Baleeiros japoneses reconhecem o sucesso da Sea Shepherd

Operação Sem Conciliação foi oficialmente reconhecida pelos baleeiros japoneses como uma vitória para a Sea Shepherd Conservation Society (SSCS)

Steve Irwin e Yushin Maru

Destaques do “Relatório de Navegação da Segunda Fase do Programa Japonês de ‘Pesquisa’ de Baleias na Antártida em 2011/2012”

– Autores:
1) Instituto de Pesquisa de Cetáceos
2) Kyodo Senpaku Kaisya Ltd.

Infelizmente, as atividades de pesquisa foram interrompidas várias vezes por um grupo anti-caça à baleia (SSCS).

Capitão Paul Watson: Esse era o objetivo no entanto, isto deve ser alterado para: Infelizmente, as atividades baleeiras ilegais comerciais foram interrompidas várias vezes por um grupo anti-caça à baleia (SSCS).

Como resultado,  a dedicação à pesquisa de observação planejada foi cancelada em toda a área de pesquisa, porque os dois Yushin Maru tiveram que se dedicar à tarefas de segurança.

Capitão Paul Watson: Dois dos três navios arpoadores foram retirados do jogo para toda a temporada. Grande vitória.

A atividade de investigação do SSV (Yushin Maru Nº 1 – o navio arpoador chumbo) também foi interrompida várias vezes.

Capitão Paul Watson: dois foram totalmente interrompidos e o terceiro parcialmente interrompido. Amei o reconhecimento.

A distância total de pesquisa foi de 3.040,5 milhas náuticas por frota, que foi de aproximadamente um terço da distância de pesquisa em “normalidade” (antes da intervenção da SSCS).

Capitão Paul Watson: uma notícia maravilhosa. Eles anseiam pelos dias antes da intervenção da SSSC.

As atividades de pesquisa do Programa Japonês de ‘Pesquisa’ de Baleias na Antártida em 2011/2012 foi novamente interrompida pela SS (SSCS), primeiro durante o levantamento de trajeto do Japão para a área de pesquisa, e em todo o período de pesquisa 2011/2012.

Capitão Paul Watson: Sim, nós os obrigamos seguir do oeste da Austrália para o Mar de Ross, fazendo-os perder uma grande quantidade de combustível e tempo. Essa era a nossa intenção, e que foi realizada.

A fim de garantir segurança para os navios de pesquisa e seus tripulantes, os navios programados para a observação tiveram de dedicar muitos de seu tempo previsto para a pesquisa para tarefas de segurança. Foi muito lamentável e decepcionante informar que este grande investimento – dedicação à observação na Antártida – teve de ser cancelado na temporada 2011/2012.

Capitão Paul Watson: Sim, muito lamentável e muito decepcionante. Não para nós, é claro. Ótimos resultados, em nossa opinião.

As embarcações de “pesquisa” foram freqüentemente atacadas pelo grupo anti-caça à baleia (SSCS), e a pesquisa foi interrompida em várias oportunidades.

Capitão Paul Watson: Os caçadores foram freqüentemente lembrados de que suas atividades matando baleias no Santuário de Baleias do Oceano Austral não são bem vindas.

Como conseqüência, os navios YS3 e YS2 tinham que se dedicar a procurar e monitorar os navios do grupo anti-baleeiros a maior parte do período de pesquisa.

Capitão Paul Watson: Isso foi, naturalmente, a nossa intenção de mantê-los longe de matar baleias, e estamos muito satisfeitos com os resultados.

Infelizmente, a atividade de pesquisa foi interrompida por mais de 15 dias por violentas atividades dirigidas à sabotagem da SS. Portanto, a pesquisa de grande parte do Mar de Ross na Área V, Leste-Norte Área V, Oeste-Norte Área VI e algumas outras partes tiveram de ser canceladas.

Capitão Paul Watson: SIM!! Cancelada – amei isso!

