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Não há lugar sagrado enquanto a Woodside se prepara para destruir uma cultura antiga a favor do gás, em Kimberley

Atualização sobre a Operação Kimberley Miinimbi 

Jeff Hansen, Bob Brown e Lorna Cox

Enquanto a frota da Sea Shepherd aguarda os caçadores de baleias no Oceano Antártico, a Woodside se prepara para atacar a cultura mais antiga do nosso planeta e seu maior berçário de baleias jubarte.

O premiê liberal da Austrália Ocidental, Colin Barnett, deu à Woodside Petroleum o sinal verde para perfurar e revirar a área de dunas de areia imediatamente a sul do Walmadan (James Price Point), a cerca de 60 quilômetros ao norte de Broome na costa de Kimberley. Barnett está ativamente bloqueando a alternativa sensata de alocar a fábrica de gás imensa, proposta pela Woodside, fora da costa. O porta-voz e chefe Goolarabooloo, Phillip Roe, diz que ele e o chefe sênior Joseph Roe não tinham recebido um aviso prévio sobre a decisão, mas que ficaram sabendo dela pelos meios de comunicação. “Por que temos de ouvir no rádio que a Woodside teve permissão concedida para destruir nosso país, nossas leis e nossa cultura? Não está certo. Os indícios de nossos antepassados e de nós mesmos sobre este país são claros e acabaram de ser ignorados”, disse Roe.

O líder das operações Tolerância Zero e Kimberley Miinimbi, Bob Brown, declarou: “Eu fui para as dunas de areia em questão várias vezes com os membros da comunidade aborígine Goolarabooloo, os quais não só se opõem à opção em terra, mas também estão comprometidos a se opor fisicamente lá. Eles estão certos em sua oposição. Essa costa não está viva apenas com suas Songlines (história oral e conexão permanente com o país), mas também está repleta de sítios aborígenes, tais como sambaquis, locais de produção de ferramentas e cemitérios. Alguns serão afetados pelas obras exploratórias propostas e eliminados se a fábrica e seu porto com quebra-mar forem construídos”.
Em 2011, a Woodside escreveu para o governo da Austrália Ocidental pedindo para que esse retirasse os pareceres sobre a possível existência de importantes sítios aborígenes em áreas afetadas pela sua proposta. Qualquer dano aos locais que integram um importante ciclo aborígene de canções poderia responsabilizar seus diretores num processo criminal nos termos da lei estatal que protege a herança aborígene. Um porta-voz do governo confirmou que Barnett sucumbiu aos desejos da Woodside e retirou os pareceres.

O Supremo Tribunal anulou a segunda tentativa do governo de conseguir uma aquisição compulsória do local e há um desafio para o acordo de compensação de 1,5 bilhão de dólares negociado com o Conselho de Terras de Kimberley.

A ação alega que o governo facilitou um abuso processual do tribunal federal em suas negociações sobre James Price Point em que ele não notificou o tribunal nativo. Obras vêm acontecendo no local sem as devidas aprovações! Se você entrar no seu carro sem licença para dirigir e for parado, você será multado: você não pode obter uma licença após o fato. Então, por que a Woodside está prestes a continuar seu trabalho destrutivo quando há dúvidas sobre o futuro do projeto?

“As mesmas baleias jubartes que eram alvo da frota baleeira japonesa, neste ano, enfrentam uma nova ameaça na forma de uma enorme fábrica de gás na costa de um lugar chamado James Price Point ao norte de Broome, na Austrália Ocidental. A Woodside Petroleum e o governo de Barnett estão liderando o esforço para construir a maior fábrica de gás do mundo bem no meio do maior berçário mundial de baleias jubartes. Se não protegermos o berçário, as baleias não terão lugar para retornar, para dar à luz, para cuidar de seus filhotes”, disse Jeff Hansen, diretor australiano da Sea Shepherd.

Ao lado da população de jubartes da Austrália Ocidental que remonta a milhões de anos está uma cultura viva indígena que remonta a mais de 40 mil anos.

“Se alguém quisesse chegar e arrasar o túmulo dos seus pais, dos seus avós, você faria tudo em seu poder para detê-lo! Isso mostra claramente que Woodside não respeita lugares sagrados e irá justificar qualquer destruição da cultura para manter os titulares de suas ações felizes”, disse o músico John Butler.

A “banal” costa de Kimberly

Há uma saída para as baleias, para os Goolarabooloo e para os acionistas, mas para que isso aconteça, o governo precisa parar de bloquear a alternativa de instalação da fábrica fora da costa.

A Shell tem a tecnologia de gás natural liquefeito flutuante, e é a Shell que pode ser a heroína em tudo isso. O único que está no caminho de uma vitória para todos é o premiê Colin Barnett.

