JOGO SUJO DO GOVERNO JAPONÊS PARA ESCONDER A MATANÇA DA VIDA MARINHA

Por Guilherme Pirá, Guardião da Enseada (SSCS Cove Guardian)

O fim da temporada de caça de golfinhos e pequenas baleias em Taiji, no Japão, traz, novamente, aquele alívio de saber que, pelos próximos 06 (seis) meses, esses magníficos e inteligentes mamíferos aquáticos não serão direcionados para sessões de tortura e morte na praia de Hatajiri.

A temporada 2013/2014 da Operação Paciência Infinita (Operation Infinite Patience) trouxe mídia do mundo inteiro para a matança vergonhosa permitida pelo governo japonês. Algumas celebridades, como Sam Simon (Co-criador do seriado “Os Simpsons”) fizeram questão de se juntar aos Guardiões da Enseada da Sea Shepherd (Cove Guardians) para atrair mais atenção para essa questão. Mas, apesar desse foco em Taiji, desde o início da temporada, no dia 1 de Setembro de 2013, o jogo sujo do governo japonês para manter ativistas pacíficos fora de seu território permaneceu disfarçado.

Golfinho sendo jogado em uma prisão temporária, depois de ser selecionado para algum parque marinho. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Corpos de golfinhos sendo arrastados para que a carne seja processada e consumida. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Em uma tentativa de evitar que alguns de nossos ativistas conseguissem capturar imagens da matança e da violenta seleção de golfinhos para parques marinhos, o governo japonês, simplesmente, impediu que alguns voluntários deixassem o aeroporto, mantendo-os sob interrogatório por várias horas, e colocando-os em um avião de volta para casa, deportando-os.

No meu caso, não consegui nem deixar o Brasil para seguir para mais uma temporada, pois minha solicitação de visto aguardou por uma resposta do governo japonês por mais de 02 (dois) meses, quando o prazo informado pelo Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro era de apenas 02 (dois) DIAS !!! Para completar, fui informado que só devolveriam meu passaporte se eu respondesse a um questionário, que perguntava, dentre outras perguntas sem sentido, se eu poderia fornecer informações sobre outros ativistas da Sea Shepherd, mesmo que eu retirasse minha solicitação de visto. No fim, o funcionário do consulado entendeu que eu já conhecia as regras desse jogo, e, contrário à sua vontade, entregou meu passaporte depois de eu ter lhe dado uma carta explicando o porquê de eu não responder ao questionário. Então, eu me pergunto: será que todo turista que pretende visitar o Japão passa por esse longo processo e interrogatório?

Golfinho de risso sendo capturado na enseada de Taiji. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Caçadores durante a captura de golfinhos em águas cheias de sangue na enseada de Taiji. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Nas duas vezes que estive no Japão, viajei como voluntário, não recebendo qualquer remuneração, sem desobedecer as leis locais, utilizando visto de turista, e não fiz nada diferente de outros turistas. Apenas tirei fotos, filmei e visitei lugares. Por outro lado, a polícia não me tratava como um turista, apesar do meu visto e do meu comportamento. Eles me filmavam e me vigiavam 24 (vinte e quatro) horas por dia, assim como faziam aos meus companheiros defensores dos oceanos. Apesar de diversas conversas em inglês com autoridades japonesas, quando eram questionados sobre esse tratamento diferenciado que recebíamos, eles sempre fugiam do assunto, chegando ao ponto de dizer que não sabiam falar inglês direito, e por isso não poderiam nos  responder. De qualquer maneira, o que mais se ouvia falar era que a matança de golfinhos era uma tradição, e por isso eles nunca iriam parar com essa prática. Em todos os lugares que eu visitei, dentro e fora do Brasil, quando a população local tinha uma tradição, adoravam que os visitantes tirassem fotos como lembrança e divulgação de uma cultura diferente. Então, se a matança de golfinhos e pequenas baleias em Taiji é uma tradição tão forte, quanto os cidadãos locais e o governo japonês dizem, por que evitar que as pessoas tirem fotos e divulguem-nas? Em minha opinião, existem duas respostas que levam para o mesmo caminho:

1) A matança é uma prova de que algo tão cruel ainda existe na sociedade do século XXI, deixando animais tão sencientes quanto nós agonizando e morrendo afogados no próprio sangue, enquanto a água da praia se transforma num vermelho triste, e isso mostra a exploração desenfreada que o Japão faz nos oceanos;

2) O trabalho diário dos Guardiões da Enseada para monitorar quantos golfinhos são capturados, vendidos para parques e mortos para consumo humano mostra que, em 4 (quatro) anos de campanha, existe uma queda nesses números, e a quota não é atingida. Isso pode provar que o trabalho da Sea Shepherd em Taiji tem trazido resultados muito positivos, apesar do número de golfinhos nadando livres nos oceanos estar diminuindo rapidamente. No final, isso também revela a exploração desenfreada que o Japão faz nos oceanos.

