Capitão Paul Watson recebe o Prêmio Jules Verne

Por Lamya Essemlali, presidente da Sea Shepherd França

O Prêmio Jules Verne 2012 é concedido ao Capitão Paul Watson (ausente) em Paris. Foto: Sea Shepherd

O fundador e presidente da Sea Shepherd Conservation Society, o Capitão Paul Watson, tornou-se a segunda pessoa, depois do Capitão Jacques Cousteau, a ser homenageado com o Prêmio Jules Verne, dedicado aos ambientalistas e aventureiros.

Em 10 de outubro, eu estava orgulhosa de representar o Capitão Watson em Paris, para receber o prêmio em seu nome, por sua extraordinária batalha ao longo da vida para defender e proteger os nossos oceanos.

A cerimônia foi realizada na presença de Richard Dean Anderson, um amigo de longa data, e partidário do Capitão Watson, que também recebeu o Prêmio Jules Verne na categoria Artista.

Durante a cerimônia em Paris, também tive o grande prazer de mais uma vez me reunir com o querido amigo do Capitão Watson, Jacques Perrin, produtor e diretor do filme Oceano, um dos filmes mais espetaculares já feitos sobre os nossos oceanos. Monsieur Perrin também recebeu o Prêmio Jules Verne na categoria Artista.

Após a cerimônia, Jacques Perrin expressou seu apoio contínuo ao seu amigo Capitão Paul Watson.

Sabendo da grande admiração que o Capitão Paul Watson tem tanto por Jules Verne quanto para o Capitão Cousteau, e sua amizade com Jacques Perrin e Dean Richard Anderson, não há dúvida de que ele estaria muito bem acompanhado, se a sua dedicação pelas baleias e pelas criaturas marinhas não lhe custasse uma parcela de sua liberdade. Mas, como ele muito bem declarou em uma mensagem gravada especialmente para a ocasião, “o custo da [sua] liberdade em troca das vidas de milhares de focas, baleias, tubarões e criaturas do mar é um investimento que vale a pena”.

E o público estava bem ciente deste fato, naquela noite, quando a voz do Capitão foi transmitida no auditório do palácio histórico parisiense do Grand Rex. Foi sem dúvida o momento mais emocionante da noite.

Todos nós sentimos muito a falta do Capitão. Ele merecia estar lá com a gente, e ele devia ter recebido o prêmio em pessoa. No entanto, foi com imensa honra e um aperto no meu coração que eu recebi este prestigioso prêmio em seu nome. Vou preciosamente guardá-lo até que ele possa voltar à praia novamente.

Depois de ouvir sobre a cerimônia, o Capitão Watson enviou uma mensagem para mim dizendo o quanto ele apreciava todas as manifestações de carinho, respeito e apoio que as pessoas presentes manifestaram para ele e para o trabalho da Sea Shepherd Conservation Society.

“Obrigado Lamya, Richard, e Jacques por me representarem e falarem em meu nome. Eu nunca liguei muito para prêmios, mas este, bem, ele era diferente, porque é o Prêmio Jules Verne, e a associação deste prêmio com o lendário capitão do Calypso, Jacques Cousteau, o torna muito especial”.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Tubarões em perigo na Austrália, graças ao Departamento de Pesca

Tubarões alinhados no convés. Foto: Tim Watters / Sea Shepherd

A Austrália Ocidental está pronta para continuar alimentando o apetite da Ásia por barbatana de tubarão, em uma jogada controversa conduzida pelo Ministro das Pescas, Norman Moore. Uma delegação foi à China, liderada pelo Diretor Geral do Departamento de Pesca, Stuart Smith, e descobriu que haveria uma forte demanda por barbatana de tubarão da Austrália Ocidental com um “selo verde”, que garante a proveniência de fontes sustentáveis. O ministro e seu departamento já solicitaram que o Conselho Independente da Marinha analise os limites do Estado de captura e práticas de pesca, para que a Austrália Ocidental possa ser certificada como uma pesca sustentável. – Extraído de um artigo do Sunday Times, de 07 de outubro de 2012.

