Defendemos os golfinhos, primeiro, acima de tudo, sempre

Os Guardiões da Enseada não vão deixar Taiji até a matança acabar. Foto: Sea Shepherd

Comentário pelo fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson

Este é o planeta Terra, apesar de eu vê-lo como o planeta Oceano. Quando você olha para ele a partir do espaço, você não vê as fronteiras artificiais. Você vê um planeta. Todas as coisas estão ligadas, e quando uma espécie é reduzida, somos todos reduzidos. Houve uma discussão que a pressão “estrangeira” é contraproducente em Taiji, no que diz respeito à matança de golfinhos. Existe uma opinião de que este é um problema japonês e requer uma solução japonesa.

Eu discordo. Os golfinhos não são de propriedade japonesa. Apenas os espanhóis se opõem às touradas? Só os chineses se opõem à remoção das barbatanas de tubarões? Só os canadenses se opõem à matança de focas? O governo canadense protestou contra as manifestações estrangeiras contra a matança de focas, nas duas últimas décadas. No entanto, duas décadas antes disso, a oposição ao fim da matança de focas era exclusivamente canadense. Brian Davis deu início nos anos sessenta, Peter Lust entrou na década de setenta, eu mesmo aderi, em meados dos anos setenta. De 1964 até 1977, o governo canadense ignorou os protestos canadenses. Então, em 1977, eu trouxe Brigitte Bardot para os blocos de gelo e o movimento decolou.

O primeiro-ministro do Canadá, Pierre Trudeau, ficou irritado com esta intervenção estrangeira, mas ele nunca respondeu a nós, ele respondeu a ela. De repente, a matança de focas se tornou internacional, e o Canadá começou a sentir a pressão. Se não fosse a mídia e os protestos internacionais, nada teria sido alcançado. O Canadá recebeu mais manifestações de protesto pelo correio contra a matança de focas, do que o número de pessoas que vivem no Canadá, e como um canadense, felicito todas as mensagens estrangeiras, de protesto e intervenção.

E, finalmente, foi o Parlamento Europeu respondendo à pressão europeia que resultou na proibição de produtos derivados de focas na Europa, um movimento que praticamente destruiu as operações de caça comercial de focas no Canadá.
Não houve uma única legislação de conservação ligadas às pescas, baleias ou golfinhos no Japão, elaborada sem pressão externa. Lutamos contra o Japão em relação às redes de deriva, e foi uma proibição internacional de redes de deriva que forçou o Japão a cumpri-la. Lutámos contra o Japão sobre a caça e, recentemente , o cidadão médio japonês não sabia nada sobre caça às baleias no Oceano Antártico, mas pode-se afirmar que praticamente todos no Japão estão cientes disso agora. Controvérsia recebe publicidade, e publicidade cria a consciência e sensibilização, que motiva a pressão política, externa e interna.

As Ilhas Faroé não vão parar de matar baleias-piloto por conta própria, e os japoneses não vão parar de matar golfinhos por conta própria, nem os namibianos vão parar de matar focas ou os chineses vão parar de matar tubarões. Defender os golfinhos dos pescadores cruéis, ou de alguém querendo matá-los, é o nosso negócio. É um assunto de todos. Vamos voltar a 1978, o americano Dexter Cate estava em uma colina com vista para Iki, ilha perto da aldeia de Katsumoto.

Abaixo, em um porto raso, os pescadores locais tinham amarrado redes prendendo centenas de golfinhos, que em breve seriam moídos e transformados em fertilizantes e rações de suínos. “Esses pescadores estavam lá apenas para fazer um trabalho”, disse Cate. “Eles não consideram assassinato, mas eu sim. Eu sabia que tinha que fazer algo.” Então, em uma noite de tempestade, em fevereiro, Cate remou para a baía em um caiaque inflável. “Eu soltei três redes onde eles estavam presos”, lembra ele. “O último nó estava muito apertado, e eu tive que cortar o nó.” Ainda assim, o trabalho de sua noite ainda não havia terminado Assustados e desorientados, muitos dos golfinhos nadaram sem rumo nas águas agora ensanguentadas, incapazes de encontrar o caminho para o mar. “Eu entrei na água e tentei encaminhá-los para fora”, Cate lembra. “Eu fiquei na ilha durante toda a noite, colocando golfinhos encalhados de volta na água”.

Pela manhã, ele havia libertado entre 200 e 300 golfinhos. Em seguida, os pescadores voltaram para suas redes. “Eles estavam com raiva”. Cate passou três meses na prisão aguardando julgamento. Ele foi considerado culpado de obstrução comercial, recebeu uma sentença de seis meses de suspensão, e foi deportado de volta para sua casa, no Havaí. Dexter Cate estava trabalhando com o Fund for Animals, com sede nos EUA. Antes disso, ele foi cofundador junto comigo do Greenpeace Havaí. “Foi muito importante”, disse ele , “que as pessoas reconheceram que a verdadeira questão não é pescador versus golfinho, nem a América versus Japão. A questão é a forma como nos relacionamos com nosso ambiente. Estamos explorando nossa terra e os nossos recursos. A menos que mudemos nossos caminhos, nós podemos dar um beijo de adeus em nossos netos”.

