Os Guardiões da Enseada e a política “gaiatsu” da Sea Shepherd

Comentário pelo Fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson

The Cove. Foto: Brooke MacDonald (2003)

Os Guardiões da Enseada são homens e mulheres apaixonadamente compassivos, que vêm de todo o mundo, incluindo  o Japão. Eles vêm por conta própria. Estão na enseada antes do sol nascer, e lá continuam após o sol se por. Há Guardiões da Enseada em Taiji todos os dias, entre 1º de setembro e 1º de março de cada ano. Durante seis meses, a cada ano, testemunham um dos massacres mais implacáveis ​​e brutais de mamíferos marinhos do planeta.

Eles estão armados com a arma mais poderosa no mundo: a câmera.

No entanto, é um exercício emocionalmente desgastante a defesa diária de golfinhos.

Os Guardiões da Enseada agem de forma não violenta, dentro dos limites da praticidade e legislação japonesa .

Eles estão lá para lembrar o governo do Japão e os pescadores de Taiji que o mundo está assistindo todos os dias, e continuará a fazê-lo até que o abate obsceno termine.

A Sea Shepherd expôs pela primeira vez este massacre brutal dez anos atrás. Nossas fotos e vídeos deram a volta ao mundo, em outubro de 2003. Foi quando a campanha começou.

Estávamos envolvidos muitos anos antes neste trabalho, para colocar um fim, com êxito, na matança de golfinhos na ilha de Iki, no Japão. Defendemos os golfinhos no Japão desde 1979.

Ric O’Barry era um membro da tripulação da Sea Shepherd em 2003, e membro do Conselho Consultivo da Sea Shepherd. Esse foi o mesmo ano em que dois membros da tripulação da Sea Shepherd cortaram as redes e libertaram 15 golfinhos da Enseada. A libertação dos 15 golfinhos valeu a pena pelo mês de prisão passado por Alex Cornelissen, da Holanda, e Allison Lance, dos Estados Unidos.

Ric discordou do ato de cortar as redes e voltou por conta própria depois disso, porque ele estava preocupado em ser conectado à Sea Shepherd. Ele sentiu que isso tornaria mais difícil sua entrada em Taiji. Isso foi compreensível, e seus esforços foram recompensados ​​com o lançamento do documentário vencedor do Oscar  The Cove, dirigido por Louis Psihoyos.

A Sea Shepherd sempre aplaudiu Ric O’Barry e o Dolphin Project. Os golfinhos de Taiji precisam da ajuda de todos que possam contribuir para acabar com esse massacre impiedoso e sangrento.

A Sea Shepherd decidiu reorganizar, em 2010, os Guardiões da Enseada, para trazer pessoas de todo o mundo para Taiji.

Os Guardiões da Enseada da Sea Shepherd, os Save The Dolphin Japan, Surfers for Cetaceans e o Dolphin Project sempre estiveram unidos pelo objetivo comum de acabar com esta matança. Temos abordagens diferentes, mas temos o mesmo objetivo.

A Sea Shepherd fez um acordo com o Dolphin Project de não boicotar os produtos japoneses, de modo a não alienar o público japonês. A Sea Shepherd partilha com o Dolphin Project a idéia de que a nossa oposição deve ser legal e não violenta .

O que os Guardiões da Enseada estão fazendo em Taiji nunca foi feito antes. Nunca antes os voluntários viajaram por conta própria para participar de uma longa vigília de seis meses, ano após ano.

Admiro e respeito todos que estão envolvidos com a oposição ao massacre em Taiji. Mas a minha admiração pelos voluntários que participam do programa Guardião da Enseada é imensa. Estes homens e mulheres são pessoas comuns, motivadas por um profundo sentimento de compaixão e amor pela natureza e animais. Eles não ganham nada para si mesmos, e sofrem o trauma emocional de testemunhar as atrocidades contra estas criaturas delicadas .

Para os críticos, que dizem que devemos esperar o povo japonês agir, só posso dizer que nos congratulamos com a participação dos cidadãos japoneses, e muitos já participaram, mas o preço que pagam é ter suas famílias perseguidas pela polícia japonesa.

Como um canadense, eu sei que não foi o povo canadense que levou à queda econômica da caça de focas. Foi a pressão externa ao Canadá.

Os governos tendem a prestar mais atenção à pressão externa do que à pressão interna.

Isto é especialmente verdadeiro no Japão.

No Japão, isso é chamado de “gaiatsu”, que significa pressão externa, e que tem sido comprovada pelo trabalho.

Cada mudança na política ambiental iniciada no Japão surgiu por causa da pressão externa. Na organização do programa Guardião da Enseada estudei um artigo escrito por Isao Miyaoka, do Instituto Japonês de Ciências Sociais, intitulado “Pressões estrangeiras e o processo de decisão da política japonesa”.

Essa pressão pode vir de governos ou grupos não governamentais, e pode ser dirigida para o governo japonês, as empresas japonesas ou o público japonês.

” Na década de 1980 e início de 1990, o Japão foi alvo de severas críticas internacionais na área das questões ambientais globais. Em 1992 , em conseqüência disso, o Japão mudou suas políticas de esgotamento de ozônio, tipo de pesca, e as importações de marfim de elefante Africano”. Isao Miyaoka

A Sea Shepherd esteve muito envolvida na pressão ao Japão sobre a pesca de arrasto, de 1987 até 1992, quando as redes de espera foram finalmente proibidas.

O que funciona melhor é uma estratégia combinada de pressão externa e interna, mas de acordo com Miyaoka, o Japão é um Estado reativo quando se trata de questões ambientais. Não houve nenhum caso de uma mudança na política ambiental que iniciou com pressão interna sozinha.

Uma diferença entre a abordagem do Dolphin Project e dos Guardiões da Enseada da Sea Shepherd é que o Dolphin Project favorece a intervenção exclusivamente doméstica, apesar do fato de que o Dolphin Project é liderado por estrangeiros.

A Sea Shepherd favorece a abordagem “gaiatsu”, na medida em que é a pressão externa que vai acabar com a matança de golfinhos.

O Dolphin Project e a Sea Shepherd têm participado em manifestações diante das embaixadas e consulados japoneses.

O Dolphin Project quer mais envolvimento japonês na oposição à matança dos golfinhos. A Sea Shepherd quer isso também, e não se opõe ao envolvimento japonês, na verdade a Sea Shepherd encoraja isso, e cidadãos japoneses estão envolvidos em atividades da Sea Shepherd, tanto em oposição à matança de golfinhos quanto à caça comercial ilegal no Oceano Antártico.

O programa Guardião da Enseada pode trabalhar em cooperação com o Dolphin Project, e a Sea Shepherd gostaria muito de ver esta cooperação contínua. Nós não vemos isso como um conflito, vemos isso como uma oportunidade para unir tanto a pressão interna quanto a pressão externa, para acabar com a matança dos golfinhos.

Os golfinhos também não são de propriedade dos japoneses, e cada pessoa no planeta tem o direito e o dever de falar em seu nome. Compaixão não tem uma raça ou uma cultura. Bondade não tem uma nacionalidade.

Se os Guardiões da Enseada e a Sea Shepherd se retirarem, a matança vai continuar, longe dos olhos e da consciência mundiais. Isso seria um benefício para os pescadores e para o governo do Japão. Não iria beneficiar os golfinhos.

A oposição à matança de golfinhos deve ter a união tanto de influências estrangeiras quanto do envolvimento interno. Os Guardiões da Enseada estão em Taiji para ficar e, embora o Dolphin Project queira que nos retiremos, não podemos e não vamos fazer isso.

É nossa intenção trabalhar em conjunto e apoiar os esforços de todos os grupos que se opõem à matança de golfinhos, e é minha convicção de que, se quisermos ter sucesso, devemos ter uma confederação de compaixão, e devemos sempre pensar em primeiro lugar, e acima de tudo, no bem-estar e na sobrevivência dos golfinhos.

Pressão externa e o processo de decisão política japonesa. Por Isao Miyaoka, do Instituto Japonês de Ciências Sociais (em inglês).

Japan Dolphins Day 2013 em defesa dos golfinhos de Taiji é realizado no Rio de Janeiro

Por Bianca Lima, Coordenadora voluntária de Educação Ambiental do Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo Rio de Janeiro

Dia 01 de setembro, o Núcleo Carioca do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) organizou um ato pacífico na Praia de Copacabana, Posto 4, no Rio de Janeiro, contra o início da matança de golfinhos e baleias-piloto, que ocorre todos os anos na cidade de Taiji, no Japão, e tem uma estreita ligação com a indústria de cativeiro nos parques marinhos. O ato fez parte do Japan Dolphins Day 2013, evento mundial que ocorreu em mais de 120 cidades ao redor do mundo.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

Empunhando cartazes com frases contra a atividade de caça, fotos que mostravam aos transeuntes a crueldade ocorrente em Taiji e utilizando um golfinho inflável pintado com tinta vermelha, simbolizando sangue, o ato buscou conscientizar as pessoas para que não visitem parques marinhos onde são realizados shows com golfinhos.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

Aos interessados, foram entregues panfletos informativos sobre o trabalho realizado pelos Cove Guardians (Guardiões da Enseada) da Sea Shepherd na cidade de Taiji, voluntários que passam os seis meses da temporada de caça documentando e transmitindo ao vivo, por meio de um canal da organização, o cruel massacre de golfinhos. Os voluntários elaboraram um abaixo-assinado pedindo a cota zero para caça e captura de golfinhos e baleias-piloto.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

O evento chamou a atenção das pessoas que circulavam na orla da Praia da Copacabana, e foram coletadas 140 assinaturas no abaixo-assinado. Temos a certeza que estas 140 pessoas, que tomaram conhecimento deste abate anual de golfinhos no Japão, poderão refletir sobre o assunto e difundir a mensagem para outras pessoas, pois é necessária a conscientização e a educação ambiental para que um dia esta matança tenha um fim. Agradecemos a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para este dia de ação em prol da vida marinha.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

Fotos: Raphael Jordão/ ISSB

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

Japan Dolphins Day na Avenida Paulista, em São Paulo (SP)

O Instituto Sea Shepherd Brasil participou, mais um ano, do Japan Dolphins Day

Por Claudia Hallage, voluntária do Núcleo SP do Instituto Sea Shepherd Brasil

Com uma proposta diferenciada, o Núcleo SP do Instituto Sea Shepherd Brasil foi à Avenida Paulista, cartão postal da cidade de São Paulo, no último domingo, 01/09, dia que marca o início da temporada de caça aos golfinhos em Taiji, no Japão.

Ativistas unidos pela vida dos golfinhos. Foto: Fernanda Oliveira Santos

Teresa Hirs e Rosana Tsibana, mais uma vez a Embaixadora da Boa Vontade de Okinawa se juntou à nós nessa luta. Foto: Fernanda Oliveira Santos

Nossos ativistas usaram uma abordagem mais sutil, voltada às crianças e seus pais. A informação foi passada com a ajuda da Palhaça Fofinha que pintou golfinhos nas crianças enquanto contava, como se fosse uma história infantil, que “lugar de golfinho é nos Oceanos”. A mensagem atingiu “em cheio” o público alvo dos parques marinhos, seus mais animados espectadores: as crianças.

Fofinha pintou o rosto de ativistas e crianças. Foto: Fernanda Oliveira Santos

Fofinha pintou o rosto de ativistas e crianças. Foto: Fernanda Oliveira Santos

Os ativistas da Sea Shepherd também circularam pela Paulista com um golfinho inflável na maca de transporte, na qual estava escrito: “socorro! estão me sequestrando” e “socorro! não quero ir para um aquário”. O “passeio” chamou a atenção de quem passava pela rua, e resultou em muitas abordagens para questionar o porquê de um golfinho estar sendo sequestrado.

Ativistas chamara a atenção de quem passava pela Avenida Paulista. Foto: Fernanda Oliveira Santos

O Instituto Sea Shepherd Brasil agradece a participação de Fofinha e suas pinturas. Neste dia, também fomos presenteados pela Gabriela Oliveira, proprietária da Magic Toys, com mesas e cadeiras infantis!

Japan Dolphins Day neste domingo, na Avenida Paulista, em São Paulo

Por Claudia Hallage, voluntária do Núcleo SP do Instituto Sea Shepherd Brasil

Dia 01/09/2013 terá inicio mais uma temporada de caça aos golfinhos, em Taiji, no Japão. Os maiores interessados nesta prática são os parques marinhos e resorts espalhados pelo mundo. A Sea Shepherd mais uma vez mostra a verdade cruel sob o pano escuro do interesse econômico.

Golfinho recebendo suas primeiras lições após ser selecionado, em Taiji. Apenas a fome faz com que ajam dessa maneira. Foto: Sea Shepherd

Golfinhos, baleias, focas e tantos outros animais marinhos vivem em parques aquáticos pelo mundo como objetos de entretenimento. Sempre que questionados, esses estabelecimentos afirmam, categoricamente, que os animais são bem tratados, felizes e se divertem. Sempre escondem a origem e a forma como foram parar em tanques artificiais, mas a verdade sempre aparece, e aos poucos as pessoas se deparam com ela, de maneira surpreendente.

