Sea Shepherd conclui a cansativa Campanha em Defesa da Baleia-piloto nas Ilhas Faroe

Promessas para continuar a pressão para acabar com a matança

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Tripulação do Sea Shepherd em patrulha, defendendo as baleias-piloto das ilhas Faroe. Foto: Iraultza Darias

Tripulação do Sea Shepherd em patrulha, defendendo as baleias-piloto das ilhas Faroe.

Tradução: Peter Kajari

Os navios da Sea Shepherd com registro holandês Sam Simon e Bob Barker chegaram no porto de Bremen, Alemanha, marcando a conclusão oficial da sexagésima Campanha de Defesa da Baleia-piloto das Ilhas Faroe, Operação Sleppid Grindini. A tripulação foi recebida como heróis pelos voluntários que se juntaram para saudá-los pela cansativa campanha de duração de 3 meses e meio.

Os navios se juntam ao navio de registro Australiano da Sea Shepherd de incursão rápida, Brigitte Bardot, o qual retornou para Bremen das Ilhas Faroe em Setembro passado.

A equipe de terra dos voluntários internacionais da Sea Shepherd, os quais estiveram em terra nas ilhas Faroe desde 16 de Junho, também partiram do arquipélago semana passada.

Enquanto 490 baleias-piloto foram mortas nas Ilhas Faroe desde Junho deste ano somente, as vidas de mais de centenas foram salvas por todo o curso da Operação Sleppid Grindini devido às ações diretas da Sea Shepherd.  Uma grande quantidade de Baleias-piloto, golfinhos de barriga branca, golfinhos de bico branco, golfinho roaz, e golfinhos riscados estão entre aqueles que foram levados para longe das praias de matanças do arquipélago e retornaram com segurança para o mar pelos navios da Sea Shepherd.

CEO da Sea Shepherd Global, Capitão Alex Cornelissen, declarou, “Eu gostaria de mandar um enorme parabéns à todas as equipes da Sea Sepherd – tanto de terra quanto do mar – que permaneceram fortes para defender as baleias-piloto das Ilhas Faroe na Operação Sleppid Grindini. Poucos sabem a dedicação exaustiva que é exigida para fazer estas campanhas acontecerem. Foi um esforço inacreditável de 3 meses e meio, mas nós atingimos um grande sucesso, pelas baleias-piloto e pelos oceanos.”

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O Sandavágur 5, presos pelo ‘crime’ de defesa das baleias-piloto nas Ilhas Faroe. Foto: Sea Shepherd

Os triunfos da Operação Sleppid Grindini foram alcançados ao lado de grande adversidade. Um total de 14 voluntários Sea Shepherd representando 11 países foram presos durante a campanha. Dez daqueles voluntários foram subsequentemente deportados pelo “crime” de defesa das baleias-piloto.

Em 24 de agosto, a tripulação internacional do Bob Barker foi proibida de entrar nas Ilhas Faroe pelas autoridades Dinamarquesas numa ação que o conselho legal da Sea Shepherd descreveu como ilegal.

As autoridades Faroesas e Dinamarquesas confiscaram um total de 4 pequenas embarcações da Sea Shepherd, três deles durante o curso da Operação Sleppid Grindini.

A pequena embarcação Farley, a qual foi detida em 20 de julho, permanece na custódia da polícia há mais de um mês após a cobrança relativa à apreensão foi retirada. A pequena embarcação Echo foi confiscada nas Ilhas Escocesas Shetland em 1 de setembro, e mais tarde extraditada para as Ilhas Faroe por um navio Dinamarquês, HDMS Knud Rasmussen, apesar de que uma garantia para bloquear a extradição tenha sido emitida pela Alta Corte do Judiciário na Escócia.

Entretando, a Sea Shepherd se ergueu sobre aqueles desafios, e com isso adquiriu níveis sem precedentes de atenção internacional para com o drama das baleias-piloto e outros golfinhos nas Ilhas Faroe. Com também, a Sea Shepherd assegurou que o governo da Dinamarca é responsável pela sua continua cumplicidade nas atrocidades do grindadráp (caça às baleias-piloto).

Milhares alinhados nas ruas de Paris, França, para se manifestar contra o grindadráp.

Milhares alinhados nas ruas de Paris, França, para se manifestar contra o grindadráp.

 

Em 23 de julho, mais de 250 baleias-piloto foram mortas no arquipélago com a assistência dos navios Dinamarqueses e a polícia, e com suporte do governo Dinamarquês. O protesto internacional saiu na mídia por todo o mundo retransmitindo os horrores com evidência fotográfica e de vídeo, capturadas pela tripulação da Sea Shepherd em solo. Demonstrações foram realizadas na Australia, Bélgica, Canada, Chile, Itália, Luxemburgo, Alemanha, França, Espanha, e nos Estados Unidos, e então as pessoas tomaram as ruas para protestar contra o grindadráp.

