveria haver uma parceria entre governo e essas demais entidades. Não adianta esperar só do governo porque sabemos que isso não vai ocorrer. Têm que haver iniciativas também dentro dos Institutos de Pesquisa e da academia para a coleta de dados desse tipo e tentar captar recursos para tanto.

Palestra do Professor Francisco Santana (UFRPE). Foto: Igor Trigueiro

Palestra do Professor Francisco Santana (UFRPE). Foto: Igor Trigueiro

Outra coisa que acho que funcionaria, a exemplo do que ocorre em outros países, seria a participação do setor artesanal na coleta de dados, e isso é viável mesmo que o pescador artesanal reporte suas capturas através de nomes comuns, já que talvez ele não tivesse acesso a uma literatura mais especializada. Mesmo assim, segundo algum tipo de acompanhamento, de pesquisa, poderíamos gerar dados confiáveis de produção pesqueira artesanal. Temos bons exemplos em países como Peru, México e Colômbia, onde o pescador artesanal anota fielmente a sua produção e repassa esses dados para os órgãos de controle que produzem estatísticas.

Na Paraíba mesmo, tivemos uma aluna mestranda da Universidade de Lisboa que fez uma pesquisa sobre conservação de elasmobrânquios com pescadores artesanais, e na primeira saída de campo, quando nós fomos ao litoral Sul (em Jacumã), justamente na primeira entrevista, com o primeiro pescador artesanal que tivemos contato, quando o questionamos a respeito das soluções que ele propunha para a pesca, sabe o que ele falou? “Moratória por pelo menos 02 anos. Ninguém capturaria tubarão e raia porque senão vai acabar”. Isso vindo de uma pessoa com mais de 50 anos de idade, filho e neto de pescador. Ele chegou a ver o pristis (peixe-serra) lá em Jacumã e ele lembrava porque seu avô havia lhe mostrado, sabendo precisamente até o ano e a idade que tinha na ocasião. Foi um episódio que me tocou porque na primeira entrevista, já colhemos uma opinião que eu não esperava. A visão que eu tinha do pescador artesanal era de uma pessoa talvez um pouco “desligada” das questões conservacionistas (ou talvez pudéssemos alegar o desconhecimento da situação) pela falta de informações. E foi justamente o contrário. Ele se mostrou sensível ao problema dos declínios populacionais e indicou que a solução era mesmo… ele disse assim: ”fechar o mar”, foi a expressão que ele usou. “Fechar o mar por 02 anos porque senão, não vai ter volta”. Achei isso muito interessante.

Acho que temos saídas, a questão é vontade política de obter esses dados e disponibilizá-los. E também não adianta só coletar e deixar em algum computador, pasta ou base de dados do governo sem que todos tenham acesso.

ISSB: Tramita desde 2012 no Senado Federal uma proposta de moratória da pesca de elasmobrânquios por um período não inferior a 20 anos, aliado à criação de no mínimo 07 unidades de conservação marinha. Ela é de autoria do Senador Paulo Paim e foi levada àquela casa pelo Instituto Sea Shepherd Brasil e Fundação Pró-Squalus. O senhor acha essa uma medida adequada? Em termos legislativos, quais seriam as vossas sugestões para aumentar a proteção dos elasmobrânquios no Brasil?

Ricardo Rosa: Bem, eu acho que é uma medida extremamente interessante do ponto de vista da conservação. Inclusive eu fui um dos signatários dessa proposta quando ela ocorreu e, do meu ponto de vista, seria a solução que poderia realmente proteger de uma maneira mais efetiva as espécies de elasmobrânquios que são capturadas na pesca. Entretanto, a sua implementação é que tem sido criticada do ponto de vista do setor produtivo uma vez que esses setores (sobretudo da pesca industrial) alegam que, se eles tiverem que deixar de capturar elasmobrânquios, vão ter que deixar de pescar, porque eles sempre vão capturar de forma acessória os elasmobrânquios.

