Fuga apertada para o Gojira

Baleeiros atiram lanças na tripulação da Sea Shepherd

Sexta-feira, 04 de fevereiro de 2011.

Cara a cara com o Yushin Maru 3, a uns meros 10 metros de distância do Gojira (Foto: Simon Ager)

Cara a cara com o Yushin Maru 3, a uns meros 10 metros de distância do Gojira (Foto: Simon Ager)

O Yushin Maru 3 deliberadamente se jogou no navio da Sea Shepherd Conservation Society, o Gojira, nesta sexta-feira, 4, em uma tentativa para destruir o navio comandado pelo Capitão Locky MacLean.

“Era como olhar a face da morte quando o casco de aço, de repente, surgiu sobre nós. Nós acabamos de escapar de sermos cortados ao meio”, disse o Capitão MacLean.

Ambas as embarcações estavam em um curso paralelo, com o navio baleeiro Yushin Maru 3 no lado estibordo do Gojira. De repente, o Yushin Maru 3 deu uma guinada forte à bombordo, na tentativa de mutilar o Gojira.

O Capitão MacLean percebeu a tempo de acelerar, efetivamente evitando a colisão com o Yushin Maru 3, que estava a meros 10 pés da popa do Gojira.

O operador do barco Delta, Chade Halstead, escapou de ser ferido quando um dos baleeiros jogou lanças de bambu na tripulação do barco. A Sea Shepherd recuperou algumas destas lanças de bambu, potencialmente letais.

O Yushin Maru 3 se aproxima da popa do Gojira (Foto: Simon Ager)

O Yushin Maru 3 se aproxima da popa do Gojira (Foto: Simon Ager)

O Gojira e os barcos pequenos do Bob Barker estavam perseguindo o Yushin Maru 3 com bombas de tinta fedidas, em uma tentativa de manter o baleeiro longe do navio da Sea Shepherd, o Bob Barker. A operação foi um sucesso. O Bob Barker agora está livre para procurar o navio-fábrica japonês Nisshin Maru.

Com o Bob Barker escapando de suas mãos, o Yushin Maru 3 emitiu um sinal de socorro internacional, dizendo que eles foram atacados pelos navios da Sea Shepherd, o Bob Barker e o Gojira. No entanto, o Bob Barker estava há mais de sete quilômetros de distância quando os caçadores emitiram o seu sinal de socorro.

Tanto o Bob Barker quanto o Gojira reconheceram o pedido de socorro pelo rádio, e contataram o Yushin Maru 3 para obter informações sobre o que lhes afligia. Eles foram contatados três vezes por rádio, em japonês e em inglês, mas se recusaram a responder.

Apesar do fato de que a Sea Shepherd respondeu ao chamado dos baleeiros e registrar e monitorar este reconhecimento, o Instituto de Pesquisa de Cetáceos emitiu um comunicado de imprensa acusando a Sea Shepherd de não oferecer assistência, quando na verdade a ajuda foi oferecida três vezes.

O Gojira contatou o Yushin Maru 3 por rádio, indicando que não seriam amolados quando parassem atrás do Bob Barker. A Sea Shepherd vê a rejeição do contato de seus navios por parte dos baleeiros como uma provocação.

O Bob Barker está agora livre do Yushin Maru 3, e pode continuar a perseguição ao Nisshin Maru. O Bob Barker e o Gojira vão continuar a perseguir e assediar a frota baleeira japonesa, enquanto o Steve Irwin reabastece e recebe suprimentos em Wellington, na Nova Zelândia.

O barco inflável Delta, do Bob Barker, é atacado por uma lança de bambu lançada do Yushin Maru 3, em 04 de fevereiro de 2011.

http://www.youtube.com/embed/cfhhI5D_cjo

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Relatório do progresso da campanha Operação Sem Conciliação

Domingo, 30 de janeiro de 2011.

