Sea Shepherd impede derramamento de sangue de baleias-piloto nas Ilhas Faroé

Operação Ilhas Ferozes, campanha em defesa das baleias-piloto, é um sucesso

“Vela adiante – para orientar as águas profundas apenas,
Ó alma imprudente, explorando, eu contigo e tu comigo,
Para onde estamos indo, nenhum marinheiro se atreveu a ir,
E vamos arriscar o navio, nós mesmos e todos.”
– Walt Whitman

Foto: Bill Rankin

Foto: Bill Rankin

A Operação Ilhas Ferozes, campanha da Sea Shepherd Conservation Society em defesa das baleias-piloto está quase no fim, e parece que nosso objetivo foi alcançado. Nenhuma baleia ou golfinho foi morto nas praias ou nas águas das Ilhas Faroé sob nossa guarda em julho e agosto.

Nos meses anteriores, a polícia das Ilhas Faroé ordenou que nenhum grind (matança de grupos de baleias-piloto) seria permitido durante o período que os navios da Sea Shepherd estivessem nas águas das Ilhas Faroé. Assim, a nossa mera presença vigilante impediu qualquer assassinato neste período, salvando centenas de baleias como resultado. Não é uma campanha dramática, mas de enorme sucesso, no entanto.

É possível que as baleias sejam mortas após o Steve Irwin e o Brigitte Bardot deixarem de patrulhar, mas junho, julho e agosto são os três meses mais notórios para a matança das baleias, porque são meses de pico de migração. Nosso objetivo era impedir a matança de qualquer baleia durante este período, e este objetivo foi alcançado, portanto, a Operação Ilhas Ferozes foi extraordinariamente bem sucedida.

Além disso, durante a campanha, as tripulações dos nossos dois navios da Sea Shepherd foram capazes de conhecer e falar com centenas de jovens das Ilhas Faroé. Fomos agradavelmente surpreendidos ao encontrar tantos jovens que se opõem ao grind.

A Sea Shepherd esperava fazer uma apresentação pública, mas, infelizmente, nosso pedido foi negado pelo governo das Ilhas Faroé, embora a nossa presença tenha gerado um grande volume de publicidade, tanto nas Ilhas Faroé quanto na Dinamarca.

As conquistas significantes desta campanha incluem o aumento da consciência internacional sobre a caça às baleias, que tem lugar nas Ilhas Faroé, a provocação de controvérsia e discussão entre a população local, o aumento dos gastos para a Marinha dinamarquesa e a polícia durante o período da Sea Shepherd nas águas das ilhas Faroé, e o mais importante, impedir que um único grind tenha ocorrido.

Os dois navios da Sea Shepherd voltam à Grã-Bretanha para começar os preparativos para uma viagem de volta às águas da Antártida, para mais uma vez intervir contra as atividades ilegais baleeiras japonesas no Santuário Antártico das Baleias.

O Steve Irwin vai sediar um evento de angariação de fundos no rio Tamisa, em Londres, dia 13 de setembro.

Foto: Bill Rankin

Foto: Bill Rankin

As tripulações do Steve Irwin e do Brigitte Bardot estão muito felizes com os resultados da campanha deste ano, e estão ansiosas para voltar e mais uma vez interceptar a frota japonesa, evitando a matança de baleias na costa da Antártida.

“Nos últimos meses vimos baleias, impedimos de se aproximarem das ilhas, impedimos a matança de baleias por apenas estarmos aqui. Nós não poderíamos estar mais satisfeitos com os resultados da campanha. Zero mortes se traduz em uma campanha perfeita, e estamos extremamente felizes com os resultados dos nossos esforços neste período”, disse o Capitão Paul Watson.

Este tem sido um ano muito ativo para Sea Shepherd, começando com a nossa vitória sobre a frota baleeira japonesa, por levá-los para fora do Santuário de Baleias da Antártica um mês e meio antes da temporada terminar e os impedir de matar 83% de sua cota de matança. Desde a nossa vitória no Oceano Antártico, capturamos caçadores em Galápagos, confrontamos caçadores de atum na costa da Líbia, protestamos na 63ª Reunião Anual da Comissão Internacional da Baleia, em Jersey, expomos as atrocidades da matança de focas na Namíbia, ajudamos a pegar os criminosos que viciosamente golpeavam filhotes de focas na Nova Zelândia, reduzimos pela metade o número de golfinhos mortos em Taiji, no Japão, e agora podemos nos deliciar com esta vitória para as baleias-piloto aqui nas Ilhas Faroé.

Nunca antes a Sea Shepherd foi tão ativa e efetiva em um nível verdadeiramente internacional.

E a razão do nosso sucesso é o seu contínuo apoio. Nós fazemos o melhor que podemos com os recursos disponíveis para nós, e um aumento de apoio traduz um aumento ao ativismo.

Nossa base de apoio está em constante crescimento, graças ao impulso de documentários recentes com a Sea Shepherd, incluindo o Eco-Pirata: A história de Paul Watson, Mentes na Água, e Confissões de um eco-terrorista. E, claro, graças ao Animal Planet, com o sucesso da série Whale Wars, agora em sua quarta temporada.

“O que me dá essa satisfação é saber que, porque estamos intervindo, porque os nossos navios estiveram sobre as águas ao redor do mundo, que tantas vidas marinhas têm sido salvas”, disse o Capitão Watson. “Quando eu penso em uma baleia mãe e seu filhote nadando livres no mar porque nós silenciamos os arpões este ano, eu me sinto profundamente satisfeito, que todos os nossos esforços têm valido a pena, o mar revolto, as viagens longas, os confrontos perigosos, e o assédio político. E por estar no mar cercado por centenas de baleias-piloto, que conseguimos manter longe dos assassinos em terra – este foi o ponto alto do nosso verão”.

Leia mais em Carta Aberta ao Povo das Ilhas Faroé, pelo Capitão Paul Watson.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Capacitação do ISSB no Rio de Janeiro: sempre um grande sucesso

SAM_0823aNos dias 20 e 21 de agosto, foi realizado no Clube Guanabara e Iate Clube do Rio de Janeiro, a quinta capacitação do ano realizada pelo Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB), onde contamos com a participação de 28 alunos de diversas áreas profissionais.

Este ano já foram mais de 120 acadêmicos capacitados, contribuindo cada vez mais com a preservação da vida marinha, o que nos deixa bastante orgulhosos.

A realização do curso teve apoio da Irmandade dos Mares, ONG local, que trata das questões ligadas à vela e aos oceanos.

Como parceiro, tivemos o núcleo de voluntários do Rio de Janeiro. E, segundo Wendell Estol (Diretor geral do ISSB): “o grande número de participantes demonstra a demasiada preocupação da sociedade com o aumento da exploração de petróleo em águas brasileiras”.

Wendell Estol, Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB)

Wendell Estol, Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB)

Nós do ISSB notamos que o interesse dos voluntários acerca do assunto aumentou significativamente, pois a sociedade tem conhecimento de que o Brasil terá em breve grande destaque na produção mundial de petróleo. Porém, não é dada a mesma publicidade para as medidas de segurança e prevenção que serão tomadas para evitar que ocorra em nosso país uma catástrofe semelhante a do Golfo do México, no ano passado.

Saindo do Rio de Janeiro, será a vez de Vila Velha, no Espírito Santo, receber a capacitação. Contudo, essa será fechada ao público, por se tratar de uma importante iniciativa da Universidade de Vila Velha, que irá oferecer o curso aos seus alunos como atividade da Semana do Biólogo. Serão mais de 50 alunos divididos em duas turmas.

Por fim, até o final do ano o ISSB realizará este curso de capacitação em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Recife, e em seguida voltará ao Rio de Janeiro. Fiquem atentos, em breve as datas dos próximos cursos estarão disponíveis em nosso site.

Pryscilla C. Silva de Lima, voluntária do ISSB

Dona Justiça abandonou Galápagos

Foto: Parque Nacional de Galápagos

Foto: Parque Nacional de Galápagos

Em 26 de julho, a Sea Shepherd relatou a captura de um navio de pesca no que é o maior caso de assassinato de tubarões na história do Parque Nacional de Galápagos. Vimos isso como nossa oportunidade de colocar quase dois anos de trabalho duro do nosso projeto jurídico em prática e estávamos nos preparando para ir ao tribunal como parte acusadora, em defesa dos tubarões massacrados. Seria histórico, já que não há registro prévio de organizações não-governamentais ambientais em processos em Galápagos. Mas, estávamos muito otimistas, já que o sistema jurídico de Galápagos é incapaz de lidar com crimes ambientais. Na verdade, nós queremos saber se o sistema jurídico local é ainda capaz de lidar com qualquer tipo de crime. Nos 13 anos da regulamentação ambiental na Lei Especial de Galápagos, nenhum processo resultou em crime ambiental. Agora sabemos o porquê: é simplesmente impossível nas atuais condições judiciais.

Os fatos do caso Fer Mary 1:

– O Fer Mary 1 é um navio de pesca industrial, utilizando espinhéis, registrado em Manta, no porto de pesca principal do Equador.

– O Fer Mary 1 foi detectado pelo Sistema de Monitorização de Navios em 18 de julho de 2011. O Sistema de Monitorização de Navios é utilizado pelo Parque Nacional de Galápagos para controlar o movimento de navios no interior da Reserva Marinha de Galápagos.

– O Parque Nacional de Galápagos enviou uma lancha para interceptar o navio que estava operando a cerca de 20 milhas náuticas dentro da Reserva Marinha de Galápagos. Esta lancha tinha seis guardas florestais e um membro da marinha. Eles navegaram em condições de mar difícil de fazer seu trabalho. Os mares estavam tão agitados que o Parque Nacional de Galápagos assumiu um grande risco.

– Um grande número de tubarões (357) de espécies diferentes, incluindo um mako, uma espécie protegida pela Convenção sobre Espécies Migratórias, foram encontrados no navio e sua embarcação menor dependente. Algumas destas espécies também estão listadas na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, como ameaçadas ou em extinção. Em Galápagos, TODAS as espécies de tubarões recebem proteção jurídica.

– De acordo com a Legislação de Galápagos e com o Código Penal do Equador, qualquer captura de tubarões é ilegal dentro da Reserva Marinha de Galápagos. Qualquer pesca industrial, especialmente utilizando espinhéis, também é ilegal dentro da Reserva Marinha de Galápagos.

– Em 19 de julho, o promotor do meio ambiente de Galápagos abriu uma investigação sobre os crimes ambientais da pesca dentro da Reserva Marinha de Galápagos e a captura de espécies protegidas contra a tripulação do Fer Mary 1. A pedido do Ministério Público, o juiz ordenou a detenção de todos os tripulantes. O Parque Nacional de Galápagos  também entrou com uma acusação.

– Se condenada, a tripulação do Fer Mary 1 poderia ter até três anos de prisão por praticar pesca ilegal e um adicional de três anos pela captura de espécies protegidas.

– Em 03 de agosto, a pedido do advogado do réu, uma audiência judicial ocorreu. Apesar da oposição formal do Ministério Público, o juiz decidiu no sábado, 06 de agosto, liberar todos os suspeitos com a condição de que se apresentassem ao juiz em Manta, sua cidade natal, a cada oito dias. Esta condição aplica-se a 19 tripulantes, que deixaram as ilhas e estão agora desfrutando da liberdade a 982 quilômetros de distância da cena do crime. Apenas o capitão e o engenheiro-chefe tiveram que ficar em Galápagos, na Ilha de San Cristobal, até o final da investigação preliminar, que é a primeira fase do procedimento criminal.

– De uma perspectiva de litígio, o caso não tem futuro, já que a maioria dos suspeitos estão fora da cidade. Isto significa que todos os riscos tomados por guardas florestais do parque e pela tripulação da Marinha, a implementação da cara tecnologia por satélite, o monitoramento e todo o trabalho do promotor ambiental e do Parque Nacional de Galápagos não valeram nada para o sistema judiciário, já que os suspeitos agora estão a 982 quilômetros de distância das Ilhas Galápagos. Na realidade, a verdadeira justiça se destina a responder para a sociedade e protegê-la, não abandoná-la.

– E, no entanto, fica ainda pior: se forem acusados por crimes ambientais, todos os suspeitos terão que voltar para Galápagos para julgamento. Isso nunca aconteceu em casos anteriores. O Papate é um bom exemplo. Em abril de 2010, este navio de pesca industrial equatoriano também foi pego dentro da Reserva Marinha de Galápagos com 183 tubarões mortos a bordo. Por cinco vezes o tribunal de Galápagos pediu aos 14 réus, que também são de Manta, para retornar à Galápagos, para o processo judicial. Na última vez, apenas um deles cumpriu. Para que o tribunal julgue o caso, todos os réus devem estar presentes. Se os réus não aparecem, a polícia tem autoridade para detê-los e transportá-los ao tribunal. Isso acontece no continente, mas no caso de Galápagos, surge a pergunta: quem vai pagar os custos de transporte do continente para as ilhas? Nem a polícia nem o sistema judiciário tem orçamento para isso. Também não é regulado de forma clara na lei.

– Mesmo que os suspeitos retornem, já é certo que o caso será anulada: no primeiro caso ambiental que já foi a julgamento em Galápagos, o tribunal local criminal declarou-se não competente para tratar dos casos de crimes ambientais. Isso significa que se você quiser processar alguém em Galápagos, você tem que ir para o próximo tribunal provincial no Equador, a cerca de 982 quilômetros de distância. Isto é inacreditável e inaceitável.

– Ainda mais inaceitável é o fato de que Galápagos é a única província do Equador sem um Tribunal Provincial de Justiça. Como isso pode acontecer em um lugar tão único como Galápagos?

Observações ainda de interesse sobre o caso Fer Mary 1:

– O navio está detido em Galápagos. A história tem mostrado que os proprietários não conseguirão recuperá-lo (pequeno pedaço de uma boa notícia).

– O promotor também iniciou um processo contra o proprietário do navio, uma estratégia positiva e nova para empurrar o caso para os seus limites. No entanto, o mesmo se aplica aqui como os demais acusados ​​de casos anteriores: se ninguém aparecer, nada poderá ser cobrado.

– O sistema judiciário deve ser completamente desinfetado. A Sea Shepherd Galápagos ajudou a alcançar grandes melhorias, mas sequer arranhamos a superfície desta área. O promotor ambiental está fazendo um grande trabalho, mas está correndo contra a parede judicial.

– O Parque Nacional de Galápagos é capaz de capturar pescadores ilegais graças ao Sistema de Monitorização de Navios já existente, e em breve com ajuda do Sistema de Identificação Automática que a Sea Shepherd está instalando. Os guardas do parque fazem isso em condições difíceis de mar, correndo grandes riscos, a fim de proteger a Reserva Marinha de Galápagos. É muito frustrante para os guardas florestais depois ver o caso perdido devido a um sistema judiciário falho.

– O juiz ordenou a libertação dos pescadores devido a razões humanitárias. Ele pensou que seria injusto encarcerar as pessoas por uma infração “meramente” ambiental. Mas e o terrível dano ambiental que foi infligido sobre este frágil ecossistema? E sobre quebrar a lei, não conta para alguma coisa? Aparentemente, em Galápagos, a natureza não é tão importante para o sistema judiciário.

– O juiz que ordenou a libertação foi removido de sua posição, dias depois que ele tomou essa decisão.

Os próximos passos para corrigir esta situação inaceitável:

– Uma limpeza profunda é necessária do sistema judiciário em Galápagos. Juízes competentes precisam ser nomeados, que entendam o valor do delicado ecossistema de Galápagos.

– Se o tribunal em Galápagos não é competente para tratar dos casos de crimes ambientais, que um tribunal provincial seja nomeado em Galápagos.

– Quando for evidente que o Judiciário local não entende o valor ecológico de tubarões, pelo menos deveria ser claro para eles que o dano econômico para Galápagos excede em muito os lucros de pescadores ilegais. Cerca de 90% das pessoas em Galápagos são dependentes do turismo de mergulho, e o turismo é uma parte muito importante. As pessoas vêm para ver os tubarões de Galápagos, não para ver tubarões sendo massacrado por pescadores ilegais.

– Os casos devem ser tratados por acusado. Em vez de tentar obter todos os tripulantes de volta ao mesmo tempo (o que provou ser impossível), os tribunais devem julgar cada pessoa individualmente. Não só isto vai ser muito mais fácil, como também evita que todos os julgamentos sejam adiados se apenas uma pessoa deixar de aparecer. Este método está sendo aplicado em outras partes do Equador, onde tem sido comprovado que funciona. Devido à dificuldade de logística que enfrenta Galápagos, bem como a falta de um tribunal provincial, esta deve ser uma opção.

Os próximos passos para a Sea Shepherd Galápagos:

Este massacre ilegal de tubarão não será esquecido, e vamos garantir isso. Tubarões foram mortos em um santuário de tubarões, onde recebem proteção integral, mesmo que o sistema judiciário não consiga entender isso.

Este caso tornou-se o próprio símbolo de um sistema judiciário falho em Galápagos. Se este sistema judiciário não é o que deveria ser, um ator experiente e respeitado no fornecimento de justiça ambiental, então é urgente e necessária uma transformação.

No momento, um processo de transformação judicial está em curso no Equador. Precisamos mostrar às autoridades judiciais nacionais o quão mal está a justiça ambiental em Galápagos. O caso Fer Mary 1 não vai trazer os 357 tubarões mortos de volta à vida, nem pagar o trabalho árduo de todas as autoridades locais envolvidas, mas pode ser o caso que justifique a necessidade principal, a transformação local judiciária.

Um depoimento jurídico (amicus curiae) sobre a necessidade de proteger os tubarões em breve será apresentado no tribunal. Apoio local e nacional está sendo solicitado, a fim de enviar uma mensagem clara para o sistema judiciário sobre como este caso tornou-se para a sociedade.

Há dois anos conseguimos mostrar às autoridades nacionais a necessidade de um procurador ambiental especializado para Galápagos, e agora, voltamos nossos esforços para o Judiciário.

É questão de tempo para a Dona Justiça voltar a Galápagos.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

A Sea Shepherd comemora 25 anos do seu banimento dos encontros da Comissão Internacional da Baleia

‘Continuamos maus’, de acordo com a Comissão Internacional da Baleia

Foto: Simon Ager

Foto: Simon Ager

Desde 1986, a Sea Shepherd Conservation Society está oficialmente banida de participar do Encontro Anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB). A razão para a expulsão foi que derrubamos metade da frota baleeira da Islândia no porto Reykjavik, em novembro de 1986.

De poucos em poucos anos, o fundador e presidente da Sea Shepherd, Paul Watson, manda cartas ao secretário da Comissão Internacional da Baleia solicitando o restabelecimento de um observador da nossa ONG no encontro, e toda vez a solicitação é previsivelmente rejeitada.

Em julho, a Sea Shepherd mandou outro requerimento, antes do encontro em Jersey da Comissão Internacional da Baleia. Apenas essa semana recebemos a resposta, e como esperado, foi outra rejeição. Desta vez a razão dada foi nossa interferência com as operações baleeiras japonesas no Santuário de Baleias no Oceano Atlântico. Nós estamos atualmente muito orgulhosos do fato deste ano marcar o 25º aniversário do banimento como ONG dos encontros da Comissão Internacional da Baleia à Sea Shepherd.

Isto significa que após um quarto de século continuamos mais eficazes que nunca, e continuamos na linha de frente e na divisão de águas dos esforços conservacionistas das baleias ao redor do mundo.

Embora nós não tenhamos uma permissão oficial para assistir às reuniões, a Sea Shepherd continua sendo o foco dos inúmeros encontros, debates, e palavras quentes dentro das salas de conferência da Comissão Internacional da Baleia.  Este ano, os apoiadores da Sea Shepherd dominaram as ruas em Jersey, onde o encontro foi realizado, mandando mais voluntários a Jersey que todos representante das outras ONGs juntas.

A Sea Shepherd é o grupo mais odiado, mais criticado, e mais condenado pelas nações baleeiras e suas nações fantoche compradas. Mesmo indo tão longe, como o comissário de caça se referiu à Sea Shepherd no encontro (com um forte sotaque ocidental), somos “uma abominação merecedora de condenação”.

O fato é que nós gostamos de sermos chamados destes nomes, e sermos atacados pelas nações baleeiras e suas marionetes apoiadoras, porque isto significa que estamos fazendo algo que eles não gostam – como desligar suas atividades baleeiras ilegais, por exemplo.

Portanto, esta recente carta de recusa a comparecermos no encontro da Comissão Internacional da Baleia marca nosso 25º aniversario de banimento da Comissão Internacional da Baleia. Isto significa que desde o banimento da pesca comercial das baleias em 1986, imposta pela própria Comissão Internacional da Baleia, a Sea Shepherd Conservation Society tem sido a mais agressiva e efetiva organização anti-baleeira no mundo.

Os baleeiros nos odeiam e nos chamam de piratas, eco-terroristas, vigilantes e bom, outros muitos nomes irrepetíveis também, mas nós podemos lidar com isso enquanto estivermos salvando a vida de cetáceos, como a única organização no mundo que realmente reforça os regulamentos da Comissão Internacional da Baleia. E ser a única organização no mundo a ser banida da Comissão Internacional da Baleia é uma marca de distinção em nossos olhos – isto significa que estamos fazendo algo que eles não gostam.

No último encontro em 2011, a Comissão Internacional da Baleia condenou os esforços da Sea Shepherd no Oceano Atlântico, quando mandamos a frota baleeira japonesa para a casa um mês e meio mais cedo, e os impedimos de caçarem 83% da sua cota de matança.

“Isto não é assim que tem que ser feito”, disse o porta-voz do Greenpeace, John Frizell. “Não existem desculpas para as táticas violentas da Sea Shepherd contra os baleeiros. A abordagem da Sea Shepherd é simplesmente inaceitável”.

Em resposta a Frizell, o Capitão Watson respondeu “Diga isso às baleias que salvamos John, diga isso às baleias!”

Traduzido por Tomaz Horn, voluntário do ISSB

Entre as baleias

Um tripulante de snorkel ao lado de uma baleia-piloto. Foto: Eva Hidalgo

Um tripulante de snorkel ao lado de uma baleia-piloto. Foto: Eva Hidalgo

Na manhã de 16 de agosto, o Brigitte Bardot, no caminho de volta para as Ilhas Faroé vindo das ilhas Shetland, alcançou um grupo grande de baleias-piloto. As baleias-piloto cercaram o navio, chegando tão perto que a tripulação podia tocar-lhes. Enquanto isso, o Steve Irwin, posicionado perto do sul da ilha de Suduroy, começou a se dirigir para a mesma área, para se juntar ao Brigitte Bardot, chegando a tempo de ver este espetáculo impressionante.

Do helicóptero, o piloto Chris Aultman estimou que haviam cerca de 500 baleias-piloto em numerosos grupos em torno de uma grande área ao redor dos dois navios da Sea Shepherd. Golfinhos e baleias-fin foram vistos saltando, além das baleias-piloto. Vários tripulantes entraram no mar para filmar esses cetáceos maravilhosos debaixo d’água, muitos deles chegando a poucos centímetros dos mergulhadores e suas câmeras. Aultman visualizou baleias-fin nadando a 22 nós, com golfinhos surfando na frente delas.

A Sea Shepherd também recuperou uma rede grande fantasma flutuando na água e trouxe-a a bordo para garantir que não causaria danos aos animais ainda selvagens marinhos.

A Sea Shepherd posicionou seus navios entre as baleias e as Ilhas Faroé e monitorou o movimento das baleias, pronta para intervir com dispositivos acústicos se necessário, para persuadi-las a desviar para longe das margens cruéis e letais das Ilhas Faroé.

Alexis Lum, do Canadá, encontrou debaixo d’água com uma mãe e seu filhote nadando em círculo, em torno dele. “Eu poderia ter tocado o filhote com a mão, ele estava tão perto e a forma que as baleias olharam nos nossos olhos, era como se estivessem tentando se comunicar conosco”, disse ele.

A tripulante americana Crystal Galbraith disse: “Fiquei impressionada com o quão amigável elas são, sem medo de nós, e tão intensamente curiosas. Como alguém poderia saudar esta simpatia com uma violência horrível é inimaginável”.

Os navios da Sea Shepherd estão ficando com as baleias-piloto durante a noite. “Somos como pastores aquáticos guardando nosso rebanho”, disse o Capitão Paul Watson. “Precisamos mantê-las longe dos ganchos e facas dos açougueiros das Ilhas Faroé”.

Uma baleia-piloto salta na frente do navio Brigitte Bardot. Foto: Bill Rankin

Uma baleia-piloto salta na frente do navio Brigitte Bardot. Foto: Bill Rankin

O navio Brigitte Bardot cercado por baleias-piloto. Foto: Bill Rankin

O navio Brigitte Bardot cercado por baleias-piloto. Foto: Bill Rankin

Um grande grupo de baleias-piloto nada ao lado do Brigitte Bardot. Foto: Eva Hidalgo

Um grande grupo de baleias-piloto nada ao lado do Brigitte Bardot. Foto: Eva Hidalgo

Um tripulante recupera uma rede fantasma da água. Foto: Bill Rankin

Um tripulante recupera uma rede fantasma da água. Foto: Bill Rankin

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.