Abordagem policial para indicar que o lugar em que paramos nosso carro se tornou um local proibido para nós, pois caçadores e outras pessoas, incluindo turistas, ainda poderiam ali estacionar. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Policial tenta impedir a filmagem da caixa, cheia de carne de golfinhos, recém-comprada pelo comerciante da região (de boné azul). (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Bote da guarda costeira japonesa me interrogando, enquanto eu procurava por uma posição melhor para fotografar a matança. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Com um histórico de exterminador de espécies, essa exploração permitida pelo governo japonês precisa parar, antes que ela coloque um fim em mais uma peça fundamental para a sobrevivência de ecossistemas marinhos, manchando a imagem de seu povo inteiro, que tem sido pintado com a mesma tinta que os caçadores de golfinhos, apesar das gritantes diferenças entre ambos. E antes de sermos considerados racistas, vale perceber que lutamos, também, contra caçadores de focas no Canadá e na Namíbia, contra pescadores ilegais em Galápagos, no Senegal e no Mar Mediterrâneo, contra assassinos de golfinhos e pequenas baleias nas Ilhas Faroé, contra o governo da Austrália Ocidental que mata tubarões inocentes, e contra molestadores de baleias em enseadas brasileiras. Não é uma questão de preconceito, mas de preocupação com os oceanos e a vida que eles abrigam, afinal estamos prontos para defender, conservar e proteger.

INSTITUTO SEA SHEPHERD BRASIL PARTICIPA DO “WORLD LOVE FOR DOLPHINS DAY” EM DEFESA DOS GOLFINHOS DE TAIJI.

Foi comemorado, no dia 14 de fevereiro, o Dia de São Valentim, que é considerado o Dia dos Namorados, em muitos países, e esta foi a data que a Sea Shepherd Global escolheu para celebrar o amor e mostrar ao Japão, o sentimento que as pessoas têm pelos golfinhos, que infelizmente são brutalmente assassinados todos os anos, em Taiji.

Através da liderança da Sea Shepherd USA que organizou manifestações em frente à embaixada do Japão em Washington e em consulados japoneses ao redor dos Estados Unidos, outras sedes internacionais da Sea Shepherd participaram deste evento simultâneo em seus respectivos países.

Em Nova Iorque, o Capitão Paul Watson, fundador da Sea Shepherd esteve presente na manifestação que contou com dezenas de simpatizantes. Na cidade de Los Angeles, mais de 100 ativistas compareceram ao evento, que contou com a presença de diversos atores, atrizes e personalidades como Sam Simon, Shannen Doherty e Holly Marie Combs.  Shannen, inclusive, tornou-se a mais nova integrante da família Sea Shepherd.

Nova Iorque - Capitão Paul Watson (centro)

Los Angeles - Sam Simon (centro com cartaz)

Los Angeles - Holly Marie Combs (esq) e Shannen Doherty (dir)

No Brasil, os núcleos Rio de Janeiro e São Paulo do ISSB realizaram demonstrações pacíficas em frente aos consulados do Japão, empunhando cartazes, faixas e bandeiras da organização, além de golfinhos infláveis, que chamaram a atenção dos pedestres.

Rio de Janeiro – Praia do Flamengo em frente ao Consulado do Japão

Rio de Janeiro – Consulado do Japão

Muitas pessoas ficaram chocadas ao saberem da matança anual de golfinhos em Taiji e mais surpresas ainda, com a estreita ligação entre esta crueldade e a indústria de parques marinhos com shows de golfinhos, como o Sea World (EUA), que em cativeiro passam fome para que se aproximem dos turistas que os alimentam, tristeza profunda pela separação de suas famílias (necessitando tomar remédios antidepressivos), alimentação pobre em nutrientes, etc, além do alerta da toxicidade da carne de golfinhos, que contém grande quantidade de metais pesados, como mercúrio e chumbo, que causa diversos problemas de saúde na população japonesa.

No Rio de Janeiro, funcionários do Consulado apareceram para registrar com fotos a manifestação, e em São Paulo, a coordenadora do Núcleo SP, Claudia Hallage e o voluntário Marcello, foram recebidos por membros do consulado que foram extremamente compreensivos e atenciosos diante as reivindicações pelo fim da caça anual, que chega a matar e/ou capturar cerca de 2 mil golfinhos.

São Paulo – Consulado do Japão

São Paulo – Consulado do Japão

Os atos pacíficos foram um sucesso e a mensagem ao Governo Japonês foi passada de forma correta: sem ódio, preconceito, mas com indignação pela matança brutal que ocorre todos os anos.

O ISSB agradece a todos que compareceram aos atos no Rio de Janeiro e em São Paulo para defender a vida dos golfinhos de Taiji. Vitórias e mudanças decorrem de atitudes e cada um dos presentes fez sua parte com louvor.

Em 2003, a Sea Shepherd expôs pela primeira vez este massacre brutal e desde 2010 mantém uma equipe de ativistas voluntários – “os Cove Guardians ou Guardiões da Enseada” – na cidade de Taiji para documentar e expor a horrível matança de golfinhos ao mundo

JAPÃO, O MUNDO LHE OBSERVA E NÃO VAMOS PARAR ATÉ QUE ESTA MATANÇA ACABE !!!

Leia também: Uma face triste dos parques marinhos, por Guilherme Pirá, Cove Guardian brasileiro – http://seashepherd.org.br/uma-face-triste-dos-parques-marinhos/

Associação de treinadores de golfinhos tenta justificar o injustificável

Comentário por Scott West

Um golfinho coberto de sangue na enseada. Foto: SSCS

A recente declaração da IMATA (International Marine Animal Trainer’s Association, ou Associação Internacional de Treinadores de Animais Marinhos) sobre a pesca guiada de pequenos cetáceos me fez rir em voz alta. São raras as vezes que faço isso. A Sea Shepherd acredita que a indústria de entretenimento de golfinhos em cativeiro e outros cetáceos estão sentindo a pressão de pessoas informadas de todo o mundo.

