Mensagem de agradecimento do Capitão Paul Watson aos apoiadores brasileiros

Foto: Bill Rankin
Foto: Bill Rankin

Obrigado por apoiar a Sea Shepherd!

A seguinte informação foi recolhida sobre a doação do Instituto Sea Shepherd Brasil:

Em nome da Sea Shepherd Conservation Society, gostaria de agradecer a vocês pelas doações feitas através do site do Instituto Sea Shepherd Brasil. É só através do apoio permanente dos cidadãos interessados que somos capazes de persistir em nossos esforços para proteger a fauna marinha do nosso planeta.

Valor da doação: US$ 1.000,00
Data da doação: 04/08/2011
Designação: SOS – Liberte o Steve

Sou grato por sua generosidade e espero que vocês tenham um grande orgulho na diferença importante que fazem com a sua doação.

Pelos oceanos,

Capitão Paul Watson
Fundador e Presidente

O Instituto Sea Shepherd Brasil – Guardiões do Mar agradece a todos os brasileiros que se engajaram nesta causa mundial pela proteção aos oceanos, e fizeram suas doações para que fosse possível libertar o Steve.

Nosso muito obrigado a cada um de vocês.

Como colaborar:

As doações para o Instituto Sea Shepherd Brasil podem ser feitas através do link: http://seashepherd.org.br/doacoes/

O navio da Sea Shepherd, Steve Irwin, é finalmente libertado

Foto: Steve Irwin

Foto: Steve Irwin

Devido à generosidade dos nossos apoiadores em todo o mundo, a Sea Shepherd Conservation Society arrecadou mais de 735.000 dólares para salvar o seu principal navio, Steve Irwin, menos de duas semanas após o lançamento da campanha de angariação de fundos para salvar o nosso navio! Obrigado a todos que ajudaram a tornar possível angariar fundos para pagar a fiança e libertar a embarcação! Juntos, continuaremos fazendo a diferença.

Como muitos de vocês sabem, em 15 de julho, o Steve Irwin foi detido nas ilhas Shetland, na Escócia, até podermos pagar a fiança estimada no montante de US$1.411.692,87. A detenção foi ordenada pelos tribunais britânicos devido a uma ação cível movida contra nós pela empresa de pesca maltesa Fish & Fish Limited.

Felizmente, a carta de fiança foi publicada hoje cedo, e o Steve Irwin, em breve, partirá para as Ilhas Faroé, na Operação Ilhas Ferozes. O Steve Irwin vai se juntar à embarcação Brigitte Bardot e seu grupo, que já estão no local defendendo as baleias-piloto.

O tribunal britânico definiu a fiança hoje em 520.000 libras esterlinas (cerca de 846.290 dólares). Uma vez que o valor exato foi definido, o Diretor da Sea Shepherd britânica, Darren Collis, correu para o banco e realizou a transferência do dinheiro (ao tribunal), apenas um minuto depois, e a carta de fiança foi publicada!

A data da audiência ainda não foi definida para o processo civil movido contra Sea Shepherd pela empresa maltesa Fish & Fish Limited. No entanto, a Sea Shepherd está pronta para a batalha com esta empresa, que está contribuindo para o desaparecimento do atum-azul, ameaçado de extinção. Acreditamos firmemente que nós apanhamos os seus barcos em flagrante, ilegalmente trazendo atum-azul das águas da Líbia. Temos evidências, e estamos ansiosos para o nosso dia no tribunal contra estes saqueadores do oceano.

A Fish & Fish tem um histórico de usar o sistema judicial para perseguir seus opositores. Em 2007, o jornalista Raphael Vassallo, com o jornal Malta Today, começou a escrever sobre as empresas de atum local. Ele apontou deficiências nos dados de importação e exportação, as taxas de engorda que pareciam biologicamente impossíveis, e um caso de embarcações ilegalmente repatriadas. Vassallo e seu jornal foram posteriormente notificados de uma ação civil, que ele descreveu como “uma ação de difamação judicial em massa por todas as cinco empresas” na ilha – Ta’Mattew Fish Farms, Fish & Fish Tuna Ranch, Malta Fish Farms, AJD Tuna, e Mare Blu Tuna Ranch. As empresas acusaram Vassallo de ser responsável por perdas financeiras causadas por suas alegações “caluniosas” e “difamatórias”.

