Juiz Federal do Amapá apreende 2 embarcações pelo massacre de golfinhos

A liminar foi deferida em ação civil pública movida pela Sea Shepherd

O Juiz Federal João Bosco Costa Soares da Silva, da 2ª Vara Federal do Amapá, deferiu ordem liminar pleiteada pela Sea Shepherd determinando a apreensão e suspensão das atividades pesqueiras das embarcações “Graça de Deus” e “Damasceno III”, de propriedade do réu Jonan Queiroz de Figueiredo. A Sea Shepherd ingressou com ação judicial em 26 de outubro de 2007, requerendo também uma indenização no valor de 332 mil reais.

“Estamos satisfeitos com a decisão liminar, que demonstra sinal de novos tempos. O Poder Judiciário está cada vez mais atento e sensível à questão ambiental e também intolerante quanto à crueldade contra os animais. O Ministério Público Federal do Pará também reagiu ao lamentável fato e ingressou com ação civil pública por danos morais coletivos ambientais. Estamos muito orgulhosos em ter dado início a toda esta mobilização”, comemora Cristiano Pacheco, Diretor Executivo do Instituto Justiça Ambiental, ONG que dá apoio jurídico a Sea Shepherd Brasil.

“A decisão liminar concedida pelo Nobre Magistrado da Seção Judiciária do Amapá nos orgulha e demonstra que o Poder Judiciário tem respondido às agressões feitas ao meio ambiente com amparo nas leis ambientais nacionais, as quais devem ser respeitadas e demonstra a importância do papel das organizações ambientais que podem, e devem, estar diligentes, buscando a efetividade da legislação brasileira. Ainda, a propositura de uma Ação Civil Pública por Danos Morais Ambientais pelo Ministério Público Federal, a partir da ação proposta pela Sea Shepherd, mostra que estamos no caminho certo e a relevância do trabalho desenvolvido com muito amor à causa ambiental”, conforme a Diretora Administrativa e advogada voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil.

“A Sea Shepherd existe para agir, a nossa missão é realizar ações que tenham resultados reais hoje, porque acreditamos que o tempo para salvar o que resta da biodiversidade marinha acabou”, completa Daniel Vairo, Diretor Geral e co-fundador do Instituto Sea Shepherd.

Após a notícia do massacre de golfinhos veiculada pela Rede Globo, a ação civil pública foi redigida pela ONG em três dias e a petição inicial enviada ao Amapá via correio. “Esta disposição nos orgulha muito e demonstra que vontade e comprometimento podem ser essenciais para a promoção da tutela do meio ambiente. As ONGs precisam estar atentas e à frente na proteção do meio ambiente, já que a lei ambiental permite e o meio ambiente urge”, pondera Pacheco.

A Lei que protege os golfinhos é a Lei 7.643/87, chamada Lei de Cetáceos, que também proíbe a captura e molestamento de baleias em águas jurisdicionais brasileiras.

O réu requereu a reconsideração da liminar, porém o magistrado federal manteve a decisão e as embarcações permanecem apreendidas aos cuidados da Capitania dos Portos do Amapá. A Sea Shepherd requereu ainda o julgamento antecipado do processo, sem a realização de audiência e produção de outras provas, com base na notoriedade e presunção do dano ambiental.

Sea Shepherd anuncia novo projeto Antártico de Pesquisa

Sea Shepherd lança sua 6ª Campanha em Defesa das Baleias: Operação Waltzting Matilda

24 de junho, 2009 – Funchal, Madeira, Portugal – A Sea Shepherd Conservation Society anunciou oficialmente a Operação Waltzing Matilda– a 6ª campanha da Sea Shepherd para defender as baleias no Santuário de Baleias do Oceano Antártico dos baleeiros japoneses ilegais.

Aproximadamente 30 integrantes da mídia assistiram a coletiva de imprensa apesar do gerente do hotel insistir que a reunião deveria tomar o mínimo de atenção o possível e nos conteve na parte de trás do salão de entrada escondidos ao lado do bar.

“Este é um projeto de pesquisa,” disse Capitão Paul Watson. “Nós decidimos demonstrar nossa solidariedade aos projetos de pesquisa do Japão, Austrália e Nova Zelândia. Nosso objetivo principal é pesquisar meios não letais de defender baleias. Claro que isto pode incluir pesquisa da estrutura de navios japoneses, como a densidade de suas chapas, ou análise da pintura do casco, assim como a observação do comportamento de baleeiros ao estímulo de seus sensores olfatórios.”

Para ilustrar o tema de pesquisa da campanha da Sea Shepherd, os diretores Laurens de Groot da Holanda e Steve Roest do Reino Unido se vestiram de barcos infláveis marcados com a palavra “pesquisa” e se armaram com arpões de isopor para perseguir os delegados da CIB. Na tentativa de adquirir “amostra de tecido” dos delegados para propósitos cientificos, eles tiveram dificuldade em achar os enganosos japoneses. Porém, o ministro de maio ambiente australiano Peter Garrett tropeçou por ingenuidade no caminho dos arpões e porque a Austrália está votando para apoiar a morte de jubartes na Groelândia, ele foi considerado um alvo legítimo.

A Sea Shepherd Conservation Society estará retornando ao Oceano Antártico em dezembro para a 6ª Campanha Antártica em Defesa das Baleias. A Sea Shepherd este ano estará enviando dois navios ao Oceano Antártico, o melhorado e completamente renovado Steve Irwin e potencialmente a embarcação veloz conhecida como a Earthrace.

A bordo teremos uma tripulação de filmagem do Animal Planet para documentar a 3ª temporada de Whale Wars – Defensores de Baleias.

“Nós estamos levando a arma de anti-baleeira mais poderosa a nossa disposição: uma tripulação de filmagem,” disse Laurens de Groot, diretor da Sea Shepherd na Holanda. “As máquinas fotográficas são mais poderosas que canhões e nossa munição é a verdade desnuda sobre a caça ilegal de baleias. Nós pretendemos manter o enfoque no crime dos japoneses e pretendemos afundar a frota baleeira japonesa–economicamente.”

Uma tripulação internacional de voluntários tripularão os navios ao Oceano Antártico mas a campanha deste ano terá uma cara australiana. Por isto o nome da campanha foi escolhido de Operação Waltzing Matilda. Este é o hino nacional não oficial da Austrália. A palavra Waltzing é parte do inglês Australiano, e significa viver viajando, grandes distâncias e sobreviver aprendendo trabalhos enquanto viaja.

“Os australianos são os defensores de baleia mais apaixonados no planeta,” disse Capitão Watson. “A Operação Waltzing Matilda refletirá nossa gratidão a Austrália para o incrível apoio que nós recebemos das pessoas desta nação maravilhosa desde 2005. O Steve Irwin partirá em dezembro da Austrália Ocidental com uma maioria da tripulação de australianos.”

Kylie Herd, um tripulante da Sea Shepherd de Perth que assiste a Conferência da CIB em Madeira disse, “Nosso logotipo este ano é inspirado na arte que enfeitava os aviões caça dos legendários Tigres Voadores que lutaram contra as forças Imperiais japonesas na China. As cores das bandeiras aborígine e australiana são representadas no logotipo que inclui um canguru pirata segurando o tridente de justiça de Netuno. Nós pretendemos valsar até o Oceano Antártico para dançar perigosamente com a frota baleeira japonesa e nós pretendemos demonstrar uma Matilda cheia de táticas defensivas para as baleias contra baleeiros japoneses.”

A Campanha em Defesa das Baleias: Operação Waltzing Matilda está programada para partir rumo ao Oceano Antártico no dia 1º de dezembro de 2009.

Como sempre, a Sea Shepherd tem algumas novas surpresas para as baleeiras pirata japonesas este ano e os baleeiros certamente terão algumas surpresas para a Sea Shepherd. Os confrontos vem aumentando enquanto os baleeiros perdem cada vez mais dinheiro. A tripulação da Sea Shepherd pretende persistir e nunca se retirará do Santuário Antártico das Baleias até que o último arpão for silenciado e a palavra “santuário” for uma vez por todas compreendido. Não existe retirada para a Sea Shepherd da guerra das baleias, existe apenas vitória ou derrota para as baleias, e nós não pretendemos ver as baleias derrotadas, nem nós pretendemos deixar que este bando de bárbaros vençam.

A Maluca Comissão Baleeira Internacional inicia seu encontro anual, desta vez na Ilha da Madeira, Portugal

Capitão Watson é prontamente detido em Portugal por quatro horas.

