Consumismo, ambientalismo e a eleição

Por: José Truda Palazzo Jr.

consumidoresO dia seguinte dessas eleições de efeito mortal para a Natureza brasileira amanheceu bonito em Porto Alegre. Minha caminhada matinal em meio às árvores e pássaros do parque aqui perto de casa nada mudou; só a certeza de que, de novo, teremos de suar sangue para que árvores e pássaros ainda existam no Brasil de nossos filhos, dada a sanha declarada dos que seguem atracados nas estruturas oficiais e as usam para delinqüir contra a gestão ambiental esclarecida.

Falaram as urnas, e disseram: somos um país majoritariamente de consumidores e indigentes, não de cidadãos. Pouco nos importa a corrupção, a devastação ambiental, a tomada de assalto do Estado por ‘quadros’ partidários que empurram para longe as carreiras profissionais dos funcionários públicos e se adonam das repartições para negociatas. Queremos é consumir e receber esmolas oficiais ad eternum. E dane-se o meio ambiente.

“Com ou sem Dilma, lá fora há parques nacionais e reservas, florestas e aves, corais e baleias que não têm culpa do analfabetismo ambiental dos eleitores brasileiros.”

A estratégia do Gênio de Garanhuns e sua Candidata Plástica – baseada no produtivismo soviético que se lixa para os custos ambientais e sociais a longo prazo – calou fundo naquilo que os brasileiros iletrados como ele tem de pior: as necessidades básicas de sobrevivência, para uns, e a irracionalidade consumista que uma sobrinha de dinheiro no fim do mês traz, para outros. Entre dar esmola com o fruto do trabalho alheio, extorquido na forma de impostos escorchantes, num sistema que mantém os miseráveis incapazes de progredir por conta própria e reféns eternos da máfia mandante no Estado, e convencer os quase-classe-médios que a felicidade é uma “casa própria” de baixíssima qualidade superfaturada e uma TV de plasma para dar inveja no vizinho, ou um carro “popular” para atolar o trânsito das cidades, achou-se a fórmula perfeita para encantar nossos grotões mentais e assegurar a continuidade de um projeto de poder partidário que não dá a mínima para o futuro do Brasil. Além do que já dizem, na luz do pós-eleição, os balanços reais do Tesouro exaurido pelas benesses eleitoreiras, teremos ainda a pagar a conta de desperdiçar de maneira escabrosa os nossos recursos naturais, com a carta branca aos latifundiários e MST juntos para delinqüir contra as florestas, aos empresários para aguardar o licenciamento fajuto e automático de seus mega-empreendimentos impactantes, e como chave de ouro a garantia, dada de maneira boçal pelo Presidente da PETROBRAS (e um dos principais apoiadores da nova Impetariz do Combustível Fóssil) no lançamento recente de patrocínios a projetos ambientais (uma miséria de investimento frente ao orçamento da empresa), de que continuará sendo privilegiada uma matriz energética caríssima, antiquada e monstruosamente poluidora e destruidora da biodiversidade, na forma de queima de petróleo e carvão e mega-hidrelétricas que são o carnaval das empreiteiras financiadoras de campanhas.

Que o plano dessa quadrilha política é esse, nunca houve dúvida; mas que seu sucesso tenha sido assegurado pela omissão de quem sabia muito bem que tudo isso está errado e nos conduzirá a um desastre nacional, é simplesmente estarrecedor. Marina Silva e os caciques do PV, que poderiam ter pactuado com o que restava de oposição uma nova forma de gerir o Brasil rumo à sustentabilidade se omitiram, e condenaram o país a mais quatro anos de devastação no atacado, em nome de um projeto político incerto. O discurso do resto da “oposição”, aliás, não saiu do convencional na reta final da eleição, por medo de desagradar aos mesmos coroné e empreiteiros que bancam as campanhas políticas de PT e PSDB com a mesma esperança de destruir a gestão ambiental brasileira seja quem for o des-governante.

Este é o belíssimo quadro que temos pela frente no Terceiro Reinado da ignorância truculenta, explicitamente anti-ambiental, da nomenklatura petista e seus “aliados”. Mais do que uma constatação nefanda, entretanto, é um convite a resistir. Com ou sem Dilma, lá fora há parques nacionais e reservas, florestas e aves, corais e baleias que não têm culpa do analfabetismo ambiental dos eleitores brasileiros. Salvá-los do que vem por aí é mais do que motivação suficiente para não desanimarmos e, principalmente, não nos calarmos.

Enquanto escrevo, nossa diplomacia servil acaba de assegurar novos vexames na Convenção da Biodiversidade, na Convenção para a Conservação (?) do Atum Atlântico e vem por aí outro nas discussões sobre mudanças climáticas, considerando medidas essenciais de conservação da Natureza, a mando dos trogloditas do Planalto, como “barreiras não-tarifárias” que nossas representações tentam a todo custo impedir que sejam efetivadas. A má gestão da Natureza no Brasil não é problema só nosso, mas repercute violentamente contra a conservação do planeta como um todo. Parar as sandices dessa gente é, portanto, obrigação para com o planeta.

E Marina que venha em 2014, mas que ponha a mão na consciência antes disso e passe a denunciar com a veemência que lhe faltou este ano na campanha as bandalheiras e os crimes ambientais do “pudê” que, mais do que corromper, parece que cala os que almejam chegar lá.