As ações de Dexter, juntamente com imagens dramáticas e explícitas do cineasta Hardy Jones, levaram a matança de golfinhos para a atenção do mundo e, portanto, também para o Japão. Apesar disso, Dexter foi acusado de ser um estrangeiro indesejável. Patrick Wall libertou golfinhos novamente em 1981 e foi preso. Eu mesmo fui à ilha Iki em 1982, e graças aos esforços combinados de Cate, Wall, Jones e eu, fomos capazes de negociar um fim para o abate. Na época, uma comissária de bordo japonesa, da Air France, foi a nossa tradutora. Quando ela chegou, ela foi levada pela polícia. Ela disse para cuidarem de seu próprio negócio. Ela me disse mais tarde que a única razão para que ela pudesse enfrentar as autoridades japonesas, era o fato de viver na França, e poderia ignorá-los.

A realidade é que, dentro do sistema japonês, é difícil questionar a autoridade, sem consequências. É por isso que a equipe japonesa em nossos navios cobrem seus rostos, exceto os expatriados. Em 1975 , quando eu e outros trabalhamos com o fotógrafo Eugene Smith para ajudar a promover o seu ensaio fotográfico dramático em Minamata, sobre a intoxicação por mercúrio, ajudei a organizar apresentações no Canadá, juntamente com David Garrick e Taeko Miwa. Smith não era japonês, mas ele expôs Minamata para o mundo, e destacou que o governo japonês fez muito pouco para ajudar as vítimas de Minamata. Ele também disse que não foi bem recebido no Japão, foi brutalmente espancado por trabalhadores químicos japoneses que as lesões contribuíram para sua morte prematura.

Se não fosse por Eugene Smith e sua esposa Eileen, o horror de Minamata teria sido varrido para debaixo do tapete e esquecido. Em 2003, eu mandei Brooke MacDonald, uma tripulante e fotógrafa da campanha da Antártica 2002/2003 para Taiji . “Veja se alguma coisa está acontecendo lá”, eu disse a ela. E lá, a partir de um ponto de vista desobstruído, ela tirou fotos que dentro de alguns dias circularam o mundo. Estas fotografias e um vídeo são, indiscutivelmente, a melhor documentação que já foi feita em Taiji, porque não havia obstáculos. Quando eu vi as fotos, eu mandei uma tripulação para lá, e Ric O’Barry se juntou a nós. Allison Lance e Alex Cornelissen mergulharam na Enseada, cortaram as redes e libertaram 15 golfinhos. Eles foram presos, e passaram quatro semanas na prisão, e foram libertados quando eu paguei a multa de 8.500 dólares.

O advogado de Tóquio que eu contratei para defendê-los ficou chocado quando soube o que estava acontecendo em Taiji, e me disse muito claramente, “Eu admiro a sua paixão, mas isso é algo que nenhum japonês nunca vai fazer”. Quando eu perguntei por que, ele respondeu: “É muito incomum desafiar o status quo aqui”. Brincando, eu disse, “Miyamoto Musahi fez”, referindo-se ao herói lendário samurai japonês do século 17. Ele sorriu e disse, “e é por isso que Musashi é um herói único”. E assim, Ric O’Barry vendo a dificuldade que a libertação dos golfinhos representaria, sentiu que o ativismo de libertação direta seria rapidamente sufocado, e seria restringido o acesso a Taiji completamente, e por isso adotou a estratégia de monitorar e documentar a matança. Ele, então, juntou-se a Louis Psihoyos, e juntos produziram o documentário vencedor do Oscar ,”The Cove”.

Este foi um filme produzido por ocidentais, mas não há dúvidas de que o governo japonês assistiu e tomou conhecimento quando foi indicado e ganhou o prêmio de melhor documentário. Com grande relutância, decidimos nos abster de novas libertações de golfinhos e seguir a estratégia de Ric. E acreditamos que é uma estratégia que pode funcionar, mas não vai funcionar durante a noite. É por isso que nós temos chamado de Operação Paciência Infinita. Assim, após o sucesso de The Cove, a Sea Shepherd retornou a Taiji para continuar a estratégia iniciada por Ric, para monitorar e documentar dentro dos limites restritos da lei japonesa.

Mas nós adicionamos algo que não tinha sido feito antes, e que era ter uma equipe em Taiji, dia após dia, continuamente observando e documentando todos os movimentos dos assassinos. Os Guardiões da Enseada são impopulares com os pescadores japoneses? Claro que são. Ficaríamos desapontados se não fôssemos. Esperamos que os pescadores e seus apoiadores nos demonizem. Nós não esperamos que os nossos aliados abracem essa demonização. Não vou citar nomes ou apontar qualquer grupo. Eu me recuso a permitir que os assassinos de golfinhos e os seus apoiadores levem a Sea Shepherd a ser divisível. Nós simplesmente não vamos fazer isso.

