Barqueata contra Estaleiro OSX é reprimida pela Polícia Naval

 

Polícia Naval escolta manifestantes até a Capitania dos Portos

Polícia Naval escolta manifestantes até a Capitania dos Portos

Por Celso Martins
Florianópolis-SC

A Marinha do Brasil através de sua Polícia Naval reprimiu a barqueata contra o Estaleiro OSX, realizada nesta sabado (6.11) pela manhã nas águas da Baía Norte de Florianópolis e na principal avenida da cidade, a Beira-Mar Norte, região central da capital catarinense. Poucos minutos antes da chegada da barqueata integrada por pescadores de São Miguel (Biguaçu) e de Governador Celso Ramos, a Polícia Naval aguardava nas proximidades do trapiche em reconstrução. Ao avistarem a primeira leva de embarcações na altura de Cacupé, os políciais se deslocaram num bote inflável na direção da barqueata.

“Metade do pessoal que estava com a gente desistiu e retornou por causa da ação da Marinha”, reclamou publicamente o pescador Jonas Oscar Pereira, cujo colega, Eliton Vitorino, teve a embarcação apreendida e conduzida à sede da Capitania dos Portos de Santa Catarina, nas imediações da cabeceira continental da ponte Hercílio Luz. Eliton terá que retornar em dois dias para prestar depoimento e saber o valor da multa recebida. (Confira abaixo o auto de infração).

O ato repressivo da Marinha do Brasil aconteceu enquanto lideranças comunitárias e ambientalistas usavam um microfone para expor os motivos do ato. O oficial da reserva da Marinha e engenheiro naval Joel Guimarães de Oliveira usava o microfone quando a Polícia Naval passava pela frente do trapiche da Beira-Mar escoltando a embarcação de pesca de Rodrigo Machado. Ex-diretor de estaleiros e residente em Jurerê Internacional, Joel considerou a iniciativa arbitrária e duvidou que o comandante da Marinha do Brasil, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, “tenha conhecimento disso”. A ordem para reprimir a barqueata contra o Estaleiro OSX foi dada pelo capitão-de-mar-e-guerra Marcelo Santiago Garcia, comandante da Capitania dos Portos de Santa Catarina.

O advogado Eduardo Lima, morador da Daniela, seguiu com integrantes do Movimento em Defesa das Baías de Florianópolis para a Capitania dos Portos, tendo acompanhado a ordem de apreensão da embarcação e e aplicação da multa. Em seguida o pescador Eliton Vitorino foi levado pela Polícia Naval até o local da manifestação da avenida Beira-Mar Norte: enquanto a Marinha recebeu vaias e ouviu palavrões, o pescador chegou aplaudido pelos manifestantes. “Nunca havia sido abordado antes por esse pessoal”, disse. Outras duas embarcações foram notificadas.  

O ato contra o Estaleiro OSX contou com infraestrutura de som e barraca instaladas por volta das 9h30. Aos poucos começaram a chegar os manifestantes. Os oradores foram se revezando, esperando a chegada da barqueata iniciada em São Miguel (Biguaçu) e Governador Celso Ramos e engrossada no caminho por pescadores da Ilha, seguindo em levas de cinco a seis embarcações. Com a ação repressiva da Marinha do Brasil, a barqueata se dispersou. A movimentação foi acompanhada do alto por um helicóptero. O prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps, estacionou seu veículo junto aos manifestantes e ficou observando. Depois foi embora. Os participantes do ato também foram fotografados por desconhecidos.   

 

     

 

        Policiais da Capitania são recebidos com vaias pelos manifestantes

 

       Jonas Pereira, pescador: “Eu achava que a gente era só uma pedra pequena no sapato deles. Agora estou vendo que somos é uma pedra enorme”.

 

       Sílvia L. Santos Soares, maricultora de São Miguel (Biguaçu), mostra notificação da Polícia Naval/Capitania dos Portos de Santa Catarina

 

       Eliton Vitorino, pescador de São Miguel (Biguaçu): alvo da repressão

 

       Manifestantes no momento em que a Marinha escoltava o pescador

 

       A Associação de Jurerê Internacional se fez presente.

 

       O Conselho Comunitário do Pontal do Jurerê também esteve no movimento.

 

       A Associação de Bairro do Sambaqui também.

 

      

Operação da Sea Shepherd ‘Resgate do Golfo’ continua depois de seis meses do derramamento

Quarta feira (20 de Outubro) marcou seis meses desde o início do derramamento de petróleo da PB no Golfo do México em Abril. O petróleo não está mais fluindo do poço, mas o impacto do uso dos dispersantes químicos que foram vaporizados sobre a água e áreas costeiras continua. A devastação da vida marinha e de ecossistemas costeiros inteiros nesse desastre ambiental está apensa começando a ser compreendida.

“Dispersantes” interagem quimicamente com o petróleo crú natural para transformar os grandes aglomerados de petróleo em pequenas bolhas que se espalham por grandes distâncias e gradualmente afundam até o fundo do oceano, mas os próprios dispersantes químicos são muito mais tóxicos para a vida marinha do que o petróleo crú. Enquanto grandes manchas podem ser contornadas a nado, recaptadas da superfície e impedidas de chegar nas linhas costeiras, pequenas bolhas que flutuam livremente não podem. Animais como as tartarugas marinhas confundem essas bolhas com águas-vivas e morrem com esse veneno.

A Sea Shepherd perguntou e continuará perguntando àqueles que tem poder e autoridade para agir: O que vocês estão pensando? O que vocês estão fazendo? Nós estamos lá fora buscando fatos, ajudando aqueles que precisam, e tentando parar aqueles que estão deliberadamente, conscientemente e ilegalmente ferindo os oceanos e toda a vida presente neles.

Aqui apresentamos as atividades da Operação Resgate do Golfo, da Sea Shepherd, durante o verão (inverno no hemisfério sul) e um pouco do que está por vir.

“Vá embora! Você não está autorizado a ajudar!”

Voluntários da Sea Shepherd chegaram no Golfo um mês após o início do derramamento. Em 22 de Maio, Bonny Schumaker (Segundo

Bonny voando "Bessie".

Bonny voando "Bessie".

Oficial do Bob Barker na campanha 2009-2010 contra a caça de baleias no Oceano Antártico, e membro da Diretoria da Sea Shepherd) e Kurt Lieber (também um membro da Diretoria da Sea Shepherd) voaram juntos da Califórnia até Nova Orleans, Luisiana, no pequeno avião monomotor da Bonny, apelidado “Bessie”. Bonny usa Bessie para rastrear e transportar animais selvagens e domésticos em necessidade, normalmente para a organização sem fins lucrativos “On The Wings Of Care, Inc”. Neste verão, Bessie se tornou por tempo integral o “Olho No Céu” da Sea Shpeherd sobre o Golfo, encarregada de encontrar vida marinha e aves de todos os tipos em perigo, localizar petróleo na superfície para cientistas e trabalhadores em barcos, e transportar a mídia para ver e relatar para o mundo o que estava de fato acontecendo.

Quando o grupo chegou, nós combatemos regras e restrições que impediram-nos de chegar às áreas poluídas e aos animais que desesperadamente precisavam de ajuda. Primeiro, nenhum avião tinha permissão para voar a menos de 3000 pés sobre solo ou água (a não ser os aviões da BP ou de agências do governo). Isso tornou impossível encontrar golfinhos, tartarugas marinhas, ou mesmo animais imensos como tubarões baleia e cachalotes. Segundo, nenhum barco era permitido em áreas conhecidas por “áreas sensíveis”, como as baías ou áreas costeiras oceânicas, onde sabia-se que estavam tartarugas mortas e aves severamente atingidas pelo petróleo. Finalmente, pessoas eram proibidas de andar pelas praias nessas áreas! Essas regras paralisaram muitos grupos e indivíduos, e até a mídia em sua maioria. Mas os voluntários da Sea Shepherd se mantiveram determinados, e isso levou a pessoas e ações que finalmente removeram as restrições.

Primeiro pelo ar…

Tubarão baleia

Tubarão baleia

No princípio, a única opção era pelo ar. Haviam cientistas de diversas agências governamentais e instituições de pesquisa (NASA, USGS, NOAA, NGA, USCG, etc. — você terá que procurá-las no Google!), que queriam encontrar e estudar o petróleo a partir de barcos ou instrumentos de aquisição de imagens de grandes altitudes. Mas seus dados de satélite estavam frequentemente com atrasos de até 12 horas, não eram de alta resolução e os fortes ventos de alto mar e correntes moviam as coisas antes que os barcos e instrumentos pudessem acompanhá-las. Eles precisavam de um avião de reconhecimento guiando eles para seus alvos. Nós oferecemos nossos serviços. Eles registraram Bonny no “Posto de Comando Unificado” e Bessie se tornou um avião de reconhecimento oficial! Apenas em Julho, nós fizemos quase 50 horas de voo para esses cientistas. Enquanto voávamos para eles, usamos cada minuto para encontrar, rastrear e documentar o estado inconstante das baías e ilhas próximas à costa e a posição e situação da vida marinha — golfinhos, arraias, tartarugas, tubarões pelicanos e outras aves marinhas. Não demorou muito para outros cientistas, grupos ambientalistas, pescadores locais e a mídia ficarem sabendo de nós — e logo mós estávamos ajudando todos eles. No começo de Setembro nós já tínhamos voado por mais de 250 horas no Golfo, “baixo e lento” de 100 milhas ao sul de Pensacola, Flórida, na direção oeste até o sul de Lafayette, Luisiana. Nós encontramos e documentamos mais de 24 tubarões baleia (alguns dos quais ajudamos a identificar com transmissores GPS), baleias cachalote, um grupo de sete orcas, centenas de golfinhos nariz-de-garrafa e rotador, uma variedade de tubarões (martelo, tigre e mako), arraias manta e por fim, mas não menos importante, alguns dos animais do Golfo preferidos do nosso grupo — as tartarugas marinhas (tartaruga-de-couro, tartaruga-amarela, tartaruga-de-pente, tartaruga-verde e tartaruga-de-kemp). E vimos milhares de aves marinhas — infelizmente nem todas em boas condições. Quase toda essa vida selvagem foi encontrada a pelo menos de 50 milhas de distância do poço da BP que causou todos esses problemas. Ao redor “Da Fonte”, como eles chamam o poço, nós encontramos muito pouca vida selvagem saudável.

Tartaruga marinha

Tartaruga marinha

Então com barcos…

Em meados de Julho começamos a levar barcos para o Golfo regularmente. Naquela época as regulamentações não estavam sendo impostas tão rigidamente e, graças ao nosso suporte aéreo, nós sabíamos exatamente onde ir e como chegar lá “desapercebidos”. Nós informávamos todas as vezes que observávamos animais precisando de ajuda, mas as restrições não deixavam (e até hoje não deixam) que nós ajudemos diretamente a vida selvagem. Então oferecemos nossa ajuda para obter amostras de água e petróleo em locais críticos dos ecossistemas, especialmente em áreas costeiras e no  Estreito do Mississippi. Nós trabalhamos com diversos cientistas e laboratórios, que nos enviaram seus equipamentos especiais e instruções (recipientes de vidro esterilizados, materiais absorventes especiais para petróleo, grandes refrigeradores para transportar as amostras, equipamentos de GPS portáteis para registrar coordenadas e condições locais, além de relatórios detalhados). O trabalho não é fácil, e requer muita atenção para detalhes. Em muitos dias o mar estava agitado e alguns de nós prefeririam não se envolver — mas trabalhamos.

Coletando amostras

Coletando amostras

Levamos fotógrafos e cinegrafistas para as ilhas próximas à costa para documentar suas condições, e fomos cruciais para levar rapidamente as autoridades para limpar praias onde encontramos pelicanos jovens e outras aves em perigo ou até já atingidas pelo petróleo. Nós também ajudamos a coletar aves marinhas mortas para cientistas que podiam analisá-las e avaliar a causa da morte. Algumas dessas aves tinham evidências de ingestão de petróleo, algumas pareciam subnutridas, e outras pareciam em bom estado, mas não tinham comida em seus estômagos. Alguns testes especiais de laboratório foram realizados para determinar se os produtos químicos dos dispersantes contribuíram para suas mortes. O próprio número de aves mortas nas ilhas era impressionante; esse foi um dos trabalhos mais tristes que realizamos no Golfo.

Lamentamos que as restrições nos impediram de fazer mais e poder usar alguns dos nossos voluntários mais qualificados, incluindo veterinários de vida selvagem e capitães de navio certificados, que estavam prontos para se unir a nós em um navio que levaríamos para o Golfo como uma unidade flutuante de suporte para resgatar aves atingidas pelo petróleo e realizar outros trabalhos importantes. Quando as restrições foram diminuídas o suficiente para podermos levar o navio, pouquíssimos animais eram encontrados que ainda podiam ser ajudados. Todo o planejamento de agentes oficiais para relocar milhares de aves marinhas das ilhas antes da temporada de furacões não se concretizou, então não tínhamos atividades oficiais para apoiar. No entanto, ao ficar e oferecer nossa ajuda onde quer que pudéssemos, nós acabamos sendo muito úteis não só para cientistas estudando o petróleo e a vida selvagem, mas também para os pescadores locais e residentes preocupados com a população costeira de peixes; esse trabalho irá continuar enquanto precisarem de nossa ajuda.

Nossos voluntários!

Voluntários

Voluntários

Em média, cerca de 15 voluntários da Sea Shepherd estavam ativamente envolvidos com esse trabalho ao longo do verão, além de quatro barcos e o avião Bessie. A maioria dos nossos voluntários recebeu 24 a 40 horas de treinamento “HazWOPER” e tinham experiência em trabalhar com barcos e mergulho oceânico. vários também tinham experiência prévia com derramamento de petróleo e vida selvagem atingida pelo petróleo. Alguns eram voluntários veteranos, alguns eram novos. Alguns de seus nomes serão listados aqui, outros estão incluídos nos agradecimentos especiais abaixo. Um grande agradecimento para nossos excelentes voluntários de ar e barcos, em ordem alfabética: Tom Bremer, Brock Cahill, Kevin Compton, Alex Feld, David Hance, Charles Harmison, Burt Lattimore, Rex Levi, Fiona McCuaig, Dean Miya, Jerry Moran, Bonny Schumaker, Nick Schearer, Ian Ziatyk.

Nossos planos

Nós estamos reduzindo partes da operação no Golfo para nos prepararmos para a operação no Oceano Aantártico “No Compromise” (Operação Sem Conciliação) contra a caça de baleias. Seis voluntários irão fazer outra rodada intensa de medições no começo de Novembro, tanto no mar quanto nas áreas costeiras, e estarão disponíveis periodicamente por todo inverno quando forem necessários. Salvo imprevistos que podem fazer necessária nossa assistência mais cedo, retornaremos ao Golfo no começo da primavera de 2011 pelo ar, terra e mar, para ajudar mais uma vez da forma que os residentes locais, pescadores, cientistas, e, acima de tudo, a vida selvagem do Golfo mais precisar.

Nossos agradecimentos!

Esse sumário não estaria completo sem agradecer ao menos alguns dos novos amigos que a Sea Shepherd fez no Golfo durante esses tempos desafiantes, pessoas locais que, através de contribuições generosas de tempo, perícia, equipamentos e serviços, possibilitaram que nós fôssemos eficazes no Golfo neste verão. Nós não podemos nem começar a nomear todos, ou descrever propriamente tudo que fizeram por nós, mas aqui está uma pequena lista de todos os nomes de algumas pessoas extraordinárias à quem nós gostaríamos de dar toneladas de agradecimentos (alfabeticamente):

Jason Berry; Bess Carrick; Marion & Penny Edwards; Patricia Gannon; Andrew Gross; Jennifer LeBlanc; Brayton Matthews; Lenny Maiolatesi; Diana Pinckley; John & Julie Scialdone; Stuart Smith.

Fotos de Jerry Moran, cortesia de New Orleanian Fine Photography.

Tradução de Marcelo C. R. Melo, voluntário do ISSB.

Sea Shepherd lança navio para interceptar a caça ilegal de baleias

O Ocean Adventurer, o navio interceptor da Sea Shepherd.

O Godzilla, o navio interceptor da Sea Shepherd.

Em uma festa beneficente em Hollywood, na noite do último sábado, 23, nós compartilhamos com nossos colaboradores que o navio Godzilla fará parte da nossa frota na próxima campanha em defesa às baleias no Oceano Antártico 2010-2011, a Operação Conciliação Não.

O navio monocasco estabilizado de 12 anos de idade e 115 metros, vai preencher o espaço de interceptação rápida, substituindo o navio Ady Gil, que o navio baleeiro japonês Shonan Maru 2 deliberadamente abalroou e destruiu em 06 de janeiro deste ano.

Esta será a nossa sétima campanha contra as atividades ilegais da frota baleeira japonesa no Oceano Antártico, e nós esperamos que seja a nossa última temporada. Durante as últimas seis campanhas, nós salvamos as vidas de cerca de 2.000 baleias e expomos as atividades baleeiras ilegais japonesas ao mundo inteiro. Na temporada passada, o número de baleias salvas foi maior do que o número de baleias mortas pelos japoneses. Quinhentas e vinte e oito baleias estão vivas, nadando no mar, porque os nossos colaboradores nos permitiram intervir, colaborando para mantermos nossos navios e tripulações.

A cada ano, por causa de nossos colaboradores, nós nos tornamos mais fortes e eficazes. Através de determinação, paciência e persistência, estamos conduzindo a frota baleeira japonesa ao endividamento, e cada vez mais perto do dia em que irão se retirar do Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

Estamos confiantes de que com a sua ajuda, nossa campanha mais eficaz será a Operação Sem Conciliação. Nossos navios, o Steve Irwin e o Bob Barker, estão sendo preparados para a campanha. Recrutamos a melhor equipe que pudemos montar. Nosso único desafio agora é conseguir os recursos para o Godzilla.

Com três navios, vamos mais uma vez ser capazes de monitorar e intervir contra os caçadores ilegais no Oceano Antártico por toda a temporada. Nosso objetivo é salvar mais baleias na próxima temporada do que fizemos durante a temporada passada, e encerrar a caça de baleias no Oceano Antártico permanentemente.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Ajude-nos a salvar as baleias, apoiando a Operação Sem Conciliação e faça uma doação hoje, clicando aqui.

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Bob Barker finaliza reparos com sucesso

Um dos navios da Sea Shepherd, o Bob Barker.

Um dos navios da Sea Shepherd, o Bob Barker.

O navio Bob Barker da Sea Shepherd deixou Hobart na quarta feira (13/10) para fazer um percurso que levou todo o dia, seguindo a costa da Tasmânia e voltando para Hobart.

O teste de 10 horas no mar sinaliza o fim de oito meses de reparos e atualizações nos equipamentos do Bob Barker.

O navio sofreu danos no casco boreste, na seção média, no início deste ano quando foi abalroado pelo baleeiro Japonês Yushin Maru #3.

Além dos reparos estruturais, o Bob Barker foi reequipado com novos aparelhos de navegação e comunicações e recebeu uma completa reconstrução do motor principal.

De acordo com o Capitão Locky MacLean, o Bob Barker é agora mais rápido, mais eficiente e 100% preparado para retornar ao Oceano Antártico para seu segundo ano de intervenções contra a frota ilegal de baleeiros Japoneses no Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

Traduzido por Marcelo C. R. Melo, voluntário do ISSB.

Operação Biguasujo Não! reúne população contra estaleiro da OSX na baía norte de Florianópolis

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Na manhã do último sábado (9/10), o Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) em conjunto com movimentos em defesa das baías em Florianópolis, Santa Catarina, realizou uma ação na Praia de Jurerê Internacional contra a instalação do estaleiro da OSX, do grupo do empresário Eike Batista, em Biguaçu. Participaram da ação representantes da ONG Montanha Viva, do Conselho Comunitário do Pontal de Jurerê, da Associação de Moradores da Daniela, Associação de Moradores e Proprietários de Jurerê Internacional (AJIN), Associação do Bairro Sambaqui, Conselho Municipal dos Ingleses e pescadores artesanais de Governador Celso Ramos e do balneário de São Miguel (Biguaçu), exigindo que o estaleiro, para construção de grandes navios para exploração do pré-sal, seja construído em outro local tendo em vista que a área escolhida causará danos irreversíveis para fauna marinha, para o turismo, pesca artesanal e maricultura, atividades econômicas de baixo impacto ambiental.

“Estamos nesta luta contra o estaleiro desde o início do ano, através do núcleo de voluntários de Santa Catarina e o diretor regional da Sea Shepherd Hugo Malagoli,” disse Daniel Vairo, diretor geral do ISSB. “Hoje aumentados a nossa participação contra este empreendimento nesta localidade,” complementou Daniel.

Ativistas da Sea Shepherd vieram de diversas regiões. Um grupo de São Paulo liderado por Carlos Alberto, diretor da região paulista, chegou sexta a noite e ficou responsável pela coordenação na praia de Jurerê Internacional junto ao grupo vindo de Porto Alegre. Já voluntários de Paraná se dividiram em duas equipes e se reuniram em Biguaçu e Governador Celso Ramos com voluntários locais da Sea Shepherd para embarcar junto aos pescadores artesanais da colônia Z 23.

A partir das 09:30 horas da manhã, lideranças das associações presentes, ONGs e artistas deram depoimentos e falaram a um público de mais 200 pessoas sobre as diferentes questões negativas que rodeiam o empreendimento que foi vetado duas vezes pelo ICMBio, órgão federal que tem poder de veto ao licenciamento.

“Debatemos em assembléia de moradores e 99% dos presentes votaram contra a instalação do estaleiro, que irá impactar a baía norte e o futuro de Florianópolis. O poder da sociedade pode ser utilizado para defender o que é melhor para a maioria. A lei aumenta a liberdade das pessoas bem intencionadas. Vamos garantir junto ao Ministério Público e órgãos ambientais o que é válido para todos seja para todos, que não se abra exceção para alguns grupos por poder, influência e interesses econômicos”, disse Adolfo Pfeifer da Associação de Moradores e Proprietários de Jurerê Internacional

Presentes também estavam os embaixadores do mar Erick Wilson e Karol “Peixe” Meyer. Erick do Oceano Arte, pintou um quadro de 160 x 80 cm representando a baía dos golfinhos e botos cinzas que serão diretamente afetados pelo empreendimento.

“Retrato a necessidade de preservação dos oceanos no meu trabalho de arte e em oficinas com crianças. Aqui retrato a vida marinha e os golfinhos da região, passando a mensagem de que se a gente não acordar veremos essas espécies no futuro somente em obras de arte e fotografia,” comentou Erick Wilson, Artista Plástico e Embaixador do Mar da Sea Shepherd que veio de São Paulo. A obra de Erick esta disponível por mil reais no Sea Shop para beneficiar a ONG e angariar recursos para esta campanha contra o estaleiro.

Karol Meyer, que mora e treina na região, falou ao público sobre suas experiências de mergulho em apnéia e como experiência a vida marinha em seu ambiente natural.

“Estou nessa luta pela paixão pelo mar. Meu sonho sempre foi saber o que tinha debaixo do mar. Com esse estaleiro essa vida vai ser prejudicada. A mudança do relevo irá modificar a vida marinha, é uma questão de vida ou morte. Estou participando desse movimento porque a questão é séria, as instituições são sérias e estou aqui para ajudar também. Eu posso ficar sem mergulhar, mas não podemos viver sem a água. Estamos aqui protegendo o ser humano, pois lutamos para preservar o meio ambiente de que ele faz parte. Enquanto uns lutam para a natureza ser protegida e por outras fontes de energia, outros lutam pelo petróleo, o pré-sal, que não é a saída dos problemas que enfrentamos aqui no Brasil”, disse Karol Meyer, mergulhadora, recordista mundial de Apnéia e Embaixadora do Mar.

Por volta das 11 da manhã Hugo Malagoli, diretor regional do Instituto Sea Shepherd Brasil em Santa Catarina e 18 embarcações de pesca artesanal e duas escunas chegaram a Jurerê soltando rojões. As bandeiras foram fincadas na praia para simbolizar a morte da vida marinha causado pela eventual construção do estaleiro, e a perda da certificação de bandeira azul que certamente será perdida pela praia de Jurerê, devido a poluição que um eventual estaleiro causará a sua orla. As bandeiras que foram fincadas na praia estão disponíveis no Sea Shop por R$95 cada, para beneficiar a ONG e angariar recursos para esta campanha contra o estaleiro.

João Manoel do Nascimento, da Associação de Moradores da Daniela, avalia que o grupo de resistência é muito heterogêneo e que o movimento cresce à medida que as pessoas são informadas.

“É um momento histórico, porque reúne diferentes classes sociais, profissões, em prol de uma bandeira que é a cara do nosso século, que é a defesa do meio ambiente”, disse João Manuel.

O Instituto Sea Shepherd Brasil, que entrou em contato com o procurador da República Eduardo Barragan, do Ministério Público Federal de Santa Catarina esta semana, sugeriu uma união de forças com o MP e associações locais para ingressar com uma ação civil pública buscando o embargo do empreendimento da OSX na região. O ISSB continuará atento aos desdobramentos dos trâmites em Brasília caso o parecer original do ICMBio seja alterado e tomará as medidas necessárias para inibir o inicio de qualquer obra.

O Instituto Sea Shepherd Brasil deixa aqui também seu voto de solidariedade aos 4 técnicos do ICMBio exonerados de suas chefias devido as suas posições contrárias a construção do estaleiro nesta região. Para o Instituto Sea Shepherd Brasil também não existe conciliação no que se diz respeito ao cumprimento da legislação ambiental e da integridade da Reserva Biológica do Arvoredo, Reserva Ecológica dos Carijós e a área de Proteção Ambiental de Anhantomirim.

Bibliografia e agradecimentos:

Vera Gasparetto e http://www.portogente.com.br

http://sosdaniela.blogspot.com

http://www.midiaindependente.org

Fotos: Celso Martins e Erick Wilson.

Líderes dos movimentos em defesa das baías em Florianópolis, Santa Catarina, pousam para foto.

Líderes dos movimentos em defesa das baías em Florianópolis, Santa Catarina, pousam para foto.

Pescadores artesanais contra o estaleiro.

Pescadores artesanais contra o estaleiro.

Ativistas da Sea Shepherd e pescadores artesanais com as bandeiras.

Ativistas da Sea Shepherd e pescadores artesanais com as bandeiras.

Karol Meyer.

Karol Meyer.

Erick Wilson

Erick Wilson

O movimento em defesa das baías em Florianópolis

O movimento em defesa das baías em Florianópolis

Pescadores artezanais e escunas reunidas contra o estaleiro.

Pescadores artesanais e escunas reunidas contra o estaleiro.