Reproduzido pelo Instituto Sea Shepherd Brasil com autorização do O Eco, www.oeco.com.br.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

José Truda Palazzo Jr. (Porto Alegre, 28 de julho de 1963) foi fundador e principal força motriz durante 27 anos do Projeto Baleia-franca, projeto que completou em 2007 25 anos e tem como objetivo a proteção da espécie Eubalaena australis, a Baleia-franca. Além disso, Truda Palazzo tem trabalhado, ao longo dos anos, em várias iniciativas de proteção ao meio ambiente, tendo se tornado um respeitado e conhecido ecologista.

Iniciou sua militância na área ambiental aos 15 anos, em 1978, quando somou-se a ativistas como José Lutzemberger na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e começou a atuar na campanha nacional para banir do Brasil a caça à baleia (proibida somente em 1985). Em 1979 conhece o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, então já um expoente do meio ambientalista brasileiro, e passam a trabalhar juntos pela conservação das baleias e do meio marinho.

Email: palazzo@terra.com.br

A natureza não aguenta mais neutralidade

Foto de Yanina Patricio

Foto de Yanina Patricio

O estudo da História, no Brasil, é uma infeliz repetição dos demais estudos nesse país: aprende-se pouco, mal e em geral inutilidades ditadas por algum imbecil chauvinista ou xenófobo, ou ambos, que do alto de algum posto de poder escarrou sobre nossa juventude um diktat sobre o que é ou não importante se estudar, e acabou. É assim que as crianças penam para decorar bobajadas sobre o Crescente Fértil sem saber nem direito onde fica, bem como festejar dias de índios que não sabem de onde vieram nem o que faziam, e por aí vai.

Faço essa introdução irada sobre um tema desconexo porque, se tivéssemos todos estudado a interessantíssima História da Índia nos bancos escolares, se evitaria muita idiotice que tenho lido e escutado nos últimos dias sobre a lamentável decisão de Marina Silva e dos caciques do Partido Verde de posar de “neutros” nessa fase crucial das eleições, advogando uma “independência” tão falsa como a afirmação reiterada de Marina de que o PT estaria “mais próximo” dos ideais do PV do que a coligação de José Serra.

A Índia, país pobre porém culturalmente riquíssimo, sofreu um golpe irreparável quando a luta pela independência do Reino Unido infamou as paixões do fanatismo religioso, causando, enfim, massacres horrendos que até hoje perduram entre compatriotas antes irmanados, e a divisão do país em dois (depois três, com a secessão de Bangladesh) com a criação do Paquistão. Ninguém que tenha se debruçado sobre o tema pode esquecer as horrendas cenas e descrições das migrações forçadas de hindus para um lado e muçulmanos para outros, colunas de centenas de milhares que a algum xingamento mais forte se atracavam a facadas e pauladas.

Os massacres e o esquartejamento da Índia têm um grande culpado: Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como o Mahatma, hoje ídolo da Paz e modelo de comportamento político para os que crêem em estereótipos como forma de entender a humanidade. O seu bom-mocismo exacerbado, que fez dele pouco mais do que espectador dessa imensa tragédia, contribuiu para que o modelo de separação física das religiões levasse ao ódio que levou à divisão do país. Evidentemente, o papel de Gandhi na independência da Índia não é desprezado em função disso, mas muita gente prefere se fazer de surda quando se fala nos riscos reais de se adotar uma postura monástica demais num mundo de pecadores inveterados.

Marina Silva fez-se de Gandhi neste último final de semana ao adotar, e arrastar o Partido Verde para, uma postura de “independência” (leia-se neutralidade, em cima do muro, omissão, qualquer que seja a explicação convoluta que se dê a posteriori) para o segundo turno das eleições presidenciais. Líder capaz de mudar os rumos da História agora, preferiu preservar-se para voltar a concorrer em 2014, condenando, se Dilma Plástica se eleger, a Natureza brasileira a mais quatro anos de devastação desenfreada e à destruição final de qualquer semblante de gestão ambiental federal.

Se analisarmos esses últimos oito anos de des-governo federal, em que Dilma governou nas sombras em nome do Etílico Iletrado de Garanhuns, veremos que quem representou melhor os interesses mais retrógrados e criminosos das máfias empresariais anti-Natureza foi, de fato, a corporação petista atracada no Estado.

Marina tem suas razões, e tem o direito de exercê-las. O que não é direito, nem razão, muito menos aceitável, é que a sua decisão pessoal tenha arrastado junto um Partido político inteiro sem consulta aos seus filiados e apoiadores, dentre os quais pela primeira vez uma significativa parcela do movimento ambientalista que passou a acreditar na via político-partidária como alternativa de luta. Muito menos aceitável é que após anunciar a “independência”, ela e alguns do caciques do PV tenham imediatamente saído a fazer propaganda de Dilma dizendo da “maior afinidade” dessa gentalha assassina da Natureza com o programa do PV. Poderíamos todos ter sido poupados desse lamentável post-scriptum.

O que resta aos ambientalistas preocupados efetivamente com o que vai acontecer com nossa biodiversidade enquanto Marina não vem? Para mim, fazer campanha diuturna para que Dilma, A Plástica, não se eleja. Cansei de ouvir nessas últimas horas a bobajada dos bem-intencionados dizendo que a campanha de Serra representa o latifúndio que é contra o Código Florestal, as empreiteiras e etc… pois bem,  se analisarmos esses últimos oito anos de des-governo federal, em que Dilma governou nas sombras em nome do Etílico Iletrado de Garanhuns, veremos que quem representou melhor os interesses mais retrógrados e criminosos das máfias empresariais anti-Natureza foi, de fato, a corporação petista atracada no Estado. O que os bonzinhos omissos que defendem a “independência” dizem – que a ‘direita’ pede aumentar a devastação – é justamente o que Dilma FEZ.