Gostaria de abordar uma crítica que recebo: ele não tem o direito de levar os Guardiões da Enseada, porque ele mesmo nunca foi a Taiji. Eu não sei por que essa crítica foi levada a público, mas o fato é que eu não sou e nunca fui um líder Guardião da Enseada. E a razão pela qual eu nunca fui a Taiji, é porque nunca fui autorizado a entrar em Taiji pelo governo japonês. A atual líder dos Guardiões da Enseada é Melissa Sehgal, e ela é perfeitamente qualificada. Ela é apaixonada, determinada, de cabeça fria, experiente e eficiente. Eu acho que é um pouco machista os críticos em Taiji ignorar ou negar a verdadeira liderança por uma mulher, batendo em alguém que acha que é o líder, porque ele é do sexo masculino. Eu não chamo a atenção para os Guardiões da Enseada em Taiji . Eu nunca fiz isso. Melissa Sehgal faz. Esta é a posição dos Guardiões da Enseada da Sea Shepherd:

1. Os Guardiões da Enseada não vão deixar Taiji até a matança terminar.
2. Os Guardiões da Enseada agirão focados no seu principal objetivo: fim do massacre de golfinhos.
3. Os Guardiões da Enseada irão cooperar com todas as outras organizações que se opõem ao abate, tanto estrangeiras como nacionais.
4. Se qualquer organização deseja distanciar-se dos Guardiões da Enseada, serão respeitados, sem comentários.
5. Os Guardiões da Enseada vão agir dentro dos limites da lei japonesa.
6. Os Guardiões da Enseada acolhem e incentivam a participação dos cidadãos japoneses.
7. E, o mais importante, os Guardiões da Enseada nunca vão abandonar as verdadeiras vítimas desse horror, os golfinhos inocentes e indefesos impiedosamente abatidos por um pequeno punhado de indivíduos que trazem vergonha para toda a nação japonesa.

Dolphin Project, Earth Island, Save Japan’s Dolphins, Surfer for Cetaceans e FLIPPER. Desejamos a todos estes grupos todo o sucesso, e agradecemos tudo o que fizeram e estão fazendo. A força de qualquer ecossistema encontra-se na diversidade e na interdependência. Estas são as leis da ecologia, e são as mesmas dos movimentos sociais. Diversidade e interdependência. Diversidade em táticas, estratégias, opiniões, perspectivas e imaginação. Devemos ser interdependentes para alcançar o sucesso, ou como o maior samurai lendário uma vez escreveu: “O caminho duplo da caneta e espada. Educação e confronto”.

Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil ministra palestra na PUCRS

Por Rodrigo Marques, Coordenador Regional voluntário do Núcleo RS do Instituto Sea Shepherd Brasil

No dia 06 de setembro, o Instituto Sea Shepherd Brasil ministrou a palestra “ISSB – Programa de Estudo e Conservação da Vida Marinha”, na Faculdade de Biociências da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. O evento teve apoio do Programa de Educação Tutorial (PET-Bio).

A palestra foi ministrada por Rodrigo Marques, Coordenador Regional do Núcleo RS, e contou com a participação dos voluntários, que contaram suas experiências e as suas motivações para se tornarem membros da Instituição. Os trabalhos foram iniciados com a apresentação Institucional da Sea Shepherd Conservation Society, mostrando suas campanhas ao redor do mundo e a criação do Instituto SeaShepherd Brasil (ISSB), bem como sua forma de atuação no país.

Foto: Daniel Kannenberg

Voluntária Juliana Motta Foto: Daniel Kannenberg

Dentre os temas abordados estavam as ações civis públicas contra a pesca predatória, molestamento de cetáceos, finning e derrames de petróleo, onde voluntários estiveram presentes auxiliando o Ministério Público e a Polícia Federal durante o processo de limpeza e recuperação da área afetada pelo óleo.

Com o inicio da temporada de captura de golfinhos, em Taiji, no Japão, no dia 1º de setembro de 2013, uma parte da palestra foi dedicada somente para explanar esta questão, e destacar a participação da indústria de parques aquáticos na matança promovida na enseada. Um vídeo sobre o assunto foi rodado, deixando os presentes chocados com tamanha brutalidade no tratamento de golfinhos e baleias piloto.

Foto: Daniel Kannenberg

Também foi abordada a campanha em defesa dos tubarões, realizada em Porto Alegre, através da colocação de um container simulando a apreensão de 3,4 toneladas de barbatanas, que foram provenientes da prática do finning, e o Projeto de Educação Ambiental que ocorreu em Torres (RS), durante o mês de janeiro.

Ainda sobre os tubarões, foi apresentada aos presentes a nova operação chamada “Operação Marco Zero”. Essa campanha foi lançada visando a preservação dos tubarões em Pernambuco, onde o ISSB irá recompensar fotos e vídeos que comprovem essa matança promovida por grupos da região servindo de provas para futuras ações civis públicas.