Golfinhos já nos parques aquáticos, cativeiro de onde nunca sairão. Foto: Sea Shepherd

A Sea Shepherd acompanha a caça de golfinhos anualmente através de seus Guardiões da Enseada, na esperança de que cada vez mais pessoas conheçam a verdade e tomem uma atitude em defesa da vida marinha.

Guardiões da Enseada em Taiji. Foto: Sea Shepherd

Este é o nosso objetivo! Trazer à tona os fatos para que cada um possa escolher conscientemente o que é diversão.

Exatamente por isso, neste domingo, dia 01/09, estaremos na Av Paulista, n. 854, com diversas atividades voltadas a adultos e crianças. Passeio ciclístico, atividades lúdicas, bate papos e educação ambiental farão parte deste dia.

Não perca a oportunidade de conhecer o outro lado da história!

Participe do Japan Dolphins Day, na Avenida Paulista, n. 854, em São Paulo (SP), das 11h às 14h, neste domingo, 01/09.

Guardiões da Enseada em Taiji, no Japão

A quarta temporada da Operação Paciência Infinita começa em 01 de setembro

Os preparativos para a próxima temporada de assassinato. Foto: Sea Shepherd

A campanha 2013-2014 dos Guardiões da Enseada, Operação Paciência Infinita, começa oficialmente dia 01 de setembro, mas a líder veterana dos Guardiões da Enseada, Melissa Sehgal e o Guardião da Enseada Scott Cator já estão em Taiji. Quando eles chegaram, no dia 26 de agosto, uma nova força-tarefa da polícia estava no local e aguardava o aparecimento dos Guardiões da Enseada da Sea Shepherd.

Os preparativos para a próxima temporada de matança foram observadas em toda a cidade – lonas na entrada de União dos Pescadores, canos pintados e prontos para serem montados, e no chão do açougue de golfinhos, equipamentos prontos para processar os golfinhos. Apesar dos indícios do massacre iminente, muitos remanescentes do verão nojento em Taiji persistem, em especial o nade-com-os-golfinhos que continua durante todo o verão dentro da Enseada. Este programa permite que as crianças nadem com os golfinhos em cativeiro, no local exato onde os golfinhos foram arrancados de suas famílias.

No ano passado, cerca de 100.000 pessoas em todo o mundo, em sintonia com a nossa transmissão ao vivo a partir de Taiji, testemunharam o assassinato bárbaro e a captura de centenas de golfinhos. Este ano, temos o prazer de anunciar que a plataforma estará disponível no site da Sea Shepherd, em http://livestream.seashepherd.org. Isso permitirá que as pessoas acessem facilmente a transmissão ao vivo, de qualquer lugar do mundo.

Temos alguns novos elementos relacionados com a campanha que serão anunciados nos próximos dias, por isso, acesse nosso canal de transmissão ao vivo, direto de Taiji.

Um número sem precedentes de Guardiões da Enseada da Sea Shepherd estarão em Taiji durante a temporada de caça, que dura seis meses, para documentar e expor a horrível matança de golfinhos em Taiji, o marco zero do comércio de golfinhos em cativeiro. Mesmo que você não possa se juntar a nós em Taiji , você ainda pode fazer parte da solução, contatando a Embaixada do Japão.

Lista com os números de telefone das embaixadas japonesas e consulados em todo o mundo: http://embassy.goabroad.com/embassies-of/japan

Embaixadas japonesas no Brasil: http://www.br.emb-japan.go.jp/contato.html

Por favor, para que a sua mensagem tenha efeito positivo não utilize palavras de baixo calão ou racistas. Lembrem-se que existem japoneses ao qual trabalham em prol dos golfinhos e são contra esta matança. Julguem apenas os culpados!

Nós não vamos parar até que o massacre termine!

Canos pintados e prontos para serem montados. Foto: Sea Shepherd

Quando eles chegaram no dia 26 de agosto, uma nova força-tarefa da polícia estava no local e aguardava o aparecimento dos Guardiões da Enseada. Foto: Sea Shepherd

A líder veterana dos Guardiões da Enseada, Melissa Sehgal, e o Guardião da Enseada Scott Cator já estão em Taiji. Foto: Sea Shepherd