Sea Shepherd mostra ação tática direta à Hong Kong Airlines

Gary Stokes e um grupo de voluntários e apoiadores da Sea Shepherd falam com um representante da Hong Kong Airlines.

Gary Stokes e um grupo de voluntários e apoiadores da Sea Shepherd falam com um representante da Hong Kong Airlines.

Em 25 de fevereiro, o Coordenador da Sea Shepherd Hong Kong, Gary Stokes, acompanhado de vários outros ativistas e crianças de escolas, encaminhou-se até os escritórios da Hong Kong Airlines levando consigo uma petição com 2.400 assinaturas e uma cópia do documentário vencedor do Oscar, The Cove. Se tornou evidente, por um memorando interno que vazou para o público, que a Hong Kong Airlines está envolvida no transporte de golfinhos vivos para uma vida de aprisionamento. A captura de golfinhos para o entretenimento é a razão para o assassinato em massa de milhares de golfinhos todos os anos em Taiji, Japão. Os golfinhos não selecionados para performance são abatidos para o consumo.

Em 10 de janeiro de 2012, a Hong Kong Airlines transportou cinco golfinhos vivos de Osaka, no Japão, para o Vietnã. A companhia aérea, tão orgulhosa com a  realização do transporte de carga viva, enviou um memorando, que inclui uma imagem dos golfinhos confinados na área de carga. A terrível foto mostra golfinhos presos em containers dentro da área de carga dos aviões. A informação vazou para a imprensa através de um funcionário.

Em 22 de fevereiro, um artigo detalhando o evento foi publicado no China Daily e criou um alvoroço global. O China Daily reportou que a companhia aérea recebeu consideráveis 109.550 dólares pelo vôo de sete horas de Osaka ao Vietnã.

Golfinhos esquartejados

Golfinhos esquartejados

Uma vez que a história atingiu as redes sociais, se espalhou de maneira rápida. A Sea Shepherd Conservation Society Hong Kong decidiu, depois de não receber respostas às ligações ou e-mails, “agir do modo antigo” e fazer uma visita à Hong Kong Airlines.

Armados com uma cópia do documentário The Cove e uma petição iniciada pelo grupo Save Misty the Dolphin, os ativistas entraram nos salões da companhia aérea. “A equipe obviamente não tinha idéia do que era a Sea Shepherd e provavelmente não estavam cientes da crise que os atingiria”, disse o Coordenador da Sea Shepherd Conservation Society Hong Kong, Gary Stokes.

Após Stokes mostrar seu cartão de visitas e os funcionários da companhia terem a chance de pesquisar sobre a Sea Shepherd, o tratamento mudou consideravelmente. Os ativistas foram convidados a se direcionarem para outra área, pois a companhia estava em um dia de recrutamento, e cerca de 300 possíveis funcionários estavam igualmente no local. Stokes declinou o convite e afirmou que estavam tentando meramente entregar a petição e o DVD, e que levaria apenas alguns minutos.

Golfinhos em "caixões voadores" em uma carga da Hong Kong Airlines enquanto são transportados para instalações de cativeiro de golfinhos. Foto: Hong Kong Airlines

Golfinhos em "caixões voadores" em uma carga da Hong Kong Airlines enquanto são transportados para instalações de cativeiro de golfinhos. Foto: Hong Kong Airlines

Enquanto a equipe de funcionários potenciais passava, foram cumprimentados por alunos das escolas, que seguravam imagens do massacre da enseada enquanto se posicionavam em frente a um grande avião. Os ativistas pediram para falar com a gerência e foram obrigados a esperar um bom tempo. Emoções começaram a surgir nos funcionários da companhia, que começaram a chamar o grupo de vândalos e punks. “Nós permanecemos polidamente e pacificamente, aguardando alguém da gerência que pudesse receber a carta. Era como uma batata quente, ninguém queria”, expressou Stokes.

Após finalmente entregar o material em mãos a um dos membros da gerência, eles foram escoltados para fora do prédio. Ainda no elevador, um dos funcionários da companhia exclamou: “esta não é a maneira convencional de fazer isto!”. Stokes respondeu: “Você irá perceber que nem sempre fazemos as coisas no jeito convencional, mas obtemos os resultados!”.

Desde que deixamos a petição e o outro material, a ajuda tem sido momentânea. Quando a petição foi entregue, tinha acumulado 2.400 assinaturas em 48 horas. Após três dias, passou o esperado de 5.000, aumentou para mais de 6.000 apoiadores e ainda cresce rapidamente. Diversas organizações de alto nível, incluindo a Humane Society, escreveram à companhia ameaçando um boicote caso eles continuem transportando golfinhos. Entretanto, a companhia emitiu duas respostas diretas a Sea Shepherd Hong Kong.

“Pessoalmente, eu vejo este incidente como algo distante de ser um problema apenas da Hong Kong Airlines, esta é a rachadura no sistema que todos estávamos esperando. Esta ação deve levar a mensagem a todas as companhias aéreas, de que as consequências por transportar golfinhos irá resultar em uma péssima publicidade global e acarretará na perda de negócios. Se pudermos parar com o transporte internacional, consequentemente pararemos com o comércio em cativeiro e, por outro lado, se não há comércio em cativeiro, não haverá golfinhos assassinados, já que o dinheiro terá desaparecido”, disse Stokes.

Golfinho magro, mantido em cativeiro

Golfinho magro, mantido em cativeiro

Traduzido por Aline Louali, Diretora de Vídeos e Tradutora Voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

O Guardião da Enseada, Erwin Vermeulen, é recebido como herói em Amsterdã

Erwin falando com a imprensa e apoiadores em sua chegada na Holanda. Foto: Boyan Slat

Erwin falando com a imprensa e apoiadores em sua chegada na Holanda. Foto: Boyan Slat

Após relatar as tribulações nos seus 63 dias na prisão, posteriormente ao julgamento e absolvição na prefeitura de Wakayama, próximo a Taiji, ontem no Clube dos Correspondentes Estrangeiros, em Tókio, no Japão, para a imprensa reunida, o Guardião da Enseada da Sea Shepherd, Erwin Vermeulen, jubilosamente embarcou em um avião e rumou para casa.

Ele chegou no aeroporto Schiphol, em Amsterdã, às 14h00 para ser recebido como herói.

Erwin foi saudado por sua família e apoiadores da Sea Shepherd da Holanda. Numerosos representantes da imprensa, rádio nacional e noticiário estavam presentes para registrar seu retorno triunfante. Depois de muitos abraços e tapinhas nas costas, Erwin agradeceu pelo apoio enquanto estava encarcerado. Ele contou para a multidão reunida no aeroporto que estava feliz, pois sua provação não foi em vão. Sua experiência tinha focalizado mundialmente a atenção nas atrocidades cometidas contra os golfinhos em Taiji. De fato, este foi o motivo de ter se tornado Guardião da Enseada, em primeiro lugar.

Após seus comentários, Erwin parou em um bar no aeroporto, onde alguém comprou-lhe uma cerveja gelada. Ele levantou seu copo e humildemente brindou aos seus defensores ao redor do globo, por não desistirem dele durante seus dois meses de aprisionamento, dizendo simplesmente: “Obrigado a todos vocês” e “É bom estar em casa”.

Erwin cumprimentado por familiares, apoiadores e imprensa, em seu retorno à Holanda. Foto: Boyan Slat

Erwin cumprimentado por familiares, apoiadores e imprensa, em seu retorno à Holanda. Foto: Boyan Slat

Traduzido por Ana Dias, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Sea Shepherd transfere a operação de reabastecimento para a Ilha Auckland

O Yushin Maru 3 próximo ao Bob Barker, perto da Ilha Macquarie. Foto: Carolina A. Castro

O Yushin Maru 3 próximo ao Bob Barker, perto da Ilha Macquarie. Foto: Carolina A. Castro

O Yushin Maru Nº3 encontra-se ao lado leste da Ilha Macquarie e o Shonan Maru 2 encontra-se ao lado oeste da Ilha Macquarie. Isto criará dificuldades para o Steve Irwin e o Bob Barker realizarem uma transferência de combustível enquanto tentam despistar os navios japoneses, que perseguem o navio da Sea Shepherd impedindo que se aproximem do Nisshin Maru.

Apesar de terem sido condenados a ficar fora das águas territoriais da Austrália, os dois navios japoneses entraram, não apenas nas 200 milhas náuticas da zona econômica exclusiva da Austrália, onde foram proibidos de entrar, mas também entraram nas 12 milhas náuticas da Ilha Macquarie para não perder de vista o Steve Irwin e tentar pegar o Bob Barker.

O capitão Paul Watson decidiu redirecionar os dois navios da Sea Shepherd para a Ilha Auckland, onde  será mais difícil para os navios japoneses se aproximarem, pois não serão autorizados a entrarem no limite de 12 milhas, e a Sea Shepherd poderá usar as baías da Ilha Auckland para sair do alcance do radar dos navios japoneses.

As autoridades da Nova Zelândia nos asseguraram que os navios baleeiros japoneses não serão autorizados a entrarem na zona econômica exclusiva da Nova Zelândia. A Ilha Auckland, portanto, é um local mais seguro para uma transferência de combustível.

