Preparativos para a Operação Vento Divino em andamento

A Sea Shepherd voltará ao Oceano Antártico para defender as grandes baleias dos arpões dos caçadores japoneses

Foto: Adam Lau

Foto: Adam Lau

Joji Morishita, delegado comissário do Japão para a Comissão Internacional da Baleia (CIB) declarou oficialmente que a frota baleeira japonesa pretende retornar ao Oceano Austral em dezembro deste ano, para continuar as suas operações baleeiras ilegais. Embora esta decisão não faça sentido econômica ou politicamente, está se tornando cada vez mais óbvio que os delegados baleeiros japoneses deixaram a lógica e a razão na poeira na sua corrida maluca para condenar a Sea Shepherd Conservation Society e provar que eles não vão se render à pressão exercida em suas operações de caça pela marinha conservacionista.

Apesar de estar maciçamente em dívida, com um mercado por carne de baleia desaparecendo, um julgamento provocado pela Austrália, a condenação internacional, e a perda e o sofrimento dos cidadãos japoneses por causa do tsunami, do terremoto, e da radiação, o governo japonês parece ter a intenção de desviar recursos financeiros para subsidiar o retorno dos seus baleeiros até a costa da Antártida, simplesmente porque “eles não vão dar razão à Sea Shepherd”. Parece que o orgulho e ‘salvar a cara’ são agora as únicas razões para o seu regresso.

A grande superpotência econômica do Japão foi constrangida por uma organização não-governamental de pequeno porte, resultando em uma vingança para destruir a Sea Shepherd, pedindo que as outras nações neguem o registro das bandeiras aos nossos navios, fechem os nossos escritórios, aproveitem os nossos navios, e prenda nossas tripulações. Todo esse esforço, apesar da Sea Shepherd nunca ser acusada de um único crime, ou de ter causado um único ferimento grave.

Concomitante com este anúncio, a Sea Shepherd começou oficialmente os preparativos para Operação Vento Divino, a oitava campanha de defesa das baleias no Santuário de Baleias da Antártica e, portanto, também uma quinta temporada documentará os nossos esforços no Animal Planet, da série televisiva de sucesso, Whale Wars (Defensores de Baleias, no Brasil).

Em uma entrevista com a BBC, Morishita disse que encontrar uma maneira de lidar com os navios da Sea Shepherd é o principal obstáculo que o Japão vê para continuar com as próximas temporadas. “Estamos agora discutindo como podemos enviar a nossa frota de volta para o Oceano Antártico”, disse Morishita, delegado comissário do Japão na Comissão Internacional da Baleia e um alto funcionário da Agência de Pesca japonesa. “Em resumo, o ataque da organização Sea Shepherd é o que temos que considerar como evitar que aconteça novamente. O ataque do ano passado se tornou tão grave que não tínhamos qualquer escolha para tentar impedir que acontecesse”.

Em 12 de julho, a BBC informou que “…a cada ano, a Sea Shepherd envia frotas maiores e navios mais rápidos, enquanto o Japão tem diminuído suas forças; na temporada passada, pela primeira vez, os ativistas conquistaram a supremacia. Ao invés de capturar 850 e tantas baleias – a meta oficial – o número ficou em cerca de 170. Não está claro como o Japão pretende proteger sua frota em qualquer expedição futura – não é apenas uma questão de envio de patrulhas militares, disse o Sr. Morishita, mas é também um campo minado legal. Outra questão é a financeira. O orçamento nacional do Japão estava com problemas mesmo antes do impacto do recente terremoto e tsunami, e com as vendas de carne de baleia em queda, o custo da caça está aumentando. Mas o Sr. Morishita sugeriu que todas estas questões seriam mais fáceis de superar do que a oposição da Sea Shepherd”.

Depois de intervir contra a matança ilegal de baleias-piloto nas Ilhas Faroé, na Dinamarca, neste verão, os navios da Sea Shepherd Steve Irwin e Brigitte Bardot vão se dirigir para o sul, para se juntar ao Bob Barker, que agora está pronto para partir da Austrália. A Sea Shepherd também está procurando garantir um quarto navio em sua frota, e está convidando outras organizações para participar da campanha, para intervir nas operações ilegais do Japão de caça às baleias.

