Morte de golfinhos no sul do Brasil

Santa Vitória do Palmar, 15 de janeiro de 2011.

No dia 11 de janeiro, em Santa Vitória do Palmar, Balneário do Hermenegildo, constatou-se a mortandade de golfinhos da espécie Pontoporia blainvillei, popularmente conhecida como “Toninha”. Foram avistados 12 indivíduos encalhados, mortos, através de monitoramento realizado pela ONG local Instituto Litoral Sul (instituição parceira do Instituto Sea Shepherd Brasil – ISSB), em um trecho de praia de cerca de 15 Km, sendo, dentre estes, uma fêmea prenhe, que ainda possuía o feto em seu ventre.

O Fato

Nos dias 09 e 10 de janeiro foram avistadas algumas embarcações pesqueiras na região e, logo em seguida, no dia 11, começaram a aparecer os animais na praia.

Na quinta-feira, dia 13, Wendell Estol, biólogo e Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd Brasil – ISSB, recebeu a notícia dos encalhes e na sexta-feira, 14, realizou monitoramento e constatou tais fatos.

“Estas ocorrências são comuns no litoral do extremo sul do país, pois as embarcações pesqueiras, de diversos Estados, tem a região como área preferencial de pesca, uma vez que ainda há certa abundância de espécies de pescado com valor comercial. Além disto, esta é uma área remota, onde a fiscalização, que já é deficitária em áreas mais povoadas, é praticamente inexistente, pois apesar da boa vontade e dedicação dos funcionários, os órgão de fiscalização não estão aparelhados adequadamente para cumprir tal função.

Enquanto o Governo Federal disponibiliza bilhões de reais para financiar o aumento da frota pesqueira do país os investimentos em fiscalização estão cada vez mais pargos”, diz Wendell Estol.

Além de golfinhos é comum nesta época do ano encontrar outros animais marinhos mortos, como tartarugas de várias espécies, e outros mamíferos, como lobos e leões marinhos e até pequenas baleias.

Golfinho morto na areia

Femea prenha e feto mortos na praia

Femea prenha e feto mortos na praia

Mantendo o curso!

Atualização das linhas de frente no Oceano Antártico

14 de janeiro de 2011, 14h00 horas (horário da Austrália)

De registro panamenho e propriedade coreana, o Sun Laurel tem cumprido o pedido da Sea Shepherd Conservation Society de se afastar da zona do Tratado da Antártida. O navio está agora a 60 graus ao norte e continua sendo seguido tanto pelo Steve Irwin quanto pelo Bob Barker. O Bob Barker, por sua vez, está sendo seguido pelo Yushin Maru 2 e o Steve Irwin está sendo seguido pelo Yushin Maru 1.

A frota da Sea Shepherd escoltando o petroleiro Sun Laurel para fora do Santuário de Baleias do Oceano Antártico

A frota da Sea Shepherd escoltando o petroleiro Sun Laurel para fora do Santuário de Baleias do Oceano Antártico

Esta manhã, o Yushin Maru 1 substituiu o Yushin Maru 3 para ficar na popa do Steve Irwin. Isto significa que a partir de hoje todos os três navios arpoadores estão à vista dos navios da Sea Shepherd. Portanto, o Nisshin Maru, o navio-fábrica, presumivelmente está a mais de 200 quilômetros de distância, para permanecer fora do alcance do helicóptero da Sea Shepherd.

É certo que não há possibilidade de caçarem baleias hoje. A Sea Shepherd tem todas as razões para acreditar que, com base no fato de que dois dos três navios arpoadores estão sob observação contínua durante os últimos 15 dias, e devido à grande distância de mais de 2.000 milhas percorridas pela frota baleeira desde que foi localizada, no 31 de dezembro de 2010, tem havido muito pouco tempo no processo de caça e carregamento das baleias.

Os arpoadores foram se revezando no reabastecimento do Nisshin Maru, mas logo os fornecimentos diminuirão, e assim como o Nisshin Maru vai precisar da carga do óleo pesado (bunker C), atualmente na posse do Sun Laurel. O Bob Barker e o Steve Irwin vão ficar de olho no navio de abastecimento e interferir de maneira agressiva em quaisquer tentativas de abastecimento e reabastecimento.

Bob Barker, Gorija, o navio de abastecimento Sun Laurel e Steve Irwin em movimento

Bob Barker, Gorija, o navio de abastecimento Sun Laurel e Steve Irwin em movimento

Após encontrarmos com sucesso o navio de abastecimento Sun Laurel, o Gojira voltou a explorar o mar em busca do Nisshin Maru.

Não há dúvida de que a frota baleeira japonesa foi severamente afetada nesta estação de caça. Passado um terço da temporada de caça, com dois dos três navios arpoadores amarrados, com os seus fornecimentos cortados e constantemente em fuga, a o contingente de baleias mortas foi reduzido a zero, ou muito próximo a ele.

A Sea Shepherd tem dois meses até a temporada de caça terminar, o que significa 60 dias no mar. Temos o combustível, os recursos, e uma equipe comprometida com essa campanha, cuja moral já foi amparada por nossos sucessos deste ano. Os capitães e as tripulações dos três navios da Sea Shepherd estão confiantes de um ano de muito sucesso em neutralizar as atividades baleeiras ilegais no Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

Os navios baleeiros japoneses que estão atualmente no Oceano Antártico incluem: o Nisshin Maru, o navio-fábrica, os três navios arpoadores Yushin Maru (1, 2 e 3), e o navio de abastecimento Sun Laurel.

Os três navios da Sea Shepherd, em oposião aos baleeiros incluem: o Steve Irwin, o Bob Barker, e o Gojira, juntamente com o helicóptero Nancy Burnet.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

Navio de abastecimento dos japoneses concorda em sair do Santuário de Baleias do Oceano Austral

13 de janeiro de 2011 – 12h00 horas (horário da Austrália)
Oceano Antártico – 60 graus e 47 minutos ao Sul, 178 graus e 58 minutos a Oeste.

A Sea Shepherd Conservation Society aconselhou o petroleiro panamenho Sun Laurel a deixar o Santuário de Baleias do Oceano Austral. O Capitão Locky MacLean, do Gojira, avisou o Sun Laurel que os navios de reabastecimento no Oceano Antártico, abaixo dos 60 graus de latitude, são ilegais, especialmente com combustível pesado, e é uma clara violação do Tratado da Antártida.

O capitão do Sun Laurel concordou em deixar o Santuário, e está se dirigindo para o norte, 60 graus ao sul da linha de latitude. O Steve Irwin e o Gojira estão escoltando o Sun Laurel para fora do Santuário de Baleias do Oceano Antártico. O Sun Laurel tem que viajar mais de cinqüenta milhas antes de passar os 60 graus ao norte.

O capitão do Sun Laurel confirmou que não transferiu nenhum suprimento ou reabasteceu qualquer dos navios baleeiros ilegais. Isto significa que, enquanto os navios da Sea Shepherd continuam a impedir qualquer transferência de combustível e suprimentos, a frota baleeira japonesa não será capaz de estender sua temporada de matança para depois da primeira semana de fevereiro. A frota japonesa tinha três semanas de atraso ao chegar ao Oceano Antártico, e os navios da Sea Shepherd a encontrou antes que eles sequer começassem a caça às baleias.

Os navios da Sea Shepherd estão perseguindo o Nisshin Maru, o navio-fábrica, por duas semanas. Dois dos três navios arpoadores ilegais estão seguindo os navios da Sea Shepherd durante duas semanas e ainda não mataram baleias. Há razões para acreditarmos que o terceiro navio arpoador não tenha matado nenhuma baleia, porque parece que está viajando com o Nisshin Maru, para evitar que seja rastreado pela Sea Shepherd.

O Steve Irwin e o Bob Barker vão escoltar o navio de abastecimento Sun Laurel para impedir o reabastecimento, e o Gojira parará durante algumas horas antes de retomar a caça ao Nisshin Maru.

A Sea Shepherd tem impedido todas as operações de caça às baleias por duas semanas, assim como hoje.

Bob Barker, Gorija, o navio de abastecimento Sun Laurel e Steve Irwin em movimento

Bob Barker, Gorija, o navio de abastecimento Sun Laurel e Steve Irwin em movimento

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

A Sea Shepherd corta os suprimentos para a frota baleeira japonesa

Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011.

O Gojira alcança o Sun Laurel para investigar suas intenções.

O Gojira alcança o Sun Laurel para investigar suas intenções.

O misterioso e evasivo navio de suprimentos da frota baleeira japonesa foi localizado. Às 14:20 horas do dia 12 de janeiro (horário da Austrália), o navio batedor e interceptador da Sea Shepherd Conservation Society, o Gojira, encontrou o navio de reabastecimento e suprimentos japonês. Ele é um navio Panamenho registrado como Sun Laurel (IMO# 9405631) e foi encontrado a 62 graus e 43 minutos sul e 178 graus e 33 minutos oeste.

O Capitão do Gojira, o canadense Lockhart MacLean, se comunicou com o Sun Laurel e perguntou se ele estava na região para reabastecer a frota baleeira japonesa. A resposta foi um hesitante “talvez”. O navio tanque está cheio e não descarregou ainda seus suprimentos para o Nisshin Maru nem para nenhum dos navios lançadores de arpões.

O Bob Barker, sendo seguido pelo Yushin Maru, e o Steve Irwin, sendo seguido pelo Yushin Maru #3, imediatamente mudaram de curso para interceptar o navio tanque. Espera-se que o Steve Irwin intercepte o Sun Laurel às 22:00 horas (horário da Austrália) no dia 12 de janeiro. O Sun Laurel zarpou do Japão no dia 4 de dezembro de 2010, do porto de Tateyama Ko.

O Capitão Paul Watson comentou a interceptação do Sun Laurel a partir do Steve Irwin. “Nós encontramos o calcanhar de Aquiles da frota baleeira e pretendemos segui-lo como um cão de caça, impedindo que este navio entregue combustível e suprimentos para a frota baleeira. O apoio do navio tanque às atividades ilegais japonesas faz o Capitão e a tripulação do Sun Laurel tão culpados quanto a pessoa que dispara o arpão na baleia.”

O navio de suprimentos Sun Laurel interceptado pela Sea Shepherd.

O navio de suprimentos Sun Laurel interceptado pela Sea Shepherd.

A frota da Sea Shepherd tem seguido a frota baleeira por 13 dias, mas com os navios lançadores de arpões no encalço, encontrar e se aproximar do Nisshin Maru se mostrou um tarefa muito difícil. Os navios caçadores simplesmente informam a localização do Steve Irwin e do Bob Barker antecipadamente, permitindo que o Nisshin Maru se mantenha fora de alcance.

“Então, se não podemos chegar ao Nisshin Maru, o Nisshin Maru terá que chegar até nós,” disse o Capitão Paul Watson. “Eles precisam reabastecer logo, e nós estaremos aqui com o Sun Laurel esperando eles chegarem. Reabastecer a 60 graus ao sul é ilegal e nós pretendemos reforçar o Tratado da Antártida se eles tentarem violá-lo.”

Não há evidências que baleias tenham sido mortas nessa temporada. Toda a frota baleeira japonesa vem fugindo dos navios da Sea Shepherd por aproximadamente duas semanas, desde que foi encontrada no extremo leste do Mar de Ross, no dia 31 de dezembro de 2010.

Os três navios da Sea Shepherd estão comprometidos a ficar no Oceano Antártico até o fim da temporada de caça a baleias, mas a temporada será encerrada bem mais cedo se os navios baleeiros não conseguirem reabastecer.

“Está na hora destes caçadores pegarem seus arpões e facas e irem para casa”, disse o Capitão MacLean do Gojira. “Nós deixamos claro que eles não são bem vindos no Santuário.”

Traduzido por Marcelo C. R. Melo, voluntário do ISSB.

A Sea Shepherd pede o apoio de um navio do Greenpeace

Terça-feira, 11 de janeiro de 2011.

Equipe Delta é lançada para rastrear o arpoador Yushin Maru

Equipe Delta é lançada para rastrear o arpoador Yushin Maru

Os navios da Sea Shepherd Conservation Society, o Steve Irwin, o Bob Barker e o Gojira, mantiveram a frota baleeira japonesa fugindo desde o início de sua temporada de caça às baleias. A Sea Shepherd pode declarar com certeza que dois dos três navios lançadores de arpões da frota ilegal baleeira não foram capazes de matar uma só baleia nesta temporada. Os lançadores de arpões foram localizados antes de iniciarem a caça, e ficaram sob observação contínua pelos últimos 13 dias.

O Nisshin Maru e um outro navio lançador de arpões têm fugido da frota da Sea Shepherd. A Sea Shepherd espera que nenhuma baleia tenha sido levada, no entanto, há a possibilidade de que os baleeiros tenham conseguido ou ainda consigam caçar enquanto fogem.

O Yushin Maru #2 parou de seguir o Bob Barker mas foi substituído pelo Yushin Maru #1. Portanto, pelo menos por alguns dias, todos os três navios lançadores de arpões não estavam em posições de matar baleias. Os dois navios, atualmente seguindo o Bob Barker e o Steve Irwin, decidiram que manter a Sea Shepherd longe do navio fábrica Nisshin Maru é mais importante do que matar baleias. O Gojira continua escoltando os outros dois navios da Sea Shepherd, enquanto mantém o Nisshin Maru e o Yushin Maru #2 fugindo.

Este é, até agora, o ano mais efetivo para salvar baleias. A habilidade de matar baleias dos baleeiros japoneses foi severamente comprometida. Nós estimamos que sua cota de mortes será reduzida em dois terços.

Voluntário da equipe Delta observa o Yushin Maru à distância

Voluntário da equipe Delta observa o Yushin Maru à distância

Tudo que é preciso para impedir 100% a frota japonesa é um terceiro navio de grande porte para manter o terceiro navio japonês lançador de arpões ocupado, mas a Sea Shepherd não tem outro navio de grande porte. O Greenpeace Foundation, no entanto, tem um navio em Taiwan. Um navio do Greenpeace no Oceano Ártico poderia acabar com a morte de baleias por completo, e tudo que o Greenpeace precisaria fazer seria aparecer.

O Greenpeace está angariando fundos substanciais na sua “campanha” para defender baleias no Oceano Ártico, apesar de não ter enviado um navio para confrontar os japoneses desde 2006. A Sea Shepherd acredita que o Greenpeace tem uma obrigação moral de usar seus fundos para acabar com a caça a baleias no Oceano Ártico na forma mais efetiva e eficiente possível.

A Sea Shepherd está formalmente solicitando o auxílio do Greenpeace Foundation para cooperar e alcançar a parada total das atividades baleeiras ilegais do Japão. Mesmo um navio do Greenpeace faria uma enorme diferença no Santuário de Baleias do Oceano Ártico. A Sea Shepherd informaria as coordenadas da frota japonesa e um navio do Greenpeace poderia estar no local em apenas duas semanas.

A oportunidade de acabar permanentemente com a caça de baleias no Santuário de Baleias do Oceano Ártico está aqui agora. Nós temos uma chance de mandar a frota japonesa para casa sem posses e com arpões livres de sangue.

O Greenpeace não precisa apoiar as táticas da Sea Shepherd, nem mesmo se comunicar com os navios da Sea Shepherd, a não ser para receber as coordenadas, já que estamos seguindo a frota japonesa. O navio do Greenpeace só precisa aparecer.

Certamente o Greenpeace deve perceber que a proteção dessas baleias magníficas deve vir primeiro, antes de qualquer descontentamento que o Greenpeace possa ter em relação à Sea Shepherd. Essa é uma oportunidade de mostrar para o mundo que a cooperação entre organizações pode trazer resultados positivos.

As vidas de centenas de baleias podem ser poupadas com o apoio de um navio adicional para distrair os baleeiros de suas vítimas. O Greenpeace tem navios e recursos, eles simplesmente precisam se envolver. Não pelo bem da Sea Shepherd, mas pelas baleias e pelos seus defensores, que querem ver um fim para o massacre de baleias no Oceano Ártico.

Traduzido por Marcelo C. R. Melo, voluntário do ISSB.