Foto: Daniel Kannenberg

A ação mais polêmica, a proibição do turismo de observação de baleias embarcado (TOBE), na APA da Baleia Franca, em Santa Catarina, no litoral sul, ficou para o final. Os motivos que levaram a criação desta ação, as evidências do molestamento das baleias, o risco do desligamento dos motores nas enseadas da região e o descumprimento da lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), entre outras irregularidades, foram expostas e debatidas. “Deixamos claro que não somos contrários ao turismo, queremos que seja cumprida a legislação vigente de proteção dos cetáceos e tenhamos a certeza que os animais tenham sua saúde garantida”, finalizou Rodrigo Marques.

Foto: Daniel Kannenberg

A importância dos Guardiões da Enseada estarem em Taiji

Comentário pelo Capitão Paul Watson

 

Nos últimos dias, algumas vozes têm pedido que os Guardiões da Enseada da Sea Shepherd se retirem da Enseada, em Taiji, no Japão. Esta pressão é causada por acharem que os japoneses devem abordar esta questão, e só os japoneses. Alguns até acusaram os Guardiões da Enseada de serem “valentões”.

Como prova disso, uma pessoa me mandou uma foto da Guardiã da Enseada, Elora West, alegando que ela “assediou moralmente” um pescador. Eu realmente tive que rir. Será que realmente querem nos fazer acreditar que uma estudante de 17 anos intimidaria um psicopata, serial killer, de golfinhos e o deixaria chorando, como uma espécie de vítima inocente?

Se isso for verdade, eu acho que precisamos de uma brigada de estudantes para enfrentá-los cara a cara. A verdade é que nenhum Guardião da Enseada jamais agrediu ou ameaçou um pescador. Os pescadores é que agrediram e ameaçaram os Guardiões da Enseada. E sim, algumas pessoas se opõem a nós, nos chamando de sociopatas.

A Sea Shepherd não é anti-japonesa. Estamos lutando contra a matança de golfinhos, e ao longo dos anos temos confrontado assassinos de golfinhos no Japão, nos EUA, na Costa Rica, na Venezuela, no Brasil e nas Ilhas Faroé. Nós não discriminamos quem opomos. Vemos o arpão, a faca, o rifle e a rede, não vemos a nacionalidade. Lutamos contra o Sea World, e temos levado assassinos de golfinhos para julgamento no Brasil.

Na verdade, a Sea Shepherd nem sequer reconhece a nacionalidades dessas pessoas. Vemos apenas terráqueos, e os terráqueos têm muitas espécies. Os Guardiões da Enseada da Sea Shepherd não são profissionais pagos. Eles são pessoas comuns, de todas as camadas sociais, de todo o planeta, incluindo o Japão, e eles vão para Taiji, por conta própria, porque eles são levados a fazer isso, por compaixão. E por amor. Algumas pessoas querem nos fazer crer que a compaixão é o crime, e que os assassinos são as vítimas. Eu aprecio que o Dolphin Project queira um envolvimento mais japonês. A Sea Shepherd Conservation Society quer a mesma coisa.

Uma das críticas é que a Sea Shepherd é uma organização “ocidental”, e não tem o direito de intervir. Em primeiro lugar, a Sea Shepherd não é uma organização ocidental, é uma organização global, com entidades ativas independentes, registradas em países de todos os continentes. Estamos na China, Cingapura, Índia, África do Sul, África Ocidental, em toda a Europa e na América do Norte, Sul e Central. Atuamos desde a Antártida até o Ártico, e os pontos entre eles.

Em segundo lugar, os golfinhos não pertencem ao povo japonês . Eles não pertencem a qualquer grupo de pessoas. Eles fazem parte da Nação dos Cetáceos. Eles pertencem a eles, e eles têm o direito de existir, independente da humanidade, têm o direito de existir sem serem molestados por qualquer comunidade humana. De acordo com a Carta Mundial das Nações Unidas para a Natureza, todas as pessoas têm a responsabilidade de defender a lei de conservação internacional e defender a natureza. Em terceiro lugar, uma presença organizada e liderada pelos japoneses em Taiji ainda não existe. Os únicos grupos, que criticam nossa abordagem “ocidental”, são outras organizações “ocidentais”.

Em quarto lugar, antes do envolvimento da Sea Shepherd, a matança de golfinhos em Taiji era praticamente desconhecida no mundo, e especialmente no Japão. Isso certamente não é mais o caso. Finalmente, toda a mudança política ambiental, na história japonesa, surgiu por causa de gaiatsu, que significa “pressão estrangeira”. O Japão parou de usar redes de emalhar porque nós expusemos o abuso de redes de deriva, e esta pressão externa os convenceu a desistir de continuar a usá-las.

Ainda não existe um movimento bem-sucedido no Japão para enfrentar o desastre de Fukashima, ainda que fomos informados de que isso também só pode ser tratado por oposição interna, apesar do fato de que isso está afetando a saúde e o futuro do resto do mundo. O programa Guardiões da Enseada foi criado para fazer algo, que ninguém nunca tinha feito antes. Para estar em Taiji, dia após dia, seis meses por ano, para testemunhar, documentar e enfrentar os crimes contra a natureza. E a matança dos golfinhos, em Taiji, é um crime terrível contra a natureza. Nós equiparamos a morte de um golfinho com um assassinato. Este é um ser altamente inteligente, socialmente complexo, extremamente sensível, com uma capacidade de comunicação sofisticada e habilidades cognitivas reconhecidas. Eles têm cérebros maiores e mais complexos do que o nosso.

O abate de um golfinho é um assassinato. Estes são seres autoconscientes que nunca prejudicaram os seres humanas e de fato, muitas vidas humanas foram salvas por golfinhos, fato documentado. São seres que têm habilidades linguísticas sofisticadas, altamente sensíveis, e podem sofrer tanto física como emocionalmente. As pessoas que não foram para Taiji ou não viram a matança de golfinhos não têm ideia de como isso é traumático, como emocionalmente é desgastante testemunhar e documentar tal horror. Sim, é fácil julgar quando você não ouve os gritos, ou vê e sente o cheiro do sangue. Os Guardiões da Enseada precisam de apoio, não de condenação. A Sea Shepherd tem membros japoneses, temos tripulantes japoneses, e eles são excepcionalmente corajosos, porque se você levantar a sua voz como um cidadão japonês, no Japão, você literalmente será perseguido, sua família será perseguida. O que a Sea Shepherd e os Guardiões da Enseada têm realizado?

Em 2003, expomos essa atrocidade para o mundo, levando o vídeo para a CNN e as fotos para as primeiras páginas dos jornais em todo o mundo. Naquele mesmo ano, cortamos as redes e libertamos 15 golfinhos, que morreriam na manhã seguinte. Ric O’Barry, que era um membro da nossa equipe de 2003, em Taiji, deixou o Conselho Consultivo da Sea Shepherd e voltou para Taiji por conta própria, porque ele disse que cortar as redes e libertar os golfinhos era ilegal, e não era o caminho a ser seguido. Ele estava certo, nossa equipe foi presa e multada, e embora nós achamos que a vida de 15 golfinhos valeu este custo, sabíamos que não podíamos continuar a libertar os golfinhos porque não era prático fazer isso.

A organização Blackfish tentou libertar golfinhos alguns anos atrás, mas não conseguiu fazê-lo, com a infeliz consequência de que a segurança aumentou muito em Taiji. Taiji, por estar no Japão e ser fortemente policiada, nos proporciona desafios únicos, e a única estratégia que vimos que tinha uma possibilidade de sucesso foi o programa Guardião da Enseada. Assim, lançamos a Operação Paciência Infinita. Sabíamos que não venceríamos durante a noite.

Os Guardiões da Enseada, levaram em conta o parecer de Ric O’Barry, que tomou a decisão de respeitar a lei japonesa e realizar uma intervenção legal não-violenta. A Sea Shepherd participou da elaboração do documentário The Cove, vencedor do Oscar, que despertou a atenção do mundo para a matança de golfinhos, de forma única. No filme, sou entrevistado, e nossa equipe é mostrada libertando os golfinhos.

E a última razão que faz com que seja importante os Guardiões da Enseada estarem em Taiji é significativa: os números de mortes anuais foram reduzidos, desde que o programa Guardião da Enseada foi iniciado. Por quê? Por causa de todas as medidas que os pescadores devem tomar para se manter longe das câmeras. Os custos também aumentaram, especialmente os custos de policiamento.

Os Guardiões da Enseada também acompanham e controlam a remoção e o transporte dos golfinhos para o cativeiro. Cada ação está documentada. Remova os Guardiões da Enseada, e Taiji ficará longe dos olhos do mundo. Os Guardiões da Enseada estão lá por conta própria, bancando seus custos, para ter certeza de que os olhos do mundo nunca deixem a Enseada.

E os Guardiões da Enseada compartilharam a tragédia com os cidadãos japoneses. A equipe Guardiões da Enseada, sob a liderança de Scott West, estava investigando a matança de golfinhos quando veio o tsunami. Ele e sua equipe escaparam com vida, e trabalharam para salvar as vidas dos cidadãos japoneses. Eles, mais do que qualquer pessoa não-japonesa, compreenderam a tragédia que atingiu o Japão. Por mais de 24 horas pensamos que os tínhamos perdido naquele dilúvio horrível. Um crítico em Taiji repreendeu um dos Guardiões da Enseada no outro dia, dizendo: “Por que você está tirando fotos, para conseguir dinheiro”? Afirmação injusta e insensível. Ele estava lá por conta própria, dedicando seu tempo e energia. A pessoa que fez a crítica estava lá apenas por alguns dias, e ainda não tinha visto um único golfinho morto. Ele não tinha ideia de que a dor emocional dos Guardiões da Enseada perduram por muitos dias.