“O Japão quer empurrar isso por mais um ano. Vamos retornar ao Oceano Antártico e demonstrar que a nossa vontade e determinação para salvar as baleias continua mais forte do que a luxúria gananciosa dos baleeiros por abate ilegal”, disse o Capitão Paul Watson. “Temos investido sete anos nesta campanha e um total de 24 meses no mar na Antártida em busca de nosso objetivo de afundar a frota baleeira japonesa economicamente. Temos a intenção de tornar impossível para esses caçadores matar baleias no Santuário de Baleias do Oceano Antártico”.

A temporada de caça às baleias está prevista para começar no Oceano Antártico, em meados de dezembro deste ano.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Japão usa Sea Shepherd para desviar acusações de corrupção na reunião da CIB

Apoiadores Sea Shepherd cumprimentam um membro da CBI. Foto: Dan Marsh

Apoiadores Sea Shepherd cumprimentam um membro da CIB. Foto: Dan Marsh

Como no ano passado, a delegação japonesa tentou chamar a atenção das delegações da Comissão Internacional da Baleia (CIB) com uma apresentação em PowerPoint intitulada “segurança no mar”. Claro, o Japão deve estar muito preocupado com a segurança no mar, considerando que durante o tempo que suas frotas ilegais têm operado no Oceano Antártico, sofreram três mortes, numerosos feridos, um derramamento de óleo, e dois incêndios catastróficos. No entanto, esta mostra se concentra exclusivamente em uma apresentação de PowerPoint cujo conteúdo são vídeos da série de televisão da Sea Shepherd, bem como vídeos de suas próprias câmeras, sobre as intervenções da Sea Shepherd contra suas operações baleeiras ilegais. O show se completa com uma trilha sonora de declarações, incluindo, “Mayday, Godzilla está nos atacando, Godzilla está nos atacando”.

Há uma abundância de paintball, bomba de fedor, e o drama dos canhões d’água, mas no final do dia, permanece o fato de que a Sea Shepherd não feriu um único baleeiro, como evidenciado pelo conteúdo do seu próprio vídeo. O que Sea Shepherd fez foi mandar para casa toda a frota baleeira japonesa com o rabo entre as pernas, e fizemos isso um mês e meio mais cedo, com os baleeiros tendo atingido apenas 17% de sua cota de matança auto-imposta.

Outras delegações da CIB, nomeadamente os Estados Unidos, Holanda, Austrália e Nova Zelândia, continuam a dizer ao Japão que a Comissão Internacional da Baleia não é o fórum adequado para tal absurdo, e suas reclamações devem ser levadas para a Autoridade Marítima Internacional. Mas a verdadeira razão para o Japão estar gastando tanto tempo nesta questão não é porque eles acreditam que vão conseguir alguma decisão para penalizar a Sea Shepherd, mas porque estão obstruindo ou desviando o tempo longe do ponto preliminar da agenda – a proposta da Grã-Bretanha para investigar o suborno e a corrupção dentro da CIB.

Ao que parece, numerosas nações do Caribe e África, que convenientemente votam a favor da caça com o Japão em troca de ajuda externa, estão em apuros. Não por causa da ajuda externa, todo mundo já sabe que o Japão tem um histórico de negociação de ajuda externa em troca de votos. O problema é que a corrupção é muito mais vulgar do que isso, com os delegados destas nações à venda agora embolsando percentuais consideráveis de doações em dinheiro para seus próprios bolsos gananciosos.

Aparentemente, todos os anos, esses delegados simplesmente levam uns 80% dos fundos recebidos pelas despesas com a CIB para uso pessoal. Além disso, o Japão pagou pelos seus quartos em hotéis de luxo, passagens aéreas de primeira classe, refeições muito caras, para não mencionar a provisão de garotas para ajudar os delegados a ‘relaxar’. Todas essas acusações foram tornadas públicas na imprensa britânica no ano passado, e este ano, a delegação britânica decidiu fazer algumas perguntas sérias sobre isso tudo.

O que está emergindo é que a CIB está se tornando um dos mais corruptos órgãos regulatórios internacionais do mundo. Isto é adicionado ao fato de que é também uma das agências reguladoras mais ineficazes e inócuas do mundo.