Após o reabastecimento, os dois navios da Sea Shepherd irão retornar para o sul para perseguir o abatedouro flutuante, Nisshin Maru, fora da costa da Antática. Devido ao nevoeiro e à distância, não temos fotos dos navios japoneses com a ilha ao fundo. O Yushin Maru Nº3 estava a 11 milhas e o Shonan Maru 2 a 14 milhas de Macquarie. Estas fotos foram tiradas um mês atrás, quando o Yushin Maru Nº3 estava em Macquarie com o Bob Barker.

O Yushin Maru 3 segue a Sea Shehperd para a Ilha Macquarie. Foto: Carolina A. Castro

O Yushin Maru 3 segue a Sea Shehperd para a Ilha Macquarie. Foto: Carolina A. Castro

O Yushin Maru 3 aguarda próximo à Ilha Macquarie esperando encontrar o Bob Barker. Foto: Carolina A. Castro

O Yushin Maru 3 aguarda próximo à Ilha Macquarie esperando encontrar o Bob Barker. Foto: Carolina A. Castro

Traduzido por Danielle Vasques, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

O Guardião da Enseada da Sea Shepherd, Erwin Vermeulen, se encontra com a imprensa em Tóquio

Fotógrafos ao redor de Erwin e Scott na conferência em Tóquio. Foto: Rex Ray

Fotógrafos ao redor de Erwin e Scott na conferência em Tóquio. Foto: Rex Ray

Na esteira de sua impressionante absolvição no dia 22 de fevereiro, no Tribunal da Prefeitura de Wakayama, perto de Taiji, o holandês voluntário da Sea Shepherd, o Guardião da Enseada Erwin Vermeulen, acompanhado pelo Diretor de Inteligência e Investigações da Sea Shepherd e líder dos Guardiões da Enseada, Scott West, realizou uma conferência de imprensa no dia 24 no Clube dos Correspondentes Estrangeiros, em Tóquio, no Japão. Os dois foram acompanhados pelo Sr. Takayama Iwao, o principal advogado da bem sucedida defesa de Vermeulen.

Erwin foi preso em 16 de dezembro, após ter sido falsamente acusado de empurrar um treinador local de golfinhos. Pela alegação deste crime ele foi detido, surpreendentemente, por 63 dias, sob condições muito pobres. Durante a primeira metade de seu encarceramento, lhe foram negados alimentação adequada, roupas quentes, contato com o mundo exterior, inclusive material de leitura, e até mesmo banho apropriado. Nas últimas semanas, vigílias à luz de velas foram realizadas em cidades-chave ao redor do mundo para chamar a atenção para a situação de Erwin e para a situação dos golfinhos, abatidos às centenas a cada ano em Taiji. Ele foi finalmente solto em 16 de fevereiro, aguardando seu veredito, e foi absolvido dia 22 de fevereiro.

A sala estava lotada pela imprensa nacional e internacional. Scott iniciou a conferência apresentando todos os participantes do painel de entrevistas. Ele então disse à imprensa que todos estavam lá reunidos porque “crimes têm sido cometidos”.

Disse: “A matança de golfinhos é considerada um crime no mundo moderno e civilizado. No entanto, a matança de golfinhos e baleias é permitida pela atual lei japonesa. O que isso diz sobre o Japão? É uma mancha feia no nome do Japão. Um dia, o Japão vai se juntar ao mundo moderno e civilizado e vai proibir a matança de baleias e golfinhos”.

Scott passou a chamar atenção para o crime cometido por Kitigawa, o homem que cometeu perjúrio no banco de testemunhas, acusando falsamente Erwin de empurrá-lo simplesmente porque Erwin testemunhou que ele não estava fazendo seu trabalho, para a incompetência da Polícia da Prefeitura de Wakayama, que cometeu sérios erros em sua investigação, e para o Gabinete da Promotoria da Prefeitura, que foi inepto no cumprimento de suas funções ou politicamente motivado em sua perseguição feroz a Erwin.

Scott também colocou em questão os princípios falhos sob os quais todo o sistema judicial japonês opera. Ele disse: “Termos como ‘presunção de inocência’, ‘dúvida razoável’, e ‘direito de permanecer em silêncio’ são apenas palavras no papel no Japão. Eu passei a maior parte da minha vida profissional investigando crimes e construindo bons casos sólidos. Casos que tiveram de suportar ao duro escrutínio por um sistema dedicado a proteger os direitos humanos básicos de pessoas acusadas. A prisão, detenção e investigação de Erwin não foram aberrações. Sua experiência é a norma no Japão. Erwin foi perseguido por permanecer em silêncio. Erwin foi considerado culpado desde o início. Erwin teve que provar sua inocência ao invés de o promotor ter de provar a culpa”.

Porém Scott foi também generoso em oferecer louvor onde o louvor era devido. Ele elogiou o advogado de defesa e sua equipe pela defesa excepcional. Ele também elogiou o corajoso juiz que presidiu o caso.

“Estamos aqui hoje por causa da integridade de um homem. Um homem que teve a coragem de desafiar as expectativas e encarar as consequências de fazer a coisa certa e justa. O juiz do caso de Erwin é este homem. Eu não tenho dúvida de que o juiz será condenado pelo sistema daqui. Eu sei que meu louvor não servirá para ajudá-lo e isto é lamentável. Minha fala sobre sua honra hoje não é porque eu sou Sea Shepherd. Minha fala sobre seu louvor hoje vem do meu conhecimento profissional no campo da justiça criminal”.

Scott disse também: “E nós também estamos aqui hoje por causa da bravura e coragem de Erwin Vermeulen. Homens mais fracos teriam sucumbido. Homens mais fracos sucumbiram”.

Antes de passar a palavra a Erwin, Scott completou: “A prisão e a intimidação saíram pela culatra nas autoridades de Wakayama. Erwin pagou [um] preço alto por toda esta atenção, mas foi significantemente útil para a causa”.

Imprensa local e estrangeira durante a conferência em Tóquio. Foto: Rex Ray

Imprensa local e estrangeira durante a conferência em Tóquio. Foto: Rex Ray

Tomando sua vez ao microfone, Erwin contou novamente seu calvário em detalhes, enquanto os flashes disparavam diante dele. Mesmo após essa experiência ele não perdeu de vista a razão pela qual foi a Taiji, em primeiro lugar. Disse: “Minha prisão [e] detenção de dois meses e o julgamento geraram uma atenção mundial para o bem dos golfinhos em Taiji e para a Sea Shepherd em geral. Ele completou: “Esta exposição foi financiada pelos contribuintes japoneses”.

Após a sessão de perguntas, a conferência foi encerrada. Erwin está retornando para Amsterdã para um duramente merecido descanso com sua família. Ele deve receber boas vindas de herói no aeroporto, onde a imprensa e apoiadores da Sea Shepherd Holanda irão cumprimentá-lo amanhã.

Traduzido por Drica de Castro, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Navios da Sea Shepherd reabastecidos para retornar à perseguição

O Bob Barker com o Steve Irwin à distância. Foto: Sam Sielen

O Bob Barker com o Steve Irwin à distância. Foto: Sam Sielen

O navio da Sea Shepherd, Bob Barker, partiu dia 22 de Wellington, Nova Zelândia, para retornar ao Oceano Antártico.

O Bob Barker vai de encontro com o navio da Sea Shepherd, Steve Irwin, na Ilha Macquarie, para reabastecer o Steve Irwin. Ambos os navios irão retornar ao Sul para continuar a perseguição da frota baleeira japonesa.

“Os baleeiros japoneses não podem entrar legalmente nas águas a doze quilômetros de Ilha Macquarie”, disse o Capitão Paul Watson. “Esta é uma oportunidade para nos fazer perder o navio arpoador que está atualmente nos seguindo”.

O Yushin Maru Nº 3 está perseguindo o Steve Irwin há semanas, transmitindo a sua posição para o Nisshin Maru. Por isso, o Steve Irwin não tem conseguido chegar perto do Nisshin Maru. Mas os navios da Sea Shepherd têm sido capazes de manter os baleeiros japoneses em constante movimento. Até o momento, os navios da Sea Shepherd têm perseguido a frota baleeira japonesa por mais de 15.000 milhas náuticas ao longo dos últimos 70 dias.

Os navios da Sea Shepherd vão continuar a perseguir a frota baleeira japonesa, intervindo contra suas atividades baleeiras ilegais, até o final de março de 2012.

O Capitão Alex Cornelissen teve que retornar às suas funções como Diretor da Sea Shepherd Galápagos. O Primeiro Oficial, Peter Hammarstedt, da Suécia, foi promovido a Capitão do Bob Barker.

Os barcos pequenos do Steve Irwin, o Delta e o Terri, evitam os canhões d'água do Yushin Maru Nº 3. Foto: Billy Danger

Os barcos pequenos do Steve Irwin, o Delta e o Terri, evitam os canhões d'água do Yushin Maru Nº 3. Foto: Billy Danger

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil.