Japão mantém prisioneiro o capitão Bethune, da Sea Shepherd

Bethune

Peter Bethune, o homem que bateu o recorde em velocidade pelo mar com o catamarã Earthrace (Ady Gil), vira prisioneiro do governo japonês por tentar salvar baleias.

Por Giovanna Chinellato Agência de Notícias dos Direitos Animais

O governo japonês disse que levará o capitão Peter Bethune da Nova Zelândia para ser julgado na corte japonesa com acusações não declaradas.

A Sea Shepherd e o capitão Peter Bethune estavam preparados para essa possibilidade antes de o capitão Bethune abordar o Shonan Maru 2.

“O barco Ady Gil de 3 milhões de dólares do capitão Peter Bethune foi partido ao meio, afundado e destruído pelo capitão do Shonan Maru 2. O incidente deixou um dos seis membros da tripulação ferido e poderia ter matado todos os seis”, disse o capitão Paul Watson. “O capitão Bethune estava totalmente a par de seus direitos em confrontar o homem que quase o matou e destruiu seu navio. Agora, esse mesmo capitão que destruiu um navio quase matando seus tripulantes pretende levar o capitão Bethune de volta ao Japão para sua prisão. A questão precisa ser colocada: Quem é o pirata aqui?”

A Sea Shepherd vê isso como uma oportunidade de conseguir o apoio para o capitão Bethune na Nova Zelândia e Austrália. Esses japoneses “diplomáticos” invadem o santuário de baleias com impunidade e agora eles querem mandar crucificar um herói por defender as baleias.

O capitão Peter Bethune não é mais apenas o homem que bateu o recorde em velocidade pelo mar e teve a coragem de defender baleias. Ele agora é o símbolo dos cidadãos da Nova Zelândia e Austrália e de seu amor pelas baleias.

“Não acredito que a Austrália e Nova Zelândia irão tolerar o abuso de Peter Bethune pelos assassinos do Japão que anualmente saqueiam o santuário das baleias por lucro alegando pesquisas científicas”, disse a chefe de cozinha do Steve Irwin, Laura Dakin de Canberra.

“Se os japoneses colocarem Peter Bethune sob julgamento no Japão, será um caso que atrairá atenção do mundo todo”, disse o capitão Paul Watson. “O que o governo japonês está pensando? O processo sobre o capitão Peter Bethune irá ser o início de uma campanha por sua libertação e para acabar com o abate brutal e ilegal de baleias no santuário do sul”.

Fonte: Sea Shepherd Conservation Society

Fonte: Sea Shepherd Conservation Society

Ativista da Sea Shepherd pula de jet ski para embarcar em baleeiro japonês

Fonte: Último Segundo

Um ativista da Sea Shepherd, que atua em defesa das baleias, pulou de um jet ski em alta velocidade e embarcou num baleeiro japonês em pleno oceano na Antártida na segunda (14), para prender os supostos responsáveis pela destruição de seu barco no mês passado. A ousadia foi responsabilidade do grupo ambientalista americano Sea Shepherd.

O Instituto de Pesquisa Cetácea, do Japão, responsável pelo baleeiro, confirmou a presença do ecologista Peter Bethune no barco. Em declaração, o instituto classificou o embarque como ilegal e que seria uma manobra para chamar a atenção da mídia.

Bethune planejava entregar uma conta de 3 milhões de dólares, o custo da substituição do Ady Gil, um barco do Sea Shepherd que ele capitaneava e que foi destruído numa colisão entre as duas embarcações no mês passado. Ele também queria responsabilizar criminalmente o capitão do Shonan Maru 2 pela destruição do Ady Gil e pela tentativa de assassinato de seis tripulantes do navio.

O fundador do Sea Shepherd, Paul Watson, disse que Bethune vai exigir a rendição do capitão japonês ou levar o baleeiro para o porto mais próximo na Austrália ou Nova Zelândia e entregá-lo às autoridades.

Manobra perigosa

Watson disse que Bethune deixou outro barco do Sea Shepherd, o Steve Irwin, às seis da manhã em um jet ski, para se aproximar do navio japonês, que se movia a 14 nós (cerca de 26 km/h). O piloto do jet ski manobrou o veículo até chegar perto do casco, e Bethune conseguiu pular para dentro do Shonan Maru 2.

O Instituto de Pesquisa Cetácea afirmou em declaração que o baleeiro não tem condições de levar Bethune de volta ao seu navio. “O que ele (Bethune) fez é um ato ilegal”, perante as leis marítimas, disse o porta-voz do instituto, Glenn  Inwood. “Na pior das hipóteses, ele será levado ao Japão.”

No entanto, Donald Rothwell, professor de Legislação Internacional e Marítima da Universidade Nacional Australiana, disse que ação de Pete Bethune não foi ilegal, a não ser que ele esteja planejando machucar a tripulação ou prejudicar a segurança do Shonan Maru 2.

Tetsuro Fukuyama, secretário de estado para assuntos internacionais do Japão, disse que o incidente todo era “lamentável”. “Nós ainda não esclarecemos as intenções do ativista”, disse. “Quando confirmarmos o fato e a nacionalidade do navio ao qual ele pertence, vamos fazer nosso protesto e exigir que tomem as medidas cabíveis”.

O Japão tem uma frota de seis navios baleeiros na Antártida como parte de seu programa de pesquisa científica, uma exceção legal à moratória de caça comercial de baleias instituída em 1986. A frota caça centenas de baleias, em sua maioria minke, que não é uma espécie ameaçada de extinção. A carne de baleia que não é usada para pesquisa é vendida para consumidores japoneses, o que, segundo os críticos, seria a verdadeira motivação da suposta pesquisa científica.

Embates diretos

O Sea Shepherd manda navios para confrontar os baleeiros japoneses todos os anos, tentando bloquear os arpões e soltando cordas na água para obstruir os motores das embarcações. Os baleeiros respondem de acordo: atirando canhões  aquáticos e instalando dispositivos sonares que desorientam os equipamentos dos ativistas. Alguns embates mais diretos acontecem ocasionalmente, como o choque em 6 de janeiro entre o Ady Gil do Sea Shepherd e o Shonan Maru, que causou o naufrágio do primeiro. Ambas as tripulações tiveram apenas ferimentos leves.

Os governos da Austrália e da Nova Zelândia, que são responsáveis pelo resgate marítimo na área onde a caça às baleias normalmente acontece, repetidas vezes já pediram a ambas as partes que aliviassem as agressões mútuas.

Na segunda-feira (14), o primeiro-ministro neozelandês John Key chamou os últimos acontecimentos de “verdadeiramente perigosos”. “Estes grupos estão operando na Antártida, um mar gelado que leva à morte quem ficar submerso por mais de 12 minutos. Não acho que este tipo de comportamento seja extremamente sensato,” disse.

Fonte: Último Segundo

Novo confronto entre ativistas da Sea Shepherd e baleeiros japoneses dura mais de cinco horas

Por Raquel Soldera da  Agência de Notícias de Direitos Animais

UntitledUma batalha foi travada entre os navios da Sea Shepherd Conservation Society e da frota baleeira japonesa, quando os baleeiros ignoraram um aviso do Sea Shepherd para não entrar novamente no Santuário do Oceano Austral.

A frota japonesa foi escoltada para fora do Santuário de Baleias do Oceano Austral na terça-feira, 9 (leia notícia publicada na ANDA aqui).

No entanto, a frota baleeira japonesa voltou para o Santuário no fim da tarde de quinta-feira (11). O navio da Sea Shepherd, Steve Irwin, alertou a frota do Nisshin Maru para que não entrasse no Santuário das Baleias. O Nisshin Maru respondeu com canhões de água e dispositivos acústicos de longo alcance (LRAD, em inglês). O Steve Irwin respondeu à agressão direcionando canhões de água ao navio Nisshin Maru.

Em seguida, os tripulantes do Steve Irwin tentaram lançar o helicóptero quando as três embarcações japonesas, utilizando-se de canhões de água, tentaram destruir o helicóptero da Sea Shepherd que estava na plataforma. O outro navio da Sea Shepherd, Bob Barker, se posicionou tentando bloquear as embarcações japonesas, enquanto os tripulantes do navio Steve Irwin dispararam foguetes de aviso para forçar os japoneses a recuar.




Confronto entre os navios Steve Irwin e Nisshin Maru. (Foto: Barbara Viega/Sea Shepherd)




O confronto entre os seis navios, quatro baleeiros japoneses e dois navios da Sea Shepherd durou mais de cinco horas. Muitos acidentes estiveram próximos de acontecer, mas não houve colisões, nem feridos.

A Sea Shepherd tentou irritar os baleeiros japoneses atirando manteiga podre. Todos os navios da frota baleeira japonesa recuaram e continuam em direção ao santuário de baleias do Oceano Antártico.

“Hoje faz uma semana que nenhuma baleia foi morta”, disse o Capitão Paul Watson, fundador da Sea Shepherd Conservation Society. “Nosso objetivo agora é completar duas semanas, e depois de três semanas. Nós não vamos tolerar a morte de uma única baleia. Se eles tentarem matar uma baleia e tranferi-la para o navio Nisshin Maru, haverá colisões inevitáveis, porque não vamos nos retirar, nem deixar de bloquear a rampa de lançamento. Isso eu posso prometer”.

Baleeiro japonês ilegal bate em navio da Sea Shepherd

Por Raquel Soldera da Agência de Notícias de Direitos Animais

baleeiro e Bob BarkerÀs 12:09, horário da Austrália, o barco da frota japonesa Yushin Maru 3 bateu intencionalmente no navio da Sea Shepherd, Bob Barker, colocando em risco a vida da tripulação. A colisão aconteceu a cerca de 180 milhas do Cabo Darnley, no território antártico australiano.

 Danos causados ao navio Bob Barker com a colisão. (Imagem: Sea Shepherd)

Danos causados ao navio Bob Barker com a colisão. (Imagem: Sea Shepherd)

O navio Bob Barker tinha bloqueado a rampa de lançamento do Nisshin Maru, navio da frota baleeira japonesa, quando a colisão ocorreu. Quatro navios arpão, o Yushin Maru 1, 2 e 3 e o Shonan Maru 2, estavam circulando perto da popa e da proa do navio da Sea Shepherd. O Bob Barker não se moveu de sua posição, e o Yushin Maru 3 intencionalmente bateu no navio da Sea Shepherd, causando um corte profundo no lado do navio.
Nenhum membro da tripulação ficou ferido durante a colisão. O Bob Barker continua bloqueando a rampa de lançamento do Nisshin Maru, impedindo a transferência de baleias mortas pelos demais barcos, e impedindo as operações de caça.

Assista ao vídeo do momento da colisão:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=G9_6oTZ_fgs[/youtube]
O incidente demonstra uma contínua escalada de violência por parte dos baleeiros japoneses no Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

Segundo o capitão e fundador da Sea Shepherd, Paul Watson, “os baleeiros japoneses escaparam ilesos no afundamento do Ady Gil (leia matéria publicada na ANDA aqui) e agora acreditam que podem fazer o que quiserem, e parecem não terem dúvidas em colocar em risco a tripulação da Sea Shepherd. O que nós realmente precisamos é que os governos da Austrália e da Nova Zelândia comecem a aplicar as leis marítimas nestas águas, ou ninguém sabe o que os baleeiros farão em seguida. Cidadãos da Austrália e Nova Zelândia correm risco de morte todos os dias nessas águas”.

A tripulação do Bob Barker percebeu que o Yushin Maru 3 parou de se mover na água logo após o impacto, e parecia estar ficando para trás enquanto o Bob Barker manteve a sua posição sobre na popa do Nisshin Maru. É possível que o Yushin Maru 3 tenha se danificado na colisão.

Os últimos acontecimentos da campanha deste ano contra a caça das baleias, promovida pela Sea Shepherd, demonstram que os baleeiros japoneses estão muito mais agressivos do que nos anos anteriores.

“Não há tempo para soluções educativas”, diz Paul Watson sobre baleias

Joana Duarte , Jornal do Brasil

Paul retira bala do colete durante campanha contra baleeiros japoneses.

Paul retira bala do colete durante campanha contra baleeiros japoneses.

RIO – O capitão Paul Watson já levou tiros de rifle, já algemou-se a uma pilha de peles de focas amarradas no guincho de um baleeiro, já suportou ser mergulhado no mar gelado do Oceano Austral até perder a consciência e já quase se sufocou ao ter seu rosto pressionado na rançosa gordura de focas mortas, seu corpo arrastado no sangue e cadáver dos mesmos animais que há décadas tenta salvar. Apesar dos riscos que corre, nada parece aplacar o ímpeto do rebelde marinheiro, que dedica sua vida à preservação das espécies nos oceanos – até o a pequenino atum-rabilho vive hoje sob a tutela do indomável capitão. Em entrevista ao JB, Watson revela seu propósito e suas peripécias.

A luta da Sea Shepherd em defesa das baleias contra a sanha de baleeiros japoneses ganhou ares de uma verdadeira guerra. O episódio do afundamento do Ady Gil tem esta dimensão?

Tem sim. Nós já fomos atacados com tiros de rifle, granadas, armas acústicas de longo alcance e, recentemente, eles afundaram um dos nossos navios, quase matando seis pessoas da nossa equipe. Isso definitivamente é uma guerra.

O Japão caça baleias e alega que faz isso com interesse científico, por meio do Institute of Cetacean Research (ICR). Como o senhor vê esta questão?

A Comissão Internacional da Baleia (IWC, em inglês) proibiu a caça às baleias em 1986, e o Institute of Cetacean Research foi criado logo em seguida, em 1987, para dar inicio às tais “pesquisas científicas”. É simplesmente uma camuflagem para continuar a matar baleias por razões puramente comerciais. O Instituto nunca publicou sequer um estudo científico avaliado pela comunidade internacional desde a sua fundação.

A Comissão Internacional Baleeira (CIB), em tese, defende a preservação das baleias, mas é acusada de ser manipulada pela indústria pesqueira. O senhor concorda com isso?

A IWC é o único órgão regulador responsável por supervisionar as atividades baleeiras mundialmente. Infelizmente, é uma organização sem dentes. Os japoneses têm conseguido ampliar seu controle da IWC atraindo para o colegiado países em desenvolvimento e comprando seus votos.

É verdade que a frota baleeira japonesa usa até aviões para espionar o movimento das embarcações da Sea Shepherd?

Sim, mas desde que fizemos denúncias, o governo australiano tomou medidas para proibir que voos de vigilância japoneses decolem de aeroportos australianos. O baleeiro japonês Shonan Maru # 2 foi capaz de localizar o nosso navio Steve Irwin em 8 de dezembro depois de fretar voos que decolaram de Albany, na Austrália Ocidental.

Vimos fotos de navios da Sea Shepherd avançando sobre baleeiros japoneses. É necessário fazer este tipo de enfrentamento?

A Sea Shepherd não é uma organização de protesto. Somos uma organização que luta contra a caça marítima ilegal. Desde que fundei a Sea Shepherd em 1977, nunca fomos responsáveis por uma pessoa ferida ou morta. Nunca fomos condenados por delitos graves e nunca fomos processados. O que temos feito é acabar com as atividades ilegais e salvado milhares de vidas.

A Sea Shepherd busca aplicar leis que já estão em vigor. Quais as leis violadas pelos japoneses? Por que governos não vêm tomando medidas legais?

Os baleeiros japoneses matam espécies em extinção – baleias jubarte e fin – e espécies ameaçadas – baleias-minke –, dentro de um santuário de baleias internacional, violando uma moratória mundial da caça comercial. Os governos não fazem nada por motivos políticos e econômicos, como por exemplo, para não prejudicar o comércio com o Japão. Austrália e França já ameaçaram levar os japoneses ao tribunal internacional, mas não fizeram mais do que ameaças até agora.

Quantas baleias são mortas pelos baleeiros japoneses por ano?

Os japoneses estabelecem duas cotas, uma nos oceanos do Hemisfério Sul e outra no Pacífico Norte. Temos nos concentrado na eliminação da caça no Oceano Austral, onde a cota é de 935 baleias-anãs, 50 baleias jubarte, e 50 baleias fin. No ano passado, conseguimos reduzir a matança a 305 baleias-minke e nenhuma fin ou jubarte. Infelizmente, o governo japonês apoia plenamente operações de caça ilegal com enormes subsídios.

A caça às baleias é proibida por muitos países. Qual é, em síntese, a regulamentação mundial sobre esta atividade? Só o Japão não obedece?

Noruega e Islândia também violam a moratória. O resto do mundo, exceto as nações compradas pelo Japão, se opõem à caça.

Após um longo período sob um governo conservador, o Japão recentemente empossou um novo presidente, mais de esquerda. Você está otimista de que ele poderá limitar as atividades baleeiras do país?

Infelizmente não. Apesar de ter prometido cortar subsídios, o novo governo tem incentivado a caça.

A pesca de baleias está enraizada na cultura japonesa. Conhece alguma organização no Japão que busca reeducar a sociedade?

Não, e não estamos muito interessados nisso. A nossa abordagem é puramente econômica, porque esta é a única linguagem que os baleeiros entendem. As baleias não têm tempo para uma solução educacional.

Por que o senhor deixou o Greenpeace?

O Greenpeace é uma organização de protesto ambiental, enquanto a Sea Shepherd concentra-se na aplicação das leis de conservação. Embora a Sea Shepherd sempre se ofereça para trabalhar em parceria com o Greenpeace, eles têm nos repudiado e continuam sendo muito hostis conosco sem motivo nenhum. Eles alegam que não podemos trabalhar juntos porque somos uma organização violenta. O fato é que a Sea Shepherd nunca machucou ninguém. O Greenpeace já ocasionou mortes, muitas vítimas, inúmeras condenações criminais e ações judiciais. Acho que o Greenpeace nos considera uma ameaça ao seu status de organização de vanguarda, algo que já foi, mas que certamente não é mais.

Fonte: JBOnline