No começo de agosto, as duas maiores companhias de cruzeiros alemã, AINDA e Hapag-Lloyd, anunciaram que eles cancelaram visitas para as Ilhas Faroe em resposta aos atuais matadores.

Em 19 de agosto, a cidade Escocesa de Wick cortou sua relação de cidade irmã de 20 anos com a cidade Faroesa de Klaksvík, e disse que não voltaria a ter relações oficiais até a matança “nojenta” das baleias no arquipélago estiver banida.

Representações políticas da Grã-bretanha , Itália e Luxemburgo anunciaram suas posições contra a prática do grindadráp, a qual o governo Dinamarquês ativamente apoia em provocação aos sentimentos das obrigações da União Européia e das responsabilidades legais internacionais.

A líder da equipe de terra da Sea Shepherd, Rosie Kunneke, disse, “Nós lamentamos por todos aquelas baleias-piloto e outros golfinhos que perderam suas vidas na brutalidade do grindadráp. Entretanto, agradecemos aos esforços da Sea Shepherd, estas criaturas maravilhosas não morreram em vão. Ainda mais, centenas de outras baleias-piloto e golfinhos ainda estão vivos hoje por causa das equipes da Sea Shepherd, e isto é algo que nós temos um imenso orgulho.”

Mesmo que a Operação Sleppid Grindini foi oficialmente concluída para 2015, a Sea Shepherd decidiu continuar sua luta contra o grindadráp à distância.

“Quer seja a pressão na terra, no oceano, na mídia, nas cortes, ou nos corações e cabeças das pessoas ao redor do mundo, a Sea Shepherd continuará a protestar contra os horrores do grindadráp, por todas as baleias-piloto que ainda estiver nadando livre e precisar de nossa proteção,” disse o Capitão Cornelissen.

A Sea Shepherd tem tido oposição à matança em massa das baleias-piloto e outros golfinhos nas Ilhas Faroe desde os anos 80. A Operação Sleppid Grindini foi uma das campanhas de maior sucesso da organização no arquipélago, liderada pela sua presença mais forte na região até hoje.

A pequenas embarcação Echo defende ferozmente um grupo de baleias-piloto em Sandavágur em 12 de agosto. Foto: Sea Shepherd

A pequenas embarcação Echo defende ferozmente um grupo de baleias-piloto em Sandavágur em 12 de agosto. Foto: Sea Shepherd

Rosie Kunneke e Christophe Bondue, presos pela polícia em 23 de julho. Foto: Sea Shepherd

Rosie Kunneke e Christophe Bondue, presos pela polícia em 23 de julho. Foto: Sea Shepherd

Capitã Lublink supervisiona enquanto uma embarcação da Sea Shepherd leva um grupo de golfinhos para longe das Ilhas Faroe e de volta ao alto mar. Foto: Sea Shepherd

Capitã Lublink supervisiona enquanto uma embarcação da Sea Shepherd leva um grupo de golfinhos para longe das Ilhas Faroe e de volta ao alto mar. Foto: Sea Shepherd

 

O governo Dinamarquês continua a apoiar os matadores com os recursos Dinamarqueses, incluindo a marinha e a polícia. Foto: Guiga Pirá

O governo Dinamarquês continua a apoiar os matadores com os recursos Dinamarqueses, incluindo a marinha e a polícia. Foto: Guiga Pirá

 

Apoiadores saúdam o retorno da tripulação da Sea Shepherd. Foto: Guiga Pirá

Apoiadores saúdam o retorno da tripulação da Sea Shepherd. Foto: Guiga Pirá

 

A frota da Sea Shepherd da Op. Sleppid Grindini. Foto: Sea Shepherd

A frota da Sea Shepherd da Op. Sleppid Grindini. Foto: Sea Shepherd

Pamela Anderson Chega nas Ilhas Faroe para Ajudar na Operação GrindStop 2014

Tradução: Igor Ramos, voluntário ISSB

A atriz e ativista clama pelo fim dos brutais assassinatos conhecidos como “Grindadrap”

 Durante a conferência de imprensa realizada esta tarde no renomado hotel Foroyar em Torshavn e transmitida ao vivo para diversos países, a atriz e ativista Pamela Anderson juntou-se à Sea Shepherd Global, Sea Shepherd Estados Unidos e Sea Shepherd França na operação GrindStop 2014. A intenção é chamar a atenção do mundo para esse massacre brutal e extremamente arcaico que acontece anualmente nas Ilhas Faroe, esse é conhecido como “grindadrap” ou “grind”.

 Juntamente com Anderson, estavam Lamya Essemlali – presidente da Sea Shepherd França e da Operação GrindStop 2014 – e Rosie Kunneke – coordenadora da Sea Shepherd África do Sul e líder da equipe de solo nos Estados Unidos.

Pamela Anderson durante a conferência de imprensa nas ilhas Faroe. Foto: Sea Shepherd/Marianna Baldo

Anderson – advogada pela causa animal a muitos anos – enfatizou que décadas atrás os habitantes das Ilhas Faroe precisavam da caça para se alimentarem, mas essa não é mais a realidade, não há necessidade alguma da prática.

“Isto não é pela sobrevivência. Existem poucas coisas que se comparam ao que acontece aqui. Isso é brutal.” disse Pamela. “Nós temos que deixar essa tradição para trás e seguir em frente, temos que deixar as baleias nadarem livremente. Acho que é claro a superior importância de salvarmos a biodiversidade e os oceanos do que matar as baleias, o lucro de preservarmos é muito maior!”

 Anderson concluiu afirmando que todas as tradições cruéis devem desaparecer e nesse caso, será a próxima geração que fará isso. “Pessoas mais novas tendem a seguir os passos da mais velhas. Essa é a hora perfeita para não ouvir aos pais e pensar por conta própria nas ações a serem tomadas. Assim como em outros movimentos, está na hora de parar e pensar: devo ouvir meus pais e avós e continuar fazendo isso? isso é correto? Essa é a hora da mudança! Hora dos jovens se levantarem e falarem: ok… vai ser assim agora e é isso que eu vou fazer! Não irei caçar mais!”

 Rosie Kunneke adicionou ao depoimento experiências próprias em seu país: “Uma cultura ou tradição que não pertença ao século XXI deve ser abolida. Eu nasci e cresci na “cultura” do Aparthaid… O mundo inteiro voltou-se, então, para nós. Com a ajuda de pessoas e países variados, nós lutamos contra e conseguimos mudar o governo. Vocês não precisam matar baleias piloto mais. Todas as pessoas com quem conversei nas Ilhas Faroe afirmam que não há a necessidade de matar esses animais.”

 A Sea Shepherd se opõe ao massacre nas Ilhas Faroe desde 1980. A Operação GrindStop 2014 foi a maior operação da Sea Shepherd organizada nas ilhas, contando aproximadamente com 500 voluntários patrulhando as praias e o oceano durante toda a temporada de caça. Os voluntários ficarão nas ilhas até o fim da temporada de caça, marcada de junho até o dia 1º de Outubro.

 O único massacre que ocorreu este ano teve a baixa de 13 baleias piloto. O incidente ocorreu no dia 18 de maio, antes da chegada da Sea Shepherd, em Junho. Ano passado, em apenas uma caçada foram mortas 267 baleias Piloto.

 Lamya Essemlali enfatizou a dúvida questionável no fato de as caças serem para a alimentação, cada caçada mata grupos inteiros de baleias de uma única vez. Além disso criticou uma alegação apontando que existiam 750000 baleias Piloto no Atlântico Norte, contudo, esse estudo foi feito vinte e cinco anos atrás. “A verdade é que não existem tantas baleias assim”, disse Essemlali. “Quando você olha o quanto diminuiu o número de golfinhos no Mar Mediterrâneo não há como não se assustar! Não entendo o por que essas pessoas insistem em dizer que as baleias não estão na mesma condição de perigo.”

 Caso alguma caça (“Grind”) tenha início, a Sea Shepherd utilizará ações diretas com táticas terrestres, aquáticas e aéreas para que o massacre não ocorra. Essa semana, voluntários da Sea Shepherd conseguiram redirecionar um grupo de baleias de volta a mar aberto com segurança. Como nada havia sido oficializado, a Sea Shepherd não infringiu nenhuma lei local ao guiar as baleias para longe dos pescadores.

 Durante centenas de anos, os habitantes das Faroe Islands tem esperado que baleias piloto e outros cetáceos passem por águas rasas para abate-los e massacra-los. Famílias inteiras, grupos inteiros foram destruídos por completo. Os habitantes alegam que sem a carne dos animais, gerações teriam passado fome e que eles precisam da carne na alimentação. Realmente, sem a caça seus antepassados teriam passado fome e havia a necessidade da caça. Contudo, hoje não há a mínima necessidade. É certo que ninguém se quer passaria fome caso nenhum cetáceo fosse morto.

