Instituto Sea Shepherd Brasil realiza encontro nacional

Por Guilherme Ferreira, voluntário de comunicação do Instituto Sea Shepherd Brasil

O encontro nacional do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB), que ocorreu no feriado do dia 15 de novembro, na Praia do Hermenegildo (RS), contou com a presença de diretores e voluntários do ISSB. Estavam representados os Núcleos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Uruguai.

Reunião para o estabelecimento de metas para o ano de 2013. Foto: ISSB

Durante a oportunidade, foram apresentados os trabalhos realizados pelos Núcleos, balanço financeiro e resultados das ações de campo. Também foram traçadas as metas e objetivos para 2013. Além disso, foram votadas quais ações serão trabalhadas, pelo ISSB, para o próximo ano.

Apresentações dos Núcleos Regionais. Foto: ISSB

O clima de integração, troca de experiências e confraternização marcaram este momento histórico da ONG. Em 13 anos de atuação do Instituto Sea Shepherd Brasil, nunca havia ocorrido um evento deste porte. “Esta foi a primeira vez que conseguimos reunir todos que realmente se envolvem no dia-a-dia da organização, o que é realmente importante, pois nos une, ainda mais, na defesa da vida marinha. Além disto, o processo de imersão no tema conservação foi de suma importância, pois todos os participantes puderam viver intensamente, por quatro dias, em ambiente quase selvagem e com grande diversidade de vida marinha, o contato com algo que só fazia parte de sua realidade através de vídeos ou imagens”, comemora o Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd Brasil, Wendell Estol.

Na oportunidade, os presentes puderam conhecer a vasta diversidade do Litoral Sul gaúcho. Saídas de campo, contato direto com o ecossistema da região e passeios por belas paisagens, aproximaram ainda mais os voluntários de seus objetivos no Instituto Sea Shepherd Brasil. Eles puderam ver de perto aquilo que defendem e lutam para preservar.

Saída de campo. Foto: ISSB

Saída de campo. Praia do Hermenegildo (RS). Foto: ISSB

“Penso que foi muito importante essa troca de experiências e também a energia da união por uma questão tão nobre. É a união e a amizade que nos faz continuar a lutar, que nos faz continuar a acreditar que não estamos sós nessa luta”, destacou Hugo Malagoli, Coordenador do Núcleo de Santa Catarina.

Grande diversidade de aves avistadas em Hermenegildo (RS). Foto: ISSB

Um momento marcante foi a visita à praia uruguaia do Cabo Polônio, local que reúne uma infinidade de espécies animais e botânicas vivendo em perfeita harmonia. A visualização das imensas colônias de lobos marinhos causou muita emoção aos participantes. “Todos os presentes mostraram dedicação e muita força de vontade para lutar pela vida marinha. O ponto alto nesta viagem foi ver os animais, em Cabo Polônio. Fato que renovou as esperanças de todos. Ainda confio que conseguiremos ver a fauna marinha livre e sem sofrimentos”, comentou Rodrigo Marques, Coordenador Operacional do Núcleo Rio Grande do Sul.

Lobo Marinho avistado em Cabo Polônio, no Uruguai. Foto: ISSB

Voluntários em Cabo Polônio, Uruguai. Foto: ISSB

Voluntários em Cabo Polônio, no Uruguai. Foto: ISSB

Outro fato relevante foi a possibilidade de encontrar fósseis (dentes, ossos, pedras e vegetais fossilizados) ao longo de toda a praia do Hermenegildo. Diversas espécies de aves foram avistadas. Definitivamente, um local único, de uma beleza crua. Segundo Gisele Pontes, Coordenadora do Núcleo Rio de Janeiro, “foram dias de luz. Em perfeita comunhão com o paraíso, nós, que amamos a vida marinha e lutamos para preservá-la, nos confraternizamos. Em comum temos o combustível que nos move: paixão e  ideal. Somamos experiências, dividimos preocupações, fizemos planos para 2013 e recebemos o alimento para seguir adiante. Foi uma experiência única”.

Conchário e fósseis em Hermenegildo (RS). Foto: ISSB

Para o Diretor Regional voluntário do Rio de Janeiro, Luiz A. Albuquerque, “a imersão foi uma experiência muito positiva. Defendemos a vida marinha e, poder observar os animais em seu habitat, trouxe ao grupo, emoções fortes e diferenciadas, tendo todos retornados extasiados. Já o trabalho em grupo foi muito importante para a integração dos voluntários e o alinhamento dos objetivos a serem alcançados. Vivenciamos momentos que lembraremos por toda a vida.”