Contem comigo: abandono das áreas protegidas e engavetamento das propostas de criação da maioria delas; privilégios à energia suja e marginalização das alternativas energéticas limpas; desconstrução do sistema federal de gestão ambiental, com o esquartejamento e miserabiliização (além de perseguição a funcionários atuantes) do IBAMA; apoio explícito ao modelo colonial de exportação de commodities agrícolas com a expansão brutal das queimadas e desmatamentos para a plantação de grãos por mega-conglomerados dos ‘coroné’ do campo; produtivismo soviético voltado para a conquista de votos por meio da expansão criminosa do consumismo, gerando brutal endividamento familiar e um impassável caos no trânsito das cidades pelo subsídio ao transporte individual e abandono do coletivo. Digam-me que governo de ‘dereita’ faria melhor para acabar com a Natureza e a qualidade de vida no Brasil?

Não tenho quaisquer ilusões, por outro lado, que José Serra e seus aliados sejam bonzinhos ou ambientalistas. Mas acredito, por três décadas de experiência própria, que combater, debater e dialogar com adversários minimamente letrados no que acontece no mundo e que têm por mantra o lucro privado eficiente, não o atraque perpétuo ao Estado atrasado e paternal, é melhor do que ter de aturar os desmandos e a falta de visão dos “pais dos pobres” cujo horizonte vai apenas a Cuba, à Bolívia e à Venezuela. Quero um país que apóie as Maldivas na discussão da mudança climática, não o Irã na sua histeria nuclear. Quero poder de novo bater boca com governantes alfabetizados, que entendam quando a gente fala em célula fotovoltaica, biodiversidade, geração de emprego e renda com a economia do século XXI e não do século XVII de Aldo Rebenta e seus comunistas pró-latifúndio. Vou de Serra neste segundo turno, e todos os que realmente se preocupam com a Natureza brasileira, e não com o proselitismo faz-de-conta dos pobres ignaros sem noção de História, deveriam ir também. E em 2014… Marina neles!

Reproduzido pelo Instituto Sea Shepherd Brasil com autorização do O Eco, www.oeco.com.br.

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Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

José Truda Palazzo Jr. (Porto Alegre, 28 de julho de 1963) foi fundador e principal força motriz durante 27 anos do Projeto Baleia-franca, projeto que completou em 2007 25 anos e tem como objetivo a proteção da espécie Eubalaena australis, a Baleia-franca. Além disso, Truda Palazzo tem trabalhado, ao longo dos anos, em várias iniciativas de proteção ao meio ambiente, tendo se tornado um respeitado e conhecido ecologista.

Iniciou sua militância na área ambiental aos 15 anos, em 1978, quando somou-se a ativistas como José Lutzemberger na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e começou a atuar na campanha nacional para banir do Brasil a caça à baleia (proibida somente em 1985). Em 1979 conhece o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, então já um expoente do meio ambientalista brasileiro, e passam a trabalhar juntos pela conservação das baleias e do meio marinho.

Email: palazzo@terra.com.br

Queima Brasil: Lulla e Dilma no pulmão

queima brasilMinhas filhas, folgo em dizer, só me dão alegria. Uma delas, Lara, recém completou 15 anos, e como sua irmã Júlia vem sobrevivendo bem à adolescência num país de gente que aplaude os des-governantes enquanto seus filhos são assaltados, estuprados, assassinados, atropelados, ou massacrados pelo tráfico de drogas e armas estimulado pelos “cumpanhêro” em algumas das fronteiras com as quais fomos agraciados mas que seguem abertas à bandidagem por razões claramente ideológicas.

Lara, entretanto, tem asma. Algo que qualquer pessoa controla e supera desde que a moléstia não seja, como a corrupção, os empreiteiros depredadores da Natureza e a máfia da pesca industrial, cúmplice do des-governo federal de nosso Einstein de Garanhuns e sua candidata plástica. Esta semana, Lara, que mora na região metropolitana de Porto Alegre, foi mais uma das vítimas de saúde das queimadas assassinas que essa corja instalada no “pudê” vem estimulando pelo Brasil inteiro, e que chegou ao Sul na forma de uma nuvem de fumaça que vem lotando emergências por todos os lados com o agravamento de doenças respiratórias. Considerando a porquice que são nossas estatísticas de saúde, sabe-se lá quanta gente será morta pela queima de nossos biomas florestais e campestres à luz do dia e à sombra do desrespeito dos des-governantes pela saúde pública e desprezo dos mesmos pela biodiversidade.

É óbvio ulullalante que a pior temporada de queimadas da história registrada no país, e que inter alia atinge uma imensa quantidade de áreas supostamente protegidas, só acontece graças à cumplicidade estatal. O duo do fumacê Lulla e Dilma asseguraram, ao longo de seus oito anos de reino maligno anti-conservação, que os latifundiários se sentissem totalmente à vontade para torrar o patrimônio natural do país.

Na semana em que minha filha e milhares de pessoas são vítimas da intoxicação pela fumaça do Queima-Brasil, a candidata Dilma Roussef desfila em palanque eleitoral no Centro-Oeste de braços e abraços com Blairo Maggi.