A viagem para o 61º encontro anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB) tornou-se uma aventura assim que o jato da TAP Air Portugal (Transportes Aéreos Portugueses) aterrissou no Aeroporto de Funchal e Deborah Basset e eu, caminhamos da pista para a sala de desembarque.
Eu não tive nenhuma razão para me preocupar enquanto caminhava rumo ao controle da imigração e lhes entreguei meu passaporte. O oficial da imigração pegou meu passaporte e passou a tarja magnética através do leitor e então percebi um olhar sério em seu rosto.

“Desculpe-me senhor, parece haver um problema,” ele disse. “Acredito que alguém deve ter um nome similar ao seu. O senhor se importa em aguardar enquanto processamos o resto dos outros passageiros?

Então Deborah e eu retornamos ao final da fila. Quando chegamos ao oficial novamente, o mesmo solicitou que o seguíssemos para uma pequena sala onde nos sentamos por quase quatro horas enquanto nosso caso era investigado.

Em um dado momento o oficial entrou na sala me perguntando se eu já havia tido problemas em Portugal e então ele disse, “Alguma coisa sobre uma embarcação de bandeira holandesa há aproximadamente 10 anos atrás?”

“Hmmm, não me lembro de nada sobre uma embarcação de bandeira holandesa 10 anos atrás”, respondi.

Alguns momentos mais tarde, o oficial retornou e disse, “Perdoe-me, o senhor cometeu alguma ilegalidade nos anos 70 em Portugal?”

“Eu creio que não. Eu defendo as leis, não as quebro”, respondi.

“Bom, parece que o senhor fez algo no norte de Portugal nos anos 70”, ele disse.

“Oh, provavelmente devem estar se referindo a quando persegui o baleeiro pirata Sierra, Porto de Leixões adentro e o abalroei duas vezes. Não acredito que isso tenha sido ilegal, nunca fui informado de nenhuma acusação. A Capitania do Porto iria me acusar por grave negligência sobre isso, mas informei-o de que nada havia de negligência nisso, atingi a embarcação (Sierra) exatamente onde pretendia atingi-la. Fui informado pela Capitania do Porto que como não puderam determinar quem era o proprietário da embarcação danificada que eu estava livre para seguir meu caminho.”

O oficial da alfândega me olhou e desacreditado disse, “Parece haver um mandado pendente para algo em conexão com um incidente no norte de Portugal, por favor, aguarde até que eu tenha mais informações.”

Como não tinha muita escolha sentei-me novamente. Deborah perguntou-me o que eu pensava que poderia ocorrer.

“Bem”, eu disse, “temos três opções visíveis. Vou preso e temos mídia espontânea, sou deportado e temos mídia espontânea, ou permitem minha entrada em território português (Ilha da Madeira) e temos mídia espontânea, e todas as três opções tem um grande potencial”.

Finalmente, o oficial retornou e disse que estávamos liberados e poderíamos entrar em território português (Ilha da Madeira). “Aparentemente havia com certeza um mandado para minha prisão que havia sido emitido em 1980. O mandado conectava-se com a total destruição do baleeiro pirata Sierra que abalroamos em 1979. Em 06 de fevereiro de 1980, após reparos de mais de um milhão de dólares, o Sierra foi afundado ao lado das docas no Porto de Lisboa”.

O mandado, entretanto expirou em 2008.

Deborah e eu passamos pela alfândega onde dois oficiais amigáveis fãs de Whale Wars inspecionaram nossas bagagens e posteriormente tomamos nosso taxi para o hotel onde fizemos o check-in para a conferência.

Na manhã seguinte pudemos ver dezenas de policiais portugueses guardando a entrada do hotel. Ironicamente, os principais oponentes aos baleeiros japoneses (nós mesmos) estavam do lado de dentro. Reservamos os quartos com um ano de antecedência e como hóspedes registrados não poderíamos ser colocados para fora do hotel.

O governo português decidiu deliberadamente realizar o encontro na ilha da Madeira para dificultar o acesso aos manifestantes que viessem do continente europeu. A policia também foi instruída a impedir a entrada de qualquer um que usasse logos da Sea Shepherd no hotel onde se reuniria a CIB.
O 61 encontro anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB) foi aberto da mesma maneira sem graça que as reuniões anteriores. Dr. Roger Payne sarcasticamente comentou que os mesmos papéis e discussões de 1971 poderiam servir dentro da agenda atual.

Na parte positiva, a delegação australiana estava realmente falando consistentemente pela primeira vez desde que o Senador Ian Campbell foi delegado para a Comissão. Os japoneses estavam murmurando sobre inserir as jubartes na sua lista de matanças novamente. A Groenlândia quer matar jubartes. A Islândia quer matar baleias fin. A Coréia agora quer matar baleias, a Noruega quer matar mais baleias minke e o Japão quer matar tudo que nade e respire oxigênio.

Por causa de termos sido banidos de participar das reuniões da CIB, os voluntários da Sea Shepherd vindos da Austrália, Canadá, Reino Unido, Holanda, Nova Zelândia, Alemanha e Estados Unidos permaneceram próximos à entrada do hotel para intimidar os baleeiros, coisa que sempre acaba divertindo.
Uma dúzia de membros da delegação japonesa estava para entrar no restaurante externo ao lado da piscina quando me viram sentado na mesa. Foi cômico vê-los parar, suas mandíbulas totalmente abertas, então se viraram e rapidamente voltaram apressadamente a procurar outro restaurante.

Ao final do dia os delegados e as ONGs aprovadas juntamente com a mídia seguiram em alguns ônibus para o coquetel de recepção oferecido pelo governo português. Nós naturalmente não fomos convidados, mas permanecemos próximos à porta e os vimos sair sorrindo para a delegação japonesa, um deles furtivamente tirou uma foto minha. O comissário baleeiro dos Estados Unidos, Bill Hogarth, parou e me apertou a mão em público para o horror dos delegados japoneses que observavam.

E assim se encerrou o primeiro dia do encontro da CIB. Minha previsão é que novamente, nada será resolvido e nada será decidido. O Japão deverá apresentar outra moção de repúdio para condenar a Sea Shepherd, os baleeiros deverão choramingar por mais vítimas, as nações defensoras das baleias irão posar e baleeiros criminosos continuarão a assassinar baleias sem nenhuma outra oposição a não ser a dos membros da Sea Shepherd.
É irônico e absurdo que a única organização que atualmente está salvando as vidas das baleias, que vem intervindo contra a matança ilegal das baleias, é a única organização não aceita a participar dos encontros do CIB.

Esta noite enquanto os baleeiros e seus opositores apertavam as mãos e bebiam vinho português e ambos criticavam as táticas excessivas da Sea Shepherd, os nossos voluntários estavam reunidos para organizar a coletiva que anunciará nos próximos dois dias a nossa sexta campanha de defesa das baleias no Oceano Antártico.

É uma grande coisa ser a dama da noite deste movimento. Há vários delegados do lado conservacionista que concordam conosco, mas não querem ser vistos conosco à luz do dia. Porem a grande vantagem de sermos banidos do encontro da CIB é que não precisamos assistir as suas reuniões sem graça. Nós só necessitamos monitorar as regras e depois nos dirigir para o Oceano Antártico em dezembro para chutar os traseiros dos baleeiros japoneses novamente.

Operação Extremo Sul registra morte indiscriminada de animais marinhos

Nos dias 15, 16 e 17 de maio, o Instituto Sea Shepherd Brasil, em parceria com os Institutos Litoral Sul e Justiça Ambiental, e com o apoio dos Aquanautas, realizou a Operação Extremo Sul, uma ação de monitoramento costeiro realizada no litoral do Rio Grande do Sul, entre os municípios de Santa Vitória do Palmar e Rio Grande. A operação teve como objetivo registrar embarcações pescando ilegalmente na região, além de verificar a presença de animais marinhos, vivos ou mortos, com sinais deixados pela pesca industrial predatória.

O cameraman Tony Rangel, dos Aquanautas, que com sua esposa, a jornalista Ana Paula, vem filmando tubarões por todo o mundo, se juntou à Operação Extremo Sul para registrar o que acontece neste remoto canto do mapa brasileiro.

A Operação dividiu-se em duas etapas. A primeira, realizada no dia 15 de maio em Rio Grande, contou com a participação do diretor jurídico voluntário do ISSB e líder AVINA, Cristiano Pacheco, e da diretora administrativa Cíntia Schmidt, cujo objetivo foi identificar as sedes de companhias pesqueiras e realizar imagens da frota pesqueira e do mercado de peixes. Outro objetivo foi a entrega de um pedido liminar junto à Justiça Federal de Rio Grande, para que fosse enviado ofício à Receita Federal a fim de disponibilizar as últimas declarações de Imposto de Renda dos sócios da empresa pesqueira Dom Matos, ré na Ação Civil Pública nº 2009.71.01.000785-0 pela captura de mais de 36 mil tubarões, somente pelas suas barbatanas.

Quando a dupla formada pelo câmera Tony Rangel e Wendell Estol, diretor técnico do Instituto Sea Shepherd se aproximou da frota pesqueira e do mercado de peixes, foi recebida com hostilidade. “Acho melhor sairmos de fininho,” disse Tony a Wendell. Enquanto a equipe estava se retirando, tripulantes das embarcações pesqueiras miraram jatos d’água contra a equipe de filmagem, tentando danificar o equipamento. “Era óbvio para os pescadores que não éramos moradores locais e que não estávamos ali para falar bem de suas formas predatórias de pesca. Foi complicado“, comentou Wendell.

A Operação Extremo Sul continuou nos dias 16 e 17 de maio. A segunda etapa contou com o apoio de um veículo 4×4, e equipes da Sea Shepherd e do Instituto Litoral Sul percorreram cerca de 220 quilômetros de praia deserta, desde a Barra do Chuí, Santa Vitória do Palmar, até a praia do Cassino, em Rio Grande. O objetivo principal era registrar embarcações pesqueiras ilegais dentro do limite estabelecido pela legislação. Outra finalidade era filmar o grande número de animais marinhos que são vitimas da pesca predatória industrial.

Desta vez as embarcações pesqueiras não foram localizadas próximas da costa, devido ao mar revolto, porém o número de redes descartadas encontradas na praia foi impressionante. As redes sem dono, também conhecidas como ‘redes fantasmas’, flutuam e matam animais marinhos por uma eternidade.

“Foi assustador, registramos um leão marinho com marcas de tiro, um golfinho nariz-de-garrafa com rede de pesca presa no pescoço e uma quantidade ainda mais impressionante de pequenas arraias“, comentou Wendell. “Para a indústria pesqueira, se não tem valor econômico, não merece viver”.

Em 2002, o voluntário Wendell havia avistado na praia de Santa Vitória do Palmar embarcações pescando ilegalmente dentro do perímetro proibido pela lei. Na ocasião, ligou para o IBAMA e a alegação era de que o órgão não possuía veículo para ir até a cena do crime. Wendell então pegou seu próprio automóvel e foi buscar o fiscal do IBAMA Albio Cruz e levou-o até o local onde estavam as embarcações, fazendo arrasto ilegal. “Elas estavam a menos de 500 metros da praia, quase encalhando, e arrastando a rede mesmo assim“, lembra Wendell.

Na mesma oportunidade foram autuada simultaneamente duas embarcações da empresa Amélia Nakshima Tuzuki. No dia 9 de outubro de 2008, a empresa Amélia Nakashima Tuzuki, dona de cinco embarcações de pesca de arrasto foi condenada em 1º grau pela Juíza Federal Rafaela Santos Martins, da Justiça Federal de Rio Grande, em uma ação civil pública iniciada pelo Instituto Sea Shepherd Brasil em junho de 2002.

Amélia Nakashima Tuzuki foi ordenada pela Juíza a parar com suas operações a menos que, em 30 dias, instalasse em toda sua frota redes com TED – Dispositivos de Exclusão de Tartarugas – e em um período de 60 dias começasse um programa de educação ambiental para seus empregados. Umas das surpresas do veredicto da Juíza Federal foram que as suas ordens judiciais deveriam ser comprovadas à satisfação da Sea Shepherd.

“O veredicto da Juíza Federal reflete nada menos que o respeito pela qualidade e seriedade dos esforços da Sea Shepherd pela conservação marinha e a execução da lei“, explica Cristiano Pacheco.

“O Instituto Sea Shepherd Brasil afirma que esta não foi uma operação pontual, e será realizada com maior freqüência, buscando sempre coibir a pesca ilegal, que causa tanta morte e destruição à vida marinha e ecossistemas litorâneos. Como o ator e agora governador da Califórnia, Arnold Schwarznegger, diz em seus filmes, nós voltaremos“, comenta Daniel Vairo, diretor geral voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil.

Sea Shepherd Brasil e Instituto Justiça Ambiental formalizam parceria

O dia 9 de junho é um dia que ficará marcado para todos os integrantes e adeptos das ideologias da Sea Shepherd Brasil. Isso por que foi nesse dia que foi firmada uma parceria entre a ONG e o recém formado Instituto Justiça Ambiental, que apóia também outras ONGS do Brasil. A cerimônia que marcou a abertura oficial dos trabalhos do Instituto Justiça Ambiental ocorreu na sala de eventos da sede da nova ONG.

O evento contou com grandes nomes do Direito Ambiental como por exemplo, o Dr. Vladimir Passos de Freitas, integrante do Conselho do IJA, e Marga Inge Barth Tessler, Desembargadora do Tribunal Regional Federal da Quarta Região. Miguel Milano, da Fundação AVINA – profundo conhecedor e pioneiro no país em projetos voltados para a preservação do meio ambiente – fez a abertura dos trabalhos pontuando a relevância da missão do IJA diante de um cenário de crise ambiental.

Na seqüência o Dr. Vladimir Passos de Freitas discorreu sobre a necessidade do preenchimento da grande lacuna entre a sociedade civil e a efetiva tutela do meio ambiente, de forma a garantir o cumprimento da legislação ambiental e um meio ambiente saudável para as futuras gerações. Letícia Albuquerque, conselheira e Presidente do IJA, reafirmou a enorme importância do trabalho a ser realizado e a necessidade do engajamento para a consecução dos objetivos estatutários.

Daniel Vairo, fundador e diretor geral do Instituto Sea Shepherd Brasil, fez discurso emocionante lembrando de momentos importantes nos dez anos de trabalho voluntário prestados pelo Dr. Cristiano Pacheco em favor da Sea Shepherd Brasil: “Foi logo no início, em meados de 2000 quando o Cristiano, ainda estudante de direito conheceu a Sea Shepherd. Naquela época estávamos reformando uma pequena casa na Rua Bagé, e o Cristiano veio ajudar carregando pedras, pintando e limpando o que seria nosso novo e pequeno escritório “– relembrava Daniel.

Ele completou dizendo que logo mais tarde naquele mesmo ano, os voluntários da Sea Shepherd se mobilizaram para flagrar embarcações pesqueiras que praticavam a pesca de arrasto de forma irregular no litoral gaúcho. “Foi a partir desta ação que o Cristiano começou sua longa e comprometida jornada dentro da organização. A partir das provas coletadas na denominada Campanha X, o Instituto Sea Shepherd, através da liderança do Cristiano ingressou com a primeira ação civil pública no Brasil contra a pesca de arrasto predatória.” Completou Daniel.

Vairo aproveitou a ocasião para merecidamente condecorar com uma medalha o Tenente Coronel Duarte (ex- Comandante da Patrulha Ambiental – PATRAM/Litoral Norte), pelo sucesso absoluto e comprometimento na fiscalização costeira contra a pesca de arrasto ilegal marinho.

Reconhecimento

Graças ao trabalho realizado com seriedade e dedicação, que o advogado especialista em Direito Ambiental, Cristiano Pacheco, vem realizando há quase uma década, em favor da Sea Shepherd Brasil e outras ONGs, recebeu em dezembro de 2008, o convite da Fundação AVINA, instituição que apóia projetos ambientais no Brasil e América Latina, para então integrar a Rede de Líderes AVINA, na direção executiva do Instituto Justiça Ambiental. Sobre isso ele comenta: “Recebi o convite com grande alegria, pois acredito fortemente na missão e nos objetivos perseguidos pelo Instituto Justiça Ambiental”.

Ele comenta ainda de que forma continuará ajudando a vida marinha, agora, na direção do Instituto Justiça Ambiental: “Estando na direção executiva poderei apoiar além da Sea Shepherd, diversas ONGs de todo o país. Temos como intuito traçar estratégias para envolver a sociedade civil de forma que, com nosso apoio e capacitação, ela mesma encontre soluções para seus problemas ambientais locais”, completa Cristiano Pacheco.

Importância das ações da Sea Shepherd no combate ao crime ambiental

O Instituto Sea Shepherd Brasil há uma década vem atuando de forma determinada em favor do cumprimento da legislação ambiental e da proteção do meio ambiente marinho, sempre contando com seriedade, boa vontade e trabalho voluntário cedido por diversos profissionais das mais diversas áreas.

No departamento jurídico, atuando em parceria com empresas privadas de todos os portes, Poder Público, ONGs e principalmente com o apoio de indivíduos que querem fazer a diferença, a instituição vem reafirmando a importância de sua existência e missão, tornando-se uma plataforma para aqueles que estão insatisfeitos com as injustiças ambientais contra a vida marinha.