A Sea Shepherd não envia e-mails em massa com fotos sangrentas, pedindo dinheiro, nem usamos nossos fundos arrecadados em anúncios ou comerciais. Nós não somos esse tipo de organização. Somos uma organização relativamente pequena, mas o mais importante é que não gastamos grandes quantias de dinheiro em promoção e recrutamento de associados. Temos crescido lentamente ao longo dos anos, de boca em boca, através de visitas aos nossos navios, atendendo pessoas em campanhas, ou através de pessoas que nos assistem em Whale Wars – Defensores de Baleias, ou na mídia. É por isso que temos uma alta classificação com a Charity Navigator, a agência que monitora organizações de caridade.

A Sea Shepherd está disposta a trabalhar com todas organizações que trabalham para impedir a matança de golfinhos e apoiamos os esforços do Project Dolphin, Save Japan’s Dolphins e Surfer’s for Cetaceans. É lamentável que as grandes organizações não estejam envolvidas.

E a Sea Shepherd tem o maior apreço pelo Project Dolphin e o trabalho de Ric O’Barry. Conheço Ric pessoalmente, desde 1976, quando ele esteve no Japão com meus amigos David Garrick e Taeko Miwa. Tenho participado de conferências e reuniões com ele. Nós tivemos nossas desavenças, mas aquelas discordância não foram amargas. Desentendimentos sobre táticas e estratégias, simplesmente isso, e nunca foi pessoal ou antagônico. Ric é um amigo e um aliado, e ele é um homem muito compassivo.

Eu acho que se uma organização organizada e liderada por japoneses estivesse envolvida, os Guardiões da Enseada poderiam retirar-se, mas as chances de tal organização ser formada são muito pequenas, devido à pressão política e social intensa que os participantes japoneses teriam de suportar. A liderança dos Guardiões da Enseada tem sido realizada por mulheres. Acho que é difícil acreditar que pescadores japoneses realmente se sintam intimidados. Parece que eles simplesmente querem ser vistos como vítimas, em um esforço para persuadir a simpatia do público.

Quando um crítico me disse que alguns japoneses achavam ofensivo ter que lidar com uma mulher, em tais situações de confronto, eu achei difícil de acreditar. Estamos no século 21, e não se justifica mais o sexismo ou o racismo. Falando com muitos cidadãos japoneses eu descobri que, assim como as pessoas em todos os lugares, eles geralmente são contrários a esta brutalidade. Cidadãos japoneses são tão eticamente compassivos como qualquer outro grupo. Um dos problemas, porém é que a mídia japonesa não informa sobre estas questões, e há obstáculos culturais profundamente arraigados ao questionamento da autoridade no Japão, como muitos cidadãos japoneses me disseram.

Estamos abertos a ideias alternativas, e se uma opção viável é apresentada, vamos adaptar às mudanças que poderiam ser mais bem sucedidas. Por agora, não vejo outra ação a não ser os Guardiões da Enseada manterem o curso e manterem a pressão, para lembrar os pescadores que promovem a matança de golfinhos que os olhos do mundo permanecerá sobre eles, e que nunca mais vão torturar e abater golfinhos nas sombras.

Lembre-se que os Guardiões da Enseada estão em Taiji, e agora eles vão estar lá todos os dias, durante seis meses, até março, e todas as manhãs farão que os assassinos de golfinhos saibam que estão sendo observados. As câmeras dos Guardiões da Enseada irão capturar o horror da matança, os microfones dos Guardiões da Enseada irão capturar os gritos dos golfinhos, os Guardiões da Enseada irão transmitir ao vivo este crime contra a natureza, a humanidade e o futuro de todo o mundo.

Uma indicação de que as ações dos Guardiões da Enseada estão tendo mais impacto é que a polícia está cada vez mais hostil, e este ano eles estão mais hostis do que nunca. Eles estão frustrados que os Guardiões da Enseada não estão quebrando as leis e dando-lhes uma desculpa para removê-los, e os custos de policiamento aumentam a cada ano. Ontem um dos policiais colocou a mão na frente do rosto de um dos Guardiões da Enseada e a resposta foi “Por que está fazendo isso? Nós não fizemos nada parecido com você”.

Este é o desafio dos Guardiões da Enseada: manter os olhos e ouvidos do mundo focados em um dos massacres mais violentos e brutais de mamíferos marinhos do planeta. A cada dia mais pessoas se conscientizam, o movimento internacional para acabar com este horror está mais forte, e essa força se traduz em pressão, tanto interna quanto externa. Não é suficiente testemunhar e documentar a matança, é importante que os pescadores de Taiji e os políticos em Tóquio saibam que estão sendo observados e documentados.

Com paciência vamos resistir, e com coragem e esperança a nossa paixão vai atingir o seu objetivo: que as águas vermelhas, agora sangrentas da Enseada, sejam azuis, todos os dias. Queremos que os gritos dos golfinhos mortos cessem, tanto no Japão quanto ao redor do mundo.