Relatório: 2 de dezembro de 2010 a 31 janeiro de 2011
61º dia da campanha, 31º dia em busca da frota baleeira japonesa

Frota da Sea Shepherd Conservation Society:

Steve Irwin:
(Holanda) Capitão Paul Watson com uma tripulação de 42 voluntários
Partiu de Hobart em 02 de dezembro de 2010
Interceptou a frota baleeira japonesa em 31 de dezembro de 2010

Bob Barker:
(Holanda) Capitão Alex Cornelissen com uma tripulação de 35 voluntários
Partiu de Hobart em 02 de dezembro de 2010
Interceptou a frota baleeira japonesa em 31 de dezembro de 2010

Gojira:
(Austrália) Capitão Locky MacLean com uma tripulação de 11 voluntários
Partiu de Hobart em 11 de dezembro de 2010
Interceptou a frota baleeira japonesa em 31 de dezembro de 2010 

Tripulação total: 88

Steve Irwin no campo de gelo (Foto: Barbara Veiga)

Steve Irwin no campo de gelo (Foto: Barbara Veiga)

Este ano é o mais fraco da frota japonesa, com apenas quatro navios, incluindo o navio-fábrica Nisshin Maru, e os três navios arpoadores Yushin Maru, Yushin Maru 2, e Yushin Maru 3. Os navios de investigação e o navio de segurança, Shonan Maru, estão ausentes da frota baleeira este ano.

A frota baleeira japonesa chegou com duas semanas de atraso no Santuário de Baleias do Oceano Antártico. Todos os três navios da Sea Shepherd conseguiram interceptar a frota baleeira antes de qualquer baleia ser morta, em 31 de dezembro de 2010. O Nisshin Maru, o navio-fábrica, escapou e fugiu para o leste. Dois dos navios arpoadores foram designados para permanecer na popa do Bob Barker e do Steve Irwin, para impedir os navios da Sea Shepherd de encontrarem o navio-fábrica. Embora essa tática funcione para os baleeiros, para manter a Sea Shepherd distante do navio-fábrica, ela tem o preço da remoção de dois dos três navios arpoadores da caça durante o mês inteiro.

Devido a limitações de combustível, os navios Yushin Maru tinham de substituir um ao outro, com o Yushin Maru 3 substituindo o Yushin Maru, em meados de janeiro. Isto teve como efeito o afastamento do terceiro navio arpoador das operações de caça por dias, porque o Nisshin Maru tinha de permanecer fora do alcance do helicóptero do Steve Irwin.

Resumo:

A Sea Shepherd manteve dois dos três navios arpoadores em observação durante 24 horas, por 32 dias, período em que estes navios não mataram uma única baleia. Isto significa que a eficiência da caça às baleias japonesa foi reduzida em dois terços. O Nisshin Maru poderia continuar caçando com este único arpoador disponível, mas não com 100 por cento de eficiência, porque ambos fugiam para o leste, oeste, leste novamente, e depois para o sul. Devido ao tempo gasto em águas muito ao norte, e no reabastecimento do navio-fábrica, a maior quantidade de tempo que este navio arpoador poderia ter operado de forma eficiente como um navio caçador assassino é de apenas 25 a 50 por cento.

Com três navios arpoadores, a frota baleeira geralmente pode matar oito a nove baleias por dia, é claro que quando o tempo, as condições de gelo e as baleias permitem que este número seja alcançado. Se todos os três navios estivessem operando com plena eficiência, em excelentes condições, poderiam ter matado de 240 a 300 baleias durante um único mês de operações.

Com a Sea Shepherd retirando dois dos navios arpoadores desta equação, a maior quantidade de baleias que podem ser mortas pelo navio arpoador restante seria de três por dia, cerca de 90 baleias em um mês. No entanto, sabemos que este navio foi um arpoador em constante movimento, ora preocupado em fugir, ora em ajudar um dos arpoadores, durante 50 a 75 por cento do tempo. Portanto, estimamos o máximo de eficiência a 50 por cento, 25 por cento no mínimo.

Se todas as condições eram ideais para a caça para este único navio arpoador, ele continuaria a ser capaz de matar 45 baleias, no máximo, ou, de maneira mais realística, 30 baleias, o que ainda está bem abaixo de sua meta. No entanto, acreditamos que este único navio arpoador tinha apenas cerca de cinco dias para realizar os seus exercícios de caça, o que significaria apenas 15 baleias mortas no máximo. Mas não saberemos os números finais das mortes, até que sejam liberados no final da época de caça.

Campanha: dificuldades e falhas

Esta não é uma campanha fácil, devido à caça, ao gelo, ao clima e aos arpoadores seguindo nossos navios. Nós experimentamos inúmeras dificuldades, incluindo a retirada forçada do Gojira para reparos de emergência, bem como as condições de gelo imprevisíveis. Nosso grande fracasso foi não impedir o reabastecimento do Nisshin Maru.

O Gojira localizou o navio panamenho Sun Laurel em 12 de janeiro de 2011. No dia 13 de janeiro, o Bob Barker e o Steve Irwin encontraram o Sun Laurel para permitir que o Gojira continuasse procurando o Nisshin Maru. O objetivo era cortar o reabastecimento do Nisshin Maru. O Sun Laurel fugiu para o leste. Em 18 de janeiro, o Steve Irwin se distanciou do Sun Laurel e conseguiu afastar o navio arpoador de sua popa. O Steve Irwin foi então em busca do Nisshin Maru, porque o Gojira teve que voltar para Hobart, na Tasmânia, para reparos no seu computador e nas bombas de combustível de seus motores novos. Com o Steve Irwin com reservas de combustível limitadas, e sabendo que o Sun Laurel estava indo longe demais a leste, até o ponto de 143 graus a leste, o Capitão Watson pediu que o Capitão Cornelissen parasse de perseguir o Sun Laurel, porque uma vez que o Nisshin Maru fosse encontrado, o Bob Barker não seria capaz de voltar a tempo para perseguir o navio-fábrica, antes que o Steve Irwin tivesse que voltar ao porto para reabastecer. O Bob Barker parou de perseguir o Sun Laurel, mas não antes de plantar um dispositivo de rastreamento nele. A distância do Steve Irwin para o Sun Laurel era de 1.200 milhas náuticas. Relatórios da Nova Zelândia sugeriam que os caçadores estavam buscando fretar um navio fora da Nova Zelândia, enquanto o Sun Laurel levava o Bob Barker mais e mais para o leste.

Em 26 de janeiro, o Steve Irwin encontrou o Nisshin Maru e foi atrás dele. Infelizmente, o Nisshin Maru mudou seu caminho, através do gelo espesso, perigosamente, no desespero para fugir da Sea Shepherd. O Steve Irwin não poderia fisicamente prosseguir atrás do Nisshin Maru, devido a estas condições de gelo perigosas.

O rastreador do Sun Laurel indicou que o navio estava voltando para sudoeste, o que significava que o Nisshin Maru estava indo reabastecer. Tudo parecia certo para o Steve Irwin e o Bob Barker interceptarem o Sun Laurel antes que o Nisshin Maru pudesse alcançá-lo, exceto por um fator imprevisível… gelo!

Gelo!
 
Os dois navios da Sea Shepherd, cada um com um navio arpoador na sua popa – o Steve Irwin voltou a ser seguido de novo quando encontrou o Nisshin Maru – teriam tempo para cobrir a distância antes do Nisshin Maru se encontrar com o Sun Laurel. O problema era o gelo. Apesar dos gráficos de gelo confirmarem que o caminho era claro, tanto o Bob Barker quanto o Steve Irwin perderam uma grande parte do tempo trabalhando em grandes áreas de pesados gelos flutuantes.

Até o momento em que os dois navios chegassem, ainda com os arpoadores em suas popas, o Nisshin Maru já teria reabastecido. Foi a nossa principal falha durante a campanha deste ano.

Em 30 de janeiro, o Bob Barker, retomou a busca pelo Nisshin Maru, e se envolveu em um confronto com o Yushin Maru 3 no dia seguinte, na tentativa de desacelerar e desviar dos navios arpoadores. O Steve Irwin voltou para a Nova Zelândia com o navio baleeiro Yushin Maru 2 na sua popa.

A situação para fevereiro

O Gojira retornou ao Oceano Antártico e retomará a busca ao Nisshin Maru. O Bob Barker vai continuar a perseguir o Nisshin Maru, mantendo o Yushin Maru 3 ocupado. O Yushin Maru 2 vai demorar alguns dias para retornar ao Nisshin Maru, e esperamos que o Gojira tenha localizado o navio-fábrica até então.

O Steve Irwin vai reabastecer em Wellington, na Nova Zelândia, e deve estar de volta ao Santuário de Baleias do Oceano Austral em meados de fevereiro, com novos suprimentos para as tripulações do Bob Barker e do Gojira.

O Steve Irwin vai ter combustível suficiente para se manter até o final da temporada de caça às baleias, no final de março. O Bob Barker, com uma capacidade de combustível muito maior, também será capaz de permanecer no local até o final de março. O Gojira pode ser reabastecido pelo Bob Barker e pelo Steve Irwin, e também poderá continuar até o final de março.

Janeiro provou ser um excelente mês para a Sea Shepherd durante esta campanha. Nosso objetivo é continuar a fazer intervenções tão bem sucedidas em fevereiro. Um arpoador vai continuar fora da caça, com certeza, uma vez que continua na popa do Bob Barker. O segundo navio arpoador levará de três a quatro dias para voltar ao Nisshin Maru. O Gojira deve encontrar o Nisshin Maru em breve, e poderá guiar o Bob Barker até o navio-fábrica. O Steve Irwin vai desviar do arpoador em sua popa antes de chegar a Nova Zelândia, e será capaz de retornar ao santuário de baleias sem ninguém na sua popa.

A frota baleeira japonesa está começando a irritar a Agência de Pescas japonesa. Os baleeiros estão exigindo mais subsídios para compensar a sua incapacidade de atingir as suas quotas. A economia japonesa não aparenta estar saudável, e a indústria baleeira será escandalizada com acusações de corrupção, incluindo suborno e fraude.

Esta poderia ser a última temporada que a Sea Shepherd teve que enviar a sua frota até o Oceano Antártico. Esperamos que este seja o caso, mas se os baleeiros japoneses retornarem ao Santuário de Baleias do Oceano Antártico em dezembro de 2011, eles vão nos encontrar esperando por eles novamente.

Nós vamos afastar esses caçadores de baleia do Santuário de Baleias do Oceano Antártico por afundá-los economicamente.

A maré se voltou contra eles, e se voltarmos no final do ano, estaremos mais fortes do que este ano, tal como todos os anos desde que começamos nossas viagens para cá, em 2002. Nós aumentamos os nossos recursos, aperfeiçoamos nossas habilidades e aprendemos com nossas experiências.

Uma vez que conseguirmos afastar os caçadores de baleias japoneses do Oceano Austral, o nosso objetivo de tornar o Santuário de Baleias do Oceano Austral um verdadeiro santuário de baleias será realizado.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Caçando os caçadores de baleias através do gelo e das tempestades

Sexta-feira, 28 de janeiro de 2011.

Relatório do Capitão Paul Watson

É difícil descrever o mar, as condições climáticas e os obstáculos que enfrentamos a cada dia, enquanto perseguimos a frota baleeira japonesa. A vastidão do Oceano Antártico é impressionante. A imprevisibilidade do clima é uma constante surpresa, e o gelo, bem, o gelo é ainda mais imprevisível do que o tempo.

O Steve Irwin em relação a um grande iceberg no Oceano Antártico (Foto: Simon Ager)
O Steve Irwin em relação a um grande iceberg no Oceano Antártico (Foto: Simon Ager)

Esta manhã nos encontramos rodeados por grandes blocos de gelo onde os sistemas dizem que não há blocos a ser encontrados. A quilômetros de distância, o Bob Barker também ficou impedido pela barreira de gelo. E mais uma vez, o Nisshin Maru está à solta. Não está caçando baleias, mas fora da nossa vista, e mais uma vez, renovamos nossos esforços para caçá-lo. Felizmente o Gojira estará de volta dentro de poucos dias e estará livre para procurar os baleeiros como um navio de reconhecimento.

O Steve Irwin deve retornar à terra para abastecer. Demoramos mais do que deveríamos, e estar preso no gelo não é confortável, com reservas de combustível baixas. Temos ainda o Yushin Maru 2 na nossa popa.

O Bob Barker também tem alguém na sua popa, o que nos impede de nos aproximar do Nisshin Maru, porque eles simplesmente retransmitem nossas coordenadas permitindo que o navio-fábrica fique fora do nosso caminho.

O helicóptero Nancy Burnet nos dá uma vantagem, mas só quando ele pode voar. As condições meteorológicas nos impedem de voar por mais de 50 por cento do tempo. Apesar de tudo, é um desafio formidável, mas até agora nesta temporada tem sido um sucesso incrível.

Um iceberg no Oceano Antártico (Foto: Simon Ager)
Um iceberg no Oceano Antártico (Foto: Simon Ager)

Depois de um mês em busca da frota baleeira, mantemos o navio-fábrica correndo por mais de 4.000 milhas. Mais importante ainda foi termos mantido dois dos três navios arpoadores fora das operações de caça às baleias por 30 dias. O terceiro navio baleeiro também foi mantido fora das operações de caça às baleia por pelo menos 50 por cento desses 30 dias enquanto fugia, e trabalhando sem a ajuda dos demais navios indo e voltando para aliviar os outros desperdiçando centenas de quilômetros a cada vez.

Nós estimamos que reduzimos as operações baleeiras este mês em 75 por cento, possivelmente até mais. Temos mais dois meses para continuar.

Com o Gojira de volta, a escolta do Nisshin Maru vai continuar, e uma vez que seja localizado novamente, o Bob Barker vai passar a confrontá-lo. Enquanto isso, o Steve Irwin vai reabastecer e retornar com novos suprimentos para os três navios, e em meados de fevereiro, todos os três navios da Sea Shepherd estarão na perseguição da frota baleeira japonesa até o final da temporada de caça às baleias.

Se tivéssemos apenas mais um navio aqui, o terceiro navio arpoador poderia ser mantido totalmente fora de ação. Mas temos que lidar com a situação e os recursos que temos, e estamos fazendo isso com o melhor de nossa capacidade.

Para escapar, o Nisshin Maru fez alguns movimentos desesperados e perigosos através do gelo espesso. Nós não poderíamos segui-lo sem sofrer danos graves no nosso navio, e assim continuamos correndo atrás deles, mordendo seus calcanhares, nos movendo junto deles, sabendo que eles estão olhando por cima dos ombros constantemente para ver se um navio negro está atrás deles .

Os caçadores tornaram-se a caça, e a nossa busca por esses assassinos de baleias vai continuar até o ponto em que os caçadores apontem ao norte para o Japão, e retornem com sua carga escassa, sangrenta e sem lucro.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

O Steve Irwin parte rumo à Nova Zelândia para reabastecer

Quinta-feira, 27 de janeiro de 2011.

Sea Shepherd escolta o navio Sun Laurel para fora do Santuário de Baleias do Oceano Antártico (Foto: Simon Ager)

Sea Shepherd escolta o navio Sun Laurel para fora do Santuário de Baleias do Oceano Antártico (Foto: Simon Ager)

O navio da Sea Shepherd, Steve Irwin, não tem outra alternativa a não ser parar de seguir o Nisshin Maru. O Steve Irwin irá agora para Wellington, na Nova Zelândia, para reabastecer e depois retornará para o Oceano Antártico.

“Temos de esgotar os nossos níveis de combustível até o ponto em que não temos escolha, a não ser voltar”, disse o Capitão Paul Watson.

O Bob Barker vai continuar perseguindo a frota baleeira. O Gojira está na rota de volta para o Santuário de Baleias do Oceano Austral, vindo de Hobart na Austrália.

“Nossa perseguição contínua, o fato da constante fuga do navio-fábrica, e que dois dos três navios arpoadores foram afastados da caça com a Sea Shepherd nas suas popas durante um mês tem prejudicado significativamente a capacidade da frota baleeira japonesa de realizar as suas operações aqui no santuário”, disse o capitão do Bob Barker, Alex Cornelissen. “Nós vamos persegui-los até o final da temporada. Este santuário de baleias deve ser defendido desses caçadores gananciosos”.

“Estou confiante de que as tripulações do Bob Barker e do Gojira podem manter a pressão sobre os baleeiros enquanto reabastecemos”, disse o Capitão Watson. “Eu tenho dois excelentes capitães e duas tripulações incrivelmente apaixonadas nos dois navios. As baleias permanecerão em boas mãos enquanto estamos fora”.

É uma viagem de sete dias para a Nova Zelândia, e sete dias para voltar, além de cerca de dois dias no porto. O Steve Irwin deve estar de volta no Oceano Antártico até meados de fevereiro. A temporada de caça vai durar até meados de março.

Os baleeiros estão cada vez mais desesperados nos últimos dias, e entraram em grandes áreas cheias de gelo para escapar dos navios da Sea Shepherd.

“Não importa para onde vão, nós vamos segui-los e seremos implacáveis na nossa perseguição. É um vasto oceano aqui, cheio de perigos da chuva e do gelo, e com nenhum recurso para assistência se for necessário. Reconhecemos estes perigos e reconhecemos que esta é uma campanha difícil contra uma oposição implacável. Não temos outra alternativa senão fazer tudo o que pudermos para salvar as baleias e defender o local que é designado por lei como um santuário para as baleias”, disse o Capitão Watson.

Foto: Glenn Lockitch
Foto: Glenn Lockitch

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Sea Shepherd encontra com sucesso o Nisshin Maru

Terça-feira, 25 de janeiro de 2011. 

Posição: 70 graus e 45 minutos ao sul
171 graus e 45 minutos a oeste

Navios envolvidos: baleeiros japoneses – Nisshin Maru, Yushin Maru 1 e Yushin Maru 2
Sea Shepherd Conservation Society – Steve Irwin
Em rota – Bob Barker e Yushin Maru 3

Após uma perseguição de 26 dias, cobrindo mais de 4.000 milhas, o Steve Irwin encontrou com o Nisshin Maru às 18:00 horas (horário australiano), em 25 de janeiro de 2011.

“Finalmente encontramos este navio serial killer, e daqui em diante, pretendemos nos grudar na sua traseira até o final da temporada de caça às baleias”, disse o Capitão Paul Watson a bordo do Steve Irwin. “Essa frota baleeira pertence a nós agora – comporta, estoque, e arpão fumegante”.

O Nisshin Maru visto do helicóptero Nancy Burnet

O Nisshin Maru visto do helicóptero Nancy Burnet

Os navios da Sea Shepherd Conservation Society, Steve Irwin, Bob Barker, e Gojira, encontraram a frota baleeira japonesa em 31 de dezembro de 2010, antes que os baleeiros tivessem a oportunidade de matar uma só baleia. Infelizmente, dois dos navios arpoadores bloquearam a aproximação do Nisshin Maru e o navio-fábrica conseguiu fugir, com os dois arpoadores seguindo os dois maiores navios da Sea Shepherd informando nossos movimentos para facilitar a fuga deste. O Gojira foi impedido de seguir o Nisshin Maru imediatamente, devido às condições de gelo arriscadas.

O Gojira se manteve à frente do Steve Irwin e do Bob Barker, já que o Nisshin Maru fugiu para oeste. Em 10 de janeiro, o Gojira encontrou o navio de reabastecimento Sun Laurel. Em 12 de janeiro, o Bob Barker e o Steve Irwin encontraram o navio-tanque e começaram a seguir o navio de propriedade coreana, permitindo ao Gojira continuar a oeste em busca do Nisshin Maru.

O Sun Laurel seguiu rumo ao norte e leste com a finalidade de aumentar ao máximo a distância entre o navio-fábrica e eles. Os navios da Sea Shepherd continuaram seguindo o Sun Laurel, sabendo que era essencial para cortar os suprimentos para a frota baleeira. Com dois dos três navios arpoadores nos seguindo por 23 dias tivemos a confirmação de que esses dois navios não tinham conseguido matar nenhuma baleia.

Com o Sun Laurel rumo ao leste e mais próximos do Chile do que da Nova Zelândia, o Capitão Watson aproveitou uma oportunidade para fugir em 18 de janeiro. O Bob Barker continuou acompanhando o Sun Laurel, com um navio arpoador ainda o seguindo. O outro navio arpoador, tendo perdido o Steve Irwin, partiu para  encontrar o Nisshin Maru.

O Yushin Maru 1 cortando o gelo

O Yushin Maru 1 cortando o gelo

O Gojira estava seguindo o progresso do Nisshin Maru, lançando balões meteorológicos equipados com câmeras remotas e detectores de radar. Infelizmente, o Gojira teve um problema com as bombas de combustível e o Capitão Locky MacLean preferiu retornar ao porto Hobart para substituir as bombas. Esta decisão foi mantida em sigilo, a fim de manter o Nisshin Maru correndo até que o Steve Irwin pudesse se aproximar.

Em 23 de janeiro, o Capitão Watson tomou uma decisão arriscada, cancelando a perseguição do Bob Barker ao navio de abastecimento Sun Laurel. Sua preocupação era que o Nisshin Maru, com dois navios arpoadores, poderia começar as operações de caça às baleia no Mar de Ross em poucos dias.

O Bob Barker foi instruído a seguir ao sul, como um chamariz para o Yushin Maru, enquanto o Steve Irwin entrou no mar de Ross.

O Nisshin Maru tentando escapar do Steve Irwin, passando pelo gelo

O Nisshin Maru tentando escapar do Steve Irwin, passando pelo gelo

E hoje, depois de uma perseguição de 26 dias, o Nisshin Maru foi finalmente encontrado, agora o Steve Irwin está na sua traseira. O Bob Barker, a cerca de 300 quilômetros de distância, foi instruído a se juntar ao Steve Irwin.

Infelizmente, a frota baleeira japonesa parece ter começado suas operações baleeiras ilegais. Há uma baleia atualmente sendo massacrada no convés. O objetivo da Sea Shepherd agora é ter certeza de que esta baleia é a última a ser morta nesta temporada.

A frota baleeira foi pega em um compartimento de gelo no mar de Ross, e foge para o leste, no gelo. O Steve Irwin pretende seguí-la.

O Nisshin Maru sai do gelo

O Nisshin Maru sai do gelo

Não há dúvida de que esta temporada será um desastre financeiro para a frota baleeira japonesa.

“Nós estamos indo bem em nossa missão de afundar economicamente essa frota baleeira”, disse o Capitão Watson. “Agora vamos perseguí-los através dos portões congelados do inferno se for necessário, mas vamos parar suas operações ilegais… estou confiante disso!”

25 de janeiro de 2011
O Yushin Maru 1 e Nisshin Maru são encontrados, e então fogem pelos campos de gelo

video:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=QDIY6s6Iv9Q&feature=related[/youtube]

O navio baleeiro japonês Yushin Maru 1 abre caminho através de fragmentos de gelo com o navio-fábrica Nisshin Maru seguindo atrás. (1:14 sem áudio)

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.