Senão vejamos: a turminha no “pudê” abraçou e propagou um discurso absolutamente contrário à conservação e favorável ao desrespeito às leis ambientais, sugerindo que se passe por cima da legislação, como fez o iletrado etílico do Planalto em repetidas vezes que mencionei em meu artigo anterior. Encarregaram seu bedel boçal Aldo Rebenta, dito comunista, de promover não apenas a revisão legal, mas sim e principalmente uma campanha pública sem precedentes contra o Código Florestal e as instituições ambientalistas da sociedade civil, levando os criminosos do campo a aumentarem ainda mais a devastação florestal antecipando a mudança da lei que sequer ocorreu ainda. Promoveram o desmonte deliberado dos órgãos ambientais federais, fracionando-os e estrangulando-os com orçamentos miseráveis e perseguições asquerosas, como a recente proibição dos fiscais do IBAMA de… fiscalizar, para não atrapalhar os jabás do período eleitoral. Decretam, no pior estilo do nazi-fascismo, mudanças radicais no licenciamento ambiental sem a mais mínima consulta ao povo que sustenta esse circo dos horrores, com o objetivo explícito de acelerar as faraônicas e eleitoreiras obras ditas do PAC. Com esse quadro, ora pois, o recado claro é um só: torrem o Brasil, queimem tudo, sejam vocês latifundiários que nos financiam, “sem-terra” de fachada que nos aplaudem e servem de patrulha partidária, ou simples tarados que vertem fogo em favelas e às margens das estradas para ver tudo ir pelos ares: o Estado, podem ficar tranqüilos, não estará lá para cumprir as leis ou puni-los. Ou isso, ou porão a culpa em quem fuma e atira fora os tocos de cigarro ainda acesos. Como diz muito bem o veterano ambientalista gaúcho Augusto Carneiro, é a síndrome do cigarro-gafanhoto, que salta por aí torrando o Brasil sem que ninguém seja culpado.

Na semana em que minha filha e milhares de pessoas são vítimas da intoxicação pela fumaça lullesca e dilmenta do Queima-Brasil, a candidata Dilma Roussef desfila em palanque eleitoral no Centro-Oeste de braços e abraços com Blairo Maggi, um dois piores inimigos da biodiversidade brasileira, e sua turma. Mentiu deslavadamente na ocasião sobre seu interesse em conciliar conservação e agronegócio; é só ver seu prontuário no governo para entender para que lado penderá seu eventual governo. E seguiu em alegre carreata, enquanto aeroportos fechavam, o solo se arrebentava em milhões de hectares, a biodiversidade era calcinada e a economia do país perdia bilhões nessa fogueira das vaidades petisto-agrárias, e enquanto minha filha, vários de seus colegas de escola e tantos outros brasileiros se esforçavam por recuperar a saúde neste país de políticos desgraçados que não se preocupam nem com os próprios filhos, quanto mais com o futuro da Nação como um todo.

Reproduzido pelo Instituto Sea Shepherd Brasil com autorização do O Eco, www.oeco.com.br.

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José Truda Palazzo Jr., o Maluco da Baleia.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

José Truda Palazzo Jr. (Porto Alegre, 28 de julho de 1963) foi fundador e principal força motriz durante 27 anos do Projeto Baleia-franca, projeto que completou em 2007 25 anos e tem como objetivo a proteção da espécie Eubalaena australis, a Baleia-franca. Além disso, Truda Palazzo tem trabalhado, ao longo dos anos, em várias iniciativas de proteção ao meio ambiente, tendo se tornado um respeitado e conhecido ecologista.

Iniciou sua militância na área ambiental aos 15 anos, em 1978, quando somou-se a ativistas como José Lutzemberger na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e começou a atuar na campanha nacional para banir do Brasil a caça à baleia (proibida somente em 1985). Em 1979 conhece o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, então já um expoente do meio ambientalista brasileiro, e passam a trabalhar juntos pela conservação das baleias e do meio marinho.

Email: palazzo@terra.com.br

Estupro à luz do dia

Por José Truda Palazzo Jr.

Foto: Hans Bellmer - La Poupée

Foto: Hans Bellmer - La Poupée

Ao se aproximar, enfim e felizmente, o apagar das luzes de um dos des-governos mais inimigos da conservação da Natureza que este país já viu, muito embora o coro de pelegos e chapas-branca do ambientalismo tente de tudo para escamotear este fato, seria de se esperar que ao menos arrefecesse a fúria estatal de destruição da biodiversidade brasileira, alimentada pela ignorância recalcada de nosso Einstein de Garanhuns contra as pererecas e bagres, reiterada em discurso criminoso e incitador à desobediência da legislação ambiental há poucos dias em Porto Alegre que, alguém lhe soprou no ouvido, “atrapáiam o pogreço”. Mas não – o que se vê, a temperar de maneira inequívoca a campanha eleitoral em que o Pai dos Pobres abusa da máquina pública para tentar fazer sua sucessora, é a perda definitiva de qualquer vergonha em acabar com os limites para a depredação, a mineração, o estupro do que resta de nosso patrimônio natural, na forma de agradinhos ao que há de mais retrógrado no empresariado nacional, certamente à espera de óbolos e apoios para a campanha presidencial de PT et caterva para o vindouro outubro.

Muitos no ambientalismo estiveram focados, e com justa razão, no que aconteceu com o Código Florestal nos últimos meses. Para destroçar o ordenamento de conservação de nossos remanescentes florestais, Lulla e Dilma, a Plástica, deixaram encarregado o primeiro comunista vassalo do latifúndio da Histórica, o histriônico Aldo Rebenta, já também de merecida fama como o mais ignorante especialista em manejo florestal de que se tem notícia. Sua designação, no entanto, é bem calculada: precisava o PT de um testa-de-ferro disposto a fazer um grande afago no setor do agronegócio, para que este não se esquecesse de dar sua contribuição a disseminar a campanha petista nos grotões onde os coroné, ainda hoje, mandam, mas agora eternizados pela aliança com a “isquerda” do Planalto e que, como eles, acha que floresta é “mato” e que derrubá-la é missão sagrada e patriótica. Agora a bancada petista, com medo da péssima repercussão desse crime, faz mero jogo de cena de que não estão de acordo com o relatório kafkaniano de seu aliado, sabendo muito bem que seus patrões estão apoiando toda essa bandalheira.

A discussão em torno do esquartejamento petista-cum-comunismo-et-coronelismo do Código Florestal, entretanto, fez com que virassem apenas nota de rodapé alguns outros que contam-se entre os piores escândalos de má gestão deliberada do patrimônio ambiental nacional de que se tem notícia. Estes, e os que mais virão até outubro, têm como evidente e inequívoco objetivo enviar uma mensagem clara aos empresários medievais da “base financeira” petista – empreiteiros parasitas de obras faraônicas, industriais da pesca predatória, chupins da infraestrutura petrolífera, fazendeiros improdutivos e devastadores, fabricantes de automóveis de má qualidade e similares: apóiem Dilma, e a gestão ambiental pelo Poder Público simplesmente acabará, para que vocês possam seguir com seus negócios escusos, com o lesa-pátria, com o acabar do futuro para assegurar seus lucros imediatos privados à custa do interesse público.

Não é outro o recado mandado baixar pelos chefetes do combalido IBAMA, refém de uma das piores cambadas partidárias que já infectou um órgão público ambiental, ao editar uma medida castrando seus próprios fiscais do dever de paralisar obras e empreendimentos fora da lei, exigindo, ao invés, que tais medidas – que são uma obrigação legal, não uma discricionaridade burocrática, ao menos até agora – sejam tomadas apenas quando autorizadas expressamente pelo bedel petista que se faz passar por Presidente do IBAMA, sentadinho em seu gabinete político em Brasília. Tradução: abusem, abusem, empresários, ignorem a lei, o licenciamento, os embargos e as multas, que o PT do Planalto garantirá sua liberdade de delinqüir eternamente.

Não vi, ao menos daqui de meu puleiro sulista, mobilizar-se a indignação cidadã contra essa medida que faz o General Médici revirar seus ossinhos na cova de tanta inveja. Nem na mais feroz noite da ditadura vimos tamanha desfaçatez explícita em se amordaçar a fiscalização dos crimes ambientais a mando direto de um grupelho interessado em continuar no poder a qualquer custo.

Pois, pensaria algum ingênuo, isto é o cúmulo, o ápice do absurdo na distorção da gestão ambiental pública com finalidade eleitoreira evidente. Mais, entretanto, ainda está por vir. O “presentinho” mais recente foi a decisão de entregar não apenas de presente, mas também com isenções fiscais pornográficas e subsídios idem, a biodiversidade marinha pelágica brasileira para frotas industriais amasiadas com empresários do Exterior, completando, na dita Amazônia Azul, a obra de destruição que Lulla e Dilma nos deixam como legado na Amazônia verde. Uma das obras anti-ambientais mais perversas do lullismo, o Ministério da Sobre-pesca agora preside invicto sobre a mineração de nossa biodiversidade marinha.

Enfatizo esse crime da maneira mais clara possível: a “pesca” industrial que se pratica aqui em Pindorama na mão desses celerados não se limita a pescar espécies de interesse alimentar e valor comercial, mas sim se faz com o subsídio, o apoio e a benção do Planalto ignaro e irresponsável a práticas pesqueiras que simplesmente arrebentam com toda a vida marinha, do espinhel para atuns que massacra aos milhões tubarões, albatrozes, tartarugas, ao arrasto de fundo que escangalha completamente comunidades bentônicas (de fundo) inteiras sem qualquer limite. Este estupro verdadeiro se dá não em mares sem lei, mas em nossa Zona Econômica Exclusiva e mesmo dentro de Unidades de Conservação, como a APA de São Pedro e São Paulo, onde o próprio O ECO documenta a ‘ação’ de pesquisadores oficiais, que sempre “esquecem” de falar do massacre da pesca industrial e também de que seu chefe e mentor, o famoso Dr. Fábio Hazin, que o lullismo apóia e faz lobby para perpetuar como Presidente da Comissão Internacional do Atum, também preside sobre a leniência internacional na matança desenfreada das espécies pelágicas. Tutti in famiglia!

Isso tudo se soma à herança maldita de Dilma na Casa de Mãe Joana Civil, onde foi barrada sem explicação nem vergonha a imensa maioria das propostas de criação de áreas protegidas das áreas costeiras e marinhas para o país, à exceção de fragmentos no Nordeste para dar palanque a correligionários da “isquerda” onde se estabeleceram áreas de extração controlada de recursos, mas para a proteção estrita da biodiversidade, necas de pitibiribas. O mais infame desses “encalhes” é o do Refúgio de Fauna Silvestre da Babitonga, que deveria proteger a população residente de uma espécie ameaçadíssima de golfinho, a toninha (Pontoporia blainvillei) e que a Casa Civil empacou como presente ao governador catarinense Luiz Henrique “Motosserra” da Silveira. Para cobertura desse bolo, a política externa ambientalmente genocida comandada pelo Assessor de Coisa Nenhuma Marco Aurélio “Top Top” Garcia, que levará o Brasil à reunião da Convenção de Diversidade Biológica mais uma vez sem ter o que mostrar de concreto e limitado a tentar impedir que se proponham e aprovem diretrizes efetivas de conservação da biodiversidade, consolidando a visão troglodita dos diplomatas de antanho de que tudo o que se propõe no plano internacional para fortalecera conservação é “barreira não-tarifária”, a ser combatida para beneficiar – uma vez mais – os negócios escusos da banda podre do empresariado nativo.

Vocês eu não sei, mas pesando tudo isso neste outubro vou votar contra o PT em todos os níveis e também contra qualquer partido que se alie com eles e seus lacaios. Ser cúmplice de mais quatro anos de fascismo ambiental disfarçado de “pogreço” para enganar analfabetos, à custa do futuro do Brasil, é uma nódoa que não quero no meu título de eleitor.

Reproduzido pelo Instituto Sea Shepherd Brasil com autorização do O Eco, www.oeco.com.br.

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José Truda Palazzo Jr., o Maluco da Baleia.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

José Truda Palazzo Jr. (Porto Alegre, 28 de julho de 1963) foi fundador e principal força motriz durante 27 anos do Projeto Baleia-franca, projeto que completou em 2007 25 anos e tem como objetivo a proteção da espécie Eubalaena australis, a Baleia-franca. Além disso, Truda Palazzo tem trabalhado, ao longo dos anos, em várias iniciativas de proteção ao meio ambiente, tendo se tornado um respeitado e conhecido ecologista.

Iniciou sua militância na área ambiental aos 15 anos, em 1978, quando somou-se a ativistas como José Lutzemberger na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e começou a atuar na campanha nacional para banir do Brasil a caça à baleia (proibida somente em 1985). Em 1979 conhece o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, então já um expoente do meio ambientalista brasileiro, e passam a trabalhar juntos pela conservação das baleias e do meio marinho.

Email: palazzo@terra.com.br

Lullismo internacional, um desastre ambiental

Por José Truda Palazzo Jr.

Untitled33Durou pouco, ainda que tenha agregado mais um capítulo exótico à xenofobia ignara que promove o PT encilhado no Estado brasileiro, a mentira de que nosso Einstein de Garanhuns fora eleito pela revista Time como a pessoa mais influente do mundo . Ao fim e ao cabo, se tratava apenas de mais uma dessas listagens múltiplas de “personagens” que jornalistas gringos deslumbrados com o que não conhecem, compilam para encher lingüiça em suas publicações. Assim mesmo, é inegável que o neo-Pai dos Pobres dedicou boa parte de seus mal ganhos mandatos à frente da Presidência do Brasil para projetar uma imagem de suposta liderança internacional, de novo farol a iluminar as nações com sua sabedoria adquirida no pau-de-arara e no chão de fábrica, esses conhecidos ambientes formadores de saber diplomático e geográfico que credenciam ao posto, que se diz por ele almejado, de Secretário-Geral da ONU após seu ocaso como ocupante do Palácio do Planalto .

Esse mesmo deslumbramento raso, superficial da Time também pautou boa parte da reação internacional a Lullão Metralha durante os anos em que, no Exterior, se teciam loas ao ‘pobre torneiro mecânico perseguido pela ditadura’ e seus ideais democráticos e libertários, enquanto aqui se sucediam sob seu tacão tacanho os atropelos à lei e ao direito constitucional ao meio ambiente sadio e equilibrado; enquanto se vendia o país inteiro às empreiteiras parasitas para a construção acelerada de termo e hidrelétricas perdulárias e caríssimas, em detrimento das energias alternativas mais baratas e de geração descentralizada; e enquanto se condenavam todas as cidades do país de médio e grande porte ao caos do trânsito pela opção porcamente eleitoreira de subsidiar a venda de automóveis (para dar força às corporações automotivas e ao sindicalismo pelego do ABC paulista, berço histórico do que há de pior no petismo anti-ambiental) ao invés de aprimorar o transporte público. Nada disso viu a imprensa internacional, ofuscada pelo exotismo lullesco.

“O Brasil vem protagonizando uma das exportações mais vergonhosas e danosas de que já se tem notícia na História: a exportação da destruição ambiental orquestrada por uma malta partidária servil ao empresariado retrógrado.”

Felizmente, esse verniz de fábula acabaria por ser rachado pelos fatos. Primeiro, pela ausência efetiva de uma diplomacia digna do Itamaraty de Rio Branco e sua escola de renome internacional. Preferiu o neo-Pai dos Pobres cercar-se de nulidades truculentas como Marco Aurélio ‘Top Top’ Garcia, cujo conhecimento para ser “aceçor internassionáu” do Planalto se reduz a pouco mais do que o preço do charuto cubano e o gargarejo de afagos em portunhol a Hugo Chavez, e como esse lamentável arremedo de ministro de Relações Exteriores Celso Amorim, cujo servilismo ao atraque ideológico sobre as relações do Brasil com o resto do mundo deveria aterrissá-lo numa penitenciária, fosse este um país efetivamente sério. Juntos, o duo lullesco de Relações Exteriores vem protagonizando uma das exportações mais vergonhosas e danosas de que já se tem notícia na História: a exportação da destruição ambiental e sua ideologia legitimadora, feita em nome do governo brasileiro, mas orquestrada de fato por uma malta partidária servil ao empresariado retrógrado que domina as relações políticas nesse pobre país.

Senão vejamos. Este espaço é pequeno demais para listar os tropeços e crimes da “diplomacia” amadorista e ideologicamente prostituída da dobradinha Amorim e Top Top, mas alguns casos merecem destaque por seus desdobramentos ambientais.

O Haiti, pelo perfil, pelo custo ao Brasil e pela escabrosa desgraça de seus habitantes, é o caso mais flagrante de irresponsabilidade ambiental de nossa diplomacia. Ávidos pela projeção de estacionar uma “tropa de paz” naquele pobríssimo e devastado (social e ambientalmente) país, tentando utilizar isso para cacifar a miragem de um assento para Pindorama no Conselho de Segurança da ONU , lá estamos há anos com nosso Exército, reduzido a polícia de favelas, enquanto o que aquele país precisa de verdade é reconstrução. Não a reconstrução de facilitar a vida de empreiteiras, mas restauração ambiental que permita aos haitianos um mínimo de retomada de sua sociedade, de recomposição de sua agricultura, a qual necessita urgentemente do resgate de suas bacias hidrográficas. O Brasil que o Haiti necessita não é só o das baionetas, mas principalmente o das tecnologias e dos recursos para a recomposição ambiental, o que só não se leva àquele país porque plantar árvore, recuperar córregos, investir em agricultura familiar não engorda empreiteira nem aparece para os cartolas do Conselho de Segurança na estreita mentalidade dos ocupantes atuais do Planalto.

Segue-se na lista de intervenções desastradas a pataquada de Honduras. Um pequeno país da América Central que teria muito a ganhar de parcerias ambientais com o Brasil, e que vinha investindo em conservar sua biodiversidade , foi transformado em refém da trapalhada lullesca de oferecer, com o dinheiro de meu imposto, palanque grátis em nossa Embaixada ao golpista demagogo Manuel Zelaya, ajudando assim a paralisar a economia hondurenha e a dificultar a continuidade do fluxo de assistência, inclusive ambiental, para o país. Como o tema ambiental jamais faz parte das equações dos Maquiavéis-em-compota de nosso des-governo, lá está Honduras agora à míngua em suas necessidades de cooperação ambiental, enquanto nosso Einstein de Garanhuns, à falta do que fazer para cuidar do Brasil em ruína social e ambiental sob seu tacão tacanho, segue fazendo agressões apopléticas a Honduras , sem razão, sem noção e em detrimento da conservação da biodiversidade centro-americana. Pândega criminosa, mais uma vez motivada pela ignorância que rege a ideologia bufa a unir os caudilhos desse combalido continente.

“…uma boçalidade ideológica que setores medievais do Itamaraty esposam: a visão de que medidas internacionais de conservação da Natureza são meras “barreiras não-tarifárias”

A atuação do Brasil nos tratados internacionais de meio ambiente é outro escândalo que os ambientalistas chapa-branca, mansinhos e freqüentadores dos gabinetes palacianos, fingem não ver. O Brasil está se tornando motivo de chacota internacional por sua atuação servil aos interesses das máfias do tráfico de fauna, da pesca industrial indiscriminada e da devastação da biodiversidade, já seja por ação ou inação nos foros internacionais que correspondem. Na Convenção CITES, que trata (ou deveria tratar) da proteção de espécies ameaçadas contra o comércio internacional, o Brasil fez-se de morto na última reunião Plenária e não usou de sua decantada liderança para fazer aprovar medidas de proteção a espécies marinhas, tendo atuação absolutamente pífia, mera sombra do que foi em outras décadas quando nossa representação liderava os esforços pela proteção efetiva de espécies ameaçadas contra as máfias do tráfico.

Na ICCAT, Convenção para a Conservação do Atum Atlântico, que ser reuniu no Brasil em fins de 2009, a representação brasileira fez apenas jogo de cena sobre seu interesse em proteger as espécies capturadas ’acidentalmente’ por essa pesca predatória – tartarugas-marinhas, tubarões, albatrozes, todos ameaçadíssimos – mas não apenas não tomou qualquer medida efetiva para a adoção das medidas de mitigação necessárias, como ainda, através do Presidente brasileiro da Comissão, Fábio Hazin, que tem interesse diretos na pesca industrial, ajudou a manter aberta a matança do atum-vermelho , espécie ameaçadíssima e que se encontra em violento declínio graças à mineração da máfia da pesca industrial com a qual nosso atual des-governo colabora. Aliás, nesta reunião ficou claro que o Ministério do Meio Ambiente não manda mais nada nas políticas internacionais brasileiras que importam, estando tudo à mercê da histeria produtivista criminosa do Ministério da Pesca, cabidão lullesco de onde subsídios bilionários ajudam a estuprar o que resta do mar brasileiro e, via ICCAT e outros tratados pesqueiros onde nos mal representamos, do resto dos oceanos do mundo.

