Sea Shepherd investiga cemitério secreto de baleias-piloto debaixo d’água

Mergulhador da Sea Shepherd analisa um crânio de baleia-piloto encontrado no local. Foto: Simon Ager

Mergulhador da Sea Shepherd analisa um crânio de baleia-piloto encontrado no local. Foto: Simon Ager

A tripulação da Sea Shepherd Conservation Society, a bordo do rápido navio interceptor, Brigitte Bardot, investigou um enorme cemitério submerso, onde carcaças de baleias-piloto são descartadas após os grinds em Vestmanna e Leynar, nas Ilhas Faroé. O maciço cemitério secreto submerso foi descoberto durante a Operação Grind Stop do ano passado, uma campanha da Presidente da Sea Shepherd França, Lamya Essemlali, atualmente a bordo do Brigitte Bardot.

“Muitos dos moradores negam a existência deste cemitério, mas as imagens falam por si. Carcaças de baleias-piloto são despejadas em uma fenda secreta entre Vestmanna e Leynar, e onde podem, então, ser secretamente arrastadas para o mar”, disse Essemlali.

Mergulhadores da Sea Shepherd, o canadense Simon Ager e o americano Beck Straussner, mergulharam 20 metros  em uma fenda na lateral de um penhasco monumental, para confirmar o segredo sujo que abriga este fiorde. O que eles encontraram corrobora com relatos prévios da área. “Eu vi uma vala comum de proporções terríveis. Havia crânios, vértebras e costelas espalhadas pelo fundo do oceano, tanto quanto os olhos podiam ver. As algas dançam com a gordura ainda ligada aos ossos. Foi a primeira vez que eu chorei debaixo d’água”, disse Straussner.

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As baleias-piloto são descartadas no mesmo penhasco que também é utilizado para o descarte dos resíduos das famílias locais e dos resíduos industriais. “Os faroenses alegam que a matança é um bonito rito religioso de passagem. Mas, ao mesmo tempo, eles descartam os corpos destas bonitas criaturas em um poço de lixo que também contém peças de trator e gerador de resíduos industriais, entre outras coisas”, disse Ager.

Um crânio de baleia-piloto coletado do cemitério foi trazido a bordo do Brigitte Bardot para análise, mas foi posteriormente colocado de volta ao mar. “Teria sido ótimo manter o crânio para mostrar aos outros europeus as vítimas do grind. No entanto, seria ilegal trazer o crânio na União Europeia, porque as baleias-piloto são listadas como uma espécie ameaçada sob a Convenção de Berna. Ironicamente, a razão que não podemos trazer este crânio em terra para fins de divulgação, é o mesmo motivo que a caça de baleias-piloto não deve estar ocorrendo”, disse o sueco Peter Hammarstedt, Primeiro Oficial.

A Sea Shepherd continuará suas patrulhas nas Ilhas Faroé, na Dinamarca, em busca de baleias-piloto durante a Operação Ilhas Ferozes, uma campanha destinada a defender e proteger as baleias-piloto. Contudo, um navio da Marinha das Ilhas Faroé está atualmente atrapalhando o navio do grupo ambientalista. “As baleias-piloto são nossos clientes. E como bom pastores, vamos continuar por perto para defendê-las”, disse o capitão Fraser Hall, do Canada.

O Brigitte Bardot passou a noite de 20 de julho atracado em Vestmanna, em Streymoy, oferecendo excursões ao navio para as crianças locais. No final da manhã, o navio iniciou suas patrulhas estratégicas em Streymoy e Vaga.

Crânio de baleia-piloto trazido a bordo para análise. Foto: Simon Ager

Crânio de baleia-piloto trazido a bordo para análise. Foto: Simon Ager

 

Local do cemitério submerso de baleias-piloto. Foto: Simon Ager

Local do cemitério submerso de baleias-piloto. Foto: Simon Ager

 

 

 

 

 

 

 

 

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

 

Operação Ilhas Ferozes: em defesa das baleias nas Ilhas Faroé

news_110701_1_3_grind_photos_current_day_100719_(PH1521)Em questão de dias, a Sea Shepherd Conservation Society vai zarpar para o protetorado dinamarquês das Ilhas Faroé, com um plano para parar a matança anual de milhares de baleias-piloto em extinção, conhecido como o “Grind”. A Operação Ilhas Ferozes 2011 marcará a primeira vez que a Sea Shepherd voltará às Ilhas Faroé para intervir ativamente nesta matança, em mais de 10 anos. A Operação Ilhas Ferozes é um projeto conjunto entre a Sea Shepherd e a Fundação Brigitte Bardot.