Existem muitas campanhas para salvar os tubarões, há muitos anos, de diversas organizações, com embaixadores como Sir Richard Branson, Yao Ming e Jackie Chan para contribuintes individuais. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer antes que a humanidade perceba o importante papel que os tubarões desempenham na saúde dos nossos oceanos, e a barbárie cruel do comércio de barbatanas de tubarão. As alegações de que o mercado de barbatana de tubarão está quebrando devido à campanha por grupos verdes são completamente falsas. O que está acontecendo é simplesmente que as populações de tubarões em todo o mundo estão reduzindo devido ao excesso de pesca e à demanda contínua de barbatanas de tubarão. Um estudo da IUCN (International Union for Conservation of Nature) mostrou que um terço de todas as espécies de tubarão está ameaçada de extinção – a maioria não vai sobreviver depois de 2020. Nos últimos 20 anos, as populações de tubarões em todo o mundo têm estado em declínio, algumas em até 90%. Como último recurso, finners de tubarão estão cada vez mais invadindo reservas marinhas, uma vez que estes são os únicos lugares restantes, a última fortaleza de tubarões. Estas reservas marinhas, lugares raros e únicos, devem ser protegidas para garantir o banco de biodiversidade dos oceanos.

O Diretor do Departamento de Pesca, Stuart Smith, dizer que a Austrália pode fornecer um produto sustentável de barbatana de tubarão para o mercado asiático, destrói completamente o importante trabalho que tem sido feito por Branson, Ming, Chan e todas as organizações não-governamentais em campanha para salvar os tubarões. Sem mencionar o trabalho incansável realizado pela Sea Shepherd em todo o mundo, mais notavelmente em Galápagos, onde a Sea Shepherd está trabalhando ao lado de autoridades em seus esforços para acabar com a caça ilegal de tubarões na Reserva Marinha de Galápagos. Além da Austrália Ocidental e Galápagos, existem vários Estados e províncias ao redor do mundo que proíbem a remoção das barbatanas de tubarão ou importação/exportação de produtos de tubarão. Declarações como esta feita por Stuart Smith mostra uma completa falta de respeito, não só para com tubarões e o mundo natural, mas também para com as gerações futuras, e destaca que o Sr. Smith é completamente ignorante sobre o importante papel desempenhado pelos tubarões na saúde dos nossos oceanos, e a grave situação que enfrentam a nível mundial.

“Não existe pesca sustentável do tubarão, os tubarões estão ameaçados de extinção em todo o mundo. A decisão do governo da Austrália Ocidental foi tomada por políticos que perderam o contato com a realidade. É a cobiça sobre a lógica, o lucro sobre a natureza, o dinheiro sobre o nosso futuro. Aqui o povo de Galápagos está em contato com a natureza, e eles entendem que o valor de um tubarão vivo supera em muito o valor de um morto. É tempo dos políticos da Austrália Ocidental acordarem e aderirem ao programa”, disse Alex Cornelissen, da Sea Shepherd Galápagos.

Diretor da Sea Shepherd Galápagos, Alex Cornelissen. Foto: Tim Watters / Sea Shepherd

Oferecer um dos últimos redutos remanescentes para os tubarões para os mercados da Ásia seria como encontrar um grupo desconhecido de rinocerontes pretos africanos  e oferecê-los aos caçadores. Não existe barbatana de tubarão sustentável, e abrir esta área para a pesca de tubarão só irá permitir um nível ainda maior da corrupção no comércio ilegal de barbatanas de tubarão, um comércio que é apenas o terceiro, atrás apenas do comércio ilegal de drogas e armas. É a este setor que os australianos querem estar ligados?

O mundo está muito preocupado com o estado das populações de tubarões, e vai acompanhar o governo da Austrália Ocidental muito de perto sobre isso. A partir de um sentido puramente econômico, não só haveria uma perda direta na indústria do mergulho, já que muitos mergulhadores chegam à Austrália Ocidental para ver tubarões, mas devido à indignação absoluta da comunidade mundial, pode até mesmo haver um boicote do turismo na Austrália Ocidental se esta oferta de barbatanas de tubarão for seriamente ‘colocada na mesa’ para o mercado asiático.