As acusações contra Vassallo finalmente caíram, mas as empresas de atum continuam processando o jornal, para impedir que outras reportagens sobre o assunto fossem feitas.

A Fish & Fish está tentando intimidar a Sea Shepherd também, e com a esperança de nos mutilar financeiramente, e, assim, reduzir a nossa capacidade de nos opormos à caça ilegal de atum no Mediterrâneo.

“Nós não vamos ficar inquietos ou intimidado por sua riqueza e sua reputação em usar processos judiciais para silenciar a oposição. O atum-azul está no limiar da extinção”, disse o presidente e fundador da Sea Shepherd, o Capitão Paul Watson. “Devemos isso a esta espécie para lutar contra os caçadores ilegais no mar, na mídia e nos tribunais. Agimos com justiça para intervir contra a sua operação ilegal. E ganhando ou perdendo, acreditamos que pelo atum-azul, uma espécie incrível e magnífica à beira da extinção, vale a pena todo o dinheiro e esforço que pudermos reunir para salvá-lo”. A Operação Fúria Azul da Sea Shepherd continuará a intervir contra caçadores.

“Não há nenhum tribunal, nenhuma corporação, e nenhum governo do mundo que vai nos convencer de que é errado evitar a extinção destes peixes”, disse o Capitão Watson. “Contra a economia de extinção é que estamos lutando. Diminuição eleva os preços, e como as populações de peixes nos oceanos está reduzindo, o preço do peixe congelado em armazéns aumenta, e com isso, o peixe mais caro do mundo se tornará ainda mais caro. Com a extinção, os cadáveres congelados tornam-se inestimáveis. Esta é a ganância, no auge da depravação, não mostrando nenhum respeito pela natureza ou pelas gerações futuras, e não vamos ficar parados e permitir que o atum-azul deslize para o esquecimento de extinção biológica. Custe o que custar, seja qual for o risco, pretendemos defender o atum-azul”.

Agradecemos a todos que fizeram doações para ajudar a campanha Salve nosso Navio. Sua ajuda nos permitiu ‘libertar o Steve‘, que em breve estará a caminho das Ilhas Faroé. No entanto, apesar dos esforços de todos, tivemos que cortar nosso orçamento já escasso para pagar a fiança e ‘libertar o Steve‘. Enfrentamos os custos da Operação Ilhas Ferozes em curso, o trânsito de nossos navios do hemisfério norte para o sul para a Operação Vento Divino, e, finalmente, o custo dessa campanha da Antártida. Estamos todos na mesma equipe, apesar dos nossos diferentes papéis e diferentes localidades. Todos nós sentimos aquele impulso interior para proteger vidas inocentes e seus ecossistemas, e sei que muitos de vocês têm dado o que é possível, mas por favor, continuem fazendo suas doações, pois sem sua ajuda, não podemos continuar este importante trabalho.

“Estamos em uma guerra para salvar os nossos oceanos de nós mesmos”, disse o Capitão Watson. “E se perdermos, todos nós perdemos, porque se os oceanos morrem, todos nós morremos – simples assim”.

Por favor, continuem a nos apoiar e manter os nossos navios no mar, fazendo o que eles fazem melhor!

Como colaborar:

As doações podem ser feitas através do link http://seashepherd.org.br/doacoes/ ou diretamente no site internacional: https://my.seashepherd.org/NetCommunity/SSLPage.aspx?pid=398

O Instituto Sea Shepherd Brasil – Guardiões do Mar agradece, em especial, a todos os brasileiros que se engajaram nesta causa mundial pela proteção aos oceanos, e fizeram suas doações para que fosse possível ‘libertar o Steve’. Nosso muito obrigado a cada um de vocês.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

Oportunidade histórica de proteger as grandes baleias!

