Sea Shepherd Brasil em 4 estados brasileiros no Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias

Quando visitas lugares você cuida do teu lixo?

O lixo é descartado em nossas praias e rios, espaços muito ricos em biodiversidade onde recebem diariamente garrafas pet, sacolas de plástico, pontas de cigarro, canudinhos, embalagens de salgadinhos, entre outros. Com o descarte incorreto, esses resíduos tornam-se lixo marinho e prejudicam não só a vida dos animais mas também a vida de todos nós.
Com isso, o Instituto Sea Shepherd Brasil participou mais uma vez do dia de conscientização ambiental mundial, o Clean Up Day 2016 que contou com a participação de mais de 125 países e mobilizou cerca de 35 milhões de voluntários pelo mundo. No Brasil a ONG trabalhou com os voluntários nos estados de São Paulo, Paraná, Paraíba e Rio Grande do Sul.

 Lixo subaquático recolhido. Voluntários e Embaixada Mar e Vida Ecotrip na Praia do Curral – Ilhabela/SP

Lixo subaquático recolhido. Voluntários e Embaixada Mar e Vida Ecotrip na Praia do Curral – Ilhabela/SP

Juntos na atividade, Sea Shepherd e o Grupo de Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos - Gremar em Itanhaém/SP.

Juntos na atividade, Sea Shepherd e o Grupo de Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos – Gremar em Itanhaém/SP.

Voluntários Sea Shepherd do Núcleo Paraná em Guaratuba.

Voluntários Sea Shepherd do Núcleo Paraná em Guaratuba.

Em Cabedelo, voluntários Sea Shepherd da Paraíba reuniram esforços.

Em Cabedelo, voluntários Sea Shepherd da Paraíba reuniram esforços.

Em Cidreira no Rio Grande do Sul também fizeram limpeza de praia.

Em Cidreira no Rio Grande do Sul também fizeram limpeza de praia.

Os voluntários da Sea Shepherd Brasil fizeram limpeza das praias como também limpeza subaquática retirando do ambiente marinho o lixo que produzimos todos os dias. Foram muitos sacos de lixos utilizados na remoção do material descartado inadequamente.
No fundo marinho foi possível retirar cordas, canos de pvc, garrafas, latas, material de construção, redes de pesca com muitos animais alojados como foi o caso de pequenos caranguejos, algas e poliquetos.

Pesagem do lixo em Itanhaém/SP que somou mais de 400 kg.

Pesagem do lixo em Itanhaém/SP que somou mais de 400 kg.

Alunos de Itanhaém recolhendo o lixo e informações para o formulário dos dados coletados.

Alunos de Itanhaém recolhendo o lixo e informações para o formulário dos dados coletados.

Foram muitas as pontas de cigarro recolhidas nas praias.

Foram muitas as pontas de cigarro recolhidas nas praias.

Em Cidreira-RS lixo recolhido do mar pelos surfistas.

Em Cidreira-RS lixo recolhido do mar pelos surfistas.

Nas praias foi alarmante encontrar muitas pontas de cigarro e no mar os animais alojados no lixo foram retirados na triagem na tenda da praia e devolvidos vivos ao mar.

Mergulhador com lixo retirado do fundo marinho em Ilhabela/SP.

Mergulhador com lixo retirado do fundo marinho em Ilhabela/SP.

Estação de triagem quando foi retirado os animais marinhos do lixo - Ilhabela/SP

Estação de triagem quando foi retirado os animais marinhos do lixo – Ilhabela/SP

Momento da separação dos animais do lixo.

Momento da separação dos animais do lixo.

Seja você também um voluntário defensor da vida marinha! Reduza o seu lixo e oriente as pessoas a agir corretamente com o descarte do lixo e ajude o meio ambiente marinho, base da vida deste planeta. Colabore! Nas praias leve consigo os resíduos que produz e faça o descarte no local apropriado.

Tenda Sea Shepherd Brasil Núcleo SP na Praia do Curral- Ilhabela para separação dos animais e do lixo.

Tenda Sea Shepherd Brasil Núcleo SP na Praia do Curral- Ilhabela para separação dos animais e do lixo.

Final do dia e bote de apoio aos mergulhadores – Ilhabela/SP

Final do dia e bote de apoio aos mergulhadores – Ilhabela/SP

Praia do Curral – Ilhabela/SP onde ocorreu limpeza de praia e do fundo marinho.

Praia do Curral – Ilhabela/SP onde ocorreu limpeza de praia e do fundo marinho.

Reduza. Reutilize. Recicle o seu lixo. A vida marinha agradece!
Mara Lott – 27/09/2016

Nova embaixada catarinense da Sea Shepherd é inaugurada com evento pela preservação do Rio Cubatão

Neste domingo (25), o núcleo catarinense do Instituto Sea Sheperd Brasil (ISSB) celebrou a chegada da primavera e a criação da primeira embaixada no Estado com um evento que incentivou a reflexão sobre a preservação do Vale do Rio Cubatão, estratégico para o abastecimento de água da população e para a saúde das baías da Ilha de Santa Catarina.

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O evento, um dia cheio de aventuras e conexão com a natureza, foi realizado na Base de Operações da Tda Rafting e Expedições e contou com plantio de centenas de mudas e seis expedições de rafting com a coleta de lixo, música e comida vegana. A Tda passou a ser a primeira embaixada do núcleo catarinense, um ponto de apoio importante onde podem ser desenvolvidas ações, como cursos e encontros dos voluntários da ONG.

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A bacia hidrográfica do Rio Cubatão abriga mananciais que abastecem com água mais de 800 mil habitantes em cinco municípios da região da Grande Florianópolis. Alguns de seus afluentes nascem nas encostas íngremes dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior e mais antiga Unidade de Conservação do Estado, apresentando uma rica e importante biodiversidade em Santa Catarina.

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Além disso, a bacia deságua na baía sul da Ilha de SC, local composto por ecossistemas, como manguezais – que servem de berçário para a vida marinha, e por diversas atividades aquícolas. Nesta área, entre os municípios de Florianópolis e Palhoça, há amplos cultivos de moluscos que fazem de Santa Catarina o maior produtor nacional de ostras, mexilhões e vieiras. Em 2015 foram produzidas 21,65 mil toneladas, ou seja, 98% dos moluscos coletados e consumidos em todo o Brasil.

Porém, ao longo de seu trajeto, o Rio Cubatão e seus afluentes vêm sofrendo com a retirada da mata ciliar, o despejo de esgoto doméstico, a extração irregular de areia e a agricultura convencional, causando erosão, assoreamento, enchentes e poluição.

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“O rio Cubatão é muito importante e não pode acabar em descaso como muitos exemplos que temos pelo Brasil. Precisamos respeitar a natureza e dar a importância de mãe para ela! Que venha a primavera!”, comentou o coordenador do núcleo catarinense do ISSB, Luiz Antônio Faraon.

Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo Paraná realiza limpeza em praias do litoral paranaense

Em comemoração ao Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias, que acontece nesta terça-feira 20 de setembro, o Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo Paraná reuniu 12 voluntários de dentro e fora da ONG para fazerem a sua parte. Assim, no dia 17 de setembro (sábado), os voluntários fizeram um mutirão e realizaram a quarta ação de Limpeza de praias pelo Núcleo Paraná em 2016.

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Após 5 horas de mutirão, foram recolhidos 21 sacos de lixo de 100 litros. Entre o lixo recolhido foram retirados desde bitucas de cigarro, canudos e tampinhas, até ventilador, isopor e redes de pesca. A ação começou no balneário Eliane, na praia Brava de Guaratuba, onde foram retirados 10 sacos de lixo em 2 horas. Depois, apenas na região da Barra do Saí e em uma pequena parte de Coroados, 11 sacos foram recolhidos pelos voluntários.

 

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Há um ano, o Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo Paraná vem realizando estas limpezas, que tem extrema importância para a vida marinha. Além de deixar os oceanos e praias limpos e habitáveis para os animais, manter esses locais limpos é fundamental para a sobrevivência dos mesmos. Segundo estudos recentes, 8.8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos a cada ano. Todo esse resíduo é confundido com alimento pelos animais, sendo fonte de toxinas, bloqueio do intestino e muitas vezes morte por sufocamento. O enredamento de espécies como tartarugas, aves e cetáceos é cada vez mais frequente, causando morte ou deformações.

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Portanto cabe a nós sermos a mudança! E você pode fazer parte desta luta para tornar os oceanos um lugar melhor não apenas para nós, mas para todos os animais marinhos. Sempre que for à praia, leve uma sacola e leve consigo seu lixo. Se possível, junte também o lixo a sua volta! Se todos fizermos um pouco, teremos praias mais limpas e seguras para todos!

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O núcleo Paraná conta com diversos voluntários que se encontram mensalmente para discutir as próximas ações (palestras, eventos, mutirões de limpezas de praias). Se você quer conhecer um pouco do que fazemos, entre em contato através do e-mail nucleopr@seashepherd.org.br.

Sea Shepherd Lança Operação Albacore

O Navio da Sea Shepherd, Bob Barker, chegou na República do Gabão para o início da Operação Albacore, uma nova campanha para deter a pesca ilegal, descontrolada, e ignorada, sob a direção do Governo do Gabão.

Por toda a temporada de 2016 de pesca de atum, os fuzileiros navais Gaboneses e os oficiais com a Agência de Cumprimento das Leis Pesqueiras (ANPA) serão posicionados a bordo do Bob Barker, trabalhando ao lado dos tripulantes da Sea Shepherd para patrulhar as águas soberanas do Gabão. Estas patrulhas fornecerão um veículo de cumprimento da lei para defender, conservar e proteger o habitat crítico do atum na África Centro-Oeste de Abril até Setembro de 2016.

A campanha tem como objetivo expandir o atual monitoramento,  controle e medidas de vigilância para detectar e impedir a atividade de pesca ilegal enquanto também monitora o cumprimento legal de operadores de pesca licenciados.

Do total de pesca global, de 15-40% é estimado ser pescado por operadores de pesca, e 90% é pego em águas que estão sob a autoridade do Estado Costeiro. É um sistema complicado de travessia de fronteiras no Golfo da Guiné, associado com o fato de que muitos Estados Costeiros regionais tem falta de recursos operacionais adequados, por isso a pesca ilegal é tão predominante e prevalece nas águas ao longo da Costa Oeste da África.

O líder da Campanha, Capitão Peter Hammarstedt, disse, “Em 2015, a perseguição épica do notório navio de caça furtiva à Marlonga, Thunder, nos levou ao Golfo da Guiné. Quando o Governo do Gabão expressou sua intenção de interceptar e prender o Thunder, estava à entrar nas águas Gabonesas, eles demonstraram um comprometimento exemplar de combater de frente os pescadores criminosos. Trabalhando em cooperação com as autoridades do estado para fazer cumprir as leis de conservação nacional e internacional é um passo natural para a Sea Shepherd fazer e nós estamos orgulhosos de trabalhar com o Gabão, um país o qual pretende ser um líder regional em estabelecer um padrão de excelência de gerenciamento e cumprimento  das práticas dos pescadores.

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O Bob Barker estará trabalhando com o Governo do Gabão para combater a pesca ilegal, irregular e sem registro (IUU). Foto: Lukas Erichsen

Marinheiros Gaboneses (Marinha Nacional) e oficiais com a Agência de Cumprimento de Leis de Pesca (ANPA) estarão à postos a bordo do Bob Barker, trabalhando ao lado da tripulação do Sea Shepherd para patrulhar as águas soberanas do Gabão. Foto: Alejandra Gimeno

Marinheiros Gaboneses (Marinha Nacional) e oficiais com a Agência de Cumprimento de Leis de Pesca (ANPA) estarão à postos a bordo do Bob Barker, trabalhando ao lado da tripulação do Sea Shepherd para patrulhar as águas soberanas do Gabão. Foto: Alejandra Gimeno

Ministros Gaboneses chegam no Bob Barker. Foto: Alejandra Gimeno

Ministros Gaboneses chegam no Bob Barker.
Foto: Alejandra Gimeno

Ministros Gaboneses e a mídia a bordo do navio da Sea Shepherd Bob Barker. Foto: Alejandra Gimeno

Ministros Gaboneses e a mídia a bordo do navio da Sea Shepherd Bob Barker.
Foto: Alejandra Gimeno

Representantes do Ministério da Defesa, Ministério da Pesca, Agência Nacional dos Pescadores, Agência de Parques Nacionais, e a Marinha Nacional na conferência com a mídia da Operação Albacore. Foto: Alejandra Gimeno

Representantes do Ministério da Defesa, Ministério da Pesca, Agência Nacional dos Pescadores, Agência de Parques Nacionais, e a Marinha Nacional na conferência com a mídia da Operação Albacore.
Foto: Alejandra Gimeno

Os ministros na ponte do Bob Barker depois de um tour pelo navio. Foto: Alejandra Gimeno

Os ministros na ponte do Bob Barker depois de um tour pelo navio.
Foto: Alejandra Gimeno

Vitória das Baleias Francas em Santa Catarina

Suspenso o turismo de observação de baleias embarcado até a realização de estudos de viabilidade da atividade em processo de licenciamento

Baleia com filhote

Jupiterimages/Photos.com

Em decisão histórica a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região determinou, por unanimidade, a proteção da espécie Baleia Franca Austral suspendendo o turismo de observação de baleias embarcado (TOBE) na região da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF), em Santa Catarina, por entender que a atividade é “potencialmente causadora de impacto” nas baleias, e que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) “não vem garantindo a proteção dos referidos cetáceos”.

O Desembargador Relator, Dr. Fernando Quadros da Silva, considerou, ainda, que o aumento do número de fiscais, alegado pelo ICMBio como medida de proteção às baleias para a liberação do TOBE, não é suficiente para garantir a integridade dos animais, reconhecendo a “necessidade de sua proteção irrestrita, com medidas efetivas para a fiscalização, com estudos de viabilidade, de plano de manejo e do licenciamento da atividade pelo órgão competente.”

O Desembargador adotou, em sua decisão, os fundamentos do parecer do Ministério Público Federal, de autoria do Procurador Regional da República Paulo Gilberto Cogo Leivas, em que esclarece “As principais ameaças enfrentadas pela baleia franca atualmente são colisões com embarcações e emalhamento em artefatos de pesca. A atividade de turismo de observação embarcado representa outra ameaça, especialmente pelo fato de áreas mais costeiras serem utilizadas pelos pares de mãe e filhote. Essas também são informações que constam no Livro Vermelho elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente.” e destaca “A proteção dessa espécie ameaçada de extinção é principal finalidade da criação da Área de Proteção Ambiental – Baleia Franca.”

Para o Procurador “O turismo de observação pode afetar as populações selvagens de três principais formas, causando efeitos adversos no comportamento, fisiologia ou afetando seu habitat. Indivíduos que estão sujeitos a perturbações permanecerão menos tempo alimentando-se ou descansando, e gastarão mais energia na partida desses locais, podendo mudar para áreas menos produtivas ou mais distantes.” e, conclui que a decisão do Juiz Rafael Selau Carmona (Justiça Federal de Laguna) “não se mostra suficiente para liberar a atividade somente a apresentação por parte do ICMBio de um plano de fiscalização, sem condicioná-la ao menos a estudos de sua viabilidade ambiental, ou até que seja assegurado que esse tipo de turismo se desenvolva com um mínimo de riscos de danos à espécie baleia franca e à segurança dos turistas.

 Para o Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd Brasil, Wendell Estol “o Berçário está vulnerável diante de muitos fatores de molestamento presentes na região, que comprometem a preservação da espécie e não são regulamentados ou coibidos pelo ICMBio. O turismo de observação de baleias embarcado se mostrou um destes fatores, por isso pedimos a sua suspensão definitiva ou até que estudos de viabilidade sejam feitos dentro de um processo de licenciamento ambiental, este segundo pedido foi acatado pelo Tribunal. O Sea Shepherd considera que, com esta decisão, cumpriu a sua missão que é garantir a preservação de espécie marinha em perigo de extinção.”

Enseadas pequenas e fechadas são incompatíveis com a prática do turismo de observação de baleias embarcado (TOBE)

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Foto: Instituto Baleia Franca

Em 2012, teve início a ação civil pública movida pelo Sea Shepherd requerendo a proteção das baleias francas diante das diversas provas de molestamentos que os animais vinham sofrendo na prática do TOBE, como exemplo a ONG relembra a imagem de turistas colocando os pés em um filhote durante um passeio embarcado.

Em 2013, a Justiça Federal de Laguna deferiu o pedido liminar da ong e suspendeu a atividade por medida de proteção às baleias e segurança para os turistas. A decisão teve como fundamento um documento entregue ao ICMBio ainda em 2011 por uma das empresas turísticas, no qual a operadora da atividade admite que, em determinados momentos dos passeios, os motores dos barcos não eram desligados para garantir a segurança dos turistas, mesmo que as baleias estivessem a menos de 100 metros da embarcação.

“Este documento comprometeu integralmente a legalidade da atividade. Não desligar os motores das embarcações na presença das baleias e seus filhotes significa descumprir uma regra básica de proteção aos cetáceos, prevista da Portaria 117/96 do IBAMA. Uma das ações previstas na criação da APABF é ordenar o turismo em seu território. Ordenar não significa liberar, e, sim, verificar a viabilidade da atividade no ambiente em que será realizada. Há uma tendência mundial de proibição do turismo de observação de baleias embarcado em enseadas pequenas e fechadas, como é o caso da APABF, diante da incompatibilidade das regras de proteção aos cetáceos com regras de segurança de navegação.”, explica Luiz Albuquerque, Diretor Jurídico do Instituto Sea Shepherd Brasil.

O Berçário é uma unidade de conservação de uso sustentável criada para proteger a Baleia Franca Austral

A região do Berçário das Baleias Francas em Santa Catarina teve a sua relevância reconhecida em 2000, com a criação da unidade de conservação de uso sustentável denominada Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF). Contudo, o Sea Shepherd Brasil considera o avanço na proteção da espécie alvo ainda insuficiente, já que a unidade de conservação não possui plano de manejo e nem embarcação própria para fiscalizar os 130 km de costa.

“Garantir a tranquilidade no Berçário significa contribuir para a preservação da espécie, já que os eventos mais importantes ocorrem nas enseadas, como o acasalamento, o nascimento e o preparo dos filhotes para o regresso à zona de alimentação, na Antártica. A região é farta em mirantes naturais em que é possível observar as baleias por terra a menos de 20 metros, em seu comportamento natural sem qualquer interferência humana e sem risco para os turistas. Por isso, os Desembargadores liberaram a observação por terra, reconhecendo-a como um turismo sustentável.”, comenta Renata Fortes, advogada do Instituto Sea Shepherd Brasil.

Proteção integral do Berçário das Baleias Francas, um pedido da sociedade civil organizada

Duas entidades ingressaram com Amicus Curiae no Tribunal em apoio ao pedido de suspensão do TOBE feito pelo Sea Shepherd. A Associação Catarinense de Proteção aos Animais – ACAPRA, entidade com mais de 30 (trinta) anos de atuação, criou um site temático sobre o Berçário e lançou a campanha Berçário Livre!, com objetivo de informar a sociedade e requerer medidas de proteção aos cetáceos. A outra, a Associação Comunitária Amigos do Meio Ambiente para a Ecologia, o Desenvolvimento e o Turismo Sustentáveis – AMA, ex-entidade conselheira da APABF, que após 10 anos de participação ativa no Conselho Gestor, pediu seu desligamento em maio deste ano (2016). Para a entidade, a gestão da APABF está desvirtuada de seu objetivo ao atuar em favor da liberação do TOBE, mesmo sabendo que esta atividade é inviável no Berçário e causa molestamento às baleias. A AMA, juntamente a outras entidades locais, criou a Rede de Turismo de Observação de Baleias por Terra – TOBTer, ofertando roteiros com trilhas ecológicas e observação terrestre de baleias, possibilitando ao visitante o contato com a natureza, com a cultura local e produtos da região. Esta rede recebe apoio do SEBRAE.

O Plano de Fiscalização do TOBE apresentado pelo ICMBio

 

Com o intuito de autorizar a volta do TOBE ainda nesta temporada de 2016, o ICMBio apresentou na Justiça Federal em Laguna um Plano de Fiscalização para a atividade. O Sea Shepherd já se manifestou pela improcedência do Plano.

“O Plano de Fiscalização está perfeito caso fosse para a observação de baleias embarcada em Abrolhos, na Bahia, já que a Baleia Jubarte fica a 70 km da costa o que possibilita aos barcos desligarem os motores com segurança, mas, em um berçário com enseadas pequenas e fechadas, como é o caso de Santa Catarina, em que a Baleia Franca fica a 20 metros da costa, ele jamais cumprirá a sua função de evitar o molestamento dos cetáceos e garantir a segurança dos turistas.”, comenta Renata Fortes, e explica “A proximidade da baleia franca dos costões e faixa de areia acaba levando os barcos a ficarem na zona de arrebentação das ondas, nestas zonas a regra de segurança determina que os motores dos barcos jamais sejam desligados mesmo com a presença das baleias, assim a primeira regra prevista no próprio plano que determina o desligamento dos motores quando as baleias estiverem a uma distância do barco inferior a 120 metros não poderá ser cumprida.”

A ong tem até o dia 05/09 para levar ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região a análise deste plano.

Fonte da notícia: TRF4 /Justiça Federal – goo.gl/bKd1a2