Quanto mais treinadores de golfinhos começarem a acordar para a realidade de que eles estão prejudicando mais do que ajudando os golfinhos,mais a industria de entretenimento esta tentando reestruturar sua equipe.

Portanto, eles têm dado ao mundo este monte de asneira divertida.

Meus comentários estão em negrito abaixo. Você pode encontrar a declaração da IMATA em http://www.imata.org/drive_fisheries_statement

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Posição da Associação Internacional de Treinadores de Animais Marinhos (IMATA) sobre a pesca guiada de pequenos cetáceos

21 de setembro de 2013, às 15:09

Em 2005, a Associação Internacional de Treinadores de Animais Marinhos (IMATA) formalizou a sua posição sobre a pesca guiada. A afirmação é clara: a IMATA se opõe fortemente a matança em massa de baleias e golfinhos que ocorrem na pesca guiada, e é dedicada ao avanço do cuidado humano de animais marinhos em ambientes zoológicos.

Scott West: Nós estamos contentes em saber que a IMATA se opõe fortemente à matança em massa de baleias e golfinhos. Mas e sobre qualquer matança de baleias e golfinhos? Também é bom saber que a IMATA é dedicada ao avanço do cuidado humano de animais marinhos. É uma pena, no entanto, que eles ainda pensam que é humano escravizar os cetáceos. Não há nada de humano colocar mamíferos que podem nadar até centenas de quilômetros por dia em um pequeno tanque para o resto de suas vidas, e força-los a nadar em círculos e fazer truques em troca de alguns peixes mortos, a fim de entreter os seres humanos.

A pesca guiada é um método de usar som e barcos para reunir golfinhos e pequenas baleias em águas rasas ao longo da costa. Sua operação na Europa e Ásia tem sido bem documentada, pelo menos nos últimos 650 anos (Brownel Jr., R.L.; Nowacek, D.P.; e Ralls, K., 2008) e eles continuam hoje nas Ilhas Salomão, Dinamarca e Japão.

Golfinho-de-laterais-brancas-do-atlântico sendo puxado para o barco. Foto: SSCS

SW: É verdade que os seres humanos atacaram, feriram, mataram, e de outras formas exploraram golfinhos e baleias ao longo do tempo. Isso não torna a coisa certa. Apesar da história de assassinato contínuo de seres humanos contra a golfinhos, não há nenhum caso registado de um golfinho ferindo, muito menos matando, um ser humano. Na verdade , há inúmeros relatos de golfinhos salvando os seres humanos . Também é verdade que, em algumas sociedades humanas, como na Grécia antiga, matar ou ferir um golfinho era punível com a morte. Na maioria dos países modernos, hoje, é ilegal perseguir, ferir, ou matar um golfinho. Os dinamarqueses das Ilhas Faroé podem afirmar que eles estiveram matando baleias-piloto por mais de mil anos. O tempo por cometer uma atrocidade não faz, magicamente, a atrocidade ser menor. Além disso, o uso de motores de combustão interna para conduzir esses cetáceos é um fenômeno relativamente novo, e essas conveniências modernas, certamente, não são baseadas na tradição.

A Convenção de Bonn, fundada em 1979, que agora inclui 119 países, foi criada para proteger espécies migratórias como estas, porque não há um entendimento do que deve ser e precisa ser protegido. Números da população de algumas destas espécies na natureza são listados como ‘dados insuficientes’ por essas agências que monitoram esses dados. Isso não significa que esses animais existem em tal abundância que pode destruí-los sem nos preocupar. Pelo contrário, isso significa que nenhum animal deve ser atingido, porque não temos dados precisos, verificáveis, ​​de quantos serão deixados na natureza.

A pesca guiada em Taiji, no Japão, está entre as mais amplamente documentadas e mais controversas. A maioria dos animais conduzidos para águas rasas em Taiji são mortos em uma tentativa equivocada de “controle de pragas” por pescadores, e sua carne é destinada para alimentação. Apenas um pequeno número é vendido a aquários e parques marinhos, predominantemente aqueles localizados na Ásia.

SW: Há alguns pescadores ignorantes que culpam os golfinhos pela falta de peixes. É certamente muito mais fácil tornar o golfinho um bode expiatório em vez de enfrentar a realidade de que os seres humanos têm destruído os oceanos e severamente reduzido as populações de peixes. É a indústria do entretenimento de cativeiro que financia a matança de golfinhos de Taiji. Sem o dinheiro recebido para escravizar golfinhos, treiná-los para fazer truques em troca de alimentos, e fornecendo-lhes a parques de diversão, não haveria nenhuma caçada guiada em Taiji. Se Taiji fornecesse os golfinhos para cativeiros de forma gratuita, poderia haver fundamento para o argumento de que a pesca guiada é para o controle de pragas ou alimentação humana. No entanto, o rendimento de carne de golfinho não é simplesmente suficiente para manter estes 28 indivíduos e seus barcos caros em operação. A indústria do entretenimento de golfinhos em cativeiro é muito popular na Ásia. É também muito popular no Oriente Médio, na Europa e na América do Norte. Taiji vende os golfinhos. É muito dinheiro para os assassinos e treinadores de lá, e para os intermediários ao longo do caminho.  A expansão e apoio dos parques de diversão de cativeiros em novas áreas equivale à criação de demanda para a indústria de entretenimento em cativeiro em todos os lugares.