A indústria baleeira japonesa sofreu outra derrota humilhante esta última temporada nas mãos de voluntários apaixonados, dedicados a acabar com operações ilegais de baleeiros japoneses no Santuário de Baleias do Oceano Antártico. A Operação Sem Conciliação foi um completo sucesso e uma grande vitória para as baleias.

Clique aqui para ver o relatório completo do Instituto de Pesquisa de Cetáceos (em inglês).

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Instituto Sea Shepherd Brasil participa de Audiência Pública, no Senado brasileiro

Wendell Estol representará o Instituto Sea Shepherd Brasil

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado realizará no próximo dia 9/7, às 9h, uma Audiência Pública, no Senado Federal, para “debater a proteção à fauna marinha, o meio ambiente aquático, a perseguição a ativistas ambientais, e a defesa do ecossistema após conferência Rio + 20, na perspectiva do desenvolvimento sustentável no Planeta”.

Durante a oportunidade, também será debatida a injusta prisão do Capitão Paul Watson, na Alemanha. Wendell Estol, diretor geral do Instituto Sea Shepherd Brasil, representará a ONG na Audiência.

A reunião será na Ala Nilo Coelho, sala 04, do Senado Federal, sob a presidência do senador Paulo Paim- PT/RS.

O debate poderá ser assistido, ao vivo, pela TV Senado.

Entrevista: Bárbara Veiga – Uma brasileira à bordo

A fotojornalista carioca, Bárbara Veiga, teve a oportunidade de embarcar em quatro missões da Sea Shepherd Conservation Society (SSCS). Participou ativamente nas campanhas Waltzing Matilda, de proteção às baleias na Antártida, e em seguida na Blue Fin Tuna, campanha em proteção ao atum realizada no mar mediterrâneo. Também participou da Operação Sem Conciliação, a segunda campanha baleeira na Antártida e por último na campanha Ilhas Ferozes, impedindo o massacre das baleias-piloto nas Ilhas Feroes. Trabalhou disfarçada, em investigações cruciais para os objetivos da Sea Shepherd, conviveu diretamente com o Capitão Paul Watson e foi fotógrafa-chefe em três missões da Sea Shepherd Conservation Society. Além de ser apaixonada pela natureza, Bárbara realizou projetos em países do Oriente Médio, África e Ásia, retratando a delicada problemática da pobreza extrema em regiões inóspitas e o cotidiano das mulheres e famílias nestas condições. Conheça um pouco mais desta “Shepherd”, na entrevista abaixo.

Bárbara Veiga

1. Como começou sua paixão pela fotografia e pelo trabalho voltado para o meio ambiente?
A paixão pela arte esteve presente na minha vida em diversas formas e eu sempre gostei de me expressar usando maneiras distintas, aquela em que eu me sentisse mais confortável para alcançar uma linguagem que me fosse mais próxima do que eu queria chegar. Entendo a fotografia como saber pintar, escolhendo sua luz, seu momento, sua técnica. Um trabalho muito pessoal, aonde não existe uma fórmula concreta, o certo ou errado. Gosto da particularidade na escolha do local, da condição, do ângulo, do filme ou digital. Tenho liberdade para criar fotografando, assim como em certas ocasiões, escrevendo. O trabalho voltado para o meio ambiente nasceu pela sintonia que sinto ao estar em harmonia com a natureza. Gosto de passar horas de frente ao mar meditando, desfrutando da tranquilidade e dos sons dos animais ou de uma floresta. Ao saber que esses sons estavam desaparecendo, e que os mares estavam ficando doentes e escassos, me fez tomar uma postura diferente, juntei minha paixão pela arte com a necessidade de fazer a diferença, em um mundo que precisa de ajuda imediata.

2. A escolha pelo fotojornalismo aconteceu na faculdade ou, já era algo que despertava seu interesse antes do período acadêmico?
Sempre acreditei na importância da difusão da informação para gerar discussões inteligentes e mudanças para um futuro melhor. Busquei o jornalismo, procurando seguir esses valores da melhor maneira possível. Ficou fácil uni-los com a linguagem fotográfica, uma vez que foi um interesse que surgiu há muito tempo, desde a época escolar.

3. Como você chegou até a Sea Shepherd? Como ocorreu o convite para embarcar?
O interesse de chegar a Sea Shepherd, veio depois de ter tido quatro anos de experiência com o Greenpeace. Eu queria trabalhar diretamente com o cofundador da ONG Greenpeace e fundador da Sea Shepherd. Eu enviei meu currículo pela internet, fiz minha inscrição online. Depois tive longa entrevista, por telefone, e finalmente fui aceita. Só que em seguida tive de correr atrás de um visto na França (país onde morava), o navio saía de Brisbane, na Austrália, dentro de uma semana e, somente em Cingapura eu consegui meu visto.

Embarcação Steve Irwin

4. Em quais operações da Sea Shepherd você participou? Qual foi a mais marcante para você? Por quais motivos?
Trabalhei na Operação Waltzing Matilda (minha primeira campanha em proteção às baleias na Antártida), em seguida na Blue Fin Tuna (campanha em proteção ao atum realizada no mar mediterrâneo), No Compromise (a segunda campanha baleeira na Antártida) e por último a Ferocious Isles (impedindo o massacre das baleias-piloto nas Ilhas Feroes), onde trabalhei disfarçada investigando esta matança de baleias. Nas três primeiras campanhas eu trabalhei como fotógrafa-chefe, porém na última, além de filmar e fotografar, também estive diante das lentes, ao interagir com os baleeiros no uso de uma câmera escondida. Cada campanha teve seu valor e emoção, até porque acompanhei de perto as batalhas diárias nas estratégias do Capitão Paul Watson. Fica difícil apontar uma como mais marcante, sendo que todas foram especiais por diferentes razões.

5. Como era o ambiente dentro das embarcações, os relacionamentos pessoais eram tranquilos? As diferentes nacionalidades e diferenças culturais se acentuavam em um ambiente limitado fisicamente?
Acredito que diferenças culturais não trazem motivos para conflitos, porém dificuldades na convivência em um navio podem ser delicadas devido ao espaço limitado, uma vez que cada um tem sua personalidade e seus hábitos. Nunca presenciei nestas campanhas sérios conflitos, por isso considero, de forma geral, o ambiente a bordo dos navios saudável, até porque grande parte da tripulação é extremamente comprometida e dedicada às missões.

6. Como era a rotina dentro das embarcações? E a sua rotina?
As atividades dentro de um navio são constantes. Nas campanhas da Antártida, por exemplo, são raras as paradas para ancorar. O objetivo maior é encontrar a frota baleeira o mais rápido possível para impedir suas atividades. Na ponte de comando e na sala de máquinas, existem profissionais fazendo a guarda, para observar e garantir o bom andamento da navegação, em sua rota, porém, para o restante da tripulação a hora de trabalho era das 8 horas às 17 horas. Eu não tinha uma rotina com meus horários. Quando não estava documentando as atividades à bordo (que aconteciam 24h) e as preparações das ações (de acordo com as estratégias do Paul Watson, poderia variar tanto às 6hs da manhã, como às 3hs da manhã), estava editando meu material no escritório.

Sea Shepherds em ação

7. Como era seu contato profissional (ou operacional) com o Capitão Paul Watson? Ele era uma pessoa acessível?
Trabalhei durante dois anos diretamente com o Paul Watson. Sendo o meu trabalho diretamente envolvido com a mídia, estávamos sempre discutindo sobre o material fotográfico necessário para divulgação das ações na mídia internacional ou nos artigos do capitão.

8. Como é seu contato pessoal com o Capitão? Você poderia descrever sua personalidade? Tem alguma singularidade que você gostaria de destacar?
O Paul Watson é um homem extremamente dedicado e inteligente. Além de saber exatamente quando e como agir em situações, às vezes críticas, jamais colocou sua tripulação em risco ou organizou uma operação onde não soubesse o que estava fazendo. Considero suas decisões precisas e eficazes. Admiro sua determinação, foco e também seu bom humor ao citar suas poesias, cantarolar músicas de origem celta ou na delicadeza ao preparar um certificado de “Swim with penguins” (nadando com pinguins), para aqueles que se lançam ao mar ao chegar no território austral num salto nas gélidas águas. Então além da sua seriedade nas missões, restava espaço para o bom humor. Tínhamos uma convivência saudável à bordo do navio.

Capitão Paul Watson

9. Durante suas viagens, trabalho e lazer, você percebe um reconhecimento da Sea Shepherd pela sociedade em geral?
Vejo que a ONG já possui grande visibilidade nos Estados Unidos e Austrália, por conta do programa Whale Wars, que colabora imensamente na difusão do trabalho realizado pelo Paul Watson. Desde 2010, na primeira campanha do atum no Mediterrâneo, vejo que esta começando a gerar maior interesse na Europa e na América do Sul.

10. Quais seus projetos futuros? Como anda a vida profissional?
Meu projeto atual esta na publicação de dois livros: um em formato de diário de bordo, onde compartilho os dois anos de experiência ao lado do Paul Watson; o outro é um material fotográfico com todas as belezas e lutas realizadas na Antártida nas duas campanhas as quais fiz parte, a Waltzing Matilda e No Compromise. Estou em processo de busca de editoras interessadas no material. Além dos projetos literários e artísticos, também estou realizando palestras, fazendo parte de seminários, onde assim posso contar minhas histórias nos sete anos de ativismo com as ONG Sea Shepherd, Greenpeace e à bordo do Papaya, veleiro que morei durante três anos. Além das causas ecológicas, vejo a importância extrema de estar envolvida também com causas sociais. Educação se tornou palavra chave, por isso trabalhei em projetos socioambientais com os índios amazonenses, dentre outros trabalhos onde retratei a pobreza extrema em países com urgência social e também ambiental como o Sudão e Iêmen.

Para conhecer mais o trabalho de Bárbara Veiga, acesse o site barbaraveiga.com

O tão aguardado relatório sobre as focas do Ombudsman da Namíbia desaponta

Filhote de foca em Cape Cross

O tão aguardado relatório do Ombudsman da Namíbia foi publicado na semana passada. Nesse relatório, o advogado John Walters publica sua descoberta a respeito do abate de focas no país. Levou mais meses do que o prometido para investigar denúncias feitas por ONGs, organizações da sociedade civil, indivíduos e outros grupos, a respeito da ilegalidade na caça anual de focas na Namíbia. O relatório parece uma novela ruim com uma trama sem lógica.

Em setembro passado, a Sea Shepherd participou de uma reunião com o Ombudsman, junto com outras organizações de conservação. A Sea Shepherd sentiu que a reunião era um indicativo de boa vontade, talvez uma completa fachada, no entanto não uma tentativa séria por parte do governo da Namíbia de investigar a matança das focas em seu país.

Perece que nossa intuição estava correta. O mal-pesquisado relatório nem vale ser dissecado em razão do Ministério de Pesca e Recursos Marinhos ter se recusado a fornecer dados importantes sobre a população das focas, apesar das várias requisições por parte do Ombudsman. A Sea Shepherd não pode levar um relatório a sério quando a parte mais importante se recusa a cooperar. Isso mostra que o Ministério optou por omitir informação crítica, e assim, em nível político, tem interferido com a independência e integridade do ombudsman do país. Apesar do advogado Walters ter o poder de intimar o Ministério a fornecer esses dados, ele fracassou em fazê-lo.

O relatório começa com a base histórica da caça às focas no país e com uma leitura atenta fica claro que a Namíbia aponta o dedo para a exploração colonial como início da caça, e insinua que é a Namíbia que deve obter crédito pela regulamentação que há hoje na caça às focas. Pode ser verdade que a caça teve origem nos mercados europeu e americano, porém regulamentar a exploração contínua de fontes vivas, como a foca, não é algo do que se orgulhar – especialmente se essa fonte é conseguida da maneira mais brutal possível.

Fornecer um embasamento histórico da caça às focas com intuito de obter um panorama claro da questão é redundante. É uma perda de tempo e papel. Você não precisa entender a história da caça para entender a repugnante e abjeta crueldade da matança de focas.

Foca e filhote, em Cape Cross

Foca e filhote, em Cape Cross

Após vasculhar os jargões jurídicos e a retórica contraditória, o advogado Walters parece basear seu principal argumento na provisão feita pela Constituição da Namíbia para a utilização sustentável dos recursos naturais do país. Afinal, se este ponto for refutado com sucesso, toda a questão sobre a matança de focas se torna nula e vazia, e esses animais poderão viver suas vidas em relativa paz.

Walters aceita cegamente que esses animais estão sendo mortos de forma sustentável, apesar de admitir que há uma falta de transparência por parte do Ministério da Pesca e Recursos Marinhos. É extremamente irresponsável e desinformado por parte dele dizer “as focas continuam conosco e estarão conosco por muito tempo”. Isso, por si só, poderia levar ao comprometimento das populações das focas-d0-cabo. Muitas espécies foram extintas no nosso tempo. Na taxa em que esses animais estão sendo dizimados, não será surpresa alguma se juntarem-se futuramente à lista de espécies ameaçadas. Então como pode a advogado Walters permitir que essa matança continue se ele não está certo além da dúvida razoável que as práticas atuais não violam os princípios de sua própria Constituição? Aparentemente, nos altos escalões do poder judiciário da Namíbia tal falta de transparência é perfeitamente aceitável quando alcança uma sólida e fundamentada conclusão. Infelizmente, esse tipo de inconsistência à qual aqueles que lutam pela vida das focas da Namíbia devem se acostumar.

Para resumir, este relatório oficial do governo não vale ser dissecado. Em vez disso, leia o excelente relatório “A Economia da Caça às Focas e da Contemplação de Focas”, que mostra que a Namíbia pode gerar mais receita das focas vivas do que das abatidas.

O povo da Namíbia merece um investigador que não faça um completo escárnio da Namíbia e sua gente. Um que exija uma transparência completa das partes envolvidas para que possa concluir que a matança das focas-do-cabo é ilegal, bárbara e uma desgraça para a maravilhosa natureza selvagem da África meridional.

Depois de esperar tanto tempo por essa bobagem, isso pode ser comparado a esperar ansiosamente para abrir um presente, esperando por uma bicicleta, mas ganhando no lugar dela um par de meias. O presente dado a nós pelo advogado John Walters é inútil e decepcionante, e como um presente não desejado irá juntar pó em um canto obscuro do ciberespaço enquanto continuamos a desejar algo melhor. Exceto porque vidas estão em jogo e porque somos a Sea Shepherd, não ficaremos sentados indolentemente, estaremos lutando pelas vidas desses animais. Até que toda atividade de abate cesse e uma moratória seja promulgada, a Sea Shepherd continua a lutar para que as focas-do-cabo possam viver sem impedimentos na linda costa da Namíbia.

Traduzido por Drica de Castro, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

A conspiração arroz com banana: a conexão Japão/Costa Rica

Linha do tempo:

A presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla Miranda, se encontra com o primeiro ministro do Japão, Yoshihiko Noda no Japão, em 8 de dezembro de 2011. Foto: Reuters

Outubro 2011: O Instituto Japonês para a Pesquisa de Cetáceos, também conhecido como a “indústria baleeira japonesa”, recebe aproximadamente 30 milhões de dólares em fundos de assistência ao tsunami para propiciar segurança na oposição aos esforços da Sea Shepherd em interromper as operações ilegais de caça à baleia no Santuário de Baleias do Oceano Austral.

De 6 a 10 de dezembro de 2011: A presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, visita o Japão.

8 de dezembro de 2011: de acordo com um press release da Casa Presidencial. Costa Rica: Na quinta-feira, 8 de dezembro, iniciando às 18:30, por cerca de 30 minutos, o primeiro ministro Yoshihiko Noda teve uma reunião com a Exma. Sra. Laura Chinchilla Miranda, presidente da República da Costa Rica.

8 de dezembro de 2011: O Instituto Japonês para a Pesquisa de Cetáceos dá entrada num processo contra a Sea Shepherd Conservation Society, exigindo uma ação para que as embarcações Sea Shepherd parem de perturbar as operações ilegais de caça à baleia no Santuário de Baleias do Oceano Austral. Documentos legais são entregues à Sea Shepherd em 9 de dezembro de 2011.

8 de março de 2012: A frota baleeira japonesa retira-se do Santuário de Baleias do Oceano Austral, duas semanas mais cedo, e levando somente 26% (267 mortes) de seu objetivo de caça. A Sea Shepherd evitou a morte de 768 baleias. No ano anterior, a frota baleeira japonesa havia se retirado em 18 de fevereiro de 2011, um mês e meio mais cedo, e levando somente 17% (172 mortes) de seu objetivo de caça. A Sea Shepherd evitou a morte de 863 baleias. No total, as intervenções da Sea Shepherd Antártida salvaram 3690 baleiras dos arpões japoneses, custando aos baleeiros uma quantia considerável de dinheiro.

19 de março de 2012: A ordem negando a preliminar da ação movida pelo Instituto Japonês para a Pesquisa de Cetáceos foi emitida em 19 de março de 2012 em Seattle.

13 de março de 2012: O capitão Watson é preso no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, com um mandato emitido pela Costa Rica, com acusações de colocar em risco a vida de pescadores em abril de 2002.

O incidente de 2002 não causou ferimentos, nem danos à propriedade, e resultou de uma intervenção contra as operações de pesca ilegal de barbatanas de tubarão em águas guatemaltecas pela embarcação costarriquenha Varadero I, que tinha sido condenado por pesca ilegal nas Ilhas Galápagos, em 2001. O governo guatemalteco autorizou a intervenção, e todo o incidente foi filmado para o filme vencedor de prêmios Sharkwater.

A presidente costarriquenha Laura Chinchilla Miranda é saudada pelo imperador japonês Akihito, no palácio imperial em Tóquio, quinta-feira, 8 de dezembro de 2011. Foto: AP

21 de maio de 2012: O capitão Alex Cornelissen encontra-se com o Ministro do Meio Ambiente costarriquenho, que expressa interesse em que a Sea Shepherd retorne para ajudar a proteger a Ilha Cocos.

26 de junho de 2012: O Japão doa 9 milhões de dólares para o Instituto Costarriquenho de Turismo (ICT), e ao Ministério do Meio Ambiente e Energia (MINAET). “Comemoramos esta doação substancial do governo japonês”, disse o gerente geral do ICT, Juan Carlos Borbón.

Assim, num período de seis meses da reunião entre a presidente da Costa Rica e o Primeiro Ministro do Japão, o capitão Watson é preso numa acusação de dez anos atrás do governo da Costa Rica, e a Costa Rica recebe 9 milhões de dólares do governo japonês para Parques Nacionais.

Aqui estão as perguntas não respondidas:

1. O caso Varadero I e o capitão Paul Watson foi discutido na reunião entre a presidente Chinchilla e o Primeiro Ministro Noda em 8 de dezembro de 2011?
2. Por que a Costa Rica emitiu um mandato de prisão dez anos depois do incidente, e mais ou menos ao mesmo tempo que a reunião aconteceu?
3. Quando foi autorizada a doação de 9 milhões de dólares do Japão para a Costa Rica?
4. De onde vem essa verba? Será a verba da Agência Pesqueira Japonesa, uma parte dos 30 milhões alocados do fundo de assistência para o tsunami?
5. Quais são as condições que atrelam a contribuição de 9 milhões de dólares do Japão para a Costa Rica?
6. Terá o Japão feito lobby para que a Costa Rica emitisse o pedido de extradição para o capitão Paul Watson?

Não esperamos respostas da Costa Rica nem do Japão, mas estamos certos de que diversas evidências circunstanciais sugerem que a pressão japonesa colaborou com a decisão da Costa Rica em prender o capitão Paul Watson e detê-lo na Alemanha à espera de extradição.

Traduzido por Carlinhos Puig, voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil