Operação Extremo Sul registra morte indiscriminada de animais marinhos

Nos dias 15, 16 e 17 de maio, o Instituto Sea Shepherd Brasil, em parceria com os Institutos Litoral Sul e Justiça Ambiental, e com o apoio dos Aquanautas, realizou a Operação Extremo Sul, uma ação de monitoramento costeiro realizada no litoral do Rio Grande do Sul, entre os municípios de Santa Vitória do Palmar e Rio Grande. A operação teve como objetivo registrar embarcações pescando ilegalmente na região, além de verificar a presença de animais marinhos, vivos ou mortos, com sinais deixados pela pesca industrial predatória.

O cameraman Tony Rangel, dos Aquanautas, que com sua esposa, a jornalista Ana Paula, vem filmando tubarões por todo o mundo, se juntou à Operação Extremo Sul para registrar o que acontece neste remoto canto do mapa brasileiro.

A Operação dividiu-se em duas etapas. A primeira, realizada no dia 15 de maio em Rio Grande, contou com a participação do diretor jurídico voluntário do ISSB e líder AVINA, Cristiano Pacheco, e da diretora administrativa Cíntia Schmidt, cujo objetivo foi identificar as sedes de companhias pesqueiras e realizar imagens da frota pesqueira e do mercado de peixes. Outro objetivo foi a entrega de um pedido liminar junto à Justiça Federal de Rio Grande, para que fosse enviado ofício à Receita Federal a fim de disponibilizar as últimas declarações de Imposto de Renda dos sócios da empresa pesqueira Dom Matos, ré na Ação Civil Pública nº 2009.71.01.000785-0 pela captura de mais de 36 mil tubarões, somente pelas suas barbatanas.

Quando a dupla formada pelo câmera Tony Rangel e Wendell Estol, diretor técnico do Instituto Sea Shepherd se aproximou da frota pesqueira e do mercado de peixes, foi recebida com hostilidade. “Acho melhor sairmos de fininho,” disse Tony a Wendell. Enquanto a equipe estava se retirando, tripulantes das embarcações pesqueiras miraram jatos d’água contra a equipe de filmagem, tentando danificar o equipamento. “Era óbvio para os pescadores que não éramos moradores locais e que não estávamos ali para falar bem de suas formas predatórias de pesca. Foi complicado“, comentou Wendell.

A Operação Extremo Sul continuou nos dias 16 e 17 de maio. A segunda etapa contou com o apoio de um veículo 4×4, e equipes da Sea Shepherd e do Instituto Litoral Sul percorreram cerca de 220 quilômetros de praia deserta, desde a Barra do Chuí, Santa Vitória do Palmar, até a praia do Cassino, em Rio Grande. O objetivo principal era registrar embarcações pesqueiras ilegais dentro do limite estabelecido pela legislação. Outra finalidade era filmar o grande número de animais marinhos que são vitimas da pesca predatória industrial.

Desta vez as embarcações pesqueiras não foram localizadas próximas da costa, devido ao mar revolto, porém o número de redes descartadas encontradas na praia foi impressionante. As redes sem dono, também conhecidas como ‘redes fantasmas’, flutuam e matam animais marinhos por uma eternidade.

“Foi assustador, registramos um leão marinho com marcas de tiro, um golfinho nariz-de-garrafa com rede de pesca presa no pescoço e uma quantidade ainda mais impressionante de pequenas arraias“, comentou Wendell. “Para a indústria pesqueira, se não tem valor econômico, não merece viver”.

Em 2002, o voluntário Wendell havia avistado na praia de Santa Vitória do Palmar embarcações pescando ilegalmente dentro do perímetro proibido pela lei. Na ocasião, ligou para o IBAMA e a alegação era de que o órgão não possuía veículo para ir até a cena do crime. Wendell então pegou seu próprio automóvel e foi buscar o fiscal do IBAMA Albio Cruz e levou-o até o local onde estavam as embarcações, fazendo arrasto ilegal. “Elas estavam a menos de 500 metros da praia, quase encalhando, e arrastando a rede mesmo assim“, lembra Wendell.