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Agora mesmo todos que amam os oceanos têm uma oportunidade histórica de mostrar que levam a sério a proteção das baleias. A criação de santuários marinhos pode ajudar a salvar essas majestosas criaturas, mas nós precisamos de “todas as mãos no convés” para ajudar a fazer isso acontecer.

O governo australiano recentemente lançou uma proposta para novos santuários marinhos na região sudoeste da Austrália, uma área que é o lar de metade das espécies de baleias e golfinhos do mundo, e um nível de vida marinha única maior do que a Grande Barreira de Corais.

baleiasMas a proposta não inclui nossas baleias, e outras vidas marinhas.

Na proposta, áreas críticas de alimentação para a ameaçada baleia-azul, a maior criatura que já viveu, serão deixadas desprotegidas e sujeitas a perfuração de petróleo e a detonação sonar. Na verdade, de dez pontos críticos para baleias, tubarões e outras vidas marinhas na região, apenas dois tiveram propostas de proteção.

Contudo, se todos nós tomarmos medidas agora, antes do prazo de 8 de agosto, podemos mudar essa decisão. Mostre à Austrália que os apoiadores da Sea Shepherd do mundo todo levam a sério a proteção das baleias, dando seu recado.

Isso irá tomar apenas alguns minutos do seu tempo, para inserir seus dados para garantir os santuários marinhos para o benefício de todos nós. Contribuições são aceitas de todo o mundo.

Peixes, tubarões, baleias e outras vidas marinhas estão em perigo eminente de um evento de extinção catastrófico e sem precedentes que está nas mãos da humanidade, e estão desaparecendo em um ritmo muito mais rápido do que se havia previsto, segundo um estudo sobre os oceanos do mundo do Programa Internacional para o Estado dos Oceanos. Sobrepesca, poluição, escoamento de fertilizantes da agricultura, e a acidificação dos mares, causada pelo aumento das emissões de dióxido de carbono, estão colocando criaturas marinhas em perigo extremo.

Uma das maneiras fundamentais para salvaguardar a vida em nossos oceanos únicos, é a declaração dos santuários marinhos.

Os apoiadores da Sea Shepherd querem ações diretas e resultados diretos. Mas sem os santuários marinhos não existem paraísos da vida marinha seguros para alguém proteger e patrulhar.

Acesse o site http://www.saveourmarinelife.org.au/sea-shepherd. Preencha os dados e clique em “Have your say”. Envie para seu amigos.

Juntos, nós podemos garantir que essas áreas sejam criadas.

Obrigado!

Jeff Hansen
Diretor Australiano
Sea Shepherd Conservation Society

Jeff Hansen, Diretor da Sea Shepherd Austrália

Jeff Hansen, Diretor da Sea Shepherd Austrália

Traduzido por Bruna Lunardi, voluntária do ISSB

S.O.S.: Salve o nosso navio, o Steve Irwin! – Atualização e apelo contínuo

Por Carla Robinson, Diretora de Desenvolvimento

Steve Irwin (atualmente)

Steve Irwin (atualmente)

Em nome do capitão Paul Watson e todos da Sea Shepherd por todo o mundo, ofereço um caloroso muito obrigado a todos vocês que doaram para nos ajudar a salvar o nosso navio! Entretanto, o navio ainda está detido no porto de Lerwick, na Escócia, aguardando nossa possibilidade de pagar uma fiança que estimamos ser do montante de 1.411.692,87 dólares.

Como chegamos a isso? Como alguns de vocês já sabem, no final da tarde de sexta-feira, 15 de julho, nossa embarcação, o Steve Irwin, foi detida nas ilhas escocesas Shetland pela corte britânica devido a um processo civil contra nós pela companhia maltesa Fish and Fish Limitada. Eles alegam danos por causa do atum-azul que resgatamos de suas redes em junho de 2010, peixes que acreditamos ter sido pegos ilegalmente após o encerramento da temporada, sem um inspetor a bordo, ou qualquer documento que provasse a legalidade de sua pesca.