Infelizmente, a presença do homem se fez presente de forma negativa. Pinguins, tartarugas, espécies de tubarões foram encontradas mortas, muitas delas com marcas de redes de pesca ilegais. Outro fato a lamentar é a grande presença de motociclistas, cruzando as dunas de areia de forma perigosa, causando incomodo para quem esta na praia e influenciando diretamente a vida dos animais e plantas da região. Ainda o capricho de poucos, atinge diretamente a harmonia da maioria.

As providências legais, para que este tipo de agressão, já foram tomadas. Os órgãos fiscalizadores locais foram informados pela equipe da Sea Shepherd Brasil. Esperamos que as medidas cabíveis sejam tomadas de forma eficiente e imediata. Além disso, a presença de lixo na praia e arredores é visível. Somente com educação, informação e fiscalização severa conseguiremos mitigar estes impactos.

“Tomamos contato com uma pequena parte do extenso litoral brasileiro, com companheiros de diversos locais do país e diferentes faixas etárias, todos com o mesmo ideal, onde podemos identificar valores, dificuldades e muito trabalho a fazer. Decisões difíceis, metas a serem cumpridas. Válido, muito válido, em um encontro como esse saímos fortalecidos, não estamos sós, somos um grupo, talvez pequeno, mas com determinação e união pela defesa dos animais marinhos”, foi o sentimento da voluntária de São Paulo, Tereza Hirs.

Ficou claro que nada poderemos fazer sem parcerias e apoio de pessoas engajadas na luta pela preservação do nosso ecossistema. A recepção dos fundadores e ativistas da ONG Litoral Sul foi inesquecível. Sebastian Diano e sua esposa, Danitza Rodrigues, que ofereceram as acomodações de sua pousada, chamada Los Delfines, cativaram os Shepherds com sua hospitalidade e força de vontade na preservação do meio ambiente.

Instituto Litoral Sul. Praia do Hermenegildo (RS). Foto: ISSB

Acervo do Instituto Litoral Sul, em Hermenegildo (RS). Foto: ISSB

“Uma experiência marcante, sensacional e forte. Novas pessoas, novas culturas, e um só ideal: a conservação da vida marinha. Um ambiente cheio de paixão, cheio de histórias, cheio de descobertas. Uma lição de tudo isso: ninguém faz nada sozinho. Uma palavra que resume tudo: saudade. Uma vontade: vivenciar mais momentos intensos, sempre!”, declarou Maria Cristina Valdetaro, do Grupo de Apoio do Espírito Santo.

Capitão Watson oferece 20 mil dólares de recompensa para ajudar a prender assassinos de golfinhos

Capitão Watson está oferecendo uma recompensa para levar os assassinos à justiça. Foto: Barbara Veiga / Sea Shepherd

O Capitão Paul Watson, fundador e presidente da Sea Shepherd Conservation Society, está pessoalmente oferecendo 20.000 dólares de seus próprios fundos por informações que levem à prisão e condenação da pessoa ou pessoas responsáveis ​​por atirar e esfaquear golfinhos ao longo da costa norte do Golfo nos EUA.

Nos últimos meses, os golfinhos têm chegado em terra na região com ferimentos de bala e sem maxilares e barbatanas, e as autoridades federais relatam que estão investigando a série de assassinatos misteriosos. Mais recentemente, um golfinho foi encontrado morto na costa do Mississippi, sem a sua mandíbula inferior. Em áreas como Mississippi, Louisiana e Alabama, os golfinhos foram encontrados com marcas de tiro, esfaqueados e mutilados. Funcionários da região relataram que acreditam que a pessoa ou grupo responsável está atacando os golfinhos violentamente, porque os golfinhos não são apenas mortos, mas também mutilados.

Funcionários da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica anunciaram dia 19/11 que estão pedindo a todos, banhistas, pescadores e agentes da vida selvagem para que procurem golfinhos feridos ou mortos, bem como quaisquer interações incomuns entre os mamíferos e as pessoas. Ataques a golfinhos, animais que são protegidos sob a Lei de Proteção dos Mamíferos Marinhos, pode levar a multas e sentenças de prisão. Não se sabe quem está matando os animais protegidos, mas pescadores e capitães de barcos fretados têm sido condenados por agredir golfinhos, que eles acreditavam tomarem suas iscas ou peixes. Dada a tensão na região do Golfo ainda devido ao derramamento de óleo e os danos causados ​​às populações de peixes, pode haver uma raiva deslocada para os golfinhos, amigáveis ​​e curiosos, que podem ser vistos como concorrentes em relação aos peixes.