Na mesma oportunidade foram autuada simultaneamente duas embarcações da empresa Amélia Nakshima Tuzuki. No dia 9 de outubro de 2008, a empresa Amélia Nakashima Tuzuki, dona de cinco embarcações de pesca de arrasto foi condenada em 1º grau pela Juíza Federal Rafaela Santos Martins, da Justiça Federal de Rio Grande, em uma ação civil pública iniciada pelo Instituto Sea Shepherd Brasil em junho de 2002.

Amélia Nakashima Tuzuki foi ordenada pela Juíza a parar com suas operações a menos que, em 30 dias, instalasse em toda sua frota redes com TED – Dispositivos de Exclusão de Tartarugas – e em um período de 60 dias começasse um programa de educação ambiental para seus empregados. Umas das surpresas do veredicto da Juíza Federal foram que as suas ordens judiciais deveriam ser comprovadas à satisfação da Sea Shepherd.

“O veredicto da Juíza Federal reflete nada menos que o respeito pela qualidade e seriedade dos esforços da Sea Shepherd pela conservação marinha e a execução da lei“, explica Cristiano Pacheco.

“O Instituto Sea Shepherd Brasil afirma que esta não foi uma operação pontual, e será realizada com maior freqüência, buscando sempre coibir a pesca ilegal, que causa tanta morte e destruição à vida marinha e ecossistemas litorâneos. Como o ator e agora governador da Califórnia, Arnold Schwarznegger, diz em seus filmes, nós voltaremos“, comenta Daniel Vairo, diretor geral voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil.

Sea Shepherd Brasil e Instituto Justiça Ambiental formalizam parceria

O dia 9 de junho é um dia que ficará marcado para todos os integrantes e adeptos das ideologias da Sea Shepherd Brasil. Isso por que foi nesse dia que foi firmada uma parceria entre a ONG e o recém formado Instituto Justiça Ambiental, que apóia também outras ONGS do Brasil. A cerimônia que marcou a abertura oficial dos trabalhos do Instituto Justiça Ambiental ocorreu na sala de eventos da sede da nova ONG.

O evento contou com grandes nomes do Direito Ambiental como por exemplo, o Dr. Vladimir Passos de Freitas, integrante do Conselho do IJA, e Marga Inge Barth Tessler, Desembargadora do Tribunal Regional Federal da Quarta Região. Miguel Milano, da Fundação AVINA – profundo conhecedor e pioneiro no país em projetos voltados para a preservação do meio ambiente – fez a abertura dos trabalhos pontuando a relevância da missão do IJA diante de um cenário de crise ambiental.

Na seqüência o Dr. Vladimir Passos de Freitas discorreu sobre a necessidade do preenchimento da grande lacuna entre a sociedade civil e a efetiva tutela do meio ambiente, de forma a garantir o cumprimento da legislação ambiental e um meio ambiente saudável para as futuras gerações. Letícia Albuquerque, conselheira e Presidente do IJA, reafirmou a enorme importância do trabalho a ser realizado e a necessidade do engajamento para a consecução dos objetivos estatutários.

Daniel Vairo, fundador e diretor geral do Instituto Sea Shepherd Brasil, fez discurso emocionante lembrando de momentos importantes nos dez anos de trabalho voluntário prestados pelo Dr. Cristiano Pacheco em favor da Sea Shepherd Brasil: “Foi logo no início, em meados de 2000 quando o Cristiano, ainda estudante de direito conheceu a Sea Shepherd. Naquela época estávamos reformando uma pequena casa na Rua Bagé, e o Cristiano veio ajudar carregando pedras, pintando e limpando o que seria nosso novo e pequeno escritório “– relembrava Daniel.

Ele completou dizendo que logo mais tarde naquele mesmo ano, os voluntários da Sea Shepherd se mobilizaram para flagrar embarcações pesqueiras que praticavam a pesca de arrasto de forma irregular no litoral gaúcho. “Foi a partir desta ação que o Cristiano começou sua longa e comprometida jornada dentro da organização. A partir das provas coletadas na denominada Campanha X, o Instituto Sea Shepherd, através da liderança do Cristiano ingressou com a primeira ação civil pública no Brasil contra a pesca de arrasto predatória.” Completou Daniel.

