Baleeiros e Defensores das Baleias entram em confronto pela primeira vez na Campanha

Sea Shepherd ataca baleeiros com jatos d’água.

Sea Shepherd ataca baleeiros com jatos d’água.

Os primeiros choques entre baleeiros e os defensores de baleias ocorreram dia 14 de dezembro quando o Steve Irwin e o Shonan Maru número 2 usaram canhões dágua de alta pressão.

O Shonan Maru número 2 tem perseguido o Steve Irwin desde Fremantle dia 09 de dezembro. Por volta das 14 horas (hora de Melbourne) o Steve Irwin deu a volta em um iceberg, realizou uma manobra em 8 fora da visão do Shonan Maru 2 e ressurgiu a menos de uma milha dos baleeiros japoneses pegando-os totalmente desprevenidos.

Leia atualizações da Campanha para defender as baleias no Blog da Sea Shepherd e no Twitter.

Sea Shepherd inicia mais uma operação para salvar as baleias dos navios japoneses

Por Karina Ramos da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Navio da Sea Shepherd enfrentando falso "navio de pesquisa" japonês no inicio de 2009.

Navio da Sea Shepherd enfrentando falso "navio de pesquisa" japonês no inicio de 2009.

A mais nova campanha da Sea Shepherd Conservation Society para interromper as atividades da indústria baleeira japonesa no Oceano Antártico já está em andamento.

O capitão Paul Watson e sua tripulação partiram, recentemente, no navio Steve Irwin de C-Dock, Victoria Quay, em Fremantle, com um grande grupo de apoiadores e a imprensa local que lá estava para a despedida. Uma visita surpresa de Terry, Bindi e Bob Irwin foi comemorada, com Bindi dizendo esperar que neste ano os japoneses não conseguissem matar baleia alguma.

“Estamos muito próximos de levar a frota beleeira à falência e acredito que afetaremos seus lucros significativamente neste ano e conseguiremos fazer a frota parar. Agradecemos todo o apoio que temos recebido ao redor do mundo, principalmente da Austrália, que faz com que tudo isso seja possível”, disse Paul Watson.

Recentemente, Paul também postou comentários em um artigo da Animal Concerns explicando por que essa operação pode ser a mais perigosa para a organização:

“Meu trabalho é dizer coisas que as pessoas podem não querer ouvir, fazer coisas das quais algumas pessoas podem discordar. Meu trabalho é incomodar as pessoas, salvar o máximo de vidas que for possível, balançar o barco e fazer ondas. Não estou aqui para ganhar concursos de popularidade ou o maldito Prêmio Ambiental Chevron. Não estou aqui para fazer falsas promessas e críticas açucaradas. Estou aqui para fazer a diferença e as pessoas podem argumentar se estou fazendo ou não. Não me importo, a história vai dizer.”

O outro navio da organização, o Ady Gil, partiu de Hobart, na Tasmânia.

Fonte: Animal Concerns

Baleias em Santa Catarina viram alvo de Norueguesa

“Eu às vezes fico pensando em como seria se os brasileiros falassem. Se protestassem contra o que lhes fazem, se fizessem discursos indignados em todas as filas de matadouro, se cobrassem com veemência uma participação em tudo o que produzem para enriquecer os outros, reagissem a todas as mentiras que lhes dizem, reclamassem tudo que lhes foi negado e sonegado e se negassem a continuar sendo devorados, rotineiramente, em silêncio. Não é da sua natureza, eu sei, só estou especulando. Ainda seriam dominados por quem domina a linguagem e, além de tudo, sabe que fala mais alto o que nem boca tem, o dinheiro. Mas pelo menos não os comeriam com a mesma empáfia”.

Luis Fernando Veríssimo, O Mundo Bárbaro.

Não é nenhum segredo que todos os anos a frota baleeira norueguesa mata cerca de 800 baleias. Enquanto o Japão esconde suas atividades ilícitas debaixo do disfarce de “pesquisa científica”, os noruegueses desafiam a moratória da caça comercial escancaradamente.

A baleia franca é um dos maiores cetáceos existentes, e é a segunda espécie de baleias mais ameaçada de extinção do planeta. Estima-se que existam atualmente apenas sete mil animais pelo mundo. No Brasil as baleias francas foram caçadas até meados da década de 70 na região de Santa Catarina, que conseqüentemente é um dos lugares procurados pelas baleias francas para reprodução. Apesar da caça comercial as baleias em Santa Catarina ter se estendido ate 1973, na Paraíba ela continuou ativa pelos japoneses, até 1985.

Mas o fim da caça comercial no Brasil não foi o suficiente para reverter o dano que o homem causou as populações locais das baleias francas. Ambientalistas como José Truda Palazzo, cofundador do Projeto Baleia Franca, lutaram pela preservação e proteção desta espécie de diversas formas.

Em 1999 o Projeto Baleia Franca na liderança de Truda Palazzo propôs a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, que foi efetivada por Decreto Federal em 2000. Como todas as Áreas de Proteção Ambiental, a APA da Baleia Franca é administrada pelo IBAMA (hoje pelo ICMBIO), mas contem um conselho gestor cujo o Instituto Sea Shepherd integra desde 2006, formado de ONGs e outras organizações regionais.

A APA da Baleia Franca é formada por regiões costeiras, são 130 km de costa, mais 156.000 hectares de águas e espaços terrestres adjacentes.

A APA da Baleia Franca é formada por regiões costeiras, são 130 km de costa, mais 156.000 hectares de águas e espaços terrestres adjacentes.

A APA da Baleia Franca é formada por regiões costeiras habitadas por uma grande biodiversidade, são 130 km de costa, mais 156.000 hectares de águas e espaços terrestres adjacentes. A conservação e o equilíbrio deste ecossistema é vital para o equilíbrio ecológico das espécies regionais e as migratórias como o caso da baleia franca.

Porém uma tragédia é iminente e as baleias francas em Santa Catarina serão vítimas colaterais de um empreendimento milionário que construirá um complexo de fabricação de superfosfato de uma mineradora norueguesa Yara em joint-venture com outra multinacional do mesmo ramo, Bunge.

O empreendimento tem como objetivo a mineração e a produção de ácido sulfúrico no município de Anitápolis, envolvendo considerável impacto ambiental sobre uma das mais belas áreas do estado de Santa Catarina, berço e nascente de importantes rios da região. O complexo atingirá áreas de preservação permanente, unidades de conservação, lagunas e área costeira, impactando de forma significativa mais de vinte e um Municípios catarinenses.

Serra do Rio dos Pinheiros  - região que será inundada pelos lagos da mineração e suas 2 barragens com 80 metros de altura sobre o nível do Rio dos Pinheiros

Serra do Rio dos Pinheiros - região que será inundada pelos lagos da mineração e suas 2 barragens com 80 metros de altura sobre o nível do Rio dos Pinheiros

O Instituto Sea Shepherd Brasil, recebeu a notícia deste empreendimento com grande preocupação sobre o fato que a fosfateira afetará de forma significativa os rios que banham os municípios próximos ao complexo industrial. A preocupação da Sea Shepherd se dá em razão de que toda a água e resíduos industriais serão diretamente lançados ao mar onde as baleias francas se encontram anualmente para procriar.

A Área de Preservação Ambiental da Baleia Franca será diretamente afetada. Isto é um fato. A região costeira é rota migratória das baleias francas e diversas espécies de golfinhos, abundantes na região. Tais animais são protegidos pela Lei Federal nº 7.643/87 que proíbe o molestamento de cetáceos em águas jurisdicionais brasileiras.

Assim, mais uma vez as baleias francas estão na mira de indústrias extrativistas estrangeiras, e de outro lado os ambientalistas unem esforços para defender a beleza e biodiversidade da natureza brasileira.

Em 19 de junho de 2009 uma pequena ONG de Santa Catarina, a Associação Montanha Viva, liderado pelo seu presidente o professor Jorginho Albuquerque, enviou ofício ao BNDES solicitando informações sobre o financiamento do empreendimento. Em 17 de agosto o BNDES respondeu informando que é rigoroso quanto ao cumprimento da legislação ambiental dos empreendimentos que licencia, porém preferiu não fornecer informações quanto ao contrato de financiamento, com base na Lei Complementar 105/01 que garante o sigilo às instituições financeiras.