Desde o nosso apelo inicial, seis dias atrás, aqueles de vocês que amam a vida marinha fizeram um número recorde de doações para nós para um período de tempo como esse, e ficamos profundamente tocados por seu apoio em massa. No domingo, 24 de julho, nossa estimativa de doações chegou a 442.279,37 dólares – isto é fantástico, mas ainda estamos bem aquém de nosso objetivo. Esperamos que aqueles de vocês que não doaram ainda encontrem uma maneira de fazê-lo.

Westra, adquirido em 2006

Westra, adquirido em 2006

Trabalho com a Sea Shepherd há 16 anos, portanto não posso deixar de me emocionar durante este esforço de salvar o nosso navio. Espero que vocês compartilhem do nosso amor a esse navio, que fez tanto pela defesa da vida selvagem dos oceanos. A embarcação de 174 pés, Steve Irwin, é muito preciosa para nós! No outono de 2006, quando encontramos o navio pela primeira vez, na Escócia, ele se chamava Westra – e tinha servido orgulhosamente como embarcação da Proteção da Pesca Escocesa. A Sea Shepherd comprou o navio com a ajuda de numerosos apoiadores, mudou seu nome para Robert Hunter (em referência ao bom amigo do capitão Watson, com quem fundou o Greenpeace) e navegou para a Antártida para surpreender os baleeiros ilegais japoneses! Com a capacidade de navegar a 16 nós, o Robert Hunter manteve os matadores de baleias em fuga com mais sucesso do que se tinha feito no passado.

Em 2007, mudamos o nome da embarcação oficialmente para Steve Irwin, em homenagem ao falecido conservacionista australiano. Um pouco antes de sua morte prematura, Steve afirmou sua intenção de vir à Antártida conosco para defender as baleias ao lado do capitão Watson e sua corajosa tripulação. Assim, parecia adequado que ele pudesse juntar-se a nós em espírito, com o seu nome adornando nosso mais rápido e eficaz navio de proteção às baleias do mundo.

Nos curtos cinco anos desde sua aquisição, o navio fez mais de 30 viagens e transportou centenas de tripulantes dedicados para lugares remotos, onde a vida selvagem do oceano precisava de defesa. Existe um incontável número de horas de trabalho investidas no navio, na forma de manutenção, reparos e melhorias. Além desse trabalho voluntário, também houve uma miríade de presentes materiais trazidos ao navio por apoiadores cuidadosos, incluindo peças, ferramentas, suprimentos e comidas de todos os tipos (e lembre-se, esses brindes comestíveis são aquilo que funciona de combustível para nossa tripulação poder fazer o que fazem de melhor!).

Robert Hunter, em campanha em 2006

Robert Hunter, em campanha em 2006

Por ser o Steve Irwin o navio que o capitão Watson navega e do qual lidera nossas campanhas, chamamos ele de nau almirante. O Steve serve como nosso comando e centro de controle durante as campanhas, e também é a base de nosso helicóptero. Desde a nossa aquisição do Steve, construímos um compartimento especial na popa, para proteger as hélices delicadas da aeronave e abrigar o seu mecanismo de precisão da ferrugem induzida pela maresia dos oceanos – e protegê-la da frota baleeira japonesa!

Isso me traz de volta ao nosso dilema atual! Precisamos que o Steve Irwin seja liberado de sua detenção em Lerwick, na Escócia, para que nossa embarcação possa rumar para as ilhas Faroé, na Dinamarca, para sua próxima tarefa. Nosso objetivo é ter o Steve em conexão com a nossa embarcação trimarã, o Brigitte Bardot (antes Gojira) o mais rápido possível, e começar a trabalhar na intervenção contra o massacre cruel de baleias piloto que os faroenses chamam de “trabalho árduo” (The Grind). Assim que nossa missão lá no Atlântico Norte estiver cumprida, esse cavalo de batalha que é a embarcação de conservação, irá rumar de volta ao Santuário do Oceano Austral para, mais uma vez, proteger as baleias indefesas dos arpões dos baleeiros ilegais japoneses. 

Mais do que nunca, precisamos de nossa tripulação de apoio – VOCÊ – para nos ajudar a superar esta adversidade e levar adiante a missão que temos em mãos. Se você pode doar, por favor, saiba que qualquer quantia que tiver a possibilidade fará realmente diferença. Se você não puder fazer uma doação neste momento, por favor, considere compartilhar esta mensagem com seus amigos, familiares e círculo de influencia através do Facebook, Twitter e email. O seu apoio a nós é valioso em qualquer forma – e agradecemos a você!

Libertem o Steve!

Muito obrigado por nos ajudar a defender a vida selvagem do oceano por todo o mundo,

Carla Robinson
Diretora de Desenvolvimento
Sea Shepherd Conservation Society

Como colaborar:

As doações podem ser feitas através do link http://seashepherd.org.br/doacoes/ ou diretamente no site internacional: https://my.seashepherd.org/NetCommunity/SSLPage.aspx?pid=398

Traduzido por Carlinhos Puig, voluntário do ISSB.

Desafiando a morte nas praias da Namíbia

Membros da Sea Shepherd escapam da Namíbia

Relato do Capitão Paul Watson

Não é sempre que uma pequena organização pró-conservação é acusada de ser uma ameaça à segurança nacional de uma nação. Minha tripulação acaba de retornar a salvo para a África do Sul, depois de completar a Operação Focas do Deserto, uma missão sigilosa da Sea Shepherd Conservation Society na Namíbia. Eu me encontrei com eles na sexta feira, 22 de julho, em Durban, KwaZulu-Natal.

Focas na Reserva de Focas de Cape Cross

Focas na Reserva de Focas de Cape Cross

Nossa missão era documentar e expor o terrível massacre de focas filhotes na tempestuosa e fria costa desértica do litoral sudoeste da África. Devo acrescentar que é difícil ser sigiloso atualmente, especialmente quando nossa série de TV, Whale Wars, parece ser tão popular, mesmo no Sul da África. Meu papel era fazer entrevistas na Reserva de Focas de Cape Cross no dia que o massacre de focas filhotes deveria começar. Eu realizei as entrevistas como planejado, mas não havia nenhum caçador de focas a vista. Aparentemente várias pessoas me reconheceram e a notícia que a Sea Shepherd estava na costa da Namibia se espalhou.

Como resultado, os matadores foram orientados a não se aproximar da praia, e o massacre foi adiado. No entanto, essa pausa durou apenas cinco dias. Durante esse tempo, nossa casa alugada foi invadida por ladrões, apesar do fato que uma tripulante estava na casa no momento. Ela conseguiu fugir, mas retornou mais tarde com outros tripulantes, encontrando câmeras quebradas, e os passaportes, laptops e dinheiro tinham sido roubados.  Um grupo de marinheiros na Baía de Henties também atacou outros membros de nossa equipe, incluindo o líder da campanha, Steve Roest. Steve saiu de uma loja e encontrou outra tripulante cercada por um grupo de homens furiosos gritando contra ela. Ela se manteve tranquila enquanto Steve calmamente entrou no carro e ambos dirigiram-se para um local seguro.

Tripulantes se preparam para a missão sob a proteção da noite

Tripulantes se preparam para a missão sob a proteção da noite

Fomos descobertos e forçados a realizar uma falsa retirada, e para que acreditassem, eu tive que sair do país. Eu o fiz com o serviço secreto da Namíbia me seguindo pelo deserto até o aeroporto, em Windhoek, enquanto o resto da tripulação se dispersava em grupos pré determinados para continuar a missão.

Essa foi minha primeira visita à colônia de focas de Cape Cross, na Namibia, onde o negociador internacional de pele de foca, Hatem Yavuz, um residente australiano e cidadão turco, opera o que é hoje a maior matança de focas no planeta, matando mais de 90.000 focas a cada ano.