Vairo aproveitou a ocasião para merecidamente condecorar com uma medalha o Tenente Coronel Duarte (ex- Comandante da Patrulha Ambiental – PATRAM/Litoral Norte), pelo sucesso absoluto e comprometimento na fiscalização costeira contra a pesca de arrasto ilegal marinho.

Reconhecimento

Graças ao trabalho realizado com seriedade e dedicação, que o advogado especialista em Direito Ambiental, Cristiano Pacheco, vem realizando há quase uma década, em favor da Sea Shepherd Brasil e outras ONGs, recebeu em dezembro de 2008, o convite da Fundação AVINA, instituição que apóia projetos ambientais no Brasil e América Latina, para então integrar a Rede de Líderes AVINA, na direção executiva do Instituto Justiça Ambiental. Sobre isso ele comenta: “Recebi o convite com grande alegria, pois acredito fortemente na missão e nos objetivos perseguidos pelo Instituto Justiça Ambiental”.

Ele comenta ainda de que forma continuará ajudando a vida marinha, agora, na direção do Instituto Justiça Ambiental: “Estando na direção executiva poderei apoiar além da Sea Shepherd, diversas ONGs de todo o país. Temos como intuito traçar estratégias para envolver a sociedade civil de forma que, com nosso apoio e capacitação, ela mesma encontre soluções para seus problemas ambientais locais”, completa Cristiano Pacheco.

Importância das ações da Sea Shepherd no combate ao crime ambiental

O Instituto Sea Shepherd Brasil há uma década vem atuando de forma determinada em favor do cumprimento da legislação ambiental e da proteção do meio ambiente marinho, sempre contando com seriedade, boa vontade e trabalho voluntário cedido por diversos profissionais das mais diversas áreas.

No departamento jurídico, atuando em parceria com empresas privadas de todos os portes, Poder Público, ONGs e principalmente com o apoio de indivíduos que querem fazer a diferença, a instituição vem reafirmando a importância de sua existência e missão, tornando-se uma plataforma para aqueles que estão insatisfeitos com as injustiças ambientais contra a vida marinha.

Freeway Diving fecha parceria com Sea Shepherd Brasil

No último dia 5 de junho estivemos no lançamento da Freeway Diving, um novo e importante parceiro da Sea Shepherd no Brasil. A Freeway Diving é a nova é a divisão especializada em viagens de mergulho do grupo Freeway Brasil. Com larga experiência no ecoturismo, a empresa oferece roteiros voltados para a prática do mergulho autônomo nos principais destinos nacionais e internacionais da atividade.

A parceria entre Freeway Diving e Sea Shepherd tem como objetivo, promover e incentivar campanhas voltadas para a proteção dos oceanos e da vida marinha, assim como a conscientização da população em relação à importância da preservação ambiental. Além disso, cada novo cliente da Freeway será convidado a filiar-se à Sea Shepherd como voluntário. É com muita satisfação que a Sea Shepherd conta com o apoio da Freeway para nos aproximarmos cada vez mais dos mergulhadores, peça chave na preservação da vida de nossos mares.

Durante o evento de lançamento, nosso Diretor de Comunicação voluntário, Adriano Echeverria, realizou uma breve palestra alertando à todos sobre a importância do voluntariado e envolvimento de cada um de nós, mergulhadores ou não. “Se cada um fizer um pouquinho pela vida de nossos mares, este pouquinho vira um montão. Dedique um pouco do seu tempo para que todos juntos façam a diferença. E ajudar é fácil, basta um telefonema, ou um email, assim como foi com a Freeway ” – comentou Adriano, após sorteio de camisetas Sea Shepherd aos participantes e entrega do certificado Empresa Amiga do Mar à Freeway.

Contamos também com a presença do nosso fotógrafo subaquático voluntário, Daniel Botelho, que desenvolveu o conceito de fotografia artística contemporânea, imprimindo um estilo próprio de retratar o meio selvagem. Em sua busca incessante por flagrantes e paisagens, Daniel despende horas dentro da mata ou submerso nos lugares mais remotos do planeta, impondo nas fotos sua maneira particular de ver e interagir com o mundo natural.

Acesse o site da Freeway e conheça destinos sub-aquáticos http://www.freewaydiving.tur.br/.

