Editorial

O fim da caça às baleias no Oceano Antártico está a vista

Comentário do Capitão Paul Watson

A frota baleeira japonesa controlada pela Yakuza, partiu dia 19 do Japão iniciando oficialmente sua viagem de 6000 milhas em direção às remotas águas do Território Antártico Australiano. Sua intenção é a de assassinar 925 baleias Minke antárticas protegidas e 50 Baleias Fin em perigo de extinção dentro do Santuário do Oceano Antártico Sudoeste , agindo contra a moratória global da caça às baleias (que passou a vigorar em 1986) e em direta violação do Tratado da Antártida.

Estas pessoas são caçadores criminosos e estão engajados na chacina cruel e sem sentimentos dos maiores e mais inteligentes seres sentientes e socialmente complexos que atualmente existem nos oceanos.

A frota japonesa composta de oito navios segue ao sul através da costa pacífica asiática passando pela costa oeste australiana rumo ao extremo dos campos de gelo antárticos. Chegando lá irão desencadear o horror de seus canhões arpoadores com o intento de extinguir as vidas de quase mil baleias. Estão fazendo este sob a desculpa falsa e ridícula que tal matança está sendo conduzida com fins de “pesquisa científica”.

A caça as baleias é uma “tradição” no Japão que se iniciou ao mesmo tempo em que a tortura com fins científicos tornou-se tradicional. Começaram a fazer uma letal, assim chamada, “investigação científica” em seres humanos logo antes e durante a segunda guerra mundial e em 1946 com o auxilio do General Douglas MacArthur criaram suas frotas baleeiras para iniciarem os Cetacídios nos Oceanos do Sudoeste.

Nosso trabalho é parar os assassinatos e salvar as vidas do maior número de baleias possível, as embarcações da Sea Shepherd, os navios, Steve Irwin e o recém adquirido Ady Gil estão prontos para partir de Fremantle, Oeste da Austrália no dia 7 de dezembro. A frota japonesa e a Frota da SEA SHEPHERD devem chegar às costas antárticas por volta da mesma época.

A Sea Shepherd vai novamente levar a bordo uma equipe de filmagem para as águas do Sul a fim de colherem imagens e vídeos para produzir a terceira temporada do programa do Animal Planet WHALE WARS(Defensores de Baleias conforme foi divulgado no Brasil pelo Animal Planet e Discovery Channel).

Esperançosamente, esta será a última temporada deste programa. Nosso objetivo é afundar economicamente a frota baleeira japonesa e cremos ser este o ano em que teremos a melhor chance de fazê-lo. Temos um programa televisivo que é sucesso no ar onde as estrelas principais, as baleias, querem que o programa termine pois o fim da caça às baleias por parte dos japoneses trará um final à Guerra das Baleias (Whale Wars corretamente traduzido para o português).

As ultimas três Campanhas Antárticas da Sea Shepherd em Defesa das Baleias, Operação Leviathan (2006-2007), Operação Migaloo (2007-2008) e Operação Musashi (2008-2009), foram bem sucedidas em cortar as quotas de matança autorizadas pela Comissão Baleeira Internacional pela metade negando os lucros da frota baleeira.

O objetivo a longo prazo da Sea Shepherd é afundar economicamente a frota baleeira. Estamos muito próximos de levar esta frota à falência, estou confiante que iremos ferir seus lucros significativamente este ano ao ponto que possamos forçar o fim da frota baleeira japonesa.

Isto também dá ao governo de Hoshikawa uma maneira honorável de recuar suas atividades baleeiras no oceano do sul. Interromper os subsídios para uma indústria que consistentemente falha em ser lucrativa é simplesmente um bom negócio. O Comitê de Revisão de Despesas estabelecido pelo novo primeiro ministro japonês, Yukio Hatoyama, recomendou que o financiamento para a Fundação Ultramarina de Cooperação de Pesca estivesse cancelado após 2010. Esta fundação é a maior financiadora do instituto de Pesquisa de Cetáceos sediado em Tóquio.

Caso os empréstimos do governo para os baleeiros forem revogados, é improvável que o Instituto de Pesquisa de Cetáceos possa continuar a operar. Informes da mídia japonesa afirmam que o Instituto falhou em reembolsar integralmente mais de um bilhão de Yenes em empréstimos anteriores da Fundação Ultramarina. A Sea Shepherd Conservation Society é a razão destes empréstimos não terem sido reembolsados. Nossas intervenções tem sido bem sucedidas negando-os ao lucro pelos últimos três anos fiscais.

Além disso, o comitê estará reavaliando as despesas do Departamento de Negócios Exteriores e suas despesas em subornos para países do terceiro mundo em troca de seus votos pró-baleeiros nas reuniões da Comissão Baleeira Internacional.

Há uma grande possibilidade de muitos destes governos fantoches (Pró-baleeiros e pró Japão) do terceiro mundo não poderem aparecer no encontro da CBI (Comissão Baleeira Internacional) de 2010 agendado para ocorrer em Junho no Marrocos, África.

O presidente dos Estados Unidos da América do Norte, Barack Obama, estará visitando o Japão nesta semana e o assunto dos baleeiros está em sua agenda para este encontro com o primeiro ministro japonês.

A posição dos Estados Unidos é contrária aos baleeiros comerciais e pesquisa cientifica letal, como foi expresso em um informe do Departamento de Estado Americano, o qual diz “Os Estados unidos estão comprometidos em avançar rumo à conservação global e gerenciamento de grandes populações de baleias através de políticas de base científicas e liderança na Comissão Baleeira Internacional (CBI).”

O Departamento de Estado prossegue afirmando que “Os Estados Unidos continuam vendo a moratória comercial das baleias como uma medida conservacionista necessária e crêem que baleeiros científicos letais não são mais necessários no gerenciamento moderno conservacionista.”

Enquanto isso, 40 Organizações Não Governamentais sediadas na América Latina requisitaram a seus governos que tomem ações diplomáticas contra a matança de baleias com “fins supostamente científicos” a fim de salvar as vidas de centenas de baleias no Hemisfério Sul.

Adicionando peso aos nossos esforços, temos uma petição apresentada mais cedo esta semana ao Japão, assinada pelos comissários latino americanos da Comissão Baleeira Internacional.

Elsa Cabrera, diretora executiva do Centro de Conservação dos Cetáceos do Chile disse que “o vasto suporte das ONGs latino americanas é uma mensagem forte aos nossos governos sobre a necessidade de publicamente rejeitar as operações assim chamadas “científicas” de caça às baleias, uma atividade que não é regulamentada e que é conduzida sem quaisquer mecanismos de controle em águas que paradoxalmente são um santuário de baleias”.

Na petição as ONGs afirmaram que “desde a implementação da moratória comercial às baleias, o governo japonês capturou mais de 8.000 baleias no Santuário de Baleias do Oceano Sul”.

Roxana Schteinbarg, coordenadora executiva do Instituto de Conservação de Cetáceos da Argentina declarou, “nós estamos confiantes que nossos governos estarão atentos às nossas preocupações iniciando ações que possam frear a frota baleeira japonesa”.

Os navios da Sea Shepherd estarão rumando ao confronto com a frota baleeira japonesa aos olhos do mundo. Temos um desafio difícil. Os baleeiros japoneses tentarão nos matar, se machucarem ou matarem qualquer um da minha tripulação ou eu mesmo o governo do Japão terá de se justificar e defender-se de seus crimes.

Nós por outro lado devemos intervir para frear os baleeiros sem machucar nenhum dos marinheiros e trabalhadores japoneses embarcados sabendo que não importa quais métodos não violentos usemos, nossos governos não nos apoiarão e se nos metermos em problemas irão condenar nossas ações não importa quão cuidadosas sejam as nossas táticas.

O Greenpeace que já condenou os esforços da Sea Shepherd continua angariando fundos para salvar as baleias apesar do fato que eles não retornaram ao Santuário das Baleias do Oceano Sul nos últimos dois anos e não tendo planos para retornar este ano. Mais uma vez as embarcações da Sea Shepherd irão perseguir os baleeiros sem qualquer suporte ou apoio de outra ONG ou governo.

Tem sido uma campanha prolongada, esta é a sexta viagem que a Sea Shepherd montou para intervir na caça ilegal de baleias por parte dos japoneses. Nossa estratégia durante todo tempo tem sido afundar economicamente a frota baleeira japonesa – levá-los à falência.

Estou confiante que atingiremos este objetivo e estou esperançoso de que esta seja a última viagem que teremos de empreender para defender as baleias no Santuário do Oceano Sul.

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