Treinadores no barco logo após o processo de seleção. Foto: Sea Shepherd

Enquanto alguns se opõem à coleta de animais pela pesca guiada para venda, a prática é legal em países onde alguns membros da IMATA vivem e trabalham. De fato, alguns aquários japoneses não têm escolha; regulamentos internos japoneses exigem que os golfinhos e pequenas baleias sejam adquiridos a partir das pescas guiadas em Taiji. Por outro lado, muitos países (incluindo os Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental) proibiram a importação de golfinhos coletados a partir das pescas guiadas no Japão.

SW: Talvez treinadores de mamíferos marinhos devam defender o fim da caça guiada e das matanças, mas é claro que isso exigiria que eles realmente tomassem uma posição em defesa dos golfinhos, e iria cortar o fornecimento de golfinhos e de DNA de golfinhos. Os treinadores têm uma escolha. Eles podem optar por deixar os animais em estado selvagem e trabalhar para vê-los e protegê-los em seu ambiente natural, em vez de lucrar com sua captura e confinamento.

Treinadores de golfinhos em Taiji. Foto: SSCS

A IMATA não é um grupo de defesa, mas sim, uma associação profissional de membros individuais comprometidos com a promoção do desenvolvimento de treinadores de animais marinhos. É uma organização sem fins lucrativos, uma organização de voluntários criada por e para os profissionais de zoológicos. O bem-estar dos animais no cuidado diário dos membros da IMATA é a sua prioridade.

 SW: Treinadores exploram golfinhos escravizados, os enfraquecem para fazerem truques em troca de comida. Eles não são um grupo de pessoas que cuidam, que trabalham no resgate, reabilitação e soltura de golfinhos feridos ou doentes. Não há nada de “humanitário” ou de cuidado na retirada de um animal selvagem de seu ambiente natural. É fascinante como eles “higienizam” a frase chamando locais de entretenimento de “ambiente zoológico”. O fato é que a maioria dos golfinhos e outros cetáceos em exposição, não são encontrados em ambientes zoológicos. Não, eles são encontrados em parques de entretenimento com fins lucrativos. Ainda seria errado manter cetáceos em qualquer tanque, mas pelo menos em um ambiente zoológico os cetáceos não teriam que fazer truques para comer. Não é difícil imaginar que o cuidado diário dos golfinhos em cativeiro é uma prioridade, pois sem esses golfinhos, a indústria do entretenimento entraria em colapso. Golfinhos vivos representam um investimento significativo de dinheiro.

Golfinhos presos na rede, enquanto escoa sangue para a enseada. Foto: SSCS

 

Qualquer pessoa que acredita na missão da IMATA e que apoia os seus objetivos é bem-vinda para a associação. Isso inclui a ampliação da adesão aos indivíduos que trabalham para organizações que adquirem os golfinhos de uma pesca guiada.

SW: Não há dúvida de que os treinadores que trabalham para selecionar os golfinhos em Taiji e em locais onde os golfinhos são enviados participam da missão da IMATA e apoiam os seus objetivos. A IMATA lhes dá cobertura e legitimidade e, portanto, suporta a “pesca” guiada.

Um cuidador é recebido pela IMATA mesmo que ele/ela participe da seleção e recolha de animais vivos, na premissa de que esses animais vão se beneficiar, ele/ela é exposto às melhores práticas mais atuais em cuidados com os animais e treinamento. Isto ajuda a garantir o bem estar dos animais que vivem em ambientes zoológicos em todo o mundo.

SW: Cuidador? Vamos chamá-lo do que ele é: cafetão, escravocrata ou carcereiro.

A IMATA enfatiza a educação continuada dos treinadores de animais da linha de frente. A organização fornece um fórum para o diálogo pensativo entre uma grande, diversificada e crescente participação internacional, a partir de diferentes culturas. Através da associação à IMATA, os treinadores têm acesso a uma rede global de profissionais de treinamento, recursos, tais como publicações educativas e oportunidades para participar de reuniões profissionais da IMATA, onde a informação e a formação mais atual e de pesquisa é discutida.

SW: Não há nenhuma dúvida em minha mente que muitos treinadores de golfinhos acreditam que eles realmente amam os golfinhos e estão fazendo o certo junto aos golfinhos em seus cuidados. É equivocada, no entanto. Se eles sabem alguma coisa sobre os golfinhos, eles sabem que eles não pertencem a tanques, nem devem entreter seres humanos. Estes treinadores exploram os golfinhos que proclamam amar. Se você realmente ama os animais, você precisa trabalhar para protegê-los em seu habitat natural.

Grupos extremistas que se opõem a ter quaisquer mamíferos marinhos sob cuidado humano nos jardins zoológicos, aquários e parques marinhos atingem a IMATA usando desinformação e apelo emocional para apoio financeiro, muitas vezes através de campanhas de mídia social .

SW: É certamente questionável se qualquer animal deve ser alojado em exibição, mas estamos falando de golfinhos e outros cetáceos aqui. Eles certamente não pertencem a um tanque. Ponto. Além dos casos raros em que um cetáceo resgatado é incapaz de retornar à vida selvagem e, nesse caso, uma rede apropriada em águas abertas é necessária, em nenhum momento um cetáceo deve ter que fazer truques em troca de alimentos.

Sim, é um assunto emocional. A escravidão é sempre emocional. É emocional para os escravos e é emocional para aqueles que se beneficiam da escravidão. É também emocional para pessoas de caráter sólido que veem a injustiça de tudo isso. Eles não são chamados de “grupos extremistas” que se opõem à captura, escravização e abate desses animais magníficos. A verdade é que a maior parte do mundo quer ver os golfinhos vivendo felizes em seu habitat natural.

Financiamento é a chave; o entretenimento de golfinhos em cativeiro faz quantidades significativas de dinheiro a partir do sofrimento de golfinhos e outros cetáceos. É por isso que eles estão lutando arduamente para tentar mantê-los escravizados. É por isso que lugares como Taiji fazem muito dinheiro com as vendas de golfinhos, e golfinhos treinados estão constantemente criados para a indústria de “entretenimento”.

No setor das pescas guiadas, esses grupos erroneamente afirmam que a maioria dos golfinhos em parques marinhos em todo o mundo foram adquiridos a partir da pesca guiada de Taiji, e, além disso, alegam que a IMATA é diretamente responsável pelo massacre, pois alguns de nossos membros trabalham para organizações que abrigam golfinhos da pesca guiada.

SW: A caça guiada de Taiji vem ocorrendo desde a década de 1970. Milhares de golfinhos foram violentamente retirados do meio natural em Taiji e dispersos por todo o mundo. Alguns de seus descendentes continuam vivendo em tanques de todo o mundo. Taiji não é a única fonte para os golfinhos em cativeiro, mas foi uma grande fonte no passado e continua a ser uma importante fonte de novos locais de entretenimento.

Formadores de mamíferos marinhos são responsáveis ​​por esta prática. É a receita de entretenimento de golfinho em cativeiro que impulsiona o abate.

Como parte de sua campanha , estes grupos pedem que a IMATA coloque numa “lista negra” os treinadores daquelas instalações que adquirem animais de pescas guiadas. Rejeitamos esta solicitação, como manipuladora e mal informada, e a IMATA mantém a sua meta para ajudar cada treinador profissional a melhorar continuamente suas habilidades em cuidar de mamíferos marinhos.

SW: Apelamos a todos que se preocupam com golfinhos e outros cetáceos para cessar a sua participação na indústria de entretenimento de golfinhos em cativeiro. Se você participa da indústria ou a apoia através da compra de um ingresso para um show, suas mãos estão tão sangrentas quanto as dos assassinos e treinadores nas águas da enseada.

De fato, tem havido alguns ex-treinadores iluminados que agora estão contra esta escravidão e exploração. Os cetáceos só precisam de nossa ajuda e “cuidado” para protegê-los e mantê-los em seu habitat natural.

Preocupada com o cuidado dos animais e com o desenvolvimento de práticas de treinamento, a IMATA está posicionada para motivar, educar e fornecer conhecimentos para o melhor cuidado com os animais e as práticas de formação de um número cada vez maior de profissionais em todo o mundo.

SW: Treinadores, olhe ao seu redor, para os golfinhos em seu atendimento. Quantos precisam de remédios para o estresse e a rotina de “enriquecimento” para tentar mantê-los são? Se você realmente quer ajudar estes animais, coloque um fim à sua participação na indústria do entretenimento.

Para obter informações mais detalhadas sobre a IMATA, fatos detalhados sobre a pesca guiada, e informações sobre como você pode se envolver, por favor visite o site da IMATA em: http://www.imata.org/drive_fisheries_faq

SW: Ou para obter informações sobre o que realmente está acontecendo e se envolver para proteger as baleias e golfinhos na vida selvagem, visite: www.seashepherd.org

Referências:

Brownell, Jr., R. L., Nowacek, D. P., & Ralls, K. (2008). Hunting cetaceans with sound: a worldwide review. (Paper N. 94). Retrieved from Publications, Agencies, and Staff of the U.S. Department of Commerce website: http://digitalcommons.unl.edu/usdeptcommercepub/94

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Para obter os fatos sobre a caça guiada em Taiji, vá ver por si mesmo. Você pode se juntar aos Guardiões da Enseada da Sea Shepherd, em Taiji, escrevendo para coveguardian@seashepherd.org .

Sempre existiu uma atração natural entre os cetáceos e os seres humanos. É fácil entender por que os seres humanos querem interagir com os golfinhos. O lugar para fazê-lo, porém, é em mar aberto, com golfinhos em seu mundo. Para ver um golfinho em um programa de mergulho em tanque ou em cativeiro não é autêntico, ou de alguma forma relacionado a uma situação natural. Equivale a participação na escravidão. A compra de um ingresso para este tipo de show alimenta a demanda por mais golfinhos a serem capturados e criados. Sem demanda, não haveria a caça e a matança em Taiji. Juntos, vamos acabar com o abate e esvaziar os tanques de uma vez por todas.

Pelos oceanos,

Scott West

Sea Shepherd Conservation Society

Coordenador da Campanha Operação Paciência Infinita

Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil ministra palestra na PUCRS

Por Rodrigo Marques, Coordenador Regional voluntário do Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil

No dia 06 de setembro, o Instituto Sea Shepherd Brasil ministrou a palestra “ISSB – Programa de Estudo e Conservação da Vida Marinha”, na Faculdade de Biociências da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. O evento teve apoio do Programa de Educação Tutorial (PET-Bio).

A palestra foi ministrada por Rodrigo Marques, Coordenador Regional do Núcleo RS, e contou com a participação dos voluntários, que contaram suas experiências e as suas motivações para se tornarem membros da Instituição. Os trabalhos foram iniciados com a apresentação Institucional da Sea Shepherd Conservation Society, mostrando suas campanhas ao redor do mundo e a criação do Instituto SeaShepherd Brasil (ISSB), bem como sua forma de atuação no país.