É hora de o premiê fazer o que é certo para o povo de Kimberley, para o povo de Broome, para o povo da Austrália, para as grandes baleias e para os nossos filhos, e permitir que a solução mais sensata, sustentável e economicamente viável possa ser colocada em prática.

O estimado empresário Geoffrey Cousins afirmou, a bordo do Steve Irwin no ano passado: “Bem, eu amo áreas selvagens, eu acho que há muito poucas restantes no mundo e esses são os recursos que estão desaparecendo. O petróleo, o gás, eles podem durar 40 ou 50 anos e o valor deles fica por aí. Já as áreas selvagens se tornam cada vez mais valiosas, pois há menos delas, e os governos não verem isso demonstra uma incrível visão curta”.

“Eu diria para Michael Chaney e para o conselho da Woodside: saiam desse buraco antes que seja tarde demais. Esse projeto está conseguindo mais e mais oposição. A intervenção da Sea Shepherd é apenas mais um exemplo poderoso disso. Saia do bunker, tire as vendas, abra os olhos e encare as alternativas, você pode tomar a iniciativa, você não tem que esperar o governo, é de sua responsabilidade não destruir este lugar maravilhoso”.

A bordo do Steve Irwin, o Capitão Paul Watson declarou: “Há milhares de anos atrás, quando os primeiros povos da Austrália se estabeleceram na praia, eles ouviram a melodia das baleias jubartes. Eles ouviram esse canto e entenderam as leis ecológicas naturais da diversidade e da interdependência. Colin Barnett precisa entender que os verdadeiros tesouros do país se encontram em suas pessoas, suas baleias, sua fauna, seus rios, suas florestas e seus desertos”.

“Como os católicos reagiriam se um trator parasse diante das portas da Basílica de São Pedro? Como os muçulmanos reagiriam se a Pedra Negra estivesse prestes a ser lançada num triturador? Como os judeus reagiriam se o Muro das Lamentações fosse programado para ser demolido? Eles reagiriam da mesma forma que os primeiros australianos estão reagindo agora, com raiva e indignação. Este é um local sagrado e não deve ser tocado por qualquer motivo, assim como nós não exploramos petróleo em Meca, despejamos resíduos nucleares no Vaticano ou despedaçamos o Muro das Lamentações para termos cascalho. Eu tenho apenas uma mensagem simples para Colin Burnett: “Tenha um pouco de respeito pelos mais velhos, cara! Tenha um pouco de respeito pelo país!”, disse o Capitão Watson.

Phillip Roe apontou os túmulos de seus antepassados e disse que ele morreria antes de desistir da luta por sua terra e sua flora e fauna.

A Sea Shepherd está convocando todos os australianos, que acreditam na sacralidade de todos os locais de sepultura e na importância da cultura e que querem baleias em nossos oceanos para as futuras gerações, para unirem-se e permanecerem juntos em solidariedade aos Goolarabooloo enquanto eles defendem aquilo que todos nós consideramos sagrado e que a Woodside e o governo planejam destruir.

Como você pode ajudar:

1. Por favor, assine e compartilhe esta petição poderosa da Goolarabooloo Theresa Roe: “Nossos ancestrais estão enterrados nessas dunas. Ninguém permitiria que um cemitério de pessoas brancas fosse escavado, então por que aqui isso pode ser feito?”. Assine aqui: http://www.change.org/en-AU/petitions/tony-burke-protect-sacred-aboriginal-burial-grounds-in-the-kimberley-4

2. Se você quer saber que está ajudando diretamente os esforços populares e quer ajudar a patrocinar comida, combustível ou outros itens básicos para o acampamento em Walmadan / James Price Point, você pode comprar cartões de vale-presente e enviá-los por correio diretamente para o Acampamento Walmadan, c / – PO BOX 7308, Broome, WA, 6725.

3. Tweets sugeridos:
· Diga a @Tony_Burke para desenhar uma #lineinthesand e impedir que a #Woodside destrua os #aboriginalburialgrounds em #Kimberley chn.ge/UJeO2U
· Ninguém permitiria que um cemitério de pessoas brancas fosse escavado, então por que aqui isso pode ser feito? Assine a petição para impedir a destruição da #aboriginalculture chn.ge/UJeO2U

4. Tony Burke, ministro do Meio Ambiente da Austrália, tem o poder de parar esse processo. Diga-lhe que você se opõe à destruição dos locais de sepultamento, de cultura e de viveiros de baleias. Contate-o em:
Endereço: Parliament Office, PO Box 6022, 
House of Representatives, 
Parliament House, 
Canberra ACT 2600
Email: Tony.Burke.MP@aph.gov.au

Artigo do Times, "’Exército’ de Broome pronto para a guerra contra o gás", 20 de janeiro de 2013

Traduzido por Maiza Garcia, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

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