Foi uma ótima experiência estar entre tantos pinípedes e na maior colônia de focas que já vi. Os filhotes de foca eram adoráveis, e as inter-relações sociais entre as mães focas e seus filhotes eram fascinantes. Mas, ver os filhotes de foca brincando uns com os outros alegremente enquanto eu sabia que eles seriam espancados até a morte em uma questão de dias foi extremamente entristecedor. A indústria de turismo da Namíbia também sabe disso, já que Cape Cross não é apenas uma reserva de focas, é ironicamente uma das maiores atrações turísticas da Namibia, e traz muito mais lucro para as comunidades costeiras do que a chacina de focas.

No entanto, o problema permanece, pois esse não é principalmente um ponto turístico; ao invés disso é uma área de assassinato em massa. Os assassinos de focas quebram os crânios dos filhotes de focas no início da manhã, e assim que eles acabam o trabalho sujo, um trator chega na praia e cobre a areia recentemente encharcada de sangue. Só depois, quando a verdade está literalmente e figurativamente enterrada na areia, os turistas podem entrar na reserva para observar o “espetáculo belo e sereno das focas de Cape Cross no seu habitat natural”.

Então por que isso continua? Porque pessoas como Hatem Yavuz conseguem manter as concessões para a caça de focas na Namíbia através de propinas para oficiais do governo e polícia. Toda essa caça é ilegal, e sobrevive apenas graças à gritante corrupção envolvendo políticos da Namíbia, burocratas, polícia e agora os militares.

Depois que saí da Namíbia, no começo de julho, os líderes de equipe da Sea Shepherd, Steve Roest, do Reino Unido, e Laurens de Groot, dos Países Baixos, se reagruparam para implementar o plano de atravessar 15 quilômetros de deserto até a colônia de focas na praia. Seu objetivo era posicionar câmeras, e assim documentar remotamente a brutalidade dos caçadores de foca da Namíbia. Laurens liderou uma equipe com um australiano, vários sul africanos e um batedor namibiano. Uma segunda equipe, de suporte, incluía diversos americanos, um australiano e dois cidadãos sul africanos.

(Esquerda para direita) Laurens de Groot, Paul Watson, Steve Roest

(Esquerda para direita) Laurens de Groot, Paul Watson, Steve Roest

A equipe se enterrou nas areias da praia, em sacos de dormir para protegê-los do frio – não foi agradável. Um dos membros estava em um buraco gravando os caçadores dirigindo em direção à colônia de focas, quando virou para trás e viu um escorpião (do gêreno Androctonus) com seu ferrão levantado e pronto para atacar. Quase cara a cara com o escorpião, ele rolou para dentro do buraco até que o artrópode se assustou e fugiu. Ele não estava ciente que aquele tipo de escorpião é capaz de lançar seu veneno. Por mais desagradável que tudo aquilo tenha sido, a equipe conseguiu se posicionar no escuro, com uma boa visão da área de caça.

Era um bom plano, mas no final a Sea Shepherd não é páreo para as forças militares da Namíbia. Nossa equipe foi localizada usando imagens térmicas a partir de um barco de patrulha da praia, e soldados foram enviados na direção dos nossos agentes na praia. Usando equipamentos de visão noturna, os voluntários da Sea Shepherd puderam ver os militares se aproximando e perceberam que os soldados também estavam equipados com seus próprios equipamentos de visão noturna.

Foi uma longa e exaustiva corrida pelo deserto até os carros. Em determinado momento, um membro da equipe foi perdido quando se abrigou em uma mina de sal para evitar ser descoberto. Ele conseguiu se unir ao resto da equipe, e assim que entraram na rodovia, viram carros da polícia correndo na direção deles. Os carros passaram, indo em direção à praia, para evitar que nossa equipe escapasse. A equipe da Sea Shepherd então seguiu para as montanhas, dirigindo os veículos sem luz, enquanto usavam os equipamentos de visão noturna para evitar pedras, dunas e desfiladeiros. Até que chegaram a salvo na fronteira com a África do Sul. Foi uma viagem perigosa, angustiante e desconfortável, mas eles conseguiram chegar à fronteira com a África do Sul sem serem pegos.