A Comissão Internacional da Baleia aparentemente não faz nada, não regula nada, e não impõe nada. As reuniões são agora apenas uma série de poses, e se tornaram palco para distração, verdadeiros circos políticos, como os esforços do Japão para demonizar a Sea Shepherd em um fórum onde a Sea Shepherd não está autorizada a se defender, já que a Sea Shepherd está proibida de assistir às conferências da Comissão Internacional da Baleia desde 1987. Enquanto isso, a Sea Shepherd continua a ser a única organização não-governamental que realmente intervém nas ações ilegais do Japão, e que procura defender os regulamentos da CIB. Há anos, a Sea Shepherd tem sido a única organização a reduzir efetivamente a cota de matança ilegal do Japão. É, portanto, hipocrisia a Sea Shepherd ser também a única organização que não tem permissão para assistir às reuniões da CIB.

E justamente quando a Sea Shepherd pensou que a CIB atingiu o nível máximo de comicidade, agora a Sea Shepherd não é sequer autorizada a entrar no hotel onde a reunião acontece. A Sea Shepherd também está ciente de que os membros de qualquer outra organização vistos na companhia de seus partidários também estão impedidos de participar da reunião, fazendo com que representantes do Greenpeace, EIA, e da Sociedade de Conservação das Baleias e Golfinhos corram para longe com medo de que os baleeiros os vejam saindo com ‘piratas em alto-mar’. Parece que a Sea Shepherd tornou-se a dama da noite deste movimento. Aliados da Sea Shepherd concordam com eles, e muitos até os apoiam, mas ficam petrificados com o risco de serem vistos ao lado deles à luz do dia.

Apesar disso, a Sea Shepherd tem conquistado mais membros e seus apoiadores são os mais vistos na linha de frente da CIB deste ano, mais do que todas as outras organizações não-governamentais juntas. As pessoas estão proclamando que “se piratas são os que salvam as baleias, então seremos piratas”.

A Sea Shepherd não teria conquistado isso de nenhuma outra maneira, porque quando tudo estiver dito e feito, depois de todas as poses, indignações fingidas e arte dramática, sendo evitados e barrados, esquecidos e ridicularizados, o ponto de partida é a Sea Shepherd salvando a vida de baleias, e todos os anos eles economizam mais do que no ano anterior. Se os baleeiros japoneses ilegais retornarem ao Oceano Austral em dezembro, a Sea Shepherd estará lá mais forte do que nunca com a Operação Vento Divino. A Sea Shepherd vai conduzir os baleeiros do Santuário de Baleias do Oceano Antártico, mais uma vez, não importa o que eles façam para tentar parar a mais agressiva e determinada organização de conservação da vida selvagem marinha do mundo.

Basta, e a barbárie horrível e a crueldade abjeta da matança das grandes e gentis baleias deve acabar. E tomem nota: não será encerrada por sermos agradáveis com seus assassinos e seguirmos as regras. Irá acabar por falarmos a língua que só esses assassinos em série de cetáceos entendem – economia, lucros e perdas, e finanças. O objetivo da Sea Shepherd é afundar a frota baleeira japonesa economicamente e falir suas atividades ilegais. Tripulantes da Sea Shepherd vão fazer exatamente isso com a imaginação, coragem e paixão do nosso corajoso grupo de voluntários internacionais. Não haverá retirada ou entrega até que a caça de baleias termine para sempre!

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Relatório da Comissão Internacional da Baleia

Do Capitão Paul Watson

Paul Watson e amigos da Sea Shepherd jogam dinheiro ao ar simbolizando o suborno do Japão às nações da CBI. Foto: Simon Ager

Paul Watson e amigos da Sea Shepherd jogam dinheiro ao ar simbolizando o suborno do Japão às nações da CIB. Foto: Simon Ager

A embarcação de interceptação e patrulha Brigitte Bardot, da Sea Shepherd Conservation Society, chegou ao porto de Saint Helier, na ilha de Jersey, que fica no arquipélago britânico das Ilhas Channel, em 9 de julho de 2011. Eu fui para lá saindo de Saint-Malo, na França, via Guernsey, e daí para Jersey, para me juntar à tripulação, e não cheguei sozinho. A ilha se encheu de amigos da Sea Shepherd do Reino Unido, França, Países Baixos, Austrália, Nova Zelândia, do Brasil e dos Estados Unidos.

Descobrimos bem rápido que qualquer um que estivesse vestindo as cores da Sea Shepherd era barrado de entrar no Hotel de France, onde a reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB) está acontecendo. A segurança do hotel tinha sido avisada – a tripulação Sea Shepherd é pirata, e seu acesso deve ser negado!

