O ataque dos bananeiros armamentistas

Por: José Truda Palazzo Jr.

bananeiros armados 2Realmente, preciso me declarar um ignorante em política. Quando ainda freqüentava (sem sucesso algum) a universidade, lá se vão algumas décadas, a gente aprendia – em aula e nos corredores – que a direita fascista e raivosa levava o mundo a uma corrida armamentista, que ameaçava a existência humana e impedia o combate à pobreza, enquanto a bondosa esquerda tentava heroicamente inculcar o pacifismo e a solução de conflitos pela negociação na cabecinha de nossos governantes e das gerações futuras.

Não fora o que já se vê na (indi)gestão ambiental, na deterioração social do Brasil, na educação falida e falsa que “professores” mal capacitados e pior pagos oferecem às vítimas das escolas públicas, vem nosso galopante híbrido eleitoreiro Lulla Roussef agora desperdiçar o que o Estado rouba aos trabalhadores sob o nome de impostos para a aquisição de armamento obsoleto, impulsionado pelo caudilhismo boçal que varre o continente, de um lado, e pela histeria anti-americana de “assessores internacionais” do nível chulo de um Marco Aurélio “Top Top” Garcia (lembram, o cara que festejava no palácio enquanto o país chorava as vítimas do acidente da TAM em 2007).

Não que eu seja contra a recuperação de nossas falidas e abandonadas Forças Armadas, em absoluto. O que eu sou contra é a visão ideológica que as deforma historicamente, fazendo-as instrumentos de pseudo-defesa externa quando deveriam, isso sim, estar servindo ao moderno conceito de soberania ambiental, mais preocupados em combater os madeireiros criminosos na Amazônia do que o clown bolivariano além-Guiana; mais preocupados em acabar com o estupro do mar brasileiro pela pesca predatória que com uma defesa do pré-sal inexistente contra um inimigo indefinido. O que temos hoje são generais esfarrapados da reserva vomitando boçalidades sobre a falsa internacionalização da Amazônia, enquanto seus sucessores nada dizem e seus comandados nada aprendem sobre a importância da conservação da Natureza para a efetiva soberania do Brasil.

Além de um redirecionamento racional das Forças Armadas para uma missão constitucional de defesa do que interessa, talvez valesse a pena pensar em uma emenda à Constituição que obrigasse nosso verborréico Einstein de Garanhuns e seus sucessores a aplicar ao menos 50% dos gastos militares que inventam para se pavonear entre seus colegas bananeiros em conservação da natureza brasileira. Pode até ser, acredito, na própria área militar.

Senão vejamos: eu não teria nada contra Lullão Metralha botar no lixo 4 bilhões de euros em caças que ninguém mais quer comprar dos franceses, se ele fosse obrigado a investir 2 bilhões de euros em aviões de patrulha marinha de última geração para interceptar e afundar pesqueiros ilegais, aviões AWACS para localizar e direcionar tropas contra os madeireiros, garimpeiros e traficantes da Amazônia. Não reclamaria do patrono da própria sucessão pela Musa Plastificada dos Empreiteiros jogar latrina abaixo 6 bilhões de euros em submarinos, se ele fosse obrigado a aplicar outros 3 bilhões em navios de patrulha marítima efetiva contra a degradação de nosso mares, de fiscalização e controle de nossas (ínfimas e abandonadas) Unidades de Conservação marinhas, e em ampliação da Flotilha da Amazônia com a finalidade de assegurar a proteção de parques e reservas na bacia amazônica, além de fiscalizar os demais usos dos recursos naturais da região.

Mas não. Nossa “política de defesa”, infelizmente, está sendo ditada por pseudo-especialistas de casernas falidas e por assessores petistas que reinam sobre o meio palaciano. Em nenhum momento entra em cena, de fato, a defesa do que o país tem de mais importante para assegurar sua soberania, que é nosso patrimônio natural ímpar, a segurança efetiva de nossa biodiversidade. Só se quer gastar em papagaiadas para fazer ciúmes em argentinos e por pulga atrás da orelha de fantoches caudilhescos a oeste e norte de nossas mal cuidadas fronteiras.

Para assegurar a implantação de todo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação do Brasil seria necessário, creio eu, algo como 500 milhões de euros – ou vinte vezes menos o que o Grande Molusco promete à França em troca de seus cacos que fazem bum. Ou seja, com um pouco menos de histeria militarista de republiqueta bananeira, o Brasil teria dinheiro para implantar um sistema de áreas naturais protegidas moderno e eficiente, e ainda sobrariam bilhões para investir em energias alternativas, recuperação de áreas degradadas, financiamento do agronegócio sustentável, reorganização urbana das metrópoles, e saneamento básico para milhões que ainda não o tem, todas ações que não acontecem sob a surrada, mentirosa e falsa desculpa da “falta de recursos”, “contingenciamento” e outras balelas do jargão hipócrita de Brasília.

Realmente, acho que sou muito ignorante. Minha conta do que custa um Brasil moderno, sustentável e próspero não é a do balcão armamentista de nosso Bananeiro-mor e seu amigo mercador francês. Mas possivelmente estou errado, já que não se ouve um átimo de indignação dos súditos de Pindorama contra essa orgia escabrosa. Quem sabe o brasileiro queira isso mesmo, viver no circo do Carnaval e futebol protegido de outros anões mentais do entorno por caríssimos badulaques de Brancaleone, enquanto suas filhas e a Natureza seguem sendo roubadas e estupradas na próxima esquina pela falta de atenção com o que realmente importa.

Publicado originalmente em 29/09/2009, www.oeco.com.br

José Truda Palazzo Jr., o Maluco da Baleia.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja,  barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos  arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras  porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a  um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio  como aqui.
Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma – uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia… mas lá é meio como aqui.

José Truda Palazzo Jr. (Porto Alegre, 28 de julho de 1963) foi fundador e principal força motriz durante 27 anos do Projeto Baleia-franca, projeto que completou em 2007 25 anos e tem como objetivo a proteção da espécie Eubalaena australis, a Baleia-franca. Além disso, Truda Palazzo tem trabalhado, ao longo dos anos, em várias iniciativas de proteção ao meio ambiente, tendo se tornado um respeitado e conhecido ecologista.

Iniciou sua militância na área ambiental aos 15 anos, em 1978, quando somou-se a ativistas como José Lutzemberger na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e começou a atuar na campanha nacional para banir do Brasil a caça à baleia (proibida somente em 1985). Em 1979 conhece o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, então já um expoente do meio ambientalista brasileiro, e passam a trabalhar juntos pela conservação das baleias e do meio marinho.

Copenhague a Angra: os assassinatos do des-governo

Por: José Truda Palazzo Jr.

angraAugusto Carneiro é um dos mais importantes ativistas ambientais brasileiros nas últimas quatro décadas, tendo ajudado a formar gerações de cidadãos conscientes no sul do país com seu trabalho de formiga. Do alto de seus 86 anos, Carneiro costuma repetir um vaticínio que o dia-a-dia de Pindorama confirma com trágica freqüência: os desastres ambientais só serão considerados como tal quando matarem 3.000 ou 5.000 pessoas de cada vez. Quando matam dezenas de uma vez, ainda assim as milhares de vítimas cumulativas são espalhadas no espaço e no tempo, as “otoridade” se fazem de loucas e as pessoas fingem que não vêem, creditando o morticínio a “Deus sê ruim com nóis” ou a “fatalidades” inevitáveis.

O recente massacre das chuvas do Sudeste, que veio somar-se a todos os outros nos últimos anos que assistimos impassíveis em nossas televisões (bote no lixo a de tubo e compre a de plasma, pra ajudar a economia consumista kamikaze de Lullão Metralha!) é apenas mais um capítulo dessa tragédia dispersa, mas que aponta em suas causas para os mesmos incompetentes, safados e omissos de sempre: os nossos (des)governantes, que parecem ser capazes de unir sua gana por devastação ambiental com a demagogia eleitoreira para produzir esse verdadeiro genocídio a que, cada vez mais, vamos assistir em nosso país como se fatalidade inevitável fosse.

Como tudo, a barbaridade começa no nível mais baixo (em vários sentidos) da administração pública, os prefeitelhos que se sucedem pelo país afora permitindo, em cada rincão, mas principalmente nas várzeas inundáveis e nas encostas instáveis, que se instalem comunidades inteiras cujo destino é sabido: inundação ou deslizamento, mais cedo ou mais tarde, maior ou menor, mas que cada vez mais trarão mortes e danos irreparáveis, isso sem considerar o custo astronômico ao erário público de resgatar, abrigar, reparar. Há décadas sabe-se que tais locais não podem ser ocupados, mas o que é a opinião de especialistas e a experiência de anos de desastres idênticos frente à necessidade de amealhar aqueles seis ou sete votos que se encarapitam embaixo de cada barraco, de cada laje ilegal levantada num morro? Nunca! Para piorar ainda mais o quadro, impermeabilizam toda a malha viária urbana com “coberturas de bolo” de asfalto em trechos antes pavimentados com blocos ou paralelepípedos, que serviam perfeitamente à circulação de veículos e antes absorviam parte da água nas enxurradas. E pior, atolam o meio urbano nesse esquema mafioso de desurbanismo sob aplausos do populacho ignaro, que esquece tanto das implicações ambientais como de que daqui a seis meses estará tudo esburacado, exigindo nova obra e seus regulares jabás…

Político não sabe o que é longo prazo, muito menos área de risco – seu único risco é não se reeleger para qualquer coisa dentro de quatro anos, e nesse sentido Suas Indecências ganham em dobro com as tragédias – permitindo por omissão criminosa a ocupação de áreas inadequadas e depois distribuindo esmolinhas, colchões, arroz, às vítimas como se bondade de seu (des)governo fosse. A lógica dessa quadrilha que nos (des)governa é perversa, porém muito clara, e só não vê quem não quer.

A safadeza política sobe, sempre, do Município para o Estado, e não é por acaso que Sérgio Cabral, no mesmo Rio de Janeiro de tanta desgraça ambiental pela ocupação irregular do território, contribua pessoalmente para o aumento da bandalheira e dos riscos ao emitir Decreto ilegal autorizando o AUMENTO da ocupação e das construções em áreas de fragilidade ambiental na Baía da Ilha Grande, no interior da Área de Proteção Ambiental de Tamoios. Trata-se da mais absurda irresponsabilidade de um (des)governante que sabe muito bem das consequências de suas ações para a biodiversidade E para as pessoas, mas que prefere o votinho da demagogia fácil à responsabilidade da gestão pública esclarecida.

No topo da escada da quadrilha do (des)governo que mata está, entronizado e quase absolvido pela sua ignorância absoluta dos temas de gestão pública, ninguém menos do que Lullão Metralha e a verdadeira gestora do país, sua Candidata Plástica Roussef (essa que sabe muito bem o que se passa, mas seu script de Mãe dos Pobres e defensora da lajezinha no morro não comporta governar o país com consciência ambiental). Pois, dirá a patrulhucha petista, como pode se acusar esses salvadores do pobrerio de crime nas tragédias pluviais do Sudeste?

Ora, o escândalo da propaganda diversionista brasileira em Copenhague é auto-evidente em condenar nosso (des)governo por se esconder atrás dos tropeços de Obama para continuar vomitando gases-estufa (o carbono de Eike Batista e o metano de Kátia Abreu, um, lambe-botas do Planalto em busca de benesses do BNDES, outra ‘oposição’ lambida pelo mesmo Planalto para estuprar o Código Florestal sob a pata dos gasosos vacuns e das monoculturas de “biocombustíveis” contaminantes). O aumento das emissões do qual somos cúmplices explícitos pode ter várias implicações ainda sob discussão, mas uma delas é imediata e provada: o aumento da umidade em circulação na atmosfera e das tempestades e eventos climáticos extremos, como os que, de forma cada vez mais frequente, atingirão partes do território brasileiro, deixando um rastro de morte, destruição e desculpinhas furadas dos (des)governantes sobre a “fatalidade”, quando na verdade trata-se de um crime de longo prazo assumido e planejado pelas nossas “otoridades” e seus acólitos empresariais que nos afundam nesse modelo de “desenvolvimento” suicida.

Enquanto a mídia tupiniquim se embasbacava com os discursinhos terceiro-mundistas da imensa e inútil delegação brasileira à fracassada reunião, aqui seguiam as medidas para entupir a matriz energética brasileira de termelétricas por décadas no futuro, enganar o populi rafus com propaganda de inspiração nacional-socialista baseada no poluentíssimo petróleo do Pré-Sal, manter os buracos legais que permitem a continuidade da destruição das florestas nativas, e dar mais poder aos prefeitelhos para fazer a “gestão ambiental” cujos resultados estamos começando a contar não mais em licenças mal expedidas, mas em corpos de vítimas. Ao mesmo tempo, joga-se mais propaganda mentirosa para a platéia de ignaros ao aprovar uma lei climática cujas metas são “voluntárias” e onde as medidas mais importantes, incluindo a substituição gradativa dos combustíveis fósseis, foram vetadas pelo Einstein de Garanhuns a mando da Candidata Bruxa do Clima.

As vítimas do imperdoável crime de lesa-humanidade que o (des)governo brasileiro perpetra, ao dar asas livres à continuidade do crescimento de nossas emissões de carbono e metano no presente visível enquanto mente que reduzirá emissões no futuro, não atinge apenas o turismo e os moradores mais pobres das urbes malcuidadas como Angra dos Reis e similares. Trará consequências gravíssimas para países inteiros, como as Maldivas, que afundarão vítimas da megalomania de curto prazo de “líderes mundiais” de araque como nosso Stalin em compota, cujo atraque contra a natureza brasileira escorre pelos níveis inferiores de governo até chegar à lama que escorre da Ilha Grande, como se viesse de um currículo de deputado.

Não se consegue que as pessoas se mobilizem em defesa da Natureza, drogadas que estão pelo ópio do consumismo de balangandãs eletrônicos ou carros de entupir ruas. Será possível acordá-las para o assassinato em massa, porém ao longo de anos, que as políticas de destruição ambiental estão causando no Brasil? Duvido. Mas fica o registro: nem todos somos bobos ou esquecidos, ainda que a massa de idiotas votantes continue sendo suficiente para eleger os mesmos criminosos, ano após ano, que continuam matando gente ora estragando Angra, ora matando Copenhague.

Fonte: www.oeco.com.br

José Truda Palazzo Jr., o Maluco da Baleia.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja,  barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos  arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras  porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a  um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio  como aqui.
Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma – uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia… mas lá é meio como aqui.

José Truda Palazzo Jr. (Porto Alegre, 28 de julho de 1963) foi fundador e principal força motriz durante 27 anos do Projeto Baleia-franca, projeto que completou em 2007 25 anos e tem como objetivo a proteção da espécie Eubalaena australis, a Baleia-franca. Além disso, Truda Palazzo tem trabalhado, ao longo dos anos, em várias iniciativas de proteção ao meio ambiente, tendo se tornado um respeitado e conhecido ecologista.

Iniciou sua militância na área ambiental aos 15 anos, em 1978, quando somou-se a ativistas como José Lutzemberger na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e começou a atuar na campanha nacional para banir do Brasil a caça à baleia (proibida somente em 1985). Em 1979 conhece o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, então já um expoente do meio ambientalista brasileiro, e passam a trabalhar juntos pela conservação das baleias e do meio marinho.

MINCgana que eu gosto

Por José Truda Palazzo Jr.

Fui um dos trouxas que aplaudiu a entrada de Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente. Apesar de sabê-lo viajandão e performista, sempre o achei honesto, e me parecia que poderia ser um gestor mais combativo depois de termos visto a Senadora Marina Silva fazer um papelão como ‘soldada de Lulla’, engolindo todo tipo de crimes estatais e desaforos do Einstein de Garanhuns e sua ungida Candidata Plástica da Casa Civil, ambos inimigos declarados e ferrenhos da conservação da biodiversidade brasileira, ele por ignorância pura, ela por interesse econômico mesmo.

As semanas que passaram, com nosso Minc-nistro centrando seus shows de colete na já falida e insuficiente Conferência de Copenhague sobre o clima, mostrou que Minc aprendeu rápido – e infelizmente muito bem – a fazer o papel de ventríloquo das barbaridades palacianas. De esperança de uma gestão mais prática e útil no MMA, virou apenas mais um político a mirar as eleições de 2010 para segurar o palanque sujo de Dilma, Musa dos Empreiteiros e das emissões de carbono desenfreadas do “agronegócio” medieval que infesta o país.

Enquanto a delegação brasileira serviu de background folclórico em Copenhague para os desfiles da outra Musa do Atraso nacional, a senadora-latifundiária Kátia Abreu, e se desvela em auto-congratulações sobre “metas” de redução futura de emissões absolutamente mentirosas – eis que sabemos muito bem qual o grau de cumprimento de metas, leis e controles ambientais aqui em Pindorama – o mesmo Minc que adota na área ambiental internacional o discursinho ufanista, quase nacional-socialista, de Lullão Metralha et caterva, apoia aqui na imprensa doméstica uma das maiores falcatruas ambientais E fiscais já perpetradas contra o Brasil, na forma do decreto lullesco que empurra com a barriga as multas para os fazendeiros que comeram ilegalmente a reserva florestal legal e seguem se recusando a registrar suas áreas de preservação obrigatória, certos que estão de que, enquanto a atual troupe pró-desmatamento dominar o Planalto, nada tem a temer. O custo da brincadeirinha eleitoreira e arrecadatória de doações de latifundiários para a campanha 2010: 10 bilhões de reais não arrecadados dos criminosos ambientais do campo. Chore, trouxa: é do seu bolso que está saindo esse subsídio à continuidade da sem-vergonhice de quem tem milhares de hectares e se recusa a deixar uma mixaria de terra reservada à continuidade do que resta de biodiversidade em nosso pobre, estuprado país.

Melhor que isso, só se o des-governo Lulla Roussef tentar encomendar um cartaz a Ziraldo no estilo daquela bela campanha anti-fumo, mas que agora diga: Preservar é Brega.

É assim – com uma retórica semi-coitadinha, semi-ufanista sobre como somos maravilhosos em prometer cortes futuros de emissões, mas como necessitamos meter a mão no erário do contribuinte de país alheio para fazê-lo – que nosso des-governo perpetua uma fraude de tamanho global, fingindo ao mundo que se importa e adota medidas sérias de controle das emissões de gases-estufa e do desmatamento, enquanto aqui dentro segue sendo cúmplice da destruição acelerada da Amazônia e demais ambientes naturais, sendo uma sucursal dos arrotos de metano das vacas de Kátia Abreu e do vômito de carvão das termelétricas de Eike Batista. Conseguimos a façanha de fingirmos compromisso no exterior enquanto aqui transformamos o Estado nacional em sucursal dos interesses provados mais daninhos ao planeta que já se viram florescer à sombra dos palácios brasilienses.

Nosso Minc-nistro, muito estimulado pelo efeito psicotrópico dos holofotes estrangeiros, não se contenta em fazer essa dupla face de posar de bonzinho lá fora e de defensor do escangalhamento florestal no Brasil aqui dentro. Não! Ainda sobra em críticas às propostas mais moderadas de compartilhar a responsabilidade financeira do dano planetário das mudanças climáticas, com um papinho-goiaba de que apenas os ‘países desenvolvidos’ devem contribuir a um fundo global de mitigação do apocalipse em que nos atiramos no futuro próximo. Ora pois, não somos “os caras”, não somos um país que “chegou lá”, que superou tudo e todos para sentar-se à mesa dos reis? Então por que não temos coragem, vergonha na cara, hombridade para assumir o tamanho do estrago que as queimadas, as fazendas mal geridas e o péssimo uso e produção porca de energia do Brasil causam ao planeta?

Isso sem falar no estrago em nossa própria biodiversidade causado pelas “limpas” hidrelétricas e monoculturas de biocombustível, mas querer falar nisso para a delegação de políticos brasileiros em Copenhague já é exigir neurônios demais dessa gente…

Minc, que como Marina tinha um belíssimo histórico de militância ambiental parlamentar, será, certamente, candidato de novo a qualquer coisa no Rio de Janeiro. Deve resultar eleito, a qualquer coisa, já que o eleitor provou ad nauseam que valoriza mais a performance que o conteúdo. Mas é uma pena que assim seja. Ele tinha autoridade para ser um Ministro sério e independente, e, ao contrário de Marina que –mesmo tardiamente – teve a coragem de denunciar as pressões e tomar outro rumo, vai aos palanques carregando essa sina de ter sido testa-de-ferro do lullismo anti-ambiental até o fim.

Caiu por terra também esta semana, em definitivo, o discurso caudilhesco de Lullão Metralha sobre a suposta “liderança” do Brasil no mundo em desenvolvimento e no tema de mudanças climáticas entre os países mais desfavorecidos. É só se ver o escândalo legítimo feito por Tuvalu contra o Brasil, parte do protagonismo corajoso dos pequenos países insulares em Copenhague, para ver que a “solidariedade” lullesca se restringe a golpistas fracassados em Honduras e mandaletes semi-analfabetos das miseráveis republiquetas que nos cercam. O mundo em desenvolvimento não pediu, não endossou e não quer que o Brasil do des-governo pró-desmatamento e pró-continuidade do aquecimento global o represente. Tenhamos, ao menos, a sobriedade de passar vexame sozinhos em Copenhague, sem tentar arrastar à lama outras nações pobres, porém honestas.

E, agora que essa conferência do absurdo terminou, ao menos leiamos o que diz a imprensa internacional, e não só os releases goebbelianos de Brasília. Quem sabe assim poderemos dizer aos nossos filhos de quem é a culpa, aqui mesmo em terras bananeiras, do futuro deles ser tão ruim.

Fonte: http://www.oeco.com.br/

Parques e reservas: visitação, não; depredação, sim

Por José Truda Palazzo Jr.

Qualquer cidadão que visite a sede nacional do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade começa a entender tudo. Expulso da sede própria, aprazível, espaçosa e arborizada, próxima às margens do Lago Paranoá, que ficou reservada ao novo arqui-rival na disputa por poder político e rolos de papel higiênico, canetas e outros essenciais da burocracia federal, o IBAMA, na divisão criminosa provocada por Dilma Plastificada Roussef para tentar quebrar a espinha do licenciamento ambiental e facilitar a vida de seu fã-clube de empreiteiros, o primo-pobre ICMBio acabou atirado em uns prédios horrendos e áridos do setor Sudoeste, num labirinto de concreto. Sua localização, aliás onerando desnecessária e violentamente o já ridículo orçamento federal ambiental, reflete mais a sua condição atual de refém do desinteresse palaciano lullesco do que sua missão de salvaguardar o que resta da biodiversidade brasileira ante a sanha predatória do próprio (des)governo em que se insere.

Talvez a esquizofrenia provocada por esta e outras barbaridades que lhe são impostas pela dupla pós-sertaneja Lulla Roussef seja a única explicação para que, sem que seus funcionários esforçados de verdade – em especial aqueles que ralam abandonados pelas matas, banhados, restingas e ilhas do Brasil à margem do xalalá brasiliense – façam um levante nacional, o Instituto tenha decidido entregar as pouquíssimas e paupérrimas Unidades de Conservação federais de proteção integral de vez aos seus depredadores mais contumazes, as ditas “comunidades tradicionais” localizadas em seu interior, mais uma vez fingindo ser solução o que problema gravíssimo é.

Não fosse o alerta d´O ECO, talvez mais essa barbaridade passasse em branco. E no atual estado de coisas pode até que esse absurdo se confirme e se consolide. Mas a decisão espúria expõe de forma exemplar uma filosofia de cretinice na gestão das áreas protegidas brasileiras que precisa ser urgentemente debatida e revertida, se é que queremos uma gestão esclarecida de nossas Unidades de Conservação que realmente contribua benefícios não “apenas” ecológicos, mas também (e muito) sócio-econômicos para todo o país, não apenas aos coitadinhos de ocasião a quem a demagogia e incompetência de Brasília pretende entregar esse inestimável patrimônio nacional.

A ideologização supostamente esquerdizante dos miríades de “quadros” do PT que tomaram de assalto os órgãos ambientais federais – sem ter para tanto nem formação, nem competência na gestão ambiental – está transformando em política de atuação daqueles a noção absurda de que os que pescam, caçam, desmatam, comem, queimam, vendem os recursos naturais das Unidades de Conservação de proteção integral – desde que fantasiados de uma roupagem “tradicional”, que na maioria das vezes na prática se resume a terem uma economia extrativista, serem relativamente pobres e morarem na área que deveria ser protegida – são “o povo” e tem mais direitos do que aqueles que caminham, olham, fotografam, mergulham ou escalam e depois vão embora sem levar nada do patrimônio natural (os “burguêis” cujo crime é trabalhar na cidade e ter dinheiro suficiente para praticar atividades ao ar livre). É isso mesmo: depredação sim, ecoturismo não.

Não é outra a razão pela qual o Brasil é o único país do mundo em que a maioria dos parques não arrecada nada para o sistema de conservação da Natureza: enquanto as “otoridades” do sistema ambiental federal privilegiam os pescadores e quejandos, caem de pau em mergulhadores autônomos e outros usuários contemplativos dos recursos e recusam-se a implantar estruturas e programas minimamente decentes de visitação pública para que essas áreas gerem dinheiro, educação e conscientização.

Não que não haja exemplos no Brasil mesmo de como isso é importante para manter as áreas protegidas e gerar emprego e renda com atividades não-destrutivas: qualquer um que visite o Parque Nacional do Iguaçu verá lá os bons resultados do seu Plano de Uso Público implantado, com terceirização de serviços ao visitante. Infelizmente, a reprodução desse bom exemplo, prometida somente para uma minoria de outros parques, como Abrolhos e Fernando de Noronha, está empacada na gaveta de algum burocrata brasiliense, e apesar de prometida repetidas vezes, não parece conseguir sair do papel.

Não falta gente boa no ICMBio para organizar o melhor uso das Unidades de Conservação – aquele que não acaba com os recursos naturais. Mas as ações para tanto estão desprestigiadas por essa histeria rousseauniana que acomete de chefões a chefetes petistas nos órgãos ambientais, que preferem entregar as áreas protegidas aos seus “bons selvagens”, numa demagogia surrada que prega uma suposta sustentabilidade dos “usos tradicionais” – pura mentira, na imensa maioria das vezes, mas que agrada do pobre pescador iludido ao deputado pilantra que não quer ver seus eleitores tolhidos pela aplicação da lei. Essa bobajada daninha se apóia em inúmeros trabalhos escritos que pululam em congressos ditos “sócio-ambientais” e que não se escudam em dados científicos efetivos sobre o estado das espécies de fauna e flora predadas pelas comunidades, mas sim em geral numa cosmologia patética em que a visão pré-concebida do “pesquisador” (antropólogos, sociólogos e outros ólogos de estilo) conclui sempre pela maravilha que é a pobreza nos matos ou mares e como ela tem de ser protegida contra os avanços da conservação do que resta da biodiversidade brasileira…

Não parece fazer parte da suíte de interesses da troupe do bom selvagem perguntar aos filhos dos moradores das áreas protegidas se eles querem continuar vivendo no paleolítico ou neolítico, ou se prefeririam receber a devida e justa indenização para de lá sair, a capacitação para atuar em outro ramo profissional como por exemplo o ecoturismo, enfim, serem empoderados para se beneficiar da conservação, ao invés de enganados com a balela fatal da tolerância aos usos predatórios. As respostas, muito provavelmente, acabariam com a alegria dos defensores de usar as áreas protegidas como guetos antropológicos e confirmariam a máxima do grande Joãosinho Trinta: quem gosta de pobreza é intelectual.

Mas não: os “gestores” ambientais saídos da academia partidária do Einstein de Garanhuns são, como ele, descrentes da razão, da boa técnica provada e dos fatos, preferindo “gerir” as Unidades de Conservação de proteção integral como um grande experimento antropocêntrico do que como repositórios inestimáveis do que resta de nossa biodiversidade, e que estariam gerando emprego e renda em abundância se fossem devidamente protegidas, dotadas de infraestrutura mínima e oferecidas ao público visitante como acontece em todo o resto do mundo.

Muito será preciso fazer se e quando conseguir se retomar o Estado das mãos incompetentes da claque partidária encarapitada nos cargos de confiança dos órgãos ambientais (os quais, aliás, deveriam ser sumariamente extintos em paralelo à criação de uma efetiva carreira de servidores de áreas protegidas). A prioridade terá de ser, com a máxima urgência, resgatar os parques e reservas desse atoleiro de besteirol pseudo-social. Enquanto isso, rezemos para que os bons selvagens tradicionais, que os “gestores” de hoje deixam desmatar ou pescar à vontade enquanto multam e chutam os fotógrafos ou mergulhadores contemplativos, não tenham acabado com tudo.

Fonte: www.oeco.com.br

Comissão do Atum Não Vale um Pum – Assino Embaixo!

Por José Truda Palazzo Jr.

Alguns dos não-resultados da reunião da ICCAT, Comissão Internacional para a Conservação (que piada) dos Atuns Atlânticos, que maneja toda a pesca de alto-mar no Oceano Atlântico e que para nossa grande vergonha se realiza no Brasil sob a Presidência de um brasileiro, ante a fanfarra do Ministério da (Sobre)Pesca. O contingente do MMA era evidentemente minoritário, o lobby da pesca mandou em tudo aqui.

A reunião teve três festas e pouquíssimo trabalho sério; enquanto os delegados curtiam as caipirinhas, o frevo e o forró, o tempo passava, e as discussões e decisões importantes foram ficando pro sábado e domingo finais.

Tubarão mako de aletas curtas: capturas comerciais seriam restritas à média de capturas de 2004-2008; países que não reportassem dados da pesca da espécie não poderiam continuar capturando. A China recusou-se a aceitar, e o Brasil propôs atrasar um ano a implementação, então a medida só valeria para daqui a um ano… Aí o Japão disse que era difícil de aplicar, blah blah… ridículo. Aí o japa presidente da sessão propôs excluir o bycatch… o que é o grosso das capturas. Aí EUA e União Européia não aceitaram. Foi para o Plenário a versão cagada mesmo assim, e aí… acabou sendo deixada de lado para o ano que vem.

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Tartarugas: a proposta dos EUA de ampliar as medidas de proteção de tartarugas marinhas contra bycatch foi retirada por oposição da União Européia, que alega não ter ‘condições técnicas’ para implementar medidas (nesse caso em particular), o Brasil está anos-luz na frente deles graças inter alia ao trabalho do TAMAR). O presidente japonês da sessão debochou da EU dizendo que há anos eles fazem a mesma alegação e que era hora de começar a levar o assunto a sério. Assim mesmo, ficou para ser considerado de novo só no ano que vem.

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Albatrozes: por pressão do Japão e outros, deixaram de ser aprovadas novas medidas de mitigação das capturas, como queria o Brasil (empurrado pelo Projeto Albatroz). Ou seja, continuarão morrendo aves marinhas aos milhares sem necessidade. Rever o assunto… só no ano que vem.

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Proposta de ‘Fins Attached’, ou seja, obrigar ao desembarque de tubarões inteiros com suas barbatanas, impedindo o ‘finning’ ou corte das aletas em alto-mar (os pescadores botam fora os tubarões inteiros para gantar mais dinheiro trazendo só as barbatanas pra exportar pra Ásia): México pediu pra ter ‘período de implementação’ de 18 meses mas gostaria de adotar a proposta… China se opôs totalmente, Japão o mesmo, EU o mesmo fazendo um xalalá. Brasil falou a favor, mas… sugeriu mudar para ‘estudos a serem feitos’… ridículo… e a proposta mais importante da reunião, de impedir que se desembarcassem aletas sem os corpos dos tubarões, foi à breca.

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E para o pobre do atum azul (bluefin tuna), ameaçado de extinção, a cota que deveria ser ZERO para que espécie se recuperasse dos abusos recentes ficou em “apenas” 13,500 TONELADAS… um verdadeiro escândalo infelizmente co-patrocinado pelo Brasil, através do Prof, Fábio Hazin endossou a proposta e ajudou na sua aprovação discursando a favor da continuidade das capturas da espécie nesse foro de inconsequentes e lobistas da indústria de mineração dos peixes oceânicos (não dá mais pra chamar de pesca – é mineração mesmo).

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De útil mesmo só a aprovação da proibição de captura do tubarão-raposa Alopias superciliosus, uma das espécies de tubarão mais vulneráveis, ainda assim só depois de muito bate-boca inútil provocado pelo México e outros.

O resumo da ópera é que a ICCAT provou mais uma vez que não vale nada como organismo de gestão e conservação, nem das espécies-alvo da pesca nem do ecossistema oceânico como um todo. Se não houver uma reforma radical na forma de administrar a pesca industrial oceânica, aqui no Atlântico e no resto do mundo, está bastante claro que o que aconteceu com as baleias – serem levadas à margem da extinção e terem agora prazos de recuperação perto dos 300 anos para muitas espécies – acontecerá com os grandes peixes, tubarões, tartarugas, albatrozes.  Ou seja, se formos otimistas, estamos condenando ao menos quatro ou cinco gerações futuras a viver num planeta de oceanos vazios e desequilibrados. Que a imensa maioria de brasileiros, inclusive os biólogos, oceanógrafos, mergulhadores, operadores de turismo, E pescadores, esteja pouco se lixando e sequer se mexa pra se informar E pra mudar esse estado de coisas ao menos aqui, é mais do que lamentável.

Mas a minoria chatérrima e inconformada na qual me incluo vai continuar incomodando, disso podem ter certeza. A próxima batalha é para incluir o atum vermelho na lista de espécies de comércio internacional proibido da Convenção CITES, em março de 2010, e tentar lá mesmo estabelecer restrições de comércio para diversas espécies de tubarões. E vamos em frente!

JTruda