“Eu considero a morte de um golfinho como assassinato, e o que parece ocorrer na Gold Coast é um assassinato em série de golfinhos. Eu quero que este sádico assassino pare, e eu reservei 20.000 dólares de minhas economias para pagar a qualquer pessoa que ofereça evidência para encontrar e condenar esta pessoa ou pessoas. Qualquer pessoa que tenha as provas pode permanecer anônima e pode se comunicar com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, ou os agentes legais da Costa do Golfo para fornecer qualquer informação”, disse o Capitão Watson.

A Sea Shepherd está pedindo que qualquer um que tenha informações relacionadas aos crimes contra os golfinhos do Golfo apareça. Foto de arquivo

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Grupo de Apoio do Espírito Santo promove ação de conscientização em show de punk rock

Em comemoração aos 10 anos do Programa Pankada, a Soma Prods levou pela primeira vez ao Espírito Santo a banda ativista holandesa de punk rock Antillectual.

Com anos de estrada, a banda Antillectual chegou ao Espírito Santo para lançar seu novo disco, chamado “Future History”. Depois de uma longa turnê pela Europa e Estados Unidos, o Antillectual tocou em outras cidades do Brasil e fechou a sua turnê em Vila Velha no domingo,  11 de novembro.

O Grupo de Apoio do Espírito Santo ao Instituto Sea Shepherd Brasil, junto com os seus voluntários Thiago Barrack Lavander, Maria Cristina Valdetaro e Rhina Tallon, não poderia ficar de fora.

Além de expor todos os produtos da ONG para a venda, formalizou-se uma ação no stand alertando o massacre que vem ocorrendo em Taiji, no Japão, a todas as pessoas presentes no show.

Agradecimentos em especial ao Uirá Medeiros (Under Music) e ao produtor da festa, Raphael Youthh, por ter aberto o espaço para que a Sea Shepherd Brasil estivesse presente.

O evento também contou com a bandas BlackJaw (Santos), o Thrashcore do Surra, os capixabas Inerte, Trace e Auria.

Instituto Sea Shepherd Brasil atento ao turismo de observação de baleias

O Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) obteve liminar na Justiça Federal, no dia 09 de novembro, para obrigar o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a fiscalizar o turismo de Observação de Baleias, nos limites da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, praticado no litoral de Santa Catarina.

Após receber uma denúncia relatando que as embarcações que levam dezenas de turistas para observarem as baleias não respeitam as determinações da Portaria 117/96 do IBAMA, dentre elas a distância de 100 metros que as embarcações devem manter das baleias, o ISSB apresentou, no dia 18 de outubro, uma representação junto ao ICMBio, informando acerca das irregularidades constatadas, solicitando informações a respeito do caso e a adoção de medidas imediatas de fiscalização e apuração dos fatos narrados.


O Núcleo/RS do ISSB esteve na região, e conforme relato do biólogo e Coordenador Técnico Operacional Regional, Rodrigo Marques, o grupo avistou uma baleia com “cicatrizes enormes ao longo do corpo, as mais evidentes próximas à cauda, que possivelmente foram marcas deixadas por hélices de embarcações ou redes de emalhe”.

Face ao silêncio do órgão público diante da representação apresentada, o Instituto Sea Shepherd Brasil ingressou com uma ação civil pública através do Coordenador Jurídico, Luiz André Albuquerque, e da advogada ambientalista Renata Fortes, tendo a Juíza Federal entendido como relevantes os argumentos apresentados, concordando que a aproximação exagerada das embarcações apresenta um grande potencial de lesões às baleias e seus filhotes, além de causar perturbação ao sistema de ecolocalização* das baleias, provocado pelo ruído dos motores.

À pedido do ISSB, determinou, ainda, que o ICMBio anexe aos autos cópias das autuações efetivadas nos últimos três anos de embarcações que violaram a legislação de proteção aos cetáceos na área da APA da Baleia Franca e sua zona de amortecimento, o rol de embarcações e empresas cadastradas que operam regularmente na Unidade de Conservação, o número máximo de embarcações cuja operação simultânea é permitida no interior da Unidade de Conservação, bem como as rotas e velocidades para trânsito de tais embarcações no interior e/ou na proximidade das áreas de concentração ou de uso regular por cetáceos, devendo informar as mortes de cetáceos ocorridas nos últimos três anos no interior da Unidade de Conservação, de que se tenha registro, em decorrência do choque com embarcações que realizavam a observação de baleias, com a apresentação do respectivo laudo de necropsia.