O Diretor australiano, Jeff Hansen, afirmou: “Imagine a nossa população de baleias jubarte hoje, se bem na véspera da moratória mundial da caça comercial alguma nação oferecesse uma forma sustentável de carne de baleia jubarte para o mercado. Os tubarões têm mantido nossos oceanos saudáveis por mais de 450 milhões de anos, os oceanos que nos dão até 80 por cento do nosso oxigênio, contamos com tubarões a cada dia para a nossa própria sobrevivência. Nós precisamos deles, eles não precisam de nós, e por isso nós precisamos dar a eles o respeito que merecem. Podemos viver muito bem sem uma sopa sem sabor e sem valor nutricional, mas não podemos viver neste mundo sem tubarões.”

Stuart Smith, Norman Moore e o Governo da Austrália Ocidental têm a oportunidade de defender os tubarões e defender a saúde dos nossos oceanos, para o benefício das gerações atuais e futuras.

O que você pode fazer para ajudar?

Entre em contato com o Ministro das Pescas, Norman Moore, para que ele saiba as suas preocupações sobre este assunto.

Para contatar o Ministro:

Honorável Norman Moore BA DipEd JP MLC
Ministro das Minas e Petróleo; Pesca; Assuntos Eleitorais
Endereço: 4th Floor, London House, 216 St Georges Terrace, PERTH WA 6000
Telefone: (08) 6552-5400
Fax: (08) 6552-5401
e-Mail: Minister.Moore@dpc.wa.gov.au

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

 

Os golfinhos precisam da sua ajuda!

Os Guardiões da Enseada precisam substituir equipamentos necessários.

Comprador de carne em Taiji. Foto: Sea Shepherd

Mais uma vez a polícia na prefeitura de Wakayama nos mostra que estamos sendo eficazez na Operação Paciência Infinita. Os policiais invadiram o hotel de todos os Guardiões da Enseada no Japão e apreenderam cartões SD, telefones e computadores. A polícia diz que levará pelo menos duas semanas até que os itens sejam devolvidos.

Aparentemente, o ataque é em resposta ao dano causado a uma estátua por um ato descuidado de um voluntário Guardião da Enseada. Mas é mais que isso. Mantendo todo esse equipamento confiscado por tanto tempo, a polícia está efetivamente impedindo nossas comunicações. Eles não querem que nós divulguemos as atrocidades. Eles não querem o envio de atualizações pelo Twitter. Eles não querem que a gente publique fotos e vídeos da crueldade infligida sobre os golfinhos lá. Eles não querem que lembremos ao mundo que o Japão é desonroso e vergonhoso. Além disso, a perda de comunicação compromete a segurança dos bravos voluntários.

Em dezembro de 2011, a polícia japonesa conduziu falsas alegações e acusações contra o Guardião da Enseada Erwin Vermeulen. Erwin foi finalmente declarado inocente das acusações em um tribunal japonês e as autoridades ficaram envergonhadas. Durante a “investigação”, a polícia apreendeu nossos computadores, o que teria nos prejudicado, se não tivéssemos substituído rapidamente o equipamento e o colocado em uso. Muitos apoiadores em todo o mundo reagiram e fizeram doações para ajudar a Sea Shepherd a substituir o equipamento e voltar à campanha.

Agora a polícia japonesa está se utilizando de um infeliz incidente e estão tentando transformá-lo em algo que não é. Nós certamente não queríamos que a estátua fosse danificada. Somos muito claros em nossas instruções para os Guardiões da Enseada de que não vamos tolerar a violação de qualquer lei japonesa. Além disso, a polícia usou a desculpa de outra “investigação” falsa para prejudicar nossas comunicações. Nós não vamos deixá-los prevalecer, e com a sua ajuda, vamos levantar os fundos necessários para substituir o equipamento necessário pelos Guardiões da Enseada. Precisamos de cerca de US$ 4.000 para substituir o equipamento e configurar os serviços e conexões necessárias para manter a campanha em frente. Por favor, ajude-nos a levantar esses fundos! Qualquer valor a mais será usado para locação de veículos, combustível, serviço de telefone, Internet, etc.

Continuamos a monitorar a captura e transporte de golfinhos selvagens para parques marinhos e aquários ao redor do mundo. Estes lugares lucram com o tormento dos golfinhos. Não há nenhuma razão legítima para capturar e manter golfinhos e outros cetáceos em cativeiro. Estamos trabalhando para acompanhar os golfinhos que recentemente foram levados de Taiji. Nós documentamos um homem ocidental envolvido nesta transferência e vamos publicar a sua identidade e seu destino, uma vez que tivermos esta informação confirmada.

Faça sua doação: https://my.seashepherd.org/NetCommunity/SSLPage.aspx?pid=184

Pelos oceanos,
Scott West
Coordenador da campanha Guardiões da Enseada
Sea Shepherd Conservation Society

Polícia de Taiji. Foto: Sea Shepherd

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Sea Shepherd no coração de um escândalo japonês

Fogo em frente ao porto. Foto de arquivo

Parece que a campanha da Sea Shepherd para interromper as operações baleeiras ilegais no Santuário de Baleias da Antártica está tendo um sério impacto político, além de massivas perdas financeiras pela indústria baleeira. Na semana passada, a mídia japonesa informou que os baleeiros perderam 20,5 milhões de dólares na última temporada por causa das intervenções da Sea Shepherd. Esta história foi também relatada no New York Times e na edição atual da revista Newsweek.

Esta semana, o Yomiuri Shimbun está relatando que a realocação de verbas do Fundo de Apoio do Grande Terremoto do Leste do Japão para despesas não relacionadas a desastres está finalmente causando um escândalo político no Japão.

Um ano atrás, quando o Capitão Paul Watson expôs publicamente o fato de que cerca de 30 milhões de dólares foram relocados do Fundo de Apoio do Tsunami especificamente para oposição às operações da Sea Shepherd Conservation Society, ele foi acusado pelo governo japonês de estar mentindo, apesar de a Agência de Pescas japonesa ter noticiado que a realocação tinha sido feita de fato. Outros defensores dos baleeiros afirmaram que os recursos foram alocados de impostos e não do fundo de apoio. Na época, a mídia japonesa não expressou muito interessa na alocação. Agora, um ano depois, a mídia japonesa parece enxergar isso como um escândalo, e se fato é. O governo japonês tem abusado seriamente da boa vontade das pessoas ao redor do mundo, gastando fundos destinados às vítimas do terremoto e do tsunami em projetos que não têm relação com os desastres.

Como o Yomiuri Shimbun relata:

“Alocações fiscais para a reconstrução de áreas devastadas pelo Grande Terremoto do Leste do Japão têm sido utilizadas para projetos que não têm relação direta com áreas atingidas por desastres. Esse desvio de fundos não pode ser ignorado”.

“Sob pressão do Partido Liberal Democrático na Comissão de Auditoria e Fiscalização da Administração da Câmara dos Representantes, o Ministério das Finanças e outros ministérios listaram projetos em andamento. Muitos dos projetos são suspeitos de não serem essenciais para a reconstrução. O Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca destinou o custo de lidar com a Sea Shepherd, uma organização anti-baleeira, como parte do orçamento de reconstrução. Seu raciocínio é de que apesar dos protestos anti-baleeiros poderem ser interrompidos, eles irão afetar a reconstrução de Ishinomaki, na província de Miyagi, que possui instalações para processamento de baleias”. O Yomiuri Shimbun descreve isto como uma “desculpa esfarrapada” do Vice Primeiro Ministro, Katsuya Okada.

Otsuchi, Japão. Foto de arquivo

Parece que a alocação para se opor a Sea Shepherd foi um dos abusos mais descaradamente desconectados do fundo. Os 30 milhões de dólares foram destinados para uma campanha de relações públicas contra a Sea Shepherd, para uma ação movida nos Estados Unidos buscando uma liminar contra a Sea Shepherd, para pressionar a Costa Rica a ressuscitar uma acusação de uma década atrás, previamente retirada, contra o Capitão Paul Watson, e também para pressionar a Interpol a emitir uma notificação de “Alerta Vermelho” para o Capitão Paul Watson. Fundos foram também realocados para fornecer um navio de segurança para acompanhar a frota baleeira.

O governo japonês ficou envergonhado quando anti-baleeiros australianos embarcaram com sucesso nesse navio de segurança na costa da Austrália, além da Sea Shepherd ter cortado em 74% a cota de matança de baleias. Alimentando a raiva sobre esse escândalo está o relatório que diz que o governo japonês está enganando os contribuintes japoneses sob o pretexto de usar o aumento dos impostos como um importante recurso para realizar a reconstrução. Para isso, o imposto residencial e o imposto de renda vão aumentar mais do que aumentaram em períodos de 10 e 25 anos, respectivamente, de acordo com o jornal. Apesar do escândalo, o governo japonês vai mais uma vez realocar fundos para subsidiar a frota baleeira e se opor aos navios e tripulantes da Sea Shepherd. Eles estão também gastando grandes somas de dinheiro em suas tentativas de rastrear o Capitão Paul Watson. Parece que o governo japonês está com a impressão que se  o Capitão Paul Watson for eliminado, eles poderão remover a oposição da Sea Shepherd às suas atividades baleeiras ilegais.

Críticos dentro e fora do Japão, irritados com o mau uso dos fundos, estão se perguntando quanto mais desse dinheiro do Fundo de Apoio a Desastres será desperdiçado para defender da falência a indústria baleeira posando de projeto de pesquisa que nunca produziu um único artigo científico internacional revisado em um quarto de século de operações. O navio-fábrica baleeiro Nisshim Maru está agora na doca seca em Hiroshima, sendo melhorado com enormes gastos públicos. Enquanto isso, quatro navios da Sea Shepherd estão aguardando no Pacífico Sul para mais uma vez intervir contra essa indústria montada em escândalo que só continua a existir como um projeto de boa-ação glorificado financiado por indivíduos que pensam que suas doações estão servindo para ajudar pessoas, não para matar baleias.

Otushi, Japão. Foto de arquivo

Guardiões da Enseada passando por Otushi, Japão. Foto de arquivo

Traduzido por Drica de Castro, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

 

Notícia de seis golfinhos embarcados em Taiji

Golfinhos transferidos via Japan Airlines pelo aeroporto de Heathrow a caminho de parque marinho desconhecido

Comprador levado de esquife para visitar os golfinhos no cativeiro. Foto: Sea Shepherd

Desde as notícias de 9 de outubro da compra e embarque de seis golfinhos pegos na Enseada de Taiji, a Sea Shepherd Conservation Society tem recebido relatórios não confirmados do paradeiro de seis golfinhos-nariz-de-garrafa levados da enseada e colocados em containers de transporte aéreo para traslado.

A Sea Shepherd descobriu, através de fontes em terra hoje, que seis golfinhos chegaram ao aeroporto de Heathrow pela Japan Airlines no voo JL401 de Tóquio. Embora nem a Japan Airlines, nem o aeroporto de Heathrow em Londres confirmem se os golfinhos chegaram, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais do Reino Unido confirma que receberam a papelada para liberar a entrada dos golfinhos. Os animais partiram das águas do cercado da união de pescadores de Taiji, dentro do porto de Taiji, aproximadamente às 6 da manhã, hora do Japão, em 9 de outubro, depois de um processo de embarque que levou quatro horas estressantes.

Um Guardião da Enseada observador estava no mesmo voo que o comprador e notou que a bagabem do comprador tinha a logomarca de Marineland Mallorca (um parque Aspro). Por acaso, ele o viu novamente na Enseada no dia seguinte, trabalhando com os golfinhos e preparando-os para o transporte junto com os treinadores. Ele também estava gerenciando o local e filmando o processo de embarque com os matadores da união de pescadores. Fontes em terra identificaram o homem como sendo um possível ex-funcionário de Marineland Mallorca. Essas fontes têm razão para acreditar que ele possa ter adquirido os golfinhos em nome de um zoológico de Lisboa, ou de um parque marinho dos Emirados Árabes Unidos, para onde podem estar sendo levados. Em relação às novas informações obtidas, parece que os golfinhos não estão sendo levados aos parques marinhos da Aspro International, na Europa, conforme havia sido informado antes. A informação recebida estava errada, pois esse comprador não estaria comprando para a Aspro, de modo que a Sea Shepherd retira esta informação.

“Seis golfinhos-nariz-de-garrafa foram roubados de suas famílias e de tudo que lhes é natural e foram embarcados em tanques de transporte para voarem ao redor do mundo”, disse Melissa Sehgal, líder dos Guardiães da Enseada. “Já fazem mais de dois dias e os golfinhos ainda não chegaram ao seu destino final. O que isso mostra sobre o fato desses animais terem que sofrer para uso como entretenimento humano? Quando alguém compra uma entrada para um show de golfinhos ou um programa de nadar com golfinhos, essa pessoa participa do seu sofrimento imenso”, completou.

O comprador os adquiriu e, na segunda-feira pela manhã, transferiu seis golfinhos-nariz-de-garrafa capturados na natureza há seis semanas na infame Enseada da Morte de Taiji. Visto aqui e ali desde sábado na união de pescadores de Taiji, pescadores que conduzem as caçadas a golfinhos e baleias-piloto, o comprador passou horas trabalhando com os golfinhos e os treinadores locais para prepará-los para o transporte. Esses golfinhos-nariz-de-garrafa foram adquiridos do Museu de Baleias de Taiji, que pega golfinhos capturados na natureza da enseada e vende-os por centenas de milhares de dólares cada para viverem vidas vazias e solitárias em cativeiro.

Comprador e treinador local nos cercados de golfinhos cativos. Foto: Sea Shepherd

Taiji é o local inicial do comércio internacional lucrativo de golfinhos vivos. Esses seres altamente sociais e inteligentes são roubados de suas famílias na natureza e forçados a uma existência solitária de confinamento, onde precisam realizar truques para comer. Na maioria dos casos, o restante do grupo capturado é morto e sua carne consumida. Como parte de um acordo entre a união de pescadores e a Associação Mundial de Zoos e Aquários, os seis golfinhos adquiridos não eram parte de uma caçada na qual outros golfinhos fossem mortos, como ocorre geralmente. Entretando, uma das caçadas, na qual os golfinhos não escolhidos para venda foram levados de volta ao mar, um dos golfinhos sucumbiu ao estresse, ou foi ferido no processo de soltura e, posteriormente, foi encontrado flutuando morto ao largo da enseada. Os Guardiães da Enseada acreditam que seu corpo possa ter sido levado para o matadouro e vendido como carne.

O massacre brutal de golfinhos que ocorre em Taiji é uma matança mundialmente conhecida, que ganhou fama pelo documentário vencedor de Oscar “The Cove – A Enseada” (2009). Os Guardiães da Enseada são sentinelas da Sea Shepherd que testemunham e documentam as matanças terríveis dos golfinhos que ocorrem anualmente na pequena vila de pescadores. São voluntários de todo o mundo que trabalham incansavelmente em terra, em Taiji, para evidenciar as atrocidades cometidas contra essas criaturas amáveis, cativantes e sociais, com o objetivo de por um fim ao massacre.
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O que VOCÊ pode fazer pelos golfinhos:

• Telefone, envie um fax, ou mande um email para a Japan Airlines e, com firmeza e cortesia, diga que você exige que eles parem de transportar golfinhos capturados na enseada de Taiji.

Japan Airlines Corporate Office
número gratuito: 0120-25-8600 das 9:00 às 17:00 diariamente
Usando um telefone celular (cobrado): 0570-025-519
Fazendo chamada internacional. (cobrado): Tóquio 03-5460-3715

• Escreva para:

JAPAN AIRLINES Customer Support
NRE Tennozu Building 2-4-11 Higashi shinagawa Shinagawa-ku,
Tóquio 140-8790 Japão

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• Observe golfinhos que estejam a caminho de um parque marítimo na sua região. A primeira pessoa a identificar de modo preciso e a localizar o paradeiro destes golfinhos, receberá uma camiseta dos Guardiães da Enseada. Procure nossa postagem na página do Facebook de Sea Shepherd Cove Guardians para maiores informações.

Comprador e treinador local observam os golfinhos “fazendo truques” em troca de peixe morto. Foto: Sea Shepherd

Comprador e treinador local. Foto: Sea Shepherd

Comprador (de jaqueta vermelha) filma golfinho que chora ao ser erguido por guindaste para o caminhão de transferência a caminho do aeroporto. Foto: Sea Shepherd

Golfinho aterrorizado chora ao ser erguido por guindaste para caminhão de transferência Foto: Sea Shepherd

Traduzido por Carlinhos Puig, voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil