Austrália ameaça ações legais contra o Japão por caça de baleias

Fonte: Último Segundo

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primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd.

O Governo da Austrália ameaçou nesta sexta-feira (19) realizar ações legais contra o Japão em novembro, caso até então não haja um acordo bilateral para o fim da caça de baleias na Antártida.

“Fomos muito claros com os japoneses e isto é o que vamos fazer”, disse o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, em entrevista à rede de televisão “Channel Seven”.

Entretanto, o ministro australiano de Exteriores, Stephen Smith, que recebe no sábado seu colega japonês, Katsuya Okada, em visita oficial de dois dias à Austrália, assegurou que “a caça de baleias não vai atrapalhar as relações” entre os países.

Smith garantiu que, apesar das posturas distintas dos países em relação ao assunto, os dois Governos não vão deixar “que isso atrapalhe o andamento dos assuntos realmente importantes na relação entre Austrália e Japão, não só em nível econômico, mas também estratégico e de segurança”.

A Comissão Internacional da Baleia (CIB) condena a atividade dos pesqueiros japoneses, mas Tóquio ignora os protestos, e exige que o fim da moratória vigente para permitir capturas de cetáceos em pequena escala, e considera que sua cota de caça está justificada por razões científicas, não descumprindo nenhuma lei internacional.

Ministro admite pela primeira vez que baleias são caçadas para consumo no Japão

Por Raquel Soldera da  Agência de Notícias de Direitos Animais

Katsuya Okada, “…temos o direito de caçar baleias…para consumo”

Katsuya Okada, “…temos o direito de caçar baleias…para consumo”

O Ministro das Relações Exteriores do Japão, Katsuya Okada, disse que vai visitar a Austrália este fim de semana para conversar com o ministro australiano, Stephen Smith, sobre a caça das baleias e os últimos confrontos registrados entre os baleeiros japoneses e os ativistas pelos direitos animais da Sea Shepherd Conservation Society.

O ativista da Sea Shepherd Conservation Society, Pete Bethune, continua detido a bordo do baleeiro japonês Shonan Maru 2, desde que ele subiu a bordo do navio na segunda-feira (15) para prender os supostos responsáveis pela destruição da embarcação Ady Gil no mês passado.

Bethune planejava entregar aos baleeiros japoneses uma conta de 3 milhões de dólares, o custo da substituição do Ady Gil, que ele capitaneava e que foi destruído numa colisão entre as duas embarcações no mês passado. Ele também queria responsabilizar criminalmente o capitão do Shonan Maru 2 pela destruição do Ady Gil e pela tentativa de assassinato de seis tripulantes do navio.

Katsuya Okada disse que o ativista será levado  ao Japão para responder por acusações de pirataria.

O capitão Paul Watson, fundador da Sea Shepherd, declarou: “O capitão Bethune estava totalmente a par de seus direitos em confrontar o homem que quase o matou e destruiu seu navio. Agora, esse mesmo capitão, que destruiu um navio, quase matando seus tripulantes, pretende levar o capitão Bethune de volta ao Japão para sua prisão. A questão precisa ser colocada: Quem é o pirata aqui?”

Além de manter rigorosamente sua posição sobre a possível prisão do capitão Pete Bethune, o ministro japonês Katsuya Okada, admitiu que os japoneses teriam o direito de caçar baleias devido a uma tradição de longa data de consumir esses animais.

Esta foi a primeira vez que um membro do governo japonês confessou que o objetivo da caça das baleias na Antártida vai além dos fins científicos.

Com informações de Canberra Times

Japão mantém prisioneiro o capitão Bethune, da Sea Shepherd

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Peter Bethune, o homem que bateu o recorde em velocidade pelo mar com o catamarã Earthrace (Ady Gil), vira prisioneiro do governo japonês por tentar salvar baleias.

Por Giovanna Chinellato Agência de Notícias dos Direitos Animais

O governo japonês disse que levará o capitão Peter Bethune da Nova Zelândia para ser julgado na corte japonesa com acusações não declaradas.

A Sea Shepherd e o capitão Peter Bethune estavam preparados para essa possibilidade antes de o capitão Bethune abordar o Shonan Maru 2.

“O barco Ady Gil de 3 milhões de dólares do capitão Peter Bethune foi partido ao meio, afundado e destruído pelo capitão do Shonan Maru 2. O incidente deixou um dos seis membros da tripulação ferido e poderia ter matado todos os seis”, disse o capitão Paul Watson. “O capitão Bethune estava totalmente a par de seus direitos em confrontar o homem que quase o matou e destruiu seu navio. Agora, esse mesmo capitão que destruiu um navio quase matando seus tripulantes pretende levar o capitão Bethune de volta ao Japão para sua prisão. A questão precisa ser colocada: Quem é o pirata aqui?”

A Sea Shepherd vê isso como uma oportunidade de conseguir o apoio para o capitão Bethune na Nova Zelândia e Austrália. Esses japoneses “diplomáticos” invadem o santuário de baleias com impunidade e agora eles querem mandar crucificar um herói por defender as baleias.

O capitão Peter Bethune não é mais apenas o homem que bateu o recorde em velocidade pelo mar e teve a coragem de defender baleias. Ele agora é o símbolo dos cidadãos da Nova Zelândia e Austrália e de seu amor pelas baleias.

“Não acredito que a Austrália e Nova Zelândia irão tolerar o abuso de Peter Bethune pelos assassinos do Japão que anualmente saqueiam o santuário das baleias por lucro alegando pesquisas científicas”, disse a chefe de cozinha do Steve Irwin, Laura Dakin de Canberra.

“Se os japoneses colocarem Peter Bethune sob julgamento no Japão, será um caso que atrairá atenção do mundo todo”, disse o capitão Paul Watson. “O que o governo japonês está pensando? O processo sobre o capitão Peter Bethune irá ser o início de uma campanha por sua libertação e para acabar com o abate brutal e ilegal de baleias no santuário do sul”.

Fonte: Sea Shepherd Conservation Society

Fonte: Sea Shepherd Conservation Society

Ativista da Sea Shepherd pula de jet ski para embarcar em baleeiro japonês

Fonte: Último Segundo

Um ativista da Sea Shepherd, que atua em defesa das baleias, pulou de um jet ski em alta velocidade e embarcou num baleeiro japonês em pleno oceano na Antártida na segunda (14), para prender os supostos responsáveis pela destruição de seu barco no mês passado. A ousadia foi responsabilidade do grupo ambientalista americano Sea Shepherd.

O Instituto de Pesquisa Cetácea, do Japão, responsável pelo baleeiro, confirmou a presença do ecologista Peter Bethune no barco. Em declaração, o instituto classificou o embarque como ilegal e que seria uma manobra para chamar a atenção da mídia.

Bethune planejava entregar uma conta de 3 milhões de dólares, o custo da substituição do Ady Gil, um barco do Sea Shepherd que ele capitaneava e que foi destruído numa colisão entre as duas embarcações no mês passado. Ele também queria responsabilizar criminalmente o capitão do Shonan Maru 2 pela destruição do Ady Gil e pela tentativa de assassinato de seis tripulantes do navio.

O fundador do Sea Shepherd, Paul Watson, disse que Bethune vai exigir a rendição do capitão japonês ou levar o baleeiro para o porto mais próximo na Austrália ou Nova Zelândia e entregá-lo às autoridades.

Manobra perigosa

Watson disse que Bethune deixou outro barco do Sea Shepherd, o Steve Irwin, às seis da manhã em um jet ski, para se aproximar do navio japonês, que se movia a 14 nós (cerca de 26 km/h). O piloto do jet ski manobrou o veículo até chegar perto do casco, e Bethune conseguiu pular para dentro do Shonan Maru 2.

O Instituto de Pesquisa Cetácea afirmou em declaração que o baleeiro não tem condições de levar Bethune de volta ao seu navio. “O que ele (Bethune) fez é um ato ilegal”, perante as leis marítimas, disse o porta-voz do instituto, Glenn  Inwood. “Na pior das hipóteses, ele será levado ao Japão.”

No entanto, Donald Rothwell, professor de Legislação Internacional e Marítima da Universidade Nacional Australiana, disse que ação de Pete Bethune não foi ilegal, a não ser que ele esteja planejando machucar a tripulação ou prejudicar a segurança do Shonan Maru 2.

Tetsuro Fukuyama, secretário de estado para assuntos internacionais do Japão, disse que o incidente todo era “lamentável”. “Nós ainda não esclarecemos as intenções do ativista”, disse. “Quando confirmarmos o fato e a nacionalidade do navio ao qual ele pertence, vamos fazer nosso protesto e exigir que tomem as medidas cabíveis”.

O Japão tem uma frota de seis navios baleeiros na Antártida como parte de seu programa de pesquisa científica, uma exceção legal à moratória de caça comercial de baleias instituída em 1986. A frota caça centenas de baleias, em sua maioria minke, que não é uma espécie ameaçada de extinção. A carne de baleia que não é usada para pesquisa é vendida para consumidores japoneses, o que, segundo os críticos, seria a verdadeira motivação da suposta pesquisa científica.

Embates diretos

O Sea Shepherd manda navios para confrontar os baleeiros japoneses todos os anos, tentando bloquear os arpões e soltando cordas na água para obstruir os motores das embarcações. Os baleeiros respondem de acordo: atirando canhões  aquáticos e instalando dispositivos sonares que desorientam os equipamentos dos ativistas. Alguns embates mais diretos acontecem ocasionalmente, como o choque em 6 de janeiro entre o Ady Gil do Sea Shepherd e o Shonan Maru, que causou o naufrágio do primeiro. Ambas as tripulações tiveram apenas ferimentos leves.

Os governos da Austrália e da Nova Zelândia, que são responsáveis pelo resgate marítimo na área onde a caça às baleias normalmente acontece, repetidas vezes já pediram a ambas as partes que aliviassem as agressões mútuas.

Na segunda-feira (14), o primeiro-ministro neozelandês John Key chamou os últimos acontecimentos de “verdadeiramente perigosos”. “Estes grupos estão operando na Antártida, um mar gelado que leva à morte quem ficar submerso por mais de 12 minutos. Não acho que este tipo de comportamento seja extremamente sensato,” disse.

Fonte: Último Segundo

Novo confronto entre ativistas da Sea Shepherd e baleeiros japoneses dura mais de cinco horas

Por Raquel Soldera da  Agência de Notícias de Direitos Animais

UntitledUma batalha foi travada entre os navios da Sea Shepherd Conservation Society e da frota baleeira japonesa, quando os baleeiros ignoraram um aviso do Sea Shepherd para não entrar novamente no Santuário do Oceano Austral.

A frota japonesa foi escoltada para fora do Santuário de Baleias do Oceano Austral na terça-feira, 9 (leia notícia publicada na ANDA aqui).

No entanto, a frota baleeira japonesa voltou para o Santuário no fim da tarde de quinta-feira (11). O navio da Sea Shepherd, Steve Irwin, alertou a frota do Nisshin Maru para que não entrasse no Santuário das Baleias. O Nisshin Maru respondeu com canhões de água e dispositivos acústicos de longo alcance (LRAD, em inglês). O Steve Irwin respondeu à agressão direcionando canhões de água ao navio Nisshin Maru.

Em seguida, os tripulantes do Steve Irwin tentaram lançar o helicóptero quando as três embarcações japonesas, utilizando-se de canhões de água, tentaram destruir o helicóptero da Sea Shepherd que estava na plataforma. O outro navio da Sea Shepherd, Bob Barker, se posicionou tentando bloquear as embarcações japonesas, enquanto os tripulantes do navio Steve Irwin dispararam foguetes de aviso para forçar os japoneses a recuar.




Confronto entre os navios Steve Irwin e Nisshin Maru. (Foto: Barbara Viega/Sea Shepherd)




O confronto entre os seis navios, quatro baleeiros japoneses e dois navios da Sea Shepherd durou mais de cinco horas. Muitos acidentes estiveram próximos de acontecer, mas não houve colisões, nem feridos.

A Sea Shepherd tentou irritar os baleeiros japoneses atirando manteiga podre. Todos os navios da frota baleeira japonesa recuaram e continuam em direção ao santuário de baleias do Oceano Antártico.

“Hoje faz uma semana que nenhuma baleia foi morta”, disse o Capitão Paul Watson, fundador da Sea Shepherd Conservation Society. “Nosso objetivo agora é completar duas semanas, e depois de três semanas. Nós não vamos tolerar a morte de uma única baleia. Se eles tentarem matar uma baleia e tranferi-la para o navio Nisshin Maru, haverá colisões inevitáveis, porque não vamos nos retirar, nem deixar de bloquear a rampa de lançamento. Isso eu posso prometer”.