 

Os Guardiões da Enseada e a política “gaiatsu” da Sea Shepherd

Comentário pelo Fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson

The Cove. Foto: Brooke MacDonald (2003)

Os Guardiões da Enseada são homens e mulheres apaixonadamente compassivos, que vêm de todo o mundo, incluindo  o Japão. Eles vêm por conta própria. Estão na enseada antes do sol nascer, e lá continuam após o sol se por. Há Guardiões da Enseada em Taiji todos os dias, entre 1º de setembro e 1º de março de cada ano. Durante seis meses, a cada ano, testemunham um dos massacres mais implacáveis ​​e brutais de mamíferos marinhos do planeta.

Eles estão armados com a arma mais poderosa no mundo: a câmera.

No entanto, é um exercício emocionalmente desgastante a defesa diária de golfinhos.

Os Guardiões da Enseada agem de forma não violenta, dentro dos limites da praticidade e legislação japonesa .

Eles estão lá para lembrar o governo do Japão e os pescadores de Taiji que o mundo está assistindo todos os dias, e continuará a fazê-lo até que o abate obsceno termine.

A Sea Shepherd expôs pela primeira vez este massacre brutal dez anos atrás. Nossas fotos e vídeos deram a volta ao mundo, em outubro de 2003. Foi quando a campanha começou.

Estávamos envolvidos muitos anos antes neste trabalho, para colocar um fim, com êxito, na matança de golfinhos na ilha de Iki, no Japão. Defendemos os golfinhos no Japão desde 1979.

Ric O’Barry era um membro da tripulação da Sea Shepherd em 2003, e membro do Conselho Consultivo da Sea Shepherd. Esse foi o mesmo ano em que dois membros da tripulação da Sea Shepherd cortaram as redes e libertaram 15 golfinhos da Enseada. A libertação dos 15 golfinhos valeu a pena pelo mês de prisão passado por Alex Cornelissen, da Holanda, e Allison Lance, dos Estados Unidos.

Ric discordou do ato de cortar as redes e voltou por conta própria depois disso, porque ele estava preocupado em ser conectado à Sea Shepherd. Ele sentiu que isso tornaria mais difícil sua entrada em Taiji. Isso foi compreensível, e seus esforços foram recompensados ​​com o lançamento do documentário vencedor do Oscar  The Cove, dirigido por Louis Psihoyos.

A Sea Shepherd sempre aplaudiu Ric O’Barry e o Dolphin Project. Os golfinhos de Taiji precisam da ajuda de todos que possam contribuir para acabar com esse massacre impiedoso e sangrento.

A Sea Shepherd decidiu reorganizar, em 2010, os Guardiões da Enseada, para trazer pessoas de todo o mundo para Taiji.

Os Guardiões da Enseada da Sea Shepherd, os Save The Dolphin Japan, Surfers for Cetaceans e o Dolphin Project sempre estiveram unidos pelo objetivo comum de acabar com esta matança. Temos abordagens diferentes, mas temos o mesmo objetivo.

A Sea Shepherd fez um acordo com o Dolphin Project de não boicotar os produtos japoneses, de modo a não alienar o público japonês. A Sea Shepherd partilha com o Dolphin Project a idéia de que a nossa oposição deve ser legal e não violenta .

O que os Guardiões da Enseada estão fazendo em Taiji nunca foi feito antes. Nunca antes os voluntários viajaram por conta própria para participar de uma longa vigília de seis meses, ano após ano.

Admiro e respeito todos que estão envolvidos com a oposição ao massacre em Taiji. Mas a minha admiração pelos voluntários que participam do programa Guardião da Enseada é imensa. Estes homens e mulheres são pessoas comuns, motivadas por um profundo sentimento de compaixão e amor pela natureza e animais. Eles não ganham nada para si mesmos, e sofrem o trauma emocional de testemunhar as atrocidades contra estas criaturas delicadas .

Para os críticos, que dizem que devemos esperar o povo japonês agir, só posso dizer que nos congratulamos com a participação dos cidadãos japoneses, e muitos já participaram, mas o preço que pagam é ter suas famílias perseguidas pela polícia japonesa.

Como um canadense, eu sei que não foi o povo canadense que levou à queda econômica da caça de focas. Foi a pressão externa ao Canadá.

Os governos tendem a prestar mais atenção à pressão externa do que à pressão interna.

Isto é especialmente verdadeiro no Japão.

No Japão, isso é chamado de “gaiatsu”, que significa pressão externa, e que tem sido comprovada pelo trabalho.

Cada mudança na política ambiental iniciada no Japão surgiu por causa da pressão externa. Na organização do programa Guardião da Enseada estudei um artigo escrito por Isao Miyaoka, do Instituto Japonês de Ciências Sociais, intitulado “Pressões estrangeiras e o processo de decisão da política japonesa”.

Essa pressão pode vir de governos ou grupos não governamentais, e pode ser dirigida para o governo japonês, as empresas japonesas ou o público japonês.

” Na década de 1980 e início de 1990, o Japão foi alvo de severas críticas internacionais na área das questões ambientais globais. Em 1992 , em conseqüência disso, o Japão mudou suas políticas de esgotamento de ozônio, tipo de pesca, e as importações de marfim de elefante Africano”. Isao Miyaoka

A Sea Shepherd esteve muito envolvida na pressão ao Japão sobre a pesca de arrasto, de 1987 até 1992, quando as redes de espera foram finalmente proibidas.