Professor Hugo Bornatowski (UFPR) ratificando o apoio à proposta de moratória do Instituto Sea Shepherd Brasil e Fundação Pró-Squalus. Foto: Igor Trigueiro

Professor Hugo Bornatowski (UFPR) ratificando o apoio à proposta de moratória do Instituto Sea Shepherd Brasil e Fundação Pró-Squalus. Foto: Igor Trigueiro

Então a SBEEL até hoje não se posicionou de forma concreta favoravelmente à moratória, mas vários dos seus membros assinaram essa moção. Eu, o atual Presidente (Otto Gadig) e vários membros a assinaram. A posição individual é favorável, já em termos políticos, talvez haja certo temor de criar um embate não muito “saudável” com setores da sociedade, especialmente setores ligados ao fomento da pesca e ao próprio setor produtivo.

Nessa última reunião em Penedo, fizemos uma carta de recomendações visando algumas medidas que poderiam reduzir a captura de elasmobrânquios. Uma delas, facilmente conhecida, é o uso de estropo de monofilamento de nylon nas pescarias de espinhel. Sabe-se que esse tipo de prática diminui o bycatch de tubarões pois eles conseguem cortar o estropo com os dentes, mas o setor pesqueiro não faz isso. Eles preferem continuar usando o de aço, mesmo sabendo que vão capturar tubarões (mesmo que estes não sejam alvos das pescarias), do que perder um anzol. Pensam que é melhor matar um tubarão mesmo que ele vá ser descartado do que se perder um anzol do seu equipamento. A visão do setor produtivo vai mais no sentido de maximizar o lucro, sem abrir mão de um centavo sequer do capital investido. Se nós conseguíssemos aprovar uma proposta como essa, já seria um avanço na questão dos espinhéis. Houveram outras que medidas que propusemos anteriormente como a limitação da extensão das redes de deriva, tudo isso chegou a ser implementado através de normativas oficiais, porém é realmente difícil a gente esperar que a captura de elasmobrânquios irá cessar porque nas diversas artes de pesca, seja com rede ou com espinhéis, eles eventualmente irão ser capturados.

Voluntários do ISSB-PB ao lado das pesquisadoras Natascha Wosnick (UFPR) e Bianca Rangel(USP), divulgando o abaixo assinado pela moratória dos tubarões na costa brasileira. Foto: Alexandre Rodrigues.

Voluntários do ISSB-PB ao lado das pesquisadoras Natascha Wosnick (UFPR) e Bianca Rangel(USP), divulgando o abaixo assinado pela moratória dos tubarões na costa brasileira. Foto: Alexandre Rodrigues.

 

Você também pode ajudar nessa luta! Assine a petição e salve os tubarões. Acesse o link para maiores informações (http://bit.ly/22bBuuu). A vida marinha agradece.

“Sea Shepherd Brasil realiza novo resgate de um Biguá, na praia do Leme/RJ”.

No início da noite do dia 12 de abril (terça-feira), o Núcleo Rio de Janeiro do Instituto Sea Shepherd Brasil foi acionado para realizar o resgate de mais um biguá (ave também conhecida como mergulhão), na praia do Leme, zona sul da cidade. Seria o segundo biguá resgatado no período de uma semana.

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Um grupo de pessoas que realizava um treinamento de vôlei na praia avistou a ave marinha e imediatamente fizeram contato com a organização. De acordo com os relatos, o biguá estava no local por dois dias, sem voar, com pouca movimentação e possivelmente sem qualquer alimentação.

Depois de concluído o resgate, o biguá foi encaminhado para a clínica Intervet, local onde as médicas veterinárias Andrea Montico e Clarissa Coelho realizaram os procedimentos necessários para estabilização do quadro da ave, como a adequada alimentação e seu aquecimento, com o importante apoio do enfermeiro José Ivaldo.

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No dia seguinte, o biguá foi levado até o CRAS/Unesa (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Vargem Pequena – zona oeste do Rio de Janeiro, sendo entregue aos cuidados do médico veterinário Jeferson Pires, coordenador do citado centro de reabilitação. O resgate, a guarda e o transporte do Biguá tiveram a ciência e autorização do IBAMA/RJ.

Estamos na torcida pela recuperação de mais este biguá e na esperança da sua breve soltura.

Agradecemos as médicas veterinárias Andrea Montico e Clarissa Coelho da Rocha, bem como ao enfermeiro José Ivaldo Gomes da Silva, da Clínica Intervet, em Irajá, pelo carinho e cuidado no atendimento; e aos voluntários Rodolfo Giordano, Felipe Montico e Luiz André Albuquerque, que fizeram o resgate.

Sea Shepherd Brasil – Núcleo SP faz apresentação em defesa dos tubarões na Faculdade FMU – Faculdade Metropolitanas Unidas

FMU Unidade Ponte Estaiada- imagem internet

FMU Unidade Ponte Estaiada- imagem internet

Em apresentação no último dia 11/04 na Faculdade FMU em São Paulo na Unidade Estaiada, o Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo SP teve a oportunidade de apresentar aos alunos de medicina veterinária a missão da Sea Shepherd, com toda a sua história, legado, trajetória até os dias atuais como também as campanhas no Brasil e no mundo.

A palestra apresentou vídeos com o Capitão Paul Watson que contou a fundação da ONG e seu objetivo. Destacou-se os trabalhos realizados no Brasil, os trabalhos realizados no mundo e finalmente a conservação e preservação dos tubarões da Campanha Mar de Sangue. Entre outras ações apresentadas aos alunos, a Campanha Mar de Sangue criou um abaixo assinado que pede a moratória – paralisação total – da pesca de tubarões pelo período de 20 (vinte) anos em toda a costa brasileira. O pedido foi baseado na ineficiência dos órgãos públicos de fiscalização em conter a prática do “finning”.

 

Turma de medicina veterinária FMU

Turma de medicina veterinária FMU

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Voluntária Dayuri Priolean em apresentação da Ong

Assine a petição online em www.seashepherd.org.br

O Finning é uma prática cruel, que está dizimando os tubarões por todo o mundo. Nela, o animal é capturado e suas nadadeiras/barbatanas são cortadas. O tubarão é jogado de volta ao mar, sangrando e incapacitado de nadar, tendo uma morte agonizante. O apoio à moratória é necessário para toda a pesca de tubarões, seja industrial ou artesanal.

Cerca de 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano para abastecer o comércio mundial de nadadeiras/barbatanas pela prática do “finning”, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Assine a petição online!

Voluntário Raphael Camargo em apresentação

Voluntário Raphael Camargo em apresentação

 

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Apresentação em áudio visual da Organização

 Turma de Medicina veterinária FMU

Turma de Medicina veterinária FMU

Ao final, todos os presentes entenderam a importância da Organização e da Campanha Mar de Sangue em defesa dos tubarões. Contribuíram de forma significativa, fazendo perguntas na apresentação, em assinar a petição online, como também encorajaram-se em se tornarem voluntários em defesa da vida marinha.

Assine a petição online em www. seashepherd.org.br

A vida marinha agradece!

Sea Shepherd Brasil participa do “Dias das Boas Ações” e resgata fragata no Rio de Janeiro.

Criado em 2007 em Israel, o “Dia das Boas Ações” se tornou o maior projeto de mobilização para engajamento social no mundo. Neste ano, 70 países fazem parte da iniciativa e o Brasil foi escolhido como capital mundial do evento – a primeira na América do Sul.

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 “O Brasil foi escolhido como foco, pois apenas 11% da população doa seu tempo em causas voluntárias”, afirma Kaynan Rabino, CEO mundial do Dia das Boas Ações. É uma taxa baixa quando comparamos com outros países, como, por exemplo, os Estados Unidos, onde esse número chega a 44%, segundo um estudo de 2011 feito pela ONU.

E no Rio de Janeiro, uma das cidades escolhidas, juntamente com São Paulo e Brasília, cerca de 70 organizações não governamentais, realizaram diversas atividades.

O Instituto Sea Shepherd Brasil, em parceria com o Arpoador Surf Club (ASC), a SurfRider Foundation, o Instituto E, OsklenSurfing, MeuCopoEco e a Atados Rio participou de um grande mutirão de limpeza nas praias do Arpoador e do Diabo, zona sul do Rio, que contou com cerca de 230 (duzentos e trinta) voluntários com o objetivo de conscientizar sobre os impactos do microlixo nas praias e na vida marinha.  Guimbas de cigarro, pequenos pedaços de embalagens plásticas, lacres e tampas de bebidas, etc. foram recolhidos em entregue para a Comlurb, que juntamente com a Subprefeitura da Zona Sul, apoiaram a ação ambiental.

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E durante a realização do mutirão, foi resgatada uma fragata, encontrada com anzol preso ao bico e linha de pesca enrolada no pescoço, sem conseguir voar e com alta temperatura corporal.

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O quadro da bela ave foi estabilizado momentaneamente, retirando-a do forte calor e da incidência solar, sendo-lhe oferecida água e alimento, até a chegada da Patrulha Ambiental, que realizou o transporte da fragata até o CRAS/Unesa (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Vargem Pequena – zona oeste do Rio de Janeiro, para os cuidados necessários e possível reabilitação, com soltura posterior.

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Uma tenda do Instituto Sea Shepherd Brasil também esteve montada durante todo o evento, apresentando o trabalho realizado pela organização no Brasil e no exterior, com um foco principal nos impactos que os resíduos sólidos descartados irregularmente causam na vida marinha, bem como a campanha em defesa dos tubarões no litoral brasileiro.

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Foto Ana Paula Vasconcelos

Foto: Ana Paula Vasconcelos

Transmitimos nossos agradecimentos a Daniel Morais Assunção (Ong Atados); Amanda Barpp e  Gabriel de Faro (A Coorte); a Glenn Suba (SurfRiderFoundation); Guilherme Dutra (Arpoador Surf Club) e aos voluntários Gisele Pontes, Adriana Moretta, Raphael Jordão e Ana Paula Pacheco, Rafael Marins, Lívia Sekiguchi, Marcella Portugal, Rodolfo Giordano, Felipe Montico, Guilherme Rivera, Guiga Pirá (trabalhando pela Atados Rio) e Grégor Salles (representando a Anistia Internacional)

Biguá é resgatado pelo Sea Shepherd Brasil, na praia do Leme/RJ

Voluntários do Núcleo carioca do Instituto Sea Shepherd Brasil foram contatados para realizarem o resgate de um jovem biguá, no final da tarde do dia 08 de abril (sexta-feira), na praia do Leme, zona sul da cidade.

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A ave foi encontrada por banhistas e estava bem fraca, com um bocado de óleo nas penas e pouca mobilização, dificultando-a em se alimentar corretamente.

Após realizado o cuidadoso resgate, o animal foi levado para a clínica PróSilvestres, sendo atendido pelos médicos veterinários Loide Machado e Julio Arruda, que constataram dentre outras coisas, a presença de óleo no interior de seu bico. Então, rapidamente ministraram a medicação adequada e a alimentação necessária para estabilizar a saúde do animal.

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Com a ciência e autorização do IBAMA/RJ, o animal foi entregue para a Patrulha Ambiental que o encaminhou ao CRAS/Unesa (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Vargem Pequena – zona oeste do Rio de Janeiro, onde receberá todo o cuidado da equipe do prof. Jeferson Pires, visando a posterior soltura na natureza.

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Agradecemos aos veterinários Rafael Nudelman, Loide Machado e Julio Arruda, da Clínica PróSilvestres, em Copacabana, pelo pronto atendimento; e aos voluntários Rodolfo Giordano, Marcella Portugal e Luiz André Albuquerque, que realizaram o resgate do biguá.

O biguá (Phalacrocorax brasilianus) é uma ave da família dos falacrocoracídeos. Tais aves habitam boa parte da região que vai do México à América do Sul, medindo cerca de 75 cm de comprimento e com coloração negra, saco gular amarelo e tarsos negros. Também são conhecidas pelos nomes de biguá-una, imbiuá, mergulhão, miuá e pata-d’água. Esse magnífico animal carece da glândula uropigial, que libera substâncias que deixam as penas impermeáveis a água por isso apresenta vantagem em relação aos outros pássaros na hora da caça, já que com a água suas penas se tornam mais pesadas e retém menos ar, fazendo com que ele mergulhe mais rapidamente. O nome biguá vem do tupi Mbiguá, que foi aportuguesado com o tempo.