Com o fundador da Sea Shepherd, o Capitão Paul Watson, no comando do carro-chefe Steve Irwin, a Sea Shepherd sente que o suporte adicional do rápido navio interceptador, Brigitte Bardot, capitaneado pelo veterano tripulante Locky MacLean, uma maior equipe cooperativa, e novas tecnologias essenciais, criarão um impacto este ano em Faroé, semelhante ao sucesso com a campanha em defesa das baleias no sul do Oceano Antártico no início deste ano. O grupo de conservação tem a intenção de implantar dispositivos acústicos, criando uma parede de som no caminho das baleias em migração, para impedi-las de se aproximar das ilhas. A Sea Shepherd também estará registrando e documentando as atrocidades cometidas nas Ilhas Faroé, e compartilhará tudo isso com o público para criar consciência; esta tática se mostrou altamente eficaz na defesa de grandes baleias.

“Há uma coisa muito mais importante que a liberdade de expressão, e que é a liberdade de viver”, disse o Capitão Watson em resposta a uma recente declaração do Primeiro Ministro das Ilhas Faroé, Kaj Leo Holm Johannesen, sobre seu “direito das pessoas a discordar … e protestar”.

Baleia-piloto morta e seu bebê

Baleia-piloto morta e seu bebê

No entanto, a Sea Shepherd não está indo para as Ilhas Faroé para protestar ou se manifestar contra o horror da matança das baleias-piloto, que ocorre neste ritual bárbaro chamado de “Grindadrap”, ou simplesmente “Grind”. O objetivo da Sea Shepherd é intervir no “Grind” de maneira agressiva e não-violenta sempre que possível, e também para chamar a atenção do público internacional sobre esta matança em massa, que é ainda mais cruel e sangrenta do que a matança de golfinhos mostrada no filme vencedor do Oscar, The Cove.

“Enquanto europeus, como podemos criticar a matança de golfinhos no Japão, ignorando o massacre cruel de grupos inteiros de baleias-piloto gentis e indefesas na Europa?”, disse a presidente da Sea Shepherd da França, Lamya Essemlali.

“Nosso objetivo não é exercer a nossa liberdade de se manifestar contra esta matança ilegal de baleias-piloto indefesas, mas acabar com esta atrocidade. Petições, protestos, banners pendurados, reuniões e discursos não avançaram neste objetivo de forma alguma”, disse MacLean, a bordo do Steve Irwin, em Barcelona. “Falar provou ser um desperdício de tempo. Enquanto os seres humanos tagarelam sobre tradição e direitos, as baleias-pilotos, seres inteligentes, socialmente complexos e belos, são violentamente levadas a baías e cruelmente massacradas, em um espetáculo que não tem lugar num mundo civilizado. Nós não queremos um diálogo sobre essa obscenidade, queremos pará-la. Os direitos dessas baleias para viver tem precedência sobre os “direitos” da Ilhas Faroé de assassiná-las”.

Imagem histórica do "Grind"

Imagem histórica do "Grind"

A Sea Shepherd pretende enfatizar que, enquanto as Ilhas Faroé estão se beneficiando de subsídios da União Europeia, reivindicam isenção à proibição da matança de baleias das leis europeias. A Sea Shepherd espera forçar um compromisso com o governo dinamarquês como um meio para obter uma base legal para convocar a Dinamarca à tarefa de proporcionar benefícios para um povo que, abertamente, viola as leis europeias. Se a Islândia não pode aderir à União Europeia porque eles são uma nação baleeira, as Ilhas Faroé também não devem se beneficiar enquanto estão fazendo a mesma coisa. Isto é discriminação clara contra a Islândia em favor das Ilhas Faroé.

“As Ilhas Faroé dizem ter o direito tradicional de massacrar grupos inteiros de baleias”, disse MacLean, “mas nenhum ser humano tem o direito de torturar e matar outro ser senciente. O que as Ilhas Faroé chamam de ‘direito’, nós chamamos de farsa. É como ter de respeitar Ted Bundy ou Charles Manson, e a Sea Shepherd não tem intenção de respeitar os direitos de psicopatas cruéis. Você não tenta falar com um psicopata, você tenta pará-lo antes que ele mate novamente”.

Desde o início de 1980, a Sea Shepherd tem liderado a oposição contra a matança de baleias-piloto nas Ilhas Faroé. O Capitão Paul Watson liderou campanhas em oposição à caça, em 1985 e 1986, e novamente em 2000. Nenhuma baleia foi morta enquanto a Sea Shepherd patrulhava as ilhas. A Sea Shepherd também foi bem sucedida em convencer 20.000 lojas de duas cadeias de supermercado na Alemanha a boicotar produtos da pesca das Ilhas Faroé.

Imagem histórica do "Grind"

Imagem histórica do "Grind"

Durante o verão de 2010, a Sea Shepherd tomou a iniciativa e enviou um agente disfarçado para as Ilhas Faroé, para reunir imagens visuais do horrível “Grind”: as imagens que foram posteriormente utilizadas para expor os assassinatos em massa de baleias-piloto para o público. A Sea Shepherd e a Fundação Brigitte Bardot testaram dispositivos acústicos destinados a manter as baleias-piloto distantes da costa das Ilhas Faroé. Estes dispositivos serão implantados para formar uma cortina de som entre as baleias e seus assassinos durante a Operação Ilhas Ferozes.