Conheça a arte do nosso fotógrafo sub voluntário, Daniel Botelho em http://www.danielbotelho.com/.

Mergulhadores apóiam projetos da Sea Shepherd no PADI

Aconteceu em São Paulo durante os dias 05 a 07 de junho, a 8ª edição do PADI Dive Festival 2009, maior evento de mergulho no Brasil. Foram três dias de palestras, cursos, workshops e fóruns com importantes nomes ligados ao esporte e empresas.
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Durante o evento, contamos com o apoio das celebridades que se dedicam a preservação do meio ambiente em suas diversas áreas de atuação.

O fotógrafo, Daniel Botelho, realizou uma palestra sobre com fotografias da terra e do mar. Sua palestra deu dicas e truques para fotógrafos sub, além de mencionar a parceria com a Sea Shepherd e a campanha contra a matança de tubarões, retratado diversas vezes pelo Daniel. www.danielbotelho.com.br

O artista plástico Erick Wilson realizou uma exposição de animais marinhos para os participantes. Cerca de quinze quadros produzidos pelo artista e mergulhador foram expostos, focando exclusivamente no mundo sub. Procurando demonstrar cada vez mais o realismo em sua obra, Erick foi ao fundo do mar escolher seus modelos marinhos. E ainda um painel em branco, de 15 metros de comprimento ficou disponível para as crianças pintarem a vida nos oceanos. www.oceanoarte.com.br

A recordista de mergulho livre, Karol Meyer foi uma das convidadas especiais do PADI Dive Festival, onde ministrou um palestra exibindo belíssimas imagens, uma coletânea de conquistas que realizou para o país e o próximo desafio de mergulho livre, em Bonaire durante o mês de Agosto. www.karolmeyer.com.br

A Sea Shepherd agradece o apoio destas pessoas incríveis que doaram um pouco do seu talento para ajudar a vida nos oceanos.

Remova as redes: junte-se à campanha da Shark Angels contra as redes para tubarão

Passadas três décadas, mais que 33.000 tubarões foram mortos nas redes de do KZNSB, além de 2.000 tartarugas, 8.000 arraias e 2.000 golfinhos que ficaram emaranhados e acabaram morrendo. Esse impacto é danoso ao nosso esforço mundial de conservação dos tubarões. A existência dessas redes perpetuam um mito de que tubarões são sanguinários comedores de homens, e que as pessoas precisam de proteção contra eles. A instalação de redes reforça um desorientado e freqüente medo irracional de tubarões, legitimizando esses conceitos como válidos. Isso alimenta a maior questão encarada na conservação destes animais: a indiferença do público ou até mesmo repugnância a eles.remove-nets1

Podeia ser dito que existiu uma vez um tempo e um lugar para as redes de tubarão. Talvez décadas atrás, quando se conhecia pouco sobre tubarões, quando o medo de ataques era grande e a população desse animais era maior do que é hoje. A prática de instalação de redes na África do Sul começou em 1952, quando pouco se conhecia sobre o tubarão e os humanos tinham ainda que passar os próximos 50 anos destruindo os oceanos, causando irreparáveis danos e o colapso de espécies. O público queria ser ‘protegido’, e as redes atenderam este propósito.

Mas desde então a pesca do tubarão cresceu exponencialmente, eliminando um grande percentual da população desse animal, e o público tem aprendido aobre a importância da conservação da biodiversidade e a verdadeira natureza da relação dos tubaroes com os humanos. Em anos recentes, uma variedade de programas não letais, como o Shark Spotters na Cidade do Cabo, tem provado ser igualmente efetivo que esses animais não precisam ser mortos para co-existirem em paz com os humanos em seu reino. A necessidade de conservação dos tubarões é agora um fato estabelecido, como é o fato desses animais serem significantemente incompreendidos, como o risco ínfimo de um desagradável encontro com um tubarão.

Redes de tubarão são uma desnecessária e obsoleta prática de abordar uma questão que poderia ser facilmente resolvida fora dos caminhos letais, e eles mancham a imagem da África do Sul como líder mundial em conservação. É hora de uma mudança. É hora de tirar essas redes da água de uma vez por todas. Assine a petição para acabar com as redes de tubarão em www.removethenets.com. Saiba mais em www.sharkangels.org.