Foto: Daniel Kannenberg

Voluntária Juliana Motta Foto: Daniel Kannenberg

Dentre os temas abordados estavam as ações civis públicas contra a pesca predatória, molestamento de cetáceos, finning e derrames de petróleo, onde voluntários estiveram presentes auxiliando o Ministério Público e a Polícia Federal durante o processo de limpeza e recuperação da área afetada pelo óleo.

Com o inicio da temporada de captura de golfinhos, em Taiji, no Japão, no dia 1º de setembro de 2013, uma parte da palestra foi dedicada somente para explanar esta questão, e destacar a participação da indústria de parques aquáticos na matança promovida na enseada. Um vídeo sobre o assunto foi rodado, deixando os presentes chocados com tamanha brutalidade no tratamento de golfinhos e baleias piloto.

Foto: Daniel Kannenberg

Também foi abordada a campanha em defesa dos tubarões, realizada em Porto Alegre, através da colocação de um container simulando a apreensão de 3,4 toneladas de barbatanas, que foram provenientes da prática do finning, e o Projeto de Educação Ambiental que ocorreu em Torres (RS), durante o mês de janeiro.

Ainda sobre os tubarões, foi apresentada aos presentes a nova operação chamada “Operação Marco Zero”. Essa campanha foi lançada visando a preservação dos tubarões em Pernambuco, onde o ISSB irá recompensar fotos e vídeos que comprovem essa matança promovida por grupos da região servindo de provas para futuras ações civis públicas.

Foto: Daniel Kannenberg

A ação mais polêmica, a proibição do turismo de observação de baleias embarcado (TOBE), na APA da Baleia Franca, em Santa Catarina, no litoral sul, ficou para o final. Os motivos que levaram a criação desta ação, as evidências do molestamento das baleias, o risco do desligamento dos motores nas enseadas da região e o descumprimento da lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), entre outras irregularidades, foram expostas e debatidas. “Deixamos claro que não somos contrários ao turismo, queremos que seja cumprida a legislação vigente de proteção dos cetáceos e tenhamos a certeza que os animais tenham sua saúde garantida”, finalizou Rodrigo Marques.

Foto: Daniel Kannenberg

A importância dos Guardiões da Enseada estarem em Taiji

Comentário pelo Capitão Paul Watson

 

Nos últimos dias, algumas vozes têm pedido que os Guardiões da Enseada da Sea Shepherd se retirem da Enseada, em Taiji, no Japão. Esta pressão é causada por acharem que os japoneses devem abordar esta questão, e só os japoneses. Alguns até acusaram os Guardiões da Enseada de serem “valentões”.

Como prova disso, uma pessoa me mandou uma foto da Guardiã da Enseada, Elora West, alegando que ela “assediou moralmente” um pescador. Eu realmente tive que rir. Será que realmente querem nos fazer acreditar que uma estudante de 17 anos intimidaria um psicopata, serial killer, de golfinhos e o deixaria chorando, como uma espécie de vítima inocente?

Se isso for verdade, eu acho que precisamos de uma brigada de estudantes para enfrentá-los cara a cara. A verdade é que nenhum Guardião da Enseada jamais agrediu ou ameaçou um pescador. Os pescadores é que agrediram e ameaçaram os Guardiões da Enseada. E sim, algumas pessoas se opõem a nós, nos chamando de sociopatas.

A Sea Shepherd não é anti-japonesa. Estamos lutando contra a matança de golfinhos, e ao longo dos anos temos confrontado assassinos de golfinhos no Japão, nos EUA, na Costa Rica, na Venezuela, no Brasil e nas Ilhas Faroé. Nós não discriminamos quem opomos. Vemos o arpão, a faca, o rifle e a rede, não vemos a nacionalidade. Lutamos contra o Sea World, e temos levado assassinos de golfinhos para julgamento no Brasil.

Na verdade, a Sea Shepherd nem sequer reconhece a nacionalidades dessas pessoas. Vemos apenas terráqueos, e os terráqueos têm muitas espécies. Os Guardiões da Enseada da Sea Shepherd não são profissionais pagos. Eles são pessoas comuns, de todas as camadas sociais, de todo o planeta, incluindo o Japão, e eles vão para Taiji, por conta própria, porque eles são levados a fazer isso, por compaixão. E por amor. Algumas pessoas querem nos fazer crer que a compaixão é o crime, e que os assassinos são as vítimas. Eu aprecio que o Dolphin Project queira um envolvimento mais japonês. A Sea Shepherd Conservation Society quer a mesma coisa.

Uma das críticas é que a Sea Shepherd é uma organização “ocidental”, e não tem o direito de intervir. Em primeiro lugar, a Sea Shepherd não é uma organização ocidental, é uma organização global, com entidades ativas independentes, registradas em países de todos os continentes. Estamos na China, Cingapura, Índia, África do Sul, África Ocidental, em toda a Europa e na América do Norte, Sul e Central. Atuamos desde a Antártida até o Ártico, e os pontos entre eles.

Em segundo lugar, os golfinhos não pertencem ao povo japonês . Eles não pertencem a qualquer grupo de pessoas. Eles fazem parte da Nação dos Cetáceos. Eles pertencem a eles, e eles têm o direito de existir, independente da humanidade, têm o direito de existir sem serem molestados por qualquer comunidade humana. De acordo com a Carta Mundial das Nações Unidas para a Natureza, todas as pessoas têm a responsabilidade de defender a lei de conservação internacional e defender a natureza. Em terceiro lugar, uma presença organizada e liderada pelos japoneses em Taiji ainda não existe. Os únicos grupos, que criticam nossa abordagem “ocidental”, são outras organizações “ocidentais”.

Em quarto lugar, antes do envolvimento da Sea Shepherd, a matança de golfinhos em Taiji era praticamente desconhecida no mundo, e especialmente no Japão. Isso certamente não é mais o caso. Finalmente, toda a mudança política ambiental, na história japonesa, surgiu por causa de gaiatsu, que significa “pressão estrangeira”. O Japão parou de usar redes de emalhar porque nós expusemos o abuso de redes de deriva, e esta pressão externa os convenceu a desistir de continuar a usá-las.

Ainda não existe um movimento bem-sucedido no Japão para enfrentar o desastre de Fukashima, ainda que fomos informados de que isso também só pode ser tratado por oposição interna, apesar do fato de que isso está afetando a saúde e o futuro do resto do mundo. O programa Guardiões da Enseada foi criado para fazer algo, que ninguém nunca tinha feito antes. Para estar em Taiji, dia após dia, seis meses por ano, para testemunhar, documentar e enfrentar os crimes contra a natureza. E a matança dos golfinhos, em Taiji, é um crime terrível contra a natureza. Nós equiparamos a morte de um golfinho com um assassinato. Este é um ser altamente inteligente, socialmente complexo, extremamente sensível, com uma capacidade de comunicação sofisticada e habilidades cognitivas reconhecidas. Eles têm cérebros maiores e mais complexos do que o nosso.

O abate de um golfinho é um assassinato. Estes são seres autoconscientes que nunca prejudicaram os seres humanas e de fato, muitas vidas humanas foram salvas por golfinhos, fato documentado. São seres que têm habilidades linguísticas sofisticadas, altamente sensíveis, e podem sofrer tanto física como emocionalmente. As pessoas que não foram para Taiji ou não viram a matança de golfinhos não têm ideia de como isso é traumático, como emocionalmente é desgastante testemunhar e documentar tal horror. Sim, é fácil julgar quando você não ouve os gritos, ou vê e sente o cheiro do sangue. Os Guardiões da Enseada precisam de apoio, não de condenação. A Sea Shepherd tem membros japoneses, temos tripulantes japoneses, e eles são excepcionalmente corajosos, porque se você levantar a sua voz como um cidadão japonês, no Japão, você literalmente será perseguido, sua família será perseguida. O que a Sea Shepherd e os Guardiões da Enseada têm realizado?

Em 2003, expomos essa atrocidade para o mundo, levando o vídeo para a CNN e as fotos para as primeiras páginas dos jornais em todo o mundo. Naquele mesmo ano, cortamos as redes e libertamos 15 golfinhos, que morreriam na manhã seguinte. Ric O’Barry, que era um membro da nossa equipe de 2003, em Taiji, deixou o Conselho Consultivo da Sea Shepherd e voltou para Taiji por conta própria, porque ele disse que cortar as redes e libertar os golfinhos era ilegal, e não era o caminho a ser seguido. Ele estava certo, nossa equipe foi presa e multada, e embora nós achamos que a vida de 15 golfinhos valeu este custo, sabíamos que não podíamos continuar a libertar os golfinhos porque não era prático fazer isso.

A organização Blackfish tentou libertar golfinhos alguns anos atrás, mas não conseguiu fazê-lo, com a infeliz consequência de que a segurança aumentou muito em Taiji. Taiji, por estar no Japão e ser fortemente policiada, nos proporciona desafios únicos, e a única estratégia que vimos que tinha uma possibilidade de sucesso foi o programa Guardião da Enseada. Assim, lançamos a Operação Paciência Infinita. Sabíamos que não venceríamos durante a noite.

Os Guardiões da Enseada, levaram em conta o parecer de Ric O’Barry, que tomou a decisão de respeitar a lei japonesa e realizar uma intervenção legal não-violenta. A Sea Shepherd participou da elaboração do documentário The Cove, vencedor do Oscar, que despertou a atenção do mundo para a matança de golfinhos, de forma única. No filme, sou entrevistado, e nossa equipe é mostrada libertando os golfinhos.

E a última razão que faz com que seja importante os Guardiões da Enseada estarem em Taiji é significativa: os números de mortes anuais foram reduzidos, desde que o programa Guardião da Enseada foi iniciado. Por quê? Por causa de todas as medidas que os pescadores devem tomar para se manter longe das câmeras. Os custos também aumentaram, especialmente os custos de policiamento.

Os Guardiões da Enseada também acompanham e controlam a remoção e o transporte dos golfinhos para o cativeiro. Cada ação está documentada. Remova os Guardiões da Enseada, e Taiji ficará longe dos olhos do mundo. Os Guardiões da Enseada estão lá por conta própria, bancando seus custos, para ter certeza de que os olhos do mundo nunca deixem a Enseada.

E os Guardiões da Enseada compartilharam a tragédia com os cidadãos japoneses. A equipe Guardiões da Enseada, sob a liderança de Scott West, estava investigando a matança de golfinhos quando veio o tsunami. Ele e sua equipe escaparam com vida, e trabalharam para salvar as vidas dos cidadãos japoneses. Eles, mais do que qualquer pessoa não-japonesa, compreenderam a tragédia que atingiu o Japão. Por mais de 24 horas pensamos que os tínhamos perdido naquele dilúvio horrível. Um crítico em Taiji repreendeu um dos Guardiões da Enseada no outro dia, dizendo: “Por que você está tirando fotos, para conseguir dinheiro”? Afirmação injusta e insensível. Ele estava lá por conta própria, dedicando seu tempo e energia. A pessoa que fez a crítica estava lá apenas por alguns dias, e ainda não tinha visto um único golfinho morto. Ele não tinha ideia de que a dor emocional dos Guardiões da Enseada perduram por muitos dias.

A Sea Shepherd não envia e-mails em massa com fotos sangrentas, pedindo dinheiro, nem usamos nossos fundos arrecadados em anúncios ou comerciais. Nós não somos esse tipo de organização. Somos uma organização relativamente pequena, mas o mais importante é que não gastamos grandes quantias de dinheiro em promoção e recrutamento de associados. Temos crescido lentamente ao longo dos anos, de boca em boca, através de visitas aos nossos navios, atendendo pessoas em campanhas, ou através de pessoas que nos assistem em Whale Wars – Defensores de Baleias, ou na mídia. É por isso que temos uma alta classificação com a Charity Navigator, a agência que monitora organizações de caridade.

A Sea Shepherd está disposta a trabalhar com todas organizações que trabalham para impedir a matança de golfinhos e apoiamos os esforços do Project Dolphin, Save Japan’s Dolphins e Surfer’s for Cetaceans. É lamentável que as grandes organizações não estejam envolvidas.

E a Sea Shepherd tem o maior apreço pelo Project Dolphin e o trabalho de Ric O’Barry. Conheço Ric pessoalmente, desde 1976, quando ele esteve no Japão com meus amigos David Garrick e Taeko Miwa. Tenho participado de conferências e reuniões com ele. Nós tivemos nossas desavenças, mas aquelas discordância não foram amargas. Desentendimentos sobre táticas e estratégias, simplesmente isso, e nunca foi pessoal ou antagônico. Ric é um amigo e um aliado, e ele é um homem muito compassivo.

Eu acho que se uma organização organizada e liderada por japoneses estivesse envolvida, os Guardiões da Enseada poderiam retirar-se, mas as chances de tal organização ser formada são muito pequenas, devido à pressão política e social intensa que os participantes japoneses teriam de suportar. A liderança dos Guardiões da Enseada tem sido realizada por mulheres. Acho que é difícil acreditar que pescadores japoneses realmente se sintam intimidados. Parece que eles simplesmente querem ser vistos como vítimas, em um esforço para persuadir a simpatia do público.

Quando um crítico me disse que alguns japoneses achavam ofensivo ter que lidar com uma mulher, em tais situações de confronto, eu achei difícil de acreditar. Estamos no século 21, e não se justifica mais o sexismo ou o racismo. Falando com muitos cidadãos japoneses eu descobri que, assim como as pessoas em todos os lugares, eles geralmente são contrários a esta brutalidade. Cidadãos japoneses são tão eticamente compassivos como qualquer outro grupo. Um dos problemas, porém é que a mídia japonesa não informa sobre estas questões, e há obstáculos culturais profundamente arraigados ao questionamento da autoridade no Japão, como muitos cidadãos japoneses me disseram.

Estamos abertos a ideias alternativas, e se uma opção viável é apresentada, vamos adaptar às mudanças que poderiam ser mais bem sucedidas. Por agora, não vejo outra ação a não ser os Guardiões da Enseada manterem o curso e manterem a pressão, para lembrar os pescadores que promovem a matança de golfinhos que os olhos do mundo permanecerá sobre eles, e que nunca mais vão torturar e abater golfinhos nas sombras.

Lembre-se que os Guardiões da Enseada estão em Taiji, e agora eles vão estar lá todos os dias, durante seis meses, até março, e todas as manhãs farão que os assassinos de golfinhos saibam que estão sendo observados. As câmeras dos Guardiões da Enseada irão capturar o horror da matança, os microfones dos Guardiões da Enseada irão capturar os gritos dos golfinhos, os Guardiões da Enseada irão transmitir ao vivo este crime contra a natureza, a humanidade e o futuro de todo o mundo.

Uma indicação de que as ações dos Guardiões da Enseada estão tendo mais impacto é que a polícia está cada vez mais hostil, e este ano eles estão mais hostis do que nunca. Eles estão frustrados que os Guardiões da Enseada não estão quebrando as leis e dando-lhes uma desculpa para removê-los, e os custos de policiamento aumentam a cada ano. Ontem um dos policiais colocou a mão na frente do rosto de um dos Guardiões da Enseada e a resposta foi “Por que está fazendo isso? Nós não fizemos nada parecido com você”.

Este é o desafio dos Guardiões da Enseada: manter os olhos e ouvidos do mundo focados em um dos massacres mais violentos e brutais de mamíferos marinhos do planeta. A cada dia mais pessoas se conscientizam, o movimento internacional para acabar com este horror está mais forte, e essa força se traduz em pressão, tanto interna quanto externa. Não é suficiente testemunhar e documentar a matança, é importante que os pescadores de Taiji e os políticos em Tóquio saibam que estão sendo observados e documentados.

Com paciência vamos resistir, e com coragem e esperança a nossa paixão vai atingir o seu objetivo: que as águas vermelhas, agora sangrentas da Enseada, sejam azuis, todos os dias. Queremos que os gritos dos golfinhos mortos cessem, tanto no Japão quanto ao redor do mundo.