Caçadores de focas descansando

Caçadores de focas descansando

E eles o fizeram na hora certa! O Presidente da Namíbia foi insensato; o que fizemos não era mais uma simples invasão de propriedade. O Presidente Hifikepunye Pohamba nos declarou uma ameaça à segurança nacional e afirmou que as focas precisavam ser mortas para não comer os peixes da Namíbia. Assim terminou nossa primeira jornada investigativa às praias ensanguentadas de Nam.

Por que a Sea Shepherd está se envolvendo agora? Porque depois de anos batalhando contra a horrível chacina de focas no Canadá, nós finalmente vimos o colapso do mercado canadense de produtos de focas. Ainda que o Departamento de Pesca Canadense aumente a cota de caça anualmente, nesse ano chegando a quase 468.000 focas, na realidade foram mortas apenas cerca de 58.000, assim elevando a Namíbia ao primeiro lugar das nações que matam focas no planeta. E uma vez que a Sea Shepherd inicia um projeto, nós ficamos com ele até que a missão seja cumprida. Nosso objetivo de destruir o mercado de produtos derivados de focas do Canadá foi alcançado, e agora vamos focar nossas energias para parar a Namíbia.

Delegacia de polícia na Namibia

Delegacia de polícia na Namíbia

Não será fácil. Assim como o Canadá, a Namíbia transformou em crime a documentação por civis das atrocidades na praia, para manter a caça escondida. Mas, diferente do Canadá, ao invés de multas e pequenas surras da polícia, a Namíbia ameaça potenciais violadores com severas sentenças de prisão (e o potencial para significativas e letais surras). É um ambiente altamente perigoso, muito mais do que placas de gelo e perseguições com a guarda costeira canadense. Na Namíbia é a simples agressividade sendo empregada na defesa da matança. Os caçadores de focas da Namíbia fazem os caçadores de Newfoundland e Magdalen parecerem hippies pacíficos em comparação, e diferente do Canadá, a corrupção na Namíbia é gritante. O governo, a polícia e os militares estão à venda e todos sabem disso.

Esse tipo de oposição brutal pede por uma estartégia muito diferente da utilizada no Canadá, e nosso objetivo é documentar, expôr e utilizar essa evidência para criar pressão econômica. Nós precisamos nos concentrar no turismo, especialmente da Alemanha. Nós precisamos espalhar as imagens da brutalidade da Namíbia por todo mundo. Nós precisamos apontar o holofote internacional de condenação no pequeno grupo de gananciosos cidadãos não-namibianos que estão lucrando às custas de cidadãos namibianos inocentes e da vida marinha.

A Namíbia tem um incrível potencial como a Meca do turismo, e uma população saudável de focas é um certo atrativo turístico. No entanto, as populações de focas estão diminuindo, e o tamanho da colônia já foi drasticamente reduzido. O que foi uma vez magnífico é hoje muito menos, e diminui a cada ano. Logo, haverá apenas poucas focas, o interesse turístico irá sumir e com ele todo o grande lucro derivado do turismo, que beneficia tantos trabalhadores namibianos.

A Sea Shepherd está atualmente entrincheirada na luta para acabar com essa desprezível e ilegal chacina de focas. Nós entramos nessa briga dramaticamente e agressivamente, e vamos continuar com uma campanha agressiva e ousada até que alcancemos nosso objetivo de abolir os crimes de Yavuz e dos políticos corruptos que ele paga para recolher os lucros do sangue derramado de centenas de milhares de filhotes de foca indefesos e inocentes.

Fábrica de processamento de pele de foca

Fábrica de processamento de pele de foca

Traduzido por Marcelo C. R. Melo, voluntário do ISSB.