A Associação Montanha Viva também questiona o fato do empreendimento estar sendo licenciado pelo órgão ambiental estadual, a FATMA, e não pelo federal, o IBAMA, que tem mais condições técnicas para licenciar um empreendimento desta magnitude, que envolve bens e interesse da União, jazidas de fosfato que podem resultar em contaminação por radioatividade e metais pesados que impactarão lençóis freáticos, dentro da APA da Baleia Franca.

No dia 1º de Outubro deste ano, o representante legal da Associação Montanha Viva, o Doutor Eduardo Lima, através da Vara Federal Ambiental de Florianópolis, conseguiu ordem liminar suspendendo a licença ambiental prévia da empresa norueguesa para iniciar a construção da fosfateira.

“Nas próximas reuniões da APA da Baleia Franca e dos Comitês Técnicos da Mineração colocaremos em pauta a questão e o Instituto Sea Shepherd Brasil estará mais atento aos andamentos da ação civil pública movida pela Associação Montanha Viva contra o empreendimento,” comentou Hugo Malagoli, coordenador regional voluntário do ISSB em Santa Catarina.

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Silêncio diplomático diante de iminente matança de baleias

Por Marcela Valente (IPS/Envolverde)

Buenos Aires, 25/11/2009, (IPS) – Os governos latino-americanos prevêem responder em bloco à decisão do Japão de habilitar a partida de sua frota baleeira para a Antártida para, segundo sua justificativa, nova temporada de “caça com fins científicos”, que ameaça a vida de mil destes cetáceos no protegido santuário austral.

Mas a eventual ação diplomática em estudo pelos países da região integrantes da Comissão Baleeira Internacional (CBI) ao que parece não chegará no tempo reclamado pelas organizações conservacionistas para evitar uma nova matança destes mamíferos como as que vêm ocorrendo ano a ano.

Na semana passada o Japão autorizou a partida da frota baleeira, apesar de estarem em andamento negociações na CBI para definir se mantém, ou não, a autorização para a caça não letal ou com fins científicos. Os conservacionistas querem revogar esta exceção, à qual o Japão apela para fornecer carne ao seu mercado. Mas os países favoráveis à caça buscam levantar a moratória vigente desde 1986, que restringe a caça comercial. Existe na discussão uma paridade de posições que impede chegar-se à maioria exigida para adotar mudanças, mas a América Latina trabalha fortemente.

Todos os países da região defendem posições conservacionistas nesta matéria e lideram no mundo as gestões para frear a caça. Este perfil se reflete na designação do atual presidente da CBI, o comissário chileno Cristián Maqueira. Por iniciativa da região foi criado este ano um pequeno grupo de nações que se reuniu, sem resultado, em outubro e voltará a se reunir em dezembro no Chile em busca de um acordo. No entanto, a partida da frota japonesa foi recebida como mau presságio entre as organizações não-governamentais.

“Se o Japão não partisse para a Antártida estaria fazendo um gesto de boa vontade”, disse à IPS a argentina Roxana Steinberg, do Instituto de Conservação de Baleias (ICB). Por outro lado, a continuidade desta prática em plena negociação “é uma burla”, ressaltou. “Nos preocupa seriamente o silêncio dos governos”, acrescentou. O brasileiro José Truda Palazzo, ex-comissário governamental da CBI e agora membro do Centro de Conservação Cetácea no Brasil, disse que “é hora de acabar com a imobilidade. Alertou, ainda, que enquanto os comissários negociam, os baleeiros “continuam massacrando baleias, sem que ninguém os puna”.

Mediante comunicado conjunto do último dia 11, 40 organizações não-governamentais da região, entre elas as que integram Steinberg e Palazzo, solicitaram aos governos latino-americanos da CBI – todos, menos Colômbia e Venezuela – que impeçam uma nova carnificina a favor do diálogo. As entidades haviam feito um apelo para que as nações da região liderem “uma ação diplomática contra a matança indiscriminada de baleias”.

No momento em que divulgaram essa mensagem, as organizações conservacionistas supunham que a frota partiria do Japão apenas em dezembro, e desejava evitar isso. Mas, na semana passada foram surpreendidas ao saberem que o navio-fábrica Nisshin Maru, insígnia da flota baleeira, e outras pequenas embarcações, já havia partido. A frota se dirige ao Santuário Baleeiro Austral, nas águas em torno da Antártida. Trata-se de uma área de proteção criada pela CBI em 1994, onde está proibida a caça com fins comerciais. A demarcação da zona foi votada pelos países membros da comissão menos o Japão.