Apesar disso, a delegação japonesa não jogou com a sorte. Eles contrataram guarda-costas e foram transportados pelo local por uma empresa de segurança, em SUVs pretos com janelas de insufilme, parece até que somos maus!

A ilha de Jersey, famosa por suas vacas e batatas, é a sede da 63ª reunião anual da Comissão Internacional da Baleia deste ano. Jersey é uma ilha linda, com um povo amigável, um local bastante adequado para a reunião deste ano, onde a Grã-Bretanha deixou claro que a corrupção no interior da CIB precisa ser exposta e resolvida. Uma das mudanças propostas pela Grã-Bretanha é de que se acabe com a prática de pequenas nações que aparecem e pagam a anuidade da CIB em dinheiro (encaminhado a eles pela delegação japonesa em troca de seu voto a favor dos baleeiros).

A proposta britânica foi feita, originalmente, por 23 membros da União Europeia, só para ser vetada pela Dinamarca e, assim, não poder ser apresentada como uma iniciativa da União Europeia. Quando o assunto é matar baleias, a Dinamarca é o único lugar onde o cheiro podre de baleias mortas continua a azedar a consciência da Europa. A Dinamarca continua a apoiar e encorajar as propinas e a corrupção no interior da Comissão Internacional da Baleia, junto com seus parceiros de procedimentos não éticos, nomeadamente, o Japão, a Islândia e a Noruega!

Outro acontecimento surpreendente e desconcertante na CIB foi o comportamento vergonhoso de Monica Medina, a comissária para baleias dos EUA, a primeira representante dos EUA a trair as baleias desde que a implementação da moratória de caça às baleias foi imposta em 1987. Apesar das promessas do presidente Barack Obama em contrário, sua administração tem estado em discussões com o Japão no sentido de legalizar a caça de baleias. Medina chegou a prometer ao Japão que o governo dos EUA iria retirar o estado de organização sem fins lucrativos, e isenção de impostos, da Sea Shepherd, a pedido do Japão. Ela obviamente ignorava o fato de que é ilegal para o governo dos EUA a utilização do Imposto de Renda como uma arma contra uma organização sem fins lucrativos americana, por pedido de nação estrangeira.

Se o Wikileaks não tivesse liberado os documentos contendo esses fatos para a mídia, no ano passado, nós provavelmente nunca teríamos conhecimento de todo esse tráfico de corredores. Devido à liberação dessa informação, nós também descobrimos, ano passado, que os EUA e a Nova Zelândia (com apoio de organizações como o Greenpeace) tentaram agenciar um compromisso que legalizaria a caça de baleias no Santuário de Baleias do Oceano do Sul, em troca de uma redução na quota de matança. A Sea Shepherd já reduziu a quota de matança pela metade, no ano passado, em quase 85%, mas essa conquista foi ignorada. Felizmente, graças aos EUA, às nações latino-americanas e à Austrália, o acordo de compromisso foi derrubado, envergonhando os EUA, que tinham prometido que iriam desistir da proposta de compromisso, embora pareçam estar tentando introduzi-la sob outro nome e descrição, em outra proposta conjunta entre Nova Zelândia e EUA.

O povo da Nova Zelândia está, em geral, descontente com a entrega das baleias por seu governo, e parece que os políticos no poder em Auckland são mais leais a Toquio do que a Aotearoa.

O <i>Brigitte Bardot</i> ancorado em Jersey. Foto: Dan Marsh

O Brigitte Bardot ancorado em Jersey. Foto: Dan Marsh

Uma coisa é certa: os EUA abandonaram seu comprometimento de longo prazo com a defesa e proteção das grandes baleias para poder agradar o governo japonês. O presidente George H. W. Bush nos deu o Santuário Marinho Havaiano e o presidente Barack Obama nos deu uma traição. Não é necessário dizer, não vou votar no Obama de novo. Eu tinha grandes esperanças em 2008, com essa nova administração, mas todas as esperanças em Obama foram abandonadas ao nos prepararmos para entrar no ano eleitoral de 2012.

Outro desenvolvimento interessante foi o fato de que muitas das nações fantoche dos japoneses não pagaram suas anuidades da CIB este ano, primeiramente porque o Japão tem tido um monte de problemas em sua recuperação da tripla urucubaca de terremoto, tsunami e derretimento de reator nuclear. Isso deixou alguns de seus partidários bajuladores chegarem ao evento sem sua anuidade em dia. E a falta de dinheiro significa falta de voto, de modo que o Japão, a Noruega, a Islândia e a Dinamarca terão sua postura pró matança severamente enfraquecida com a diminuição do número de nações oportunistas votantes.