Estima-se que pelo menos mil baleias-piloto são mortas anualmente durante o “Grind”. As Ilhas Faroé fazem isso encurralando grupos de baleias-piloto em migração, que viajam em grupos familiares, passando pelas ilhas em enseadas rasas. Uma vez identificadas, essas famílias de cetáceos são levadas para perto da costa, onde homens, mulheres e crianças de todas as idades aguardam com clavas, lanças, facas e tesouras, levando as baleias a uma morte lenta, deixando a água vermelha com o seu sangue inocente. Muitas vezes, nos meses de pico do verão, baleias-piloto grávidas também são encurraladas e sofrem ainda mais, com os fetos cortados fora de seus corpos e alinhados perto da costa, ao lado das centenas de outras vítimas.

Esses dias, esses assassinatos em massa não são realizados por qualquer finalidade utilitária que não seja uma chamada “importância cultural” para a comunidade das Ilhas Faroé. De fato, após os moradores terem terminado de mutilar as baleias, os seus corpos são simplesmente descartados em uma vala comum, debaixo d’água, com total desrespeito pelo valor da vida. A Sea Shepherd pretende intervir no “Grind”, quando possível, para evitar a perda desnecessária de preciosos animais selvagens marinhos.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

A matança começou nas Ilhas Faroé

news_110408_1_3_Slaughter_has_begun_0070Os carniceiros bárbaros do Protetorado dinamarquês das Ilhas Faroé começaram sua matança medonha mais cedo este ano, com o sangrento abate de 60 baleias-piloto indefesas. Em um mundo no qual nações civilizadas ajudam no resgate de baleias encalhadas, o único lugar do planeta que não demonstra nenhuma misericórdia é este grupo de ilhas situadas entre a Escócia e a Islândia.

A Sea Shepherd Conservation Society irá com seus navios para as Ilhas Faroé este ano,  para mais uma vez intervir na defesa das baleias de bandidos que cortam, esfaqueiam e golpeiam socialmente estas criaturas complexas, lindas e sensíveis.

Todavia, nem todos das Ilhas Faroé são impiedosos. Algumas poucas almas bravas estão falando em oposição aos seus sádicos compatriotas, e um de nossos adeptos nas Ilhas Faroé enviou-nos as fotos desta atualização nesta manhã. A pessoa que enviou as fotos comentou: “Eu desejo que a Sea Shepherd esteja aqui. A matança não foi rápida e algumas baleias levaram de um a dois minutos para morrer… terrível de ver”.

news_110408_1_2_Slaughter_has_begun_0069A Sea Shepherd foi às Ilhas Faroé no passado, mas desta vez nós retornaremos mais fortes, melhor equipados, e mais experientes, e nós agora estamos com uma tecnologia que irá servir bem às baleias neste ano. Entretanto, até que nossos navios possam chegar nas costas encharcadas de sangue das Ilhas Faroé, os carniceiros terão um livre reinado para atormentar e infligir um vicioso massacre em famílias inteiras de dóceis e maravilhosos cetáceos.

As Ilhas Faroé recebem todas os benefícios da União Europeia, mas se consideram isentos das leis da União Europeia. A matança às baleias-piloto é uma violação da Convenção de Berna. A Islândia não pode entrar na União Europeia até que parem de matar baleias, enquanto às Ilhas Faroé é dada uma isenção pela Dinamarca. A Sea Shepherd Conservation Society tem unido forças com a Fundação Brigitte Bardot, na Europa, para colocar as Ilhas Faroé dentro das submissões das leis da Europa.

Neste verão, a Sea Shepherd estará nas águas das Ilhas Faroé. Nós estaremos nas praias e estaremos no ar. Nós seremos ativos na Dinamarca e pretendemos criar uma controvérsia que irá ser divulgada ao redor do mundo. Pretendemos dar fim à essa carnificina ilegal.

news_110408_1_4_Slaughter_has_begun_0072Nas Ilhas Faroé há pessoas gentis e inteligentes que tiveram que engolir a vergonha deste massacre por anos, que têm tido medo de falar devido à ameaça dos covardes que torturam e matam as baleias. Esta é a hora de confrontar estes covardes e esta é a hora de retornar às praias obscenamente sangrentas das Ilhas Faroé para enfrentar esses bandidos, que se deleitam gabando-se em como “Deus” deu-lhes a “função” ou o “direito” de nadar no sangue das baleias, rasgar os fetos dos corpos de suas mães e cortar, esfaquear, e golpear estas magníficas e gentis criaturas até a morte. Eles chamam sua matança de “presente de Deus”.

O único problema é que o único Deus que poderia tolerar tal horror é Satanás, e as Ilhas Faroé parecem servir ao seu Deus do mal, com todas as devoções assassinas de seitas que têm anulado a decência comum e misericórdia em nome de uma bárbara tradição que não tem lugar no século 21, nem lugar em uma sociedade civilizada, e certamente não tem lugar na União Europeia.

Traduzido por Bruna Vieira, voluntária do ISSB.