O que funciona melhor é uma estratégia combinada de pressão externa e interna, mas de acordo com Miyaoka, o Japão é um Estado reativo quando se trata de questões ambientais. Não houve nenhum caso de uma mudança na política ambiental que iniciou com pressão interna sozinha.

Uma diferença entre a abordagem do Dolphin Project e dos Guardiões da Enseada da Sea Shepherd é que o Dolphin Project favorece a intervenção exclusivamente doméstica, apesar do fato de que o Dolphin Project é liderado por estrangeiros.

A Sea Shepherd favorece a abordagem “gaiatsu”, na medida em que é a pressão externa que vai acabar com a matança de golfinhos.

O Dolphin Project e a Sea Shepherd têm participado em manifestações diante das embaixadas e consulados japoneses.

O Dolphin Project quer mais envolvimento japonês na oposição à matança dos golfinhos. A Sea Shepherd quer isso também, e não se opõe ao envolvimento japonês, na verdade a Sea Shepherd encoraja isso, e cidadãos japoneses estão envolvidos em atividades da Sea Shepherd, tanto em oposição à matança de golfinhos quanto à caça comercial ilegal no Oceano Antártico.

O programa Guardião da Enseada pode trabalhar em cooperação com o Dolphin Project, e a Sea Shepherd gostaria muito de ver esta cooperação contínua. Nós não vemos isso como um conflito, vemos isso como uma oportunidade para unir tanto a pressão interna quanto a pressão externa, para acabar com a matança dos golfinhos.

Os golfinhos também não são de propriedade dos japoneses, e cada pessoa no planeta tem o direito e o dever de falar em seu nome. Compaixão não tem uma raça ou uma cultura. Bondade não tem uma nacionalidade.

Se os Guardiões da Enseada e a Sea Shepherd se retirarem, a matança vai continuar, longe dos olhos e da consciência mundiais. Isso seria um benefício para os pescadores e para o governo do Japão. Não iria beneficiar os golfinhos.

A oposição à matança de golfinhos deve ter a união tanto de influências estrangeiras quanto do envolvimento interno. Os Guardiões da Enseada estão em Taiji para ficar e, embora o Dolphin Project queira que nos retiremos, não podemos e não vamos fazer isso.

É nossa intenção trabalhar em conjunto e apoiar os esforços de todos os grupos que se opõem à matança de golfinhos, e é minha convicção de que, se quisermos ter sucesso, devemos ter uma confederação de compaixão, e devemos sempre pensar em primeiro lugar, e acima de tudo, no bem-estar e na sobrevivência dos golfinhos.

Pressão externa e o processo de decisão política japonesa. Por Isao Miyaoka, do Instituto Japonês de Ciências Sociais (em inglês).

Japan Dolphins Day 2013 em defesa dos golfinhos de Taiji é realizado no Rio de Janeiro

Por Bianca Lima, Coordenadora voluntária de Educação Ambiental do Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo Rio de Janeiro

Dia 01 de setembro, o Núcleo Carioca do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) organizou um ato pacífico na Praia de Copacabana, Posto 4, no Rio de Janeiro, contra o início da matança de golfinhos e baleias-piloto, que ocorre todos os anos na cidade de Taiji, no Japão, e tem uma estreita ligação com a indústria de cativeiro nos parques marinhos. O ato fez parte do Japan Dolphins Day 2013, evento mundial que ocorreu em mais de 120 cidades ao redor do mundo.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

Empunhando cartazes com frases contra a atividade de caça, fotos que mostravam aos transeuntes a crueldade ocorrente em Taiji e utilizando um golfinho inflável pintado com tinta vermelha, simbolizando sangue, o ato buscou conscientizar as pessoas para que não visitem parques marinhos onde são realizados shows com golfinhos.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

Aos interessados, foram entregues panfletos informativos sobre o trabalho realizado pelos Cove Guardians (Guardiões da Enseada) da Sea Shepherd na cidade de Taiji, voluntários que passam os seis meses da temporada de caça documentando e transmitindo ao vivo, por meio de um canal da organização, o cruel massacre de golfinhos. Os voluntários elaboraram um abaixo-assinado pedindo a cota zero para caça e captura de golfinhos e baleias-piloto.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

O evento chamou a atenção das pessoas que circulavam na orla da Praia da Copacabana, e foram coletadas 140 assinaturas no abaixo-assinado. Temos a certeza que estas 140 pessoas, que tomaram conhecimento deste abate anual de golfinhos no Japão, poderão refletir sobre o assunto e difundir a mensagem para outras pessoas, pois é necessária a conscientização e a educação ambiental para que um dia esta matança tenha um fim. Agradecemos a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para este dia de ação em prol da vida marinha.

Foto: Raphael Jordão/ ISSB

Fotos: Raphael Jordão/ ISSB

Foto: Raphael Jordão/ ISSB