A Convenção da Diversidade Biológica é outro caso de miopia diplomático-ideológica. A representação do Brasil àquela Convenção que deveria zelar pela proteção da biodiversidade só se interessa por patentes, repartição de benefícios, e por evitar que se adotem medidas efetivas de obrigação de países criminosamente aniquiladores da biodiversidade, como o Brasil, para melhorar suas práticas. É assim que, ao invés de cumprir as metas de criação de áreas protegidas e defender a adoção de mecanismos vinculantes para a proteção da biodiversidade, nossos representantes vão lá para evitar que tais medidas aconteçam. Isso é reflexo direto de uma boçalidade ideológica que setores medievais do Itamaraty esposam: a visão de que medidas internacionais de conservação da Natureza são meras “barreiras não-tarifárias” a impedir o comércio de produtos brasileiros e, portanto, devem ser combatidas a qualquer custo. Os fósseis que defendem isso na diplomacia brasileira estão pouco se lixando para a biodiversidade, e acham que o Itamaraty é mera sucursal do empresariado exportador, de onde põem nossos impostos e nossa representação a serviço meramente de “aumentar o comércio”. Desnecessário dizer que essa mentalidade boçal encontrou eco e apoio em Top Top Garcia e seu iletrado chefe para dominar, de vez, a forma de ver a conservação da Natureza em nosso meio de Relações Exteriores.

Não vou sequer mencionar novamente as negociações de mudanças climáticas – é só ver o fiasco das posições brasileiras a respeito. Enquanto se esconde atrás do vozerio ignaro do Brasil contra as metas obrigatórias de redução das emissões de carbono, a China se prepara para em cinco anos se tornar o centro global de produção de insumos para energias renováveis não-poluentes, enquanto aqui só se fala em petróleo e carvão, bem ao gosto dos empreiteiros que bancam o PT e da Petrobras que banca Dilma para candidata a síndica desse condomínio do atraso em que ela ajudou a transformar o Brasil.

Salva-se, por enquanto, a participação do Brasil na Comissão Internacional da Baleia, graças à algo solitária clarividência do diplomata que lá nos representa, resistindo bravamente aos apelos de gente do próprio MMA por “negociar com o Japão” para reabrir a matança comercial de baleias em troca de espelhinhos e miçangas que vem sendo oferecidos para que os países voltem a endossar a matança dos grandes cetáceos. Aqui, por sorte, o MRE honra uma história de construção de uma política pró-conservação que o lullismo conseguiu por no lixo em todos os outros tratados de meio ambiente no qual o Brasil tem assento, mas neste – ainda – não.

Por fim, nosso des-governo vem promovendo, de maneira sórdida e criminosa, a exportação de seu modelo de servilismo às empreiteiras para países pobres da região, empurrando hidrelétricas destruidoras de florestas tropicais à Guiana e ao Equador, depois levando ainda por cima calotes homéricos que estouram em nosso bolso , e por aí vai, com as mesmas empreiteiras de sempre, aquelas das contribuições à próxima campanha presidencial como na anterior , ganhando suas boquinhas empurradas pela “diplomacia” paga com nosso dinheiro. É o lullismo internacional, devastador e boçal, fazendo escola junto a outros governos inconseqüentes da América latrina de sua visão escatologicamente atrasada e predatória.

Até quando? Provavelmente até o final do mal ganho mandato do Einstein de Garanhuns, mas por sorte uma parte da comunidade internacional, alarmada pela fraternidade que ele exibe aos piores ditadores fascistas e liberticidas – logo, também inimigos da conservação da Natureza, cuja defesa exige livre expressão do pensamento pelos cidadãos conscientes. Beijar Hugo Chavez, aplaudir Raúl e Fidel, e fazer-se de bedel de Ahmadinejad já resulta em que a comunidade internacional veja o verdadeiro Lulla por trás da maquiagem . Some-se a isso o escândalo da devastadora e genocida Belo Monte, e sua péssima repercussão internacional para a imagem do país , e poderemos, felizmente, comemorar que a desgraça que acometeu o Brasil nesses oito anos não se repetirá elegendo-se um tarado anti-Natureza para Secretário-Geral da ONU. Tenho fé.

Fonte: www.oeco.com.br

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José Truda Palazzo Jr., o Maluco da Baleia.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

Essa, a propósito, é minha opinião sobre Roma - uma cidade suja, barulhenta, de gente grossa, em que os fantásticos monumentos arqueológicos foram primeiro cobertos de capelas, igrejas e outras porcarias cristãs, e depois cercadas de autopistas como as que passam a um metro do Coliseu. Quem fez isso devia ir pra cadeia... mas lá é meio como aqui.

José Truda Palazzo Jr. (Porto Alegre, 28 de julho de 1963) foi fundador e principal força motriz durante 27 anos do Projeto Baleia-franca, projeto que completou em 2007 25 anos e tem como objetivo a proteção da espécie Eubalaena australis, a Baleia-franca. Além disso, Truda Palazzo tem trabalhado, ao longo dos anos, em várias iniciativas de proteção ao meio ambiente, tendo se tornado um respeitado e conhecido ecologista.

Iniciou sua militância na área ambiental aos 15 anos, em 1978, quando somou-se a ativistas como José Lutzemberger na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e começou a atuar na campanha nacional para banir do Brasil a caça à baleia (proibida somente em 1985). Em 1979 conhece o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, então já um expoente do meio ambientalista brasileiro, e passam a trabalhar juntos pela conservação das baleias e do meio marinho.