Ilhas Faroé: operação secreta da Sea Shepherd expõe massacre em massa de cetáceos

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No dia 19 de Julho de 2010 um grupo de 236 baleias-piloto foram assassinadas sem piedade na cidade de Klaksvik, nas Ilhas Faroé, uma nação constituinte do Reino da Dinamarca. A Sea Shepherd conseguiu documentar o massacre através dos esforços de um ativista que viveu entre os moradores locais disfarçado para conseguir as imagens do massacre, chamado pelos locais de “a trituração”, que envolve encurralar grupos de cetáceos em uma enseada e cortar a coluna vertebral dos animais com uma faca.

Peter Hammarstedt, o agente secreto da Sea Shepherd e primeiro oficial do navio Bob Barker da Sea Shepherd, estava vivendo clandestinamente entre os ferozes moradores locais por mais de uma semana, quando ouviu pelo rádio informações sobre o massacre acontecendo em Klaksvik. Imediatamente ele foi de carro para o local do crime. Sem condições nenhuma de impedir o massacre, Hammarstedt documentou o sanguinolento processo.

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“Baleias piloto são conhecidas por andar em gruposs de 200-300 membros. Duzentas e trinta e seis baleias piloto foram massacradas na noite passada em Klaksvik: adultas, prenhas, amamentantes, juvenis e fetos, ainda ligados umbilicalmente com as mães. Um grupo inteiro que antes nadava livremente nas águas do Atlântico Norte foi exterminado em um banho de sangue coletivo”, disse Hammarstedt.

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O governo das Ilhas Faroé alega que a morte destas baleias é rápida e indolor, mas as novas imagens mostradas provam o contrário.
“Uma das baleias teve 5 ou 6 golpes brutais à faca na cabeça”, relata Hammarstedt. “Os moradores locais simplesmente usaram esta baleia como apoio. A morte dela foi lenta e extremamente dolorosa. Algumas baleias são atacadas repetitivamente por até 4 minutos antes de finalmente morrerem.”

O massacre como um todo é indiscriminado e cruel.

“Bebês foram arrancados de dentro dos corpos cortados de suas mães e deixados para apodrecer no píer”, diz Hammarstedt, que fotografou vários filhotes e fetos mortos. “Baleias piloto são grupos extremamente maternais. Não consigo imaginar o medo e pânico destas mães enquanto seus filhotes eram arrancados de perto delas.”

O massacre das baleias piloto em Faroé é similar ao massacre de golfinhos em Taiji no Japão, como mostrado do documentário The Cove. A diferença principal é que existe no mínimo 18 enseadas nas Ilhas Faroé, onde este massacre acontece, tornando extremamente difícil conseguir saber onde o massacre ocorrerá para se tentar impedir.

Baleias piloto são classificadas como “estritamamente protegidas” pela Convenção Européia de Conservação da Vida Selvagem. Permitindo este massacre nas Ilhas Faroé, a Dinamarca falha nas suas obrigações como signatária desta convenção.

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Peter Hammarstedt

Para conseguir acesso ao local do massacre, Hammarstedt se disfarçou como um estudante suíço de cinema. Mesmo tendo tomado várias precauções para esconder sua identidade, ele foi reconhecido por vários dos caçadores, em função do seriado de televisão Whale Wars – Defensores de Baleias, do Animal Planet. Aparentemente mesmo nas Ilhas Faroé as intervenções da Sea Shepherd em prol das baleias na Antártida já foram ouvidas.

Quando os matadores das baleias começaram a seguir à pé Hammarstedt, ele rapidamente escapou para seu carro e saiu do local, enviando pela internet as imagens para garantir a sua divulgação. Com sua identidade descoberta, ele começou a receber ameaças em menos de uma hora e foi instruído pelo comando da Sea Shepherd a deixar o país imediatamente.

Apesar de revistado e interrogado pela polícia no aeroporto, Hammarstedt confirmou que já saiu das Ilhas Faroé.

A Sea Shepherd Conservation Society tem se oposto ativamente e confrontado os massacres nas Ilhas Faroé desde 1985, e continua até hoje como um dos maiores defensores da causa das baleias.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

O Guerreiro das Baleias, Capitão Pete Bethune, está livre para voltar para casa

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

Peter Bethune.

Peter Bethune.

Em 06 de janeiro de 2010, o capitão Hiroyuki Komura, do navio baleeiro japonês ilegal, o Shonan Maru # 2, deliberadamente bateu e destruiu o navio da Sea Shepherd Conservation Society, o Ady Gil. O Capitão Komura quase matou seis voluntários e membros da tripulação da Sea Shepherd, e não respondeu ao “mayday” do Ady Gil, um sinal de socorro. As autoridades japonesas recusaram-se a cooperar nas investigações e recusaram pedidos das autoridades marítimas australianas e da Nova Zelândia para interrogar o Capitão Komura.

Em vez disso, o capitão Peter Bethune, o homem que o Capitão Komura quase matou e cujo navio foi destruído, foi levado de volta para o Japão, literalmente, como um prisioneiro de guerra raptado das águas do Território Antártico Australiano. O Capitão Bethune foi preso por embarcar no navio que bateu e destruiu o seu navio, quando ele tinha todo o direito de ficar a bordo do navio para enfrentar o Capitão Komura face a face por seus crimes.

O Capitão Komura deveria ter sido o homem levado a julgamento. Ele não foi, porque nas águas do Santuário de Baleias do Oceano Antártico, os japoneses podiam – ao contrário da lei – fazer o que quisessem, e o capitão Bethune foi levado de volta para o Japão para ser um exemplo de perseguição aos defensores de baleias.

O veredito do tribunal japonês será sempre “culpado”. A Sea Shepherd nunca teve qualquer ilusão de que o capitão Bethune teria um julgamento justo. No tribunal, não foi discutido o motivo pelo qual o capitão Bethune embarcou no Shonan Maru # 2, e o capitão Komura não foi chamado como testemunha. Em suma, o tribunal nunca permitiu que qualquer prova da destruição do Ady Gil fosse ouvida.

A Sea Shepherd gastou mais de meio milhão de dólares na defesa do capitão Bethune, não porque acreditava que ele seria absolvido, mas na tentativa de atenuar sua pena.

O Capitão Bethune poderia enfrentar até quinze anos de prisão. Ele foi sentenciado a dois anos e será deportado de volta para a Nova Zelândia em 09 de julho, com a sua pena suspensa.

A missão do Capitão Bethune foi bem sucedida. Seus esforços ajudaram a salvar a vida de 528 baleias. Ele foi capaz de tirar um dos navios baleeiros da caça às baleias, quando foi levado à força de volta para o Japão. Mais importante, ele expôs a brutalidade e ilegalidade da frota baleeira japonesa para o mundo. Quando você está disposto a arriscar sua vida para salvar as baleias, cinco meses como prisioneiro japonês é uma boa troca pelas vidas salvas.

O Capitão Bethune é um herói para o movimento Salve as Baleias, e ele será bem recebido de volta à Nova Zelândia, como um herói nacional por ter a coragem de fazer o que seu governo teve receio de fazer –  defender as baleias dos caçadores japoneses no Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

O suporte global para o capitão Bethune e a publicidade negativa sobre o programa baleeiro japonês levou a este sucesso. Com o capitão Bethune, o governo japonês estava bem ciente de que a cada dia que ele era mantido preso, seria um dia que poderia gerar protestos contra a abominável matança de baleias. Esse fato, juntamente com os protestos contra a exibição do filme vencedor do Oscar “The Cove”, ajudou a fazer a matança de baleias e golfinhos um dos assuntos mais embaraçosos nas relações internacionais da atualidade, um escândalo para o governo japonês.

O tribunal japonês reconheceu que o Capitão Bethune nunca teve a intenção de ferir alguém, e estava agindo para salvar as baleias da caça ilegal. A verdade é que o Japão quer o Capitão Bethune fora do Japão, e com a pena suspensa, podem enviá-lo de volta para casa rapidamente.
A Sea Shepherd se orgulha das conquistas do Capitão Bethune e está satisfeita com os resultados deste julgamento ridículo, que viu um homem encarcerado por salvar a vida de baleias, mas ignorou os crimes de um caçador japonês que afundou um navio e quase matou seis conservacionistas.

O Capitão Bethune está livre, e isso é o que importa. A Sea Shepherd está livre para retornar ao Oceano Antártico novamente para defender as baleias, e pretendemos ser mais eficazes na próxima temporada do que durante a nossa última temporada altamente eficaz.

O Capitão Bethune é uma inspiração de coragem e dedicação, e seus esforços, seu sacrifício, e sua determinação não serão esquecidos.

Sea Shepherd Brasil busca Condenação dos Culpados pelo Massacre de 83 Golfinhos em Macapá (AP)

Nesta quinta-feira, dia 24 de junho, às 9h, em Macapá (AP), ocorrerá a segunda audiência do caso dos golfinhos, utilizados como isca na pesca ilegal de tubarões, na 2ª Vara da Justiça Federal de Macapá. Será ouvido o Superintendente da Polícia Federal do Amapá, a Polícia Ambiental, a Secretaria da Fazenda e Instituto de Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá.
Na última audiência o réu, Sr. Jonan Queiroz de Figueiredo, proprietário das embarcações acusadas de praticarem a carnificina de golfinhos no estado, confessou que os 83 golfinhos massacrados em 2007 foram entregues, em alto mar, para uma embarcação de pesca para utilização como isca de tubarão.
“A primeira audiência ocorrida dia 12 de abril revelou que os golfinhos foram utilizados como isca de tubarão. Temos informação de um mercado ilegal intenso de barbatanas de tubarão nesta região”, afirma Cristiano Pacheco, diretor executivo do Instituto Justiça Ambiental IJA e diretor jurídico voluntário da Sea Shepherd Brasil.
Entenda o caso
Instituto Sea Shepherd Brasil expõe esquema de pesca ilegal de golfinhos e tubarões no Amapá
Na audiência realizada segunda-feira, dia 12 de abril, em Macapá (AP), foi provado que mais de 80 golfinhos  foram massacrados e utilizados como isca na pesca ilegal de tubarão
A audiência pública ocorreu na 2ª Vara Federal do Amapá e contou com a presença de representantes do Ministério da Pesca, Marinha do Brasil, Ibama do Amapá, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), o réu Jonan Queiroz de Figueiredo (proprietário das embarcações responsáveis pela pesca de golfinhos), Cristiano Pacheco (diretor jurídico do Instituto Sea Shepherd Brasil) e o Dr. Antônio Philomena (oceanógrafo voluntário da Sea Shepherd Brasil).
A audiência iniciou com o depoimento do réu, Jonan Queiroz de Figueiredo, proprietário das embarcações apreendidas. O diretor jurídico voluntário da Sea Shepherd Brasil, Cristiano Pacheco, fez mais de dez perguntas relacionadas à pesca ilegal de golfinhos e a veracidade da alegação do réu, que afirmava que os cetáceos haviam sido pegos por acidente.
O Dr. Antônio Philomena, formulou perguntas técnicas, afirmando ao Juiz que “dificilmente 83 golfinhos ficariam emaranhados acidentalmente em uma rede de malha. Ao que tudo indica, não houve emaranhamento dos animais, assim como, a captura não foi acidental”, ponderou Philomena.
“O depoimento do Sr. Jonan foi a parte mais difícil. Depois de algumas perguntas diretas e incisivas o réu confessou que os 83 golfinhos massacrados em 2007 foram entregues, em alto mar, para uma embarcação de pesca para utilização como isca de tubarão. Desconfiávamos desta ação mas, uma confissão pública, em juízo, foi um choque”, afirma Pacheco.
“Os golfinhos são mamíferos especiais, dotados de inúmeros talentos e inteligência comprovada. O Brasil é referência mundial na proteção de cetáceos. Saber que estão sendo utilizados como isca de tubarão para uma atividade clandestina e mafiosa que atende ao mercado asiático, é uma vergonha para nós cidadãos e conservacionistas. Além do massacre cruel, ilegal e inaceitável, estes notáveis animais ainda estão servindo de isca de tubarão, fato que o Ibama e o governo do país deveriam conhecer e reprimir. A Sea Shepherd Brasil estará atenta ao desenrolar deste caso e sempre que golfinhos estiverem em risco a Sea Shepherd estará presente na sua defesa”, afirma Pacheco.
O representante do Ibama afirmou que é comum o surgimento de embarcações pesqueiras asiáticas, japonesas e norueguesas na área costeira do Amapá, em especial na região do Oiapoque, onde a fiscalização é praticamente nula e os recursos marinhos são fartos. Afirmou também, que é comum embarcações nacionais prestarem serviços de pesca para embarcações estrangeiras, de forma irregular e sem qualquer fiscalização.

O cenário apresentado na audiência expôs o total descaso com os ecossistemas marinhos na costa do Amapá, uma das regiões costeiras mais ricas do país em biodiversidade. O réu, mesmo sendo conhecedor da atividade profissional da pesca e proprietário de uma grande embarcação, afirmou “não conhecer” a distância legal mínima da costa permitida para a pesca motorizada com rede. O Ibama afirmou que a pesca marinha no estado é descontrolada, não há efetivo nem aparelhamento mínimo para a fiscalização.

Por Guilherme Ferreira – Coordenador de Comunicação Voluntário
UntitledNesta quinta-feira, dia 24 de junho, às 9h, em Macapá (AP), ocorrerá a segunda audiência do caso dos golfinhos, utilizados como isca na pesca ilegal de tubarões, na 2ª Vara da Justiça Federal de Macapá. Será ouvido o Superintendente da Polícia Federal do Amapá, a Polícia Ambiental, a Secretaria da Fazenda e Instituto de Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá.
Na última audiência o réu, Sr. Jonan Queiroz de Figueiredo, proprietário das embarcações acusadas de praticarem a carnificina de golfinhos no estado, confessou que os 83 golfinhos massacrados em 2007 foram entregues, em alto mar, para uma embarcação de pesca para utilização como isca de tubarão.
“A primeira audiência ocorrida dia 12 de abril revelou que os golfinhos foram utilizados como isca de tubarão. Temos informação de um mercado ilegal intenso de barbatanas de tubarão nesta região”, afirma Cristiano Pacheco, diretor executivo do Instituto Justiça Ambiental IJA e diretor jurídico voluntário da Sea Shepherd Brasil.
Entenda o caso
Instituto Sea Shepherd Brasil expõe esquema de pesca ilegal de golfinhos e tubarões no Amapá

Na audiência realizada segunda-feira, dia 12 de abril, em Macapá (AP), foi provado que mais de 80 golfinhos  foram massacrados e utilizados como isca na pesca ilegal de tubarão
A audiência pública ocorreu na 2ª Vara Federal do Amapá e contou com a presença de representantes do Ministério da Pesca, Marinha do Brasil, Ibama do Amapá, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), o réu Jonan Queiroz de Figueiredo (proprietário das embarcações responsáveis pela pesca de golfinhos), Cristiano Pacheco (diretor jurídico do Instituto Sea Shepherd Brasil) e o Dr. Antônio Philomena (oceanógrafo voluntário da Sea Shepherd Brasil).
A audiência iniciou com o depoimento do réu, Jonan Queiroz de Figueiredo, proprietário das embarcações apreendidas. O diretor jurídico voluntário da Sea Shepherd Brasil, Cristiano Pacheco, fez mais de dez perguntas relacionadas à pesca ilegal de golfinhos e a veracidade da alegação do réu, que afirmava que os cetáceos haviam sido pegos por acidente.
O Dr. Antônio Philomena, formulou perguntas técnicas, afirmando ao Juiz que “dificilmente 83 golfinhos ficariam emaranhados acidentalmente em uma rede de malha. Ao que tudo indica, não houve emaranhamento dos animais, assim como, a captura não foi acidental”, ponderou Philomena.
“O depoimento do Sr. Jonan foi a parte mais difícil. Depois de algumas perguntas diretas e incisivas o réu confessou que os 83 golfinhos massacrados em 2007 foram entregues, em alto mar, para uma embarcação de pesca para utilização como isca de tubarão. Desconfiávamos desta ação mas, uma confissão pública, em juízo, foi um choque”, afirma Pacheco.
“Os golfinhos são mamíferos especiais, dotados de inúmeros talentos e inteligência comprovada. O Brasil é referência mundial na proteção de cetáceos. Saber que estão sendo utilizados como isca de tubarão para uma atividade clandestina e mafiosa que atende ao mercado asiático, é uma vergonha para nós cidadãos e conservacionistas. Além do massacre cruel, ilegal e inaceitável, estes notáveis animais ainda estão servindo de isca de tubarão, fato que o Ibama e o governo do país deveriam conhecer e reprimir. A Sea Shepherd Brasil estará atenta ao desenrolar deste caso e sempre que golfinhos estiverem em risco a Sea Shepherd estará presente na sua defesa”, afirma Pacheco.
O representante do Ibama afirmou que é comum o surgimento de embarcações pesqueiras asiáticas, japonesas e norueguesas na área costeira do Amapá, em especial na região do Oiapoque, onde a fiscalização é praticamente nula e os recursos marinhos são fartos. Afirmou também, que é comum embarcações nacionais prestarem serviços de pesca para embarcações estrangeiras, de forma irregular e sem qualquer fiscalização.
O cenário apresentado na audiência expôs o total descaso com os ecossistemas marinhos na costa do Amapá, uma das regiões costeiras mais ricas do país em biodiversidade. O réu, mesmo sendo conhecedor da atividade profissional da pesca e proprietário de uma grande embarcação, afirmou “não conhecer” a distância legal mínima da costa permitida para a pesca motorizada com rede. O Ibama afirmou que a pesca marinha no estado é descontrolada, não há efetivo nem aparelhamento mínimo para a fiscalização.

Sea Shepherd liberta 800 atuns azuis de gaiolas flutuantes na Líbia

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

Relatado pelo Capitão Paul Watson, do Steve Irwin

Steve Irwin é abalroado por embarcação de pesca;
Sea Shepherd repele agressão por parte dos pescadores;
Marinha da Líbia em perseguição ao Steve Irwin

Operação Fúria Azul: dez dias de patrulha no Mediterrâneo
Quinta-feira, 17 de junho, 2010
Localização: largo da costa da Líbia

br2O helicóptero da Sea Shepherd, durante vôo de reconhecimento esta manhã, encontrou dois navios de pesca. Um deles estava transferindo atum-azul em uma das duas redes que estavam sendo rebocadas pela outra embarcação.

As embarcações de pesca do atum-azul estavam em águas da Líbia e a cerca de 42 milhas da costa do Norte de África.

Às 13:00 horas, o Steve Irwin se dirigiu ao navio italiano Cesare Rustico, que estava rebocando duas gaiolas; uma continha cerca de 800 peixes (a outra estava vazia).

O capitão do Cesare Rustico disse quando questionado que o atum foi capturado na manhã do dia 14 pelo navio líbio Tagreft. Quando respondemos que o número de atum na gaiola excedia a cota do Tagreft, o capitão disse que a gaiola de atum também incluía atum de outros sete navios líbios. Todos os peixes foram capturados no dia 14, o último dia legal, de acordo com o capitão. Os outros sete navios eram o Khandheel 2, Hanibal, Ozul 2, Almadina, Morina e Khaleej Eltahadi, e um outro que não tinha nome. O problema com essa explicação era que havíamos observado o Khandheel 2 nos dias 13 e 14 junho, e ele não estava pescando. Além disso, as condições meteorológicas para aqueles dois dias tornaram a pesca praticamente impossível. As condições extremamente difíceis, juntamente com a posição das gaiolas há apenas 40 milhas ao largo da costa da Líbia, quando deveriam ter sido movidas a 25 milhas por dia, sugeriu-nos que os peixes foram capturados recentemente, nos últimos três dias no máximo.

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A afirmação de que todas as capturas foram feitas no dia 14 soou muito conveniente, por isso pedi para examinar o peixe. Recusaram. Eu, então, coloquei a proa do Steve Irwin próxima da gaiola para que pudesse examinar da proa.

De repente, o navio maltês Rosaria Tuna bateu no Steve Irwin a bombordo e foi deslizando, enquanto um pescador tentou violentamente fisgar os tripulantes da Sea Shepherd com uma vara longa e afiada.

A tripulação do Steve Irwin retaliou com 8 litros de manteiga podre, forçando o navio de pesca a recuar e permanecer distante.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=ks_-15MpW1s[/youtube]

Às 15:30 horas, os dois navios de pesca circularam suas gaiolas defensivamente e o navio da Sea Shepherd Steve Irwin enviou sinais para notificar a ICCAT (Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico) de possíveis violações. Eles não responderam.

O Jean Charcot, o navio de inspeção da ICCAT, não iria se aventurar a 33 graus ao sul e 40 minutos a norte.

Com dois navios de pesca com uma tripulação italiana irritada, havia riscos para entrar na água e avaliar a pesca de atum. Mas, se a captura fosse ilegal, os mergulhadores Sea Shepherd sabiam que precisariam cortar as redes e libertar o atum-azul.

Às vezes é necessário fazer o que precisa ser feito, apesar dos riscos. O risco de perder o atum-azul enquanto uma espécie é muito mais importante do que os riscos para as nossas próprias vidas e nossa liberdade.

E assim decidimos libertar o atum.

Às 16:00 horas, uma equipe de mergulho de cinco pessoas entrou em uma das duas gaiolas que estavam sendo rebocadas pelo navio de pesca italiano Cesare Rustico.

Como o Steve Irwin estava distante do Cesare Rustico e do navio Rosaria Tuna, a tripulação da Sea Shepherd mergulhou até a gaiola de pesca para identificar o tamanho, a idade e a quantidade de atum azul que estavam na rede. Uma vez que ficou claro que a gaiola estava abarrotada e que havia um percentual alto de atuns jovens, os mergulhadores da Sea Shepherd libertaram os cerca de 800 atuns.

É a nossa posição de que havia um grande número de atuns jovens dentre os que foram libertados, e que os peixes foram capturados após o encerramento oficial da temporada. É também a nossa posição de que o peixe que libertamos ultrapassava a cota.

Uma grande porcentagem do atum eram jovens e devido à posição das gaiolas e ao fato de que toda a pesca do atum azul do Mediterrâneo terminou à meia-noite de 14 de junho, a Sea Shepherd está convencida de que estes peixes foram capturado após 14 de junho e, portanto, a Sea Shepherd mantém a posição de que esta operação por estes dois navios era ilegal.*

A Sea Shepherd Conservation Society não é uma organização de protesto. A Sea Shepherd é uma organização anti-caça e estes dois navios são caçadores.

O cinegrafista da Sea Shepherd filmou a libertação dos peixes, e os mergulhadores confirmaram que todos os cerca de 800 peixes foram libertados.

“Eles dispararam para fora da rede, como cavalos de corrida”, disse o cinegrafista canadense Simon Ager.

Depois de libertar o atum azul, o Steve Irwin rumou ao norte, para fora das águas da Líbia. A mídia maltesa informou que  a Líbia enviou navios de guerra para perseguir o Steve Irwin.

Há reclamações na imprensa maltesa de que um pescador de atum-azul foi ferido por nossas ações. Ninguém no Steve Irwin, no helicóptero, ou no Delta viu nenhum incidente em que um pescador foi ferido. Vimos um homem mergulhar na água do lado da gaiola. Então, nós vimos ele se levantar e dar-nos um rude sinal de braço italiano. Outro pescador cortou a tripulação com um gancho que estava na ponta de uma vara longa, e um dos navios bateu em nosso navio.

Termina a primeira fase do julgamento do capitão Bethune da Sea Shepherd

Por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

bethuneA primeira fase do julgamento do capitão Pete Bethune no Japão já terminou, e ele não se abateu, mantendo energias positivas. O capitão Bethune está sendo representado por uma equipe altamente capacitada de advogados japoneses.

Apesar de alguns meios de comunicação terem escrito que o capitão Bethune se declarou culpado de quatro das cinco acusações contra ele, isso não é verdade. O capitão Bethune continua mantendo a sua inocência em todos os aspectos. Ele contestou alguns dos fatos evocados pela promotoria japonesa, incluindo, sobretudo, que nenhuma pessoa a bordo do navio japonês Shonan Maru 2 foi ferida por algo feito por qualquer um dos voluntários dos navios da Sea Shepherd.

Um tripulante do Shonan Maru 2 alegou ter sido ferido por manteiga podre atirada no Shonan Maru 2 por voluntários da Sea Shepherd, mas as evidências revelam que nenhum médico nunca viu realmente o ferimento alegado, e ninguém se opôs ao fato de que este membro da tripulação estava bem antes mesmo de seu navio voltar ao porto.

A defesa do capitão Bethune é baseada na ilegalidade da caça à baleia e na Carta Mundial das Nações Unidas para a Natureza, que autoriza as organizações privadas, como a Sea Shepherd, a promover atividades governamentais, como a proteção do meio ambiente. O Shonan Maru 2 estava envolvido em caça ilegal, e as ações do capitão Bethune contra esse navio foram equivalentes às ações de uma guarda costeira no impedimento de uma atividade ilegal.

No primeiro dia do julgamento, os advogados do Capitão Bethune e a promotoria leram as declarações de abertura, e um tripulante do Shonan Maru 2 testemunhou sobre o que tinha visto. No segundo dia do julgamento, um tripulante do Shonan Maru 2 testemunhou a respeito de uma erupção de pele de cerca de um centímetro, que durou menos de três dias, que ele atribui a manteiga podre usada pelo capitão Bethune. Um médico que nunca havia visto esse tripulante (porque o ferimento nem sequer garantiu uma visita ao médico) declarou que o ferimento poderia ter sido causada pela manteiga podre. A Sea Shepherd tem uma política rígida contra a violência e, em seus mais de trinta anos de funcionamento, nunca feriu ninguém.

O capitão Bethune deu seu testemunho durante todo o terceiro dia de julgamento a respeito do motivo de ele ter feito o que fez. Ele falou sobre sua raiva dos baleeiros japoneses por matar baleias em águas internacionais. Como o capitão Bethune disse, “eles estão entrando em meu quintal e matando o que pertence a todos nós”.

O julgamento será retomado em 10 de junho, quando os advogados do Capitão Bethune e a promotoria do Ministério Público vão ler as declarações de encerramento. O capitão Bethune também leu um comunicado em japonês – destinado à corte, ao mundo e, em particular, ao povo japonês. A ideia foi do próprio capitão Bethune e, ao ler a sua declaração em japonês, quis fazer isso como um sinal de respeito ao povo japonês. É importante para ele que o Japão entenda que nem ele nem a Sea Shepherd tiveram algum problema com o Japão e seu povo. As ações do capitão Bethune e da Sea Shepherd são para acabar com a caça, sempre que estiver acontecendo. A questão são os baleeiros, não o Japão.

Após a audiência de 10 de junho, espera-se que os três juízes encarregados de julgar o capitão Bethune levem de uma a quatro semanas para emitir seu veredicto e a sentença, se houver. A grande esperança é a de que os juízes percebam que o Capitão Bethune não violou nenhuma lei e o libertem imediatamente. Ele está em uma prisão japonesa desde o dia 12 de março e foi detido no Shonan Maru 2 antes disso, totalizando mais de 100 dias em cativeiro até a presente data.

Os japoneses da Guarda Costeira continuam a recusar a investigação do afundamento intencional do navio da Sea Shepherd, Ady Gil, por parte do baleeiro japonês Shonan Maru 2, ou mesmo a colaborar com as investigações em curso na Nova Zelândia e com as autoridades marítimas australianas.