O Japão chega a esta reunião esperando negociar a simpatia mundial por seus apuros em troca da permissão de matar mais baleias e vão colocar, mais uma vez, sua proposta na pauta da CIB de que os EUA, a Austrália e os Países Baixos proscrevam a Sea Shepherd em seus territórios, arrancando nossos registros e bandeiras.

Paul Watson e voluntário da Sea Shepherd protestam do lado de fora da reunião da CBI. Foto: Simon Ager

Paul Watson e voluntário da Sea Shepherd protestam do lado de fora da reunião da CIB. Foto: Simon Ager

Hoje cedo, enviei uma carta ao Dr. Simon Brockington, secretário da Comissão Internacional da Baleia, requisitando permissão para a Sea Shepherd assistir à reunião da CIB, para que possamos, nós mesmos, nos defender das acusações japonesas. Mas é muito provável que não tenhamos essa permissão, e a Sea Shepherd continuará a ser a única organização banida de entrar.

Acho que devemos ter orgulho desse fato. Não há outra organização que salve mais baleias do que a Sea Shepherd. Se o preço por nossas intervenções agressivas e altamente efetivas é o de ser barrado de assistir a reuniões chatas e improdutivas da CIB – então, que seja. Entretanto, sem nossa participação, as propostas do Japão para a CIB, de condenar a Sea Shepherd, terminam por ser uma “corte canguru”, onde é negado a nós, os acusados, a oportunidade de nos defender das alegações dos assassinos de baleias.

Contudo, a primeira razão da Sea Shepherd estar em Jersey é para ver se o Japão tem a intenção de voltar ao Oceano do Sul em dezembro, para retomar seu massacre ilegal de baleias. Se for o caso, a Sea Shepherd também retornará e, mais uma vez, interceptará e bloqueará suas operações. Se retornarem, lançaremos a Operação Vento Divino, e nossas embarcações Bob Barker, Steve Irwin e Brigitte Bardot, em breve, retornarão aos mares tempestuosos do Santuário de Baleias do Oceano do Sul para fazer o que fazemos melhor – defender as baleias!

Carta da Sea Shepherd para o Secretário da Comissão Internacional da Baleia

10 de julho de 2011

Para: Dr. Simon Brockington
Secretário da International Whaling Commission

De: Captain Paul Watson
Fundador e Presidente
Sea Shepherd Conservation Society

Caro Dr. Brockington,

Em nome do Quadro de Diretores, do Quadro de Conselheiros, da tripulação e dos oficiais dos navios da Sea Shepherd, nossa equipe e nossos membros internacionais, eu gostaria de pedir permissão para que um observador da Sea Shepherd assista à reunião da Comissão Internacional da Baleia em Jersey.

A  Sea Shepherd Conservation Society tem sido banida de participar das reuniões da CIB, enquanto organização não-governamental por 24 anos, desde 1987.

Respeitosamente, afirmo que continuar a proibir a Sea Shepherd Conservation Society o status de observadora é injusto, considerando que há propostas apresentadas pelo Japão que dizem respeito à nossa organização e que a Sea Shepherd Conservation Society não pode, nem tem podido, apresentar sua documentação e sua posição para responder às acusações dos baleeiros japoneses.

A delegação japonesa incluiu a Sea Shepherd Conservation Society intencionalmente na pauta. A delegação japonesa está fazendo lobby com delegações de outras nações para que ocorram ações contra a Sea Shepherd. Não deveríamos ter permissão para apresentar os fatos, as evidências e a documentação para defesa de nossa posição em resposta a falsas alegações?

As embarcações da Sea Shepherd, os oficiais e a tripulação engajaram-se em intervenções agressivas não-violentas contra atividades baleeiras ilegais dos japoneses. Entretanto, nenhuma de nossas ações causou danos corporais a qualquer pessoa, tampouco fomos indiciados por qualquer ato criminoso em relação às nossas atividades. Antes de sermos condenados pela CIB por atividades que não causaram danos e não estão fora da lei, deveríamos ter a oportunidade de que um de nossos representantes pudesse se expressar em nosso favor.

A Sea Shepherd Conservation Society é a ONG mais diretamente envolvida contra a caça ilegal de baleias por parte dos japoneses no Santuário de Baleias do Oceano do Sul. Não há disputa quanto ao fato de que tivemos considerável impacto nas operações baleeiras dos japoneses e, deste modo, que estamos intimamente envolvidos nos esforços de conservação das baleias do Oceano do Sul.

A Sea Shepherd Conservation Society não é uma organização de protesto, portanto, nosso envolvimento em relação à reunião da CIB é estritamente enquanto observadores. Nossa organização nunca interrompeu qualquer reunião da CIB, nem causou intencionalmente nenhum distúrbio em qualquer reunião da CIB desde que participamos oficialmente em 1980, e desde que, oficialmente, nos foi proibida a participação, desde 1987. O ativismo da Sea Shepherd se restringe a intervenções em alto-mar contra práticas ilegais de baleismo, de acordo com os princípios da Carta das Nações Unidas para a Natureza.

Gostaríamos de ter a oportunidade de responder às perguntas de delegações em resposta às acusações japonesas, e ter a oportunidade de apresentar evidências que refutam alegações japonesas de que a Sea Shepherd seja uma ameaça à segurança em alto-mar. Também gostaríamos de ter a oportunidade de apresentar evidências documentais de que os japoneses violam os regulamentos da Comissão Internacional da Baleia no Santuiário de Baleias do Oceano do Sul.

Temos consciência de que os interesses baleeiros japoneses, islandeses e noruegueses deixam claro que a presença da Sea Shepherd não é bem-vinda na CIB. Gostaria, entretanto, de, respeitosamente, afirmar que eles têm interesses específicos em fazê-lo, primeiramente pelo fato de que algumas de suas atividades são claramente suspeitas, e que nós estamos em posição de testemunhar isto. Deste modo, nosso testemunho apresenta potencial embaraço para tais interesses.

A Sea Shepherd Conservation Society alcança uma audiência de milhões de pessoas por todo o mundo com nosso programa de televisão, o Whale Wars. Estamos muito envolvidos nos esforços de preservação das baleias e acreditamos que nossas visões seriam um benefício aos delegados que queiram compreender o conflito entre baleismo e as questões de conservação, especialmente no Santuário de Baleias do Oceano do Sul.

Sendo assim, senhor Secretário, gostaria de oficialmente requerer que a Sea Shepherd Conservation Society tenha permissão de voltar a participar enquanto ONG observadora da Comissão Internacional da Baleia.

Muito Sinceramente,
Capitão Paul Watson
Fundador e Presidente (1977-2011)
Sea Shepherd Conservation Society

Traduzido por Carlinhos Puig, voluntário do ISSB.

Comissão Internacional da Baleia: a Sea Shepherd pelas Baleias em Jersey

Georgie Dicks, Paul Watson e Howie Cooke segurando o dinheiro do suborno. Foto: Simon Ager

Georgie Dicks, Paul Watson e Howie Cooke segurando o dinheiro do suborno. Foto: Simon Ager

É irônico que a Sea Shepherd Conservation Society, a única organização oficialmente proibida de assistir a Comissão Internacional da Baleia (CIB), seja a mais representativa na ilha de Jersey, mais do que todas as outras organizações não-governamentais presentes.

Apoiadores da Sea Shepherd chegaram por conta própria da França, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Holanda, Bélgica, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, e até mesmo do Japão. Mais de sessenta apoiadores estiveram presentes, incluindo a tripulação de 10 pessoas a bordo do navio da Sea Shepherd, Brigitte Bardot, que chegou no porto de Saint Helier em 9 de julho de 2011.

Tripulação e apoiadores da Sea Shepherd uniram-se aos membros do Surfistas pelos Cetáceos e Mulheres contra a Caça de Baleias, na frente do Hotel de France, onde acontece a reunião da CIB. As delegações da CIB foram bem isoladas dos defensores de baleias na rua, mais ou menos 100 pessoas removidas por seguranças, e suas vozes foram barradas da porta da sala de convenções do Hotel de France.

Apoiadores da Sea Shepherd protestam pela falta de atendimento da CBI. Foto: Simon Ager

Apoiadores da Sea Shepherd protestam pela falta de atendimento da CIB. Foto: Simon Ager

O chefe de segurança da CIB solicitou que a multidão anti-caça deixasse o recinto do hotel. O Capitão Paul Watson respondeu que sairia, mas somente se fosse solicitado pela polícia de Jersey.

“Jersey não tem nenhuma lei que condene isso, então os seguranças não têm autoridade legal para nos ordenar a deixar a área”, disse o Capitão Watson. “No entanto, não estamos aqui para causar problemas e nós certamente não temos nenhum argumento com a polícia de Jersey. Fomos capazes de levar as nossas preocupações para a porta da CIB por pelo menos uma hora, por isso estamos muito satisfeitos, pois fizemos as delegações conscientes da nossa presença”.

Maços de papel moeda desatualizado da Rússia, o ex-bloco das nações soviéticas, Iraque e Zimbábue, foram atirados para o ar para simbolizar o suborno que o Japão vem praticando há anos para comprar votos para a sua política pró-caça. Isto também foi feito para apoiar a proposta do Reino Unido para investigar a corrupção dentro da CIB.

A Sea Shepherd está interessada principalmente nas ambições dos baleeiros japoneses. “Se o Japão retornar ao Oceano Antártico, a Sea Shepherd voltará para o Oceano Antártico”, disse Capitão Watson. “Assim que recebemos a palavra de que eles vão voltar, vamos apontar nossos arcos para o sul mais uma vez para interceptá-los.”

As 89 nações-membros da Comissão Internacional da Baleia estarão reunidas em Jersey até 14 de julho de 2011.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Operação Ilhas Ferozes: em defesa das baleias nas Ilhas Faroé

news_110701_1_3_grind_photos_current_day_100719_(PH1521)Em questão de dias, a Sea Shepherd Conservation Society vai zarpar para o protetorado dinamarquês das Ilhas Faroé, com um plano para parar a matança anual de milhares de baleias-piloto em extinção, conhecido como o “Grind”. A Operação Ilhas Ferozes 2011 marcará a primeira vez que a Sea Shepherd voltará às Ilhas Faroé para intervir ativamente nesta matança, em mais de 10 anos. A Operação Ilhas Ferozes é um projeto conjunto entre a Sea Shepherd e a Fundação Brigitte Bardot.

Com o fundador da Sea Shepherd, o Capitão Paul Watson, no comando do carro-chefe Steve Irwin, a Sea Shepherd sente que o suporte adicional do rápido navio interceptador, Brigitte Bardot, capitaneado pelo veterano tripulante Locky MacLean, uma maior equipe cooperativa, e novas tecnologias essenciais, criarão um impacto este ano em Faroé, semelhante ao sucesso com a campanha em defesa das baleias no sul do Oceano Antártico no início deste ano. O grupo de conservação tem a intenção de implantar dispositivos acústicos, criando uma parede de som no caminho das baleias em migração, para impedi-las de se aproximar das ilhas. A Sea Shepherd também estará registrando e documentando as atrocidades cometidas nas Ilhas Faroé, e compartilhará tudo isso com o público para criar consciência; esta tática se mostrou altamente eficaz na defesa de grandes baleias.

“Há uma coisa muito mais importante que a liberdade de expressão, e que é a liberdade de viver”, disse o Capitão Watson em resposta a uma recente declaração do Primeiro Ministro das Ilhas Faroé, Kaj Leo Holm Johannesen, sobre seu “direito das pessoas a discordar … e protestar”.

Baleia-piloto morta e seu bebê

Baleia-piloto morta e seu bebê

No entanto, a Sea Shepherd não está indo para as Ilhas Faroé para protestar ou se manifestar contra o horror da matança das baleias-piloto, que ocorre neste ritual bárbaro chamado de “Grindadrap”, ou simplesmente “Grind”. O objetivo da Sea Shepherd é intervir no “Grind” de maneira agressiva e não-violenta sempre que possível, e também para chamar a atenção do público internacional sobre esta matança em massa, que é ainda mais cruel e sangrenta do que a matança de golfinhos mostrada no filme vencedor do Oscar, The Cove.

“Enquanto europeus, como podemos criticar a matança de golfinhos no Japão, ignorando o massacre cruel de grupos inteiros de baleias-piloto gentis e indefesas na Europa?”, disse a presidente da Sea Shepherd da França, Lamya Essemlali.

“Nosso objetivo não é exercer a nossa liberdade de se manifestar contra esta matança ilegal de baleias-piloto indefesas, mas acabar com esta atrocidade. Petições, protestos, banners pendurados, reuniões e discursos não avançaram neste objetivo de forma alguma”, disse MacLean, a bordo do Steve Irwin, em Barcelona. “Falar provou ser um desperdício de tempo. Enquanto os seres humanos tagarelam sobre tradição e direitos, as baleias-pilotos, seres inteligentes, socialmente complexos e belos, são violentamente levadas a baías e cruelmente massacradas, em um espetáculo que não tem lugar num mundo civilizado. Nós não queremos um diálogo sobre essa obscenidade, queremos pará-la. Os direitos dessas baleias para viver tem precedência sobre os “direitos” da Ilhas Faroé de assassiná-las”.

Imagem histórica do "Grind"

Imagem histórica do "Grind"

A Sea Shepherd pretende enfatizar que, enquanto as Ilhas Faroé estão se beneficiando de subsídios da União Europeia, reivindicam isenção à proibição da matança de baleias das leis europeias. A Sea Shepherd espera forçar um compromisso com o governo dinamarquês como um meio para obter uma base legal para convocar a Dinamarca à tarefa de proporcionar benefícios para um povo que, abertamente, viola as leis europeias. Se a Islândia não pode aderir à União Europeia porque eles são uma nação baleeira, as Ilhas Faroé também não devem se beneficiar enquanto estão fazendo a mesma coisa. Isto é discriminação clara contra a Islândia em favor das Ilhas Faroé.

“As Ilhas Faroé dizem ter o direito tradicional de massacrar grupos inteiros de baleias”, disse MacLean, “mas nenhum ser humano tem o direito de torturar e matar outro ser senciente. O que as Ilhas Faroé chamam de ‘direito’, nós chamamos de farsa. É como ter de respeitar Ted Bundy ou Charles Manson, e a Sea Shepherd não tem intenção de respeitar os direitos de psicopatas cruéis. Você não tenta falar com um psicopata, você tenta pará-lo antes que ele mate novamente”.

Desde o início de 1980, a Sea Shepherd tem liderado a oposição contra a matança de baleias-piloto nas Ilhas Faroé. O Capitão Paul Watson liderou campanhas em oposição à caça, em 1985 e 1986, e novamente em 2000. Nenhuma baleia foi morta enquanto a Sea Shepherd patrulhava as ilhas. A Sea Shepherd também foi bem sucedida em convencer 20.000 lojas de duas cadeias de supermercado na Alemanha a boicotar produtos da pesca das Ilhas Faroé.

Imagem histórica do "Grind"

Imagem histórica do "Grind"

Durante o verão de 2010, a Sea Shepherd tomou a iniciativa e enviou um agente disfarçado para as Ilhas Faroé, para reunir imagens visuais do horrível “Grind”: as imagens que foram posteriormente utilizadas para expor os assassinatos em massa de baleias-piloto para o público. A Sea Shepherd e a Fundação Brigitte Bardot testaram dispositivos acústicos destinados a manter as baleias-piloto distantes da costa das Ilhas Faroé. Estes dispositivos serão implantados para formar uma cortina de som entre as baleias e seus assassinos durante a Operação Ilhas Ferozes.

Estima-se que pelo menos mil baleias-piloto são mortas anualmente durante o “Grind”. As Ilhas Faroé fazem isso encurralando grupos de baleias-piloto em migração, que viajam em grupos familiares, passando pelas ilhas em enseadas rasas. Uma vez identificadas, essas famílias de cetáceos são levadas para perto da costa, onde homens, mulheres e crianças de todas as idades aguardam com clavas, lanças, facas e tesouras, levando as baleias a uma morte lenta, deixando a água vermelha com o seu sangue inocente. Muitas vezes, nos meses de pico do verão, baleias-piloto grávidas também são encurraladas e sofrem ainda mais, com os fetos cortados fora de seus corpos e alinhados perto da costa, ao lado das centenas de outras vítimas.

Esses dias, esses assassinatos em massa não são realizados por qualquer finalidade utilitária que não seja uma chamada “importância cultural” para a comunidade das Ilhas Faroé. De fato, após os moradores terem terminado de mutilar as baleias, os seus corpos são simplesmente descartados em uma vala comum, debaixo d’água, com total desrespeito pelo valor da vida. A Sea Shepherd pretende intervir no “Grind”, quando possível, para evitar a perda desnecessária de preciosos animais selvagens marinhos.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.