 Hoje em dia, a caça – “Grindadrap” – é extremamente bárbara e cruel, é uma tradição histórica para a qual não há espaço na civilização moderna. O uso abusivo de recursos dos oceanos já está causando muitos problemas. A carne desses animais é perigosa para o consumo. A União Europeia não permite esse tipo de atividade, mas as Ilhas Faroe não seguem as regras da UE. A Sea Shepherd já realizou campanhas nas ilhas no passado e retornou mais uma vez para encerrar os massacres.

Assista ao vídeo da conferência de imprensa na seção Livestream de nosso site (http://www.seashepherd.org/grindstop/multimedia/livestream-archives.html)

Em depoimento divulgado hoje, Pamela Anderson fala sobre sua viagem para as Faroe Islands para defender as baleias Piloto:

 “Eu vim para as ilhas Faroe no dia de hoje para divulgar o massacre de criaturas inteligentes e sensíveis, as baleias Piloto, além de golfinhos e outros cetáceos, e para apoiar a Sea Shepherd na campanha Operação GrinStop 2014.

É importante entender que não somos contra os habitantes das ilhas. Nós apenas queremos proteger as baleias e golfinhos. Nós somos a voz deles. Os olhos do mundo estão voltados para as Ilhas Faroe no dia de hoje pois está na hora de encerrar esse massacre arcaico conhecido como Grind. Eu apoio a Sea Shepherd e todo o esforço feito por eles para encerrar esse massacre doloroso de indefensáveis baleias e golfinhos, animais tão inteligentes quanto nós. Eles possuem famílias assim como nós, possuem linguagem assim como nós, protegem e amam uns aos outros assim como nós, possuem nomes e estruturas extremamente complexas assim como nós.

A caça é realizada sem a necessidade de obter alimento. Esses animais podem sobreviver sem que ninguém passe fome.. Quando sabemos mais, fazemos melhor. E nós agora sabemos que essas criaturas sentem e sofrem desde o memento em que começam a serem conduzidas para as praias onde acontecem os massacres. Famílias inteiras são mortas, gerações morrem sob a justificativa de servirem de comida, porem a carne desses animais está contaminada por mercúrio e não deve ser consumida, além disso, não há a necessidade da carne para a população.

Fico tão feliz de ter minha família comigo hoje. Eles são surfistas e, nossa!, que ecossistema agradável e tão bonito para se realizar eco-turismo! É uma pena que o mar esteja vermelho de sangue dos massacres. Isso tem que acabar e tem que ser agora! Está na hora de dizer não e encerrar de uma vez por todas esse período de crueldade e tortura.” 

Voluntários Sea Shepherd Enfrentam Condições Adversas de Tempo para Salvar um Grupo de Baleias nas Ilhas Faroe

Tradução: Igor Ramos, voluntário ISSB

Um grupo contendo 20 exemplares de Baleias Piloto, muitas delas filhotes, entraram em Haraaldssund Fjord, entre as ilhas de Kunoy e Bordoy no Nordeste das Ilhas Faroe; tornando-se, assim, alvos fáceis para os pescadores

Acreditando que a péssima condição do tempo as manteria no canal, os pescadores adiaram o massacre para a manhã seguinte. O massacre não foi oficializado, isso significa; então, que a Sea Shepherd não rompeu nenhuma lei ao escoltar as baleias de volta para mar aberto.

Um grupo de 20 baleias, muitas delas filhotes, entraram em Haraldssund Fjord. Foto: Sea Shepherd/Marianna Baldo

 Lamya Essemlali foi a responsável pela rápida mobilização dos barcos de apoio – Thor e Mike Galesi – e por leva-los para o canal de Fjord. Com essa ação, os voluntários foram capazes de acompanhar as baleias de volta a mar aberto utilizando-se das mesmas técnicas utilizadas pelos pescadores para direciona-las.

 A tripulação de ambos os barcos (três voluntários por barco) as conduziram até uma distância de duas milhas longe da costa.

 É desnecessário dizer que os pescadores locais ficaram descontentes com o caso. Contudo, os voluntários acreditam que o risco ao qual eles se submeteram foi “pago” com a liberação das baleias.

 Agradecemos aos pilotos dos dois barcos – Jesse Trevertin, Inglaterra, e Bastien Boudoire, França – pelo trabalho de excelente qualidade e competência em uma situação extremamente difícil. As baleias foram escoltadas e as embarcações retornaram em segurança e sem danos.

 Gostaríamos de agradecer, também, aos demais tripulantes: Marianna Baldo e Fabio Fassone, Itália, e Julian Cruz, Michael Abba e Lamya Essemlali, França.

 “Estamos muito contentes com a Sea Shepherd pelo fato de nenhuma baleia ter sido morta hoje e também pelo fato de que aquelas baleias que adentraram o canal de Haraldssund Fjord conseguiram retornar ao mar aberto. Não vemos isso como uma vitoria contra os pescadores, mas sim uma vitória para as baleias.” disse a Presidente da Sea Shepherd França, Lamya Essemlali.

Os voluntários permaneceram no local observando as baleias e garantindo que elas não retornassem para o canal.

 O representante dos pescadores locais ameaçou processar a Sea Shepherd pelas baleias que conseguiram escapar.

 Atualmente existem 70 voluntários nas Ilhas. Essa foi a primeira ação direta – direcionando as baleias – da Sea Shepherd no caso com um resultado positivo.

Mike Galesi e Thor - barcos da Sea Shepherd que acompanharam as baleias de volta para o mar. Foto: Sea Shepherd/Marianna Baldo

 

O trabalho foi concluído graças a competência dos pilotos em uma situação extremamente difícil. Foto: Sea Shepherd/Marianna Baldo

 Confira o vídeo:

E a sede de sangue continua nas Ilhas Faroé

Comentário por Erwin Vermeulen

Cena mórbida: crianças sentam em cima de uma baleia-piloto recentemente morta após um grind nas Ilhas Faroé. Foto: Sofia Jonsson / Sea Shepherd

Em 27 de agosto, por volta de 14:00, outras 51 baleias-piloto foram massacradas nas Ilhas Ferozes. Desta vez, na aldeia Hvalvik , no leste da ilha Faroé, Streymoy, não muito longe da capital, Tórshavn. O nome significa Baía das Baleias, e 188 baleias-piloto foram mortas aqui, em maio de 2009. Felizmente, na noite do dia 26, a matança teria sido abortada em Suðuroy quando a escuridão caiu, caso contrário, os números de mortes seriam ainda maior.

Quando informamos sobre a temporada de matança sangrenta no início deste mês (Morte e sofrimento brutais; a atividade de sempre nas Ilhas Faroé) pedimos-lhe para escrever para as autoridades dinamarquesas.

Em 22 de agosto de 2013, Maria Padilla Arndt, mararn@um.dk, Assistente Cultural e Assessora de Imprensa do Consulado Geral da Dinamarca em Nova York, respondeu a um cidadão do mundo com o seguinte e-mail para defender o Grind. O e-mail é uma combinação de declarações apologistas padrão, e velhas mentiras. As respostas da Sea Shepherd são adicionados ao texto:

O Ministério das Relações Exteriores dinamarquês recebeu seu e-mail, onde você expressa seus sentimentos causados ​​por um e-mail que você recebeu contendo imagens de supostas mortes de golfinhos na Dinamarca. As fotos podem ter sido acompanhadas por comentários inflamados e enganosos, por exemplo, de que retratam um rito de passagem para os jovens. Tomamos nota do fato de que você encontrou as fotos acima mencionadas, e o texto que o acompanha, incomodando. As fotos são de capturas, não de golfinhos, mas de baleias-piloto nas Ilhas Faroe.

Sea Shepherd: As baleias-piloto estão atualmente classificadas na família Delphindae e, portanto, são golfinhos. No final, eles são todos os cetáceos, mamíferos, seres sencientes inteligentes. Em 13 de agosto, 430 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico foram abatidos; golfinhos também são mortos nas Ilhas Faroé . Veja o seu próprio link: As baleias e baleeiros nas Ilhas Faroe (em inglês).

As imagens são muito seletivas, e em parte ultrapassadas.

Sea Shepherd: Não há fotos antigas sendo usadas ​​quando 1.085 golfinhos foram abatidos desde 21 de julho deste ano, e as filmagens dos banhos de sangue estão sendo amplamente difundidas na imprensa das Ilhas Faroé, e por cidadãos das Ilhas Faroé através da mídia social.

Como você parece estar interessado no assunto, recomenda-se encontrar mais informações sobre as unidades pesqueiras de baleias-piloto nas Ilhas Faroé, na página inicial http://www.whaling.fo. Na Wikipedia, a enciclopédia livre na internet, você também pode encontrar um artigo chamado “Atividade baleeira nas Ilhas Faroe” (em inglês).

Os fatos que você vai encontrar, incluem o seguinte:

A finalidade da caça é para produção de alimentos,

Sea Shepherd:  a matança por alimento não é uma desculpa para a crueldade, da mesma forma que a necessidade de mão-de-obra não é uma desculpa para a escravidão. Além disso, as baleias-piloto são impróprias para a alimentação, como indicado no seu próprio link: Recomendação dietética sobre o consumo de carne e gordura de baleia-piloto (em inglês), e em: Moradores de Faroé são recomendados a parar de comer baleias ‘tóxicas’ (em inglês).

A caça é regulamentada pelas autoridades ,

Sea Shepherd:Os regulamentos não funcionam, já que não existem repercussões para a negligência grosseira. Alguns exemplos de abandono estão listados neste artigo: Morte e sofrimento brutais; a atividade de sempre nas Ilhas Faroé. Se as investigações sobre crueldade fazem parte dos regulamentos, você pode nos enviar as publicações dos resultados que essas investigações apontam?

A caça é biologicamente sustentável ,

Sea Shepherd: a IUCN lista a baleia-piloto como ‘dados insuficientes’. Você não pode falar em sustentabilidade se o número da população é desconhecido. A IUCN tem o seguinte a dizer sobre esta espécie : “As ameaças que podem causar quedas generalizadas incluem altos níveis de som antropogênico, sonares especialmente militares e levantamentos sísmicos, e por captura. Principais ameaças que podem causar quedas generalizadas incluem emaranhamento em redes de pesca e da pesca da lula. A combinação de eventuais quedas impulsionadas por estes fatores se acredita que é suficiente para uma redução global de 30% ao longo de três gerações (72 anos; Taylor et al., 2007) não pode ser excluída (critério A )”.

“Não há informações sobre as tendências mundiais em abundância. Existe pouca informação sobre as subpopulações dentro da espécie (Donovan et al., 1993)”.

Apenas a NAMMCO chama a captura de sustentável. Suas opiniões não são credíveis, já que essa organização foi fundada por nações baleeiras para proteger sua indústria a partir de esforços de conservação.

Mesmo que a captura venha a ser sustentável, isto não justifica a crueldade.

As autoridades das Ilhas Faroé estão fazendo esforços contínuos para melhorar os métodos de abate .

Sea Shepherd: Tortura não pede melhoria dos seus métodos e instrumentos, mas a sua cessação. Não há formas humanas para matar, uma baleia ou golfinho socialmente complexos e altamente inteligentes ou golfinho e isso em si é abusivo. Se em qualquer parte da Europa você abatesse uma vaca, porco ou frango da forma como estes golfinhos são abatidos, você iria acabar na cadeia.

As Ilhas Faroe são um arquipélago no Atlântico Nordeste. A economia das ilhas é fortemente dependente do mar e seus recursos vivos.

Sea Shepherd: As Ilhas Faroe não precisam matar golfinhos para a alimentação, já que o período de isolamento e dependência de recursos marítimos está muito distante de nós. Existe um alto padrão de vida nas ilhas, e os supermercados estão por toda parte .

As ilhas são um território autônomo dentro do Reino da Dinamarca. Assuntos sobre a indústria, a agricultura, o ambiente, a pesca e a caça, estão sujeitos à autonomia das Ilhas Faroé .

Sea Shepherd: O Ministério das Relações Exteriores dinamarquês não deve esconder-se atrás da autonomia das Ilhas Faroé em matéria comercial ou industrial. Foi a marinha dinamarquesa que apareceu quando os navios da Sea Shepherd visitaram as ilhas em 2010 e 2011. Subsídios dinamarqueses são uma importante fonte de renda para as Ilhas Faroé . Os ilhéus seriam independentes se eles foram capazes de manter as suas próprias calças. A Dinamarca auxilia financeiramente os matadores e pode, portanto, partilhar a responsabilidade e a vergonha também.

Esta é uma questão moral que afeta e mancha o Reino da Dinamarca.

Se você , depois de ter-se familiarizado com os fatos da matéria, caso deseje abordar as autoridades das Ilhas Faroé a respeito de caça de baleias-piloto, o endereço de e -mail do Governo das Ilhas Faroé é mfa@mfa.fo

Sea Shepherd: Por favor envie-lhes um e-mail educado para que eles saibam como você se sente sobre o abate.

Atenciosamente,
Maria Arndt

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MARIA PADILLA ARNDT / MARARN@UM.DK
ASSISTENTE CULTURAL e Assessora de Imprensa / Cultura , Imprensa e Diplomacia Pública
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Baleias-piloto mortas alinhadas e numeradas após um grind nas Ilhas Faroé. Foto: Sea Shepherd

Morte e sofrimento brutais: a atividade de sempre nas Ilhas Faroé

Comentário por Erwin Vermeulen

No dia 13 de agosto, 135 baleias-piloto de nadadeiras longas foram brutalmente massacradas em Husavik. Foto cedida: www.facebook.com

As últimas semanas têm sido extremamente sangrentas nas “Ilhas Ferozes”, mesmo para os padrões das Ilhas Faroé. Em 8 de agosto, 107 baleias-piloto de nadadeiras longas foram abatidas em Sandavágur. Em 11 de agosto, 21 foram assassinadas em Leynar, e no dia 13, 135 perderam suas vidas em Húsavík.

O ritual brutal de matança, conhecido como grind, ou adrap, é registrado historicamente desde 1584. Há 23 baías atribuídas a seis distritos em que a carne e gordura das baleias são divididas entre a população. O ritual é iniciado quando os pescadores ou balsas no mar avistam golfinhos. Os golfinhos são empurrados para uma baía, com barcos e até jet skis, e puxados para a praia com um gancho em seu respiradouro. Em seguida, a medula espinhal é cortado com uma faca.

O massacre em Húsavík no dia 13 de agosto não foi o único que ocorreu naquele dia. Em Hvalba, o incrível número de 430 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico foram levados para a “baía das baleias” e brutalmente assassinados. Algumas pessoas podem se surpreender ao saber que estes habitantes das ilhas têm como alvo outras espécies de baleias-piloto, mas sempre caçam golfinhos menores, especialmente em Hvalba. A última matança de golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico, em Hvalba, ocorreu em agosto de 2010, e a matança de golfinhos-de-Risso teve início em abril desse ano. Em Oravik, foram 100 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico mortos em agosto de 2009. No mesmo mês, em Hvalba, duas baleia-bicuda-de-cabeça-plana-do-norte foram mortas, relatadas como encalhadas, e um mês depois, em Klaksvik, três golfinhos-de-Risso foram mortos. Em junho de 1978, nesta mesma cidade ocorreu a matança de 31 orcas.

Enquanto golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico e baleias-bicuda-de-cabeça-plana-do-norte podem ser abatidas, de acordo com os regulamentos locais, é ilegal matar golfinhos-de-Risso e orcas. Em todos esses casos, a desculpa utilizada para matá-los foi de que foram confundidos com as baleias-piloto.

No entanto, em breve os aspirantes a assassinos de golfinhos terão de passar por um teste antes que eles possam participar do derramamento de sangue. O Ministro das Pescas anunciou que a partir de maio de 2015, todas as pessoas que participam do abate devem fazer um curso sobre as leis e procedimentos corretos relativos à matança (grinds), e possuir a respectiva licença para matar. Eles vão receber treinamento no uso das ferramentas que serão permitidas a partir de 2015, como ganchos de respiradouros e lanças para a coluna vertebral, serão capacitados reconhecer os sinais de morte dos animais (não de sofrimento, pois isso é irrelevante para os assassinos), e estarão familiarizados com toda a legislação antes de poderem participar. O uso de faca e gancho grinds não será mais permitido, exceto em circunstâncias especiais, através de uma autorização. Alguns grupos de conservação saudaram estas medidas como o início do fim do grind. Estes são geralmente os mesmos grupos que acreditam que conquistar os corações e mentes do povo das Ilhas Faroé irá incentivá-los a parar a matança.

A Sea Shepherd levou campanhas para opor-se à matança nas Ilhas Faroé desde 1985. Durante a campanha de 2011, Operação Ilhas Ferozes, e nem uma única baleia foi morta enquanto a Sea Shepherd esteve em patrulha durante a alta temporada de julho e agosto. Até agora, esta é a única maneira que possibilitou que as vidas destes magníficos animais fossem salvas. Este trabalho foi registrado em uma série de cinco episódios no Animal Planet, chamada “Whale Wars: Shores Viking” (2012).

O primeiro grind deste ano aconteceu em 21 de julho, quando 125 baleias-piloto morreram em Víðvík. Esta é a aldeia onde, em novembro de 2010, 62 baleias-piloto foram levadas para a praia ao entardecer. Todos os animais foram mortos, mas como ficou muito escuro, o esquartejamento teve que esperar até a manhã seguinte. Durante este período, os corpos já tinham começado a apodrecer e a maioria das baleias foi descartada, morta sem motivo.

Em Hvalba, o incrível número de 430 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico foram levados para a "baía das baleias" e brutalmente assassinados. Foto cedida www.facebook.com

O mais selvagem dos recentes grinds ocorreu em 30 de julho, quando 267 baleias-piloto foram levadas para a baía de Fuglafjørður. Os relatórios dizem que apenas quatro homens estavam disponíveis para matar os animais em pânico. Por mais de 90 minutos, eles foram mantidos na baía com o ruído do motor do barco e ganchos em seus respiradouros, até que todos foram abatidos. Este foi um dia especialmente vergonhoso nas “Ilhas Ferozes”.

Nem o estrago de 30 de julho, nem o exemplo de novembro de 2010 foram incidentes isolados. Isso acontece regularmente, sem consequências para os açougueiros. Bem-estar animal é uma farsa nas “Ilhas Ferozes”, e as reivindicações de uma morte rápida, de dois minutos, são mais a exceção do que a regra.

Em Klaksvík, em 19 de julho de 2010, 228 baleias-piloto foram levadas para terra, apesar da praia só ter capacidade para armazenar 100 animais. Novamente anoiteceu, e a falta de luz combinada com os animais em grande número resultou em uma orgia de duas horas de sangue e sofrimento.

Em 25 de outubro de 2012, uma tentativa de marcar 36 baleias-piloto pelo Museu Nacional das Ilhas Faroé deu terrivelmente errado. Após os transmissores de rádio serem anexados, as baleias, desorientadas, ficaram encalhadas na lama e acabaram gritando na praia. Funcionários do museu não foram encontrados, e o governo de Torshavn não permite que os moradores matem os animais, já que é ilegal matar golfinhos marcados. Apenas algumas horas mais tarde da noite, quando foi decidido que os animais não poderiam ser salvos , os moradores receberam permissão para matá-los. Este é apenas mais um exemplo de tormento e sofrimento desnecessários que os cetáceos têm de suportar nestas ilhas antes de serem brutalmente assassinados .

Em novembro de 2008, os médicos-chefes das Ilhas Faroé, Pál Weihe e Høgni Debes Joensen, anunciaram que a carne e gordura de baleia-piloto contém muito mercúrio para serem seguras para consumo humano. A dioxina foi agora adicionada à lista, e a recomendação sobre o consumo de carne e gordura de baleia-piloto é:

  • Os adultos devem comer, no máximo, uma refeição de carne e gordura de baleia-piloto por mês.
  • Meninas e mulheres devem abster-se totalmente de comer gordura, enquanto eles ainda estiverem planejando ter filhos.
  • As mulheres que estão planejando a gravidez dentro dos próximos três meses, que estão grávidas ou que estão amamentando, devem se abster de comer carne de baleia.
  • Os rins e fígado de baleias-piloto não devem ser comidos.

Como resultado dos problemas de saúde, grande parte da carne é descartada no oceano, como os cemitérios submarinos descobertos pela Sea Shepherd em 2010 e 2011 mostraram. O grind não é uma fonte de alimento. É um esporte sangrento desprezível.

Em 31 de julho, a União Europeia adotou sanções econômicas contra as Ilhas Faroé. Não por matar golfinhos, mas porque o governo das Ilhas Faroé triplicou unilateralmente a quota existente para o arenque no início deste ano. Esse contingente havia sido acordado com a União Europeia e a Noruega. Uma comissão de representantes dos Estados-membros votaram para apoiar a proposta da Comissão Europeia, para impor sanções sobre as Ilhas Faroé para a sobrepesca de arenque atlântico-escandinavo .

Esta pesca criminosa da Europa ainda pode ter que enfrentar processos judiciais pelo grid sangrento. A Dinamarca, da qual as Ilhas Faroé são um protetorado, está violando três convenções que assinou, pelas quais prometeu fazer tudo dentro de sua capacidade de proteger as baleias-piloto – a Convenção de Berna, a Convenção de Bona e o Acordo sobre a Conservação de Pequenos Cetáceos do Mar Báltico e do Mar do Norte, do Atlântico Nordeste e do Mar da Irlanda (ASCOBANS). Como resultado, a Sea Shepherd França está trazendo o assunto para a Comissão Europeia, a fim de obrigar a Dinamarca a cumprir as obrigações das referidas convenções, e agir para defender os princípios nelas descritos .

A economia das Ilhas Faroé depende em grande parte das exportações de peixe. Se você está chateado pelo grinds, considere não comprar seus produtos e pedir para que os supermercados e os governos não os importe.

Entre em contato com a embaixada dinamarquesa mais próxima de você hoje, e informe que você se opõe veementemente à matança sem sentido e bárbara da preciosa fauna marinha nas Ilhas Faroé.

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Para saber mais:

Sea Shepherd desafia a Dinamarca na Comissão Europeia
O caso do assassinato em massa nas Ilhas Faroé
Lembranças sombrias da matança de baleias-piloto em Klaksvik