Ação civil pública nº 5002236-48.2012.404.7216

* O sistema de ecolocalização, também chamado de biossonar, é a habilidade natural de detectar a posição e distância de elementos, como animais ou obstáculos do ambiente, por meio da emissão de ondas sonoras, tanto no ar como na água. Para isso, o sistema calcula o tempo gasto para esses impulsos serem emitidos, refletirem no alvo e voltarem à fonte -como uma forma de eco. Presente em animais como morcegos, golfinhos e baleias, a ecolocalização é útil para detectar presas e mesmo para a locomoção.

Maratonista dedica seus esforços pelos Direitos dos Animais

Membros da Sea Shepherd Frankfurt com Mark Hoffman após a maratona. Foto: Jörg Ossenbrüggen

Mark Hofmann, 35 anos, ativista ambiental alemão e apoiador da Sea Shepherd Conservation Society, fundou o projeto “Laufen gegen Leiden – Maratona für Tierrechte” ou “Correndo Contra o Sofrimento – Maratona dos Direitos dos Animais”. Mark começou o projeto em 2011 e desde então tem dedicado seus esforços de maratona para as organizações dos direitos dos animais, através da recolha de donativos e de sensibilização.

Mark Hofmann se refere a sua primeira maratona como “uma espécie de auto-descoberta e, claro, uma exploração dos limites físicos”.  A maratona, segundo o ativista, em Hamburgo, na Alemanha, em abril de 2012, levantou fundos para a organização de direitos dos animais PETA. O grupo ficou muito satisfeito em receber a doação, e Mark Hofmann estava feliz com seu tempo de execução de 4 horas, 8 minutos e 57 segundos.

Sua dedicação continuou neste ano, na Maratona de Frankfurt, onde Mark correu em apoio à Sea Shepherd. O atleta vegano fez uma forte declaração de apoio para os oceanos e todos os seus habitantes, cruzando a linha de chegada e melhorando seu tempo de corrida em 7 minutos – terminando com um tempo de 4 horas, 1 minuto e 15 segundos. Após a corrida, Mark estava cansado, mas alegre enquanto os membros da Sea Shepherd Frankfurt saudaram o maratonista de sucesso com um pacote de produtos veganos e uma camiseta Jolly Roger da Sea Shepherd.

Mark recolheu donativos para a maratona de Frankfurt exclusivamente para apoiar os esforços da Sea Shepherd para proteger os oceanos através da não-violência e da ação direta de tática. Ele ultrapassou sua meta de captação de recursos de 1500 euros, com a soma inesperada de 1724 euros (que é cerca de 2.230 dólares). Os fundos vão diretamente para apoiar a Operação Tolerância Zero, com o objetivo de acabar com a atividade baleeira japonesa ilegal no Santuário Antártico das Baleias. “Era uma preocupação especial para mim coletar doações para a Sea Shepherd Conservation Society, porque eu estou impressionado com as pessoas que defendem os seus ideais de uma maneira especial, que estão arriscando a sua própria saúde e sua vida para tornar o nosso planeta um lugar melhor. Os assassinatos antiquados e bárbaros no Santuário do Oceano Austral devem ser levados ao fim, e estou convencido de que isso não vai durar muito mais tempo. Desejo ao Capitão Paul Watson e sua equipe tudo de bom e muita força. Tolerância zero para os açougueiros!”, disse Mark Hofmann sobre a maratona e sua intenção de captação de recursos para a Sea Shepherd.

Mark está planejando outra corrida pelos direitos dos animais, em maio de 2013. Ele quer executar o “Vegane Ultramarathonstaffel B12” (“Ultra maratona de revezamento vegana B12”) numa estrada de 440 km de extensão chamada “Bundesstraße 12” na Alemanha. Com a ajuda de 50 ultra-maratonistas veganos, ele pretende refutar o preconceito que o desempenho atlético é dificultado por uma dieta vegana.

Gostaríamos de agradecer a Mark por seu apoio e felicitá-lo por sua realização. Estamos ansiosos para mais projetos conjuntos para a proteção dos oceanos.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil