Campanha Borrifos realiza ações de conscientização durante a temporada das baleias no Brasil

Todos os anos, durante o nosso inverno, recebemos ilustres visitantes em nossa costa: as baleias. Elas saem de regiões polares, como a Antártica, em busca de águas mais calmas e quentes dos trópicos para a reprodução e nascimento de suas crias, que ainda não tem uma camada de gordura bem desenvolvida para suportar as águas frias de suas regiões de origem.

São aproximadamente 4000 quilômetros em uma longa jornada de migração. Dentre as espécies que nos visitam, podemos destacar a baleia franca, que tem sua maior concentração no litoral de Santa Catarina e a jubarte, que faz do Arquipélago de Abrolhos seu maior berçário, mas que também se entende até Natal, no Rio Grande do Norte.

Jubarte mamãe e bebê

Segundo censos realizados pelo Projeto Baleia Jubarte, a população de jubartes do Atlântico Sul conta com mais de 25.000 baleias e esse número vem crescendo a cada ano, desde que a caça comercial às baleias foi proibida mundialmente em 1986. Se por um lado, esse aumento nos traz uma grande alegria, por outro nos preocupa pois aumenta também o número de interações antrópicas.

Infelizmente, são comuns interações inadequadas com barcos de diferentes tamanhos, de recreação, turismo ou comerciais, que por desconhecimento das regras, acabam se aproximando além do permitido, colocando em risco o bem estar do animal e, certamente, das pessoas, visto que uma baleia jubarte pode chegar a pesar 40 toneladas (as francas chegam a até 60 toneladas) e causar danos às embarcações e ferimentos. Todas as espécies de cetáceos, que inclui baleias e golfinhos, são protegidos por lei, de acordo com a portaria n. 117, de 26 de dezembro de 1999 do IBAMA, que regulamenta a aproximação humana, a fim de evitar o molestamento aos animais e garantir a segurança das pessoas.

#EuSeiVerBaleias

Diante da necessidade de disseminar essas informações, a Campanha Borrifos da Sea Shepherd Brasil, que também se dedica ao estudo científico de intervenções antrópicas no comportamento das baleias, vem trabalhando em uma série de ações educativas, que inclui palestras e distribuição de cartazes informativos em lugares de alto fluxo de embarcações, com o intuito de sensibilizar a população a respeito da importância das regras de avistamento seguro.

Até o momento já foram realizadas cinco palestras educativas direcionadas para o público náutico, como guias e condutores de turismo, mergulhadores, capitães e marinheiros, além de nossos voluntários e coordenadores por todo o Brasil. Banners com as principais regras de avistagem da legislação, alertas e um guia de reconhecimento das jubartes estão sendo distribuídos e colados em pontos estratégicos de passagem de pessoas que fazem viagens marítimas, com a ajuda essencial de voluntários capacitados para abordar o tema. Ao todo, serão espalhados 400 cartazes em Ilhabela, São Sebastião, Santos, Praia Grande, São Vicente, Guarujá e Bertioga e ainda mais de 250 cartazes em Arraial do Cabo, Florianópolis e litoral do Paraná.

Ciência cidadã

A ciência cidadã tem se tornado cada vez mais comum e tem se mostrado bastante útil em pesquisas científicas, utilizando fotos, vídeos e até mesmo relatos de pessoas para ampliar bancos de dados, ajudando pesquisadores a entender a distribuição dos animais e até mesmo a buscar socorro para aqueles que são encontrados em situação de perigo. Nossos cidadãos cientistas podem contribuir de três formas com a campanha: enviando fotos ID, relatando casos de baleias em perigo (ameaçadas ou enredadas) e ainda informando sobre baleias encontradas mortas.

 

Para foto ID é necessário tirar uma foto da parte ventral – ou seja, a parte de baixo, da cauda das jubartes. Cada cauda apresenta marcas, formas e coloração únicas, o que permite a identificação de cada indivíduo. Essas fotos vão para o catálogo de um banco de dados internacional de acesso aberto ao público, que contribui no estudo comportamental, de rotas de migração e estado populacional. A foto da nadadeira dorsal da jubarte também pode funcionar para realizar a identificação, ainda que não seja tão precisa uma vez que as marcas nas dorsais podem mudar a cada temporada. 

Ângulos corretos para fotografia de jubartes

Enredamentos

A Sea Shepherd Brasil monitora também o aumento de baleias emalhadas em redes de pesca e também mortas. Os números são preocupantes, em especial na região sul do país. Com o objetivo de acionar órgãos de resgate com maior agilidade criamos uma rede de contatos de emergência de toda a costa brasileira. 

Ao encontrar um animal ferido ou morto, entre em contato via e-mail ou pelo formulário da campanha. Para mais informações, visite a página da campanha Borrifos.

Baleia enredada

SEA SHEPHERD BRASIL EDUCA AGENTES AMBIENTAIS MIRINS

VITÓRIA, ESPÍRITO SANTO – A Sea Shepherd Brasil dá o primeiro importante passo em seu programa educacional que visa focar em uma inovadora maneira de engajar a futura geração de brasileiros, e que tem como seu foco central o profundo entendimento das crianças, adolescentes e adultos sobre a nossa sutil, mas poderosa interdependência com os oceanos e o planeta.

No dia 05 de março de 2020 a àrea Sea Shepherd Educação realizou uma oficina com professores e alunos da Comunidade de Jesus de Nazareth, localizada na capital do Espírito Santo para a apresentação do projeto ‘Cartilha Educacional Ambiental: Educação Ambiental para as Comunidades’.

Doe para ajudar nas Ações de Educação Ambiental

Neste evento, compareceram os alunos do 3º e 4º ano, os alunos do Clube de Ciências e as professoras responsáveis pelas matérias envolvidas no projeto (ciências, geografia e afins), as quais planejam ceder algumas de suas aulas para o conteúdo desta cartilha. Liderando o projeto está Sandro Firmino, coordenador dos projetos Sea Shepherd Educação, a professora Adalgisa Dias Pereira representando a escola E.M.E.F “EDNA DE MATTOS SIQUEIRA GÁUDIO, e também Rúbria Tânia de Oliveira, representante da liderança da comunidade Jesus de Nazareth que se mostra muito animada com o potencial impacto positivo do projeto na comunidade de Jesus de Nazareth.

No evento, a Sea Shepherd Educação compartilhou a missão e propósitos da Sea Shepherd de proteger os oceanos, a nossa interdependência com os oceanos, as principais dificuldades e consequências da falta de educação ambiental e a importância de cada indivíduo da sociedade se tornar agentes de mudança – incluindo nossas crianças – na preservação da vida marinha.

Doe para ajudar nas Ações de Educação Ambiental

O conteúdo, bem didático e impactante, teve como objetivo de aumentar a consciência sobre situação dos oceanos hoje, para dar às crianças um senso de urgência e responsabilidade; as crianças foram expostas a exemplos práticos da situação, como mostrando fotos de animais torturados por plástico nos oceanos, o mar de lixo que estamos gerando e despejando nos mares, provocando uma vontade imediata nas crianças de mudar e agir. Também foram apresentadas soluções práticas de como ser um agente de mudança, como comportamentos diários de conscientização, e ações coletivas de responsabilidade e coleta de lixo e cuidado com as praias – inclusive as ações ativas na comunidade de Nazareth – o que despertou o interesse geral em imediatamente se sentir parte de preservar o local onde moram e se unir com os moradores que já atuaram em prol do meio ambiente.

Nesta oficina, a Sea Shepherd Educação explicou o projeto piloto – que visa à construção de uma cartilha educacional sobre o correto descarte de resíduos e o impacto do lixo na comunidade – e denominou alguns dos alunos da escola a agentes ambientais mirins; fiscalizando e notificando as ações dos moradores para aos poucos integrar e conscientizar toda a comunidade de Jesus de Nazareth no aprendizado e correto descarte de seu lixo e seu impacto positivo para os oceanos e o planeta. Os alunos se demonstraram adeptos com o projeto, e agora trabalham em um processo de seleção do primeiro grupo de 20 agentes ambientais mirins da Sea Shepherd Educação.

Grandes mudanças de comportamento começam com passos pequenos. No caso dos desafios na esfera ambiental, a Sea Shepherd acredita que começa na árdua e desafiante tarefa de estar onde o problema está: não somente na ação direta em nossas praias e oceanos, mas também na formação diária de nossas crianças: os futuros agentes de mudança. Este é um projeto piloto da Sea Shepherd Educação que tem a ambição de ser replicado para escolas e comunidades do Brasil no segundo semestre de 2020.

Mais sobre a Sea Shepherd Brasil

A Sea Shepherd é uma organização internacional sem fins lucrativos de conservação da vida marinha. Fundada em 1977, pelo Capitão e ambientalista Paul Watson, a missão da Sea Shepherd é defender, conservar e proteger a vida marinha e ecossistemas marinhos.

Com campanhas no mundo todo, defendendo desde as baleias no Santuário de Baleias da Antártica contra caça ilegal até tubarões em Galápagos, a Sea Shepherd usa táticas inovadoras e não violentas de ação direta para investigar, documentar e agir quando necessário e para expor e confrontar atividades ilegais nos oceanos. Salvaguardando a biodiversidade de nossos delicados ecossistemas marinhos, a Sea Shepherd trabalha para garantir a sobrevivência dos oceanos para as futuras gerações.

No Brasil, a Sea Shepherd atua para preservação de sistemas costeiros e marinhos com a Operação Ondas Limpas, de remoção do lixo marinho de praias e rios e de educação e conscientização da população sobre consumo e descarte responsável. A Sea Shepherd Brasil também atua em escolas educando jovens sobre preservação dos oceanos.

A Sea Shepherd é conhecida por ter a maior frota de navios não governamentais de preservação ambiental, e trabalha com governos para auxiliar na fiscalização de leis de conservação existentes e proteger espécies e ecossistemas ameaçados, como no caso da vaquita marinha do México.Desde os gentis gigantes do mar até as menores criaturas, a missão da Sea Shepherd é proteger todas as espécies de vida marinha que vivem em nossos oceanos. Nossas campanhas têm defendido baleias, golfinhos, focas, tubarões, pinguins, tartarugas, peixes, krill e aves aquáticas da caça furtiva, pesca insustentável, destruição de habitat e cativeiro explorador.