Desde que a CBI aprovou a moratória para deter a caça comercial, em 1986, o Japão capturou mais de oito mil baleias na área que depois foi declarada santuário. E se somarmos as capturas feitas por Islândia e Noruega chega-se a 20 mil baleias mortas. Nesta campanha, estima-se que o Japão irá capturar cerca de mil cetáceos, um total semelhante ao que caçou nos dois últimos anos, segundos a CBI, e que se aproxima perigosamente dos níveis de caça anteriores à moratória, quando a atividade praticamente não sofria restrição, explicou Steinberg. As entidades denunciaram ainda que a frota caçou na última temporada mais de 300 baleias fêmeas, 63% delas prenhes.

A IPS ouviu funcionários de três países que trabalham nestes temas para saber se haveria uma condenação ao Japão por esta ação, e responderam que o caso está sendo analisado. “O assunto é objeto de consideração dentro do grupo Buenos Aires”, disse uma fonte brasileira próxima ao comissariado, sem dar mais dados. No entanto, a fonte da Argentina, que pediu para não ser identificada, afirmou que os comissários da região “estão em contato entre si e avaliando o que fazer”, embora admitindo que a eventual resposta pode demorar porque “a coordenação leva tempo”.

“Os ingleses estiveram durante três ou quatro meses coordenando uma ‘demarche’ (ação diplomática) contra a Islândia”, disse a fonte. “Por outro lado, se o que se deseja é uma ação política séria, que tenha algum impacto no Japão, é preciso uma boa preparação”, justificou. A fonte recordou que até agora houve meia dúzia de ações deste tipo contra o Japão sem nenhum resultado. De fato, o Grupo de Buenos Aires foi criado em 2005 e sua primeira ação foi condenar o Japão por enviar sua frota de caça à Antártida, e a prática contínua desde então.

“Muitas vezes as organizações não-governamentais pensam que com a divulgação de uma carta muda-se a situação, mas, lamentavelmente, o mundo não funciona assim”, ressaltou a fonte, destacando que pela primeira vez em 20 anos a CBI negocia a questão da caça científica e isso, segundo os governos, é um avanço.

França apoia ação judicial contra baleeiros japoneses

Por Karina Ramos da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

A França diz que adotar uma ação legal contra a caça às baleias é “uma boa ideia”, embora a Austrália esteja um tanto indiferente em relação ao assunto.

O Partido Trabalhista, nas últimas eleições, prometeu levar o Japão ao Tribunal Internacional de Justiça para acabar com a caça às baleias. Dois anos se passaram e nenhuma atitude foi tomada.

O representante do Meio Ambiente do governo da França, Laurent Stefanini, disse que a França e a Austrália estavam trabalhando unidas na questão das baleias. Ele apoiou dar passos em direção à ação legal, possivelmente em conjunto com outros países.

“Leva tempo… mas é uma boa ideia”, declarou Stefanini ao AAP em Paris.

A França ainda não decidiu se vai levar a situação aos tribunais. Uma questão seria se os países respeitariam as convenções internacionais que assinaram.

A organização Sea Shepherd pretende perseguir a frota baleeira japonesa no Oceano Austral neste ano e já avisou que os japoneses provavelmente caçarão baleias em águas australianas.

A Sea Shepherd é famosa por bater nos navios e jogar bombas de mau cheiro nos navios-fábrica dos caçadores. A Austrália é cautelosa com as atividades da Sea Shepherd, mas Stefanini apoia mais os protestos.

“Acho que levar adiante uma campanha, interferir de alguma maneira, não é uma coisa ruim”, disse ele.

A Austrália diz que a iniciativa mostra que os pesquisadores não precisam matar baleias para estudá-las. O Japão diz que caça baleias para fins “científicos” , embora já esteja provado que a carne do animal vai parar nos pratos.

Os franceses estão pesquisando os efeitos da poluição sonora nas baleias e planejam compartilhar os resultados dos estudos, de acordo com o relatado por Stefanini.

Fonte: News.com.au