Porto de Paranaguá

Derrocagem no Paranaguá ameaça o ecossistema marinho local

Um projeto governamental de derrocagem está em andamento em Paranaguá e está despertando preocupação no meio científico e na comunidade local.

Paraná – A obra em questão acontecerá no Palanganas, um maciço rochoso no canal de navegação que dá acesso ao Porto de Paranaguá, no Canal da Galheta, um pouco à frente do Terminal de Contêineres do Porto de Paranaguá.

Foto: Pedro Eprobio

A derrocagem consiste em um processo de retirada ou destruição de pedras ou rochas submersas, que supostamente “impedem a plena navegação”. Com o passar das décadas, os navios foram ficando cada vez maiores, exigindo uma profundidade de navegação maior. O projeto da empresa pública Portos do Paraná prevê a retirada de parte dessas rochas Palanganas para aumentar a profundidade atual, inferior a 12 metros, para 14,6 metros. O objetivo alegado é reduzir o risco de encalhe e acidentes ambientais envolvendo navios, porém nos últimos anos o porto já recebeu com sucesso navios de mais de 330 metros e 11.000 TEUS. 

Na última sexta-feira (13.08) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região deferiu o pedido liminar da Diretoria Jurídica da Portos do Paraná e suspendeu a decisão liminar do juiz substituto Flávio Antônio da Cruz, da 11ª Vara Federal, deferida em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, que suspendia a Licença Ambiental e obra de dragagem por derrocamento no Porto de Paranaguá. 

Embora a empresa pública que administra a área afirme que o trabalho seja realizado seguindo as recomendações dos órgãos ambientais, o projeto apresenta problemas ambientais importantes para as espécies marinhas do litoral.

Os autores da ação que havia suspendido a licença da obra defendiam que “para qualquer empreendimento de derrocagem sejam exigidos, no mínimo, Estudo e Relatório de Impacto Ambiental, com respectivas consultas e audiências públicas; Estabelecimento de Área  Diretamente Afetada (ADA), Área de Influência Direta (AID) e Área de Influência Indireta (AII), com base nos modelos de propagação sonora e de ondas, bem como a intensidade e a frequência sonora, estabelecidos para região; Estudo de Impacto Ambiental, Antropológico e Geológico, das ilhas afetadas; Anuência das Instituições Intervenientes (Funai, IAT, ICMBio, Incra, Iphan, Marinha, Município de Paranaguá, MS/Sesai e SPU) e Oitiva das Comunidades Tradicionais e Indígenas”.

O objetivo da obra é evidentemente econômico e os ativistas entenderam isso. De fato, mais de 44% de todos os empregos da região estão ligados aos portos.

 

Por que essa prática é uma ameaça aos ecossistemas marinhos?

A região dos entornos do Porto de Paranaguá é berçário para várias espécies apresenta uma biodiversidade única, com espécies endêmicas e ameaçadas Potenciais impactos associados à detonação são, por exemplo, alteração de habitat (fauna e flora) com o aumento da turbidez da água, efeitos provenientes da liberação de energia térmica e propagação de ondas de choque e bolhas, compõe parte das preocupações atreladas à detonação subaquática.

Mesmo que os animais sejam mantidos afastados durante estas operações, a mudança em seu ambiente, o risco a longo prazo de erosão e outros danos naturais permanecem significativos. De fato, estas operações realizadas no mundo inteiro requerem cortinas de bolhas e emissão de vibrações sonoras subaquáticas para reduzir o impacto da explosão e impedir uma reaproximação dos animais, mas não conseguem evitá-los completamente.

As detonações e explosões ainda serão sentidas pelas espécies marinhas e mudarão seu habitat para sempre. Os ecossistemas dos portos e espécies endêmicas estão ameaçadas.

 

Ave em Paranaguá
Foto: Pedro Eprobio

Operation Reef Defence

Assim como este caso no Brasil, na Austrália a intervenção humana ameaça a sobrevivência de áreas marinhas naturais, em especial a Grande Barreira de Corais – área onde a Sea Shepherd atuou diretamente em sua preservação.

A Grande Barreira de Corais é o maior sistema de recifes de coral do mundo composto por mais de 2.900 recifes individuais e 900 ilhas que se estendem por mais de 2.300 km em uma área de aproximadamente 344.400 km quadrados. O recife está localizado no Mar de Coral, ao largo da costa de Queensland, Austrália. A Grande Barreira de Corais pode ser vista do espaço e é a maior estrutura única do mundo feita por organismos vivos.

As águas turquesa da Grande Barreira de Corais são o lar de um dos ecossistemas marinhos mais importantes e biodiversificados do país e potencialmente, seu mais novo depósito de carvão. Mesmo que uma grande parte do recife esteja protegida pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que está ajudando a limitar o impacto antrópico – como a pesca e o turismo – sua sobrevivência está ameaçada por causa do carvão.

De acordo com um estudo da Academia Nacional de Ciências de 2012, desde 1985 a Grande Barreira de Corais perdeu mais da metade de seus corais, com dois terços desta perda ocorrendo a partir de 1998.

 

Logo - Operation Reef Defence
Great Barrier Reef corals
Foto: Danielle Ryan/James Sherwood, Bluebottle Films

As águas turquesa da Grande Barreira de Corais são o lar de um dos ecossistemas marinhos mais importantes e biodiversificados do país e potencialmente, seu mais novo depósito de carvão. Mesmo que uma grande parte do recife esteja protegida pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que está ajudando a limitar o impacto antrópico – como a pesca e o turismo – sua sobrevivência está ameaçada por causa do carvão.

De acordo com um estudo da Academia Nacional de Ciências de 2012, desde 1985 a Grande Barreira de Corais perdeu mais da metade de seus corais, com dois terços desta perda ocorrendo a partir de 1998.

O controverso projeto de mina de carvão gigante do conglomerado indiano Adani, localizado perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, tem sido fortemente denunciado desde seu início pelo ativismo de organizações como a Sea Shepherd que monitoram incessantemente seu impacto ambiental. 

 

A Grande Barreira de Corais está doente e por causa disso, em julho de 2018, criamos a Operation Reef Defence para agir e proteger a 8ª maravilha natural do mundo do Projeto Adani. 

Nosso navio-estandarte, o M/Y Steve Irwin, navegou pela costa leste da Austrália até Abbot Point para se opor à mina de carvão, à ligação ferroviária e ao porto de Carmichael.

Nossa posição é clara: não trocaremos os ricos ecossistemas marinhos por obras destrutivas que visam objetivos puramente comerciais.

“Sea Shepherd Brasil realiza novo resgate de um Biguá, na praia do Leme/RJ”.

No início da noite do dia 12 de abril (terça-feira), o Núcleo Rio de Janeiro do Instituto Sea Shepherd Brasil foi acionado para realizar o resgate de mais um biguá (ave também conhecida como mergulhão), na praia do Leme, zona sul da cidade. Seria o segundo biguá resgatado no período de uma semana.

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Um grupo de pessoas que realizava um treinamento de vôlei na praia avistou a ave marinha e imediatamente fizeram contato com a organização. De acordo com os relatos, o biguá estava no local por dois dias, sem voar, com pouca movimentação e possivelmente sem qualquer alimentação.

Depois de concluído o resgate, o biguá foi encaminhado para a clínica Intervet, local onde as médicas veterinárias Andrea Montico e Clarissa Coelho realizaram os procedimentos necessários para estabilização do quadro da ave, como a adequada alimentação e seu aquecimento, com o importante apoio do enfermeiro José Ivaldo.

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No dia seguinte, o biguá foi levado até o CRAS/Unesa (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Vargem Pequena – zona oeste do Rio de Janeiro, sendo entregue aos cuidados do médico veterinário Jeferson Pires, coordenador do citado centro de reabilitação. O resgate, a guarda e o transporte do Biguá tiveram a ciência e autorização do IBAMA/RJ.

Estamos na torcida pela recuperação de mais este biguá e na esperança da sua breve soltura.

Agradecemos as médicas veterinárias Andrea Montico e Clarissa Coelho da Rocha, bem como ao enfermeiro José Ivaldo Gomes da Silva, da Clínica Intervet, em Irajá, pelo carinho e cuidado no atendimento; e aos voluntários Rodolfo Giordano, Felipe Montico e Luiz André Albuquerque, que fizeram o resgate.

ATUALIZAÇÃO DA OPERAÇÃO RELENTLESS

Tradução: Igor Ramos, voluntário do ISSB

Bob Barker se choca com uma grande onda no oceano antártico. Foto: Marianna Baldo

Na manhã do dia 8 de janeiro, a Sea Shepherd confirmou que perdeu contato visual com o navio fábrica da frota pesqueira japonesa, o navio Nisshin Maru. No momento do incidente, o navio já estava fora da zona de caça por eles designada.

A Sea Shepherd estima que, neste momento, na atual localização, levariam dois dias para que os arpoadores retornassem para a área de caça.

No dia 14 de janeiro, o ministro do meio ambiente australiano, Greg Hunt, confirmou que dois dias antes, a frota japonesa estava além das 1000 milhas náuticas afastadas da zona de pesquisa e resgate australiana, fora de águas australianas. Essas informações colocam a frota japonesa a extremo leste da sua autodesignada zona de caça.

Baseada nessas informações, a Sea Shepherd pode confirmar que nenhum baleeiro irá retornar para a zona de caça tão cedo, mas sim, seguir rumo a leste para tentar evitar os voos de monitoração realizados pelo governo australiano.

Por sorte das baleias, existe uma intensa zona de baixa pressão na dependência de Ross. O mar está agitado, o céu está cinza e a visibilidade está reduzida a apenas 100 metros.  Sob essas circunstâncias a caça se torna extremamente difícil, se não impossível.

Sam Simon durante o intenso nevoeiro. Foto: Eliza Muirhead

Considerando esses fatores, é muito provável que as operações japonesas tenham sido suspensas desde a primeira intervenção da Sea Shepherd em 5 de janeiro. A frota da Sea Shepherd continua esperando e protegendo o Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

Notícia na íntegra clique aqui

SEA SHEPHERD AFASTA OS BALEEIROS JAPONESES PARA FORA DA ZONA DO TRATADO ANTÁRTICO

Tradução: Igor Ramos, voluntário do ISSB

Nisshin Maru deixando o Santuário Antártico

Na última segunda-feira, 6 de janeiro de 2014, às 1650 AEDT, depois de uma perseguição de 360 milhas, os navios da Sea Shepherd Conservation Society conduziram toda a frota de caça japonesa – incluindo o navio-fábrica – para fora da Zona do Tratado Antártico. A Sea Shepherd tem todos os navios da frota baleeira japonesa contabilizados e localizados, e pode confirmar que a frota, apesar de dispersa, não esta caçando baleias. Os navios arpoadores estão separados por centenas de milhas. O Nisshin Maru está tentando se afastar, mas não conseguiu parar até o momento.

A frota baleeira foi escoltada até o limite de 60º Sul e ultrapassou o limite norte do Zona do Tratado Antártico. Os navios da Sea Shepherd: Sam Simon, Steve Irwin e o helicóptero do Steve Irwin seguem acompanhando cada movimento dos navios. Os três navios da Sea Shepherd estão ainda no Oceano Antártico e continuarão as patrulhas. Caso o Nisshin Maru tente retornar para o território de caça, a Sea Shepherd estará pronta para, mais uma vez, interceptar e encerrar suas operações ilegais.

O capitão do Steve Irwin, Siddarth Chakravarty disse: “Este é um início otimista para a operação Relentless. Dentro de um dia e meio, teremos todas a frota baleeira em completa desordem”. O capitão do Sam Simon, Adam Meyerson disse: “Ganhamos essa batalha, mas a guerra pelo Santuário Antártico das Baleias irá continuar sendo travada ao longo dos próximos meses.”

O GPS do helicóptero indicando o lado norte da Zona do Tratado Antártico

Nisshin Maru e Yushin Maru cruzando ao norte 60 ° S

DÉCIMA CAMPANHA DA SEA SHEPHERD, OPERAÇÃO RELENTLESS, TEM INÍCIO OFICIAL COM A PARTIDA DA FROTA


Diretor da Sea Shepherd Australia Jeff Hansen, e o Captão do Steve Irwin, Siddarth Chakravarty, na conferência a imprensa em Melbourne. photo: Simon Ager

Na manhã do dia 18 de dezembro, família, amigos e voluntários se reuniram em Williamstown, Australia e em Hobart, Tasmânia para se despedirem das tripulações dos navios Steve Irwin, Sam Simon e Bob Barker que partem hoje para a décima campanha antártica de proteção e conservação, Operação Relentless (sem piedade).No último ano, a Sea Shepherd obteve sucesso em encerrar a temporada de caça, salvando a vida de 932 baleias. Ao todo, nas últimas nove campanhas, a Sea Shepherd salvou mais de 4500 baleias da caça ilegal em águas internacionais

Nas últimas décadas, a Sea Shepherd tem desfrutado de um grande suporte de pessoas em todo o mundo, particularmente da Austrália onde tem sido a “casa” dos tripulantes por vários anos.O diretor da Sea Shepherd Australia, Jeff Hansen, disse: “A tripulação carrega consigo a esperança, as aspirações e as expectativas de pessoas de todo o mundo que esperam ver o fim da caça.”

“A partida da frota baleeira japonesa é uma ofensa a comunidade internacional que espera pacientemente a decisão da Corte Internacional de Justiça em Hague. A Sea Shepherd vai, novamente, seguir rumo às águas Antárticas como a única autoridade agindo para restaurar a ordem e a lei no Santuário Antártico” disse Peter Hammarstedt, Capitão do Bob Barker.

O Capitão do Bob Barker, Peter Hammarstedt, e o líder da Campanha Operação Relentless, Bob Brown, na conferência a imprensa em Hobart - Foto: Eliza Muirhead

 

O Capitão do Steve Irwin, Siddarth Chakravarty, disse: “O curso do Steve Irwin está marcado para o Sul. Em uma semana, minha tripulação e eu estaremos entre nossos amados clientes, as Baleias. Nós não retornaremos até que a paz seja restaurada no Santuário Antártico”. Este ano, mais de 100 voluntários Sea Shepherd de 24 diferentes países ao redor do mundo estarão, mais uma vez, esperando no Santuário das baleias para colocar em prática a proibição de caça comercial decretada desde 1986.

 

O Diretor Global da Sea Shepherd, Alex Cornelissen da Holanda, disse: “Nós vamos fazer o que sempre fazemos ao encontrarmos com caçadores; vamos lidar com as coisas como sempre lidamos: Incansavelmente.”

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 Operation Relentless Press Conference

Diário de Bordo 1 – Bia Figueiredo

Por: Bia Figueiredo, bióloga brasileira, embarcada na 10a Campanha Antártica da SSCS.
Fotos: Sea Shepherd Austrália
Williamstown, Melbourne
Novembro, 2013.

 

— Posso “não tirar” o dia de folga?

— Hum… não!! Na verdade, creio que você DEVE tirar os seus dias de folga pra recarregar baterias antes da Campanha.

Foi a primeira vez que absorvi o fato de que a 10a Campanha à Antártica está logo ali mesmo, dobrando a esquina. Estivemos tão ocupados nesses últimos meses, especialmente outubro e novembro, que não houve tempo pra parar, sentar e refletir a respeito da partida. Se não fosse trabalhando no deck, seria eliminando itens da lista de compra de equipamento e roupas de frio. Mesmo que a gente receba doações, é sempre interessante ter suas próprias coisas. No caso de quem trabalha no deck, luvas térmicas, gorro, botas e muitas, mas muitas camadas de roupas.

Além disso, os treino têm feito parte da rotina semanal sem descanso. O M/Y Sam Simon hoje conta com um bote, que uma vez pertenceu ao M/Y
Steve Irwin. Um Humber, que comporta quatro passageiros. Passamos pelo treinamento de lançá-lo e devolvê-lo ao navio algumas vezes. Então, por fim, o colocamos na água e, dividindo o time do deck em 2, o fizemos funcionar. E, diga-se de passagem, de acordo. Esticando velocidade e diferentes manobras. Todos tiveram a chance de sentir um mínimo do que pode ser uma ação pra valer na Antártica.

A Brigada de Incêndio ofereceu equipamento e treino pra toda a tripulação, e creio que tenha sido o ponto alto das últimas semanas.Passamos por diferentes situações nos navios, como treino com mangueiras, fumaça artificial com busca e recuperação de vítimas e uso do tanque e máscara de ar comprimido. Nos foi oferecido também um treinamento no próprio complexo onde os bombeiros são treinados. Situações de resgate em tubulação, simulação de navio tomado por fumaça com vítimas e, por fim, cômodos de uma casa em chamas. Posso dizer que parte de mim tem alguns desses bombeiros que nos treinaram como parte da tripulação, após tanto tempo de dedicação e atenção conosco.

Na semana passada, o capitão e alguns dos nossos oficiais chegaram ao navio. Com isso, tivemos a chance de aprender como lançar os botes
salva-vidas, vestir as roupas de imersão e simular “abandonar o navio”, em caso de emergências. O treino foi super válido, uma vez que possa parecer desconfortável pular do navio e confiar que sua roupa é estanque o suficiente para que você não entre em hipotermia se tiver que fazer o mesmo no Oceano Antártico. O capitão do M/Y Bob Barker, Peter Hammarsted, pediu ao resto da tripulação que ainda não havia chegado para que estivesse aqui no sábado, embarcados, pois, pela primeira vez, os três navios tiveram o privilégio de estarem atracados aqui, juntos, praticamente na reta final pra Campanha. E seria uma oportunidade para que conhecêssemos uns aos outros.

Ontem tive o prazer de conhecer outra brasileira, que está a bordo do Bob Barker. Carolina Castro. Ja veterana. Uma querida! No final, resolvi aceitar a sugestão e tirar o dia de folga. Hoje. E, logo pela manhã, peguei minha agenda e descobri que de folga só mesmo no próprio nome, pois a lista de coisas a serem feitas antes de zarparmos só cresceu, além da rotina dos afazeres nos dias de folga: limpar a cabine, lavar roupas, mandar notícias para a família e por aí vai!!

Saudade da terrinha é o que não falta.
No próximo ano, quando desembarcar no Brasil, vou correndo procurar a primeira barraquinha de água de côco!